Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

quinta-feira, novembro 23, 2006

Da Formação Económica à Vida Económica

Num desafio de enumeração dos maiores problemas da Economia portuguesa, dava-me conta de começar a listagem pela educação e formação em geral (e respectivos défices), pela administração da justiça e pela justiça social (e respectivos défices), pelo centralismo da administração e pelo desapreço dos valores humanos, culturais e éticos, valores do Desenvolvimento. Claro que me dei também conta de que há problemas de crescimento económico, de desemprego, de produtividade, de competitividade, para citar só alguns.
O crescimento deveria ser enquadrado como objectivo para atingir o Desenvolvimento. O primeiro só faz sentido como instrumento do segundo e nunca deveria ser erigido como objectivo último. O Desenvolvimento tem determinantes económicos, como por exemplo, os recursos para disponibilizar bens e serviços destinados a satisfazer as necessidades básicas da população; mas tem também determinantes não económicos fundamentais como a liberdade e justiça social.
Quanto à produtividade, e, através dela a competitividade, depende da formação, da inserção adequada das tecnologias e do seu domínio, da inovação, do empreendorismo, da administração da justiça, da justiça social, do centralismo, da organização produtiva. Os principais responsáveis da baixa produtividade não são só os trabalhadores em geral ou os trabalhadores indiferenciados, como por vezes parecem fazer querer; são também e principalmente os quadros superiores, os administradores, os economistas, esses sim, responsáveis pela organização da produção e pela procura das “combinações óptimas” dos factores; porque são eles que devem decidir sobre a formação necessária, sobre as tecnologias mais adequadas a convocar, sobre as inovações a inserir, sobre a coesão social a criar, sobre a organização da produção,...
A Economia é pois, e apenas, uma ciência social, que para ser ciência útil deve assumir-se com humildade como ciência instrumental; isto é, como ciência ao serviço do Desenvolvimento.
Quanto à formação em Economia com vista à profissionalização, de que entendo dever destacar como preocupação maior a sólida formação teórica com base comum para a economia e a gestão, com exigências mútuas fundamentais: o economista da “Economia Política” não pode ignorar o essencial do funcionamento da célula fundamental da vida económica que é a empresa; do mesmo modo como o economista da “Economia e Gestão Empresariais” não pode deixar de possuir os conhecimentos essenciais da macroeconomia. A par vem a necessidade de sólida formação instrumental, ao nível designadamente dos métodos quantitativos próprios da Economia e dos métodos matemáticos em geral. Mas não se sobrevalorize a formação instrumental face à formação teórica sólida e à capacidade de enquadramento no “social”; aquilo que se designa por “cultura do Economista” impõe que se vá além do carácter instrumental, a diferenciar assim o Economista do Revisor Oficial de Contas e do Técnico Oficial de Contas, por exemplo.
Quanto ao comportamento deontológico e ético, ele tem de ser cada vez mais assegurado perante a sociedade. Essas garantias e as garantias de formação e de actualização de conhecimentos são certamente as razões mais determinantes da tendência crescente dos empregadores.
Estamos nós, futuros economistas, prontos para superar os desafios da actual economia portuguesa?
Existem várias possibilidades de respostas, mas pelo menos devíamos estar preparados para uma sociedade em mutação, com carências a diversos níveis e que busca a internacionalização e competitividade. Devíamos estar conscienciosos na busca de conhecimento teórico e prático…
Devemos inovar e competir!

Bernadette Cunha

(doc. da série artigos de análise/opinião)

quarta-feira, novembro 22, 2006

Será que o aumento do salário mínimo nacional é mesmo insustentável para a economia portuguesa?

O governo está a negociar um aumento do salário mínimo nacional para 400€. Actualmente o salário mínimo nacional situa-se em 385,90€. Deste modo para se alcançar o valor pretendido pelo governo seria necessário um aumento de 14,10€. O aumento do salário mínimo nacional de forma a manter o poder de compra, ou seja equivalente à inflação seria 8,10€ (uma vez que a inflação prevista é 2,1%). Será que um aumento de salário real no valor de 6€ é mesmo insustentável para as microempresas e as PME`s? Será que as empresas que argumentam estar a laborar na margem mínima não poderão aumentar a sua produtividade ou expandir os seus negócios através de uma atitude proactiva e empreendedora para aumentarem os salários mínimos de modo a recuperar 6€ mensais do poder de compra?

Lara Pinto

(doc. da série artigos de análise/opinião)

segunda-feira, novembro 20, 2006

Energia nuclear em Portugal…

A energia nuclear é motivo de receio por diversas razões: foi desenvolvida no contexto de uma guerra mundial, houve o acidente de Chernobyl, etc.
Mas Portugal não tem recursos energéticos e precisa de energia para se desenvolver sem aumentar a emissão para a atmosfera de dióxido de carbono.
Como todos nós sabemos, em termos económicos, o desenvolvimento esta intimamente ligado ao consumo de energia, uma vez que o uso de energia permite movimentar factores de produção e explorar recursos, multiplicando assim várias vezes a riqueza das nações.
Como se exige que o desenvolvimento económico continue, é inevitável que haja um contínuo aumento do consumo de energia.
Apesar de ultimamente ter havido um aumento significativo do preço da energia e pouco crescimento económico, o consumo de energia tem mesmo assim aumentado.
O paradigma energético actual, que se baseia nos combustíveis fósseis, é impossível de manter para o futuro.
Há então a opção da implementação da solução nuclear. A energia nuclear tem vantagens custo sobre todas as tecnologias utilizadas na produção de energia eléctrica sem emissão de gases para a atmosfera.
Como sabemos, a electricidade é muito cara. Apesar de tão cara a electricidade em Portugal é muito utilizada.
Numa análise mais económica, é normal ouvirmos dizer que Portugal é demasiado pequeno para ter uma central nuclear. No entanto, se tivermos em conta por exemplo a Suiça, que ao nível do território é menor que Portugal e possui 5 reactores nucleares.
Existe então consumo eléctrico que viabilize a construção em Portugal de uma central com vários reactores?
O concentrar dos reactores num só local implica custos de transporte da energia. No entanto tem muitas vantagens como seja a criação de postos de trabalho permanentes numa zona deprimida e menores custos de segurança e de gestão de resíduos. Além disso, poderia ser associado um cluster industrial de energia eléctrica intensiva.
Poderia, por exemplo, a central nuclear estar localizada no Alentejo por ser pouco povoado, deprimida e próximo duma zona de grande consumo energético (Lisboa e Vale do Tejo).
Assim, a longo prazo, a energia eléctrica produzida numa central nuclear poderia substituir outras fontes de energia que têm um impacto ambiental muito negativo, e a sua construção poderia também ser um factor de desenvolvimento de uma região onde fosse localizada. Este desenvolvimento resultaria directamente dos postos de trabalho criados na construção e funcionamento da central. Em termos indirectos, tornaria a região muito competitiva para a instalação de indústrias intensivas em energia.
Por outro lado, os transportes movidos a electricidade, como os comboios e metropolitanos, tornar-se-iam mais competitivos relativamente aos veículos movidos de combustíveis líquidos.
Em termos globais, para Portugal, a construção de uma central nuclear, e a consequente produção de energia eléctrica a custos mais baixos aumentaria a competitividade da economia, gerando indirectamente riqueza. Neste momento é necessário tomar decisão sobre o uso em Portugal da energia nuclear eléctrica. Esta necessidade prende-se com o aumento exponencial dos preços da energia baseada em combustíveis fosseis, a consciencialização de que o dióxido de carbono pode causar alterações climáticas de consequências imprevisíveis e as denominadas “fontes alternativas amigas do ambiente” implicarem um custo de produção muito elevado.
A opção nuclear, como qualquer opção, tem pontos positivos e pontos negativos, e cabe portanto a nós cidadãos ponderar e de forma racional, tomar uma decisão.

Luís Machado

(doc. da série artigos de análise/opinião)

Território e Internacionalização Empresarial na Fileira Têxtil

"A comunicação procura investigar em que medida o território no qual a empresa está imbricada funciona como alavanca ou travão do seu processo de internacionalização. Assim, na recensão das principais teorias explicativas do envolvimento internacional da empresa, procurar-se-á identificar o papel reservado ao espaço. Nesta digressão, num primeiro momento, dá-se relevo às etapas do processo de internacionalização da empresa. Segue-se a análise das teorias que ignoram o espaço e que centram a sua explicação nas diferenças de taxa de juro entre os países, na dotação factorial, nas imperfeições do mercado e nas vantagens da empresa. Num terceiro momento, equaciona-se o papel dos distritos industriais e dos meios inovadores como alavancas para o processo de internacionalização das organizações. A finalizar, procura-se ilustrar o papel do território no processo de internacionalização da empresa, apresentando-se algumas experiências de empresas portuguesas da fileira têxtil."

J. Cadima Ribeiro
J. Freitas Santos

(resumo de comunicação disponível na integra na entrada "Actas de Conferência-2006" do sítio do NIPE - http://www2.eeg.uminho.pt/economia/nipe/index_pt.htm)

domingo, novembro 19, 2006

Défice Orçamental: sustentável ou insustentável?

A febre consumista dos dias de hoje leva as pessoas a gastarem mais do que os rendimentos que auferem, o que leva ao endividamento, originando compromissos adicionais com o pagamento de juros, criando-se assim um círculo vicioso insustentável.
No caso de um país a situação poderá ser semelhante, tendo em conta que será difícil conseguir reduzir significativamente as despesas, pelo facto de muitas delas serem rígidas e indispensáveis, a solução passa essencialmente pela capacidade de maximizar a receita fiscal.
O trabalho realizado pela Joana (apresentado pelo professor na última aula) evoca várias vezes a ideia de que o défice orçamental não é insustentável, e que nem é o problema mais grave que o país enfrenta. Ele é sim, fundamentalmente, consequência e sintoma de outros problemas mais graves cuja resolução é muito mais urgente, já que só esta é que poderá permitir o desenvolvimento sustentado de Portugal e a resolução, de uma forma duradoura, do problema do défice orçamental.
Ora, para provar esta teoria, de que o défice orçamental português não é insustentável, temos o facto de Portugal no passado já ter tido défices superiores ao actual, e apesar disso a economia cresceu e o país apresenta algumas melhorias nos seus valores.
Para além disto, um défice gerado por investimento produtivo ou para aumentar a eficiência de serviços que tornem possível um desenvolvimento elevado, é um bom défice porque gerará riqueza e, acabará por pagar esse défice.
Deste modo, muito mais grave do que o défice orçamental é a estagnação e mesmo o retrocesso económico que se está a verificar em Portugal, determinado pela perda crescente de competitividade da economia portuguesa, cujo indicador mais visível é o défice da Balança Comercial.
É muito mais importante para Portugal e para o futuro dos portugueses concentrar as energias para resolver o problema da crescente falta de competitividade da economia nacional, do que resolver o problema do défice orçamental. Isto não significa, porém, que o défice orçamental não tenha de ser controlado, e que o dinheiro público não tenha que ser sujeito a uma rigorosa gestão, mas sim que o défice orçamental só poderá ser efectivamente resolvido com o desenvolvimento sustentado do país.
Ora, o défice comercial atinge já o dobro do défice orçamental, o que revela uma perda crescente de competitividade das empresas portuguesas quer nos mercados externos quer mesmo no mercado nacional. Isto revela, então, a forte necessidade da intervenção do Estado para, modernizar as empresas portuguesas e tornar o país mais competitivo.

Maria João Veloso

(doc. da série artigos de análise/opinião)

Portugal e a Corrupção

Há 13 crimes económicos por dia em Portugal: indícios de fraudes, emissões de facturas falsas, corrupção, branqueamento de capitais, crimes fiscais, e infracções de tecnologias informáticas. O que me despertou nesta notícia foi saber que os fundos movimentados pela economia paralela poderão envolver cerca de 9% do PIB, deste modo, o combate à corrupção tem de passar a ocupar parte substancial do discurso político.
Esta situação, na minha modesta opinião, deve-se, entre outros factores, a duas vertentes: lacunas no nosso sistema judicial e questões culturais.
A crescente dificuldade de contra-resposta judiciária permite a este tipo de criminalidade, vantagens superiores aos riscos, pois o atraso que resulta da desorganização crónica da justiça tem conduzido na maioria das vezes à impunidade. Isto sem falar do “labirinto” legislativo típico no nosso país: os jurisconsultos e advogados que ajudam os governos e o Parlamento a fazer a lei são posteriormente aqueles que ajudam os promotores privados a encontrar as lacunas da lei que eles próprios ajudaram a fazer. É urgente acabar com o descrédito na justiça e com a banalização dos fenómenos nocivos para o país para fazer face à corrupção.
Também é curioso associar a corrupção à própria cultura do país, os países mediterrâneos têm uma economia paralela em % do PIB muito superior à dos países nórdicos.
No entanto, esta atitude corrupta, como já referi, não é apenas típica do nosso país. De acordo com a revista “Prémio” de 10 de Novembro de 2006, Portugal é 26º país menos corrupto. A lista da Transparency International colocou Portugal como o 26º país menos corrupto do mundo. O indicador de percepção de corrupção português melhorou em relação a 2005, mas Portugal continua a aparecer abaixo da Espanha e da Alemanha. No topo da lista estão a Finlândia, a Islândia, e a Nova Zelândia e no fundo estão países como Haiti, Guiné e Iraque.

Sara Veloso

(doc.da série artigos de análise/opinião)

sábado, novembro 18, 2006

Destaques noticiosos do fim-de-semana

Economia mantém sinais favoráveis pelo décimo mês consecutivo [http://www.publico.clix.pt/Economia/noticia.asp?id=1276936] (17-11-06, in Público)
"A economia portuguesa voltou a dar sinais de melhoria em Outubro, completando dez meses consecutivos de recuperação, de acordo com o indicador coincidente divulgado hoje pelo Banco de Portugal."
/...
Balança Comercial da Zona Euro com excedente de 2 mil milhões em Setembro
"A balança comercial da Zona Euro com o resto do mundo apresentou um excedente de 2 mil milhões de euros no mês de Setembro, segundo os dados divulgados pelo Eurostat, que revelam que a União Europeia a 25 apresentou um défice de 13,4 mil milhões de euros no mesmo período."

A crise da Banca Nacional

Esta foi sem duvida a semana mais negra da Banca Nacional dos últimos anos. Das medidas de Teixeira dos Santos no Orçamento de Estado para obrigar a Banca a pagar mais impostos aos arredondamentos no crédito habitação, dos problemas de um conjunto de Bancos portugueses devido aos offshore em Espanha ao aumento da conflitualidade entre dois dos maiores bancos portugueses por causa de uma Oferta Pública de Aquisição, de tudo um pouco se passou nos últimos dias com um traço comum a estes acontecimentos: a descredibilização das Instituições Financeiras.
Depois do ataque do governo liderado por José Sócrates aos professores, aos juízes, funcionários públicos e contribuintes em geral, compraram mais uma guerra. Ou pelo menos declarou essa intenção. Sendo a Banca um sector da economia muito importante, é preciso esperar para ver exactamente em que ficamos quanto aos planos para controlar melhor os Bancos.
Este conjunto de iniciativas reveladas pelo governo tem dois objectivos claros. O primeiro é o de satisfazer a classe politica de esquerda, que constitui o bloco que dá apoio a este governo. Atacando o expoente máximo do capitalismo. O segundo objectivo deste incidente com a Banca é o de distrair o povo para as limitações do Orçamento de estado para 2007. Medidas que não são mais do que uma espécie de compensação mínima, por mais um ano de aperto do cinto que quer queiramos ou não, será sofrido sempre pelos mesmos.
A Banca é sector de ponta da economia nacional. Sendo o sistema nervoso central da nossa economia é natural que o governo tivesse protegido ao máximo com vista a ter um Sistema Financeiro sólido. Mas depois de algumas semanas em que a parte governativa não estava a correr bem, José Sócrates optou por castigar este sector com o intuito de colher os frutos sobre o eleitorado, que vê este sector como um dos mais favorecidos.
Os lucros crescentes da Banca muito superiores aos outros sectores da economia são alvo de critica em termos fiscais. Mas engane se quem pensa que estas alterações vão equilibrar os sectores. A Banca continua a ter um regime fiscal de excepção e continua a pagar uma taxa efectiva de IRC menor que outros sectores de actividade menos lucrativos. Os Bancos conseguem através de movimentos contabilísticos camuflarem alguns dos seus lucros e aliado ao planeamento fiscal muito bem elaborado retiram vantagens que os sectores da actividade não têm acesso.
No campo das taxas do crédito habitação o governo propôs os arredondamentos zero e admitiu a retroactividade na medida. A última parte é irrealista. Os Bancos já anunciaram o recurso a tribunais com vista a não devolverem os milhões de euros já recebidos. A maioria dos bancos devido à concorrência na gama do credito habitação tiveram de baixar os seus SPREADs mas compensaram essas perdas com a utilização dos arredondamentos a 1/4 ou a 1/8. Foi a forma da Banca conseguir manter as suas taxas de rentabilidade. Neste sentido não me espantaria, que não podendo recorrer aos arredondamentos, arranjassem outra fonte de receita com vista a transferir estes custos para os clientes.
Habituados a viver num mundo à parte e como acima da própria sociedade que sustenta, incomoda-os que o poder politico dê algum passo mesmo tímido para reforçar o controlo da sua actividade e limitar um ou outro privilégio.
Outro ponto negativo foi a investigação que um conjunto de Bancos Offshore Portugueses ( BES, BCP, BPN e FINIBANCO ) foram alvo em Espanha, por suspeita de envolvimento e dos deus clientes em operações de branqueamento de capital e fuga ao Fisco. Ainda não estão confirmadas as suspeitas mas já serviu para denegrir o bom nome dos bancos envolvidos assim como o sector em geral.
Não está no mesmo plano dos três casos anteriores. Mas a OPA do BCP sobre o BPI não está a passar por uma fase positiva. O clima de crispação entre os bancos foi provocado por Fernando Ulrich (BPI) devido às suas declarações. Num sector que, em regra é geralmente reservado as posições assumidas dão uma imagem negativa aos olhos do cidadão.
Por culpa alheia e responsabilidade dos próprios os bancos têm hoje pior imagem do que tinham há umas semanas a trás.

Álvaro Ferreira

(doc. da série artigos analise/opinião)

Uma nota ao artigo “O Esgotamento do Modelo Económico Baseado em Baixos Salários”

Ao passar pelo site do banco de Portugal chamou-me imediatamente a atenção um artigo de Pedro Portugal sobre o esgotamento do modelo económico baseado em baixos salários.
Segundo este autor, ainda existe na sociedade portuguesa uma ideia formada de que um dos factores que explica o esgotamento do modelo de desenvolvimento seguido por Portugal é o facto de se assentar a nossa competitividade em salários baixos.
Isto pode observar-se, por exemplo, num parecer do Conselho Económico e Social, denominado “Grandes Opções do Plano e Estratégia de Desenvolvimento” (aprovado no Plenário de 24 de Maio de 2005) onde se afirma que “as profundas modificações que a sociedade portuguesa e o mundo em geral têm sofrido nas últimas décadas puseram definitivamente em causa o modelo de crescimento tradicional da economia portuguesa, assente em mão-de-obra pouco qualificada e relativamente barata”.
Pedro Portugal afirma que o “ acolhimento generalizado desta concepção parece residir na simplicidade do raciocínio (...) [sendo, porém] uma daquelas noções do senso comum que não tem correspondência na análise económica. O autor lança assim a questão: “quando se sugere a existência de salários baixos, a questão que emerge é obviamente: baixos em relação a quê?”.
Para dar resposta a esta questão o autor propõe-se a analisar os determinantes dos salários em Portugal. As principais conclusões a que chegou foram:
- As empresas portuguesas remuneram frequentemente os seus trabalhadores acima do salário contratado;
- Na determinação dos salários contribuem quer os factores externos (como os ciclos económicos) à empresa quer os internos;
- Portugal possui uma elevada rigidez nominal dos salários (justificada pela proibição em baixar salários para valores inferiores aos inscritos no enquadramento legislativo dos contratos de trabalho); e
- Ao longo de todo o estudo efectuado sobre o comportamento dos salários no mercado de trabalho português não se encontraram sinais de que os salários seriam fixados abaixo do seu valor de equilíbrio (tendo mesmo existido indicações no sentido contrário).
Ou seja, a ideia generalizada de que o esgotamento do modelo económico se baseia nos baixos salários não encontra reflexo na evidência empírica.
Posto isto, sou da opinião que o desenvolvimento económico não deve ser entendido como o resultado de apenas um único factor. Trata-se de um processo económico e social dinâmico e complexo, que resulta da interacção entre diversos factores que estão sempre a evoluir. Assim, não devemos dizer que o facto de Portugal ter (ou não) salários baixos justifica os resultados alcançados com o modelo de desenvolvimento que tem sido seguido. Esses resultados estão associados não só a condicionantes internas como também externas ao próprio país. É, no entanto, necessário que se reflicta sobre a necessidade de implementar um novo modelo de desenvolvimento mais adaptado à nova contextualização económica mundial. Para isso será necessário, mais do que tomar medidas pontualmente, efectuar reestruturações de fundo na nossa economia, nomeadamente no âmbito das políticas económicas.

Vânia Silva

(doc. da série artigos analise/opinião)

terça-feira, novembro 14, 2006

Portugal e uma politica energética comum sustentável

Portugal tal como qualquer país da União Europeia tem uma forte dependência de fontes energéticas externas. O nosso país importa cerca de 85% da energia que consome – 4000 milhões de euros ano de importações, e tem um dos piores níveis de eficiência dos 15 estados membros na utilização da energia. O ano de 2005 ainda acentuou mais essa tendência, devido ao facto de ter havido uma baixa na produção hidroeléctrica devido à seca que afectou todo o país.
Neste momento os preços internacionais do petróleo estão em máximos históricos, a previsão é que esta tendência seja para se manter nos próximos 3 a 5 anos, pois será este o tempo necessário para que as novas explorações petrolíferas, possam entrar em funcionamento. Nesta matéria, Portugal é um dos países europeus com menor eficiência energética, gastando 0,88 barris de petróleo por cada mil euros de PIB. O valor médio da UE é de 0,65 barris por cada mil euros e o país europeu mais eficiente é a Dinamarca sendo o valor de 0,41.
Com o surgimento do Protocolo de Quioto, que tem como objectivo a redução de gases de efeito estufa, a UE vê-se comprometida, a baixar as suas emissões em 8% até 2012. No caso Português, o cenário é diferente, pois as emissões podem aumentar 27% em relação ás de 1990, no entanto, este valor já foi ultrapassado, vendo-se Portugal na eminência de ter de pagar multas que podem chegar aos 1,5 mil milhões de euros. Para evitar esta situação o governo português irá investir até 3 mil milhões de euros até 2010 em energias renováveis.
Para que fiquemos com algumas noções do estado em que estão os investimentos em Portugal comparado com a UE, em energias renováveis, posso referir que em Energia Solar Térmica, a União Europeia, tem uma área coberta por painéis solares térmicos de 109 200 m2, tendo previsto até 2010 instalar 1 milhão de metros quadrados de painéis. A Grécia com um potencial semelhante ao Português tem uma taxa de implementação 26 vezes superior; Energia Solar Fotovoltaica, os dados mostram que entre 2003 e 2004 houve um crescimento de 68% na UE, totalizando 1010 GWp. O futuro da produção desta energia na UE é bastante animador, prevendo-se que até 2010, se consiga ultrapassar as metas predefinidas, para isso os estados membros terão de seguir o exemplo de Espanha, que no espaço de um ano foi capaz de aumentar a sua produção em 38 %. Comparativamente, em Portugal a produção de energia solar fotovoltaica teve um crescimento de 28% em 2003 e 2004. Se tivermos em conta o forte potencial que o nosso país tem nesta fonte de energia, este número é insignificante, por exemplo, a Holanda que tem um nível de insolação de 60% do nosso, produz 19 vezes a energia produzida em Portugal; Energia Eólica, nesta fonte de energia a União Europeia, está na vanguarda, produzindo 73% da produção de energia eólica a nível mundial, a Alemanha representa quase metade desta produção. Esta é a fonte energética, que melhor está a cumprir o crescimento pretendido, sendo mesmo de esperar que até 2010, a UE consiga ultrapassar em longa escala os valores a que se propôs, dado o valor ter sido quase atingido em 2004.Portugal é um dos países onde mais tem crescido a produção de energia eólica, 60% em 2004, e este valor será para manter nos próximos anos segundo o governo.
Na área das energias, o governo português, já definiu uma politica, que passa por reduzir a dependência externa de energias primárias, com a promoção dos aproveitamentos hidroeléctricos e o incentivo às energias renováveis, diversificar fontes externas, por países e por tipo de fonte, aumentando a segurança do fornecimento, neste contexto encontra-se em construção o terminal de recepção de gás natural liquefeito em Sines, a armazenagem subterrânea de gás natural e deverão ser reforçadas as interligações por gasoduto no interior e com o exterior da Península Ibérica, bem como o reforço das interligações eléctricas entre Portugal e Espanha, manter as reservas obrigatórias de combustíveis, exigidas pela União Europeia, sendo que Portugal planeia fazer uma gestão articulada com a Espanha.
Portugal poderia usar o comercio de emissões, no entanto, existe um problema já que previsões de custos de redução de emissão entre15 e 30 euros por tonelada de dióxido de carbono equivalente se traduziriam em custos totais anuais entre 330 e 660 milhões de euros, a concretizarem-se as previsões de um excesso de emissões de 22 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente em 2010. Este montante situa-se entre 0,3% e 0,5% do PIB nacional.
O respeito pelos objectivos da directiva europeia relativa à produção de electricidade a partir de fontes renováveis, que aponta para que, em 2010, 39% da electricidade consumida em Portugal seja de origem renovável, implica que este sector vá mobilizar perto 5 mil milhões de euros de investimento até essa data.
Os indicadores de intensidade energética portugueses são claramente superiores aos dos outros países comparáveis e, em particular face á média da União europeia. Por exemplo, a intensidade energética nacional é superior em cerca de 52% à média comunitária e superior em 47% à intensidade espanhola. A intensidade energética irlandesa é apenas 66% da portuguesa.
No contexto da politica energética comum, Portugal pretende implementar um conjunto de medidas, como sendo o caso de concretizar o Mercado Ibérico da Electricidade, ou seja um mercado interno comum aos dois países, onde o racionamento e fornecimento seria decidido conjuntamente, isto traria benefícios, não só para os consumidores e empresas, bem como para o meio ambiente.
Agora que fiz uma retrospectiva, do que tem sido feito em Portugal em matéria do cumprimento do protocolo de Quioto, comparando com os resultados de outros países europeus, e dos custos económicos, ambientais e sociais que temos de enfrentar pela falta de actuação de vários governos nesta matéria, tendo a noção que muito mais poderia ser dito sobre esta problemática, deixo uma série de questões que julgo serem interessantes discutir neste blog, tais como: Um mercado energético único para a União Europeia não será a grande solução? Esse mercado único irá interferir com a soberania nacional dos estados? Será que os custos para a economia portuguesa do não cumprimento de Quioto, irão por em causa o crescimento da economia? Será que Portugal está a acompanhar o investimento feito pelos parceiros europeus em energias renováveis?

Fernando Saraiva

(doc. da série artigos de análise/opinião)

Qualificar para a Sociedade do Conhecimento

O essencial do desafio de médio prazo que se coloca a Portugal reside na recuperação de uma dinâmica de crescimento e de aproximação sustentada ao nível dos países mais avançados da União Europeia, com o desejável aumento dos níveis de rendimento e de bem-estar da população.
Um objectivo estratégico definido pela União Europeia é tornar, em 2010, a economia baseada no conhecimento mais dinâmica e competitiva do mundo, capaz de garantir um crescimento económico sustentável, com melhores empregos, e com maior coesão social e respeito pelo ambiente, objectivo para o qual Portugal tem de contribuir sob pena continuar a divergir dos restantes Estados-Membros. A realização destes objectivos não é de esperar que seja fácil. Uma das razões principais da incapacidade de orientar a economia para o conhecimento, resulta do facto de muitas vezes as políticas no que se refere à inovação, qualidade, produtividade e internacionalização não passarem dos discursos políticos, isto é, não tem tido consequência prática. Nesta incoerência entre o discurso e a prática, muitos recursos nacionais e comunitários terão sido desperdiçados por terem sido aplicados em iniciativas em que não se inovou, qualificou, internacionalizou.
O défice de técnicos qualificados e a pouca sensibilização das empresas para o uso de recursos humanos mais qualificados constituem entraves à competitividade das empresas e à inovação de base tecnológica. A importância dos recursos humanos no crescimento económico e na inovação é cada vez mais evidente. Num documento recente a OCDE apresentava uma estimativa indicando que um aumento de um ano na escolaridade de um país pode contribuir entre 4% e 7% para o aumento do produto interno, por pessoa em idade activa. Em Portugal apenas 20% da população tem educação de nível secundário elevado ou superior, sendo que na OCDE, cerca de 60% da população está nestas condições. A debilidade da estrutura educacional de Portugal verifica-se, não apenas quando comparada com a média da OCDE, mas também quando comparada com a maioria dos novos países do alargamento que, por esta via, registam uma importante vantagem competitiva.
O que importa hoje não é concluir se estamos ou não atrasados em relação a outros países, mas sim proceder à introdução, na prática, de novas politicas que sejam capazes de orientar a economia para o conhecimento.
Sendo assim, é urgente a formação de cientistas e técnicos qualificados em áreas chave, capazes de reforçar a capacidade estratégica das empresas em termos de inovação. A formação desses técnicos passa tanto pelo reforço do ensino técnico e profissional como pela expansão da oferta pós-secundária, envolvendo as instituições do ensino superior, nomeadamente através dos Cursos de Especialização Tecnológica.
Portugal tem uma das mais baixas taxas de jovens graduados em ciência e tecnologia, substancialmente abaixo da média da União Europeia a 15 e da vizinha Espanha. Sendo reconhecido que o investimento em ciência e tecnologia é uma das pré-condições para a promoção da inovação e do conhecimento na economia, a escassez de recursos humanos qualificados nestas áreas é um desafio que Portugal tem de enfrentar e solucionar. Assim, torna-se essencial a criação de mecanismos de estímulo à procura nas áreas de ciência e tecnologia, bem como uma resposta mais eficaz ás necessidades do mercado e das empresas, no sentido de ultrapassar o défice de estudantes nestas áreas. Sabendo que a percentagem de novos licenciados em ciência e tecnologia é baixa em termos relativos, a formação dos quadros de que o mercado precisa poderá demorar vários anos. Para ultrapassar este problema, são de encorajar as politicas de captação de profissionais qualificados, visando dotar a economia de uma base de recursos humanos de elevada qualidade em tempo útil. É urgente uma melhor articulação entre o sistema educativo e a formação, visando uma resposta mais eficaz às reais necessidades do mercado e das empresas.
Por fim, gostaria de deixar uma palavra de apreço para com o governo, liderado pelo Engenheiro José Sócrates, dado que foi este governo pela primeira vez, se a memória não me atraiçoa, que trouxe esta temática para a discussão pública. É de aplaudir o aumento de verbas, previstas no orçamento para 2007, destinadas para a ciência e inovação, penso que é um estímulo importante, mas não totalmente necessário, porque é preciso que esse investimento seja progressivo ao longo dos anos e também é necessário dar mais incentivos aos privados para que estes invistam mais em I&D já que o tem feito de forma pouco significativa.

Pedro Monteiro

(doc. da série artigos de análise/opinião)

Scuts – Com ou sem portagens?

A instalação de portagens em algumas das scuts portuguesas é um assunto muito em vogue na actualidade, levando à formação de distintas opiniões entre os portugueses. Tendo em conta esta divergência de opiniões, torna-se premente verificar quais as vantagens e as desvantagens do seu aparecimento.

Como se pode verificar, todos os anos, parte do Orçamento de Estado é destinado às estradas portuguesas, para a sua reparação e conservação e principalmente para a sua construção.
Mas afinal, o que são scuts e para que foram criadas?
As scuts (estradas sem custos para o utilizador) são estradas construídas por empresas, sem qualquer custo para o Estado, que funcionam como estradas concessionadas, onde o governo remunera a empresa construtora por cada automóvel que passa nessas estradas. Ou seja, o pagamento dos utilizadores que usufruem das scuts é transferido para Estado e, consequentemente, para todos os contribuintes. Visto isto, a criação das scuts está associada às restrições orçamentais que o governo tinha de cumprir para aderir à zona euro em 1997.
Mas porque razões permanecem as scuts sem portagens?
As razões pelas quais as scuts permanecem sem portagens relacionam-se com a coesão nacional e territorial, com as alternativas rodoviárias e com o desenvolvimento das regiões.

Na actualidade surgem os principais problemas e divergências sobre as scuts. De facto, na altura em que estas foram criadas, pelo ex-ministro João Cravinho, este e vários economistas acreditavam que as scuts iriam dar mais receitas ao orçamento, do que os custos que acarretariam. Essas receitas seriam provenientes do investimento realizado, que iria aumentar o investimento privado, o emprego, o produto e as receitas fiscais em todo o país. Contudo, e como se pode verificar mais adiante, a região que mais beneficiou com estes investimentos foi Lisboa, cerca de 50%, o que não contribuiu para o desejo inicial de se tornar o país mais coeso e harmonioso e para diminuir as ditas assimetrias.


No sentido de focalizar este assunto nas suas vertentes mais actuais, será feita uma breve abordagem das vantagens e desvantagens da colocação de portagens nas scuts do Grande Porto, Norte Litoral e Costa de Prata, que muito se aproximam das vantagens e desvantagens presentes nas restantes scuts.

Segundo o Governo, os critérios para adoptar o sistema de portagens nas scuts são o PIB per capita das zonas onde passam as estradas, o poder de compra dessas mesmas zonas e, por fim, a duração em tempo a percorrer pela alternativa rodoviária.
Mas será que estas três regiões conseguiram, em tão pouco tempo, enriquecer de forma a construirem alternativas assim tão viáveis?
Claro que não. De facto, o PIB destas regiões diminuiu, ao contrário do que os estudos “duvidosos” encomendados pelo Governo relatam. Estes meramente adicionaram ao rendimento per capita do Grande Porto o das regiões atingidas pelo percurso, e assim chegaram à média nacional. No entanto, se este mesmo critério for seguido, também a Via do Infante e a scut da Beira Interior deveriam ter portagens. Ou teriam, não fosse uma a terra natal do Primeiro Ministro, e não necessitasse a outra de um investimento imediato, o que provocaria um aumento do défice.

Mas será lógico que, com o aparecimento das scuts, as estradas alternativas sejam completamente esquecidas? E se assim for, será que essas estradas, que passam por povoações, vilas, cidades, não serão perigosas para o tráfego de pesados, levando a um aumento do congestionamento do trânsito?
De acordo com alguns estudos, com a inclusão de portagens nas scuts do Grande Porto, Norte Litoral e Costa de Prata, o Governo espera gerar receitas na ordem dos 100 milhões de euros por ano, com estimativas do tráfego actuais. Ou seja, estas receitas consistiriam em metade do que o que é pago às concessionárias, sem ser tido em conta que o tráfego está a aumentar e o valor pago a estas vai aumentar de ano para ano.
Mas será que a colocação de portagens não se tornará mais dispendiosa do que as futuras receitas dessas scuts? De facto, tem de se ter em conta que, para a sua instalação, o governo tem de pagar pela restrição dos contractos em vigor, pela construção de nós de entrada e saída nas vias de rodagem, pela implementação de um novo sistema de cobrança electrónico e, ainda, pelo pagamento dos salários dos funcionários.

Não abordando mais a visão negativa da implementação de portagens nas scuts, resta-me questionar: se não deveria haver, durante um determinado período, uma descriminação positiva para as populações locais? Uma vez que, foram já criadas expectativas e que, são estas populações, as que mais frequentam estas estradas.
Direccionando, ainda, a nossa atenção para outra perspectiva, pode-se dizer que a adopção do sistema do utilizador-pagador, seria sem dúvida o mais justo, já que quem utiliza deve pagar. Mas será que adoptando este sistema, os 6 cêntimos por litro da gasolina e a parte do imposto automóvel, que são dirigidos para as scuts, irão terminar?

Sem dúvida, se não for tomada uma medida, o congestionamento, nestas zonas, vai ser cada vez maior, assim como as assimetrias. Pelo que, um modo de colocar um travão a esta situação, passa pela utilização de portagens: que levam à diminuição do congestionamento nestas zonas e, consequentemente, à criação de novos centros de polarização, de modo a se harmonizar o país.

Por fim, penso que o melhor a fazer prende-se com a colocação de portagens em todas as auto-estradas portuguesas, e não só em algumas, sem que contudo, sejam praticados os elevados preços aplicados pelas concessionárias, mas sim preços que viabilizem o combate ao tráfego.

João Santos

(doc. da série artigos de análise/opinião)

Aviso

Caros(as) alunos(as),
Na próxima 5ª feira, 06/11/16, não haverá aula devido à minha participação numa conferência, fora do país.
Tal não deverá impedir que continuem a trabalhar nesta UC. Assim o desejo.
Pocurarei manter-me em contacto.

J. Cadima Ribeiro

segunda-feira, novembro 13, 2006

Algumas reflexões sobre o Dia Mundial da Poupança

No dia 31 de Outubro celebrou-se o Dia Mundial da Poupança e as manchetes dos jornais revelaram frases como: “Os portugueses poupam cada vez menos” e “Portugueses já só conseguem poupar 8,2 euros por cada 100”. Mas porquê tanto debate acerca da poupança?
Referia o Prof. Doutor Manuel Porto, numa conferência organizada pelo Tribunal de Contas, por ocasião do Dia Mundial da Poupança, que a poupança “exige da parte de todos nós (enquanto consumidores, agentes económicos ou poderes públicos instituídos) uma reflexão sobre o sentido e a importância que a poupança tem no actual contexto de consolidação e de reforma”.
Conforme salienta Celeste Varum (Directora do Mestrado em Economia da Empresa da Universidade de Aveiro), a poupança desempenha um papel essencial na economia. Isto porque, por um lado, actua como estabilizador automático, permitindo que flutuações no rendimento (devido aos ciclos económicos ou ao longo da vida), tenham um impacto reduzido no nível do consumo dos agentes económicos. Por outro lado, assegura que os recursos poupados são canalizados para o investimento. Assim, quando existem falhas na poupança interna, o resultado é um elevado endividamento externo ou um reduzido investimento.
Numa notícia da sic-online salientava-se o facto de, durante anos Portugal ter sido um país de gente poupada. Há cerca de uma década atrás as taxas de poupança rondavam os 14% mas em 2005 o seu valor era de apenas 9,2%. Em 2006 é esperado que se situe nos 8,2 %.
Mas o que tem contribuído para esta evolução da poupança? Em primeiro lugar temos as baixas taxas de juro dos depósitos a prazo que actuam como um elemento dissuasor da poupança dos agentes económicos. A juntar-se a elas temos o apelo cada vez mais elevado ao consumo, o aumento dos preços de produtos essenciais e as altas prestações do crédito à habitação. Tudo isto tem contribuído para a deterioração da situação financeira das famílias portuguesas.
A celebração deste dia veio assim sublinhar a necessidade de repensar os padrões que a sociedade portuguesa está a seguir. No entanto o seu debate não é pacífico. Lia-se num comentário na agência financeira: “Expliquem-me como posso poupar? Sou licenciado, e desde final de Setembro que estou desempregado, sem sequer receber subsídio de desemprego (pois estava a recibos verdes), a minha mulher é professora e ainda não obteve colocação, estando com um subsídio de desemprego de 600 Euros. Contas da água, electricidade, gás, supermercado, renda de casa, gastos vários, etc! Expliquem-me como posso poupar, sem sequer o ganhar? (…) Ele [Sócrates] passa a vida a falar que estamos em retoma, que a economia está a recuperar, enfim, números e mais números. Só que eu não vivo de números, infelizmente... Pode ser que explique como fazer para viver, pagar tudo o que tenho a pagar, e ainda poupar...”. E, como este, há muitos outros portugueses que se encontram em situações análogas.
É aqui que se revela a necessidade de definir (re)orientações de política que proporcionem aos agentes económicos formas de melhorar as suas poupanças. Como refere Celeste Varum, pode-se apostar numa política fiscal mais leve (nomeadamente no que se refere aos benefícios fiscais), num regime público de pensões e reformas menos intervencionistas e numa regulação da concessão de crédito. Neste contexto a incerteza poderá também actuar de modo positivo ao fomentar a poupança por motivos de precaução. Claro que, conforme realça Manuel Porto (professor na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra), “poupar não deve ser apenas entendido como uma forma de gastar menos dinheiro, mas também como um meio de gastar melhor”.
Apesar de todas as dificuldades sentidas pelos portugueses no que refere à poupança é importante que os agentes se preocupem em poupar, nomeadamente no que refere a poupar para a reforma pois, como tem sido divulgado ultimamente, o Estado terá cada vez mais dificuldades em reequilibrar a Segurança Social. No entanto, não nos devemos limitar a ver os benefícios da poupança individualmente pois, como referi anteriormente, ela tem impacto em toda a economia.
Em suma, devemos procurar soluções que permitam melhorar o “estado da poupança” em Portugal, até porque, conforme é referido no destaque do INE de Novembro do presente ano, as apreciações sobre o grau de poupança do agregado familiar mantêm uma tendência ascendente desde o início do ano corrente. Claro está que não nos podemos esquecer que os valores apresentados continuam a estar abaixo do desejável, impondo-se, no entanto, a questão “será que os portugueses ainda podem poupar mais?”.

Vânia Silva


(doc. da série artigos de análise/opinião)

sábado, novembro 11, 2006

Estado – porque não agir como o sector privado?

O estado necessita de servir todo e qualquer cidadão, assegurando um conjunto de serviços essenciais que não teriam qualquer sustentabilidade no sector privado, auxiliando os mais necessitados, protegendo os direitos e zelando pela defesa e segurança. Isto é o que habitualmente leio nos livros de economia sobre o papel do Estado na sociedade e na economia.
Mas estes objectivos muito bem definidos nos livros, face às agendas políticas, conflito de interesses e uma economia em constante mutação, ou não são cumpridos, ou então, mostram resultados, na minha opinião, muito precários.
Também aprendi que o Estado deve utilizar racionalmente o dinheiro das contribuições gerando a máxima satisfação para o cidadão, procurando aumentar a eficiência, reduzir os custos, optimizar a geração de receita e providenciar serviços dignos aos cidadãos.
Actualmente, é deprimente pegar num jornal de notícias sobre o nosso país. São notícias que nos informam dos desperdícios hospitalares que segundo a revista prémio do dia 22 de Setembro deste ano, ultrapassa os 20%, é o sistema judicial que funciona mal com processos amontoados nos tribunais por resolver, sem falar da “guerra aberta” na educação…ou seja, aquilo que é essencial: saúde, educação e justiça não estão a funcionar como gostaríamos que funcionasse.
São justas as queixas dos contribuintes: os impostos sempre a aumentar e a qualidade dos serviços públicos sempre a deteriorar-se.
Na minha opinião, (e contrariando a opinião do Dr. João Borges de Assunção (professor da Universidade Católica Portuguesa) num seu artigo editado no Jornal de Negócios do dia 8 de Novembro) o Estado deveria agir, em certos aspectos, como o sector privado, não procurando o lucro, como é óbvio, mas a satisfação dos contribuintes. Os meios podem ser os mesmos para obter finalidades distintas, em ambos os casos queremos maximizar algo.
Assim, na minha perspectiva, os organismos e funcionários do Estado deveriam estar sujeitos a uma monitorização da performance, isto é, definir objectivos e disponibilizar formas que permitam verificar os progressos. O Estado não tem esta cultura de monitorização, por isso é que o sector privado é mais rápido a descobrir e a eliminar práticas nefastas. Daqui, podemos passar para outro item que julgo importante, a competitividade, a competitividade promove o crescimento. A particularidade da posição do Estado como único fornecedor de determinados serviços faz com que os funcionários não dêem o seu melhor no serviço que prestam. Dar visibilidade aos resultados dos organismos do Estado poderá promover a competitividade (um bom exemplo foi o ranking dos melhores hospitais, iniciativa da revista Sábado e da Escola Nacional de Saúde Pública).
Outra sugestão, seria recompensar os recursos humanos para motivar todos os funcionários a querer fazer melhor. E com esta atitude poderia significar a retenção de talentos que optam pelo sector privado (que recompensa o esforço do trabalhador).
O Estado pode retirar muitas ideias do sector privado. Agora questiono-me, porque é que estas medidas não são postas em prática se são razões do sucesso de várias empresas? O Estado funciona mal, já é um dado adquirido, mas fico perplexa com a passividade do governo e face a esta passividade do governo, onde os ministros apenas vão para o parlamento insultarem-se uns aos outros, como é que o sector privado, face a este cenário, pode reagir? Sem um Estado eficiente e com empresas cada vez menos competitivas no mercado mundial, qual será o nosso futuro?
Não é o Estado sozinho que pode resolver esta situação, nem só as empresas, temos todos de contribuir, temos todos de ser mais activos para honrar a coragem dos nossos antepassados!
Olhar para os dados da OCDE e não adiar a resolução dos problemas como se tem feito. Mãos à obra! Porque eu não sou dos ditos portugueses que querem passar a ser espanhóis, como foi enumerado na aula do dia 9 de Novembro, nesta disciplina.
Todos temos de contribuir para um futuro melhor para Portugal!

Sara Veloso

(doc. da série artigos de análise/opinião)

sexta-feira, novembro 10, 2006

O QREN (2007-2013)

O QREN – Quadro de Referência Estratégica Nacional (2007 – 2013):
Princípios Estruturantes
1. Concentração Operacional
2. Selectividade nos Investimentos e nas Acções de Desenvolvimento
3. Viabilidade Económica e Sustentabilidade Financeira das Operações
4. Coesão e Valorização Territoriais
5. Gestão e Monitorização Estratégica das Intervenções
Prioridades Estratégicas Nacionais
1. Promover a Qualificação dos Portugueses
2. Promover o Crescimento Sustentado
3. Garantir a Coesão Social
4. Assegurar a Qualificação do Território e das Cidades
5. Aumentar a Eficiência da Governação
Interrogações e desafios
- “Portugal recebe mais do que alguns dos novos países que entraram na UE.” - Não é isso expressão de fracasso?
- “Portugal torna-se cada vez mais periférico perante uma UE que cresce cada vez mais a Leste” – É isso (a perifização) uma inevitabilidade?
- “Estes fundos deveriam ser canalizados para as áreas mais essenciais para o desenvolvimento do país” – Porque não o foram? Que sectores serão prioritários?
- “Num mundo crescentemente global, um consumidor remoto pode ser mais importante que o cliente próximo”- Estamos a procurar respostas para este consumidor ou ainda só visamos o consumidor local ?
- “A acessibilidade ao exterior tem que estar presente mas, para atrair talento, os factores decisivos são a qualidade de vida e a vibração cultural existente em cidades” - Como se posicionam as nossas cidades segundo este paradigma? Se os países competem através das suas cidades (territórios urbanos), temos cidades posicionadas neste mercado? Como vamos dar massa crítica às nossas cidades?
- “QREN (2007 – 2013) - Princípios Estruturantes: Concentração Operacional; Selectividade nos Investimentos…; Viabilidade Económica e Sustentabilidade Financeira…; Coesão e Valorização Territoriais; Gestão e Monitorização…” – É isto auto-crítica da Administração? Porque é que só agora se pensou nisto? Porque é os CQA`s não obedeceram a estes princípios?
- “QREN (2007 – 2013) - Prioridades Estratégicas: Promover a Qualificação dos Portugueses; Promover o Crescimento Sustentado; Garantir a Coesão Social; Assegurar a Qualificação do Território e das Cidades; Aumentar a Eficiência da Governação”- São meritórias as prioridades. São para levar a sério? O território (as cidades) vai (vão), efectivamente, ser considerado(s) - ser sujeito - nesta estratégia?

Destaques noticiosos do fim-de-semana

Indicador avançado da OCDE para Portugal sugere abrandamento futuro [http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?SqlPage=Content_Economia&CpContentId=285582] (10-11-06, in Jornal de Negócios)
«O indicador avançado da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE) relativo a Portugal, sugere em Setembro uma tendência de abrandamento futuro da economia portuguesa.»
/...
"É dramaticamente urgente" a internacionalização das empresas portuguesas [http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?SqlPage=Content_Economia&CpContentId=285585] (10-11-06, in Jornal de Negócios)
«O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso afirmou hoje que "é dramaticamente urgente que as empresas portuguesas compreendam que só com o mercado nacional não vão lá". »

quinta-feira, novembro 09, 2006

Regions: Statistical Yearbook 2006

"Regions: Statistical yearbook 2006
Regional variety through statistical eyes
Data on the 268 regions of the EU25, Bulgaria and Romania


In which region of the EU is the population increasing and where is it decreasing? Where can you find the highest labour productivity? Which regions have the highest employment rates for the age group 55-64? Answers to these questions and to many more can be found in the Statistical Yearbook of the EU Regions1 published by Eurostat, the Statistical Office of the European Communities.
The publication presents data which cover the 254 regions of the 25 EU Member States, defined by level 2 of the Nomenclature of territorial units for statistics2 (NUTS 2003). The publication also covers the 14 regions of Bulgaria and Romania3.
The publication contains chapters on population, GDP, household accounts, labour market, labour productivity, urban statistics, science, technology and innovation, business, health, transport and agriculture. New this year is the chapter on labour productivity. In the other chapters, efforts have been made to focus on aspects not recently covered.
The regional data is shown in the form of maps and graphs, commented by texts. A CD-ROM contains the data series used to draw the maps, the PDF versions of each of the three language editions of the yearbook and documentation on the NUTS 2003 nomenclature.

Highest population increases in Guyane, Flevoland and Illes Balears
The total population change at a regional level is the result of the difference between the number of live births and deaths and the regional net migration. There were 29 regions in the EU25 that reported an increase of the total population by more than 10 per 1000 on average per year between 2000 and 2003: ten regions in Spain, five in France, three in the United Kingdom, both regions in Ireland, two in the Netherlands, one each in Belgium, Greece, Italy and Portugal. Cyprus, Luxembourg and Malta also had a population increase of more than 10‰. The regions with the highest increase were Guyane in France (34.0‰), Flevoland in the Netherlands (31.6‰) and five regions in Spain: Illes Balears (31.2‰), Canarias (26.3‰), Murcia (24.4‰), Madrid (23.9‰) and Valenciana (23.2‰).
Population decreases of more than 5‰ on average per year between 2000 and 2003 were reported in 18 regions: seven each in Germany and Poland and one each in Slovakia, Finland and Sweden. The population in Latvia also decreased by more than 5‰. Six regions in Germany had the highest decreases: Dessau (-16.5‰), Halle(-12.5‰), Chemnitz (-11.0‰), Magdeburg (-10.0‰), Mecklenburg-Vorpommern (-8.1‰) and Thüringen(-7.9‰), as well as one region in Poland: Opolskie (-7.9‰)."
(extracto de Eurostat press releases on the Internet, 134/2006 - 5 October 2006;
http://ec.europa.eu/eurostat/)

segunda-feira, novembro 06, 2006

Os planos de fomento

Os planos de fomento:

•I plano de fomento (1953-58) :
É um conjunto de investimentos orientados para a construção de infra-estruturas.

•II plano de fomento (1959-64):
Vai atribuir prioridade na estratégia de investimento, mas com base na iniciativa privada.

•O plano intercalar (1965-66)
Aparece pela 1ª vez, neste plano intercalar, a preocupação com o planeamento regional e com uma distribuição mais equitativa do rendimento;
Começa a despertar a necessidade de liberalização do comércio externo e de as empresas enfrentarem a concorrência externa.

•III Plano de Fomento (1967-73):
Reconhece-se a necessidade de abandonar o modelo de crescimento baseado na orientação interna (inward orientation) para uma visão baseada nas vantagens comparativas e na concorrência internacional;
Reconhece-se que o agravamento do défice da balança comercial se deve ao proteccionismo pautal, ao condicionalismo industrial e ao atraso da agricultura;
Surge claramente a ideia da necessidade de uma politica de promoção das exportações, no surgimento das críticas que começavam a surgir nos estudos das organizações internacionais (OCDE, Banco Mundial, NBER) .

• IV Plano de Fomento (1974-79):
Apenas teve um ano de execução;
Surge com maior acento a preocupação com a distribuição do rendimento e com os sectores sociais e a necessidade de assegurar um elevado crescimento para manter o pleno emprego.

sexta-feira, novembro 03, 2006

Destaques noticiosos do fim-de-semana

Exportações atingem o crescimento mais elevado de seis anos [http://www.negocios.pt/default.asp?SqlPage=Content_Economia&CpContentId=285197]
(03-11-06, in Jornal de Negócios)
"As exportações de bens e serviços de Portugal atingiram no primeiro semestre de 2006, um crescimento real de 8%, o que equivale ao nível mais elevado desde o último semestre de 2001, quando atingiram 8,59% de aumento, e a mais quatro pontos percentuais do que no primeiro semestre de 2001, quando iniciaram a sua tendência de queda."
/.../
Trichet afirma “Portugal tem de seguir estritamente" o PEC [http://www.negocios.pt/default.asp?SqlPage=Content_Economia&CpContentId=285129]
(02-11-06, in Jornal de Negócios)
«A Standard & Poor’s elaborou uma análise em que defende que Portugal só vai atingir um défice orçamental abaixo de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 e não em 2008. Confrontado, com este estudo e com a entrega do Orçamento do Estado por parte de Portugal, Trichet afirmou que "Portugal tem de seguir estritamente o seu programa".»

quarta-feira, novembro 01, 2006

Portugal gasta pouco em I&D em comparação com outros países da UE

"Olhando para Portugal e para os dados existentes sobre Investigação e Desenvolvimento, podemos notar que Portugal gasta pouco neste tema em comparação com os outros países da União Europeia. Assim, Portugal gasta 0.7% do PIB em Investigação em Desenvolvimento enquanto que países como a França, Alemanha, Finlândia, Noruega gastam para cima de 2% do PIB neste campo (Fonte: Eurostat - http://epp.eurostat.ec.europa.eu/)."

Samuel Cardoso

(extracto de mensagem disponível na entrada "fóruns" da plataforma electrónica de apoio à unidade curricular Economia Portuguesa e Europeia, da EEG/UMinho; Outubro 2006)

segunda-feira, outubro 30, 2006

A abertura e internacionalização da economia portuguesa

O reforço da abertura (1960/1985)

No período posterior à entrada de Portugal na EFTA – Associação Europeia de Comércio Livre - (1960/1972), assistiu-se a uma modificação na estrutura do comércio português com as colónias (oscila de 24,6% para 14,5% nas exportações e de 14,2% para 11,3% nas importações) e a uma maior aposta das empresas nacionais nos mercados da EFTA.
Os acordos comerciais de 1972, celebrados entre Portugal e a CEE (Comunidade Económica Europeia) foram outro dos acontecimentos decisivos na reorientação do comércio português para os mercados europeus.
Com a revolução dos cravos e a independência das colónias reforçou-se o desejo de uma futura adesão às Comunidades Europeias.


Quanto ao investimento directo, este período ficou caracterizado por um crescente afluxo de IDE ao nosso país, dada a liberalização progressiva das entradas de capitais e um ambiente propício aos investidores estrangeiros .
Os maiores investidores são países membros da CEE, em especial a França, a Alemanha e o Reino Unido;

Quanto ao investimento directo realizado por empresas nacionais no exterior, há a registar a preferência pelos mercados europeus e de língua portuguesa.
Por outro lado, a irrelevância dos montantes envolvidos, demonstram uma opção ainda tímida por formas mais avançadas de internacionalização empresarial.
A exportação era a forma privilegiada de venda nos mercados externos.
A passividade ou a inexperiência das empresas nacionais conduzia ao caminho mais fácil da subcontratação.

Workshop “Quadros de Pessoal e Investigação em Economia"

No workshop “Quadros de Pessoal e Investigação em Economia”, que se realizou no dia 15 de Setembro deste ano, assisti a uma das várias secções realizadas, escolhi uma que tinha como título “A Economia na ponta dos dedos”. Confesso, que o que me levou até esta secção foi a curiosidade de conhecer Pedro Portugal (Banco de Portugal e Universidade Nova de Lisboa) que a ia realizar.
E esta minha intervenção agora será para vos transmitir a mensagem que ele deixou, que deveras me deixou impressionada pela capacidade de tornar o grave problema da produtividade do nosso país num conto de encantar infantil, e o que é mais curioso é que a história ajusta-se perfeitamente ao que está a acontecer no nosso país. O Senhor associou os problemas de produtividade no país à história da “Cinderela”, como sabemos “o príncipe ficaria com a menina que calçasse o sapatinho”, e com isto Pedro Portugal queria dizer que nós estamos a agir mal face ao mercado de trabalho, que se estão a formar licenciados em áreas que já estão esgotadas, que o mercado de trabalho já não consegue absorver, e noutros casos há falta de qualificados em determinados sectores, se queremos que o “sapatinho”, neste caso, símbolo de produtividade, seja “calçado” por Portugal, temos que repensar nas necessidades do mercado de trabalho e face a estas escolher a nossa formação.
Já agora aproveito para vos transmitir algumas metáforas utilizadas por este Senhor. Em toda a secção reinou a descontracção e um pouco de ironia, mas isso é o que a tornou diferente de outras que já assisti, onde todos estavam muito sérios e comprometidos com o discurso a desenvolver. Então para começar associou a economia a um oceano. E a um oceano porquê? Porque as tempestades são os choques económicos, porque as ondas são como os ciclos económicos, ora a onda está formada e no seu auge, o que em economia, significa que atingimos um pico, o auge de crescimento económico no país, e quando a onda já desvaneceu na areia, estamos perante uma cava do ciclo económico, e tal como as ondas do mar o ciclo repete-se; e por último (das que retive porque o Senhor era um especialista em metáforas), foi a associação das correntes marítimas aos fluxos económicos.

Sara Veloso
(doc. da série artigos de análise/opinião)

sexta-feira, outubro 27, 2006

Destaques noticiosos do fim-de-semana

Parlamento Europeu pede ao BCE “precaução” na subida das taxas de juro
[http://www.negocios.pt/default.asp?SqlPage=Content_Economia&CpContentId=284802] (26-10-06, in Jornal de Negócios)
"O Parlamento Europeu (PE) aprovou uma resolução onde pede ao Banco Central Europeu (BCE) que actue com "precaução" face a um possível aumento das taxas de juro em Dezembro."

Atractividade de Portugal para o IDE - II

EPE -> Fóruns -> Boas Vindas! -> A atractividade de Portugal para o IDE
Re: A atractividade de Portugal para o IDE por Carlos Barros - Friday, 27 October 2006, 00:22


"Penso que este link que nos é facultado é extremamente interessante, sobretudo analisando-o na parte em que observamos o que os outros pensam acerca de nós e, efectivamente, a ideia que eles têm de nós não é muito diferente do que realmente se passa em Portugal, se não vejamos:
1- No que se refere à opinião deles (e quando digo deles, refiro-me a todos os entrevistados, sendo que todos são estrangeiros) quanto aos nossos serviços prestados como membros da UE temos uma reputação muito boa, sendo que eles nos consideram como um forte membro da UE, e isso, na minha opinião, é verdade mas penso que Portugal deveria aproveitar essa visão que os outros têm de nós para se impulsionar e começar a mostrar mais provas de como pode ser uma "potência" de forma a não desiludir as elevadas expectativas que os outros têm de nós! Quanto ao ambiente, mais de 50% vêm o nosso país como um país que cuida do ambiente, que se preocupa com problemas como poluição, etc...
Um dos factores que eu considero muito importante, se não o mais importante do gráfico é o facto de mais de quase 50% acharem que Portugal tem uma qualidade de vida muito boa, e os restantes acharem que tem uma qualidade de vida excelente e quase 60% acham que Portugal possui umas infra-estruturas no que se refere a telecomunicações muito boas. Ora isto é um factor que atrai investidores pois na opinião deles temos bastantes qualidade de vida, e temos infra-estruturas muito boas para que eles possam desenvolver as suas actividades.
O reverso da medalha, e que também é verdade, é o facto de as opiniões negativas que eles têm do nosso país se referirem a sectores bastante importantes como a eficiência dos serviços da administração pública, a complexidade ao nível da legislação, o elevado nível de burocracia e a baixa taxa de flexibilidade no trabalho.
Pode parecer que me vou contradizer mas de facto, todos os factores que inicialmente eram apontados como atractivos para os investidores estrangeiros, deixam de o ser ao verificarem as péssimas condições (no ponto de vista deles, e no meu também, pois penso que eles estão correctos) no que se refere à administracção pública.
Especulando um pouco, muitos deles porventura já tentaram investir no nosso país mas não o fizeram devido à elevada quantidade de papeis (burocracia...) que são necessários. Só assim se compreende a ideia tão negativa que eles têm do nosso país, pois só quem já passou por essa experiência sabe que realmente isso é verdade."

Carlos Barros

(extracto do comentário publicado)

quinta-feira, outubro 26, 2006

A atractividade de Portugal para o IDE

EPE -> Fóruns -> Boas Vindas! -> A atractividade de Portugal para o IDE
Re: A atractividade de Portugal para o IDE por Marta Rocha - Thursday, 26 October 2006, 15:12
«Após ter feito uma breve análise no estudo “Atractividade da economia Portuguesa na captação do investimento Directo Estrangeiro”, realizado por Dr. Gonzaga Rosa, da Ernst & Young, senti-me mais optimista relativamente a Portugal. Realmente Portugal encontra-se na direcção certa apesar de ser estritamente necessário várias medidas.
Portugal presencia neste momento diversos desafios, entre os quais a globalização, aumento da competitividade na EU, pressão para aumentar a eficiência do sector público bem como a redução do défice orçamental. Desta forma Portugal tem que se tornar mais competitivo, mais atractivo, mais confiante e optimista de forma atrair ainda mais projectos de investimentos. Para isso, o estudo em causa fala precisamente sobre um determinado conjunto de medidas-chave, entre as quais, a redução de taxas, simplificação dos processos administrativos, redução da burocracia, uma maior flexibilidade da legislação laboral, um plano tecnológico, uma melhoria nas acessibilidades e na educação, entre outros. Estas medidas já se encontram em curso em Portugal, apenas espero que não sejam esquecidas e colocadas em segundo plano.
Em 2005, os investimentos em Portugal foram praticamente todos no sector da indústria, cerca de 66%. Sendo os principais investidores a Alemanha e Espanha, com sete projectos cada. Ainda a destacar, cerca de 50% dos investidores acreditam que Portugal irá melhorar a sua “atractividade” nos próximos três anos.
Apesar de o futuro de Portugal ainda continuar um pouco “blurry” temos que acreditar e aumentar o grau de confiança.
Eu acredito que Portugal esteja num bom caminho. »

Marta Rocha

terça-feira, outubro 24, 2006

Apostar nas Novas Tecnologias

Nos últimos anos, o fraco crescimento da economia, levou a que muitos portugueses optassem por refazer as suas vidas. Hoje em dia é cada vez mais claro que, para uma economia ser cada vez mais competitiva, não só num contexto nacional mas também internacional, tem de concentrar grande parte dos seus recursos no campo da inovação tecnológica e no desenvolvimento de novas indústrias. Com base nestas palavras surge a questão: O que é que tem feito a economia portuguesa de forma a incentivar as empresas a investirem em novas tecnologias? E qual o seu papel a nível mundial?
Nos dias que correm a inovação tecnológica abrange diversas áreas, desde a robótica há electrónica, passando pelo meio ambiente e acabando na indústria mecânica. No meu ponto de vista, o trabalho realizado pelo Governo português, no que diz respeito aos incentivos ao investimento das empresas portuguesas, tem sido, de algum modo, insuficiente. Visto que o endividamento afecta não só as empresas mas também as famílias (devido ao aumento das taxas de juro), e com um Estado tão atarefado para reduzir nos gastos públicos, pouco resta fazerem para contribuírem no crescimento económico. Novos projectos, como a Portucel, a Repsol, a Galp ou o IKEA, foram anunciados pelo Governo (num investimento de 12 mil milhões de euros), aumentando desde logo a confiança dos empresários e dos consumidores, mas só terão impacto nas contas do país no médio/longo prazo. Contudo, nem tudo são más notícias e assim sendo, os agentes económicos portugueses cansaram-se de esperar que cheguem as encomendas e não se acomodaram ao subsídio de desemprego passando a agirem de forma inovadora e competitiva. Assim vejamos os exemplos seguintes de empresas que decidiram mudar de atitude e sobreviver da tão falada crise.
Na área da tecnologia, a YDreams, sedeada no monte da Caparica em Almada, dedica-se ao desenvolvimento de aplicações multimédia, como jogos, para as telecomunicações móveis baseadas na localização geográfica, em instalações interactivas e em sistemas de visualização a três dimensões (3D). Tendo sido apenas fundada em 2000, tem dado lucros desde o seu ano de criação, mantendo um crescimento equilibrado, mesmo em épocas de crise económica. O seu trabalho realizado para se impor no sector, tanto nacional como internacional, é um bom exemplo para que outras empresas o façam sem recearem que o seu investimento seja anulado. No sector dos automóveis, a empresa da Volkswagen Autoeuropa, sedeada em Palmela, não deixa de surpreender. Após ter sido confirmada a produção de um desportivo de média gama (Eos) e mais tarde a de um modelo de topo de gama (Sirocco) com o intuito de substituir a Sharan, a empresa portuguesa irá abrir, em 2007, uma delegação do CEIIA (Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel), uma estrutura de 15 a 20 engenheiros preparados para cooperar em conjunto com a Autoeuropa de forma a aperfeiçoar os modelos já em produção e desenvolver estudos sobre novos produtos. Estas são boas notícias para a economia portuguesa, visto a fábrica de Palmela valer cinco por cento de todas as exportações nacionais. No campo da Biotecnologia, a empresa Biocant, com um ano de actividade já apresenta saldo positivo. Esta disponibiliza serviços inovadores de Biotecnologia com relevância para as Ciências da Vida e promove o desenvolvimento de I&D em consórcio com empresas nacionais e estrangeiras para a criação de novos produtos e serviços. O segredo para tamanho sucesso foi descoberto este Verão com a apresentação do Enochip, um produto que ajuda o enólogo, na fase de fermentação do vinho, isto é contribui para o aumento da qualidade do vinho. Trata-se desde já de um produto cobiçado no mercado externo.
São exemplos como estes que fazem renascer a nossa economia. Empresas audazes, com ideias inovadoras, não só aumentam a nossa competitividade no mercado externo como também as exportações, que por sua vez impulsionam a economia para um forte crescimento económico. É de também esperar que, os agentes económicos portugueses vejam estes casos como incentivo aos seus investimentos, para que todos possamos contribuir para um Portugal cada vez mais inovador e moderno.

João Pedro Baptista
(doc. da série artigos de análise/opinião)

domingo, outubro 22, 2006

Orçamento de Estado 2007

O Orçamento de Estado para 2007, é um tema pertinente, porque é o principal instrumento de planeamento do Governo, onde este delineia as principais orientações, receitas e despesas previstas para o próximo ano.
A proposta de Orçamento de Estado, ainda não foi aprovada mas já é possível saber algumas mudanças que se vão verificar. Relativamente à despesa, as previsões apontam para um crescimento de 2,8% face ao ano anterior, no entanto em percentagem do PIB haverá uma redução dos gastos do Estado em 1,1 pontos percentuais preocupando-se em grande parte com a redução da despesa corrente primária, através da racionalização de efectivos, da moderação salarial e novo sistema de vinculação, o que em certa medida aumenta a precariedade da função pública. Esta diminuição da despesa em percentagem do PIB deve-se ao aumento das receitas fiscais em 15%, sobretudo devido ao fim do regime especial de que usufruíam algumas grandes empresas como a Caixa Geral de Depósitos e a PT, voltando a pagar em pleno o IRC em 2007. Sendo este aumento das receitas fiscais muito superior ao crescimento potencial da economia, elevando as expectativas optimistas para um crescimento de 1,8%, enquanto que o Banco de Portugal estima um crescimento de 1,5%, tal como o FMI. O imposto do IVA, manter-se-á nos 21%, e assim parece que se tornou numa mudança permanente em vez de provisória como disse o anterior ministro das finanças, Luís do Campos e Cunha. Se este diminuísse haveria um possível aumento do poder de compra, embora os agentes se aproveitassem desse facto e não alterassem os menus, mas seria uma boa medida para criar efeitos de sinergia para a recuperação da economia portuguesa (através do consumo), sendo maiores as receitas fiscais do que com a actual taxa a 21%. Para além do crescimento das receitas fiscais, o imposto sobre o tabaco aumentará 2,1%, o que de certa forma é uma medida certa para retrair o consumo de um bem, com um significativo grau de elasticidade, e com redução de custos a longo-prazo com o tratamento de doenças, como o cancro de pulmão. Além disso, não são esperados grandes aumentos salariais, com aumentos esperados inferiores à inflação esperada (2,3%), e consequentemente haverá uma evidente perda de poder de compra para os funcionários públicos, o que é contraproducente com a evolução da economia que parece apresentar sinais de retoma devido à diminuição do desemprego e aumento das exportações. Neste papel, penso que o Ministro da Economia tem tido um excelente desempenho desafiando os empresários portugueses a aumentaram o valor das empresas.
Ou seja, este Orçamento tem como principal objectivo baixar o défice global da Administração Pública para 3,7%. Assim o Estado começa a actuar de modo eficiente, e bem, preocupando-se com a locação mais eficiente dos seus recursos e com os seus desempenhos. Assim não há necessidade de privatizar só por privatizar porque há bens públicos que têm que continuar a funcionar nesta óptica mas com vantagem em relação ao sector privado porque fornecem-se serviços de qualidade e não exclusivamente serviços a baixo custo e de fraca qualidade. Isto porque, o Estado revê em alta também encaixes com privatizações, e um dos exemplos mais flagrantes é a TAP que nos últimos anos com gestores competentes teve superavits e é um excelente exemplo de uma boa empresa pública. Deste modo é preciso, ter cuidado nas escolhas das empresas a privatizar, porque primeiro é necessário reestruturar a empresa a um processo de gestão privada, e verificar se existe viabilidade financeira para continuar a ser uma empresa pública, e por fim se funcionarão as leis de mercado depois da privatização. No entanto, o caso da TAP é diferente pois este sector enfrenta forte competitividade proveniente das companhias low-cost.
Concluindo, este é um orçamento sem grandes margens de manobra, caracterizando-se pela continuidade das medidas de consolidação orçamental, tal como aconteceu no anterior orçamento de Estado, aumento da carga fiscal no PIB, o que cansa a economia pois são medidas contra-cíclicas que devem ser evitadas em tempo de recuperação, e é esperado um crescimento inferior a média europeia que se situa nos 2,1% em 2007 em contraste com as previsões de 1,8% para Portugal, mas é esperado um aumento significativo das nossas exportações que vão depender da evolução da procura nos países para o qual Portugal exporta, em especial, a Alemanha e a Espanha.


Pedro Tiago Amorim de Brito

(doc. da série artigos de análise/opinião)

Um Nobel da Paz para a Economia

O Nobel da Paz de 2006 contraria as escolhas precedentes apoiadas fundamentalmente em escolhas politicas, constituindo deste modo, um reconhecimento internacional à economia como meio de eliminar as disparidades sociais e elevar a luta contra a pobreza a um patamar nunca antes atingido.
O economista Muhammad Yunus, fundador de uma organização solidária, é o grande mentor do conceito de micro crédito que traduz a possibilidade dos povos mais carenciados obterem financiamento para os seus projectos, sem qualquer garantia, baseando-se apenas na confiança. Esta organização que dá pelo nome de Banco Grameen foi fundada em 1976 no Bangladesh e 30 anos passados já emprestou 5 mil milhões de dólares, a pessoas que, de outro modo, não teriam acesso a crédito por recusa dos outros bancos sobre o pretexto de que eles o gastariam todo em bens de primeira necessidade e seriam incapazes de reembolsá-los. O facto mais curioso é que esta instituição, é financiada através da contracção de empréstimos junto de outros bancos bem como da emissão de obrigações, e recusa qualquer tipo de doação monetária.
O micro credito promove, assim, a fuga ao ciclo vicioso da pobreza que está instalada nestes países, daí ser considerado um instrumento de combate á pobreza e exclusão social, incidindo este combate mormente ao nível das mulheres que representam um total de 94% dos clientes do Banco Grameen e, como o próprio Muhammad Yunus refere “O crescimento económico e a democracia não podem concretizar-se plenamente sem que as mulheres estejam em igualdade de circunstancias com os homens”.
O Banco Grameen valoriza a capacidade de iniciativa na criação de condições de desenvolvimento de pequenos negócios, permitindo a plena inserção no mundo do trabalho a pessoas menos favorecidas.
No nosso país, onde é uma realidade que um quinto dos portugueses vive no limiar da pobreza, o conceito de micro credito também se encontra presente, através da Associação Nacional de Direito ao Credito (ANDC), representante da filosofia de Muhammad Yunus, que desde a sua fundação em 1998, já ajudou a criar 630 empresas e 700 postos de trabalho, e mais recentemente através do Millennium BCP, que disponibiliza também uma linha de micro credito.
Na minha opinião, este projecto de micro credito permite realmente combater as desigualdades sociais, promovendo, com apenas uma pequena quantidade de dinheiro o desenvolvimento sustentado das condições socio-económicas das pessoas com poucos recursos que de outro modo, não teriam qualquer acesso ao mercado de trabalho. Com esta perspectiva, acho que a filosofia de doação (contrariada por Muhammad Yunus), que permite uma melhoria de condições a curto prazo, foi transformada numa filosofia de responsabilização que permite uma melhoria real e a longo prazo do nível de vida socio-económico.

Sara Vilaça

(doc. da série artigos de análise/opinião)

sábado, outubro 21, 2006

Palavras ao vento…

Na semana passada, o Ministro da Economia decretou o fim da crise. Ora, no seu compreensível esforço de contribuir para a formação de expectativas positivas dos agentes económicos, acabou por dar uma notícia manifestamente exagerada, e por isso foi logo alvo de um coro de críticas. O seu comentário foi de certa forma, infantil, inconsciente e imprudente. No entanto, Manuel Pinho explicou que a sua intenção era dar uma palavra de esperança aos portugueses: empresários, trabalhadores, professores e jovens.
De facto, a economia portuguesa parece encontrar-se num ponto de viragem, pois já não se fala de recessão. O certo é que devia ser mais cauteloso nas palavras que usa.
A apreciação da análise da situação da economia portuguesa em 2005, feita pelo Banco de Portugal resume-se, essencialmente, num ‘quadro negro’: fraco crescimento económico; pior situação orçamental apesar do aumento dos impostos; estagnação do emprego; aumento da taxa de desemprego; fraca produtividade e aumento do défice, público e externo.
No entanto, e apesar da economia portuguesa ser uma pequena economia aberta vulnerável aos ventos que sopram do exterior, e debilitada pela necessidade de correcção de desequilíbrios estruturais importantes, não restam dúvidas que o actual enquadramento é mais positivo.
A economia portuguesa cresceu 0,9% no segundo trimestre do ano em comparação com o trimestre anterior; as importações caíram 3,1% em Portugal enquanto aumentaram 1,2% e 1,7% na zona Euro e na União Europeia, respectivamente; o indicador que mede a evolução da actividade económica voltou a subir; foram criados 48 mil empregos e a taxa de desemprego baixou 10% no último semestre.
Isto mostra que a economia está, na realidade, a crescer, e o défice das finanças públicas a caminho de ser controlado. A explicação para este crescimento resume-se essencialmente ao novo OE que tem como objectivo principal reduzir o défice público de 4,6% para 3,7% do PIB, em 2007, por via de cortes na despesa pública. Este cenário, mais favorável, é ainda reforçado pela evolução positiva das exportações.
Apesar deste crescimento da economia estar ainda longe dos níveis necessários para garantir o crescimento de emprego consolidado e a convergência com os parceiros europeus, já se verificou uma “mudança de clima”, o que já é um bom sinal.
Mas, afinal, será este cenário para durar? Como se posiciona Portugal face à incerteza dominante?
É certo, como já disse, que a economia que estava em território negativo, está agora a crescer e as previsões têm sido sucessivamente revistas em alta, no entanto, ainda é cedo tanto para responder a estas perguntas, como para anunciar o fim da crise, tal como Manuel Pinho fez.
Temos ainda um longo caminho a percorrer e, por isso, não me parece prudente antecipar cenários demasiado optimistas.
O ponto mais baixo do ciclo poderá já ter sido ultrapassado, mas a economia portuguesa ainda não curou as suas deficiências mais profundas.

Maria João Veloso

(doc. da série artigos de análise/opinião)

Vamos acreditar

Portugal é um país “seguidor”, de modo que acompanha as crises geradas ao nível internacional, e os indicadores macroeconómicos destes últimos anos são sinónimo da própria conjuntura económica. Mas, ao que parece a retoma está aí... E os dados apresentados pelo boletim mensal da actividade económica fornecido pelo gabinete de estratégia e estudos do Ministério da Economia e Inovação, revelam a recuperação da economia portuguesa, no último trimestre (Julho, Agosto e Setembro).
Esta recuperação assenta essencialmente no contributo da procura externa, principalmente devido às exportações de bens e serviços que desde 2002 até ao último trimestre aumentaram 6,1 p.p..
O desemprego também acompanha as tendências e a taxa de desemprego diminuiu 0,7 p.p. em relação ao último trimestre de 2005. Este tema é o que mais gera polémica, pois nunca antes se tinha assistido em Portugal taxas de desemprego tão elevadas. No entanto, os nossos valores comparando com o de outros países mais ricos e desenvolvidos são até diminutos. É necessário desdramatizar esta questão, apesar de se saber que o desemprego é também uma questão social o qual é preciso tratar com alguma sensibilidade, pois mexe muitas vezes com problemas carência extrema das famílias.
A inflação verificou um enfraquecimento, neste último trimestre: a média dos últimos 12 meses foi de 2,7% e este último Agosto obtivemos 2%. É fundamental saber controlar este fenómeno, pois é a inflação que nos tira poder de compra e nos “deixa mais pobres”.
Como podemos verificar os indicadores estão num bom caminho, e é bem provável que a recuperação esteja já em curso. Assim, os portugueses podem “respirar melhor depois do desapertar do cinto” e voltar a sonhar num futuro próspero.
Eu acredito que a tardia recuperação de Portugal seja em grande parte devida ao pessimismo revelado exagerado dos nossos governadores e dramaticamente pelos meios de informação que em nada ajudou a mentalidade portuguesa, que enfatiza as tristezas e gostam de ser os desgraçadinhos. Mas sei que nós, os futuros economistas (como dizia outra profissão) do país, vamos ter uma grande responsabilidade no futuro do nosso país se deixarmos continuar que assim seja.
Em suma, encontrei a seguinte frase na página do Ministério da Economia e Inovação que traduz o que quero dizer: “A situação, ninguém a ignora, é muito difícil. Portugal enfrenta problemas complexos, que não podem ter uma solução imediata. Mas é clara a nossa tarefa, como é clara a nossa ambição: transformar o Portugal das fatalidades, no Portugal das oportunidades.”. Sabemos que é difícil, mas devemos lutar por sermos o que ambicionamos ser.

Paula Cristina Pereira Cerqueira
(doc. da série artigos de análise/opinião)

Destaques noticiosos do fim-de-semana

Actividade económica melhorou em Setembro [http://www.publico.clix.pt/Economia/noticia.asp?id=1274023] (20-10-06, in Público)
"O indicador coincidente de actividade económica do Banco de Portugal melhorou em Setembro, registando um crescimento homólogo de um por cento, indica hoje o relatório sobre indicadores de conjuntura de Outubro."
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Investimento directo estrangeiro em Portugal cai 1,6% até Julho [http://www.publico.clix.pt/Economia/noticia.asp?id=1273809] (18-10-06, in Público)
"O investimento directo estrangeiro (IDE) em Portugal desceu 1,6 por cento até Julho, face a igual período de 2005, para 14 mil milhões de euros, segundo os dados do Ministério da Economia e da Inovação."

Estado sim, mas em doses qb

Sou defensora da ideia “Estado sim, mas em doses qb”, o segredo da nossa competitividade passa essencialmente por empresários e gestores, por uma dinâmica empresarial mais activa e competitiva. Para isso é necessário uma reestruturação política e social. A palavra “mudança” já assusta os portugueses, quanto mais falar numa “mudança de mentalidades”, que é absolutamente necessária.
Fala-se em necessidade de recursos humanos com elevado nível de qualificação, fala-se num sistema de justiça mais competente e eficaz, fala-se num Estado e Administração Pública mais desburocratizado, num sistema fiscal simples, claro, estável e competitivo, fala-se numa legislação laboral que permita flexibilidade e mobilidade, pretende-se uma boa interacção entre universidades, centros tecnológicos e empresas, queremos qualidade ambiental e segurança, coesão social com sistemas de Segurança Social e protecção ao desemprego adequados…é relativamente fácil identificar o que está mal, mas a alteração já não é tão linear como gostaríamos que fosse, é um problema estrutural de difícil resolução.
Como afirmou António Carrapatoso, numa entrevista ao jornal de negócios, a prioridade é atrair e reter investimento de qualidade para Portugal, e segundo este as, comparações internacionais não nos favorecem e não é evidente que tenhamos uma vantagem competitiva significativa.
A pergunta é: Como e onde é que podemos ser melhores?, e não alimentar o tradicional pessimismo nacional a apontar tudo o que há de mal no reino de Portugal. Pois para isso bastam os relatórios da OCDE e um olhar sobre uma Grécia que já é mais forte que Portugal.
Na minha opinião há muitos obstáculos a ultrapassar e todos eles têm um denominador comum: o peso excessivo do Estado. A saber, as regras e práticas pouco transparentes nos mercados, posições dominantes, favorecimentos e proteccionismos e burocracias excessivas são tudo factores inibidores de novas gerações de empresários e gestores dinâmicos que se desejam.
Assim, será necessário para obtermos um “Portugal do 1º mundo”, a introdução de planeamento a médio e longo prazo no Estado, com gestão por objectivos, incluindo indicadores de qualidade de serviço e benchmarking interno e externo; um programa integrado de redução significativa dos funcionários públicos identificados como excedentários; flexibilidade laboral e uma transição do sistema da Segurança Social para um sistema de capitalização com conta individual… só assim poderemos dar asas ao tão debatido “Compromisso Portugal”, que o governo tanto fala e “luta” para alcançar.

Sara Veloso

(doc. da série artigos de análise/opinião)

sexta-feira, outubro 20, 2006

Dilemas competitivos da empresa nacional: algumas reflexões

"As empresas nacionais encontram-se numa encruzilhada: por um lado, as pressões competitivas internas têm aumentado com a entrada de concorrentes internacionais; por outro lado, por força da integração europeia e da globalização dos mercados, são desafiadas a prosseguir os caminhos da internacionalização, sendo certo que esta via não é fácil nem está ao alcance de todas.
O presente artigo procura perscrutar os caminhos que se oferecem às empresas portuguesas. À luz desse propósito, apresenta-se uma matriz de opções estratégicas ao seu dispor, construída a partir da respectiva dimensão (reduzida/elevada) e da natureza da vantagem competitiva existente (idiossincrática/extrovertida). As trajectórias enunciadas são ilustradas por recurso a um conjunto de casos retirados do panorama empresarial recente."


J. Freitas Santos
J. Cadima Ribeiro

(resumo de artigo disponível na integra na entrada Publicações - Documentos de trabalho -2005 do sítio identificado de seguida:
http://www2.eeg.uminho.pt/economia/nipe/docs/WP_NIPE_16_05.pdf)

quarta-feira, outubro 18, 2006

Proposta de orçamento de Estado para 2007

"Re: Breves de economia
por Marta Rocha - Quarta, 18 Outubro 2006, 13:54

Relativamente ao orçamento do Estado de 2007 já se encontra à disposição, por isso achei interessante colocá-lo no nosso moodle: www.dgo.pt/oe/2007/proposta
Segundo esta proposta apresentada pelo executivo socialista, o Orçamento do Estado apresenta quatro traços característicos fundamentais: rigor, orientado para o crescimento; uma estratégia credível; redução das despesas públicas; e o estabelecimento de prioridades, tais como a ciência, tecnologia, inovação, qualificação, combate à pobreza e prestígio de Portugal."
(contribuição extraída da plataforma electrónica de apoio a Economia Portuguesa e Europeia, com a autoria e as referências identificadas)

A competitividade da economia portuguesa

Num contexto marcado pelo fraco crescimento económico português e um pessimismo generalizado a competitividade apresenta-se como uma questão central no debate do futuro da economia portuguesa. Recorrendo a dados do World Competitiveness Yearbook é analisado o actual posicionamento de Portugal, em termos de competitividade, no ranking mundial de 2006. Essa análise é feita através do estudo do desempenho macroeconómico do país, da eficiência da administração pública e das empresas e, também, da capacidade em termos de infra-estruturas. Por último, são apresentadas algumas propostas que podem contribuir para melhorar o actual posicionamento de Portugal no âmbito da competitividade mundial.


Vânia Silva
(resumo de trabalho a apresentar na aula de quinta-feira, 19 de Outubro de 2006)

domingo, outubro 15, 2006

Economia e as expectativas

É sabido que a economia anda de “mãos dadas” com as expectativas e que uma influencia a outra. Se estivermos em expansão as nossas expectativas serão, em princípio, mais elevadas podendo acentuar a própria expansão. Numa situação de recessão elas podem ainda agravar mais uma situação que já não é boa. Por outro lado, as expectativas podem levar a uma recessão económica ou mesmo tirar a economia da crise.
O comportamento de todos os agentes económicos rege-se, fundamentalmente, pelas suas expectativas em relação ao futuro. As famílias consomem se tiverem a certeza (o que nunca é uma certeza mas uma expectativa) de que o dinheiro gasto não lhes vai fazer falta num futuro recente. Já as empresas só vão investir se houver expectativas de que vão vender os seus produtos, e assim realizar lucros, pois o contrário seria impensável. O próprio Estado toma as suas decisões de política e de orçamento segundo expectativas. Somos assim levados a pensar que a economia “funciona” a expectativas, o que tem a sua razão embora não seja totalmente verdade.
Ora se os agentes económicos tomam as suas decisões com base em expectativas, é porque elas desempenham um papel deveras importante. Assim sendo como é que elas se geram? Quem é que influencia as expectativas que vão comandar a economia?
Existem várias entidades com este poder, nomeadamente os meios de comunicação social, os governos e eventualmente a própria oposição ao governo, determinadas individualidades e instituições nacionais e internacionais. Todos eles têm em comum uma característica muito importante: credibilidade. Para que os agentes económicos incorporem as expectativas transmitidas é preciso que eles acreditem em quem as transmite. No entanto, parece haver uma predisposição dos agentes para acreditar mais depressa em algo mais negativo que positivo.
Um mau exemplo de como os governantes podem influenciar as expectativas dos agentes económicos foi o “discurso da tanga” de Durão Barroso. A verdade é que naquela altura estávamos a entrar numa fase de recessão económica, e as declarações do então Primeiro Ministro não só não melhoraram a situação como a agudizaram, gerando uma onda de pessimismo entre os agentes económicos. Se eles pensavam que e situação não era das melhores, depois disto tiveram a “certeza” que era realmente péssima e retraíram os seus consumos e investimentos ainda mais.
Já o actual Ministro da Economia quis fazer precisamente o oposto quando disse que “a crise acabou” e o que importava agora saber era quanto iria crescer a economia, isto na minha opinião foi um pouco radical. Pouco tempo depois o ministro vinha dizer que a sua verdadeira intenção era desdramatizar a situação nacional. Ora, se a primeira declaração não foi das melhores a segunda deveria ter sido pensada com mais cuidado, mesmo havendo de facto grandes expectativas de retoma.
É preciso que as personalidades com capacidade de influenciar os agentes económicos se apercebam do verdadeiro poder que na realidade têm. Devem-se evitar declarações radicais pois podem gerar sentimentos de desconfiança e mesmo pânico. Acho sinceramente que os decisores de política deveriam encarar as suas declarações com prudência, pois as expectativas têm uma grande volatilidade, de modo a poderem usá-las como instrumento de política.

Alina Gonçalves

(doc. da série artigos de análise/opinião)

Destaques noticiosos do fim-de-semana

Conselho de Ministros aprovou proposta que será apresentada na segunda-feira (06-10-13, in Jornal de Negócios)
"O Governo aprovou hoje, em Conselho de Ministros extraordinário, a proposta de Orçamento de Estado para 2007, que será entregue segunda-feira no Parlamento e que tem como objectivo central a redução do défice para 3,7%."
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Nobel da Paz atribuído ao fundador do conceito. Número de microcréditos em Portugal mais do que duplicou em 2005 (06-10-13, in Público)
"O número de empréstimos concedidos a pessoas que não têm acesso a crédito para desenvolver negócios por falta de garantias mais do que duplicou em 2005 em Portugal, revelou a Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC)"

sábado, outubro 14, 2006

“QUOTAS DE MERCADO DAS EXPORTAÇÕES PORTUGUESAS: UMA ANÁLISE NOS PRINCIPAIS MERCADOS DE EXPORTAÇÃO”

[SÓNIA CABRAL; PAULO SOARES ESTEVES (2006)]

As quotas de exportação de Portugal têm vindo a sofrer uma evolução negativa nos últimos anos. Sónia Cabral e Paulo Soares Esteves (2006) explicam esta situação através de três efeitos: o efeito quota de mercado, o efeito estrutura combinada e o efeito residual. O efeito estrutura combinada é ainda subdividido em efeito estrutura geográfica, estrutura por produto e efeito estrutura misto. Os autores identificam também os principais concorrentes de Portugal, assim como alguns países que se encontram na mesma situação.

Alina Vieites Gonçalves

(resumo de trabalho a apresentar na aula de segunda-feira, 16 de Outubro de 2006)