Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

terça-feira, novembro 14, 2006

Scuts – Com ou sem portagens?

A instalação de portagens em algumas das scuts portuguesas é um assunto muito em vogue na actualidade, levando à formação de distintas opiniões entre os portugueses. Tendo em conta esta divergência de opiniões, torna-se premente verificar quais as vantagens e as desvantagens do seu aparecimento.

Como se pode verificar, todos os anos, parte do Orçamento de Estado é destinado às estradas portuguesas, para a sua reparação e conservação e principalmente para a sua construção.
Mas afinal, o que são scuts e para que foram criadas?
As scuts (estradas sem custos para o utilizador) são estradas construídas por empresas, sem qualquer custo para o Estado, que funcionam como estradas concessionadas, onde o governo remunera a empresa construtora por cada automóvel que passa nessas estradas. Ou seja, o pagamento dos utilizadores que usufruem das scuts é transferido para Estado e, consequentemente, para todos os contribuintes. Visto isto, a criação das scuts está associada às restrições orçamentais que o governo tinha de cumprir para aderir à zona euro em 1997.
Mas porque razões permanecem as scuts sem portagens?
As razões pelas quais as scuts permanecem sem portagens relacionam-se com a coesão nacional e territorial, com as alternativas rodoviárias e com o desenvolvimento das regiões.

Na actualidade surgem os principais problemas e divergências sobre as scuts. De facto, na altura em que estas foram criadas, pelo ex-ministro João Cravinho, este e vários economistas acreditavam que as scuts iriam dar mais receitas ao orçamento, do que os custos que acarretariam. Essas receitas seriam provenientes do investimento realizado, que iria aumentar o investimento privado, o emprego, o produto e as receitas fiscais em todo o país. Contudo, e como se pode verificar mais adiante, a região que mais beneficiou com estes investimentos foi Lisboa, cerca de 50%, o que não contribuiu para o desejo inicial de se tornar o país mais coeso e harmonioso e para diminuir as ditas assimetrias.


No sentido de focalizar este assunto nas suas vertentes mais actuais, será feita uma breve abordagem das vantagens e desvantagens da colocação de portagens nas scuts do Grande Porto, Norte Litoral e Costa de Prata, que muito se aproximam das vantagens e desvantagens presentes nas restantes scuts.

Segundo o Governo, os critérios para adoptar o sistema de portagens nas scuts são o PIB per capita das zonas onde passam as estradas, o poder de compra dessas mesmas zonas e, por fim, a duração em tempo a percorrer pela alternativa rodoviária.
Mas será que estas três regiões conseguiram, em tão pouco tempo, enriquecer de forma a construirem alternativas assim tão viáveis?
Claro que não. De facto, o PIB destas regiões diminuiu, ao contrário do que os estudos “duvidosos” encomendados pelo Governo relatam. Estes meramente adicionaram ao rendimento per capita do Grande Porto o das regiões atingidas pelo percurso, e assim chegaram à média nacional. No entanto, se este mesmo critério for seguido, também a Via do Infante e a scut da Beira Interior deveriam ter portagens. Ou teriam, não fosse uma a terra natal do Primeiro Ministro, e não necessitasse a outra de um investimento imediato, o que provocaria um aumento do défice.

Mas será lógico que, com o aparecimento das scuts, as estradas alternativas sejam completamente esquecidas? E se assim for, será que essas estradas, que passam por povoações, vilas, cidades, não serão perigosas para o tráfego de pesados, levando a um aumento do congestionamento do trânsito?
De acordo com alguns estudos, com a inclusão de portagens nas scuts do Grande Porto, Norte Litoral e Costa de Prata, o Governo espera gerar receitas na ordem dos 100 milhões de euros por ano, com estimativas do tráfego actuais. Ou seja, estas receitas consistiriam em metade do que o que é pago às concessionárias, sem ser tido em conta que o tráfego está a aumentar e o valor pago a estas vai aumentar de ano para ano.
Mas será que a colocação de portagens não se tornará mais dispendiosa do que as futuras receitas dessas scuts? De facto, tem de se ter em conta que, para a sua instalação, o governo tem de pagar pela restrição dos contractos em vigor, pela construção de nós de entrada e saída nas vias de rodagem, pela implementação de um novo sistema de cobrança electrónico e, ainda, pelo pagamento dos salários dos funcionários.

Não abordando mais a visão negativa da implementação de portagens nas scuts, resta-me questionar: se não deveria haver, durante um determinado período, uma descriminação positiva para as populações locais? Uma vez que, foram já criadas expectativas e que, são estas populações, as que mais frequentam estas estradas.
Direccionando, ainda, a nossa atenção para outra perspectiva, pode-se dizer que a adopção do sistema do utilizador-pagador, seria sem dúvida o mais justo, já que quem utiliza deve pagar. Mas será que adoptando este sistema, os 6 cêntimos por litro da gasolina e a parte do imposto automóvel, que são dirigidos para as scuts, irão terminar?

Sem dúvida, se não for tomada uma medida, o congestionamento, nestas zonas, vai ser cada vez maior, assim como as assimetrias. Pelo que, um modo de colocar um travão a esta situação, passa pela utilização de portagens: que levam à diminuição do congestionamento nestas zonas e, consequentemente, à criação de novos centros de polarização, de modo a se harmonizar o país.

Por fim, penso que o melhor a fazer prende-se com a colocação de portagens em todas as auto-estradas portuguesas, e não só em algumas, sem que contudo, sejam praticados os elevados preços aplicados pelas concessionárias, mas sim preços que viabilizem o combate ao tráfego.

João Santos

(doc. da série artigos de análise/opinião)

Aviso

Caros(as) alunos(as),
Na próxima 5ª feira, 06/11/16, não haverá aula devido à minha participação numa conferência, fora do país.
Tal não deverá impedir que continuem a trabalhar nesta UC. Assim o desejo.
Pocurarei manter-me em contacto.

J. Cadima Ribeiro

segunda-feira, novembro 13, 2006

Algumas reflexões sobre o Dia Mundial da Poupança

No dia 31 de Outubro celebrou-se o Dia Mundial da Poupança e as manchetes dos jornais revelaram frases como: “Os portugueses poupam cada vez menos” e “Portugueses já só conseguem poupar 8,2 euros por cada 100”. Mas porquê tanto debate acerca da poupança?
Referia o Prof. Doutor Manuel Porto, numa conferência organizada pelo Tribunal de Contas, por ocasião do Dia Mundial da Poupança, que a poupança “exige da parte de todos nós (enquanto consumidores, agentes económicos ou poderes públicos instituídos) uma reflexão sobre o sentido e a importância que a poupança tem no actual contexto de consolidação e de reforma”.
Conforme salienta Celeste Varum (Directora do Mestrado em Economia da Empresa da Universidade de Aveiro), a poupança desempenha um papel essencial na economia. Isto porque, por um lado, actua como estabilizador automático, permitindo que flutuações no rendimento (devido aos ciclos económicos ou ao longo da vida), tenham um impacto reduzido no nível do consumo dos agentes económicos. Por outro lado, assegura que os recursos poupados são canalizados para o investimento. Assim, quando existem falhas na poupança interna, o resultado é um elevado endividamento externo ou um reduzido investimento.
Numa notícia da sic-online salientava-se o facto de, durante anos Portugal ter sido um país de gente poupada. Há cerca de uma década atrás as taxas de poupança rondavam os 14% mas em 2005 o seu valor era de apenas 9,2%. Em 2006 é esperado que se situe nos 8,2 %.
Mas o que tem contribuído para esta evolução da poupança? Em primeiro lugar temos as baixas taxas de juro dos depósitos a prazo que actuam como um elemento dissuasor da poupança dos agentes económicos. A juntar-se a elas temos o apelo cada vez mais elevado ao consumo, o aumento dos preços de produtos essenciais e as altas prestações do crédito à habitação. Tudo isto tem contribuído para a deterioração da situação financeira das famílias portuguesas.
A celebração deste dia veio assim sublinhar a necessidade de repensar os padrões que a sociedade portuguesa está a seguir. No entanto o seu debate não é pacífico. Lia-se num comentário na agência financeira: “Expliquem-me como posso poupar? Sou licenciado, e desde final de Setembro que estou desempregado, sem sequer receber subsídio de desemprego (pois estava a recibos verdes), a minha mulher é professora e ainda não obteve colocação, estando com um subsídio de desemprego de 600 Euros. Contas da água, electricidade, gás, supermercado, renda de casa, gastos vários, etc! Expliquem-me como posso poupar, sem sequer o ganhar? (…) Ele [Sócrates] passa a vida a falar que estamos em retoma, que a economia está a recuperar, enfim, números e mais números. Só que eu não vivo de números, infelizmente... Pode ser que explique como fazer para viver, pagar tudo o que tenho a pagar, e ainda poupar...”. E, como este, há muitos outros portugueses que se encontram em situações análogas.
É aqui que se revela a necessidade de definir (re)orientações de política que proporcionem aos agentes económicos formas de melhorar as suas poupanças. Como refere Celeste Varum, pode-se apostar numa política fiscal mais leve (nomeadamente no que se refere aos benefícios fiscais), num regime público de pensões e reformas menos intervencionistas e numa regulação da concessão de crédito. Neste contexto a incerteza poderá também actuar de modo positivo ao fomentar a poupança por motivos de precaução. Claro que, conforme realça Manuel Porto (professor na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra), “poupar não deve ser apenas entendido como uma forma de gastar menos dinheiro, mas também como um meio de gastar melhor”.
Apesar de todas as dificuldades sentidas pelos portugueses no que refere à poupança é importante que os agentes se preocupem em poupar, nomeadamente no que refere a poupar para a reforma pois, como tem sido divulgado ultimamente, o Estado terá cada vez mais dificuldades em reequilibrar a Segurança Social. No entanto, não nos devemos limitar a ver os benefícios da poupança individualmente pois, como referi anteriormente, ela tem impacto em toda a economia.
Em suma, devemos procurar soluções que permitam melhorar o “estado da poupança” em Portugal, até porque, conforme é referido no destaque do INE de Novembro do presente ano, as apreciações sobre o grau de poupança do agregado familiar mantêm uma tendência ascendente desde o início do ano corrente. Claro está que não nos podemos esquecer que os valores apresentados continuam a estar abaixo do desejável, impondo-se, no entanto, a questão “será que os portugueses ainda podem poupar mais?”.

Vânia Silva


(doc. da série artigos de análise/opinião)

sábado, novembro 11, 2006

Estado – porque não agir como o sector privado?

O estado necessita de servir todo e qualquer cidadão, assegurando um conjunto de serviços essenciais que não teriam qualquer sustentabilidade no sector privado, auxiliando os mais necessitados, protegendo os direitos e zelando pela defesa e segurança. Isto é o que habitualmente leio nos livros de economia sobre o papel do Estado na sociedade e na economia.
Mas estes objectivos muito bem definidos nos livros, face às agendas políticas, conflito de interesses e uma economia em constante mutação, ou não são cumpridos, ou então, mostram resultados, na minha opinião, muito precários.
Também aprendi que o Estado deve utilizar racionalmente o dinheiro das contribuições gerando a máxima satisfação para o cidadão, procurando aumentar a eficiência, reduzir os custos, optimizar a geração de receita e providenciar serviços dignos aos cidadãos.
Actualmente, é deprimente pegar num jornal de notícias sobre o nosso país. São notícias que nos informam dos desperdícios hospitalares que segundo a revista prémio do dia 22 de Setembro deste ano, ultrapassa os 20%, é o sistema judicial que funciona mal com processos amontoados nos tribunais por resolver, sem falar da “guerra aberta” na educação…ou seja, aquilo que é essencial: saúde, educação e justiça não estão a funcionar como gostaríamos que funcionasse.
São justas as queixas dos contribuintes: os impostos sempre a aumentar e a qualidade dos serviços públicos sempre a deteriorar-se.
Na minha opinião, (e contrariando a opinião do Dr. João Borges de Assunção (professor da Universidade Católica Portuguesa) num seu artigo editado no Jornal de Negócios do dia 8 de Novembro) o Estado deveria agir, em certos aspectos, como o sector privado, não procurando o lucro, como é óbvio, mas a satisfação dos contribuintes. Os meios podem ser os mesmos para obter finalidades distintas, em ambos os casos queremos maximizar algo.
Assim, na minha perspectiva, os organismos e funcionários do Estado deveriam estar sujeitos a uma monitorização da performance, isto é, definir objectivos e disponibilizar formas que permitam verificar os progressos. O Estado não tem esta cultura de monitorização, por isso é que o sector privado é mais rápido a descobrir e a eliminar práticas nefastas. Daqui, podemos passar para outro item que julgo importante, a competitividade, a competitividade promove o crescimento. A particularidade da posição do Estado como único fornecedor de determinados serviços faz com que os funcionários não dêem o seu melhor no serviço que prestam. Dar visibilidade aos resultados dos organismos do Estado poderá promover a competitividade (um bom exemplo foi o ranking dos melhores hospitais, iniciativa da revista Sábado e da Escola Nacional de Saúde Pública).
Outra sugestão, seria recompensar os recursos humanos para motivar todos os funcionários a querer fazer melhor. E com esta atitude poderia significar a retenção de talentos que optam pelo sector privado (que recompensa o esforço do trabalhador).
O Estado pode retirar muitas ideias do sector privado. Agora questiono-me, porque é que estas medidas não são postas em prática se são razões do sucesso de várias empresas? O Estado funciona mal, já é um dado adquirido, mas fico perplexa com a passividade do governo e face a esta passividade do governo, onde os ministros apenas vão para o parlamento insultarem-se uns aos outros, como é que o sector privado, face a este cenário, pode reagir? Sem um Estado eficiente e com empresas cada vez menos competitivas no mercado mundial, qual será o nosso futuro?
Não é o Estado sozinho que pode resolver esta situação, nem só as empresas, temos todos de contribuir, temos todos de ser mais activos para honrar a coragem dos nossos antepassados!
Olhar para os dados da OCDE e não adiar a resolução dos problemas como se tem feito. Mãos à obra! Porque eu não sou dos ditos portugueses que querem passar a ser espanhóis, como foi enumerado na aula do dia 9 de Novembro, nesta disciplina.
Todos temos de contribuir para um futuro melhor para Portugal!

Sara Veloso

(doc. da série artigos de análise/opinião)

sexta-feira, novembro 10, 2006

O QREN (2007-2013)

O QREN – Quadro de Referência Estratégica Nacional (2007 – 2013):
Princípios Estruturantes
1. Concentração Operacional
2. Selectividade nos Investimentos e nas Acções de Desenvolvimento
3. Viabilidade Económica e Sustentabilidade Financeira das Operações
4. Coesão e Valorização Territoriais
5. Gestão e Monitorização Estratégica das Intervenções
Prioridades Estratégicas Nacionais
1. Promover a Qualificação dos Portugueses
2. Promover o Crescimento Sustentado
3. Garantir a Coesão Social
4. Assegurar a Qualificação do Território e das Cidades
5. Aumentar a Eficiência da Governação
Interrogações e desafios
- “Portugal recebe mais do que alguns dos novos países que entraram na UE.” - Não é isso expressão de fracasso?
- “Portugal torna-se cada vez mais periférico perante uma UE que cresce cada vez mais a Leste” – É isso (a perifização) uma inevitabilidade?
- “Estes fundos deveriam ser canalizados para as áreas mais essenciais para o desenvolvimento do país” – Porque não o foram? Que sectores serão prioritários?
- “Num mundo crescentemente global, um consumidor remoto pode ser mais importante que o cliente próximo”- Estamos a procurar respostas para este consumidor ou ainda só visamos o consumidor local ?
- “A acessibilidade ao exterior tem que estar presente mas, para atrair talento, os factores decisivos são a qualidade de vida e a vibração cultural existente em cidades” - Como se posicionam as nossas cidades segundo este paradigma? Se os países competem através das suas cidades (territórios urbanos), temos cidades posicionadas neste mercado? Como vamos dar massa crítica às nossas cidades?
- “QREN (2007 – 2013) - Princípios Estruturantes: Concentração Operacional; Selectividade nos Investimentos…; Viabilidade Económica e Sustentabilidade Financeira…; Coesão e Valorização Territoriais; Gestão e Monitorização…” – É isto auto-crítica da Administração? Porque é que só agora se pensou nisto? Porque é os CQA`s não obedeceram a estes princípios?
- “QREN (2007 – 2013) - Prioridades Estratégicas: Promover a Qualificação dos Portugueses; Promover o Crescimento Sustentado; Garantir a Coesão Social; Assegurar a Qualificação do Território e das Cidades; Aumentar a Eficiência da Governação”- São meritórias as prioridades. São para levar a sério? O território (as cidades) vai (vão), efectivamente, ser considerado(s) - ser sujeito - nesta estratégia?

Destaques noticiosos do fim-de-semana

Indicador avançado da OCDE para Portugal sugere abrandamento futuro [http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?SqlPage=Content_Economia&CpContentId=285582] (10-11-06, in Jornal de Negócios)
«O indicador avançado da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE) relativo a Portugal, sugere em Setembro uma tendência de abrandamento futuro da economia portuguesa.»
/...
"É dramaticamente urgente" a internacionalização das empresas portuguesas [http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?SqlPage=Content_Economia&CpContentId=285585] (10-11-06, in Jornal de Negócios)
«O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso afirmou hoje que "é dramaticamente urgente que as empresas portuguesas compreendam que só com o mercado nacional não vão lá". »

quinta-feira, novembro 09, 2006

Regions: Statistical Yearbook 2006

"Regions: Statistical yearbook 2006
Regional variety through statistical eyes
Data on the 268 regions of the EU25, Bulgaria and Romania


In which region of the EU is the population increasing and where is it decreasing? Where can you find the highest labour productivity? Which regions have the highest employment rates for the age group 55-64? Answers to these questions and to many more can be found in the Statistical Yearbook of the EU Regions1 published by Eurostat, the Statistical Office of the European Communities.
The publication presents data which cover the 254 regions of the 25 EU Member States, defined by level 2 of the Nomenclature of territorial units for statistics2 (NUTS 2003). The publication also covers the 14 regions of Bulgaria and Romania3.
The publication contains chapters on population, GDP, household accounts, labour market, labour productivity, urban statistics, science, technology and innovation, business, health, transport and agriculture. New this year is the chapter on labour productivity. In the other chapters, efforts have been made to focus on aspects not recently covered.
The regional data is shown in the form of maps and graphs, commented by texts. A CD-ROM contains the data series used to draw the maps, the PDF versions of each of the three language editions of the yearbook and documentation on the NUTS 2003 nomenclature.

Highest population increases in Guyane, Flevoland and Illes Balears
The total population change at a regional level is the result of the difference between the number of live births and deaths and the regional net migration. There were 29 regions in the EU25 that reported an increase of the total population by more than 10 per 1000 on average per year between 2000 and 2003: ten regions in Spain, five in France, three in the United Kingdom, both regions in Ireland, two in the Netherlands, one each in Belgium, Greece, Italy and Portugal. Cyprus, Luxembourg and Malta also had a population increase of more than 10‰. The regions with the highest increase were Guyane in France (34.0‰), Flevoland in the Netherlands (31.6‰) and five regions in Spain: Illes Balears (31.2‰), Canarias (26.3‰), Murcia (24.4‰), Madrid (23.9‰) and Valenciana (23.2‰).
Population decreases of more than 5‰ on average per year between 2000 and 2003 were reported in 18 regions: seven each in Germany and Poland and one each in Slovakia, Finland and Sweden. The population in Latvia also decreased by more than 5‰. Six regions in Germany had the highest decreases: Dessau (-16.5‰), Halle(-12.5‰), Chemnitz (-11.0‰), Magdeburg (-10.0‰), Mecklenburg-Vorpommern (-8.1‰) and Thüringen(-7.9‰), as well as one region in Poland: Opolskie (-7.9‰)."
(extracto de Eurostat press releases on the Internet, 134/2006 - 5 October 2006;
http://ec.europa.eu/eurostat/)

segunda-feira, novembro 06, 2006

Os planos de fomento

Os planos de fomento:

•I plano de fomento (1953-58) :
É um conjunto de investimentos orientados para a construção de infra-estruturas.

•II plano de fomento (1959-64):
Vai atribuir prioridade na estratégia de investimento, mas com base na iniciativa privada.

•O plano intercalar (1965-66)
Aparece pela 1ª vez, neste plano intercalar, a preocupação com o planeamento regional e com uma distribuição mais equitativa do rendimento;
Começa a despertar a necessidade de liberalização do comércio externo e de as empresas enfrentarem a concorrência externa.

•III Plano de Fomento (1967-73):
Reconhece-se a necessidade de abandonar o modelo de crescimento baseado na orientação interna (inward orientation) para uma visão baseada nas vantagens comparativas e na concorrência internacional;
Reconhece-se que o agravamento do défice da balança comercial se deve ao proteccionismo pautal, ao condicionalismo industrial e ao atraso da agricultura;
Surge claramente a ideia da necessidade de uma politica de promoção das exportações, no surgimento das críticas que começavam a surgir nos estudos das organizações internacionais (OCDE, Banco Mundial, NBER) .

• IV Plano de Fomento (1974-79):
Apenas teve um ano de execução;
Surge com maior acento a preocupação com a distribuição do rendimento e com os sectores sociais e a necessidade de assegurar um elevado crescimento para manter o pleno emprego.

sexta-feira, novembro 03, 2006

Destaques noticiosos do fim-de-semana

Exportações atingem o crescimento mais elevado de seis anos [http://www.negocios.pt/default.asp?SqlPage=Content_Economia&CpContentId=285197]
(03-11-06, in Jornal de Negócios)
"As exportações de bens e serviços de Portugal atingiram no primeiro semestre de 2006, um crescimento real de 8%, o que equivale ao nível mais elevado desde o último semestre de 2001, quando atingiram 8,59% de aumento, e a mais quatro pontos percentuais do que no primeiro semestre de 2001, quando iniciaram a sua tendência de queda."
/.../
Trichet afirma “Portugal tem de seguir estritamente" o PEC [http://www.negocios.pt/default.asp?SqlPage=Content_Economia&CpContentId=285129]
(02-11-06, in Jornal de Negócios)
«A Standard & Poor’s elaborou uma análise em que defende que Portugal só vai atingir um défice orçamental abaixo de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 e não em 2008. Confrontado, com este estudo e com a entrega do Orçamento do Estado por parte de Portugal, Trichet afirmou que "Portugal tem de seguir estritamente o seu programa".»

quarta-feira, novembro 01, 2006

Portugal gasta pouco em I&D em comparação com outros países da UE

"Olhando para Portugal e para os dados existentes sobre Investigação e Desenvolvimento, podemos notar que Portugal gasta pouco neste tema em comparação com os outros países da União Europeia. Assim, Portugal gasta 0.7% do PIB em Investigação em Desenvolvimento enquanto que países como a França, Alemanha, Finlândia, Noruega gastam para cima de 2% do PIB neste campo (Fonte: Eurostat - http://epp.eurostat.ec.europa.eu/)."

Samuel Cardoso

(extracto de mensagem disponível na entrada "fóruns" da plataforma electrónica de apoio à unidade curricular Economia Portuguesa e Europeia, da EEG/UMinho; Outubro 2006)

segunda-feira, outubro 30, 2006

A abertura e internacionalização da economia portuguesa

O reforço da abertura (1960/1985)

No período posterior à entrada de Portugal na EFTA – Associação Europeia de Comércio Livre - (1960/1972), assistiu-se a uma modificação na estrutura do comércio português com as colónias (oscila de 24,6% para 14,5% nas exportações e de 14,2% para 11,3% nas importações) e a uma maior aposta das empresas nacionais nos mercados da EFTA.
Os acordos comerciais de 1972, celebrados entre Portugal e a CEE (Comunidade Económica Europeia) foram outro dos acontecimentos decisivos na reorientação do comércio português para os mercados europeus.
Com a revolução dos cravos e a independência das colónias reforçou-se o desejo de uma futura adesão às Comunidades Europeias.


Quanto ao investimento directo, este período ficou caracterizado por um crescente afluxo de IDE ao nosso país, dada a liberalização progressiva das entradas de capitais e um ambiente propício aos investidores estrangeiros .
Os maiores investidores são países membros da CEE, em especial a França, a Alemanha e o Reino Unido;

Quanto ao investimento directo realizado por empresas nacionais no exterior, há a registar a preferência pelos mercados europeus e de língua portuguesa.
Por outro lado, a irrelevância dos montantes envolvidos, demonstram uma opção ainda tímida por formas mais avançadas de internacionalização empresarial.
A exportação era a forma privilegiada de venda nos mercados externos.
A passividade ou a inexperiência das empresas nacionais conduzia ao caminho mais fácil da subcontratação.

Workshop “Quadros de Pessoal e Investigação em Economia"

No workshop “Quadros de Pessoal e Investigação em Economia”, que se realizou no dia 15 de Setembro deste ano, assisti a uma das várias secções realizadas, escolhi uma que tinha como título “A Economia na ponta dos dedos”. Confesso, que o que me levou até esta secção foi a curiosidade de conhecer Pedro Portugal (Banco de Portugal e Universidade Nova de Lisboa) que a ia realizar.
E esta minha intervenção agora será para vos transmitir a mensagem que ele deixou, que deveras me deixou impressionada pela capacidade de tornar o grave problema da produtividade do nosso país num conto de encantar infantil, e o que é mais curioso é que a história ajusta-se perfeitamente ao que está a acontecer no nosso país. O Senhor associou os problemas de produtividade no país à história da “Cinderela”, como sabemos “o príncipe ficaria com a menina que calçasse o sapatinho”, e com isto Pedro Portugal queria dizer que nós estamos a agir mal face ao mercado de trabalho, que se estão a formar licenciados em áreas que já estão esgotadas, que o mercado de trabalho já não consegue absorver, e noutros casos há falta de qualificados em determinados sectores, se queremos que o “sapatinho”, neste caso, símbolo de produtividade, seja “calçado” por Portugal, temos que repensar nas necessidades do mercado de trabalho e face a estas escolher a nossa formação.
Já agora aproveito para vos transmitir algumas metáforas utilizadas por este Senhor. Em toda a secção reinou a descontracção e um pouco de ironia, mas isso é o que a tornou diferente de outras que já assisti, onde todos estavam muito sérios e comprometidos com o discurso a desenvolver. Então para começar associou a economia a um oceano. E a um oceano porquê? Porque as tempestades são os choques económicos, porque as ondas são como os ciclos económicos, ora a onda está formada e no seu auge, o que em economia, significa que atingimos um pico, o auge de crescimento económico no país, e quando a onda já desvaneceu na areia, estamos perante uma cava do ciclo económico, e tal como as ondas do mar o ciclo repete-se; e por último (das que retive porque o Senhor era um especialista em metáforas), foi a associação das correntes marítimas aos fluxos económicos.

Sara Veloso
(doc. da série artigos de análise/opinião)

sexta-feira, outubro 27, 2006

Destaques noticiosos do fim-de-semana

Parlamento Europeu pede ao BCE “precaução” na subida das taxas de juro
[http://www.negocios.pt/default.asp?SqlPage=Content_Economia&CpContentId=284802] (26-10-06, in Jornal de Negócios)
"O Parlamento Europeu (PE) aprovou uma resolução onde pede ao Banco Central Europeu (BCE) que actue com "precaução" face a um possível aumento das taxas de juro em Dezembro."

Atractividade de Portugal para o IDE - II

EPE -> Fóruns -> Boas Vindas! -> A atractividade de Portugal para o IDE
Re: A atractividade de Portugal para o IDE por Carlos Barros - Friday, 27 October 2006, 00:22


"Penso que este link que nos é facultado é extremamente interessante, sobretudo analisando-o na parte em que observamos o que os outros pensam acerca de nós e, efectivamente, a ideia que eles têm de nós não é muito diferente do que realmente se passa em Portugal, se não vejamos:
1- No que se refere à opinião deles (e quando digo deles, refiro-me a todos os entrevistados, sendo que todos são estrangeiros) quanto aos nossos serviços prestados como membros da UE temos uma reputação muito boa, sendo que eles nos consideram como um forte membro da UE, e isso, na minha opinião, é verdade mas penso que Portugal deveria aproveitar essa visão que os outros têm de nós para se impulsionar e começar a mostrar mais provas de como pode ser uma "potência" de forma a não desiludir as elevadas expectativas que os outros têm de nós! Quanto ao ambiente, mais de 50% vêm o nosso país como um país que cuida do ambiente, que se preocupa com problemas como poluição, etc...
Um dos factores que eu considero muito importante, se não o mais importante do gráfico é o facto de mais de quase 50% acharem que Portugal tem uma qualidade de vida muito boa, e os restantes acharem que tem uma qualidade de vida excelente e quase 60% acham que Portugal possui umas infra-estruturas no que se refere a telecomunicações muito boas. Ora isto é um factor que atrai investidores pois na opinião deles temos bastantes qualidade de vida, e temos infra-estruturas muito boas para que eles possam desenvolver as suas actividades.
O reverso da medalha, e que também é verdade, é o facto de as opiniões negativas que eles têm do nosso país se referirem a sectores bastante importantes como a eficiência dos serviços da administração pública, a complexidade ao nível da legislação, o elevado nível de burocracia e a baixa taxa de flexibilidade no trabalho.
Pode parecer que me vou contradizer mas de facto, todos os factores que inicialmente eram apontados como atractivos para os investidores estrangeiros, deixam de o ser ao verificarem as péssimas condições (no ponto de vista deles, e no meu também, pois penso que eles estão correctos) no que se refere à administracção pública.
Especulando um pouco, muitos deles porventura já tentaram investir no nosso país mas não o fizeram devido à elevada quantidade de papeis (burocracia...) que são necessários. Só assim se compreende a ideia tão negativa que eles têm do nosso país, pois só quem já passou por essa experiência sabe que realmente isso é verdade."

Carlos Barros

(extracto do comentário publicado)

quinta-feira, outubro 26, 2006

A atractividade de Portugal para o IDE

EPE -> Fóruns -> Boas Vindas! -> A atractividade de Portugal para o IDE
Re: A atractividade de Portugal para o IDE por Marta Rocha - Thursday, 26 October 2006, 15:12
«Após ter feito uma breve análise no estudo “Atractividade da economia Portuguesa na captação do investimento Directo Estrangeiro”, realizado por Dr. Gonzaga Rosa, da Ernst & Young, senti-me mais optimista relativamente a Portugal. Realmente Portugal encontra-se na direcção certa apesar de ser estritamente necessário várias medidas.
Portugal presencia neste momento diversos desafios, entre os quais a globalização, aumento da competitividade na EU, pressão para aumentar a eficiência do sector público bem como a redução do défice orçamental. Desta forma Portugal tem que se tornar mais competitivo, mais atractivo, mais confiante e optimista de forma atrair ainda mais projectos de investimentos. Para isso, o estudo em causa fala precisamente sobre um determinado conjunto de medidas-chave, entre as quais, a redução de taxas, simplificação dos processos administrativos, redução da burocracia, uma maior flexibilidade da legislação laboral, um plano tecnológico, uma melhoria nas acessibilidades e na educação, entre outros. Estas medidas já se encontram em curso em Portugal, apenas espero que não sejam esquecidas e colocadas em segundo plano.
Em 2005, os investimentos em Portugal foram praticamente todos no sector da indústria, cerca de 66%. Sendo os principais investidores a Alemanha e Espanha, com sete projectos cada. Ainda a destacar, cerca de 50% dos investidores acreditam que Portugal irá melhorar a sua “atractividade” nos próximos três anos.
Apesar de o futuro de Portugal ainda continuar um pouco “blurry” temos que acreditar e aumentar o grau de confiança.
Eu acredito que Portugal esteja num bom caminho. »

Marta Rocha

terça-feira, outubro 24, 2006

Apostar nas Novas Tecnologias

Nos últimos anos, o fraco crescimento da economia, levou a que muitos portugueses optassem por refazer as suas vidas. Hoje em dia é cada vez mais claro que, para uma economia ser cada vez mais competitiva, não só num contexto nacional mas também internacional, tem de concentrar grande parte dos seus recursos no campo da inovação tecnológica e no desenvolvimento de novas indústrias. Com base nestas palavras surge a questão: O que é que tem feito a economia portuguesa de forma a incentivar as empresas a investirem em novas tecnologias? E qual o seu papel a nível mundial?
Nos dias que correm a inovação tecnológica abrange diversas áreas, desde a robótica há electrónica, passando pelo meio ambiente e acabando na indústria mecânica. No meu ponto de vista, o trabalho realizado pelo Governo português, no que diz respeito aos incentivos ao investimento das empresas portuguesas, tem sido, de algum modo, insuficiente. Visto que o endividamento afecta não só as empresas mas também as famílias (devido ao aumento das taxas de juro), e com um Estado tão atarefado para reduzir nos gastos públicos, pouco resta fazerem para contribuírem no crescimento económico. Novos projectos, como a Portucel, a Repsol, a Galp ou o IKEA, foram anunciados pelo Governo (num investimento de 12 mil milhões de euros), aumentando desde logo a confiança dos empresários e dos consumidores, mas só terão impacto nas contas do país no médio/longo prazo. Contudo, nem tudo são más notícias e assim sendo, os agentes económicos portugueses cansaram-se de esperar que cheguem as encomendas e não se acomodaram ao subsídio de desemprego passando a agirem de forma inovadora e competitiva. Assim vejamos os exemplos seguintes de empresas que decidiram mudar de atitude e sobreviver da tão falada crise.
Na área da tecnologia, a YDreams, sedeada no monte da Caparica em Almada, dedica-se ao desenvolvimento de aplicações multimédia, como jogos, para as telecomunicações móveis baseadas na localização geográfica, em instalações interactivas e em sistemas de visualização a três dimensões (3D). Tendo sido apenas fundada em 2000, tem dado lucros desde o seu ano de criação, mantendo um crescimento equilibrado, mesmo em épocas de crise económica. O seu trabalho realizado para se impor no sector, tanto nacional como internacional, é um bom exemplo para que outras empresas o façam sem recearem que o seu investimento seja anulado. No sector dos automóveis, a empresa da Volkswagen Autoeuropa, sedeada em Palmela, não deixa de surpreender. Após ter sido confirmada a produção de um desportivo de média gama (Eos) e mais tarde a de um modelo de topo de gama (Sirocco) com o intuito de substituir a Sharan, a empresa portuguesa irá abrir, em 2007, uma delegação do CEIIA (Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel), uma estrutura de 15 a 20 engenheiros preparados para cooperar em conjunto com a Autoeuropa de forma a aperfeiçoar os modelos já em produção e desenvolver estudos sobre novos produtos. Estas são boas notícias para a economia portuguesa, visto a fábrica de Palmela valer cinco por cento de todas as exportações nacionais. No campo da Biotecnologia, a empresa Biocant, com um ano de actividade já apresenta saldo positivo. Esta disponibiliza serviços inovadores de Biotecnologia com relevância para as Ciências da Vida e promove o desenvolvimento de I&D em consórcio com empresas nacionais e estrangeiras para a criação de novos produtos e serviços. O segredo para tamanho sucesso foi descoberto este Verão com a apresentação do Enochip, um produto que ajuda o enólogo, na fase de fermentação do vinho, isto é contribui para o aumento da qualidade do vinho. Trata-se desde já de um produto cobiçado no mercado externo.
São exemplos como estes que fazem renascer a nossa economia. Empresas audazes, com ideias inovadoras, não só aumentam a nossa competitividade no mercado externo como também as exportações, que por sua vez impulsionam a economia para um forte crescimento económico. É de também esperar que, os agentes económicos portugueses vejam estes casos como incentivo aos seus investimentos, para que todos possamos contribuir para um Portugal cada vez mais inovador e moderno.

João Pedro Baptista
(doc. da série artigos de análise/opinião)

domingo, outubro 22, 2006

Orçamento de Estado 2007

O Orçamento de Estado para 2007, é um tema pertinente, porque é o principal instrumento de planeamento do Governo, onde este delineia as principais orientações, receitas e despesas previstas para o próximo ano.
A proposta de Orçamento de Estado, ainda não foi aprovada mas já é possível saber algumas mudanças que se vão verificar. Relativamente à despesa, as previsões apontam para um crescimento de 2,8% face ao ano anterior, no entanto em percentagem do PIB haverá uma redução dos gastos do Estado em 1,1 pontos percentuais preocupando-se em grande parte com a redução da despesa corrente primária, através da racionalização de efectivos, da moderação salarial e novo sistema de vinculação, o que em certa medida aumenta a precariedade da função pública. Esta diminuição da despesa em percentagem do PIB deve-se ao aumento das receitas fiscais em 15%, sobretudo devido ao fim do regime especial de que usufruíam algumas grandes empresas como a Caixa Geral de Depósitos e a PT, voltando a pagar em pleno o IRC em 2007. Sendo este aumento das receitas fiscais muito superior ao crescimento potencial da economia, elevando as expectativas optimistas para um crescimento de 1,8%, enquanto que o Banco de Portugal estima um crescimento de 1,5%, tal como o FMI. O imposto do IVA, manter-se-á nos 21%, e assim parece que se tornou numa mudança permanente em vez de provisória como disse o anterior ministro das finanças, Luís do Campos e Cunha. Se este diminuísse haveria um possível aumento do poder de compra, embora os agentes se aproveitassem desse facto e não alterassem os menus, mas seria uma boa medida para criar efeitos de sinergia para a recuperação da economia portuguesa (através do consumo), sendo maiores as receitas fiscais do que com a actual taxa a 21%. Para além do crescimento das receitas fiscais, o imposto sobre o tabaco aumentará 2,1%, o que de certa forma é uma medida certa para retrair o consumo de um bem, com um significativo grau de elasticidade, e com redução de custos a longo-prazo com o tratamento de doenças, como o cancro de pulmão. Além disso, não são esperados grandes aumentos salariais, com aumentos esperados inferiores à inflação esperada (2,3%), e consequentemente haverá uma evidente perda de poder de compra para os funcionários públicos, o que é contraproducente com a evolução da economia que parece apresentar sinais de retoma devido à diminuição do desemprego e aumento das exportações. Neste papel, penso que o Ministro da Economia tem tido um excelente desempenho desafiando os empresários portugueses a aumentaram o valor das empresas.
Ou seja, este Orçamento tem como principal objectivo baixar o défice global da Administração Pública para 3,7%. Assim o Estado começa a actuar de modo eficiente, e bem, preocupando-se com a locação mais eficiente dos seus recursos e com os seus desempenhos. Assim não há necessidade de privatizar só por privatizar porque há bens públicos que têm que continuar a funcionar nesta óptica mas com vantagem em relação ao sector privado porque fornecem-se serviços de qualidade e não exclusivamente serviços a baixo custo e de fraca qualidade. Isto porque, o Estado revê em alta também encaixes com privatizações, e um dos exemplos mais flagrantes é a TAP que nos últimos anos com gestores competentes teve superavits e é um excelente exemplo de uma boa empresa pública. Deste modo é preciso, ter cuidado nas escolhas das empresas a privatizar, porque primeiro é necessário reestruturar a empresa a um processo de gestão privada, e verificar se existe viabilidade financeira para continuar a ser uma empresa pública, e por fim se funcionarão as leis de mercado depois da privatização. No entanto, o caso da TAP é diferente pois este sector enfrenta forte competitividade proveniente das companhias low-cost.
Concluindo, este é um orçamento sem grandes margens de manobra, caracterizando-se pela continuidade das medidas de consolidação orçamental, tal como aconteceu no anterior orçamento de Estado, aumento da carga fiscal no PIB, o que cansa a economia pois são medidas contra-cíclicas que devem ser evitadas em tempo de recuperação, e é esperado um crescimento inferior a média europeia que se situa nos 2,1% em 2007 em contraste com as previsões de 1,8% para Portugal, mas é esperado um aumento significativo das nossas exportações que vão depender da evolução da procura nos países para o qual Portugal exporta, em especial, a Alemanha e a Espanha.


Pedro Tiago Amorim de Brito

(doc. da série artigos de análise/opinião)

Um Nobel da Paz para a Economia

O Nobel da Paz de 2006 contraria as escolhas precedentes apoiadas fundamentalmente em escolhas politicas, constituindo deste modo, um reconhecimento internacional à economia como meio de eliminar as disparidades sociais e elevar a luta contra a pobreza a um patamar nunca antes atingido.
O economista Muhammad Yunus, fundador de uma organização solidária, é o grande mentor do conceito de micro crédito que traduz a possibilidade dos povos mais carenciados obterem financiamento para os seus projectos, sem qualquer garantia, baseando-se apenas na confiança. Esta organização que dá pelo nome de Banco Grameen foi fundada em 1976 no Bangladesh e 30 anos passados já emprestou 5 mil milhões de dólares, a pessoas que, de outro modo, não teriam acesso a crédito por recusa dos outros bancos sobre o pretexto de que eles o gastariam todo em bens de primeira necessidade e seriam incapazes de reembolsá-los. O facto mais curioso é que esta instituição, é financiada através da contracção de empréstimos junto de outros bancos bem como da emissão de obrigações, e recusa qualquer tipo de doação monetária.
O micro credito promove, assim, a fuga ao ciclo vicioso da pobreza que está instalada nestes países, daí ser considerado um instrumento de combate á pobreza e exclusão social, incidindo este combate mormente ao nível das mulheres que representam um total de 94% dos clientes do Banco Grameen e, como o próprio Muhammad Yunus refere “O crescimento económico e a democracia não podem concretizar-se plenamente sem que as mulheres estejam em igualdade de circunstancias com os homens”.
O Banco Grameen valoriza a capacidade de iniciativa na criação de condições de desenvolvimento de pequenos negócios, permitindo a plena inserção no mundo do trabalho a pessoas menos favorecidas.
No nosso país, onde é uma realidade que um quinto dos portugueses vive no limiar da pobreza, o conceito de micro credito também se encontra presente, através da Associação Nacional de Direito ao Credito (ANDC), representante da filosofia de Muhammad Yunus, que desde a sua fundação em 1998, já ajudou a criar 630 empresas e 700 postos de trabalho, e mais recentemente através do Millennium BCP, que disponibiliza também uma linha de micro credito.
Na minha opinião, este projecto de micro credito permite realmente combater as desigualdades sociais, promovendo, com apenas uma pequena quantidade de dinheiro o desenvolvimento sustentado das condições socio-económicas das pessoas com poucos recursos que de outro modo, não teriam qualquer acesso ao mercado de trabalho. Com esta perspectiva, acho que a filosofia de doação (contrariada por Muhammad Yunus), que permite uma melhoria de condições a curto prazo, foi transformada numa filosofia de responsabilização que permite uma melhoria real e a longo prazo do nível de vida socio-económico.

Sara Vilaça

(doc. da série artigos de análise/opinião)

sábado, outubro 21, 2006

Palavras ao vento…

Na semana passada, o Ministro da Economia decretou o fim da crise. Ora, no seu compreensível esforço de contribuir para a formação de expectativas positivas dos agentes económicos, acabou por dar uma notícia manifestamente exagerada, e por isso foi logo alvo de um coro de críticas. O seu comentário foi de certa forma, infantil, inconsciente e imprudente. No entanto, Manuel Pinho explicou que a sua intenção era dar uma palavra de esperança aos portugueses: empresários, trabalhadores, professores e jovens.
De facto, a economia portuguesa parece encontrar-se num ponto de viragem, pois já não se fala de recessão. O certo é que devia ser mais cauteloso nas palavras que usa.
A apreciação da análise da situação da economia portuguesa em 2005, feita pelo Banco de Portugal resume-se, essencialmente, num ‘quadro negro’: fraco crescimento económico; pior situação orçamental apesar do aumento dos impostos; estagnação do emprego; aumento da taxa de desemprego; fraca produtividade e aumento do défice, público e externo.
No entanto, e apesar da economia portuguesa ser uma pequena economia aberta vulnerável aos ventos que sopram do exterior, e debilitada pela necessidade de correcção de desequilíbrios estruturais importantes, não restam dúvidas que o actual enquadramento é mais positivo.
A economia portuguesa cresceu 0,9% no segundo trimestre do ano em comparação com o trimestre anterior; as importações caíram 3,1% em Portugal enquanto aumentaram 1,2% e 1,7% na zona Euro e na União Europeia, respectivamente; o indicador que mede a evolução da actividade económica voltou a subir; foram criados 48 mil empregos e a taxa de desemprego baixou 10% no último semestre.
Isto mostra que a economia está, na realidade, a crescer, e o défice das finanças públicas a caminho de ser controlado. A explicação para este crescimento resume-se essencialmente ao novo OE que tem como objectivo principal reduzir o défice público de 4,6% para 3,7% do PIB, em 2007, por via de cortes na despesa pública. Este cenário, mais favorável, é ainda reforçado pela evolução positiva das exportações.
Apesar deste crescimento da economia estar ainda longe dos níveis necessários para garantir o crescimento de emprego consolidado e a convergência com os parceiros europeus, já se verificou uma “mudança de clima”, o que já é um bom sinal.
Mas, afinal, será este cenário para durar? Como se posiciona Portugal face à incerteza dominante?
É certo, como já disse, que a economia que estava em território negativo, está agora a crescer e as previsões têm sido sucessivamente revistas em alta, no entanto, ainda é cedo tanto para responder a estas perguntas, como para anunciar o fim da crise, tal como Manuel Pinho fez.
Temos ainda um longo caminho a percorrer e, por isso, não me parece prudente antecipar cenários demasiado optimistas.
O ponto mais baixo do ciclo poderá já ter sido ultrapassado, mas a economia portuguesa ainda não curou as suas deficiências mais profundas.

Maria João Veloso

(doc. da série artigos de análise/opinião)

Vamos acreditar

Portugal é um país “seguidor”, de modo que acompanha as crises geradas ao nível internacional, e os indicadores macroeconómicos destes últimos anos são sinónimo da própria conjuntura económica. Mas, ao que parece a retoma está aí... E os dados apresentados pelo boletim mensal da actividade económica fornecido pelo gabinete de estratégia e estudos do Ministério da Economia e Inovação, revelam a recuperação da economia portuguesa, no último trimestre (Julho, Agosto e Setembro).
Esta recuperação assenta essencialmente no contributo da procura externa, principalmente devido às exportações de bens e serviços que desde 2002 até ao último trimestre aumentaram 6,1 p.p..
O desemprego também acompanha as tendências e a taxa de desemprego diminuiu 0,7 p.p. em relação ao último trimestre de 2005. Este tema é o que mais gera polémica, pois nunca antes se tinha assistido em Portugal taxas de desemprego tão elevadas. No entanto, os nossos valores comparando com o de outros países mais ricos e desenvolvidos são até diminutos. É necessário desdramatizar esta questão, apesar de se saber que o desemprego é também uma questão social o qual é preciso tratar com alguma sensibilidade, pois mexe muitas vezes com problemas carência extrema das famílias.
A inflação verificou um enfraquecimento, neste último trimestre: a média dos últimos 12 meses foi de 2,7% e este último Agosto obtivemos 2%. É fundamental saber controlar este fenómeno, pois é a inflação que nos tira poder de compra e nos “deixa mais pobres”.
Como podemos verificar os indicadores estão num bom caminho, e é bem provável que a recuperação esteja já em curso. Assim, os portugueses podem “respirar melhor depois do desapertar do cinto” e voltar a sonhar num futuro próspero.
Eu acredito que a tardia recuperação de Portugal seja em grande parte devida ao pessimismo revelado exagerado dos nossos governadores e dramaticamente pelos meios de informação que em nada ajudou a mentalidade portuguesa, que enfatiza as tristezas e gostam de ser os desgraçadinhos. Mas sei que nós, os futuros economistas (como dizia outra profissão) do país, vamos ter uma grande responsabilidade no futuro do nosso país se deixarmos continuar que assim seja.
Em suma, encontrei a seguinte frase na página do Ministério da Economia e Inovação que traduz o que quero dizer: “A situação, ninguém a ignora, é muito difícil. Portugal enfrenta problemas complexos, que não podem ter uma solução imediata. Mas é clara a nossa tarefa, como é clara a nossa ambição: transformar o Portugal das fatalidades, no Portugal das oportunidades.”. Sabemos que é difícil, mas devemos lutar por sermos o que ambicionamos ser.

Paula Cristina Pereira Cerqueira
(doc. da série artigos de análise/opinião)

Destaques noticiosos do fim-de-semana

Actividade económica melhorou em Setembro [http://www.publico.clix.pt/Economia/noticia.asp?id=1274023] (20-10-06, in Público)
"O indicador coincidente de actividade económica do Banco de Portugal melhorou em Setembro, registando um crescimento homólogo de um por cento, indica hoje o relatório sobre indicadores de conjuntura de Outubro."
/.../
Investimento directo estrangeiro em Portugal cai 1,6% até Julho [http://www.publico.clix.pt/Economia/noticia.asp?id=1273809] (18-10-06, in Público)
"O investimento directo estrangeiro (IDE) em Portugal desceu 1,6 por cento até Julho, face a igual período de 2005, para 14 mil milhões de euros, segundo os dados do Ministério da Economia e da Inovação."

Estado sim, mas em doses qb

Sou defensora da ideia “Estado sim, mas em doses qb”, o segredo da nossa competitividade passa essencialmente por empresários e gestores, por uma dinâmica empresarial mais activa e competitiva. Para isso é necessário uma reestruturação política e social. A palavra “mudança” já assusta os portugueses, quanto mais falar numa “mudança de mentalidades”, que é absolutamente necessária.
Fala-se em necessidade de recursos humanos com elevado nível de qualificação, fala-se num sistema de justiça mais competente e eficaz, fala-se num Estado e Administração Pública mais desburocratizado, num sistema fiscal simples, claro, estável e competitivo, fala-se numa legislação laboral que permita flexibilidade e mobilidade, pretende-se uma boa interacção entre universidades, centros tecnológicos e empresas, queremos qualidade ambiental e segurança, coesão social com sistemas de Segurança Social e protecção ao desemprego adequados…é relativamente fácil identificar o que está mal, mas a alteração já não é tão linear como gostaríamos que fosse, é um problema estrutural de difícil resolução.
Como afirmou António Carrapatoso, numa entrevista ao jornal de negócios, a prioridade é atrair e reter investimento de qualidade para Portugal, e segundo este as, comparações internacionais não nos favorecem e não é evidente que tenhamos uma vantagem competitiva significativa.
A pergunta é: Como e onde é que podemos ser melhores?, e não alimentar o tradicional pessimismo nacional a apontar tudo o que há de mal no reino de Portugal. Pois para isso bastam os relatórios da OCDE e um olhar sobre uma Grécia que já é mais forte que Portugal.
Na minha opinião há muitos obstáculos a ultrapassar e todos eles têm um denominador comum: o peso excessivo do Estado. A saber, as regras e práticas pouco transparentes nos mercados, posições dominantes, favorecimentos e proteccionismos e burocracias excessivas são tudo factores inibidores de novas gerações de empresários e gestores dinâmicos que se desejam.
Assim, será necessário para obtermos um “Portugal do 1º mundo”, a introdução de planeamento a médio e longo prazo no Estado, com gestão por objectivos, incluindo indicadores de qualidade de serviço e benchmarking interno e externo; um programa integrado de redução significativa dos funcionários públicos identificados como excedentários; flexibilidade laboral e uma transição do sistema da Segurança Social para um sistema de capitalização com conta individual… só assim poderemos dar asas ao tão debatido “Compromisso Portugal”, que o governo tanto fala e “luta” para alcançar.

Sara Veloso

(doc. da série artigos de análise/opinião)

sexta-feira, outubro 20, 2006

Dilemas competitivos da empresa nacional: algumas reflexões

"As empresas nacionais encontram-se numa encruzilhada: por um lado, as pressões competitivas internas têm aumentado com a entrada de concorrentes internacionais; por outro lado, por força da integração europeia e da globalização dos mercados, são desafiadas a prosseguir os caminhos da internacionalização, sendo certo que esta via não é fácil nem está ao alcance de todas.
O presente artigo procura perscrutar os caminhos que se oferecem às empresas portuguesas. À luz desse propósito, apresenta-se uma matriz de opções estratégicas ao seu dispor, construída a partir da respectiva dimensão (reduzida/elevada) e da natureza da vantagem competitiva existente (idiossincrática/extrovertida). As trajectórias enunciadas são ilustradas por recurso a um conjunto de casos retirados do panorama empresarial recente."


J. Freitas Santos
J. Cadima Ribeiro

(resumo de artigo disponível na integra na entrada Publicações - Documentos de trabalho -2005 do sítio identificado de seguida:
http://www2.eeg.uminho.pt/economia/nipe/docs/WP_NIPE_16_05.pdf)

quarta-feira, outubro 18, 2006

Proposta de orçamento de Estado para 2007

"Re: Breves de economia
por Marta Rocha - Quarta, 18 Outubro 2006, 13:54

Relativamente ao orçamento do Estado de 2007 já se encontra à disposição, por isso achei interessante colocá-lo no nosso moodle: www.dgo.pt/oe/2007/proposta
Segundo esta proposta apresentada pelo executivo socialista, o Orçamento do Estado apresenta quatro traços característicos fundamentais: rigor, orientado para o crescimento; uma estratégia credível; redução das despesas públicas; e o estabelecimento de prioridades, tais como a ciência, tecnologia, inovação, qualificação, combate à pobreza e prestígio de Portugal."
(contribuição extraída da plataforma electrónica de apoio a Economia Portuguesa e Europeia, com a autoria e as referências identificadas)

A competitividade da economia portuguesa

Num contexto marcado pelo fraco crescimento económico português e um pessimismo generalizado a competitividade apresenta-se como uma questão central no debate do futuro da economia portuguesa. Recorrendo a dados do World Competitiveness Yearbook é analisado o actual posicionamento de Portugal, em termos de competitividade, no ranking mundial de 2006. Essa análise é feita através do estudo do desempenho macroeconómico do país, da eficiência da administração pública e das empresas e, também, da capacidade em termos de infra-estruturas. Por último, são apresentadas algumas propostas que podem contribuir para melhorar o actual posicionamento de Portugal no âmbito da competitividade mundial.


Vânia Silva
(resumo de trabalho a apresentar na aula de quinta-feira, 19 de Outubro de 2006)

domingo, outubro 15, 2006

Economia e as expectativas

É sabido que a economia anda de “mãos dadas” com as expectativas e que uma influencia a outra. Se estivermos em expansão as nossas expectativas serão, em princípio, mais elevadas podendo acentuar a própria expansão. Numa situação de recessão elas podem ainda agravar mais uma situação que já não é boa. Por outro lado, as expectativas podem levar a uma recessão económica ou mesmo tirar a economia da crise.
O comportamento de todos os agentes económicos rege-se, fundamentalmente, pelas suas expectativas em relação ao futuro. As famílias consomem se tiverem a certeza (o que nunca é uma certeza mas uma expectativa) de que o dinheiro gasto não lhes vai fazer falta num futuro recente. Já as empresas só vão investir se houver expectativas de que vão vender os seus produtos, e assim realizar lucros, pois o contrário seria impensável. O próprio Estado toma as suas decisões de política e de orçamento segundo expectativas. Somos assim levados a pensar que a economia “funciona” a expectativas, o que tem a sua razão embora não seja totalmente verdade.
Ora se os agentes económicos tomam as suas decisões com base em expectativas, é porque elas desempenham um papel deveras importante. Assim sendo como é que elas se geram? Quem é que influencia as expectativas que vão comandar a economia?
Existem várias entidades com este poder, nomeadamente os meios de comunicação social, os governos e eventualmente a própria oposição ao governo, determinadas individualidades e instituições nacionais e internacionais. Todos eles têm em comum uma característica muito importante: credibilidade. Para que os agentes económicos incorporem as expectativas transmitidas é preciso que eles acreditem em quem as transmite. No entanto, parece haver uma predisposição dos agentes para acreditar mais depressa em algo mais negativo que positivo.
Um mau exemplo de como os governantes podem influenciar as expectativas dos agentes económicos foi o “discurso da tanga” de Durão Barroso. A verdade é que naquela altura estávamos a entrar numa fase de recessão económica, e as declarações do então Primeiro Ministro não só não melhoraram a situação como a agudizaram, gerando uma onda de pessimismo entre os agentes económicos. Se eles pensavam que e situação não era das melhores, depois disto tiveram a “certeza” que era realmente péssima e retraíram os seus consumos e investimentos ainda mais.
Já o actual Ministro da Economia quis fazer precisamente o oposto quando disse que “a crise acabou” e o que importava agora saber era quanto iria crescer a economia, isto na minha opinião foi um pouco radical. Pouco tempo depois o ministro vinha dizer que a sua verdadeira intenção era desdramatizar a situação nacional. Ora, se a primeira declaração não foi das melhores a segunda deveria ter sido pensada com mais cuidado, mesmo havendo de facto grandes expectativas de retoma.
É preciso que as personalidades com capacidade de influenciar os agentes económicos se apercebam do verdadeiro poder que na realidade têm. Devem-se evitar declarações radicais pois podem gerar sentimentos de desconfiança e mesmo pânico. Acho sinceramente que os decisores de política deveriam encarar as suas declarações com prudência, pois as expectativas têm uma grande volatilidade, de modo a poderem usá-las como instrumento de política.

Alina Gonçalves

(doc. da série artigos de análise/opinião)

Destaques noticiosos do fim-de-semana

Conselho de Ministros aprovou proposta que será apresentada na segunda-feira (06-10-13, in Jornal de Negócios)
"O Governo aprovou hoje, em Conselho de Ministros extraordinário, a proposta de Orçamento de Estado para 2007, que será entregue segunda-feira no Parlamento e que tem como objectivo central a redução do défice para 3,7%."
/.../
Nobel da Paz atribuído ao fundador do conceito. Número de microcréditos em Portugal mais do que duplicou em 2005 (06-10-13, in Público)
"O número de empréstimos concedidos a pessoas que não têm acesso a crédito para desenvolver negócios por falta de garantias mais do que duplicou em 2005 em Portugal, revelou a Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC)"

sábado, outubro 14, 2006

“QUOTAS DE MERCADO DAS EXPORTAÇÕES PORTUGUESAS: UMA ANÁLISE NOS PRINCIPAIS MERCADOS DE EXPORTAÇÃO”

[SÓNIA CABRAL; PAULO SOARES ESTEVES (2006)]

As quotas de exportação de Portugal têm vindo a sofrer uma evolução negativa nos últimos anos. Sónia Cabral e Paulo Soares Esteves (2006) explicam esta situação através de três efeitos: o efeito quota de mercado, o efeito estrutura combinada e o efeito residual. O efeito estrutura combinada é ainda subdividido em efeito estrutura geográfica, estrutura por produto e efeito estrutura misto. Os autores identificam também os principais concorrentes de Portugal, assim como alguns países que se encontram na mesma situação.

Alina Vieites Gonçalves

(resumo de trabalho a apresentar na aula de segunda-feira, 16 de Outubro de 2006)

Será a Retoma?

Nos últimos tempos têm surgido várias notícias de que a situação económica do país está a melhorar. Surgem previsões apresentados pelo INE que apontavam o crescimento de 7% das exportações como suporte para o desenvolvimento da economia portuguesa, e que a União Europeia cresceu ao mesmo ritmo, no segundo trimestre do ano face ao trimestre anterior; por ouro lado foram apresentados dados que mostravam que o PIB cresceu 0.9% em Portugal em comparação com o segundo trimestre do ano passado enquanto que o crescimento na União Europeia foi de 2.9%. Estes números coincidem com os posteriormente apresentados pelo departamento de estatística da União Europeia, o Eurostat. O surgimento destes dados que apontam para uma melhoria da situação económica do País, mesmo que não suficiente para a convergência com os demais parceiros da União, poderá ser positivo para “animar” as expectativas dos agentes económicos e influenciar as suas decisões.
A dúvida persiste. Será que estamos no caminho certo para ultrapassar a crise? Serão estes sinais suficientes para acreditar que estamos perante uma situação de retoma económica?
Por um lado surge um bom indicador para que a retoma seja possível impulsionada pela melhoria da procura externa, e pelo que tem sido possível apurar, a conjuntura externa irá continuar a melhorar pelo crescimento dos países da Zona Euro e principalmente dos parceiros de Portugal, nomeadamente a Espanha com um crescimento significativo; é também de constatar que na Alemanha, também importante parceiro, verifica-se uma situação de subida do IVA mas no entanto, penso que as exportações portuguesas continuaram a ser competitivas neste mercado. Outra situação positiva é o facto de a Angola estar a dar sinais de grande crescimento, e por questões históricas e culturais, já se torna um grande parceiro extra-comunitário, e poderá ser um parceiro estratégico para impulsionar as exportações noutros mercados. Outro bom indicador foi a estabilização do preço do petróleo a partir de meados de Agosto com a diminuição do receio de novas rupturas na oferta mundial, não sendo de prever novas subidas, o que poderá ser positivo para a competitividade das exportações portuguesas.
Outro indicador positivo é a moderação do consumo privado. Este factor pode ser explicado principalmente pela subida da taxa de juro que trava o pedido de empréstimo por parte das famílias e por sua vez a necessidade do país pedir dinheiro ao estrangeiro a juros também muito elevados.
Por outro lado, é necessário controlar a despesa pública neste período em que surgem sinais de retoma. Um agravamento da divida publica traria graves consequências quer pela possibilidade de pagamento de elevadas multas, quer pela possibilidade de comprometer o desenvolvimento para as gerações futuras principalmente neste contexto de elevadas taxas de juro. No entanto este controlo das despesas públicas não deve incidir apenas sobre o congelamento das carreiras ou de salários dos funcionários da função pública. É necessário tornar a massa do Estado menor mas capaz e responsável.
Por outro lado, o Eurostat registou uma tendência divergente da evolução do investimento em Portugal (recuou 2.5% no segundo trimestre face ao trimestre anterior) em contraste com a União Europeia (cresceu 1.8% no mesmo período). No meu entender, para a consolidação destes indicadores de retoma, o investimento não deve ser discriminado principalmente em projectos que sirvam para o impulso do crescimento futuro e moderem o desemprego; no entanto é necessário não ser o Estado a fazer estes investimentos pela necessidade de não agravar o défice público. Assim sendo devem ser encontradas soluções, como por exemplo a atracção de investimento estrangeiro ou por outro lado, no caso de investimentos de interesse público, considerar parcerias publico-privadas; defendendo assim o interesse publico e não agravando o défice.
A crise portuguesa trata-se de uma crise estrutural da qual só sairemos com mudanças profundas e, no meu entender, até podemos estar no caminho certo se abandonarmos os antigos factores de competitividade procurando ser competitivos em sectores mais intensivos em conhecimento, tecnologia e inovação; temos no entanto de ser rigorosos no controlo das contas públicas.

Hélder Martins
Nº 40295

(doc. da série artigos de análise/opinião)

sexta-feira, outubro 13, 2006

O que podes fazer pelo país?

À primeira vista, o quadro não é animador. O diagnóstico chega até nós diariamente na rádio, na TV, nos jornais, na Internet, enfim, em qualquer lado onde se fale de economia, de política, do país. Um país a crescer abaixo do seu potencial e em divergência com a Europa, contas públicas deterioradas, desemprego em níveis de que não há memória em Portugal, um dos mais altos níveis de endividamento da economia num contexto de subida dos juros, graves assimetrias regionais, fraquíssimos níveis de escolaridade da população, altos níveis de abandono escolar, fraco investimento em I&D, uma economia estruturalmente débil para enfrentar os desafios da competitividade internacional…
O cenário acima traçado quase faz esquecer o que foi feito em apenas duas décadas. Repito, para que não restem dúvidas: nos últimos 20 anos. Tenho 21 e nasci num país estatisticamente subdesenvolvido chamado Portugal. Por ter nascido com a adesão à então CEE, dificilmente terá havido uma geração a viver uma ilusão tão grande como a minha. Crescemos com a modernização do país. A integração europeia e um contexto internacional largamente favorável a partir de 1985 foram decisivos para o desenvolvimento português desde essa data. Ano após ano assistimos a progressos assinaláveis ao nível de infra-estruturas. Ano após ano se registavam melhorias expressivas no nível de vida dos portugueses. Não imaginávamos outro cenário que não fosse a rápida e contínua aproximação relativamente aos padrões de vida dos parceiros europeus.
Hoje sabemos que não é assim, embora me pareça que os portugueses não entenderam ainda as razões do problema e qual o caminho a seguir. Julgo ser altura de percebermos que as questões de desenvolvimento não são apenas da esfera de competências do Estado e da classe política.
Reformas. Uma das palavras mais ouvidas nos tempos que correm. Reforma da Justiça, da Administração Pública, da Segurança Social, da Educação e, noutro registo, reforma da estrutura produtiva. Como estudantes de Economia, percebemos bem a sua importância. Um Estado leve, eficiente, justo, com um sistema de protecção social sustentável, um Estado que assegura a qualificação dos cidadãos é a base para promover o crescimento económico e conciliá-lo com o desenvolvimento da sociedade. Como levar a cabo tais reformas se cada tentativa de mudança esbarra na resistência de quem não coloca sequer a hipótese de ver questionados os “direitos adquiridos”? Será possível desenvolver uma sociedade e uma economia competitiva quando os cidadãos se demitem das suas responsabilidades para com a mesma? Enquanto insistirmos em ver o Estado como “eles” e enquanto os culparmos “a eles” por tudo o que vai mal, será difícil promover um debate sério e abrangente. Espírito crítico, algo que não abunda em Portugal, é muito mais do que o permanente maldizer que ouvimos um pouco por toda a parte.
Ironicamente, há também uma necessária vertente individualista nas responsabilidades que menciono acima. Trata-se da adopção de uma postura empreendedora e participativa na dinâmica económica. Aqui sim, tal como nos dizem os ensinamentos do velho Adam, a prossecução do interesse individual e o bem-estar comum são perfeitamente compatíveis.
Não poderia deixar de lançar um repto aos colegas estudantes. Representamos um forte investimento do Estado e muitos das gerações anteriores nem sequer ousaram sonhar com as oportunidades que temos hoje. Mais do que os problemas relatados no início do texto, choca-me sobretudo o alheamento dos jovens relativamente a estas questões. Penso ser altura de assumirmos uma postura mais participativa, começando no próprio meio académico. A universidade é o espaço de conhecimento, inovação e produção de massa crítica por excelência e enquanto não percebermos isto estaremos a descurar alguns dos aspectos mais importantes da nossa formação.
Não pretendo pregar utopias e tenho perfeita consciência da dificuldade e lentidão com que se processa uma mudança de mentalidades tão profunda. Para começar seria bom que, como um dia disse JFK, deixássemos de perguntar o que pode o país fazer por nós, para nos questionarmos sobre o que podemos nós fazer pelo país.

Pedro Silva
(doc. da série artigos de análise/opinião)

quinta-feira, outubro 12, 2006

Factores que marcam a evolução do quadro económico global

"Factores que marcam a evolução do quadro económico global - dos mercados aos valores que informam os consumidores:

* Globalização dos mercados
- Liberalização do comércio mundial (Organização Mundial do Comércio - redução de tarifas e eliminação de contingentes; UE determina a política comercial dos Estados- membros)
- Concorrência transnacional (economias de escala; custos de mão de obra; dumping social)
- Desregulação da economia (redução da intervenção do Estado na economia)

* Crescente segmentação dos mercados
- Aumento da instrução (produtos light; produtos ecológicos)
- Aumento do rendimento (jovens; classe média; crédito)
- Ciclo de vida do produto desfasado entre países/regiões (reciclagem,...)

* Valorização pelo consumidor dos factores dinâmicos de competitividade
- Marca; Design; Qualidade; Personalização do produto; Serviço pós-venda; ...

* Continuação da introdução de novas
tecnologias - robotização e novas tecnologias de informação
- Robotização (novas formas de produção – mass customization)
- Novas tecnologias de informação (transferência de informação em tempo real)

* Aceleração do processo de inovação do produto
- Ciclo de vida do produto mais curto
- Necessidade de maior inovação (satisfação de novas necessidades; satisfação de novos clientes; novas localizações; alterações do produto)

* Crescente sensibilidade social para as questões da ecologia e da qualidade de vida
- Evidência de uma sociedade ecologicamente cada vez mais consciente, que procura uma nova qualidade de vida.
(Este dado vai igualmente ao encontro da ideia que o mercado se encontra a evoluir muito rapidamente em direcção a novos produtos e segmentos) "

J. Cadima Ribeiro

(extracto de apresentação digital intitulada “Contributo para a reflexão sobre o desemprego em Portugal: alguns retratos instantâneos e um comentário”; Braga, 11 de Março de 2006)

One in six workers is self-employed

«The non-financial business economy in the EU25

One in six workers self-employed
Two-thirds of persons employed in small and medium businesses

Within the EU25, self-employment accounted for 16% of total employment across the non-financial businesseconomy (NFBE)1 in 2005, with 19% of men self-employed, compared with 11% of women.
Small and medium sized enterprises (SMEs), which employ less than 250 people, are the backbone of the EU's NFBE, as they represented 99.8% of EU25 NFBE enterprises in 2003 and employed about two thirds of the workforce: 30% in micro businesses (with less than 10 persons employed), 21% in small businesses (with a workforce of between 10 and 49 people), and 17% in medium sized enterprises (between 50 and 249 persons).
These figures are taken from a report2 published by Eurostat, the Statistical Office of the EuropeanCommunities. A more complete picture of European enterprises, including a special feature on SMEs, can also be found in a new Eurostat publication, "Key figures on European Business 2006".»

Eurostat news release 133/2006 - 05 de Outubro de 2006


(Extracto do documento disponível em http://epp.eurostat.cec.eu.int)

terça-feira, outubro 10, 2006

Caracterização do desemprego em Portugal

O desemprego, enquanto fenómeno sócio-económico, tem um peso relativamente grande na vida dos agentes económicos.
De forma a minimizar as suas consequências e para o bom funcionamento da economia nacional, é necessário estudar este fenómeno segundo diversas variáveis determinantes, como o género, a idade, o nível de escolaridade ou a própria durabilidade do desemprego, para, assim, conseguir optar por políticas e medidas mais eficazes e que actuem directamente na fonte do problema.

Bernadette Cunha

(resumo de trabalho a apresentar na aula de quinta-feira, 12 de Outubro de 2006)

Para um novo modelo de Administração Pública

Nos dias que correm é evidente o descrédito em que caiu a máquina administrativa pública do nosso país. A partir de determinada altura questionou-se o rumo que esta estava a seguir, argumentando-se que ela foi construída com base em princípios errados precisando de ser reinventada e de renovar as suas instituições. Os constrangimentos económicos impuseram ajustamentos nas políticas e mudanças no funcionamento interno das organizações públicas. Têm sido várias as estratégias de reforma adoptadas para mudar o funcionamento da Administração Pública, desde cortes orçamentais, venda de bens do Estado, privatização, contratação de serviços, introdução de medidas de desempenho, da gestão por resultados, e de técnicas de gestão do sector privado. Tratam-se de medidas de reforma que se enquadram no modelo gestionário e que têm sido adoptadas nos países ocidentais acreditando que estes instrumentos de reforma são capazes de responder aos problemas económicos e sociais, em particular para introduzir maior eficiência e eficácia no funcionamento da Administração Pública.
O alcance destes objectivos tem levado à entrada no sector público de gestores profissionais provenientes do sector privado, procurando desta forma a profissionalização da gestão e uma orientação para as técnicas de gestão. Desta maneira, temos passado a assistir à definição de medidas e padrões de desempenho com objectivos mensuráveis e claramente definidos, à preocupação com o controlo dos resultados enfatizando a necessidade de insistir nos resultados e não nos processos, à desagregação de unidades do sector público dividindo grandes estruturas em unidades mais pequenas recorrendo a formas inovadoras de organização das actividades, à introdução de factores que promovam a concorrência no sector público, nomeadamente com a contratação, procurando com isto baixar custos e melhorar a qualidade da prestação dos serviços, à ênfase nos estilos e práticas de gestão do sector privado, introduzindo modelos que flexibilizam a gestão, bem como à ênfase numa maior disciplina e parcimónia na utilização de recursos, cortando nos custos e procurando maior eficiência.
Na verdade, este paradigma têm sido aplicado nas últimas décadas de diversas formas, em diferentes países que lhe dão significados distintos. Para alguns países como os anglo-saxónicos, a aplicação deste modelo tem levado à redução do peso do Estado e das suas actividades, para outros, como é o caso dos nórdicos, tem significado a modernização do Estado para lidar com um ambiente em mudança, fazendo uma abordagem selectiva, introduzindo somente medidas que consideram úteis. Este movimento de reforma administrativa resulta do processo de globalização, prevendo-se que este fenómeno determine a convergência dos vários sistemas administrativos, embora se observe a relutância de alguns países, como a Alemanha, a França ou o Japão, em aplicar de forma sistematizada estas ideias. Deste modo, será difícil de assumir que existam soluções que possam ser aplicadas em qualquer país, de maneira a que conduzam ao aparecimento de apenas um tipo de sistema.
Sendo assim, os exemplos reformadores de outros países permitem concluir que mais do que a redução do peso da Administração Pública no nosso país, importa reformular a sua organização e cultivar o espírito de serviço público nos seus funcionários. Na realidade, deparámo-nos com um discurso onde se enfatiza a necessidade de motivar os funcionários, transformar a sua cultura, promover as suas qualificações, promover a liderança e procurar o envolvimento e comprometimento dos funcionários com os serviços públicos, e simultaneamente a este discurso, as iniciativas de reforma da função pública caracterizaram-se pela vulnerabilização do estatuto dos funcionários nomeadamente no que respeita à segurança de emprego e remuneração. Desta forma, ao mesmo tempo que se evoca que as pessoas constituem o valor primordial da Administração Pública adoptam-se medidas que parecem ameaçar a estabilidade e a confiança de quem nela trabalha. Encontramo-nos num período de transição, onde as mudanças se apresentam como inevitáveis. Falta saber se mudaremos para melhor !!!
Paulo Marques da Silva
(doc. da série artigos de análise/opinião)

domingo, outubro 08, 2006

Destaques noticiosos do fim-de-semana

"O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, deixou antever de novo hoje uma subida das taxas de juros já para o próximo mês de dezembro."
/.../
Orçamento do Estado corta 30% em investimento (06-10-06, in Diário Económico)
"Forte contenção na despesa pública é a palavra de ordem do próximo orçamento. Ainda assim, os grandes investimentos serão salvaguardados."

quinta-feira, outubro 05, 2006

Aviso

Caros(as) alunos(as),
Em razão de sobreposição de compromissos de serviço, não me é possível assegurar a aula de 2ª feira, 06/10/09.
Notem, no entanto, que isso não implica que haja quebra de comunicação e que o trabalho não possa continuar. Para isso serve este fórum, mesmo se muito pouco aproveitado, até à presente data.
Cordiais cumprimentos,

J. Cadima Ribeiro

terça-feira, outubro 03, 2006

Acredito na retoma

De acordo com os dados estatísticos que pesquisei no INE (Instituto Nacional de Estatística) e no Banco de Portugal, acredito numa possibilidade verosímil de retoma para Portugal nos anos que se aproximam. A informação disponível aponta para a continuação dos sinais mais animadores sobre a evolução da actividade económica, já perceptíveis nos primeiros trimestres do ano.
A procura externa continua a ser a força dinamizadora, aumentando a sua participação no crescimento português. O valor das exportações no 2ºtrimestre de 2006 cresceu 10.3%, em termos nominais. Esta notável aceleração das exportações deve-se, essencialmente, aos países clientes de Portugal, que revelaram um crescimento médio no início de 2006 de 2.5% (Espanha, principal parceiro económico, mantêm níveis de crescimento acima dos 3% por vários trimestres consecutivos).
De acordo com estes dados e as expectativas do FMI, é já possível antever uma aceleração forte das exportações e uma desaceleração das importações para 2007, e, sendo assim, uma situação mais equilibrada a nível comercial beneficiará o crescimento económico em Portugal, mas não dependerá apenas disto.
Tendo em conta os dados divulgados pela Comissão Europeia a 2 de Outubro de 2006, a economia na zona euro cresceu 3.5% nos primeiros 6 meses, sendo o maior crescimento dos últimos 6 anos. O crescimento de 1.2% previsto pelo FMI para Portugal em 2006 é ainda muito pouco em relação ao dos parceiros europeus. Portugal terá que acompanhar a tendência europeia apostando, essencialmente, no mercado externo em expansão, tornando-se mais competitivo e inovador e procurando novas perspectivas comerciais, para que não vejamos uma vez mais Portugal “na cauda da Europa”.

Sara M. A. Peixoto
(artigo extraído da plataforma electrónica de apoio à unidade curricular Economia Portuguesa e Europeia; Out. 2006)

A lei de Okun

Segundo a lei de Okun (Arthur Okun), por cada cada 2 a 2,5% de quebra do PNB relativamente ao PNB potencial, a taxa de desemprego aumenta 1 ponto percentual.
“Quer dizer, a lei de Okun proporciona a ligação vital entre o mercado dos produtos e o mercado de trabalho. Descreve a associação entre os movimento de curto prazo do PNB real e as variações do desemprego”


(citação extraida de Samuelson e Northaus, Economia, McGraw Hill, Lisboa,1993, p.661)

sexta-feira, setembro 29, 2006

Inflação na zona Euro

"A inflação da Zona Euro recuou para os 1,8%, ficando assim, pela primeira vez desde Janeiro de 2005, abaixo do limite de 2% definido pelo Banco Central Europeu (BCE) como zona de segurança."

(extrato de notícia, intitulada Inflação da Zona Euro fica abaixo dos 2% , do Jornal de Negócios, de 06/09/29)

terça-feira, setembro 26, 2006

"Shadow Economies and Corruption all over the World: What do we really know?"

«Estimations of the size and development of the shadow economy for 145 countries, including developing, transition and highly developed OECD economies over the period 1999 to 2003 are presented. The average size of the shadow economy (as a percent of "official" GDP) in 2002/03 in 96 developing countries is 38.7%, in 25 transition countries 40.1%, in 21 OECD countries 16.3% and in 3 Communist countries 22.3%. An increased burden of taxation and social security contributions, combined with a labor market regulation are the driving forces of the shadow economy. Furthermore, the results show that the shadow economy reduces corruption in high income countries, but increases corruption in low income countries. Finally, the various estimation methods are discussed and critically evaluated.»

Friedrich G. Schneider (Department of Economics, Johannes Kepler University Linz, Austria)
Keywords: shadow economy of 145 countries; tax burden; tax moral; quality of state institutions; regulation; DYMIMIC and other estimation methods
Date: 2006-09
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:jku:econwp:2006_17&r=pbe

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

sábado, setembro 23, 2006

A evolução das taxas de inflação e de desemprego nos últimos 30 anos

"A evolução da Taxa de Inflação e da Taxa de Desemprego em Portugal, nos últimos 30 anos: análise da relação entre esses dois agregados - a Curva de Phillips para Portugal "


" Conclusões:
-Existe uma relação entre inflação e variação do desemprego ( e não entre inflação e desemprego);

-Considerando a variação da taxa de desemprego no curto prazo, em vez da taxa de desemprego, a curva de Phillips verifica-se em Portugal.

[“Uma estimação da curva de Phillips para Portugal”, Agostinho Rosa (2004)]


- Segundo o BCE, a taxa de inflação está controlada;

- Desemprego em tendência com outros países. Mas, atenção às comparações: uma taxa de desemprego de 7% em Portugal ou noutro país tem consequências diferentes. Países têm estruturas diferentes e sistemas de protecção social diferentes;

- Relação inversa entre inflação e desemprego no curto-prazo, mas altas taxas de inflação não estão associadas com baixos níveis de desemprego (não se prova uma relação causa-efeito). "


Joana Ferreira
(aluna da Licenciatura em Economia, estudante nº 37763; Outubro de 2005)

[extracto do doc. apresentado na aula de Economia Portuguesa, no ano lectivo 2005/06]

quinta-feira, setembro 21, 2006

Labour Force Survey 2005

"Labour Force Survey 2005
Employment rate in the EU25 was 63.8% in 2005
One in seven employees had a temporary job


In 2005, 197.5 million people aged 15 years or more had a job or a business activity in the EU25. The total employment rate1 for people aged 15-64 was 63.8%, compared to 62.4% in 2000, and 63.3% in 2004. The employment rate for women in 2005 was 56.3%, compared to 53.6% in 2000, while the rate for older people, i.e. those aged 55-64, reached 42.5%, up from the 36.6% registered in 2000.
This information comes from a report4 published by Eurostat, the Statistical Office of the European Communities, based on the results of the 2005 Labour Force Survey.

Employment rates of people aged 15-64 range from 52.8% in Poland to 75.9% in Denmark
In 2005, the employment rate for persons aged 15-64 was above 70% in Denmark (75.9%), the Netherlands (73.2%), Sweden (72.5%) and the United Kingdom (71.7%), and below 60% in Poland (52.8%), Malta (53.9%), Hungary (56.9%), Italy (57.6%) and Slovakia (57.7%).
Denmark (71.9%), Sweden (70.4%), Finland (66.5%), the Netherlands (66.4%) and the United Kingdom (65.9%) registered the highest rates of female employment in 2005, while Malta (33.7%), Italy (45.3%), Greece (46.1%) and Poland (46.8%) had the lowest. Malta recorded the greatest difference between male and female employment rates, with a gap of 40 percentage points, followed by Greece (28 pp), Italy (25 pp) and Spain (24 pp). On the other hand, Finland and Sweden (both 4 pp), and Estonia (5 pp) recorded the lowest differences.

Large variation between countries in percentage of temporary jobs
On average in the EU25, 14.5% of employees aged 15 or more had a temporary job5 in 2005, up from 13.7% in 2004. The percentage of employees with temporary jobs varied widely across Member States, from 2.7% in Estonia, 3.7% in Ireland and 4.5% in Malta, to 33.3% in Spain, 25.7% in Poland and 19.5% in Portugal.
The percentage of women employed in temporary jobs in the EU25 was 15.0%, compared to 14.0% for men. In 17 of the 25 EU Member States, the share of women with temporary jobs was larger than that of men, with the largest differences being observed in Cyprus (19.5% for women compared to 9.0% for men), Finland (20.0% compared to 12.9%) and Belgium (11.4% compared to 6.8%).

Close to one in five of the unemployed looking for their first job
Among the unemployed in the EU25 in 2005, 18.3% had never had a job, ranging from 8.9% in Finland and 9.2% in Germany to 37.3% in Greece and 33.6% in Italy.
As far as long-term unemployment is concerned, 4.1% of the active population in the EU25 had been without work for at least a year. This percentage varied from 1.0% in the United Kingdom and 1.1% in Denmark to 11.7% in Slovakia and 10.2% in Poland.
[...]
Two thirds of the workforce employed in services
Two thirds of jobs in the EU25 in 2005 were in services6, and in no country was it less than 50%. Services accounted for 56.3% of jobs for men and 81.9% for women. In Luxembourg (81.0%), the United Kingdom (76.5%), the Netherlands (76.1%) and Sweden (75.8%) more than three quarters of workers were engaged in the services sector.
Industry provided jobs for 27.5% of the employed in the EU25 in 2005, accounting for 38.0% of jobs for men, compared to 14.2% for women. The Czech Republic had the highest proportion of jobs in industry (39.5%), followed by Slovakia (38.8%) and Slovenia (37.1%).On average in the EU25, agriculture was the main activity of 4.9% of workers, and accounted for over 10% of employment in Poland (17.4%), Lithuania (14.0%), Greece (12.4%), Latvia and Portugal (both 11.8%)."
Eurostat news release, 118/2006 - 11 September 2006;
http://ec.europa.eu/eurostat/
(extractos do doc. identificado, difundido via internet)

sábado, setembro 16, 2006

A evolução da economia portuguesa em 2006: uma antevisão do final de 2005

Uma revista nacional, da área económica, dirigiu-me no final do pretérito ano um questionário sobre a evolução previsível, em 2006, da economia portuguesa. Pedia-se respostas sintéticas e, como é óbvio, a selecção dos tópicos foi da inteira responsabilidade da jornalista.
Quase 10 meses volvidos, o que então era futuro é hoje presente e alguns dos contornos da evolução económica do país no actual ano estão já concretizados. Ofereceu-se-me, por isso, interessante reler esse texto, na acuidade e limitações da análise proposta.
É essa, também, a proposta que faço ao alunos desta disciplina, a título de contributo para a reflexão sobre os caminhos a trilhar pela economia portuguesa.
Seguem-se as questões e as respostas que propus em 1 de Dezembro de 2005.

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1 - Na sua opinião, a retoma económica vai ou não chegar a Portugal em 2006?
R: Seria dramático que não chegasse. Num contexto de retoma económica na UE, a persistência da presente situação de estagnação só poderia ficar a dever-se à repetição de erros graves de política económica, que, infelizmente, ajudaram ao aprofundamento da crise e ao seu arrastamento temporal.

2 - O que é preciso para que a economia portuguesa volte a crescer?
R: São necessárias, essencialmente, quatro coisas: i) que se consolide a recuperação económica na UE, especialmente entre os principais parceiros económicos de Portugal; ii) que se clarifique o modelo económico de desenvolvimento prosseguido e se criem, atempadamente, os instrumentos de política pública necessários para o suportar; iii) que o Estado abandone a sua tradicional postura de omni-sabedoria e, alternativamente, adopte um modelo de parceria privado-público na definição e implementação das grandes orientações da economia; e iv) que os poderes públicos tenham presente e trabalhem de forma consistente as dimensões psico-sociais de suporte ao bom funcionamento da economia.
Estas diferentes dimensões devem ser trabalhadas de forma articulada, sob pena de fracasso do projecto de reestruturação económica visado. Algumas das vertentes do projecto que se enuncia não dispensam a reforma complementar do sistema político.
3 - Acha que a dinâmica de crescimento económico em Espanha se manterá em 2006? Qual o impacto para Portugal?
R: Se a economia espanhola se manteve a bom ritmo num quadro de generalizada paralisia da economia europeia, não parece fazer sentido admitir que vai abrandar quando o quadro global é de retoma. Tanto mais que a Espanha fez entretanto muitas das reformas económicas e políticas que estão por fazer em Portugal. Como parceiro de ponta que é, uma conjuntura favorável na economia vizinha só pode ser bom para Portugal (se disso formos capaz de tirar partido através de uma postura pró-activa).

4 - Na sua opinião, como evoluirá a economia europeia, em particular a alemã? Qual o impacto para Portugal?
R: Conforme já sublinhado, os dados económicos recentes apontam no sentido da retoma do crescimento económico na Europa e na Alemanha, em particular. Para uma pequena economia aberta como a portuguesa, isso só pode ser bom. Não nos dispensa, entretanto, de requalificar a nossa inserção na divisão internacional do trabalho, sob pena dos benefícios serem transitórios e ficarem aquém do desejável.
A meu ver, uma mais ou menos sustentada evolução da economia alemã depende da manutenção da cotação do Euro e da não insistência na repetição do erro por nós bem conhecido da subida de impostos.

5 - Acha que a taxa de desemprego continuará a subir em Portugal em 2006? Até onde poderá ir?
R: Receio que sim, embora isso dependa, em certa medida, da força do crescimento que possa ser conseguido. O que eu quero dizer é que, por um lado, a criação de emprego anda estreitamente associada ao ritmo a que cresce o PIB e, por outro lado, a possibilidade da redução da taxa de desemprego choca com a requalificação necessária do nosso modelo produtivo, que será poupadora de trabalho, sobretudo do menos qualificado.
Na conjugação dos dois aspectos mencionados, estimo que a taxa de desemprego possa oscilar entre um valor ligeiramente superior ao actual e o e o valor que se verifica nesta data.

6 - Como acha que evoluirão as exportações portuguesas em 2006?
R: Por força dos dados da conjuntura internacional e da exposição externa da nossa economia, só podem crescer. O que fica por responder é sobre se atingirão a meta estabelecida no orçamento de Estado para 2006 e qual a sustentabilidade do acréscimo esperado. Isso dependerá, insisto, de se começarem ou não a trilhar os caminhos da requalificação do nosso posicionamento produtivo.
J. Cadima Ribeiro

sexta-feira, setembro 15, 2006

“FMI revê em alta expansão da economia portuguesa em 2006 e 2007”

«A economia portuguesa deverá crescer 1,2% no corrente ano e 1,5% em 2007, de acordo com os dados divulgados na madrugada de hoje pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), revendo em alta de 0,4 pontos as projecções efectuadas na Primavera.
A convergência real da economia portuguesa continua adiada, e Portugal poderá será um dos dois países da União Europeia - a par da Itália - a ultrapassar a regra dos 3% para o défice público. A inflação, após atingir os 2,6% no corrente ano deverá baixar 0,4 pontos no próximo ano, enquanto o desemprego deverá cair ligeiramente.
Com uma taxa anualizada de 3,6% no segundo trimestre, o FMI reviu em alta a expansão da economia da área euro em 2006, mas as estimativas para 2007 foram marginalmente revistas em baixa, com o Fundo a temer as consequências de um aumento de três pontos na taxa do IVA na Alemanha - a entrar em vigor já em Janeiro de 2007 - e uma apreciação do euro frente ao dólar.
Na Zona Euro, a retoma deste ano é liderada pela procura interna, "particularmente o investimento", diz o relatório do Fundo. A economia foi dinamizada pela Alemanha, "com a ajuda do campeonato do Mundo de futebol" e pela França, com a actividade também a "permanecer robusta em Espanha". Os mais recentes indicadores económicos "sugerem que a expansão da área euro continuará na segunda metade do ano", permitindo uma expansão de 2,4% no PIB europeu, "a mais alta taxa de crescimento em seis anos" (ver quadro). É que, a par da reestruturação dos balanços das empresas, diz o FMI, na recta final do ano a procura interna na Alemanha deverá animar a economia, já que os consumidores poderão antecipar compras fugindo ao aumento do IVA alemão, previsto para Janeiro de 2007.
Para o próximo ano, o FMI estima um crescimento de 2% para a zona euro, uma desaceleração face a 2006. O Fundo, justificando esta retracção do produto, explica que aumento do IVA na maior economia da Europa poderá reduzir o consumo no princípio de 2007. Os técnicos de Washington, sede do FMI, calculam que o aumento do imposto indirecto pode retirar cerca de 0,5 pontos ao crescimento alemão face a 2006.
Acresce que "a Europa permanece exposta" à apreciação da moeda frente ao dólar, colocando as exportações europeias mais caras. Num ciclo mais adiantado, a retracção das exportações pode afectar o investimento, um dos motores da retoma do Velho Continente. A apreciação da moeda, avisa o Fundo, pode também resultar em perdas de capitais proveniente de investimentos realizados nos EUA.
Riscos para o mundo.
Após um crescimento robusto em 2006 a economia mundial deverá desacelerar em 2007 (ver texto em baixo), envolvido num ambiente de aumento das taxas de juro. Para este ano, o preço médio do barril de petróleo deverá situar-se nos 69,2 dólares e as estimativas do FMI para 2007 colocam o preço médio do barril em 75,5 dólares. O aumento dos custos energéticos - bem como as tabelas das matérias-primas - é explicado pela pressão da procura por parte de grandes economias como a China, Índia e Japão.
Com a existência de sinais de pressão na inflação mundial, o Fundo destaca o endurecimento da política monetária por parte dos bancos centrais dos grandes blocos comerciais. Sinais de abrandamento da economia americana levaram o FED a encetar uma pausa no aumento das taxas de juro em Agosto após o último movimento de Julho. O BCE, deverá a aumentar as taxas de referência e o mesmo sucederá com o banco central japonês.»

Rudolfo Rebêlo

(artigo publicado no Diário de Notícias, em 2006-09-14)