Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

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terça-feira, agosto 09, 2011

terça-feira, maio 31, 2011

“Ajudas”, mistificações e exemplos externos

1. Compromissos profissionais mantiveram-me ausente do país nos primeiros dias da passada semana. Deixei por isso de ter notícias do que foi ocorrendo em Portugal e, logo, também do debate que, presumivelmente, terá continuado a ser existir sobre a “ajuda” recebida do FMI, Comissão Europeu e BCE. Em boa verdade, podia tê-las tido mas não as procurei. Intoxicação noticiosa e debates entre dirigentes partidários foi coisa que abundou nas semanas que precederam esta minha saída, de que nunca senti falta.
2. A temática da “ajuda” foi o último tema sobre que me debrucei na véspera da partida, em razão de me ter sido solicitado que me associasse a uma “petição” que pretendia alertar a comunicação social para o lapso, voluntário ou involuntário, de se insistir em apresentar aos portugueses uma operação de financiamento externo do pais, bem onerosa, de facto, como se de uma acção de beneficência se tratasse. Salvaguardadas as diferenças de contexto, é como falar de ajuda dos bancos às famílias quando estes põem ao seu dispor um crédito para aquisição de casa ou de um outro qualquer bem ou serviço. Acresce que, no caso do crédito concedido ao país, não só os juros cobrados estão longe de ser irrisórios quanto a penhora se estende a dimensões críticas da gestão da economia portuguesa, da organização e gestão do Estado e a diversos aspectos da regulação dos mercados.
3. Face ao volume da dívida contraída, pública e privada, o comum dos portugueses dirá que não restava alternativa que não fosse negociar o crédito necessário e aceitar as condições dos financiadores. Só que, dito assim, fica clara a natureza e os custos da operação e, daí, cai o fundamento para se usar a dita expressão “ajuda” financeira. Por contrapartida, sobra espaço para que nos questionemos sobre o porquê do caminho percorrido e sobre quem nos arrastou para este precipício, mesmo que as derradeiras semanas tenham servido, sobretudo, para a realização de enormes operações de lavagem de responsabilidades: ouvindo o que foi sendo dito na televisão, na rádio e nos jornais, só pode concluir-se que o descalabro das contas públicas a que se chegou não foi culpa de quem quer que fosse ou, melhor, foi dos portugueses, especialmente daqueles que estão sem emprego, viram os seus salários reduzidos ou foram penalizados pela contracção das prestações sociais a que tinham acesso, numa lógica de solidariedade social.
4. Desatento das notícias do país, sobrou-me mais tempo para olhar para as realidades do meu local de acolhimento temporário, onde fui confrontado, igualmente, com coisas boas e coisas más: boas, aquelas que se exprimiam na qualidade e atenção do atendimento em muitos serviços que utilizei, da hotelaria às lojas de retalho, dando sinal da formação adquirida pelos prestadores de serviço e do respectivo comprometimento com a qualidade do atendimento ao cliente; más, na expressão material do lixo que vi espalhado pelas ruas, no desordenamento urbanístico que também vi e nas queixas que me chegaram da qualidade duvidosa do serviço dos transportes públicos locais, deixando claro que a famosa “pontualidade britânica” já não é o que era.
5. Não servirá o exemplo britânico que aqui invoco (Coventry) para desculpar os erros de planeamento e de gestão que são patentes em muitas das nossas cidades, nem a falta de civismo de outros é desculpa para a nossa. Servirão ambos de alerta para o que importa que façamos melhor. Servirão ambos para nos alertar para a necessidade de cuidarmos melhor o nosso património construído e de educarmos melhor os nossos cidadãos. Tal é sempre exigível mas é-o mais quando são equacionados projectos de desenvolvimento que procuram tirar partido dos valores patrimoniais, materiais e imateriais, das nossas cidades e vilas, e dos serviços que podem ser prestados a quem as visita.
6. O que é particularmente curioso no caso de Coventry, cujo centro histórico mantém alguns edifícios e arruamentos com relevante valor estético-cultural, é a circunstância da cidade aparecer pontuada por prédios de grande altura e de gosto que não chega a ser duvidoso dada a má impressão que causam no visitante desde o primeiro instante. Esta realidade é tanto mais desconcertante quanto, na imediata vizinhança, se podem encontrar outros núcleos urbanos, Warwick nomeadamente, em que foi possível preservar a respectiva qualidade estética e é notório o cuidado que é dedicado às zonas envolventes, votadas ao lazer e ao desporto. Falta-me a informação para ir mais longe na compreensão desta realidade contrastada. Porventura, lá como cá, farão diferença a formação e a postura dos actores políticos e a forma como os cidadãos sufragam ou não as políticas e os políticos. No presente ou no futuro, acabarão por ser os cidadãos que pagarão, de um modo ou de outro, os atentados que são cometidos contra as nossas cidades ou a economia do país, como é bem patente olhando para o cenário que Portugal vive nesta altura, com expressão no défice e na dívida pública e respectivas consequências em termos de recessão económica, desemprego e empobrecimento da maioria da população.

J. Cadima Ribeiro

[artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no contexto de colaboração regular]

sábado, maio 28, 2011

Quem nos arrastou para este precipício?

Face ao volume da dívida contraída, pública e privada, o comum dos portugueses dirá que não restava alternativa que não fosse negociar o crédito necessário e aceitar as condições dos financiadores. Só que, dito assim, fica clara a natureza e os custos da operação e, daí, cai o fundamento para se usar a expressão “ajuda” financeira. Por contrapartida, sobra espaço para que nos questionemos sobre o porquê do caminho percorrido e sobre quem nos arrastou para este precipício, mesmo que as derradeiras semanas tenham servido, sobretudo, para a realização de enormes operações de lavagem de responsabilidades: ouvindo o que foi sendo dito na televisão, na rádio e nos jornais, só pode concluir-se que o descalabro das contas públicas a que se chegou não foi culpa de quem quer que fosse ou, melhor, foi dos portugueses, especialmente daqueles que estão sem emprego, viram os seus salários reduzidos ou foram penalizados pela contracção das prestações sociais a que tinham acesso, numa lógica de solidariedade social.

J. Cadima Ribeiro

terça-feira, maio 03, 2011

A evolução da conjuntura económica: a leitura feita por alguns alunos de Economia

1. Como não precisa de ser sublinhado, Portugal atravessa um dos períodos mais críticos da sua história económica recente, fruto de má gestão macroeconómica, ausência de projecto para o país e vazio de liderança política, entregue que tem estado a agentes cujo compromisso é unicamente com a sua sobrevivência enquanto actores políticos e com a sua corte de seguidores ciosos de protagonismo e de partilha de benesses a que se acede em razão de filiações clubísticas.
2. Tendo o agudizar da crise coincidido com o início do funcionamento de uma unidade curricular de que sou responsável, onde os alunos são chamados a reflectir sobre a evolução da economia portuguesa, foi com particular curiosidade que aguardei a chegada dos primeiros textos e a escolha que seria feita em matéria de tópicos. Nos parágrafos seguintes dá-se notícia sucinta disso, que acompanho com comentários meus.
3. Curiosamente, o primeiro texto que me chegou (a 1 de Março de 2011) foi sobre a Política Agrícola Comum e respectivas “consequências para a agricultura portuguesa”, chamando a sua autora (Raquel Alves) a atenção para a circunstância de, no momento da adesão à CEE (EU), Portugal necessitar de “políticas que promovessem a produtividade”. Acrescentando que “a lógica do aumento da produtividade foi totalmente invertida, passando a ser aplicadas à agricultura portuguesa medidas completamente inapropriadas […]. Portugal esteve a ser pago para não produzir. Factores como preços agrícolas a cair, maiores rendimentos (…) e taxas de juro mais baixas levaram ao aumento da procura e do consumo de bens agrícolas que, pela falta de produção interna, resultaram num aumento das importações […] claramente a agricultura portuguesa não se tornou mais competitiva com a adesão à UE, contribuindo para a degradação e abandono deste sector”. Não sendo esta a explicação mais relevante para o nível de endividamento externo que o país atingiu, não deixou de vir daí um contributo, que também é sintomático da forma descuidada como ao longo do tempo se olhou para o tecido produtivo nacional, abdicando-se em grande medida não apenas de ter uma política agrícola como de ter política industrial. A ausência de projecto a esses dois níveis nem sequer foi compensada pelo desenvolvimento esclarecido e atempado de uma política de serviços tomando como elemento central o sector turístico. Irónico é que, na véspera da chegada do FMI a Portugal, um secretário de Estado se tenha lembrado do potencial de recursos subaproveitados existente no sector primário.
4. Nos textos mais recentes, não surpreenderá que os temas versados sejam “a tolerância de ponto” concedida pelo governo na véspera da Páscoa e, uma vez mais, a “política económica”. Do que se diz (Joana Araújo) sobre o primeiro tópico, destaco a afirmação seguinte: “os feriados e tolerâncias de ponto são um tema que é sistematicamente discutido em debates sobre o crescimento económico […] será que a imagem que transmitimos ao exterior é a de um país que se esforça na produção? Infelizmente, a percepção que subsiste no exterior não é a melhor […]. Imaginem a ideia que poderá ter passado para os países que estão a ponderar ajudarem o nosso país, ou para os senhores dos fatos pretos representantes do FMI, UE e BCE”. Poder-se-á dizer, a propósito, que se tratou de uma tarde apenas mas, como aparece sublinhado, não é isso um sinal errado que se está a dar aos agentes económicos e às famílias? Há alguém que considere preferível que se aumentem impostos e se cortem salários como alternativa a tornarmo-nos mais produtivos e a aproveitarmos melhor os recursos que possuímos?
5. Sobre “política económica” e competitividade escreveu o estudante que tratou o tema (Bruno Ferreira) o seguinte: “É óbvio que para Portugal sair desta situação crítica precisa que os seus produtos sejam mais competitivos externamente, e precisa de produzir mais. No entanto, pouco tenho visto ser feito […]. Um dos problemas que se levanta com a possível descida dos salários é o facto de muitos países que concorrem com Portugal terem salários significativamente mais baixos”. Invoca-se aqui a ideia propagada por alguns sectores que uma das principais respostas para a competitividade do país estará na desregulamentação do mercado de trabalho e na descida dos salários. De tão divulgada essa ideia, não surpreendente que o estudante a tenha retido.
6. O que me choca é que pareça não se estar consciente ou se esconda que os custos com a mão-de-obra na China, não há muito tempo, não iam além de 8% dos portugueses, sendo que os valores correspondentes dos indianos se situavam nos 11%, os dos búlgaros em 19%, e os dos marroquinos e dos turcos em 69%. Será que mesmo assim faz sentido fazer desta “variável” o elemento estratégico da nossa competitividade? Por contrapartida, poderia invocar o caso de diversos produtos portugueses sofisticados que são colocados em diversos mercados externos e que nem por isso têm dificuldade em concorrer aí. Obviamente, o tipo de aposta prosseguida pelas empresas que protagonizam esses negócios é outro. Será que não é possível multiplicar esse modelo de inserção nos mercados? Será que não é possível implementar políticas que sinalizem correctamente os caminhos que a economia portuguesa deve percorrer? Obviamente, não é a olhar exclusivamente para os equilíbrios financeiros de curto prazo, como se fez ao longo dos últimos 10 anos, que lá se chega.

J. Cadima Ribeiro

[artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no contexto de colaboração regular em coluna intitulada "A Riqueza das Regiões"]

domingo, maio 01, 2011

“Economia Portuguesa: uma Economia com Futuro”

«Economia com Futuro
Um compromisso e um apelo

Em tomada de posição pública intitulada “Para uma nova economia”, divulgada após a aprovação do Orçamento de 2011, um numeroso grupo de professores universitários de economia e de outras ciências sociais (a que se vieram a associar muitos outros cidadãos e cidadãs) preveniu que a austeridade inscrita no Orçamento não iria conter a pressão especulativa contra Portugal e tolheria o passo às mudanças estruturais de que o País carece para alcançar um desenvolvimento sustentável.
Nesse mesmo texto escrutinavam-se as raízes culturais, ideológicas e institucionais da crise: o menosprezo pela ética, a exaltação do “mercado”, a insensibilidade face às desigualdades e à pobreza, a desvirtuação e subestimação do papel económico do Estado, a desregulamentação da finança, o predomínio dos interesses financeiros sobre o conjunto da vida económica e da sociedade, a extensão injustificada das relações mercantis a domínios cada vez mais alargados da vida social, incluindo áreas tão sensíveis como a prestação de cuidados de saúde, a educação e a protecção na infância e na velhice.
Denunciava-se também uma visão estreita da economia, assente em pressupostos sobre a eficiência dos mercados e o comportamento racional dos indivíduos, que se revela incapaz de explicar a realidade da vida económica e do mundo actual e desastrosa nos seus efeitos quando incorporada nas políticas e aplicada. Afirmava-se, assim, a existência de conhecimentos económicos que permitem fundamentar a denúncia dos falsos pressupostos das opções de política que originaram e estão a aprofundar a crise, e que podem, ao mesmo tempo, dar um contributo para a invenção de soluções com futuro.
As propostas então avançadas partiam de uma definição dos fins que vale a pena prosseguir: eliminação de carências básicas e correcção das desigualdades, valorização do trabalho humano e promoção do emprego, provisão económica num quadro de sustentabilidade ambiental, eficiência económica compatível com justiça social e coesão territorial, coexistência de modos de provisão e de uso mercantis e não mercantis.
Essas propostas apontavam também para a necessidade urgente de reformas aos níveis global e europeu de governação:
- Intervenção adequada e coordenada a nível mundial, tendente à eliminação dos paraísos fiscais, à regulação das agências de rating, à tributação das transacções financeiras, à refundação das instâncias reguladoras, à reforma dos sistemas bancários, ao combate às acções especulativas e ao reforço da responsabilidade e da conduta ética nos negócios.
- Reforma da arquitectura do euro, das instituições e das políticas europeias, envolvendo o combate às assimetrias comerciais no interior da Eurozona, a reorientação das prioridades do Banco Central Europeu com ênfase num papel activo no financiamento dos Estados e em políticas monetárias amigas do emprego, a coordenação eficaz das políticas económicas com flexibilização das políticas monetária e orçamental, o reforço da base fiscal dos Estados com coordenação dos diversos sistemas tributários que salvaguarde os modelos sociais europeus, o relançamento de uma estratégia de desenvolvimento digna desse nome à escala da UE, o reforço da regulamentação das instituições financeiras, o combate às desigualdades e à pobreza, a auditoria das dívidas privada e pública.
Desde o momento da divulgação desta tomada de posição até hoje nenhum passo substancial foi dado nestas direcções. Pelo contrário, as reformas anunciadas ao nível da União Europeia apontam no sentido da consolidação da ortodoxia monetária e orçamental, da subordinação dos estados aos mercados financeiros, da insensibilidade às assimetrias sociais e territoriais no interior do espaço europeu e do aprofundamento do défice democrático da União. Isto é, continua a caminhar-se, exactamente, no sentido contrário ao desejável.
Entretanto, a crise das periferias aprofundou-se e Portugal viu-se envolvido na voragem dos resgates. O novo programa de austeridade e de “ajustamento estrutural” associado aos empréstimos do FEEF/FMI, orientado para a salvaguarda dos interesses do sector financeiro à custa dos rendimentos salariais e da prestação de serviços públicos de acesso universal, traduzir-se-á, a exemplo do que está a acontecer na Grécia e na Irlanda, em aumento do desemprego e da pobreza e em agravamento das desigualdades sociais e territoriais. Originando mais recessão, e não o crescimento que promete, poderá falhar na necessária consolidação orçamental e não reduzirá a dívida nem o fardo dos seus juros. Portugal sairá do novo programa mais debilitado e em piores condições para fazer face aos problemas colocados pelo aumento da dívida.
Agora, mais do que nunca, é necessário mobilizar o conhecimento económico e de outras ciências sociais para a invenção e proposta de soluções com futuro. Há perguntas que pedem uma resposta urgente.
Sabemos que não há lugar para uma conciliação entre medidas de austeridade violentas (exclusivamente orientadas para a consolidação orçamental e a redução da dívida externa no imediato) e crescimento capaz de equilibrar o orçamento e reduzir a dívida a prazo. Ao nível da UE há soluções possíveis (eurobonds, intervenção do BCE no mercado primário da dívida), mas parece não existirem condições políticas para as fazer vingar. Por isso mesmo, a reestruturação da dívida tem sido sugerida por quadrantes de opinião muito diversos como uma solução a encarar. Será uma reestruturação agora preferível a uma reestruturação tornada inevitável no futuro por uma recessão profunda e prolongada? Quais as implicações, benefícios e custos de uma tal reestruturação? Como deve ser concebida e negociada?
A manterem-se a actual arquitectura da zona euro e as respectivas orientações estratégicas, e mesmo que os problemas do défice e da dívida se resolvam de uma forma ou de outra, Portugal continuaria a ter de viver com uma moeda que é forte, como os sectores exportadores de tecnologia complexa desejam, mas que é demasiado forte para uma economia como a portuguesa. Essa é uma das causas do défice externo que Portugal viu crescer na década do euro. Mesmo com todo o investimento em ciência verificado nos últimos anos, Portugal não deu o salto tecnológico, económico e social necessário para competir no quadro da zona euro. Que espaço existe para Portugal na zona euro tal como ela existe? O que seria uma Eurozona com lugar para Portugal e outras economias periféricas? O que fazer se não for possível reformá-la?
A premência dos problemas do momento não pode fazer perder de vista os disfuncionamentos estruturais do actual modelo de desenvolvimento global e os dilemas a ele associados. A prioridade ao emprego e ao desendividamento a prazo aponta para a necessidade de crescimento. Este desiderato tem conflituado, não raro, com imperativos de sustentabilidade ambiental e coesão social. O “sucesso” das economias emergentes acentua os riscos de exaustão dos recursos e a pressão sobre o ambiente. Por outro lado, apesar da redução da pobreza para milhões de seres humanos verificada nos últimos anos naquelas economias, a distância entre os mais ricos e os mais pobres à escala mundial e no interior da maior parte dos países não cessa de aumentar. Como resolver o problema do emprego, do desendividamento e do desenvolvimento num quadro de reconhecimento das restrições ambientais e da necessidade de salvaguarda da coesão social?
Pelas perguntas que há em aberto e pela necessidade premente de encontrar soluções com futuro, os subscritores deste documento tomaram a iniciativa de promover a conferência “Economia Portuguesa: uma Economia com Futuro”, que terá lugar a 30 de Setembro de 2011 na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa.
A conferência pretende ser um momento de debate público de ideias que entretanto germinem nesta rede de reflexão.
O conhecimento económico que se encontra disperso na sociedade, que não é monopólio de académicos e muito menos que têm tido oportunidade de se pronunciar, deve ser neste momento mobilizado de forma operativa. Precisamos de uma economia com futuro.

28 de Abril de 2011

Adelino Torres (ISEG, Un. Técnica de Lisboa)
Américo Mendes (Un. Católica Portuguesa – Porto)
Ana Cordeiro Santos (CES, Un. Coimbra)
Ana Costa (ISCTE-IUL)
António Oliveira das Neves (IESE)
António Covas (Un. do Algarve)
António Romão (ISEG, Un. Técnica de Lisboa)
António Fernandes de Matos (Un. da Beira Interior)
António Manuel Figueiredo (Quaternaire)
António Simões Lopes (ISEG, Un. Técnica de Lisboa)
Aurora Teixeira (FEP, Un. Porto)
Carlos Farinha (ISEG, Un. Técnica de Lisboa)
Clara Murteira (FEUC, Un. Coimbra)
Efigénio Rebelo (Un. do Algarve)
Emanuel Leão (ISCTE-IUL)
Fernando Pessoa (Un. do Algarve)
Isabel Guerra (DINÂMIA-CET)
João Carlos Graça (ISEG, Un. Técnica de Lisboa)
João Carlos Lopes (ISEG, Un. Técnica de Lisboa)
João Ferrão (ICS, Un. de Lisboa)
João Ferreira do Amaral (ISEG, Un. Técnica de Lisboa)
João Guerreiro (Un. do Algarve)
João Rodrigues (CES, Un. de Coimbra)
João Seixas (ICS, Un. de Lisboa)
Jorge Bateira (Assessoria Deputado Parlamento Europeu)
Jorge Vala (ICS, Un. de Lisboa)
José António Cadima Ribeiro (Un. do Minho)
José Castro Caldas (CES, Un. de Coimbra)
José Madureira Pinto (FEP, Un. do Porto)
José Manuel Henriques (ISCTE-IUL)
José Manuel Rolo (ICS, Un. de Lisboa)
José Sobral (ICS, Un. de Lisboa)
José Portela (Un. de Trás-os-Montes)
José Reis (FEUC e CES, Un. Coimbra)
Júlio Mota (FEUC, Un. Coimbra)
Luís Francisco de Carvalho (ISCTE-IUL)
Maria Luísa Lima (ISCTE-IUL)
Manuel Brandão Alves (ISEG, Un. Técnica Lisboa)
Manuel Couret Branco (Un. de Évora)
Maria Eduarda Gonçalves (ISCTE-IUL)
Margarida Abreu (ISEG, Un. Técnica de Lisboa)
Margarida Antunes (FEUC, Un. Coimbra)
Margarida Chagas Lopes (ISEG, Un. Técnica de Lisboa)
Maria José Melo Antunes
Maria de Fátima Ferreiro (ISCTE-IUL)
Maria Manuela Silva (ISEG, Un. Técnica de Lisboa)
Marta Varanda (ICS, Un. de Lisboa)
Nuno Martins (Un. Católica Portuguesa – Porto)
Olívia Bina (ICS, Un. de Lisboa)
Pedro Costa (ISCTE-IUL)
Pierre Guibentif (ISCTE-IUL)
Raul Lopes (ISCTE-IUL)
Ricardo Paes Mamede (ISCTE-IUL)
Rogério Roque Amaro (ISCTE-IUL)
Rui Junqueira Lopes (Un. de Évora)
Vitor Neves (FEUC, CES, Un. Coimbra)»
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sábado, abril 30, 2011

Não é a olhar para os equilíbrios financeiros de curto prazo que lá se chega

O que me choca é que pareça não se estar consciente ou se esconda que os custos com a mão-de-obra na China, não há muito tempo, não iam além de 8% dos portugueses, sendo que os valores correspondentes dos indianos se situavam nos 11%, os dos búlgaros em 19%, e os dos marroquinos e dos turcos em 69%. Será que mesmo assim faz sentido fazer desta “variável” o elemento estratégico da nossa competitividade?
Por contrapartida, poderia invocar o caso de diversos produtos portugueses sofisticados que são colocados em diversos mercados externos e que nem por isso têm dificuldade em concorrer aí. Obviamente, o tipo de aposta prosseguida pelas empresas que protagonizam esses negócios é outro. Será que não é possível multiplicar esse modelo de inserção nos mercados? Será que não é possível implementar políticas que sinalizem correctamente os caminhos que a economia portuguesa deve percorrer? Obviamente, não é a olhar exclusivamente para os equilíbrios financeiros de curto prazo, como se fez ao longo dos últimos 10 anos, que lá se chega.

J. Cadima Ribeiro

quinta-feira, abril 21, 2011

Curiosidade dos tempos que correm: do FMI e quejandos

«Impacto no Minho da entrada do FMI

• Tendo em conta a actual conjuntura, quais seriam os sectores primeiramente visados e afectados pela acção do Fundo Monetário Internacional?

• Sendo uma região com tradição agrícola, de que modo este sector sofreria com a acção do FMI? [A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) vai pedir à missão técnica da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional atenção ao sector agrícola, considerando que em tempo de crise é fundamental apostar na produção.]

• De que modo a intervenção do FMI afectaria a gestão autárquica das principais cidades minhotas?

• Medida do FMI na Grécia:
“Alargar os limites pelos quais os empregadores podem despedir funcionários:
- Empresas com até 20 empregados: sem limite;
- Empresas com um número de empregados entre 20 e 150: até 6 despedimentos por mês;
- Empresas com mais de 150 empregados: até 5% dos efectivos ou 30 despedimentos por mês

Redução das indemnizações por despedimento, que também poderão ser pagas bimensalmente”

Qual o impacto de uma medida similar em Portugal, reconhecendo a fragilidade do sector industrial na região Minho?

• A entrada do FMI é uma “oportunidade” ou uma “ameaça”?»

[guião de uma entrevista concedida hoje pelo signatário desta mensagem (J. Cadima Ribeiro) a um órgão de comunicação escrita, não diário, existente no Minho]

quinta-feira, janeiro 20, 2011

quinta-feira, outubro 21, 2010

"E lá acordamos para mais um dia de triste e vil tristeza orçamentada"

"E lá acordamos para mais um dia de triste e vil tristeza orçamentada, nós, os servos da gleba hipotecária, sem direito a enfiteuse, a emigração ou ao pé-de-meia, para podermos gritar que não foi o fascismo que voltou, mas um devorismo patrimonialista e neofeudal, com um estadão armado em mercantilista, tecendo loas ao superministro de sinal na cara..."

José Adelino Maltez

(excerto de mensagem, datada de 2010/10/18, intitulada A cicuta orçamentada ou a cápsula Fénix?, disponível em Sobre o tempo que passa)

quinta-feira, outubro 14, 2010

Desenvolvimento regional; desenvolvimento nacional (II)

1. Ouvindo acerca de duas semanas as declarações feitas para os telejornais por Teixeira dos Santos e José Sócrates sobre a situação económico-financeira nacional e as medidas que o governo se propunha tomar para debelar o défice público, não pude deixar de pensar que um incompetente nunca admite a sua incompetência. Tenha-se a-propósito presente que o país vive um período de estagnação económica desde 2001 e que as receitas em que se insiste para nos tirar da crise são as mesmas que nos arrastaram para este quadro de dívida, de anemia estrutural e de descrença.
Nesse contexto, há quem venha falando da premência de se estabelecerem pactos políticos. Alternativamente, eu sou a favor de um pacto social, isto é, de um pacto entre agentes e estruturas económicas e sociais e uns poucos agentes políticos que conservem a noção de serviço público, que nos permita descolar do quadro lamacento, sem projecto para o país e as suas gentes para que nos deixámos empurrar.
2. Na mesma ocasião, lembrei-me também das respostas que, na véspera, dera a um estudante que me fizera chegar um pedido de ajuda. Essas respostas iam-me desfilando na cabeça à medida que ia escutando as palavras de assentimento, de conformismo de uns quantos economistas que apareceram de seguida a comentar as medidas anunciadas pelo governo.
3. A primeira pergunta fora: "Quem considera serem neste momento os maiores concorrentes da economia portuguesa? (Grécia, Espanha, Irlanda... ou, numa perspectiva mais ampla, poderemos considerar a zona asiática, essencialmente a China, como um concorrente à "nossa" zona euro?). Retenho de seguida parte da resposta que dei:
“A nível de produtos e serviços, entendo que a China e a Ásia, de um modo geral, me parece concorrerem mais com Portugal que os países europeus que menciona. Tal acontece igualmente com vários países do leste europeu. A Espanha será, porventura, o país que mais se assemelha a Portugal em matéria de estrutura produtiva. Se o enfoque fosse o investimento directo estrangeiro, então os países europeus de leste seriam os concorrentes mais directos”.
Explorando o tema nesta altura, talvez chamasse a atenção para o gritante défice de investimento em qualificação dos recursos humanos que persiste no país, pese embora ou talvez por causa de “as novas oportunidades”, e para a continuada escassez de investimento em investigação, ao mesmo tempo que o governo insiste em assinar contratos muito dispendiosos com universidades americanas.
4. A segunda pergunta que me fora endereçada repostava-se a "Quais são(eram) as nossas vantagens competitivas (Zona costeira? Ponto geográfico? Energias Renováveis?....?)?". Apeteceu-me logo sublinhar que o problema de desenvolvimento do país resultava muito mais de outras coisas que da ausência ou da estreiteza de recursos. Acabei por lá chegar mas, antes, sublinhei que:
“As energias renováveis são claramente uma oportunidade a explorar, mas o turismo também o é e tem sido subaproveitado. Na dimensão potencial turístico e energético, a zona costeira é uma fonte potencial de vantagens competitiva, como muitos outros atributos do país, incluindo o posicionamento geográfico.
Os territórios e os países, de um modo geral, devem constituir carteiras de produtos e organizá-los de modo a tirar deles o melhor partido económico, muito mais do que fazer apostas em factores ou produtos isolados. Para tal é preciso ter estratégia e capacidade de iniciativa e liderança, que são dimensões deficitárias em Portugal”.
5. E já que falo de recursos dos territórios e de turismo, em particular, sugere-se-me perguntar por onde anda e a que conduziu a reorganização das regiões turísticas que o primeiro governo de José Sócrates tão empenhadamente levou a cabo? A que resultados levou?
Do que vai transparecendo a esse propósito, sei que em matéria de promoção turística uns são tidos como filhos e outros como enteados. Sei, também, que o caminho que importa fazer da oferta turística no sentido de produtos mais “sofisticados” e visando clientelas mais exigentes está, em grande medida, por fazer, pese todos PENTs que se elaboraram.

J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado hoje no Jornal de Leiria)
Nota: uma primeira versão deste texto foi publicada na 3ª feira pp. no Suplemento de Economia do Diário do Minho

segunda-feira, junho 16, 2008

"Nas reformas estruturais era possível fazer mais" e melhor

"O processo de reformas tem de passar a ser encarado com naturalidade e deve ser uma exigência da população e dos seus representantes políticos, em lugar de uma fórmula encantatória para entreter o discurso político."

Teodora Cardoso

(excerto de entrevista de 08/06/16, ao Diário Económico, que recebeu o título "Nas reformas estruturais era possível fazer mais")