Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

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sexta-feira, outubro 29, 2010

Auto-estradas: procura e preço

«As situações de monopólio também dão origem a distorções. A empresa monopolista inteligente pode fixar o preço que maximiza os seus lucros. Por exemplo, a empresa que monopoliza as portagens em Portugal não é inteligente. É visível que em muitas delas se baixasse o preço em certa proporção o tráfego cresceria em proporção maior».

Júlio Barreiros Martins

(excerto de comunicação intitulada "A crise financeira portuguesa: algumas causas, consequências e eventuais remédios" ontem apresentada na EEG/UMinho no contexto da 1ª iniciativa Tertúlias do Departamento de Economia)

terça-feira, outubro 26, 2010

Tertúlias do Departamento de Economia: da crise financeira nacional à realidade actual dos cursos de Engenharia Civil pós-Bolonha

Avivando a memória dos leitores: "Tertúlias do Departamento de Economia: divulgação da 1ª iniciativa":

A primeira iniciativa terá lugar a 28 de Outubro, 5ª feira, pelas 16,00 horas, na sala 2.28 da EEG,
tendo como animador Júlio Barreiros Martins.
Versará brevemente os temas seguintes:
i) "A crise financeira portuguesa: algumas causas, consequências e eventuais remédios”;
e
ii) "A realidade nos cursos de Engenharia Civil pós-Bolonha".
Acompanharão o Professor Barreiros Martins nesta tertúlia, produzindo breves comentários, Francisco Carballo Cruz, (tema i) e João Cerejeira (tema ii).
O tempo previsto de duração do evento é de 1,30 horas.

sexta-feira, outubro 22, 2010

Humor (negro, rosa, laranja, ...?)

Bin Laden comenta

(título de mensagem, datada de hoje, disponível em Empreender)
-
Comentário: para que não fique dúvida, informo que sempre paguei as auto-estradas que utilizo (a partir de Braga) e, contra a minha vontade, também as que outros utilizam, sobretudo no Porto e em Lisboa; pagando eu, parece-me mais do que razoável que os demais utilizadores paguem também as que usam (e as pontes, de forma idêntica).
Notem entretanto que há outras dimensões associadas a esta problemática, nomeadamente as que se prendem com o ordenamento do território, matéria com que "ninguém" quis preocupar-se, até agora.

terça-feira, outubro 19, 2010

"Aumento significativo no número de empresas que requereram a sua própria insolvência"

"A constituição de novas empresas diminuiu em 2009, embora o saldo entre constituições e dissoluções naturais seja positivo. Como resultado da conjuntura económica no período analisado, as insolvências aumentaram substancialmente face ao ano anterior, verificando-se um aumento significativo no número de empresas que requereram a sua própria insolvência."

(excerto de estudo sobre “O TECIDO EMPRESARIAL EM PORTUGAL”, agora publicado pela Informa D&B, reproduzido em mensagem promocional de correio electrónico entretanto recebida da entidade produtora do estudo)

quarta-feira, setembro 29, 2010

"A Espanha será, porventura, o país que mais se assemelha a Portugal em matéria de estrutura produtiva"

- "Quem considera serem neste momento os maiores concorrentes da economia portuguesa? (Grécia, Espanha, Irlanda...etc. ou, numa perspectiva mais ampla, poderemos considerar a zona asiática, essencialmente a China, como um concorrente à "nossa" zona euro?)"[MBS]

- A(s) questão(ões) que enuncia, a meu ver, só é(são) na aparência, isto é, são múltiplas as respostas possíveis, mais ou menos detalhadas.
Brevemente, digo-lhe que, a nível de produtos e serviços produzidos, me parece que a China e a Ásia, de um modo geral, me parecem concorrerem mais com Portugal que os países europeus que menciona. Tal acontece igualmente com vários países do leste europeu. Dos países que lista, a Espanha será, porventura, o país que mais se assemelha a Portugal em matéria de estrutura produtiva. Se o enfoque fosse o investimento directo estrangeiro, então os países europeus de leste seriam os concorrentes mais directos.

J. Cadima Ribeiro

sábado, junho 12, 2010

Portugal: principais indicadores económicos

Tabela dos Principais Indicadores

População residente, N.º, 2009:
10 637 713
Índice de preços no consumidor, %, Abril de 2010:
0,7
Taxa de desemprego, %, 1.º Trimestre de 2010:
10,6
Produto interno bruto dados encadeados em volume (B.1*g), %, 4.º Trimestre de 2009:
-1,0

(excerto de página de abertura do portal do INE, na presente data)

segunda-feira, maio 17, 2010

"Economistas do choque e do pavor"

"Para todos os efeitos, em Portugal passamos a ter um bloco central que governa com o programa de austeridade de Ferreira Leite e dos economistas do choque e do pavor que cirandam por Belém."

João Rodrigues

(excerto de mensagem, datada de Segunda-feira, 17 de Maio de 2010 e intitulada O que o bloco central não nos diz, disponível em Ladrões de Bicicletas)

domingo, maio 16, 2010

"The Euro Crisis in Figures"

Artigo Spiegel Online
Graphics Gallery: The Euro Crisis in Figures:
http://www.spiegel.de/fotostrecke/fotostrecke-54629.html

terça-feira, maio 04, 2010

"Há, bem sabemos, muito por cumprir"

"Mas há, bem sabemos, muito por cumprir. E, em momento de dificuldades como os que hoje vivemos, sou levado a pensar que a principal revolução que ainda permanece incompleta está dentro de cada um de nós. Na falta de ambição. Na falta de coragem. Na falta de entrega. Na falta de critérios de exigência. Na falta de valores."

Ricardo Rio

(excerto de mensagem, datada de Sexta-feira, 30 de Abril de 2010 e intitulada Abril sem dono, disponível em Suplementos de Economia)

terça-feira, março 30, 2010

Fazem sentido os programas de estabilidade e crescimento?

É interessante conferir as coisas desencontradas que por estes dias se têm escrito a propósito do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) que o governo português se propõe apresentar em Bruxelas nos próximos dias. Ilustrando isso, retenho excertos de alguns textos que li:
i) “O programa de Estabilidade e Crescimento que […] vai ser discutido no Parlamento acaba por ser o possível. E dentro do universo dos caminhos possíveis, é sensato, pragmático e, para quem o queira ver, orienta-nos para uma nova relação com o Estado e a sociedade” (Helena Garrido, Jornal de Negócios, 22 de Março);
ii) “Este não é o tempo dos Vencidos da Vida. Porque neste Portugal, entre um PEC e a estagnação, há quem esteja convencido que é um vencedor. Mesmo se todos à sua volta forem vencidos” (Fernando Sobral, Jornal de Negócios, 22 de Março);
iii) “Ataca o problema mais preocupante (mesmo que não seja o mais importante), aponta na direcção certa, contém algumas medidas ousadas, inverte parcialmente um caminho que muitos de nós vinham considerando errado e parece ter condições para sossegar aqueles que, no exterior, podem ter influência nos custos financeiros que a actual situação nos acarreta” (Vítor Bento, Jornal de Negócios, 22 de Março);
iv) “As medidas que estão a ser citadas como merecendo reserva de alguns ministros dizem respeito às alterações nos apoios sociais. O PEC prevê o congelamento de alguns apoios sociais que não têm por base contribuições e alterações no subsídio de emprego” (Redacção, Jornal de Negócios, 22 de Março);
v) “[…] atendendo à situação calamitosa a que o País chegou, muitas destas medidas, mesmo as injustas, teriam que ser assumidas por qualquer Governo que perseguisse estes mesmos objectivos num tão estreito corredor temporal. Mas […] tem a imperdoável mancha de ser um documento totalmente orientado para a consolidação orçamental e que descura por completo a vertente de promoção do crescimento económico do País” (Ricardo Rio, Suplementos de Economia, 19 de Março);
vi) “Portugal precisa de uma consolidação da sociedade, antes de pensar no deve e haver. Este problema já não se resolve com contas de subtrair. Modifica-se com um novo olhar sobre o país, sobre o futuro que quer para quem cá vive e sobre o modelo que deve seguir para o conseguir” (Fernando Sobral, Jornal de Negócios, 22 de Março);
vii) “[…] é essencial que as forças políticas mais responsáveis, e que têm tido a principal responsabilidade no governo do actual regime político, lhe assegurem o apoio necessário a garantir-lhe a credibilidade no exterior. Melhorando-o, se necessário, mas não lhe virando as costas” (Vítor Bento, Jornal de Negócios, 22 de Março);
viii) “ Se o PEC já tinha contra si o facto de ser tímido no corte de despesa pública e a reserva mental do PSD, como é que estas divergências, intra-partidárias, vão ser recebidas pelos mercados e agências de rating?” (Camilo Lourenço, Jornal de Negócios, 22 de Março);
x) “Um programa que aponta como meta de futuro a degradação dos salários reais, a precariedade, o trabalho temporário, o aumento crescente e permanente do desemprego, a ansiedade como companheira inseparável da vida, a desagregação social, enfim, um sistema que não é capaz de criar as condições mínimas de vida em sociedade e relega uma parte considerável dos seus membros, ano após ano, para a periferia da vida, é um sistema que tem de ser derrubado por qualquer meio!” (JM Correia Pinto, Politeia, 18 de Março).
Arrumadas de forma mais ou menos arbitrária e fazendo uso de um número limitado de fontes, referidas a um intervalo de tempo curto e a vários autores, estas citações darão, creio, uma imagem razoavelmente fidedigna da complexidade da problemática e da enorme controvérsia que a enforma. Quem não o percebesse, ficaria também a saber que há dimensões nesse debate que se filiam no modelo de sociedade que queremos ter e, bem assim, que interpelam o regime político e seus protagonistas. É também por isso que este debate não dá espaço para um qualquer enunciado conciliador de visões e propostas, quer dizer: rejeita-se o modelo de gestão da economia que nos conduziu a este beco ou admite-se que, ao virar da esquina, o beco não desemboca num precipício; repudia-se o sistema político fechado, anquilosado que gera e alimenta tão maus gestores da coisa pública ou acha-se que políticos tão maus são acaso geracional ou fruto de circunstancialismos sociais e culturais precários.
Curiosamente, há quem consiga “esquecer” que as políticas prosseguidas não são socialmente neutras, como se a desigualdade na distribuição de rendimento em Portugal não fosse já a mais elevada da União Europeia (a par da Roménia). Estranhamente, há quem apele à convergência na superação das dificuldades que se vivem (há uma dezena de anos) às “forças políticas mais responsáveis”, não lhe causando desconforto, sequer, que tenham “tido a principal responsabilidade no governo do actual regime político”.
Num quadro de crise e de ausência de projecto, aceito que é hora de convocar os portugueses. É entretanto para um projecto de crescimento da economia portuguesa que importa convocá-los, que é, aliás, a única forma estrutural de combater défices orçamentais, de empregos e das contas externas. Estou certo da respectiva adesão. Têm é que perceber na entidade convocante uma vontade e uma postura que não seja a da conveniência da preservação do poder. Têm é que reconhecer nessa entidade alguém que dialoga, que é credível e capaz de ser solidário nos maus momentos, que tem humildade e inteligência suficiente para entender que projectos mobilizadores se suportam em ideias e agentes mobilizadores, e que sabe que contractos sociais (de desenvolvimento) se celebram com os actores sociais e não com membros de outras confrarias.
Fazem sentido os programas de estabilidade e crescimento? Claro que fazem, quando tenham como objectivo o crescimento económico e o bem-estar das populações. Serão é outros PECs.!

J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

quinta-feira, março 12, 2009

"Produto Interno Bruto registou uma variação nula em volume no conjunto do Ano 2008 e diminuiu 1,8% no 4º Trimestre"

"Em 2008, o PIB registou uma variação nula em volume, o que compara com a variação de 1,9% verificada no ano anterior. Este comportamento resultou, sobretudo, do intenso contributo negativo da procura externa líquida para o crescimento do PIB, mas também da desaceleração da procura interna. Em termos nominais, o PIB ascendeu a cerca de 166 mil milhões de euros, mais 1,8% que o valor do ano anterior. No 4º trimestre de 2008, o Produto Interno Bruto (PIB) diminuiu 1,8% em volume face ao período homólogo de 2007, abaixo do verificado no trimestre anterior (0,4%). Esta diminuição do PIB esteve associada à evolução da procura interna, cujo contributo para o crescimento do PIB foi de -1,3 p.p. no 4º trimestre (1,6 p.p. no anterior), sobretudo em função do comportamento do Investimento. Em sentido inverso esteve a procura externa líquida, com um contributo menos negativo no 4º trimestre de 2008 (-0,5 p.p., o que compara com -1,2 p.p. no anterior). Relativamente ao trimestre anterior, o PIB diminuiu 1,6%."
*
(Resumo de Destaque(s) do INE, de 11 de Março de 2009, disponível em INE - Produto Interno Bruto registou uma variação nula em volume no conjunto do Ano 2008 e diminuiu 1,8% no 4º Trimestre)

sábado, janeiro 24, 2009

segunda-feira, agosto 04, 2008

segunda-feira, maio 19, 2008

"Mais de três anos depois de ter tomado posse, o Governo ainda justifica o injustificável com o passado"

Novas oportunidades para a precariedade

(título de mensagem, datada de Segunda-feira, 19 de Maio de 2008, disponível em 0 de Conduta)

terça-feira, maio 06, 2008

A dinâmica estrutural recente do Minho e do país: seus reflexos no emprego

Entre 2000 e 2007, a população activa no país registou um crescimento de 7,5 %, resultante do aumento da população do grupo etário dos 15-64 anos (4,6%) e da sua taxa de actividade, que subiu de 60,9% para 62,6%. No mesmo período, a população com emprego cresceu 3%, variando de 5020,9 mil pessoas em 2000 para 5169,7 mil em 2007. Por sua vez, o desemprego total, no quarto trimestre de 2007, afectava 439,5 milhares de pessoas - 7,8% da população activa, uma das taxas mais elevadas da União Europeia a 27.
Na NUT II (unidade estatística de nível II) Norte, a população empregada ascendia, em 2007, a 1800,7 mil (34,8% do emprego do país) e o desemprego atingia 186 mil trabalhadores (41,5% do desemprego do país) – 9,4% da população activa, embora no último trimestre de 2007 tenha registado uma taxa ligeiramente menor (9,1%). A taxa de desemprego na NUT II Norte é, desde 2003, mais elevada do que no país devido, sobretudo, à maior exposição dos sectores produtivos tradicionais à concorrência dos países asiáticos e dos novos membros da União Europeia.
Se considerarmos entretanto apenas o emprego não público por conta de outrem e os dados de 2005, os números para o país e para a NUT II Norte atingiam, respectivamente, 2855059 e 994988 activos, sendo que, destes, se destacava o Grande Porto, com cerca de 13% do emprego do país, e as NUTs III do Cávado e do Ave, que representavam 10% do emprego do país, no seu conjunto.
Estes dados e este desempenho em matéria de emprego são, insiste-se, resultado da conjuntura económica geral e da transformação da estrutura da produtiva que se vinha registando no país e nas unidades territoriais retidas, com justificação significativa na perda de competitividade dos sectores produtivos predominantes em termos nacionais e nas NUTs em análise. Concretamente, entre 1996 e 2005, o emprego por conta de outrem da NUT II Norte perdeu posição relativa no emprego do país (-1,4%), devido sobretudo à quebra em termos absolutos do emprego no sector secundário nas NUTs do Grande Porto e Ave, não compensada pelo crescimento do emprego no sector terciário.
Fruto de dinâmicas diferenciadas, a insipiência da industrialização e da terciarização no Minho-Lima e uma menor dependência do sector secundário na NUT III Cávado, os resultados destas unidades territoriais foram ligeiramente melhores, mas não particularmente auspiciosos.
Estando em causa uma profunda reestruturação produtiva do país e de cada uma das suas parcelas territoriais, como suporte de um tecido produtivo menos dependente de salários baixos e de produção sub-contratada de produtos relativamente banais, poder-se-ia assumir a necessidade do país dispor de uma mão-de-obra mais qualificada. Que se passava então nesta vertente?
A mesma fonte estatística (Quadros de Pessoal, Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social) indicava-nos, a esse respeito, que Portugal continuava em 2005 a registar indicadores muito menos favoráveis que a maioria dos países da União Europeia em matéria de formação dos seus recursos humanos. A evolução entre 2000 e 2005 foi, todavia, positiva. Com efeito, desceu de modo significativo (-9,5%, em média, no país e nas unidades territoriais em referência) o peso dos trabalhadores com habilitação igual ou inferior ao 1º ciclo (apesar de, em 2005, representar ainda cerca de ¼ dos trabalhadores), subindo o peso dos trabalhadores com qualificação mais elevada, em particular, os habilitados com ensino secundário e superior.
Assim, o peso dos trabalhadores, nas NUTs III em estudo, com os 2º e 3º ciclos de formação académica era superior ao observado, em média, no país. O contrário sucedia com os trabalhadores com ensino secundário e superior. Importa, no entanto, não esquecer o défice geral de qualificação dos recursos humanos de Portugal, antes referido.
Tudo considerado, estes indicadores são bem elucidativos do caminho que importa percorrer para construir no país e nestes territórios um tecido produtivo que, sendo qualificado e internacionalmente competitivo, possa ser gerador de emprego e portador de nova esperança para as suas populações.
J. Cadima Ribeiro
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(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")
Nota: o texto que aqui se divulga é uma adaptação da versão pubicada no jornal referenciado