Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

sábado, dezembro 16, 2006

Modelos de crescimento de Portugal: qualidade ou quantidade?

A par dos Tigres Asiáticos, da Espanha e da Irlanda, Portugal foi uma das poucas economias que, nas últimas quatro décadas, emergiu como economia desenvolvida.
A economia portuguesa funcionou, durante muitas décadas, segundo uma lógica proteccionista protagonizada por um Estado que não se limitava a ter uma função reguladora do funcionamento do sistema económico mas que assumia, claramente, uma postura voluntarista de grande envolvimento, condicionando, quase sempre, o potencial do mercado enquanto mecanismo de afectação de recursos. A liberalização progressiva do comércio internacional e dos movimentos de capitais, o aprofundamento e consolidação do mercado único, a criação da União Económica e Monetária e até os progressos verificados nos transportes e nas tecnologias da informação contribuíram para reforçar e acelerar o processo de integração internacional em curso da economia portuguesa. Os choques decorrentes das sucessivas vagas de internacionalização da economia portuguesa foram apenas parcialmente absorvidos pelo nosso tecido produtivo, estando ainda a decorrer o correspondente processo de ajustamento e reestruturação industrial.
A evidência empírica existente sugere que, nos últimos 15 anos, o processo de crescimento da economia portuguesa foi devido a uma utilização intensiva dos factores produtivos e não ao aumento da eficiência global do sistema. Esta aposta na quantidade, em detrimento da qualidade, está a conduzir a uma situação de rendimentos marginais decrescentes que tornará o actual modelo de desenvolvimento não sustentável. Aliás, a evolução recente da economia portuguesa tem sido muito marcada por linhas tendenciais que permitem validar esta percepção da realidade económica e social portuguesa como: a existência de uma taxa de desemprego consideravelmente baixa (chegando mesmo na década de 90 a encontrar-se numa situação de pleno emprego), um saldo da Balança Corrente e, em particular, o Saldo da Balança de Mercadorias têm vindo a sofrer uma degradação nos últimos anos, uma taxa de crescimento da produtividade da indústria transformadora tem sido menor do que a dos nossos parceiros comerciais e também bastante menor do que a taxa de variação dos salários. Um pouco em resultado de tudo isto, as margens de lucro no sector exportador têm tido uma evolução negativa, o crescimento tem sido “puxado” pelos sectores produtivos com menor conteúdo de inovação e mais baixa produtividade.
A evidência empírica existente para a economia portuguesa, para as últimas décadas, sugere, de algum modo, que a estratégia de desenvolvimento da nossa economia foi muito sustentada na quantidade e não na qualidade dos recursos utilizados. A performance actual da economia portuguesa indicia que o actual modelo de crescimento extensivo mostra sinais claros de esgotamento. Com efeito, estando numa situação em que a taxa de desemprego é baixa, a manutenção do mesmo modelo de crescimento só pode resultar no agravamento dos desequilíbrios externos ou no aumento da inflação. É, por isso, necessário passar de um modelo de crescimento extensivo, muito marcado pela aposta na quantidade e na realização de “mais do mesmo”, para um modelo de crescimento intensivo em que o objectivo é claramente produzir mais, mas sobretudo, produzir melhor, com mais qualidade e mais rápido.

Daniel Alves Maciel

(doc. da série artigos de análise/opinião)

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Marca Portugal: vantagem e/ou desvantagem

Numa economia global, todos os países competem entre si para aumentar as exportações, atrair mais turistas e captar investimento estrangeiro. Neste contexto, a variante reputação/imagem país tem um importante impacto económico e é uma vantagem ou uma desvantagem competitiva que merece um programa de gestão e de acção focalizada. No caso de países como Portugal, onde ocorreram mudanças ou evoluções drásticas e rápidas, o desfasamento entre percepção e realidade torna ainda mais necessária a existência de um programa de marca país.
A Marca Portugal é, hoje, um factor de desvantagem competitiva do País. De verdade, se demonstra que os produtos do País se vendem mais caros por mudarem de etiqueta para omitir, ou disfarçar, a sua nacionalidade. Então, a Marca Portugal não só não é o factor de impulsão do comércio externo que deveria ser, como é o contrário, ou seja, uma desvantagem. As marcas mal geridas - e a Marca Portugal não é por isso diferente -costumam vender pouco porque os decisores, os proprietários, preferem iludir-se a corrigir-se . Se uma marca tem más vendas, isto quer dizer que essa marca está a ser mal gerida. E se uma marca é mal gerida, quem faz essa má gestão são profissionais incompetentes. Então, se os profissionais são incompetentes, a última culpa será de quem lhes paga, apesar da incompetência. No caso da Marca Portugal, quem lhes paga são todos os eleitores que, a exemplo de muitas administrações, preferem ser enganados.
A eficácia de um investimento mede-se pela quantidade de resultados que este traz, no caso do Comércio Externo português, o dinheiro gasto na promoção de Portugal e das suas marcas não se qualifica como investimento, porque os resultados globais atingidos são maus. Se o deficit da balança comercial portuguesa aumenta todos os anos ao ritmo de uns 10% , infelizmente, isso só pode significar que o dinheiro gasto na promoção das exportações foi mal aplicado. Bem que se poderia argumentar que, para o efeito a que se destina, o investimento na promoção da Marca Portugal apenas dinamiza as exportações e que estas, além de representarem quase 30% da produção portuguesa, têm vindo também a crescer, e até bastante rápido. Quase todos os anos, as exportações portuguesas crescem a um ritmo acima dos 5%, num valor perto de mil milhões de euros por ano. Este crescimento das vendas, ou das exportações até poderia ser bom, não se desse o caso das importações, estragarem o resultado ao representarem perto de metade de todo o consumo, criando um resultado global da balança de transacções negativo.
Se o Ministério da Economia quisesse mesmo reduzir os prejuízos que tem acumulados à volta do comércio externo, trataria de suportar um Departamento de Marketing para Portugal, com um mandato completo para gerir a Marca Portugal. Desde a orientação do produto, até à compra do espaço de meios. Um Departamento de Marketing, que, em vez de medir a sua actividade pelo número de campanhas de promoção ineficazes, estabeleceria para si próprio um objectivo de anular o deficit da balança de transacções ,assim como, melhorar a reputação do país que tem muito mais a oferecer que futebol…

Manuel Vilas

(doc. da série artigos de análise/opinião)

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Evolução do Património

Ao longo dos últimos 25 anos, observou-se uma tendência crescente na evolução do património dos particulares em percentagem do seu rendimento disponível, em que se destaca a década de 90.
No património total dos particulares presenciamos um aumento de importância do património financeiro e uma diminuição do peso relativo da habitação. O crescimento da riqueza dos particulares teve como contrapartida um aumento muito significativo do endividamento, sobretudo nos empréstimos bancários de longo prazo de habitação. Nisto, o património líquido de endividamento registou igualmente uma evolução positiva no período considerado, embora bastante mais atenuada do que a dos activos, mantendo um perfil ascendente até ao final dos anos 90. A partir de 2000 verificou-se uma desaceleração no endividamento dos particulares, mas também nos activos na posse das famílias, observando-se uma estabilização do peso da riqueza líquida no rendimento disponível dos particulares.
Na segunda metade da década de 90, a subida do valor relativo do stock de habitação face ao rendimento disponível acontece em simultâneo com um aumento dos preços relativos da habitação, o que, conjugado com a descida das taxas de juro, pode ter criado um estímulo ao investimento em habitação. Por sua vez, o aumento dos preços relativos da habitação nos anos 90 reflectiu o forte crescimento da procura de habitação. Esta foi impulsionada pela maior facilidade na aquisição de habitações por recurso ao crédito bancário, associada à diminuição significativa das taxas de juro e à maior facilidade nos processos de concessão resultante de uma maior concorrência entre os bancos. De facto, o rácio entre o valor do crédito à habitação e o valor do património em habitação mostra que, na década de 90, há um acréscimo significativo da proporção do valor das habitações obtidas por recurso a empréstimos bancários. A partir de 1993 essa percentagem apresentou um forte crescimento, situando-se em cerca de 39 por cento em 2004. Esse comportamento das taxas de juro, a par da evolução do sistema financeiro, dos ganhos de capital oferecidos pelas acções e outras participações, bem como os desenvolvimentos ao nível dos sistemas de segurança social, reflectiu-se numa alteração da composição da carteira de activos financeiros.
No que se refere ao património financeiro, também é visível uma tendência crescente na sua evolução em termos do rendimento disponível, quer ao nível dos activos quer dos activos líquidos de passivos. Esta tendência, bastante mais marcada que a observada na componente habitação, é acentuada a partir do início da década de 90, o que deverá estar associado ao desenvolvimento do sistema financeiro.
No período mais recente, os activos financeiros continuaram a aumentar em percentagem do rendimento disponível, mas apresentaram uma desaceleração superior à observada nos passivos, pelo que o património financeiro líquido diminuiu em relação ao rendimento disponível.
Analisando as aplicações dos particulares em activos financeiros por componentes, verifica-se que são maioritariamente constituídas por depósitos.
A carteira de activos financeiros tornou-se, nos últimos tempos, mais diversificada, com uma redução na sua liquidez, mas ainda assim “conservadora”. Com efeito, face à média dos países da área do euro, em 2003, constata-se que a componente moeda e depósitos encontra-se significativamente acima dessa média, enquanto os direitos sobre as reservas técnicas de seguros apresentam um peso inferior. O peso relativo das aplicações em títulos, acções e outras participações, é semelhante. Quando comparada com a situação em 1995, verifica-se que a evolução operada em Portugal seguiu a tendência da maioria dos outros países europeus, com uma redução do peso relativo dos depósitos e um aumento das outras aplicações financeiras, em particular, em seguros de vida e fundos de pensões. Em termos globais, a estrutura da carteira dos particulares em Portugal aproximou-se, durante este período, da média dos países europeus, em particular dos da área do euro.

Damiana Santos

(doc. da série artigos de análise/opinião)

terça-feira, dezembro 12, 2006

Inovação em Portugal

O Primeiro-Ministro José Sócrates tem pautado o seu mandato com a ideia que concebeu de um plano tecnológico inspirado no modelo finlandês. De facto é pertinente debater o tema da inovação em Portugal.
Treze anos após a divulgação do estudo de Porter sobre a competitividade da economia portuguesa, o qual teve grande impacto na altura não só pelos resultados obtidos como também pela fortuna paga pelo estudo, pouco ou nada foi feito. Embora muitas das recomendações da Porter nunca tenham sido implementadas, ainda hoje se apresentam validas num país como Portugal em que os casos de inovação escasseiam.
A inovação é especialmente crítica em grandes empresas onde o processo de inovação é mais difícil. O que verificamos é que a inovação em Portugal acontece, tal como em muitos outros países, nas designadas Startups. Nesse sentido, é crítico o elo de ligação entre centros de investigação e desenvolvimento e as pequenas e medias empresas que não têm capacidade de ter investigação própria. Importa reforçar o elo que deverá ligar as universidades e empresas no desenvolvimento de clusters regionais com capacidade para competir a nível europeu e num mercado cada vez mais global.
Mas a inovação pode surgir noutros níveis: ao nível do controlo de custos ao nível logístico ao nível do desenvolvimento de produtos inovadores e novos mercados, etc. com a competição crescente dos países asiáticos (especialmente da China), temos de ser cada vez mais inovadores se queremos competir no mercado global. Para inovar numa indústria, temos de provocar uma mudança em Factores chave de Sucesso que regem essa indústria. Assim sendo, as empresas devem fazer uma análise estratégica em três perspectivas: na perspectiva da indústria, na perspectiva dos recursos e na perspectiva das estruturas de decisão. Uma estratégia integrada requer actuação nas três ópticas.
A análise na perspectiva dos recursos tem como objectivo identificar os recursos e as potencialidades da inovação das empresas. O objectivo será identificar quais os recursos únicos que a empresas possui que são difíceis de imitar pelos concorrentes e que são fonte de receita da empresa. Deverão ser identificadas as assimetrias entre recursos e potencialidades das empresas. A análise da envolvente interna é um elemento chave para a avaliação e tomada decisão estratégica.
A análise na perspectiva das estruturas de decisão preocupa-se em identificar as características organizacionais do processo de tomada de decisão de empresa e a influência dos accionistas no processo de tomada de decisões estratégicas. Deverão ser identificadas as assimetrias entre as percepções enviesadas e a realidade das estruturas de decisão. A análise da influência dos accionistas no processo de tomada de decisão é um elementos chave para a avaliação e a tomadade decisão estratégica.
Este último aspecto é essencial pois as barreiras internas à inovação deveriam, na sua generalidade, de estruturas e processos de decisão que não promovem a criatividade, resultando em organizações conservadoras e resistentes à inovação e à mudança.

Álvaro Ferreira
(doc. da série artigos de análise/opinião)

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Empresas portuguesas e o mercado Ibérico

A proximidade entre o mercado português e mercado espanhol é uma realidade incontornável e que deve ser obrigatoriamente aproveitada pelo capital português. Essa proximidade acarreta um conjunto de mais valias que podem, sem dúvida, beneficiar as empresas portuguesas com capacidade empreendedora e vontade de investir num mercado que tem uma dimensão (44.108.530 pessoas) capaz de atrair os investimentos portugueses para o outro lado da fronteira. Como é óbvio, as vantagens também podem ser olhadas de lá para cá e é isso mesmo que tem vindo a acontecer, já que as empresas espanholas têm, de certa forma, “invadido” o mercado nacional. Em 2001 os investimentos espanhóis em Portugal eram de 871 milhões de euros e em 2005 ascendiam já aos 1087 milhões de euros, o que demonstra uma crescente aposta do capital espanhol em terras portuguesas, aposta essa que deve ser cada vez mais recíproca, e que é também um sinal de que as empresas de país vizinho já se aperceberam das vantagens de uma maior interacção e cooperação entre as nossas economias.
Olhando para os dados, verificamos que o investimento português em Espanha diminui desde o ano 2000, sendo que em 2005 foi de 365 milhões de euros, grande parte deste efectuado na área das finanças, banca e seguros.
Existem já algumas empresas portuguesas que têm apostas fortes no mercado espanhol, vendo-o como uma real possibilidade de crescimento e expansão. A Renova é um bom exemplo disso mesmo, apostando forte no mercado espanhol é uma empresa que já tem uma posição importante assegurada no país vizinho, facturando mais de 120 milhões de euros em Espanha. No sector energético a EDP e a Galp mostram também uma vontade cada vez maior de penetrar no mercado espanhol, procurando possibilidades de negócios que as valorizem e que consolidem a posição que já detêm. São estas empresas que devem ser tidas como exemplos para os investidores portugueses, pela sua capacidade empreendedora e pelo seu sentido de visão. Como é óbvio, as oportunidades do mercado Espanhol não estão só ao alcance dos “grandes tubarões” como a Galp e a EDP, as PME’s devem também apostar numa politica de investimentos para lá da fronteira portuguesa, procurando o seu pedaço de oportunidade em Espanha.
Contudo, esta aposta no mercado Espanhol não deve ser feita num sentido de “iberização”, deve antes ser vista como uma necessidade por parte das empresas portuguesas para subir mais um degrau no caminho para a globalização. Como todos sabem, fazemos parte de uma união económica e monetária, temos as fronteiras abertas, não só para viajar, mas também para investir nos mercados europeus, estes encerram um conjunto de verdadeiras oportunidades de investimento para as empresas portuguesas que estejam em condições e que tenham capacidade de arriscar.
Neste âmbito, é preciso aplaudir as visitas feitas pelo antigo e também pelo actual Presidente da Republica a Espanha, no sentido de procurar um maior contacto entre os dois países e aludir ao desejo de uma maior reciprocidade no mercado ibérico. Como será também de referir a primeira reunião do Concelho de Globalização em Portugal, onde se reunirão empresários e gestores portugueses e internacionais. São este tipo de iniciativas que podem impulsionar as empresas portuguesas ao investimento no exterior e abrir-lhes as portas do mercado global.
Assim sendo, é necessário promover um Portugal mais empreendedor, sem medo de correr riscos e que seja capaz de apostar para lá das suas fronteiras.

Hélder Miguel Ferreira Tavares

(doc. da série artigos de análise/opinião)

“Flexigurança”: o novo modelo social europeu?

Um dos temas mais discutidos na actualidade portuguesa e europeia, em geral, consiste no sistema dinamarquês de “flexigurança”.
Dois pilares fundamentais das democracias políticas são o crescimento económico e a equidade social. É necessário atentar no problema de saber como se liga a renovação das políticas de emprego à das políticas de protecção social e ambas à renovação dos instrumentos de regulação dos mercados de trabalho. As antigas fórmulas de articulação do económico com o social parecem ficar obsoletas e não corresponder ao papel exigido no confronto com as novas realidades que se foram desenvolvendo ao longo do tempo.
O modelo de “flexigurança” consiste em oferecer mais benefícios sociais em troca de maior facilidade nos despedimentos. É uma combinação de despedimentos flexíveis com subsídios de desemprego generosos.
De referir que uma estratégia de “flexigurança” não é uma estratégia de liberalização dos despedimentos, mas sim de aumento da mobilidade laboral (assim espero).
Apresentada pela Comissão Europeia como um modelo de combate ao desemprego, a “flexigurança” é por esse organismo definida como “uma abordagem abrangente à política do mercado de trabalho que combina a suficiente flexibilidade nos contratos – permitindo que empresas e trabalhadores enfrentem a mudança – com a garantia de que os trabalhadores mantenham o emprego ou possam procurar outro, recebendo entretanto um subsídio adequado”.
Para que as empresas se ajustem aos ciclos de produção (despedimentos nas crises e contratações nas expansões), abandona-se a segurança no trabalho e oferece-se segurança no desemprego – quem é despedido recebe benefícios generosos, para além de muita formação e apoio na busca de novo emprego.
Será “a” solução e não uma possível solução a adopção desta estratégia como quadro de referência das políticas europeias de emprego, trabalho e protecção social?
Na minha opinião, este modelo não se afigura como milagroso. Embora tenha sido um sucesso na Dinamarca (nos anos 90, o desemprego encontrava-se nos 12% e, no terceiro trimestre de 2006, já não ultrapassava os 4,4%), em França, por exemplo, ocorreram manifestações de jovens que não queriam trocar segurança no emprego por conforto no desemprego.
O modelo dinamarquês não é infalível e exige requisitos técnicos e informacionais – por exemplo, o factor-chave deste modelo é a educação, domínio esse que se apresenta ainda como muito problemático para certos países. É preciso tratar a questão da transmissibilidade do modelo com muito cuidado, ou seja, deve-se analisar cautelosamente a questão de saber se tal modelo pode funcionar noutros grupos de países europeus com características culturais e com sistemas de emprego distintos dos países nórdicos.
De acordo com o ministro do Trabalho e da Solidariedade Social português, o modelo da “flexigurança” não é mecanicamente aplicável nos Estados membros da União Europeia, dado que “é necessária uma renovação do modelo de relações laborais que valorize a maior flexibilidade da economia, mas também a defesa dos mecanismos que fazem parte da nossa tradição comum de protecção social”.
O ministro também referiu que “a União Europeia precisa de uma economia flexível para vingar na concorrência internacional”, economia essa que tem “necessidade de mercados de trabalho que favoreçam a adaptabilidade das empresas e dos trabalhadores”.
É preciso, assim, ter em conta as especificidades de cada nação, sob pena de se regredir em áreas tão cruciais para as sociedades. Não existe um modelo social europeu homogéneo.
No caso de Portugal, na minha opinião, o mercado de trabalho precisa de ser mais flexível. Não se pode perpetuar o emprego à custa de barreiras à entrada de novos trabalhadores no mercado.
De acordo com dados da Comissão Europeia, durante os anos de expansão, os salários são bastante flexíveis e ajustam-se rapidamente ao ciclo, crescendo acima da produtividade. De modo oposto, o ajustamento dos salários portugueses é o mais rígido em períodos de recessão. Existe, assim, uma clara tendência das empresas portuguesas em contratarem muito e em pagarem bem durante as expansões, mas a terem dificuldades a ajustar os seus custos durante períodos baixos do ciclo – Portugal apresenta uma rigidez salarial assimétrica.
O sistema de “flexigurança”, ao tentar reequilibrar a flexibilidade e a segurança no mercado de trabalho, surge como uma tentativa de resposta a este problema. Falta saber se vai conseguir resolvê-lo ou, pelo menos, atenuar os seus efeitos nefastos.


José Manuel Azevedo e Costa


(doc da série artigos de análise/opinião)

TGV e OTA

A instalação da rede TGV em Portugal, e a construção de um novo Aeroporto na OTA, tem vindo a ser assunto de aceso debate.
Só ganha meia hora em relação a comboios já existentes, mas apesar do custo exorbitante, o TGV Lisboa-Porto avança. Fica a 60 quilómetros da maioria dos seus utilizadores, mas o aeroporto da Ota avança.
É indiscutível que ambas as construções implicam custos elevadíssimos, que provêm do Orçamento Geral do Estado, ou seja, tais obras são financiadas pelos contribuintes portugueses. Parece que se concluiu com um estudo que apenas no que toca ao TGV, a obra iria impor a cada contribuinte um encargo de cerca de € 1.500,00.
Note-se que se trata de um encargo médio, ou seja, haverá contribuintes que vêem este encargo multiplicar-se por dez, cem, mil...
Não se trata de um investimento na produção, inovação ou no combate ao desemprego! Trata-se de dois projectos ligados aos transportes, de milhares de milhões de euros, completamente dispensáveis em qualquer altura.
E é bem sabido como, no fim das obras promovidas pelo Estado, a factura é sempre, sem que se conheça uma única excepção, muitíssimo maior do que inicialmente. Lembremo-nos dos Estádios de Futebol, da EXPO, do Centro Cultural de Belém (…). O orçamento do aeroporto da Ota, como se esperava, já derrapou. Porque a sua entrada em funcionamento foi atrasada de 2012 para 2017 e a previsão de custos passou para mais de 3,1 milhões de euros.
No entanto, houve quem apresentasse vários argumentos a favor, tendo sido um deles:
“- Entre os países da OCDE, Portugal tem o valor mais baixo de "stock" de capital público.”
Mas é preciso ver que a construção do aeroporto na OTA leva à desactivação do aeroporto da Portela. Ou seja, destrói-se "stock" de capital público. Se o objectivo é aumentar o "stock", então que se invista em algo que não envolva destruição do mesmo.
Para além disso, a OTA era uma infra-estrutura importante na medida em que possibilitaria aos empresários portugueses estarem a poucas horas das capitais europeias. No entanto, põe-nos a mais de quatro horas do centro da Europa, o suficiente para inviabilizar as viagens de um dia características do mundo dos negócios actual e para dificultar o turismo de fim-de-semana, segmento muito importante para o futuro do nosso turismo.
Por outro lado, a OTA não vai fazer nada de novo em relação ao aeroporto da Portela,
os custos financeiros do mesmo vão reduzir a competitividade da economia portuguesa porque vão sobrecarregar todos os contribuintes com impostos e, o que faz falta a esses empresários é a capacidade de serem competitivos e não a "falta de mobilidade" que não existe.
Em suma, o investimento em grandes obras públicas irá “favorecer sobretudo as economias de onde importamos os materiais para a construção de tais empreendimentos”, “pouco efeito terá na absorção do desemprego fabril gerado pela perda de competitividade da nossa indústria” e vai “agravar ainda mais o desequilíbrio das contas públicas”.
O investimento público é de facto essencial a qualquer economia, mas não o pode ser a qualquer preço, sendo ponto assente que a economia portuguesa não precisa de mais investimento público... apenas e só de melhor investimento público.
Deste modo, tal como já havia sido dito, parece-me também acertado classificar a OTA e o TGV de obras faraónicas, tendo em conta o seu carácter de grandes monumentos funerários, à semelhança das Pirâmides do antigo Egipto. A diferença é que estas serviam de túmulo aos reis e aquelas só servem para enterrar o País.

Denise Maciel

(doc. da série artigos de análise/opinião)

sábado, dezembro 09, 2006

“Aquilo que consumimos diz muito sobre o que somos!”

Bons cidadãos ecológicos
Consumidor racional

Pois é estamos em plena época natalícia e os valores da solidariedade e a partilha que normalmente associamos a esta quadra voltam a estar na ordem do dia. Contudo cada vez mais a época de natal tem-se tornado uma época de consumo por excelência, mais do que em qualquer época do ano somos estimulados a comprar de uma forma irreflectida e pouco consciente dos nossos interesses pessoais e colectivos.
Embora esta realidade se repercuta ao longo de todo o ano sempre que o apelo ao consumo se torna mais alto. Não nos podemos esquecer de sermos bons cidadãos ecológicos assim ao dar prendas que elas sejam produtos duráveis ao invés de serem de usar e deitar fora que tanto sobrecarrega o ambiente. Devemos optar por produtos nacionais uma vez que para além de incentivarem o comércio nacional também reduzem o impacto ambiental associado ao seu transporte. E porque a política dos três “R” convém recordar, vamos reutilizar papéis de embrulho de anos anteriores ou de papel reciclado. Uma coisa de que talvez nunca nos tenhamos lembrado é de substituir o bacalhau por outras iguarias ou adquiri-lo com grandes dimensões, já que segundo ecologistas e investigadores o bacalhau é uma espécie em risco de extinção e a sua sobre exploração põe seriamente em risco toda a espécie e o ecossistema. E já agora mais uma chamada de atenção: porque não ter uma árvore de natal sintética?
Se por um lado a época de natal dá vigor ao comercio também não nos podemos esquecer que a sustentabilidade dos recursos é deveras importante e quando a economia é a ciência da utilização dos recursos escassos devemos ser consumeristas e não consumistas, isto é, o consumo deve ser em prole do beneficio próprio e colectivo e não um consumo irracional. Numa época que muito se compra e sabendo que o poder de compra dos portugueses não está nos melhores dias, há que pôr um travão ao endividamento e fazer alguma poupança como cidadãos racionais que somos.

Fátima Couto

(doc. da série artigos de análise/opinião)

Destaques noticiosos do fim-de-semana

Aumento do salário mínimo aprovado em Conselho de Ministros
[http://www.publico.clix.pt/Economia/noticia.asp?id=1278918] (06-12-06, in Público)

«O Conselho de Ministros aprovou hoje o aumento do Salário Mínimo Nacional para 403 euros no próximo ano, face aos actuais 385,9 euros.»

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Economistas portugueses criticam aumento das taxas de juro pelo BCE
[http://www.publico.clix.pt/Economia/noticia.asp?id=1279085] (08-12-06, in Público)

«O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, considerou hoje que as taxas de juro na Zona Euro continuam "num nível baixo" após a alta de 0,25 pontos percentuais decidida hoje, para 3,5%.»

20 anos de integração europeia: desafios para Portugal

Como este ano está mesmo quase a finalizar é pertinente efectuar uma referência aos 20 de anos de adesão de Portugal à União Europeia.
Existem muitos indicadores que demonstram a importância desta adesão, que penso ser pertinente referi-los. No total, Portugal recebeu da União Europeia, nos últimos 20 anos, 42020 milhões de euros de fundos estruturais e 6302 milhões de euros do Fundo de Coesão. O investimento em acessibilidades foi muito significativo. Em 1986 havia 196 quilómetros de auto-estradas; hoje há 2091 quilómetros, que representam 16,5% do total das infra-estruturas rodoviárias do país. No que se refere ao Produto Interno bruto (PIB) a diferença de Portugal em relação à média europeia diminuiu: o PIB per capita (em Padrão de Poder de Compra) passou dos 54,2% em 1986 para os 68% em 2003 relativamente à U.E. dos 15 e 74% da U.E dos 25. Há 20 anos a agricultura, a silvicultura e a pesca representavam 9,4% da economia portuguesa. Hoje esse valor é de 3,9%. A indústria transformadora representava 25%; hoje está nos 18,2%. Num registo inverso, o peso dos serviços subiu para 66,9%. A inflação sofreu uma clara descida de 11,7% para 2,2%. As taxas de juro também mudaram radicalmente nos últimos 20 anos. Em 1986, Portugal registava uma taxa de juro na ordem dos 15,8%. Em 2004 esse número desceu até aos 3,4%. A U. E. reforçou o seu peso enquanto parceiro privilegiado de Portugal. A taxa de exportações para os países da U.E. subiu dos 57% para os 80% e a das importações passou dos 44,9% para os 77%. A percentagem da despesa do PIB em Investigação e Desenvolvimento passou de 26,4% da media europeia para os 40,2%. Em 1986 a despesa representava 0,41% do PIB. Em 2003 esse número subia para os 0,78%.
A meta da Agenda de Lisboa para a U.E situa-se nos 3%. Existem muitos mais indicadores que apresentam uma evolução positiva. No entanto a economia portuguesa atravessa vários desafios actualmente uma vez que esta a crescer a um ritmo inferior à media europeia ou seja estamos num momento de divergência com a Europa uma vez que se assiste a uma deslocalização de empresas nos sectores tradicionais bem como o diminuto mercado português que não consegue abraçar os desafios da globalização. No entanto as novas tecnologias são um dos poucos sectores em que Portugal tem uma clara oportunidade de afirmação num contexto global. Também já percebemos que o factor de diferenciação preço é passageiro e um erro estratégico (industria têxtil).
O alargamento da U.E a 25 países e a partir de 1 de Janeiro de 2007 a 27 não deve ser encarado como um mal, que proporcionará mais concorrência mas pelo contrário deve ser encarado como uma oportunidade, um maior mercado com regras claras e conhecidas. Devemos ter presente que a concorrência é global e não apenas europeia já que a localização geográfica é cada vez menos importante devido à diminuição dos custos de transportes que se tem verificado.
Apresentam-se assim três desafios que Portugal terá de ultrapassar para voltar a convergir com U.E: a educação; a Inovação, Investigação e desenvolvimento; e o ambiente propicio para facilitar os dois desafios anteriores ou seja é necessário uma legislação eficiente, um ambiente politico estável bem como uma politica de financiamento clara. O empreendedorismo é assim visto como fundamental. A actividade empreendedora deve ser efectuada tendo em consideração a inovação e a investigação para podermos diferenciar os nossos produtos no mercado global. As empresas nacionais necessitam de pensar internacional de preferência desde o início.
O poder politico já acordou para esta necessidade e já introduziu o plano tecnológico havendo já exemplos a despontar em Portugal. É preciso acreditar e fazer acontecer.

Lara Pinto

(doc. da série artigos de análise/opinião)

Observando o comportamento dos consumidores

Depois de ter lido o artigo de Susana Marques intitulado “o espião das compras” achei por bem partilhar convosco algumas das ideias que interiorizei e sobre as quais reflecti um pouco. Este artigo surgiu depois de ler algumas tácticas lançadas por Paço Underhill para um negócio ter sucesso.
Hoje em dia deparamo-nos com espaços comerciais que promovem produtos pouco comuns ou ditos exóticos/ diferentes basta pensarmos nas lojas e restaurantes chineses, indianos e italianos que estão já bem difundidas por todo o pais. E como bem sabemos os portugueses têm aderido a esta multiplicidade de produtos. Como tão bem sabemos, urge que o nosso pais se torne competitivo quer nas relações comerciais com o exterior, quer em relação aos produtos que se têm introduzido crescentemente nos nossos mercados internos.
Segundo Paço Underhill “as forças competitivas obrigam-nos a pensar nas tácticas e só chegamos às tácticas se observarmos os consumidores”, assim a área do marketing e da inovação serão uma das respostas aos problemas competitivos do nosso pais em relação ao exterior e aos produtos que se têm introduzido com facilidade no nosso mercado.
Há que observar a atitude dos consumidores já que esta denuncia as suas necessidades, só temos que olhar atentamente. Uma vez que é preciso gastar milhões na concepção de espaços comerciais, o nosso trabalho não deve acabar aqui, têm que gastar algum tempo a observar o resultado, se é eficiente.
Um exemplo simples disto é o caso de uma mulher que entra numa loja de pronto-a-vestir acompanhada pelo marido, é bem provável que este experimente momentos de tédio mas a situação pode ser solucionada se colocarmos um cadeira ou sofá estrategicamente posicionados. Assim quando abrirmos um estabelecimento comercial é importante tudo que diz respeito a este, tem que ser “bonito, luminoso e estar integrado numa zona agradável.
Este artigo deixa algumas pistas para o sucesso de um negócio: “ o centro comercial terá que ser algo mais do que um lugar de compras”, tem que ser um espaço público aprazível e com vários focos de interesse.

Fátima Couto

(doc. da série artigos de análise/opinião)

Os défices e as dificuldades…

Contrariamente ao que se pretende fazer crer o défice orçamental não é, nem sob o ponto de vista empírico nem sob o ponto de vista técnico, insustentável, nem é o problema mais grave que o País enfrenta. Ele é fundamentalmente consequência e sintoma de outros problemas muito mais graves cuja resolução é mais urgente, já que só esta é que poderá permitir o desenvolvimento sustentado de Portugal e a resolução de uma forma verdadeira e duradoura do problema do défice orçamental. Muito mais grave do que o défice orçamental é o défice comercial (-10,8% em 2004), que já atinge o dobro do défice orçamental, e que revela uma perda crescente de competitividade das empresas portuguesas quer nos mercados externos quer mesmo no mercado nacional. A provar que o défice orçamental português não é insustentável está o facto de que Portugal no passado já ter tido défices superiores ao actual, e apesar disso a economia cresceu e o País ultrapassou a situação.
Durante os governos de Cavaco Silva os défices orçamentais foram, em vários anos superiores ao actual, e não se ouviu dizer que o défice orçamental era insustentável. O mesmo sucedeu em relação ao valor da Divida Pública medida em percentagem do PIB. Como mostram também os dados disponíveis, se se comparar o valor de 2004 - cerca de 61% do PIB – quer com valores atingidos nos anos do governo Cavaco Silva (variaram entre 59,1% e 64,3% do PIB) quer com a média da UE15 (64,3% em 2003) rapidamente conclui-se que o rácio da divida portuguesa não se afasta desses valores, até é inferior.
Para além disto, os economistas sabem que um défice gerado por investimento produtivo ou para aumentar a eficiência de serviços que tornem possível um desenvolvimento elevado, é um bom défice porque gera mais riqueza que acaba por pagar esse défice.
A economia portuguesa está a crescer, em média, a um ritmo que corresponde a metade do da economia da União Europeia, e esta está a crescer a um ritmo correspondente a metade do ritmo de crescimento da Economia Mundial. Tudo isto, a manter-se, só poderá determinar para Portugal mais estagnação económica e mais desemprego
O Plano de Investimentos, que o governo apresentou no Centro Cultural de Belém, em 5 de Julho de 2005, é um tipo de investimento que tem um efeito reduzido no aumento da competitividade e da produtividade das empresas repetindo com um Plano de investimentos desta natureza é de prever que não consiga tirar o País, de uma forma sustentada, do estado de estagnação económica em que se encontra. É necessária uma forte intervenção do Estado visando a modernização das empresas, inevitavelmente assistir-se-á no máximo daqui a 3 anos a milhares de despedimentos e à destruição de uma parte significativa de importantes sectores produtivos.
Mas mais grave ainda é a estagnação e mesmo o retrocesso económico que se está a verificar em Portugal, determinado pela perda crescente de competitividade da Economia Portuguesa cujo indicador mais visível é o défice da Balança Comercial que atinge já o dobro do défice orçamental, mas que não tem merecido qualquer a atenção mesmo por parte do governo nem do pensamento económico dominante nos media.
O pensamento económico único tem procurado difundir a ideia que basta reduzir o défice orçamental para abaixo dos 3%, para que os problemas do crescimento económico em Portugal se resolverão imediatamente pela acção dos "mercados". No entanto, isso não tem qualquer fundamento nem cientifico nem empírico. A redução de 4 pontos percentuais no défice público (passar de 6,8% para 2,8% do PIB), que significa uma redução de 5.600 milhões de euros nas despesas da Administração Pública em apenas 3 anos (2005-2008), só poderá levar à destruição de uma parte importante do sector produtivo nacional e a mais desemprego. A livre actuação dos mercados só tem gerado desigualdades crescentes e a destruição das economias mais frágeis.
O problema de fundo que defrontámos é o de conseguirmos aumentar a taxa de crescimento potencial da economia portuguesa. E conseguir fazê-lo no contexto da crescente concorrência que sofreremos por efeito da globalização e do alargamento da União Europeia. Trata-se de um desafio extremamente exigente. Apesar das transformações de estrutura produtiva que realizámos na última década, com reflexo marcado nas nossas exportações, temos perdido competitividade ao longo desse período. Porque não inovámos o suficiente e porque os custos do trabalho por unidade produzida aumentaram relativamente aos dos nossos parceiros comerciais.

Daniela Filipa da Silva Pires

(doc. da série artigos de análise/opinião)

quinta-feira, dezembro 07, 2006

“Salários têm de cair 20%”

“SALÁRIOS TÊM DE CAIR 20%”
OLIVIER BLANCHARD CONSIDERA QUE O AUMENTO DO SALÁRIO MÍNIMO VAI ATRASAR A RECUPERAÇÃO PORTUGUESA

Desde há duas semanas que procurava um artigo para o meu trabalho de Economia Portuguesa e apesar deste artigo ter sido um dos primeiros que seleccionei e depois deste ter seleccionado muitos outros, nenhum me surpreendeu tão negativamente quanto este.
Acho surpreendente como é possível que alguém minimamente consciente da situação da economia portuguesa possa proferir publicamente tal opinião.
Olivier Blanchard é um economista francês, foi presidente do departamento de economia do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e é actualmente professor no MIT.
Recentemente numa entrevista ao Jornal Expresso declarou que a economia portuguesa necessita de uma redução de 20% nos salários nominais para sair rapidamente da crise e que nesse sentido aumentar o salário mínimo é um erro. Na sua opinião, esta é a medida necessária para se resolver a produtividade e descer a taxa de desemprego. Entre outras coisas refere que “o aumento dos custos de trabalho acumulado nos últimos anos implica uma descida de 20% nos salários nominais – cerca de metade dos salários reais. Parece uma coisa terrível mas, na ausência de um milagre na produtividade, não há outra solução.”
Na minha opinião é uma medida terrível e discordo que seja a única solução.
Por coincidência na semana seguinte à publicação deste artigo vi uma entrevista na SIC ao Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, a referir que Portugal não deve apostar na diminuição dos salários, mas sim na qualidade, na inovação e na investigação, por exemplo. Opinião esta que concordo e que me permite reforçar com mais convicção a opinião que já tinha em relação a este artigo.
Na minha opinião, a nossa produtividade encontra-se em níveis muito baixos principalmente devido ao pessimismo que se instalou no nosso país. O que os portugueses precisam é de um incentivo forte e um sinal por parte do Governo de que os esforços que têm feito nos últimos anos estão a permitir a retoma da nossa economia. Se o Governo adoptasse esta medida, de reduzir 20% os salários nominais, acredito que os portugueses entravam em “depressão” e o nosso país em “recessão”!
É certo que há outros países com mão-de-obra mais barata e talvez mais qualificada, mas não é menos verdade que temos pessoas com espírito empreendedor, com capacidade para inovar e serem competitivos mas precisam de mais apoio, principalmente do Estado. A nossa aposta entre outras coisas deve ser na inovação dos sectores que estão em crise mas que ainda possam ser rentáveis, nos sectores emergentes dando-lhes mais visibilidade e oportunidade no mercado e na qualificação/formação da mão-de-obra. Temos tudo para termos melhores condições, o Governo precisa de ser justo e coerente nas suas decisões, os portugueses têm de mudar a sua mentalidade porque já não há empregos para toda a vida e a forma de se marcar a diferença é apostar na formação pessoal e na produtividade. Mas o mais importante é o aumento da fiscalização porque se todos cumprissem com as suas obrigações seria o suficiente para Portugal sair da crise.
Um outro aspecto a ter em consideração é que Portugal faz parte da União Europeia e tem objectivos a cumprir e uma posição a defender. A cinco de Dezembro de 2006 o Governo chegou a um acordo com os sindicatos e as entidades patronais relativamente ao Salário Mínimo Nacional (SMN) do próximo ano que será de 403€, em 2009 prevê-se atingir os 450€ e em 2011 os 500€. A nossa vizinha Espanha tem actualmente um SMN de 540,80€, a Grécia de 572,50€. Dentro da Europa dos quinze somos o país com o SMN mais baixo e na Europa dos vinte e cinco somos ultrapassados pela Eslovénia e por Malta que têm um SMN superior a 500€. O SMN mais baixo na Europa dos vinte e cinco é na Letónia e não chega aos 130€. Não faz qualquer sentido a sugestão do economista Olivier Blanchard porque num país como o nosso onde em cinco milhões de pessoas, trezentas mil recebem o SMN, a diminuição do salário nominal em 20% ou até mesmo o não aumento do SMN a ter de ser usado só mesmo em último recurso (o ideal seria não ser considerada solução), pois só contribuiria para uma maior perda do poder de compra e acentuaria ainda mais as desigualdades sociais.


Carla Almeida

(doc. da série artigos de análise/opinião)

Estamos prontos para a revolução de Bolonha?

Pode dizer-se que é curta a experiência de montar e liderar um grupo de trabalho virado para a construção de análises e explicações, e, não é grande a prática de ensino com total disponibilização de tempo do professor, a todo o momento, para se encontrar com o grupo e discutir ensinando, mas também, conjuntamente descobrindo. E é isso que se impõe com o processo de Bolonha.
Isto leva-me a pensar, que a adopção do Processo de Bolonha, com todos os méritos que arrasta, sem dúvida, e acreditando na motivação geralmente apresentada para a sua generalização na União Europeia, a maior facilidade de intercomunicação e de transferência de competências entre estados membros, talvez careça de uma preparação intelectual de uma boa parte das elites universitárias e, sem dúvida alguma, uma aprendizagem dos docentes "viciados" no sistema clássico.
São muitas as questões que se levantam neste tipo de preocupação e que o nosso sistema de ensino deixa a descoberto.
Uma delas diz respeito à consagração do modelo de aulas tuteladas, onde a forma pedagógica de actuar é bastante diferente da forma clássica da aula teórica, mas também da aula prática. O professor integra-se num grupo de trabalho e com ele, liderando-o e coordenando as suas tarefas e a sua interacção, vai acompanhando o grupo, até à produção de um produto final. E tudo isso está interligado com uma nova forma de classificar o aluno, sendo a classificação permanente e baseada, muito mais do que até agora, no contacto com o aluno, observando a sua performance e a sua atitude perante a questão de descobrir respostas e soluções para os problemas que lhe vão surgindo. O papel e a responsabilidade do professor aumentam significativamente neste contexto.
Talvez mais impressionante, é a alteração exigida na mentalidade e na percepção dos alunos quanto às matérias que lhes cabe estudar. A clássica observação "o professor não deu esta matéria", observação que se exaltava não poderá ser invocada. A matéria, tal como até aqui, será objecto de um programa aprovado e publicamente conhecido. Mas não há fronteiras estritas no que toca ao âmbito de cada tema que tal programa enuncie. Poderá mesmo imaginar-se que, em muitos casos haverá uma negociação tácita sobre os limites de âmbito de cada tema. O que tal implica é que o diálogo entre professor e aluno será muito superior ao actual. O professor lança temas como desafio aos alunos, em pequenos grupos e, com eles, investigando bibliograficamente, via Internet ou em fontes de todo o tipo, procura chegar a conclusões e portanto a autênticas "pequenas teses" sobre os temas objecto do desafio.
Daqui resulta as indeclináveis perguntas. Será que os nossos professores estão preparados para este tipo ou esta nova forma de ensinar? Será que temos tudo preparado para um programa de treino e aprendizagem dos próprios professores universitários mais clássicos, para este tipo de actuação?
Esta é apenas a ponta de um icebergue que terá por baixo de si questões ainda mais preocupantes, como sejam: o que significa uma licenciatura de três anos e que relação têm com os antigos bacharelatos? Que ligação têm os mestrados previstos com as licenciaturas enunciadas? Como vai o mercado reagir no que toca à procura de licenciados e de mestres? Será que o doutoramento é, não apenas um grau e uma fase da carreira docente, mas também, visto pelo mercado, uma graduação suplementar e desejável ou mesmo pagável de um licenciado ou mestre que se pretende mais competente e portanto distinguido pela procura do mercado como tal?

Bernadette Cunha

(doc. da série artigos de análise/opinião)

terça-feira, dezembro 05, 2006

O endividamento das famílias portuguesas

Sem dúvidas que o endividamento dos portugueses tem vindo a aumentar, acompanhando uma mudança de hábitos de consumo reflectindo uma alteração de comportamentos culturais e sociais. Também face a uma campanha tão apelativa e extremamente agressiva por parte das instituições de crédito “spread 0%” (por exemplo, no caso do crédito habitação), as famílias portuguesas acabam por se sentirem muito atraídas a consumir sem ter recursos para tal.
Contudo, não podemos ver o recurso ao crédito como um aspecto negativos dado que, quando realizado com moderação ele traz benefícios aos consumidores permitindo-lhes satisfazer necessidades presentes pela antecipação e utilização de recursos futuros. Por este motivo, o que eu acho que deva preocupar os portugueses não é o endividamento em si mas o modo como estes se endividam e a susceptibilidade de este endividamento se transformar em endividamento excessivo.
Sobre este ponto a realidade portuguesa exige que façamos uma reflexão e distingamos os casos de endividamento excessivo provocado por uma quebra do rendimento do consumidor (que pode ocorrer pela alteração da sua circunstância de vida), e o endividamento excessivo que acontece pela mera negligência do consumidor.
Esta situação muitas vezes está em virtude da utilização dos cartões de crédito, pois, grande parte dos consumidores não têm apenas dois empréstimos, o do carro e o da habitação, mas seis ou sete em simultâneo.
Para concluir é de referir que dados da Comissão Europeia revelam mesmo que a divida das famílias portuguesas poderá representar 70 ou 80 por cento do PIB, sendo realmente um valor altíssimo para o nível de rendimento das famílias portuguesas.

Raquel Oliveira

(doc. da série artigos de análise/opinião)

Saúde Pública vs Saúde Privada

Actualmente o sector da saúde em Portugal está a convergir para uma vertente cada vez mais privada, com 30% da população coberta por seguros de saúde, o que faz oscilar a acreditação no Sistema Nacional de Saúde (SNS) e leva também a investimentos de grandes grupos neste sector.
Esta reviravolta no sector da saúde leva a um sistema em que não interessa quem presta o serviço, se o privado ou o público, mas sim quem garante qualidade a baixo preço, devendo este novo sistema assentar na liberdade de escolha por parte dos utentes.
Este novo modelo promove assim a concorrência entre prestadores de cuidados de saúde, mas, ao mesmo tempo garante que quem tem maior possibilidade de pagar mais pelos cuidados saúde possa recorrer ao privado, dado que espera menos tempo e deste modo não efectua essa despesa no público, que fica assim mais aliviado para tratar melhor os que lá vão e que efectivamente não podem recorrer ao privado. Esta ideia é sustentada pelo ministro da saúde Correia de Campos. “O aparecimento de unidades privadas não vai prejudicar o sector público. Se as novas instituições, com excelente qualidade física vierem a atrair pessoas do sector público em regime completo, fico encantado da vida. Queremos que o privado seja um sector de qualidade, autónomo, com vida própria.”
Tendo por base a afirmação do ministro o surgimento de novas instituições fornecedoras de cuidados de saúde com “excelente qualidade física”, provenientes de investimentos de grupos como é o caso do Espírito Santo Saúde, geram um melhoramento no sector da saúde dado que visam a eficiência máxima, sustentada pela contratação de excelentes profissionais de saúde conjugada com sistemas de alta tecnologia. É o caso da nova unidade de saúde de Lisboa denominada Hospital da Luz com abertura prevista para 2007, que garante o uso de alta tecnologia na interacção médico-paciente como é o caso do desaparecimento do papel, sendo este substituído
pelo formato digital (as radiografias serão entregues em cd), os clínicos irão dispor de PDA’s que emitirão avisos sonoros se o doente não receber a medicação à hora marcada, e os doentes poderão dispor de um cockpit com televisão e Internet que permite encomendar o jornal ou escolher o jantar.
Poderá desta forma haver cooperação entre estes dois sectores, público e privado?
Do meu ponto de vista a cooperação é desejável mas não fácil de atingir.
A cooperação poderia traduzir um melhoramento do sistema com vista à melhor satisfação do utente, servindo o sistema privado como bloqueador das lacunas do SNS, actuando deste modo nos campos em que este apresenta limitações.
Este objectivo poderá ser conseguido devido à mudança que o sector privado tem registado, anteriormente a saúde privada apenas se baseava em tratamentos rápidos e baratos, mas actualmente também se direcciona para os mais “desejados” como os tratamentos de doenças oncológicas.

Sara Vilaça

(doc. da série artigos de análise/opinião)

sábado, dezembro 02, 2006

O sistema nacional de saúde

O sistema nacional de saúde é constituído pelo sector privado e pelo público, o denominado Serviço Nacional de Saúde. O sector da saúde é muito sensível, mas é interessante pela dificuldade subjacente ao seu trabalho. Existem muitas coisas boas na saúde, mas as negativas são mais fortes, e desta forma, é preciso trabalha-las.
Existe muita informação disponível neste âmbito, muitos estudos e muitas divergências, mas o grande problema é que pouso se tem feito, nos últimos tempos no caminho da mudança.
É necessário, um sentir dos órgãos de decisão, de que a saúde é muito mais que consultas médicas e tratamentos: é um investir na área da educação para a saúde, na aquisição de hábitos de vida saudáveis, etc. Os decisores de políticas de saúde estão muito pouco formados e não estão integrados dentro das necessidades do próprio sistema, não monetariamente mas de eficácia.
Desta forma, é urgente mudar mentalidades, mudar formas de estar, é preciso que se continuem a fazer estudos concretos e se apliquem, impossível, se continuar a haver administrações que variem por cada vez que mude o partido político, e não sejam meras estatísticas.

Clara Rosa

(resumo de relatório a apresentar na aula de 2ª feira, 06/12/04)

Destaques noticiosos do fim-de-semana

BCE sobe os juros para máximo de cinco anos na quinta-feira [http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?SqlPage=Content_Economia&CpContentId=286772] (02-12-06, in Jornal de Negócios)
«Na última reunião antes do Natal, o Banco Central Europeu não tem a “prenda” mais indicada para dar aos europeus. É que o mercado dá como certa uma nova subida de 25 pontos base nas taxas de juro da Zona Euro, um movimento que colocará o preço do dinheiro no nível mais elevado desde Novembro de 2001.»
/...
Euro atinge máximo desde Março de 2005 com abrandamento nos EUA [http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?SqlPage=Content_Mercados&CpContentId=286773] (01-12-06, in Jornal de Negócios)
«O euro atingiu hoje um novo máximo face ao dólar, acima dos 1,33 dólares, depois de ter sido revelado mais um indicador económico que confirma o abrandamento na maior economia do mundo.»

quinta-feira, novembro 30, 2006

IDE em Portugal

Portugal está mais atractivo ao investimento directo estrangeiro (IDE) segundo o relatório da Ernst & Young, intitulado “Portugal: Cause for optimism”.
Apesar de no período de 2004 e 2005 ter-se registado uma significativa queda de 22% no número de projectos de investimentos estrangeiros, ainda existem motivos para nos mantermos optimistas.
A economia portuguesa tornou-se mais atractiva para investimentos de capital internacional, em 2005, comparativamente ao período homólogo.
Esta melhoria de percepção dos investidores internacionais reflecte a evolução positiva de todos os critérios considerados pontos fortes da economia, de onde se incluem o facto de Portugal ser um país da zona euro, o ambiente social ser estável, existir uma boa qualidade de vida e fortes capacidades linguísticas da força laboral portuguesa, o custo de mão-de-obra ser acessível e haver um o potencial aumento de produtividade. Mas como nada é perfeito, existem também factores negativos que tendem a “afugentar” os investidores estrangeiros. O facto da nossa Administração Pública ainda continuar a ser ineficiente, o elevado nível de tributação sobre as empresas (IVA a 21%), a demasiada burocracia para abrir um negócio, a complexidade da legislação fiscal, são elementos que continuam a prejudicar a imagem de Portugal no estrangeiro e têm fortes impactos negativos no IDE deixando o nosso país muito aquém de outros países da união europeia como a Espanha, Alemanha, França. Outro factor que menos atrai os investimentos de empresários estrangeiros é a ausência de Investigação & Desenvolvimento, especialmente em relação a quadros com estas qualificações. A economia portuguesa poderia ser mais atractiva se o nosso governo remediasse estes pontos negativos e oferecesse mais incentivos económicos às empresas estrangeiras para que estas se localizassem no nosso território, criando assim mais postos de trabalho.
É sabido que é no sector automóvel que os investidores estrangeiros mais investem, mas este sector está com problemas graves, vejamos os casos da Opel da Azambuja e da Jonhson Controls, duas multinacionais que encerram as suas portas em Portugal entre este ano e o próximo, lançando milhares de pessoas para o desemprego, aumentando desta forma os índices de desemprego português e piorando ainda mais a frágil situação da segurança social. Por isso, seria talvez melhor virar-se para o sector dos serviços (sector terciário), sector esse que tem vindo a tornar-se cada vez mais relevante na economia europeia.
Aumentar o IDE é uma tarefa a ser executada a médio prazo, mas as medidas que o Governo tem tomado levam os investidores a concluir que Portugal está no bom caminho. Podendo já antever um sinal de retoma da economia portuguesa.

Patrícia Silva

(doc. da série artigos de análise/opinião)

terça-feira, novembro 28, 2006

A urgência de internacionalizar

Não restam dúvidas que a estrutura económica, o tecido empresarial, a localização periférica e a qualidade dos recursos humanos conferem à economia portuguesa uma situação de fragilidade que limitam a competitividade e a inserção internacional comparativamente ao padrão europeu e ao resto do mundo.
A estagnação e mesmo o retrocesso económico que se está a verificar em Portugal, determinado pela perda crescente de competitividade da economia portuguesa, faz com que esta esteja a perder quota de mercado quer no estrangeiro quer dento do próprio país.
Ora, perante isto, as empresas portuguesas devem encontrar a forma de posicionamento estratégico mais adequado face à natureza das suas vantagens competitivas, à sua dimensão e à sua cultura organizacional no sentido de enverter estes resultados.
A situação em que o país se encontra, exige um crescimento económico mais acelerado e o mais qualificado possível, o que significa investimento, inovação e internacionalização.
A realidade é que ainda se regista, no nosso país, passividade e inexperiência por parte das empresas nacionais e, opções tímidas de internacionalização, o que torna necessário uma dinâmica de empreendedorismo e de criação de empresas, sobretudo as de base tecnológica, capaz de rejuvenescer a estrutura empresarial e qualificar o crescimento da economia.

O processo de internacionalização das empresas refere-se à forma como estas se organizam internamente ou com outras empresas para acederem a mercados externos. Iniciando-se normalmente pela via das exportações, as empresas acabam por avançar para fases mais avançadas em que trabalham com locais, licenciam tecnologia ou avançam para investimentos directos no exterior, sozinhas ou através de alianças estratégicas.

Tal como o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, afirmou “é dramaticamente urgente que as empresas portuguesas comprendam que só com o mercado nacional não vão lá”, e que por isso é fundamental internacionalizar.
Em acréscimo, o Presitente da República, Cavaco Silva, à chegada ao Conselho para a Globalização, (uma iniciativa que reúne alguns dos maiores empresários portugueses e mundiais) afirmou que "Portugal enfrenta um grande desafio, que é o da competitividade à escala global. É preciso que as empresas portuguesas se habituem a este novo quadro procurando novos mercados, produzindo com maior componente tecnológica, procurando mercados mais dinâmicos", e alertou ainda para a urgência de empresários, políticos, sindicatos, investidores e "sociedade em geral" começarem a "pensar global e agir global" para Portugal não "ficar para trás" num mundo globalizado.

De facto, Portugal é um país pequeno e por isso só com a internacionalização é que tem verdadeiro futuro.
As principais motivações, ou razões, para internacionalizar, estão relacionadas com a procura de novos mercados; o acesso a factores de produção mais baratos; o aumento das economias de escala; a busca de conhecimentos/aprendizagem; e a busca de um posicionamento mais competitivo; assim como outras vantagens resultantes do facto de operar em vários mercados.

Torna-se, então, importante criar condições que facilitem e apoiem empreendedores e empresários que sigam objectivos estratégicos de transformar conhecimento em ideias de negócio, de criar, de crescer, de inovar, de internacionalizar e de criar empregos.
Deste modo, minimizar as dificuldades com que se defrontam as empresas portuguesas, principalmente as PME´s, perante os desafios da competitividade num mundo cada vez mais gobal, ao mesmo tempo que cria um ambiente estimulante ao empreendedorismo e à eficiência empresarial, deve assumir um papel de prioridade para política económica.

Maria João Veloso
(doc. da série artigos de análise/opinião)

O MERCADO DE TRABALHO É UM DOS MAIORES PROBLEMAS DA ECONOMIA PORTUGUESA

Portugal apresenta algumas divergências económicas em relação à União Europeia, que resultam essencialmente do mercado de trabalho. Segundo o relatório anual da Comissão Europeia, “The EU Economy 2006 Review”, Portugal é o país com os salários mais rígidos, ou seja, os salários apresentam pouca sensibilidade relativamente às oscilações do ciclo económico, e assim não permitem o ajustamento em momentos de crise.
Um dos principais problemas da economia portuguesa é o facto do crescimento dos salários ser superior ao crescimento da produtividade, comparando com os restantes países da União Europeia. Desta forma, os custos de produção dos produtos portugueses tornam-se mais elevados, o que se irá reflectir nos preços das exportações, e portanto, a economia portuguesa perde competitividade relativamente aos seus parceiros económicos europeus os quais absorvem grande parte das nossas exportações. Este cenário tem como consequência o desemprego e por vezes a falência de várias empresas. Em períodos de recessão a procura doméstica diminui e a solução é escoar os nossos produtos através do mercado externo, no entanto, as empresas portuguesas não são suficientemente competitivas para alcançar poder de mercado, e assim a situação da economia portuguesa deteriora-se ainda mais. Segundo o economista francês Olivier Blanchard, “os salários nominais deveriam cair 20% em Portugal para a economia re
cuperar rapidamente”. No entanto, nenhum agente económico aceitaria serenamente a diminuição dos salários nominais, já que isto significaria uma diminuição do poder de compra. Por outro lado, o crescimento dos salários verificado em Portugal provoca o aumento da inflação, diminuindo ainda mais o nosso poder de compra e, consequentemente, a procura doméstica.
Na minha opinião, a solução para a economia portuguesa será por em prática politicas que visem o aumento da produtividade, pois só assim se poderá tornar mais competitiva. Já o crescimento dos salários deverá ser proporcional ao crescimento da produtividade, dado que só um aumento da produtividade poderá suportar salários mais elevados.


MARISA SILVA
(doc. da série artigos de análise/opinião)

Eficiência e eficácia

A eficiência e a eficácia são dois conceitos sobre os quais todos temos uma pequena noção, no entanto, talvez não nos tenhamos apercebido da relevância destes nas acções dos agentes económicos: famílias, empresas e o estado.
Enquanto a eficiência diz respeito a “fazer certa a coisa”, tem, portanto a ver com os imputs e outputs que sendo bens escassos é preciso utilizar da melhor maneira. Eu serei eficiente se conseguir aumentar a produção sem aumentar os imputs e, do mesmo modo, se mantiver o output diminuindo o imput.
Por seu lado, a eficácia refere-se “fazer a coisa certa”, tem portanto a ver com os objectivos da organização, os fins a que se propõe. Estes dois conceitos estão interrelacionados, no entanto, podemos ser eficazes sem ser eficientes, já que para atingir um fim podemos recorrer a meios mais ou menos eficientes. Note-se que é mais fácil ser eficaz se não nos preocuparmos com os meios, isto é, com a gestão eficiente dos recursos. Por exemplo, sendo o objectivo da organização a maximização do lucro este fim pode ser atingido tendo em conta a minimização da poluição ou não.
Deste modo, será que podemos dizer que “os fins justificam os meios”? Isso depende do significado que atribuímos à expressão. Se é verdade que para atingir os objectivos da organização, sejam eles da maximização do lucro ou do bem-estar do consumidor, são imprescindíveis os meios; não é menos verdade que podemos aumentar os lucros sem descorar de dois conceitos que são relevantes no ambiente económico actual e que estão sempre em construção: a RESPONSABILIDADE SOCIAL e a SUSTENTABILIDADE.
Ora porquê falar dos conceitos de eficácia e eficiência no contexto da economia portuguesa? Será que as empresas portuguesas não continuam a estar orientadas para o objectivo tradicional da maximização do lucro esquecendo que hoje em dia terão também de ter um compromisso de responsabilidade social e sustentabilidade? Na minha opinião muito há a fazer neste sentido e é trivial que quer o governo quer o sector particular sigam a eficácia e a eficiência como metodologia de acção.

Fátima Couto

(doc. da série artigos de análise/opinião)

Reforma do Estado

Os cortes na função pública quer em termos de despesas quer em termos de efectivos irão se dar principalmente nos sectores da educação e da saúde, dado o peso excessivo destes sectores. Dar-se-á nomeadamente no pessoal administrativo e nos auxiliares de acção médica e educação, devido a sua grande dimensão e baixa qualificação.
Os administrativos e os auxiliares somam 24,5% do total de funcionários do Estado. Os auxiliares representam 15,8% do volume de efectivos, sendo que estão praticamente todos (80%) concentrados na Educação, Ensino Superior e Saúde.
O relatório que servirá de base à anunciada reforma da Administração Pública, intitulado "Vínculos, carreiras e remunerações na administração pública" altera as regras que definem o emprego publico e sugere uma aproximação, em todos os domínios, ao modelo de emprego privado e ao contrato individual "como forma de vínculo típico". Os responsáveis por este relatório são contra os aumentos salariais automáticos – "que tornam o emprego público pouco atractivo para quem gosta de desafios e de mudanças" – e a favor da "introdução de critérios de avaliação de desempenho na determinação das remunerações" e das "promoções". E também são contra o actual regime devido ao aparecimento de distorções salariais graves, sem qualquer fundamento técnico.
Outras das recomendações que estão neste relatório é relativamente ao recrutamento pois actualmente depende excessivamente das habilitações académicas e do saber retórico, que não vão em conta às necessidades específicas do serviço sendo uma das medidas avançadas no documento para fazer face às deficiências nas contratações é "a possibilidade de atribuir as operações de recrutamento a entidades especializadas".
Será ideal a função pública se aproximar à da privada?
O relatório sugere, contudo, que se bloqueie "eficazmente" o crescimento do número de funcionários, de forma a conter-se o aumento das despesas com pessoal verificado nos últimos dez anos, face à média da União Europeia.

Damiana Santos

(doc. da série artigos de análise/opinião)

segunda-feira, novembro 27, 2006

Miopia Económica

As decisões de investimento das empresas estrangeiras em Portugal, são anunciadas com especial destaque por parte de todos os órgãos de comunicação social e do governo.
Invariavelmente, o montante do investimento, o horizonte temporal da sua concretização, a localização, o número de postos de trabalho a criar directa e indirectamente, são indicadores usados para realçar a bondade de tais investimentos.
Os efeitos positivos são fortemente realçados, contrastando com ausência de referência aos efeitos negativos (impacto ambiental, presente e futuro que estes investimentos causarão), o que revela uma avaliação desproporcional destas decisões de investimento, que deveriam ser realizadas com base numa análise custo / benefício rigorosa.
A Ikea e a Agni Energy Sdn Bhd, são dois bons exemplos, da fragilidade e visão míope da avaliação económica baseada apenas no acréscimo de postos de trabalho e de capital.
Mais importante do que saber o montante total do investimento a efectuar, e acréscimo na oferta de emprego, importa conhecer o papel estratégico que a empresa-mãe destina a estas subsidiárias a instalar em Portugal. Esta informação, permite medir o grau de mobilidade desses investimentos e o seu efeito a médio e longo prazo na economia portuguesa.
A reduzida dimensão do nosso mercado conjugada com a preocupação em evidenciar o volume de produção destinado aos mercados esternos, permite antecipar que estas subsidiárias não serrão replicas em miniatura da empresa-mãe desenvolvendo todas as actividades de valor acrescentado, mas á escala adequada do nosso mercado, nem realizem á escala local um número reduzido de actividades.
È inegável, que a orientação exportadora potencia ganhos económicos para Portugal, permitindo o crescimento do seu PIB, a médio e longo prazo. Contudo, também implica um maior grau de mobilidade destes investimentos. A motivação para a realização destes investimentos, está nas vantagens comparativas que Portugal oferece, em termos de custos de produção e de distribuição, no entanto á medida que estas forem diminuindo, estas empresas estrangeiras equacionarão a deslocalização das suas unidades produtivas. Face a este problema, só resta uma alternativa, atrair investimentos de empresas estrangeiras de tecnologias de ponta, inovadoras e competitivas, em detrimento de investimentos por parte de empresas estrangeiras especializadas em actividades que utilizam intensivamente trabalhadores indiferenciados, que a qualquer momento podem vir a deslocalizar a sua actividade produtiva para mercados com mão de obra mais barata.
Nos dois exemplos citados anteriormente, ambos os investimentos tem em comum funcionarem com plataformas de exportação para o mercado europeu, mas diferem no número de postos a criar, no tipo de relações que estabelece com os restantes agentes e no grau de diversificação. Apesar do montante do investimento e do número de postos de trabalho a criar ser superior no caso do Ikea, este terá um impacto a médio e longo prazo inferior ao do investimento a efectuar pela Agni.
No caso da Agni, serão estabelecidas parcerias entre a empresa e as universidades, para o recrutamento e desenvolvimento de novas soluções, e a sua empregabilidade será constituída por trabalhadores altamente qualificados. A empesa pretende tornar-se um centro de excelência em investigação e desenvolvimento e não é muito provável a sua deslocalização no futuro, já que esta subsidiária da Agni, será vital para o bom desempenho da empresa-mãe. Esta forte ligação entre a empresa-mãe e a sua subsidiária instalada em Portugal, tenderá a reforçar o papel estratégico do investimento em Portugal, e reduzir a probabilidade de deslocalização e conduzir a ganhos económicos superiores aos inicialmente quantificados.

Susana Vilas Boas

(doc. da série artigos de análise/opinião)

Portugal atrás da Estónia e Malta em 2008

A economia portuguesa tem vindo, ao longo dos últimos anos, a apresentar taxas de crescimento económico que contribuem para um cenário de divergência relativamente à União Europeia, assistindo-se a uma perda de posições de Portugal relativamente ao rendimento per capita para países como a R. Checa, Eslovénia, Grécia e futuramente para a Estónia e Malta.
A taxa de crescimento do PIB da economia portuguesa para o ano de 2006, segundo o Boletim Económico de Outono do Banco de Portugal, será de 1,2%, enquanto que a taxa de crescimento do mesmo indicador para Malta e Estónia será de 2% e 10% respectivamente para o mesmo ano. Com isto, segundo o Jornal Expresso do dia 18 de Novembro de 2006, prevê-se que Malta e Estónia venham a ultrapassar Portugal no ano de 2008, levando a que Portugal se encontre cada vez mais perto da "cauda" da União Europeia.
Segundo ainda o mesmo jornal, "Portugal terá no final deste ano uma riqueza média por habitante em paridade de poderes de compra que representa 64,8% da média dos Quinze da União antes do último alargamento. Isto pressupondo já o crescimento de 1,2% que Bruxelas prevê para este ano. A Eslovénia e a República Checa, mais a frente, apresentam já níveis de 76,8% e 70,5%, respectivamente. Quase a apanhar Portugal estão a Estónia com 58,6% e Malta com 64,4%. Uma distância que será rapidamente percorrida com as maiores taxas de crescimento destes dois países."
Assim, e tendo em conta o futuro alargamento em 2007 (entrada da Bulgária e da Roménia para a União Europeia), Portugal deverá tomar medidas políticas, económicas e sociais no sentido de dinamizar a sua economia de forma a garantir a competitividade a fim de evitar que Portugal se fixe irremediavelmente na "cauda" da União Europeia.

Rui Fernandes

(doc. da série artigos de análise/opinião)

sábado, novembro 25, 2006

O Turismo em Portugal, sector emergente

No caso Português, se calhar estamos a aproveitar pouco as capacidades de que dispomos nesta área, mas sempre se nota um aumento do usufruto das suas potencialidades, prevê-se que as receitas do turismo deverão crescer entre cinco e oito por cento em 2007 face a 2006, com base nos destinos já consolidados e em áreas emergentes como o Porto e região Norte, segundo o Instituto de Turismo de Portugal (ITP), sendo de realçar que este ano as receitas turísticas deverão ultrapassar sete mil milhões de euros, mais 8,2 por cento do que em 2005, enquanto as despesas rondarão os 3 mil milhões, saldo bastante positivo.
Segundo o especialista belga Norbert Vanhove, o Algarve não é suficientemente diferenciado, embora o possa vir a ser, acrescenta que esta região não pode ser uma cópia do Sul de Espanha. Uma das grandes lacunas que este especialista belga enuncia, no caso Português, para poder haver competitividade é a carência no domínio de outras línguas. Norbert Vanhove enuncia dez factores de competitividade (Jornal de Negócios – 22/11/2006) dos quais apenas concordo com quatro, são eles a inovação, o planeamento estratégico, qualidade e acessibilidades e atracções, aos quais acrescentava a diferenciação.
Qualquer que seja a área geográfica envolvida (local, regional ou nacional), os destinos turísticos devem desempenhar um papel activo na melhoria da sua posição de mercado e aumentar os retornos directos como a criação de emprego e indirectos, melhorar a imagem ou qualidade de vida do turismo.
Quase dez anos após a inauguração das primeiras rotas, as companhias aéreas de baixo custo estão a ter um grande impacto no sector do turismo. Em particular, complementam a oferta de transporte das companhias aéreas tradicionais em aeroportos regionais e secundários. Permitem muitas vezes uma extensão da época turística (viagens fora de época), criando novos mercados, em especial a meio da semana.
Segundo Luís Patrão, muito importante "para melhorar as condições de competitividade dos destinos turísticos", o negócio destas companhias aéreas tem sido, na sua opinião, "muito bem desenvolvido". "No Algarve, mais de 50 por cento dos passageiros já chegam em companhias 'low cost', enquanto no Porto e em Lisboa este número mais do que está a duplicar anualmente", salientou.
No conjunto, o turismo e a cultura podem funcionar como catalizadores de desenvolvimento económico, melhorar a atractividade de uma região e a sua competitividade. A cultura, e mais genericamente a economia da criatividade, festivais, eventos, entre outros, imprimem autenticidade e dinamismo a uma região. O turismo, se bem gerido, proporciona efeitos inevitáveis positivos no desenvolvimento cultural.
Daí que aumentar a competitividade dos destinos turísticos é um desafio permanente que envolve todos os agentes públicos e privados do sector do turismo. Os serviços turísticos são, em grande medida, dominados por pequenas e médias empresas (aquelas que organizam o transporte, a estadia, o alojamento) que desempenham um papel crucial no desenvolvimento e competitividade dos destinos turísticos.
Desenvolver estratégias que fomentem o potencial de crescimento e a qualidade do destino turístico e melhorem a sua competitividade a nível internacional é um desafio real, embora seja incerto o retorno dos investimentos.
O reposicionamento do destino turístico a nível internacional depende de uma alquimia complexa que envolve, o desenvolvimento de marcas comerciais a nível internacional, uma maior concentração nas actividades de base e segmentos mais rentáveis, diferenciando o destino turístico dos seus concorrentes em termos de clientes ou produtos e procurando maior flexibilidade.
Para ser competitivo, o turismo requer uma mistura complexa de factores, requer um sector empresarial dinâmico e moderno, em conjunto com o envolvimento efectivo do sector público. Este, tem como principal área de intervenção no turismo proporcionar uma concorrência justa e transmitir transparência máxima a operadores e consumidores, bem como ajudar os destinos a avaliar os seus desempenhos com vista a uma gestão eficaz.
É desejável reforçar a coesão e as ligações entre todas as políticas que influenciem o desenvolvimento do turismo. Do mesmo modo, uma cooperação estreita entre o sector público e privado, talvez, através de parcerias público/privado dinâmicas é a base da adopção de boas estratégias para melhorar a atractividade e a competitividade dos destinos turísticos, pois desempenham um papel fundamental.

Clara Rosa

(doc. da série artigos de análise/opinião)

Destaques noticiosos do fim-de-semana

Comissão Europeia acredita que Portugal vai ultrapassar problemas orçamentais [http://www.publico.clix.pt/Economia/noticia.asp?id=1277426] (22-11-2006, in Público)
«O comissário europeu responsável pelos Assuntos Económicos, Joaquín Almunia, manifestou hoje a sua convicção de que Portugal "vai ultrapassar os problemas orçamentais" e adaptar-se ao funcionamento da zona euro.»
/...
Euro supera os 1,31 dólares e fixa máximo de mais de um ano e meio [http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?CpContentId=286393] (24-11-06, in Jornal de Negócios)
«A moeda europeia mantinha a tendência de ganhos, tendo já negociado acima dos 1,31 dólares, fixando um novo máximo de mais de um ano e meio.»

sexta-feira, novembro 24, 2006

Portugal foi um dos países da zona euro que menos cresceu economicamente desde a adopção da moeda única

Uma das conclusões que se pode retirar do relatório anual sobre a economia europeia é de que Portugal foi um dos países da zona euro que perderam mais velocidade em termos de crescimento económico desde a adopção da moeda única.
Relativamente á evolução das taxas de crescimento, comparando as médias observadas no período anterior à introdução do euro (1992-98) e as registadas nos anos seguintes (1995-2005), chega-se à conclusão que a economia portuguesa desacelerou de uma taxa de crescimento em torno dos 2,4% para apenas 1,6%. Por detrás deste fenómeno está uma fortíssima quebra no investimento que depois de ter crescido 5,7% na década de 90, retraiu-se 0,7% nos anos subsequentes à introdução do euro. No entanto, é também de realçar o facto da taxa de desemprego ter recuado de 6,2% para 5,4%. Os salários reais passaram a crescer de uma forma consideravelmente mais comedida após a entrada no euro (7,5% que compara com 4,3%). Já no que respeita à inflação a adesão ao euro teve um impacto claramente positivo em Portugal: se em 1992 e 1999 o crescimento médio dos preços andou acima dos 4% entre 1999 e 2005 este baixou para valores inferiores a 3%.

O comissário joaquín Almunia (responsável pelos assuntos económicos) acredita que “com As reformas que estão a ser aplicadas pelo actual governo e com o processo de ajustamento orçamental que está a ser seguido, Portugal pode ultrapassar os problemas que herdou do passado”.

De acordo com dados divulgados pelo INE (24/11/06) a “economia dá sinais de melhoria no 3º trimestre”.
Será que podemos mesmo acreditar numa possível retoma da economia portuguesa?


Fátima Filipa Teixeira Couto

(doc. da série artigos de análise/opinião)

quinta-feira, novembro 23, 2006

Da Formação Económica à Vida Económica

Num desafio de enumeração dos maiores problemas da Economia portuguesa, dava-me conta de começar a listagem pela educação e formação em geral (e respectivos défices), pela administração da justiça e pela justiça social (e respectivos défices), pelo centralismo da administração e pelo desapreço dos valores humanos, culturais e éticos, valores do Desenvolvimento. Claro que me dei também conta de que há problemas de crescimento económico, de desemprego, de produtividade, de competitividade, para citar só alguns.
O crescimento deveria ser enquadrado como objectivo para atingir o Desenvolvimento. O primeiro só faz sentido como instrumento do segundo e nunca deveria ser erigido como objectivo último. O Desenvolvimento tem determinantes económicos, como por exemplo, os recursos para disponibilizar bens e serviços destinados a satisfazer as necessidades básicas da população; mas tem também determinantes não económicos fundamentais como a liberdade e justiça social.
Quanto à produtividade, e, através dela a competitividade, depende da formação, da inserção adequada das tecnologias e do seu domínio, da inovação, do empreendorismo, da administração da justiça, da justiça social, do centralismo, da organização produtiva. Os principais responsáveis da baixa produtividade não são só os trabalhadores em geral ou os trabalhadores indiferenciados, como por vezes parecem fazer querer; são também e principalmente os quadros superiores, os administradores, os economistas, esses sim, responsáveis pela organização da produção e pela procura das “combinações óptimas” dos factores; porque são eles que devem decidir sobre a formação necessária, sobre as tecnologias mais adequadas a convocar, sobre as inovações a inserir, sobre a coesão social a criar, sobre a organização da produção,...
A Economia é pois, e apenas, uma ciência social, que para ser ciência útil deve assumir-se com humildade como ciência instrumental; isto é, como ciência ao serviço do Desenvolvimento.
Quanto à formação em Economia com vista à profissionalização, de que entendo dever destacar como preocupação maior a sólida formação teórica com base comum para a economia e a gestão, com exigências mútuas fundamentais: o economista da “Economia Política” não pode ignorar o essencial do funcionamento da célula fundamental da vida económica que é a empresa; do mesmo modo como o economista da “Economia e Gestão Empresariais” não pode deixar de possuir os conhecimentos essenciais da macroeconomia. A par vem a necessidade de sólida formação instrumental, ao nível designadamente dos métodos quantitativos próprios da Economia e dos métodos matemáticos em geral. Mas não se sobrevalorize a formação instrumental face à formação teórica sólida e à capacidade de enquadramento no “social”; aquilo que se designa por “cultura do Economista” impõe que se vá além do carácter instrumental, a diferenciar assim o Economista do Revisor Oficial de Contas e do Técnico Oficial de Contas, por exemplo.
Quanto ao comportamento deontológico e ético, ele tem de ser cada vez mais assegurado perante a sociedade. Essas garantias e as garantias de formação e de actualização de conhecimentos são certamente as razões mais determinantes da tendência crescente dos empregadores.
Estamos nós, futuros economistas, prontos para superar os desafios da actual economia portuguesa?
Existem várias possibilidades de respostas, mas pelo menos devíamos estar preparados para uma sociedade em mutação, com carências a diversos níveis e que busca a internacionalização e competitividade. Devíamos estar conscienciosos na busca de conhecimento teórico e prático…
Devemos inovar e competir!

Bernadette Cunha

(doc. da série artigos de análise/opinião)

quarta-feira, novembro 22, 2006

Será que o aumento do salário mínimo nacional é mesmo insustentável para a economia portuguesa?

O governo está a negociar um aumento do salário mínimo nacional para 400€. Actualmente o salário mínimo nacional situa-se em 385,90€. Deste modo para se alcançar o valor pretendido pelo governo seria necessário um aumento de 14,10€. O aumento do salário mínimo nacional de forma a manter o poder de compra, ou seja equivalente à inflação seria 8,10€ (uma vez que a inflação prevista é 2,1%). Será que um aumento de salário real no valor de 6€ é mesmo insustentável para as microempresas e as PME`s? Será que as empresas que argumentam estar a laborar na margem mínima não poderão aumentar a sua produtividade ou expandir os seus negócios através de uma atitude proactiva e empreendedora para aumentarem os salários mínimos de modo a recuperar 6€ mensais do poder de compra?

Lara Pinto

(doc. da série artigos de análise/opinião)

segunda-feira, novembro 20, 2006

Energia nuclear em Portugal…

A energia nuclear é motivo de receio por diversas razões: foi desenvolvida no contexto de uma guerra mundial, houve o acidente de Chernobyl, etc.
Mas Portugal não tem recursos energéticos e precisa de energia para se desenvolver sem aumentar a emissão para a atmosfera de dióxido de carbono.
Como todos nós sabemos, em termos económicos, o desenvolvimento esta intimamente ligado ao consumo de energia, uma vez que o uso de energia permite movimentar factores de produção e explorar recursos, multiplicando assim várias vezes a riqueza das nações.
Como se exige que o desenvolvimento económico continue, é inevitável que haja um contínuo aumento do consumo de energia.
Apesar de ultimamente ter havido um aumento significativo do preço da energia e pouco crescimento económico, o consumo de energia tem mesmo assim aumentado.
O paradigma energético actual, que se baseia nos combustíveis fósseis, é impossível de manter para o futuro.
Há então a opção da implementação da solução nuclear. A energia nuclear tem vantagens custo sobre todas as tecnologias utilizadas na produção de energia eléctrica sem emissão de gases para a atmosfera.
Como sabemos, a electricidade é muito cara. Apesar de tão cara a electricidade em Portugal é muito utilizada.
Numa análise mais económica, é normal ouvirmos dizer que Portugal é demasiado pequeno para ter uma central nuclear. No entanto, se tivermos em conta por exemplo a Suiça, que ao nível do território é menor que Portugal e possui 5 reactores nucleares.
Existe então consumo eléctrico que viabilize a construção em Portugal de uma central com vários reactores?
O concentrar dos reactores num só local implica custos de transporte da energia. No entanto tem muitas vantagens como seja a criação de postos de trabalho permanentes numa zona deprimida e menores custos de segurança e de gestão de resíduos. Além disso, poderia ser associado um cluster industrial de energia eléctrica intensiva.
Poderia, por exemplo, a central nuclear estar localizada no Alentejo por ser pouco povoado, deprimida e próximo duma zona de grande consumo energético (Lisboa e Vale do Tejo).
Assim, a longo prazo, a energia eléctrica produzida numa central nuclear poderia substituir outras fontes de energia que têm um impacto ambiental muito negativo, e a sua construção poderia também ser um factor de desenvolvimento de uma região onde fosse localizada. Este desenvolvimento resultaria directamente dos postos de trabalho criados na construção e funcionamento da central. Em termos indirectos, tornaria a região muito competitiva para a instalação de indústrias intensivas em energia.
Por outro lado, os transportes movidos a electricidade, como os comboios e metropolitanos, tornar-se-iam mais competitivos relativamente aos veículos movidos de combustíveis líquidos.
Em termos globais, para Portugal, a construção de uma central nuclear, e a consequente produção de energia eléctrica a custos mais baixos aumentaria a competitividade da economia, gerando indirectamente riqueza. Neste momento é necessário tomar decisão sobre o uso em Portugal da energia nuclear eléctrica. Esta necessidade prende-se com o aumento exponencial dos preços da energia baseada em combustíveis fosseis, a consciencialização de que o dióxido de carbono pode causar alterações climáticas de consequências imprevisíveis e as denominadas “fontes alternativas amigas do ambiente” implicarem um custo de produção muito elevado.
A opção nuclear, como qualquer opção, tem pontos positivos e pontos negativos, e cabe portanto a nós cidadãos ponderar e de forma racional, tomar uma decisão.

Luís Machado

(doc. da série artigos de análise/opinião)

Território e Internacionalização Empresarial na Fileira Têxtil

"A comunicação procura investigar em que medida o território no qual a empresa está imbricada funciona como alavanca ou travão do seu processo de internacionalização. Assim, na recensão das principais teorias explicativas do envolvimento internacional da empresa, procurar-se-á identificar o papel reservado ao espaço. Nesta digressão, num primeiro momento, dá-se relevo às etapas do processo de internacionalização da empresa. Segue-se a análise das teorias que ignoram o espaço e que centram a sua explicação nas diferenças de taxa de juro entre os países, na dotação factorial, nas imperfeições do mercado e nas vantagens da empresa. Num terceiro momento, equaciona-se o papel dos distritos industriais e dos meios inovadores como alavancas para o processo de internacionalização das organizações. A finalizar, procura-se ilustrar o papel do território no processo de internacionalização da empresa, apresentando-se algumas experiências de empresas portuguesas da fileira têxtil."

J. Cadima Ribeiro
J. Freitas Santos

(resumo de comunicação disponível na integra na entrada "Actas de Conferência-2006" do sítio do NIPE - http://www2.eeg.uminho.pt/economia/nipe/index_pt.htm)

domingo, novembro 19, 2006

Défice Orçamental: sustentável ou insustentável?

A febre consumista dos dias de hoje leva as pessoas a gastarem mais do que os rendimentos que auferem, o que leva ao endividamento, originando compromissos adicionais com o pagamento de juros, criando-se assim um círculo vicioso insustentável.
No caso de um país a situação poderá ser semelhante, tendo em conta que será difícil conseguir reduzir significativamente as despesas, pelo facto de muitas delas serem rígidas e indispensáveis, a solução passa essencialmente pela capacidade de maximizar a receita fiscal.
O trabalho realizado pela Joana (apresentado pelo professor na última aula) evoca várias vezes a ideia de que o défice orçamental não é insustentável, e que nem é o problema mais grave que o país enfrenta. Ele é sim, fundamentalmente, consequência e sintoma de outros problemas mais graves cuja resolução é muito mais urgente, já que só esta é que poderá permitir o desenvolvimento sustentado de Portugal e a resolução, de uma forma duradoura, do problema do défice orçamental.
Ora, para provar esta teoria, de que o défice orçamental português não é insustentável, temos o facto de Portugal no passado já ter tido défices superiores ao actual, e apesar disso a economia cresceu e o país apresenta algumas melhorias nos seus valores.
Para além disto, um défice gerado por investimento produtivo ou para aumentar a eficiência de serviços que tornem possível um desenvolvimento elevado, é um bom défice porque gerará riqueza e, acabará por pagar esse défice.
Deste modo, muito mais grave do que o défice orçamental é a estagnação e mesmo o retrocesso económico que se está a verificar em Portugal, determinado pela perda crescente de competitividade da economia portuguesa, cujo indicador mais visível é o défice da Balança Comercial.
É muito mais importante para Portugal e para o futuro dos portugueses concentrar as energias para resolver o problema da crescente falta de competitividade da economia nacional, do que resolver o problema do défice orçamental. Isto não significa, porém, que o défice orçamental não tenha de ser controlado, e que o dinheiro público não tenha que ser sujeito a uma rigorosa gestão, mas sim que o défice orçamental só poderá ser efectivamente resolvido com o desenvolvimento sustentado do país.
Ora, o défice comercial atinge já o dobro do défice orçamental, o que revela uma perda crescente de competitividade das empresas portuguesas quer nos mercados externos quer mesmo no mercado nacional. Isto revela, então, a forte necessidade da intervenção do Estado para, modernizar as empresas portuguesas e tornar o país mais competitivo.

Maria João Veloso

(doc. da série artigos de análise/opinião)

Portugal e a Corrupção

Há 13 crimes económicos por dia em Portugal: indícios de fraudes, emissões de facturas falsas, corrupção, branqueamento de capitais, crimes fiscais, e infracções de tecnologias informáticas. O que me despertou nesta notícia foi saber que os fundos movimentados pela economia paralela poderão envolver cerca de 9% do PIB, deste modo, o combate à corrupção tem de passar a ocupar parte substancial do discurso político.
Esta situação, na minha modesta opinião, deve-se, entre outros factores, a duas vertentes: lacunas no nosso sistema judicial e questões culturais.
A crescente dificuldade de contra-resposta judiciária permite a este tipo de criminalidade, vantagens superiores aos riscos, pois o atraso que resulta da desorganização crónica da justiça tem conduzido na maioria das vezes à impunidade. Isto sem falar do “labirinto” legislativo típico no nosso país: os jurisconsultos e advogados que ajudam os governos e o Parlamento a fazer a lei são posteriormente aqueles que ajudam os promotores privados a encontrar as lacunas da lei que eles próprios ajudaram a fazer. É urgente acabar com o descrédito na justiça e com a banalização dos fenómenos nocivos para o país para fazer face à corrupção.
Também é curioso associar a corrupção à própria cultura do país, os países mediterrâneos têm uma economia paralela em % do PIB muito superior à dos países nórdicos.
No entanto, esta atitude corrupta, como já referi, não é apenas típica do nosso país. De acordo com a revista “Prémio” de 10 de Novembro de 2006, Portugal é 26º país menos corrupto. A lista da Transparency International colocou Portugal como o 26º país menos corrupto do mundo. O indicador de percepção de corrupção português melhorou em relação a 2005, mas Portugal continua a aparecer abaixo da Espanha e da Alemanha. No topo da lista estão a Finlândia, a Islândia, e a Nova Zelândia e no fundo estão países como Haiti, Guiné e Iraque.

Sara Veloso

(doc.da série artigos de análise/opinião)

sábado, novembro 18, 2006

Destaques noticiosos do fim-de-semana

Economia mantém sinais favoráveis pelo décimo mês consecutivo [http://www.publico.clix.pt/Economia/noticia.asp?id=1276936] (17-11-06, in Público)
"A economia portuguesa voltou a dar sinais de melhoria em Outubro, completando dez meses consecutivos de recuperação, de acordo com o indicador coincidente divulgado hoje pelo Banco de Portugal."
/...
Balança Comercial da Zona Euro com excedente de 2 mil milhões em Setembro
"A balança comercial da Zona Euro com o resto do mundo apresentou um excedente de 2 mil milhões de euros no mês de Setembro, segundo os dados divulgados pelo Eurostat, que revelam que a União Europeia a 25 apresentou um défice de 13,4 mil milhões de euros no mesmo período."

A crise da Banca Nacional

Esta foi sem duvida a semana mais negra da Banca Nacional dos últimos anos. Das medidas de Teixeira dos Santos no Orçamento de Estado para obrigar a Banca a pagar mais impostos aos arredondamentos no crédito habitação, dos problemas de um conjunto de Bancos portugueses devido aos offshore em Espanha ao aumento da conflitualidade entre dois dos maiores bancos portugueses por causa de uma Oferta Pública de Aquisição, de tudo um pouco se passou nos últimos dias com um traço comum a estes acontecimentos: a descredibilização das Instituições Financeiras.
Depois do ataque do governo liderado por José Sócrates aos professores, aos juízes, funcionários públicos e contribuintes em geral, compraram mais uma guerra. Ou pelo menos declarou essa intenção. Sendo a Banca um sector da economia muito importante, é preciso esperar para ver exactamente em que ficamos quanto aos planos para controlar melhor os Bancos.
Este conjunto de iniciativas reveladas pelo governo tem dois objectivos claros. O primeiro é o de satisfazer a classe politica de esquerda, que constitui o bloco que dá apoio a este governo. Atacando o expoente máximo do capitalismo. O segundo objectivo deste incidente com a Banca é o de distrair o povo para as limitações do Orçamento de estado para 2007. Medidas que não são mais do que uma espécie de compensação mínima, por mais um ano de aperto do cinto que quer queiramos ou não, será sofrido sempre pelos mesmos.
A Banca é sector de ponta da economia nacional. Sendo o sistema nervoso central da nossa economia é natural que o governo tivesse protegido ao máximo com vista a ter um Sistema Financeiro sólido. Mas depois de algumas semanas em que a parte governativa não estava a correr bem, José Sócrates optou por castigar este sector com o intuito de colher os frutos sobre o eleitorado, que vê este sector como um dos mais favorecidos.
Os lucros crescentes da Banca muito superiores aos outros sectores da economia são alvo de critica em termos fiscais. Mas engane se quem pensa que estas alterações vão equilibrar os sectores. A Banca continua a ter um regime fiscal de excepção e continua a pagar uma taxa efectiva de IRC menor que outros sectores de actividade menos lucrativos. Os Bancos conseguem através de movimentos contabilísticos camuflarem alguns dos seus lucros e aliado ao planeamento fiscal muito bem elaborado retiram vantagens que os sectores da actividade não têm acesso.
No campo das taxas do crédito habitação o governo propôs os arredondamentos zero e admitiu a retroactividade na medida. A última parte é irrealista. Os Bancos já anunciaram o recurso a tribunais com vista a não devolverem os milhões de euros já recebidos. A maioria dos bancos devido à concorrência na gama do credito habitação tiveram de baixar os seus SPREADs mas compensaram essas perdas com a utilização dos arredondamentos a 1/4 ou a 1/8. Foi a forma da Banca conseguir manter as suas taxas de rentabilidade. Neste sentido não me espantaria, que não podendo recorrer aos arredondamentos, arranjassem outra fonte de receita com vista a transferir estes custos para os clientes.
Habituados a viver num mundo à parte e como acima da própria sociedade que sustenta, incomoda-os que o poder politico dê algum passo mesmo tímido para reforçar o controlo da sua actividade e limitar um ou outro privilégio.
Outro ponto negativo foi a investigação que um conjunto de Bancos Offshore Portugueses ( BES, BCP, BPN e FINIBANCO ) foram alvo em Espanha, por suspeita de envolvimento e dos deus clientes em operações de branqueamento de capital e fuga ao Fisco. Ainda não estão confirmadas as suspeitas mas já serviu para denegrir o bom nome dos bancos envolvidos assim como o sector em geral.
Não está no mesmo plano dos três casos anteriores. Mas a OPA do BCP sobre o BPI não está a passar por uma fase positiva. O clima de crispação entre os bancos foi provocado por Fernando Ulrich (BPI) devido às suas declarações. Num sector que, em regra é geralmente reservado as posições assumidas dão uma imagem negativa aos olhos do cidadão.
Por culpa alheia e responsabilidade dos próprios os bancos têm hoje pior imagem do que tinham há umas semanas a trás.

Álvaro Ferreira

(doc. da série artigos analise/opinião)