Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

sábado, outubro 21, 2006

Vamos acreditar

Portugal é um país “seguidor”, de modo que acompanha as crises geradas ao nível internacional, e os indicadores macroeconómicos destes últimos anos são sinónimo da própria conjuntura económica. Mas, ao que parece a retoma está aí... E os dados apresentados pelo boletim mensal da actividade económica fornecido pelo gabinete de estratégia e estudos do Ministério da Economia e Inovação, revelam a recuperação da economia portuguesa, no último trimestre (Julho, Agosto e Setembro).
Esta recuperação assenta essencialmente no contributo da procura externa, principalmente devido às exportações de bens e serviços que desde 2002 até ao último trimestre aumentaram 6,1 p.p..
O desemprego também acompanha as tendências e a taxa de desemprego diminuiu 0,7 p.p. em relação ao último trimestre de 2005. Este tema é o que mais gera polémica, pois nunca antes se tinha assistido em Portugal taxas de desemprego tão elevadas. No entanto, os nossos valores comparando com o de outros países mais ricos e desenvolvidos são até diminutos. É necessário desdramatizar esta questão, apesar de se saber que o desemprego é também uma questão social o qual é preciso tratar com alguma sensibilidade, pois mexe muitas vezes com problemas carência extrema das famílias.
A inflação verificou um enfraquecimento, neste último trimestre: a média dos últimos 12 meses foi de 2,7% e este último Agosto obtivemos 2%. É fundamental saber controlar este fenómeno, pois é a inflação que nos tira poder de compra e nos “deixa mais pobres”.
Como podemos verificar os indicadores estão num bom caminho, e é bem provável que a recuperação esteja já em curso. Assim, os portugueses podem “respirar melhor depois do desapertar do cinto” e voltar a sonhar num futuro próspero.
Eu acredito que a tardia recuperação de Portugal seja em grande parte devida ao pessimismo revelado exagerado dos nossos governadores e dramaticamente pelos meios de informação que em nada ajudou a mentalidade portuguesa, que enfatiza as tristezas e gostam de ser os desgraçadinhos. Mas sei que nós, os futuros economistas (como dizia outra profissão) do país, vamos ter uma grande responsabilidade no futuro do nosso país se deixarmos continuar que assim seja.
Em suma, encontrei a seguinte frase na página do Ministério da Economia e Inovação que traduz o que quero dizer: “A situação, ninguém a ignora, é muito difícil. Portugal enfrenta problemas complexos, que não podem ter uma solução imediata. Mas é clara a nossa tarefa, como é clara a nossa ambição: transformar o Portugal das fatalidades, no Portugal das oportunidades.”. Sabemos que é difícil, mas devemos lutar por sermos o que ambicionamos ser.

Paula Cristina Pereira Cerqueira
(doc. da série artigos de análise/opinião)

Destaques noticiosos do fim-de-semana

Actividade económica melhorou em Setembro [http://www.publico.clix.pt/Economia/noticia.asp?id=1274023] (20-10-06, in Público)
"O indicador coincidente de actividade económica do Banco de Portugal melhorou em Setembro, registando um crescimento homólogo de um por cento, indica hoje o relatório sobre indicadores de conjuntura de Outubro."
/.../
Investimento directo estrangeiro em Portugal cai 1,6% até Julho [http://www.publico.clix.pt/Economia/noticia.asp?id=1273809] (18-10-06, in Público)
"O investimento directo estrangeiro (IDE) em Portugal desceu 1,6 por cento até Julho, face a igual período de 2005, para 14 mil milhões de euros, segundo os dados do Ministério da Economia e da Inovação."

Estado sim, mas em doses qb

Sou defensora da ideia “Estado sim, mas em doses qb”, o segredo da nossa competitividade passa essencialmente por empresários e gestores, por uma dinâmica empresarial mais activa e competitiva. Para isso é necessário uma reestruturação política e social. A palavra “mudança” já assusta os portugueses, quanto mais falar numa “mudança de mentalidades”, que é absolutamente necessária.
Fala-se em necessidade de recursos humanos com elevado nível de qualificação, fala-se num sistema de justiça mais competente e eficaz, fala-se num Estado e Administração Pública mais desburocratizado, num sistema fiscal simples, claro, estável e competitivo, fala-se numa legislação laboral que permita flexibilidade e mobilidade, pretende-se uma boa interacção entre universidades, centros tecnológicos e empresas, queremos qualidade ambiental e segurança, coesão social com sistemas de Segurança Social e protecção ao desemprego adequados…é relativamente fácil identificar o que está mal, mas a alteração já não é tão linear como gostaríamos que fosse, é um problema estrutural de difícil resolução.
Como afirmou António Carrapatoso, numa entrevista ao jornal de negócios, a prioridade é atrair e reter investimento de qualidade para Portugal, e segundo este as, comparações internacionais não nos favorecem e não é evidente que tenhamos uma vantagem competitiva significativa.
A pergunta é: Como e onde é que podemos ser melhores?, e não alimentar o tradicional pessimismo nacional a apontar tudo o que há de mal no reino de Portugal. Pois para isso bastam os relatórios da OCDE e um olhar sobre uma Grécia que já é mais forte que Portugal.
Na minha opinião há muitos obstáculos a ultrapassar e todos eles têm um denominador comum: o peso excessivo do Estado. A saber, as regras e práticas pouco transparentes nos mercados, posições dominantes, favorecimentos e proteccionismos e burocracias excessivas são tudo factores inibidores de novas gerações de empresários e gestores dinâmicos que se desejam.
Assim, será necessário para obtermos um “Portugal do 1º mundo”, a introdução de planeamento a médio e longo prazo no Estado, com gestão por objectivos, incluindo indicadores de qualidade de serviço e benchmarking interno e externo; um programa integrado de redução significativa dos funcionários públicos identificados como excedentários; flexibilidade laboral e uma transição do sistema da Segurança Social para um sistema de capitalização com conta individual… só assim poderemos dar asas ao tão debatido “Compromisso Portugal”, que o governo tanto fala e “luta” para alcançar.

Sara Veloso

(doc. da série artigos de análise/opinião)

sexta-feira, outubro 20, 2006

Dilemas competitivos da empresa nacional: algumas reflexões

"As empresas nacionais encontram-se numa encruzilhada: por um lado, as pressões competitivas internas têm aumentado com a entrada de concorrentes internacionais; por outro lado, por força da integração europeia e da globalização dos mercados, são desafiadas a prosseguir os caminhos da internacionalização, sendo certo que esta via não é fácil nem está ao alcance de todas.
O presente artigo procura perscrutar os caminhos que se oferecem às empresas portuguesas. À luz desse propósito, apresenta-se uma matriz de opções estratégicas ao seu dispor, construída a partir da respectiva dimensão (reduzida/elevada) e da natureza da vantagem competitiva existente (idiossincrática/extrovertida). As trajectórias enunciadas são ilustradas por recurso a um conjunto de casos retirados do panorama empresarial recente."


J. Freitas Santos
J. Cadima Ribeiro

(resumo de artigo disponível na integra na entrada Publicações - Documentos de trabalho -2005 do sítio identificado de seguida:
http://www2.eeg.uminho.pt/economia/nipe/docs/WP_NIPE_16_05.pdf)

quarta-feira, outubro 18, 2006

Proposta de orçamento de Estado para 2007

"Re: Breves de economia
por Marta Rocha - Quarta, 18 Outubro 2006, 13:54

Relativamente ao orçamento do Estado de 2007 já se encontra à disposição, por isso achei interessante colocá-lo no nosso moodle: www.dgo.pt/oe/2007/proposta
Segundo esta proposta apresentada pelo executivo socialista, o Orçamento do Estado apresenta quatro traços característicos fundamentais: rigor, orientado para o crescimento; uma estratégia credível; redução das despesas públicas; e o estabelecimento de prioridades, tais como a ciência, tecnologia, inovação, qualificação, combate à pobreza e prestígio de Portugal."
(contribuição extraída da plataforma electrónica de apoio a Economia Portuguesa e Europeia, com a autoria e as referências identificadas)

A competitividade da economia portuguesa

Num contexto marcado pelo fraco crescimento económico português e um pessimismo generalizado a competitividade apresenta-se como uma questão central no debate do futuro da economia portuguesa. Recorrendo a dados do World Competitiveness Yearbook é analisado o actual posicionamento de Portugal, em termos de competitividade, no ranking mundial de 2006. Essa análise é feita através do estudo do desempenho macroeconómico do país, da eficiência da administração pública e das empresas e, também, da capacidade em termos de infra-estruturas. Por último, são apresentadas algumas propostas que podem contribuir para melhorar o actual posicionamento de Portugal no âmbito da competitividade mundial.


Vânia Silva
(resumo de trabalho a apresentar na aula de quinta-feira, 19 de Outubro de 2006)

domingo, outubro 15, 2006

Economia e as expectativas

É sabido que a economia anda de “mãos dadas” com as expectativas e que uma influencia a outra. Se estivermos em expansão as nossas expectativas serão, em princípio, mais elevadas podendo acentuar a própria expansão. Numa situação de recessão elas podem ainda agravar mais uma situação que já não é boa. Por outro lado, as expectativas podem levar a uma recessão económica ou mesmo tirar a economia da crise.
O comportamento de todos os agentes económicos rege-se, fundamentalmente, pelas suas expectativas em relação ao futuro. As famílias consomem se tiverem a certeza (o que nunca é uma certeza mas uma expectativa) de que o dinheiro gasto não lhes vai fazer falta num futuro recente. Já as empresas só vão investir se houver expectativas de que vão vender os seus produtos, e assim realizar lucros, pois o contrário seria impensável. O próprio Estado toma as suas decisões de política e de orçamento segundo expectativas. Somos assim levados a pensar que a economia “funciona” a expectativas, o que tem a sua razão embora não seja totalmente verdade.
Ora se os agentes económicos tomam as suas decisões com base em expectativas, é porque elas desempenham um papel deveras importante. Assim sendo como é que elas se geram? Quem é que influencia as expectativas que vão comandar a economia?
Existem várias entidades com este poder, nomeadamente os meios de comunicação social, os governos e eventualmente a própria oposição ao governo, determinadas individualidades e instituições nacionais e internacionais. Todos eles têm em comum uma característica muito importante: credibilidade. Para que os agentes económicos incorporem as expectativas transmitidas é preciso que eles acreditem em quem as transmite. No entanto, parece haver uma predisposição dos agentes para acreditar mais depressa em algo mais negativo que positivo.
Um mau exemplo de como os governantes podem influenciar as expectativas dos agentes económicos foi o “discurso da tanga” de Durão Barroso. A verdade é que naquela altura estávamos a entrar numa fase de recessão económica, e as declarações do então Primeiro Ministro não só não melhoraram a situação como a agudizaram, gerando uma onda de pessimismo entre os agentes económicos. Se eles pensavam que e situação não era das melhores, depois disto tiveram a “certeza” que era realmente péssima e retraíram os seus consumos e investimentos ainda mais.
Já o actual Ministro da Economia quis fazer precisamente o oposto quando disse que “a crise acabou” e o que importava agora saber era quanto iria crescer a economia, isto na minha opinião foi um pouco radical. Pouco tempo depois o ministro vinha dizer que a sua verdadeira intenção era desdramatizar a situação nacional. Ora, se a primeira declaração não foi das melhores a segunda deveria ter sido pensada com mais cuidado, mesmo havendo de facto grandes expectativas de retoma.
É preciso que as personalidades com capacidade de influenciar os agentes económicos se apercebam do verdadeiro poder que na realidade têm. Devem-se evitar declarações radicais pois podem gerar sentimentos de desconfiança e mesmo pânico. Acho sinceramente que os decisores de política deveriam encarar as suas declarações com prudência, pois as expectativas têm uma grande volatilidade, de modo a poderem usá-las como instrumento de política.

Alina Gonçalves

(doc. da série artigos de análise/opinião)

Destaques noticiosos do fim-de-semana

Conselho de Ministros aprovou proposta que será apresentada na segunda-feira (06-10-13, in Jornal de Negócios)
"O Governo aprovou hoje, em Conselho de Ministros extraordinário, a proposta de Orçamento de Estado para 2007, que será entregue segunda-feira no Parlamento e que tem como objectivo central a redução do défice para 3,7%."
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Nobel da Paz atribuído ao fundador do conceito. Número de microcréditos em Portugal mais do que duplicou em 2005 (06-10-13, in Público)
"O número de empréstimos concedidos a pessoas que não têm acesso a crédito para desenvolver negócios por falta de garantias mais do que duplicou em 2005 em Portugal, revelou a Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC)"

sábado, outubro 14, 2006

“QUOTAS DE MERCADO DAS EXPORTAÇÕES PORTUGUESAS: UMA ANÁLISE NOS PRINCIPAIS MERCADOS DE EXPORTAÇÃO”

[SÓNIA CABRAL; PAULO SOARES ESTEVES (2006)]

As quotas de exportação de Portugal têm vindo a sofrer uma evolução negativa nos últimos anos. Sónia Cabral e Paulo Soares Esteves (2006) explicam esta situação através de três efeitos: o efeito quota de mercado, o efeito estrutura combinada e o efeito residual. O efeito estrutura combinada é ainda subdividido em efeito estrutura geográfica, estrutura por produto e efeito estrutura misto. Os autores identificam também os principais concorrentes de Portugal, assim como alguns países que se encontram na mesma situação.

Alina Vieites Gonçalves

(resumo de trabalho a apresentar na aula de segunda-feira, 16 de Outubro de 2006)

Será a Retoma?

Nos últimos tempos têm surgido várias notícias de que a situação económica do país está a melhorar. Surgem previsões apresentados pelo INE que apontavam o crescimento de 7% das exportações como suporte para o desenvolvimento da economia portuguesa, e que a União Europeia cresceu ao mesmo ritmo, no segundo trimestre do ano face ao trimestre anterior; por ouro lado foram apresentados dados que mostravam que o PIB cresceu 0.9% em Portugal em comparação com o segundo trimestre do ano passado enquanto que o crescimento na União Europeia foi de 2.9%. Estes números coincidem com os posteriormente apresentados pelo departamento de estatística da União Europeia, o Eurostat. O surgimento destes dados que apontam para uma melhoria da situação económica do País, mesmo que não suficiente para a convergência com os demais parceiros da União, poderá ser positivo para “animar” as expectativas dos agentes económicos e influenciar as suas decisões.
A dúvida persiste. Será que estamos no caminho certo para ultrapassar a crise? Serão estes sinais suficientes para acreditar que estamos perante uma situação de retoma económica?
Por um lado surge um bom indicador para que a retoma seja possível impulsionada pela melhoria da procura externa, e pelo que tem sido possível apurar, a conjuntura externa irá continuar a melhorar pelo crescimento dos países da Zona Euro e principalmente dos parceiros de Portugal, nomeadamente a Espanha com um crescimento significativo; é também de constatar que na Alemanha, também importante parceiro, verifica-se uma situação de subida do IVA mas no entanto, penso que as exportações portuguesas continuaram a ser competitivas neste mercado. Outra situação positiva é o facto de a Angola estar a dar sinais de grande crescimento, e por questões históricas e culturais, já se torna um grande parceiro extra-comunitário, e poderá ser um parceiro estratégico para impulsionar as exportações noutros mercados. Outro bom indicador foi a estabilização do preço do petróleo a partir de meados de Agosto com a diminuição do receio de novas rupturas na oferta mundial, não sendo de prever novas subidas, o que poderá ser positivo para a competitividade das exportações portuguesas.
Outro indicador positivo é a moderação do consumo privado. Este factor pode ser explicado principalmente pela subida da taxa de juro que trava o pedido de empréstimo por parte das famílias e por sua vez a necessidade do país pedir dinheiro ao estrangeiro a juros também muito elevados.
Por outro lado, é necessário controlar a despesa pública neste período em que surgem sinais de retoma. Um agravamento da divida publica traria graves consequências quer pela possibilidade de pagamento de elevadas multas, quer pela possibilidade de comprometer o desenvolvimento para as gerações futuras principalmente neste contexto de elevadas taxas de juro. No entanto este controlo das despesas públicas não deve incidir apenas sobre o congelamento das carreiras ou de salários dos funcionários da função pública. É necessário tornar a massa do Estado menor mas capaz e responsável.
Por outro lado, o Eurostat registou uma tendência divergente da evolução do investimento em Portugal (recuou 2.5% no segundo trimestre face ao trimestre anterior) em contraste com a União Europeia (cresceu 1.8% no mesmo período). No meu entender, para a consolidação destes indicadores de retoma, o investimento não deve ser discriminado principalmente em projectos que sirvam para o impulso do crescimento futuro e moderem o desemprego; no entanto é necessário não ser o Estado a fazer estes investimentos pela necessidade de não agravar o défice público. Assim sendo devem ser encontradas soluções, como por exemplo a atracção de investimento estrangeiro ou por outro lado, no caso de investimentos de interesse público, considerar parcerias publico-privadas; defendendo assim o interesse publico e não agravando o défice.
A crise portuguesa trata-se de uma crise estrutural da qual só sairemos com mudanças profundas e, no meu entender, até podemos estar no caminho certo se abandonarmos os antigos factores de competitividade procurando ser competitivos em sectores mais intensivos em conhecimento, tecnologia e inovação; temos no entanto de ser rigorosos no controlo das contas públicas.

Hélder Martins
Nº 40295

(doc. da série artigos de análise/opinião)

sexta-feira, outubro 13, 2006

O que podes fazer pelo país?

À primeira vista, o quadro não é animador. O diagnóstico chega até nós diariamente na rádio, na TV, nos jornais, na Internet, enfim, em qualquer lado onde se fale de economia, de política, do país. Um país a crescer abaixo do seu potencial e em divergência com a Europa, contas públicas deterioradas, desemprego em níveis de que não há memória em Portugal, um dos mais altos níveis de endividamento da economia num contexto de subida dos juros, graves assimetrias regionais, fraquíssimos níveis de escolaridade da população, altos níveis de abandono escolar, fraco investimento em I&D, uma economia estruturalmente débil para enfrentar os desafios da competitividade internacional…
O cenário acima traçado quase faz esquecer o que foi feito em apenas duas décadas. Repito, para que não restem dúvidas: nos últimos 20 anos. Tenho 21 e nasci num país estatisticamente subdesenvolvido chamado Portugal. Por ter nascido com a adesão à então CEE, dificilmente terá havido uma geração a viver uma ilusão tão grande como a minha. Crescemos com a modernização do país. A integração europeia e um contexto internacional largamente favorável a partir de 1985 foram decisivos para o desenvolvimento português desde essa data. Ano após ano assistimos a progressos assinaláveis ao nível de infra-estruturas. Ano após ano se registavam melhorias expressivas no nível de vida dos portugueses. Não imaginávamos outro cenário que não fosse a rápida e contínua aproximação relativamente aos padrões de vida dos parceiros europeus.
Hoje sabemos que não é assim, embora me pareça que os portugueses não entenderam ainda as razões do problema e qual o caminho a seguir. Julgo ser altura de percebermos que as questões de desenvolvimento não são apenas da esfera de competências do Estado e da classe política.
Reformas. Uma das palavras mais ouvidas nos tempos que correm. Reforma da Justiça, da Administração Pública, da Segurança Social, da Educação e, noutro registo, reforma da estrutura produtiva. Como estudantes de Economia, percebemos bem a sua importância. Um Estado leve, eficiente, justo, com um sistema de protecção social sustentável, um Estado que assegura a qualificação dos cidadãos é a base para promover o crescimento económico e conciliá-lo com o desenvolvimento da sociedade. Como levar a cabo tais reformas se cada tentativa de mudança esbarra na resistência de quem não coloca sequer a hipótese de ver questionados os “direitos adquiridos”? Será possível desenvolver uma sociedade e uma economia competitiva quando os cidadãos se demitem das suas responsabilidades para com a mesma? Enquanto insistirmos em ver o Estado como “eles” e enquanto os culparmos “a eles” por tudo o que vai mal, será difícil promover um debate sério e abrangente. Espírito crítico, algo que não abunda em Portugal, é muito mais do que o permanente maldizer que ouvimos um pouco por toda a parte.
Ironicamente, há também uma necessária vertente individualista nas responsabilidades que menciono acima. Trata-se da adopção de uma postura empreendedora e participativa na dinâmica económica. Aqui sim, tal como nos dizem os ensinamentos do velho Adam, a prossecução do interesse individual e o bem-estar comum são perfeitamente compatíveis.
Não poderia deixar de lançar um repto aos colegas estudantes. Representamos um forte investimento do Estado e muitos das gerações anteriores nem sequer ousaram sonhar com as oportunidades que temos hoje. Mais do que os problemas relatados no início do texto, choca-me sobretudo o alheamento dos jovens relativamente a estas questões. Penso ser altura de assumirmos uma postura mais participativa, começando no próprio meio académico. A universidade é o espaço de conhecimento, inovação e produção de massa crítica por excelência e enquanto não percebermos isto estaremos a descurar alguns dos aspectos mais importantes da nossa formação.
Não pretendo pregar utopias e tenho perfeita consciência da dificuldade e lentidão com que se processa uma mudança de mentalidades tão profunda. Para começar seria bom que, como um dia disse JFK, deixássemos de perguntar o que pode o país fazer por nós, para nos questionarmos sobre o que podemos nós fazer pelo país.

Pedro Silva
(doc. da série artigos de análise/opinião)

quinta-feira, outubro 12, 2006

Factores que marcam a evolução do quadro económico global

"Factores que marcam a evolução do quadro económico global - dos mercados aos valores que informam os consumidores:

* Globalização dos mercados
- Liberalização do comércio mundial (Organização Mundial do Comércio - redução de tarifas e eliminação de contingentes; UE determina a política comercial dos Estados- membros)
- Concorrência transnacional (economias de escala; custos de mão de obra; dumping social)
- Desregulação da economia (redução da intervenção do Estado na economia)

* Crescente segmentação dos mercados
- Aumento da instrução (produtos light; produtos ecológicos)
- Aumento do rendimento (jovens; classe média; crédito)
- Ciclo de vida do produto desfasado entre países/regiões (reciclagem,...)

* Valorização pelo consumidor dos factores dinâmicos de competitividade
- Marca; Design; Qualidade; Personalização do produto; Serviço pós-venda; ...

* Continuação da introdução de novas
tecnologias - robotização e novas tecnologias de informação
- Robotização (novas formas de produção – mass customization)
- Novas tecnologias de informação (transferência de informação em tempo real)

* Aceleração do processo de inovação do produto
- Ciclo de vida do produto mais curto
- Necessidade de maior inovação (satisfação de novas necessidades; satisfação de novos clientes; novas localizações; alterações do produto)

* Crescente sensibilidade social para as questões da ecologia e da qualidade de vida
- Evidência de uma sociedade ecologicamente cada vez mais consciente, que procura uma nova qualidade de vida.
(Este dado vai igualmente ao encontro da ideia que o mercado se encontra a evoluir muito rapidamente em direcção a novos produtos e segmentos) "

J. Cadima Ribeiro

(extracto de apresentação digital intitulada “Contributo para a reflexão sobre o desemprego em Portugal: alguns retratos instantâneos e um comentário”; Braga, 11 de Março de 2006)

One in six workers is self-employed

«The non-financial business economy in the EU25

One in six workers self-employed
Two-thirds of persons employed in small and medium businesses

Within the EU25, self-employment accounted for 16% of total employment across the non-financial businesseconomy (NFBE)1 in 2005, with 19% of men self-employed, compared with 11% of women.
Small and medium sized enterprises (SMEs), which employ less than 250 people, are the backbone of the EU's NFBE, as they represented 99.8% of EU25 NFBE enterprises in 2003 and employed about two thirds of the workforce: 30% in micro businesses (with less than 10 persons employed), 21% in small businesses (with a workforce of between 10 and 49 people), and 17% in medium sized enterprises (between 50 and 249 persons).
These figures are taken from a report2 published by Eurostat, the Statistical Office of the EuropeanCommunities. A more complete picture of European enterprises, including a special feature on SMEs, can also be found in a new Eurostat publication, "Key figures on European Business 2006".»

Eurostat news release 133/2006 - 05 de Outubro de 2006


(Extracto do documento disponível em http://epp.eurostat.cec.eu.int)

terça-feira, outubro 10, 2006

Caracterização do desemprego em Portugal

O desemprego, enquanto fenómeno sócio-económico, tem um peso relativamente grande na vida dos agentes económicos.
De forma a minimizar as suas consequências e para o bom funcionamento da economia nacional, é necessário estudar este fenómeno segundo diversas variáveis determinantes, como o género, a idade, o nível de escolaridade ou a própria durabilidade do desemprego, para, assim, conseguir optar por políticas e medidas mais eficazes e que actuem directamente na fonte do problema.

Bernadette Cunha

(resumo de trabalho a apresentar na aula de quinta-feira, 12 de Outubro de 2006)

Para um novo modelo de Administração Pública

Nos dias que correm é evidente o descrédito em que caiu a máquina administrativa pública do nosso país. A partir de determinada altura questionou-se o rumo que esta estava a seguir, argumentando-se que ela foi construída com base em princípios errados precisando de ser reinventada e de renovar as suas instituições. Os constrangimentos económicos impuseram ajustamentos nas políticas e mudanças no funcionamento interno das organizações públicas. Têm sido várias as estratégias de reforma adoptadas para mudar o funcionamento da Administração Pública, desde cortes orçamentais, venda de bens do Estado, privatização, contratação de serviços, introdução de medidas de desempenho, da gestão por resultados, e de técnicas de gestão do sector privado. Tratam-se de medidas de reforma que se enquadram no modelo gestionário e que têm sido adoptadas nos países ocidentais acreditando que estes instrumentos de reforma são capazes de responder aos problemas económicos e sociais, em particular para introduzir maior eficiência e eficácia no funcionamento da Administração Pública.
O alcance destes objectivos tem levado à entrada no sector público de gestores profissionais provenientes do sector privado, procurando desta forma a profissionalização da gestão e uma orientação para as técnicas de gestão. Desta maneira, temos passado a assistir à definição de medidas e padrões de desempenho com objectivos mensuráveis e claramente definidos, à preocupação com o controlo dos resultados enfatizando a necessidade de insistir nos resultados e não nos processos, à desagregação de unidades do sector público dividindo grandes estruturas em unidades mais pequenas recorrendo a formas inovadoras de organização das actividades, à introdução de factores que promovam a concorrência no sector público, nomeadamente com a contratação, procurando com isto baixar custos e melhorar a qualidade da prestação dos serviços, à ênfase nos estilos e práticas de gestão do sector privado, introduzindo modelos que flexibilizam a gestão, bem como à ênfase numa maior disciplina e parcimónia na utilização de recursos, cortando nos custos e procurando maior eficiência.
Na verdade, este paradigma têm sido aplicado nas últimas décadas de diversas formas, em diferentes países que lhe dão significados distintos. Para alguns países como os anglo-saxónicos, a aplicação deste modelo tem levado à redução do peso do Estado e das suas actividades, para outros, como é o caso dos nórdicos, tem significado a modernização do Estado para lidar com um ambiente em mudança, fazendo uma abordagem selectiva, introduzindo somente medidas que consideram úteis. Este movimento de reforma administrativa resulta do processo de globalização, prevendo-se que este fenómeno determine a convergência dos vários sistemas administrativos, embora se observe a relutância de alguns países, como a Alemanha, a França ou o Japão, em aplicar de forma sistematizada estas ideias. Deste modo, será difícil de assumir que existam soluções que possam ser aplicadas em qualquer país, de maneira a que conduzam ao aparecimento de apenas um tipo de sistema.
Sendo assim, os exemplos reformadores de outros países permitem concluir que mais do que a redução do peso da Administração Pública no nosso país, importa reformular a sua organização e cultivar o espírito de serviço público nos seus funcionários. Na realidade, deparámo-nos com um discurso onde se enfatiza a necessidade de motivar os funcionários, transformar a sua cultura, promover as suas qualificações, promover a liderança e procurar o envolvimento e comprometimento dos funcionários com os serviços públicos, e simultaneamente a este discurso, as iniciativas de reforma da função pública caracterizaram-se pela vulnerabilização do estatuto dos funcionários nomeadamente no que respeita à segurança de emprego e remuneração. Desta forma, ao mesmo tempo que se evoca que as pessoas constituem o valor primordial da Administração Pública adoptam-se medidas que parecem ameaçar a estabilidade e a confiança de quem nela trabalha. Encontramo-nos num período de transição, onde as mudanças se apresentam como inevitáveis. Falta saber se mudaremos para melhor !!!
Paulo Marques da Silva
(doc. da série artigos de análise/opinião)

domingo, outubro 08, 2006

Destaques noticiosos do fim-de-semana

"O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, deixou antever de novo hoje uma subida das taxas de juros já para o próximo mês de dezembro."
/.../
Orçamento do Estado corta 30% em investimento (06-10-06, in Diário Económico)
"Forte contenção na despesa pública é a palavra de ordem do próximo orçamento. Ainda assim, os grandes investimentos serão salvaguardados."

quinta-feira, outubro 05, 2006

Aviso

Caros(as) alunos(as),
Em razão de sobreposição de compromissos de serviço, não me é possível assegurar a aula de 2ª feira, 06/10/09.
Notem, no entanto, que isso não implica que haja quebra de comunicação e que o trabalho não possa continuar. Para isso serve este fórum, mesmo se muito pouco aproveitado, até à presente data.
Cordiais cumprimentos,

J. Cadima Ribeiro

terça-feira, outubro 03, 2006

Acredito na retoma

De acordo com os dados estatísticos que pesquisei no INE (Instituto Nacional de Estatística) e no Banco de Portugal, acredito numa possibilidade verosímil de retoma para Portugal nos anos que se aproximam. A informação disponível aponta para a continuação dos sinais mais animadores sobre a evolução da actividade económica, já perceptíveis nos primeiros trimestres do ano.
A procura externa continua a ser a força dinamizadora, aumentando a sua participação no crescimento português. O valor das exportações no 2ºtrimestre de 2006 cresceu 10.3%, em termos nominais. Esta notável aceleração das exportações deve-se, essencialmente, aos países clientes de Portugal, que revelaram um crescimento médio no início de 2006 de 2.5% (Espanha, principal parceiro económico, mantêm níveis de crescimento acima dos 3% por vários trimestres consecutivos).
De acordo com estes dados e as expectativas do FMI, é já possível antever uma aceleração forte das exportações e uma desaceleração das importações para 2007, e, sendo assim, uma situação mais equilibrada a nível comercial beneficiará o crescimento económico em Portugal, mas não dependerá apenas disto.
Tendo em conta os dados divulgados pela Comissão Europeia a 2 de Outubro de 2006, a economia na zona euro cresceu 3.5% nos primeiros 6 meses, sendo o maior crescimento dos últimos 6 anos. O crescimento de 1.2% previsto pelo FMI para Portugal em 2006 é ainda muito pouco em relação ao dos parceiros europeus. Portugal terá que acompanhar a tendência europeia apostando, essencialmente, no mercado externo em expansão, tornando-se mais competitivo e inovador e procurando novas perspectivas comerciais, para que não vejamos uma vez mais Portugal “na cauda da Europa”.

Sara M. A. Peixoto
(artigo extraído da plataforma electrónica de apoio à unidade curricular Economia Portuguesa e Europeia; Out. 2006)

A lei de Okun

Segundo a lei de Okun (Arthur Okun), por cada cada 2 a 2,5% de quebra do PNB relativamente ao PNB potencial, a taxa de desemprego aumenta 1 ponto percentual.
“Quer dizer, a lei de Okun proporciona a ligação vital entre o mercado dos produtos e o mercado de trabalho. Descreve a associação entre os movimento de curto prazo do PNB real e as variações do desemprego”


(citação extraida de Samuelson e Northaus, Economia, McGraw Hill, Lisboa,1993, p.661)

sexta-feira, setembro 29, 2006

Inflação na zona Euro

"A inflação da Zona Euro recuou para os 1,8%, ficando assim, pela primeira vez desde Janeiro de 2005, abaixo do limite de 2% definido pelo Banco Central Europeu (BCE) como zona de segurança."

(extrato de notícia, intitulada Inflação da Zona Euro fica abaixo dos 2% , do Jornal de Negócios, de 06/09/29)

terça-feira, setembro 26, 2006

"Shadow Economies and Corruption all over the World: What do we really know?"

«Estimations of the size and development of the shadow economy for 145 countries, including developing, transition and highly developed OECD economies over the period 1999 to 2003 are presented. The average size of the shadow economy (as a percent of "official" GDP) in 2002/03 in 96 developing countries is 38.7%, in 25 transition countries 40.1%, in 21 OECD countries 16.3% and in 3 Communist countries 22.3%. An increased burden of taxation and social security contributions, combined with a labor market regulation are the driving forces of the shadow economy. Furthermore, the results show that the shadow economy reduces corruption in high income countries, but increases corruption in low income countries. Finally, the various estimation methods are discussed and critically evaluated.»

Friedrich G. Schneider (Department of Economics, Johannes Kepler University Linz, Austria)
Keywords: shadow economy of 145 countries; tax burden; tax moral; quality of state institutions; regulation; DYMIMIC and other estimation methods
Date: 2006-09
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:jku:econwp:2006_17&r=pbe

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

sábado, setembro 23, 2006

A evolução das taxas de inflação e de desemprego nos últimos 30 anos

"A evolução da Taxa de Inflação e da Taxa de Desemprego em Portugal, nos últimos 30 anos: análise da relação entre esses dois agregados - a Curva de Phillips para Portugal "


" Conclusões:
-Existe uma relação entre inflação e variação do desemprego ( e não entre inflação e desemprego);

-Considerando a variação da taxa de desemprego no curto prazo, em vez da taxa de desemprego, a curva de Phillips verifica-se em Portugal.

[“Uma estimação da curva de Phillips para Portugal”, Agostinho Rosa (2004)]


- Segundo o BCE, a taxa de inflação está controlada;

- Desemprego em tendência com outros países. Mas, atenção às comparações: uma taxa de desemprego de 7% em Portugal ou noutro país tem consequências diferentes. Países têm estruturas diferentes e sistemas de protecção social diferentes;

- Relação inversa entre inflação e desemprego no curto-prazo, mas altas taxas de inflação não estão associadas com baixos níveis de desemprego (não se prova uma relação causa-efeito). "


Joana Ferreira
(aluna da Licenciatura em Economia, estudante nº 37763; Outubro de 2005)

[extracto do doc. apresentado na aula de Economia Portuguesa, no ano lectivo 2005/06]

quinta-feira, setembro 21, 2006

Labour Force Survey 2005

"Labour Force Survey 2005
Employment rate in the EU25 was 63.8% in 2005
One in seven employees had a temporary job


In 2005, 197.5 million people aged 15 years or more had a job or a business activity in the EU25. The total employment rate1 for people aged 15-64 was 63.8%, compared to 62.4% in 2000, and 63.3% in 2004. The employment rate for women in 2005 was 56.3%, compared to 53.6% in 2000, while the rate for older people, i.e. those aged 55-64, reached 42.5%, up from the 36.6% registered in 2000.
This information comes from a report4 published by Eurostat, the Statistical Office of the European Communities, based on the results of the 2005 Labour Force Survey.

Employment rates of people aged 15-64 range from 52.8% in Poland to 75.9% in Denmark
In 2005, the employment rate for persons aged 15-64 was above 70% in Denmark (75.9%), the Netherlands (73.2%), Sweden (72.5%) and the United Kingdom (71.7%), and below 60% in Poland (52.8%), Malta (53.9%), Hungary (56.9%), Italy (57.6%) and Slovakia (57.7%).
Denmark (71.9%), Sweden (70.4%), Finland (66.5%), the Netherlands (66.4%) and the United Kingdom (65.9%) registered the highest rates of female employment in 2005, while Malta (33.7%), Italy (45.3%), Greece (46.1%) and Poland (46.8%) had the lowest. Malta recorded the greatest difference between male and female employment rates, with a gap of 40 percentage points, followed by Greece (28 pp), Italy (25 pp) and Spain (24 pp). On the other hand, Finland and Sweden (both 4 pp), and Estonia (5 pp) recorded the lowest differences.

Large variation between countries in percentage of temporary jobs
On average in the EU25, 14.5% of employees aged 15 or more had a temporary job5 in 2005, up from 13.7% in 2004. The percentage of employees with temporary jobs varied widely across Member States, from 2.7% in Estonia, 3.7% in Ireland and 4.5% in Malta, to 33.3% in Spain, 25.7% in Poland and 19.5% in Portugal.
The percentage of women employed in temporary jobs in the EU25 was 15.0%, compared to 14.0% for men. In 17 of the 25 EU Member States, the share of women with temporary jobs was larger than that of men, with the largest differences being observed in Cyprus (19.5% for women compared to 9.0% for men), Finland (20.0% compared to 12.9%) and Belgium (11.4% compared to 6.8%).

Close to one in five of the unemployed looking for their first job
Among the unemployed in the EU25 in 2005, 18.3% had never had a job, ranging from 8.9% in Finland and 9.2% in Germany to 37.3% in Greece and 33.6% in Italy.
As far as long-term unemployment is concerned, 4.1% of the active population in the EU25 had been without work for at least a year. This percentage varied from 1.0% in the United Kingdom and 1.1% in Denmark to 11.7% in Slovakia and 10.2% in Poland.
[...]
Two thirds of the workforce employed in services
Two thirds of jobs in the EU25 in 2005 were in services6, and in no country was it less than 50%. Services accounted for 56.3% of jobs for men and 81.9% for women. In Luxembourg (81.0%), the United Kingdom (76.5%), the Netherlands (76.1%) and Sweden (75.8%) more than three quarters of workers were engaged in the services sector.
Industry provided jobs for 27.5% of the employed in the EU25 in 2005, accounting for 38.0% of jobs for men, compared to 14.2% for women. The Czech Republic had the highest proportion of jobs in industry (39.5%), followed by Slovakia (38.8%) and Slovenia (37.1%).On average in the EU25, agriculture was the main activity of 4.9% of workers, and accounted for over 10% of employment in Poland (17.4%), Lithuania (14.0%), Greece (12.4%), Latvia and Portugal (both 11.8%)."
Eurostat news release, 118/2006 - 11 September 2006;
http://ec.europa.eu/eurostat/
(extractos do doc. identificado, difundido via internet)

sábado, setembro 16, 2006

A evolução da economia portuguesa em 2006: uma antevisão do final de 2005

Uma revista nacional, da área económica, dirigiu-me no final do pretérito ano um questionário sobre a evolução previsível, em 2006, da economia portuguesa. Pedia-se respostas sintéticas e, como é óbvio, a selecção dos tópicos foi da inteira responsabilidade da jornalista.
Quase 10 meses volvidos, o que então era futuro é hoje presente e alguns dos contornos da evolução económica do país no actual ano estão já concretizados. Ofereceu-se-me, por isso, interessante reler esse texto, na acuidade e limitações da análise proposta.
É essa, também, a proposta que faço ao alunos desta disciplina, a título de contributo para a reflexão sobre os caminhos a trilhar pela economia portuguesa.
Seguem-se as questões e as respostas que propus em 1 de Dezembro de 2005.

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1 - Na sua opinião, a retoma económica vai ou não chegar a Portugal em 2006?
R: Seria dramático que não chegasse. Num contexto de retoma económica na UE, a persistência da presente situação de estagnação só poderia ficar a dever-se à repetição de erros graves de política económica, que, infelizmente, ajudaram ao aprofundamento da crise e ao seu arrastamento temporal.

2 - O que é preciso para que a economia portuguesa volte a crescer?
R: São necessárias, essencialmente, quatro coisas: i) que se consolide a recuperação económica na UE, especialmente entre os principais parceiros económicos de Portugal; ii) que se clarifique o modelo económico de desenvolvimento prosseguido e se criem, atempadamente, os instrumentos de política pública necessários para o suportar; iii) que o Estado abandone a sua tradicional postura de omni-sabedoria e, alternativamente, adopte um modelo de parceria privado-público na definição e implementação das grandes orientações da economia; e iv) que os poderes públicos tenham presente e trabalhem de forma consistente as dimensões psico-sociais de suporte ao bom funcionamento da economia.
Estas diferentes dimensões devem ser trabalhadas de forma articulada, sob pena de fracasso do projecto de reestruturação económica visado. Algumas das vertentes do projecto que se enuncia não dispensam a reforma complementar do sistema político.
3 - Acha que a dinâmica de crescimento económico em Espanha se manterá em 2006? Qual o impacto para Portugal?
R: Se a economia espanhola se manteve a bom ritmo num quadro de generalizada paralisia da economia europeia, não parece fazer sentido admitir que vai abrandar quando o quadro global é de retoma. Tanto mais que a Espanha fez entretanto muitas das reformas económicas e políticas que estão por fazer em Portugal. Como parceiro de ponta que é, uma conjuntura favorável na economia vizinha só pode ser bom para Portugal (se disso formos capaz de tirar partido através de uma postura pró-activa).

4 - Na sua opinião, como evoluirá a economia europeia, em particular a alemã? Qual o impacto para Portugal?
R: Conforme já sublinhado, os dados económicos recentes apontam no sentido da retoma do crescimento económico na Europa e na Alemanha, em particular. Para uma pequena economia aberta como a portuguesa, isso só pode ser bom. Não nos dispensa, entretanto, de requalificar a nossa inserção na divisão internacional do trabalho, sob pena dos benefícios serem transitórios e ficarem aquém do desejável.
A meu ver, uma mais ou menos sustentada evolução da economia alemã depende da manutenção da cotação do Euro e da não insistência na repetição do erro por nós bem conhecido da subida de impostos.

5 - Acha que a taxa de desemprego continuará a subir em Portugal em 2006? Até onde poderá ir?
R: Receio que sim, embora isso dependa, em certa medida, da força do crescimento que possa ser conseguido. O que eu quero dizer é que, por um lado, a criação de emprego anda estreitamente associada ao ritmo a que cresce o PIB e, por outro lado, a possibilidade da redução da taxa de desemprego choca com a requalificação necessária do nosso modelo produtivo, que será poupadora de trabalho, sobretudo do menos qualificado.
Na conjugação dos dois aspectos mencionados, estimo que a taxa de desemprego possa oscilar entre um valor ligeiramente superior ao actual e o e o valor que se verifica nesta data.

6 - Como acha que evoluirão as exportações portuguesas em 2006?
R: Por força dos dados da conjuntura internacional e da exposição externa da nossa economia, só podem crescer. O que fica por responder é sobre se atingirão a meta estabelecida no orçamento de Estado para 2006 e qual a sustentabilidade do acréscimo esperado. Isso dependerá, insisto, de se começarem ou não a trilhar os caminhos da requalificação do nosso posicionamento produtivo.
J. Cadima Ribeiro

sexta-feira, setembro 15, 2006

“FMI revê em alta expansão da economia portuguesa em 2006 e 2007”

«A economia portuguesa deverá crescer 1,2% no corrente ano e 1,5% em 2007, de acordo com os dados divulgados na madrugada de hoje pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), revendo em alta de 0,4 pontos as projecções efectuadas na Primavera.
A convergência real da economia portuguesa continua adiada, e Portugal poderá será um dos dois países da União Europeia - a par da Itália - a ultrapassar a regra dos 3% para o défice público. A inflação, após atingir os 2,6% no corrente ano deverá baixar 0,4 pontos no próximo ano, enquanto o desemprego deverá cair ligeiramente.
Com uma taxa anualizada de 3,6% no segundo trimestre, o FMI reviu em alta a expansão da economia da área euro em 2006, mas as estimativas para 2007 foram marginalmente revistas em baixa, com o Fundo a temer as consequências de um aumento de três pontos na taxa do IVA na Alemanha - a entrar em vigor já em Janeiro de 2007 - e uma apreciação do euro frente ao dólar.
Na Zona Euro, a retoma deste ano é liderada pela procura interna, "particularmente o investimento", diz o relatório do Fundo. A economia foi dinamizada pela Alemanha, "com a ajuda do campeonato do Mundo de futebol" e pela França, com a actividade também a "permanecer robusta em Espanha". Os mais recentes indicadores económicos "sugerem que a expansão da área euro continuará na segunda metade do ano", permitindo uma expansão de 2,4% no PIB europeu, "a mais alta taxa de crescimento em seis anos" (ver quadro). É que, a par da reestruturação dos balanços das empresas, diz o FMI, na recta final do ano a procura interna na Alemanha deverá animar a economia, já que os consumidores poderão antecipar compras fugindo ao aumento do IVA alemão, previsto para Janeiro de 2007.
Para o próximo ano, o FMI estima um crescimento de 2% para a zona euro, uma desaceleração face a 2006. O Fundo, justificando esta retracção do produto, explica que aumento do IVA na maior economia da Europa poderá reduzir o consumo no princípio de 2007. Os técnicos de Washington, sede do FMI, calculam que o aumento do imposto indirecto pode retirar cerca de 0,5 pontos ao crescimento alemão face a 2006.
Acresce que "a Europa permanece exposta" à apreciação da moeda frente ao dólar, colocando as exportações europeias mais caras. Num ciclo mais adiantado, a retracção das exportações pode afectar o investimento, um dos motores da retoma do Velho Continente. A apreciação da moeda, avisa o Fundo, pode também resultar em perdas de capitais proveniente de investimentos realizados nos EUA.
Riscos para o mundo.
Após um crescimento robusto em 2006 a economia mundial deverá desacelerar em 2007 (ver texto em baixo), envolvido num ambiente de aumento das taxas de juro. Para este ano, o preço médio do barril de petróleo deverá situar-se nos 69,2 dólares e as estimativas do FMI para 2007 colocam o preço médio do barril em 75,5 dólares. O aumento dos custos energéticos - bem como as tabelas das matérias-primas - é explicado pela pressão da procura por parte de grandes economias como a China, Índia e Japão.
Com a existência de sinais de pressão na inflação mundial, o Fundo destaca o endurecimento da política monetária por parte dos bancos centrais dos grandes blocos comerciais. Sinais de abrandamento da economia americana levaram o FED a encetar uma pausa no aumento das taxas de juro em Agosto após o último movimento de Julho. O BCE, deverá a aumentar as taxas de referência e o mesmo sucederá com o banco central japonês.»

Rudolfo Rebêlo

(artigo publicado no Diário de Notícias, em 2006-09-14)

Em Portugal, cerca de 20% das pessoas...

«De acordo com o relatório "Panorama da Educação de 2006", da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Portugal surge no fim da lista sobre o tempo que a população entre os 25 e os 64 anos passou em estabelecimentos de ensino.No topo da escala surge a Noruega, onde a população permanece em média quase 14 anos no sistema educativo, seguida da Alemanha, Dinamarca e Estados Unidos, todos acima dos 13 anos.
[…]
Quanto ao Ensino Superior, o relatório indica que em Portugal cerca de 20% das pessoas entre os 25 e os 34 anos possuem um diploma universitário, mas que aquele valor cai para 10% quando analisada a faixa etária entre os 45 e os 54 anos.»

(extractos de artigo, intitulado “Portugal é o país com menos tempo no ensino”, publicado no Jornal de Notícias, em 2006-09-13)

sábado, setembro 09, 2006

Modelo de Avaliação da Disciplina

Versão 1
a) realização de um relatório sobre um tema da economia portuguesa ou europeia e respectiva apresentação na sala de aula (o tema terá que enquadrar-se no programa da disciplina; o relatório a produzir não poderá ultrapassar 5 págs. A4, a 2 espaços, letra 12, incluindo bibliografia e resumo, que será divulgado na plataforma electrónica de apoio à Unidade Curricular (UC); a apresentação na aula não deverá ultrapassar os 15 minutos) - 35% da classificação final;
b) artigo de análise/opinião sobre a realidade económica portuguesa e /ou europeia (com extensão máxima de 1 página. e meia), a divulgar na plataforma electrónica de apoio - 20% da nota final;
c) comentários aos documentos divulgados na plataforma electrónica de apoio à UC (avaliados em função da respectiva quantidade/qualidade) - 15% da nota final;
d) exame final (numa das épocas normais de exame, e com obrigação de obtenção de nota mínima de 8 valores) - 30% da nota final.

Versão 2
- ausência do elemento assinalado em a) na Versão 1, isto é, igual à Versão 1, excepto no que se refere aos elementos a) – não exigido - e d);
d) exame final - nos termos de d) da Versão 1 - 65% da classificação final.

Esclarecimentos complementares:
iii) o não preenchimento dos requisitos dados por Versão 1ou Versão 2 implicam que o aluno fique restringido a fazer a avaliação apenas na época de recurso, por exame, que definirá a nota integral da disciplina;
iv) o modelo de avaliação aplicar-se-á a estudantes em regime normal e estudantes trabalhadores;
v) a nota mínima definida em d) não pressupõe arredondamentos;
vi) o relatório escrito deverá ser entregue aos docentes até 10 dias depois da respectiva apresentação na aula; vii) os resumos serão divulgados na véspera das apresentações;
viii) haverá um planeamento das apresentações, a estabelecer por mútuo acordo.

J. Cadima Ribeiro

quinta-feira, setembro 07, 2006

"Regional products, regions` reputation and commercial strategies: a tale of two cheese suppliers"

“Clustered SMEs in well defined geographical areas are producing and selling regional products to domestic and foreign markets. Most of the local activities are embedded in historical tradition and geographic, cultural and social specificity.
To study the mechanisms and factors which favour spontaneous development in specific areas and make SMEs competitive, we used case study methodology. An evolutionary perspective of «Casa Matias» and «Casa dos Queijos», two Portuguese SMEs, is expected to illustrate which key factors triggered the firm’s cheese business and, simultaneously, examine organizational practices, with particular emphasis on cluster formation and internationalization process.
From this analysis we expect to conceptualize a policy scheme to help developing spontaneous entrepreneurship, cooperation between clustered SMEs and policy-makers to establish more efficient and sustained regional and rural development strategies.”

J. Cadima Ribeiro (jcadima@eeg.uminho.pt);
J. Freitas Santos (jfsantos@iscap.ipp.pt).

http://www2.eeg.uminho.pt/economia/nipe/docs/ERSA%202006%20Casa.Matias.doc

(resumo de comunicação disponível na integra no sítio referenciado)

terça-feira, setembro 05, 2006

Programa da disciplina

ESCOLA DE ECONOMIA E GESTÃO
Universidade do Minho
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PROGRAMA DA DISCIPLINA
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Curso: Economia
Disciplina: Economia Portuguesa
Departamento: Economia
Escola: Escola de Economia e Gestão
Ano: 2006/2007

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Docente: J. Cadima Ribeiro (jcadima@eeg.uminho.pt)
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Programa da disciplina:

1. A evolução macroeconómica recente da economia portuguesa: o comportamento dos principais indicadores – um quadro comparativo com a realidade europeia (EU) global.
2. Os destaques do debate económico recente:
2.1. O défice orçamental;
2.2. A internacionalização das empresas;
2.3. A regulação dos mercados;
2.4. A produtividade e a competitividade;
2.5. A repartição do rendimento e os níveis de pobreza.
3. A economia portuguesa em breve retrospectiva histórica: do “Estado Novo” à actualidade.
4. A organização espacial da economia portuguesa e a Europa das regiões.
5. Os processos de alargamento da U.E. e seu impacte em Portugal.

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Métodos de Avaliação:

Relatórios escritos com apresentação na aula e divulgação em plataforma electrónica de apoio à disciplina, e exame final.

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Resultados de Aprendizagem:

a) Conhecer a evolução recente dos principais agregados macroeconómicos;
b) Reconhecer nos traços da evolução passada da economia portuguesa, particularmente dos últimos cinquentas anos, alguns aspectos condicionadores/marcantes da situação estrutural presente, nomeadamente em termos de abertura externa, especialização produtiva e concentração espacial;
c) c) Estabelecer uma relação crítica entre os quadros económicos prevalecentes em certo momento e as estratégias de política implementadas;
d) Discutir os efeitos das acções de política no tecido produtivo nacional e no comportamento dos agentes económicos;
e) Analisar e discutir os processos de alargamento da U.E. e seu impacte em Portugal.

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Bibliografia básica:

- Banco de Portugal (…), Relatório do Conselho de Administração, BP., Lisboa - http://www.bportugal.pt/
- EUROSTAT (…), Eurostat news releases on the Internet - http://ec.europa.eu/eurostat
- INE (…), Infoline http://www.ine.pt
- OECD (...), OECD Economic Surveys: Portugal, OECD, Paris - http://www.oecd.org/
- Mateus, Abel (2001), Economia Portuguesa, Editorial Verbo, Lisboa.
- Romão, António [Org.] (2004), Economia Europeia, Celta Editora, Oeiras.