Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

quarta-feira, novembro 14, 2007

“Foreign Direct Investment and Country-Specific Human Capital”

“Workers who are educated abroad acquire human capital specific to the country of foreign study (for example, language capital and country-specific knowledge on firm organization and on social system) which makes them more productive than domestically educated workers when both types of workers are employed by subsidiaries of multinational firms headquartered in the country of foreign study. An increase in foreign-educated labor in an FDI-host country thus attracts more FDI from the country of foreign study. We find evidence from bilateral FDI and foreign-student data for 63 countries over the period of 1963-1998 that strongly supports this prediction. Our findings suggest that foreign-educated labor may account for a sizable portion of growth in FDI flows during the sample period.”

Jinyoung Kim (Department of Economics, Korea University)
Jungsoo Park (Department of Economics, Sogang University)

Keywords: foreign direct investment, multinational firm, human capital, foreign education, students abroad.
Date: 2007
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:iek:wpaper:0705&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

terça-feira, novembro 13, 2007

"Criação insuficiente de emprego qualificado gera desqualificação e desemprego crescente entre os de maior escolaridade"

Criação insuficiente de emprego qualificado gera desqualificação e desemprego crescente entre os de maior escolaridade
(título de estudo de Eugénio Rosa, disponível em http://resistir.info/e_rosa/escolaridade_empregos.html)

quarta-feira, novembro 07, 2007

A caminho de Espanha

A caminho de Espanha
(título de mensagem, da autoria de Vanda Lima, datada de 07/11/06, disponível em Empreender)

terça-feira, novembro 06, 2007

"A variedade é a vida"

Em todos os Estados onde se destruiu a variedade local, eis que um pequeno Estado se forma no centro
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(título de mensagem, datada de 07/11/06, disponível em Sobre o tempo que passa)

Política de “clusters” e desenvolvimento regional

Embora possa parecer contraditório, o processo de globalização tem reforçado algumas das dimensões do local. A globalização económica tem dado origem a transformações de diversa natureza, ainda que as principais se tenham concentrado em três âmbitos bem delimitados. A primeira grande transformação afecta as estruturas produtivas, e tem a sua manifestação nos processos de ajustamento, reconversão e reordenamento sectorial nas economias mais desenvolvidas e nos de arranque, consolidação e complexificação característicos das economias emergentes. A segunda transformação, de carácter comercial, implicou uma alteração dos padrões de fornecimento e venda das empresas. As mudanças daí resultantes têm levado a um incremento da percentagem de consumos intermédios importados de mercados de origem progressivamente mais longínquos, e ao aumento da quota das vendas internacionais nos balanços empresais. A terceira transformação manifesta-se no território. Os espaços competitivos emergem ou reforçam-se a partir de realidades maduras do ponto de vista do desenvolvimento, em territórios onde o processo de geração de vantagens comparativas se retro-alimenta de forma contínua, dando origem a uma melhoria continuada da sua posição competitiva.
Os espaços competitivos mais dinâmicos e que melhor têm respondido aos desafios globalizadores podem ser classificados de formas diversas, em função das suas dimensões mais características. Um dos mais interessantes é o “cluster”, tanto pela sua capacidade de adaptação às novas formas de concorrência, como pelo sucesso da sua exportação como modelo de desenvolvimento empresarial para realidades produtivas assentes em pequenas e médias empresas. Este tipo de organização da produção de base territorial é uma associação, de natureza para-formal, constituída por empresas vinculadas, de forma directa ou indirecta, a uma actividade dominante, onde o sentido de participação e as relações entre elas procedem tanto da preponderância sectorial como da partilha de um espaço em comum. Apesar de cada uma das unidades empresariais continuar a manter os seus objectivos individuais, a existência de um “cluster” obriga à definição de objectivos conjuntos em matéria de disponibilização e qualificação de recursos, de organização da produção e de promoção da competitividade. Em termos genéricos, os elementos comuns neste tipo de organização produtiva são: i) trata-se de estruturas dinâmicas em constante evolução/transformação, onde o motor da mudança é a geração de valor; ii) as diferentes unidades constitutivas do “cluster” estão organizadas matricialmente à volta de uma actividade principal, ainda que existam uma série de actividades relacionadas, com uma importância central para assegurar a sua continuidade e bom funcionamento (por exemplo, as de serviços especializados e I+D+i); iii) a especialização produtiva e o carácter diferenciado das produções fazem com que os mercados alvos das mesmas sejam os mercados internacionais.
Os “clusters” surgiram em muitos locais como formas de organização da produção espontânea e não dirigida, que souberam aperfeiçoar-se na procura de geração de valor e de ganhos de competitividade. O seu sucesso fez com que vários governos tenham tentado reproduzir o modelo em questão mediante políticas de promoção de “clusters”, nalguns casos, a partir do zero e, noutros, mediante tentativas de organização sectorial em áreas em declínio ou o apoio a iniciativas inovadoras ainda incipientes. Apesar da existência de elementos comuns entre vários tipos de “clusters” localizados em contextos espaciais bem diferentes, as características territoriais, sectoriais e estruturais de cada um deles dificultam a identificação dos factores de sucesso, o qual, em certa medida, cria entraves para a extrapolação deste tipo de modelos entre realidades territoriais, sectoriais e culturais diferentes. Portanto, a replicação de experiências e políticas, a este nível, deve ser extremamente cuidadosa e calculada, dando especial relevo à componente de diagnóstico e de implementação dos instrumentos correspondentes.
Em Portugal, a política de “clusters” foi timidamente introduzida no seu momento e actualmente vive um impasse preocupante, sobretudo porque as actuações em matéria de política produtiva são escassas e deficientemente dirigidas, e porque existem alguns sectores de futuro que devem ser decididamente apoiados, nomeadamente, através da intervenção nas dimensões intangíveis e nas organizativas com carácter de bem público. Em termos de desenho e implementação da política de “clusters” há alguns aspectos que merecem especial destaque: i) Os sectores escolhidos devem estar associados a actividades de valor acrescentado alto e médio-alto, com uma elevada componente de inovação; ii) A localização para o desenvolvimento do “cluster” deve alhear-se de considerações espúrias e decidir-se pelo potencial real em termos de recursos e de ligações aos centros e mercados internacionais; iii) A estrutura social de suporte deve promover uma atitude estratégica permanente e a sua intervenção deve dar resposta a estratégia previamente delineada; iv) A cultura de cooperação deve ser fortemente promovida, especialmente em actividades dificilmente financiáveis individualmente e onde os esforços isolados se têm revelado pouco eficazes.
O fomento duma política de “clusters” em Portugal, para além de ter em consideração os aspectos anteriormente enunciados, não deve avançar sem que a administração promova o diálogo com as empresas e com outros agentes que potencialmente podem induzir a mudança. A implementação deve ser rigorosa, rápida, dinâmica e flexível e deve reger-se por critérios técnicos, tentando minimizar as consequências negativas dos equilíbrios e tensões políticas que sempre surgem neste tipo de processos.
FRANCISCO CARBALLO CRUZ

(artigo de opinião hoje publicado no Diário do Minho - Suplemento de Economia, em coluna intitulada "Desde a Gallaecia")

segunda-feira, novembro 05, 2007

Revista de imprensa

Notícia Jornal de Negócios
Petróleo ameaça os 100 dólares
05-11-2007

A maioria dos analistas inverteu a sua expectativa e, agora, já temem que o crude continue a subir. Estaremos a caminho dos 100 dólares?
José Pedro Luís
«O preço do petróleo deverá manter a tendência de subida esta semana, depois de ter batido máximos históricos em Londres e Nova Iorque nas últimas sessões. A maioria dos analistas contactados pela Bloomberg considera que esta semana há razões para o mercado se preocupar com o petróleo, pois o dólar continua a cair e porque o aumento da produção de crude feito pela organização dos países exportadores de petróleo (OPEP), que se vai efectivar esta semana, não deverá ter efeito na procura.
Estas duas razões deixam 60% dos analistas contactados pela agência Bloomberg à espera de um aumento do preço do crude, o que poderá conduzir a novos máximos históricos do preço do petróleo.
Na semana que passou, o West Texas Intermediate (WTI), petróleo referência nos EUA, subiu dos 91,86 dólares até aos 96,24 dólares, um novo recorde. Também o "brent" terminou a semana a tocar um novo máximo histórico nos 92,21 dólares. Na sexta-feira anterior valia menos três dólares.
Com este ritmo de crescimento, a possibilidade do petróleo, principalmente o negociado nos EUA, atingir os 100 dólares é grande.
Até porque agora há um receio económico. A descida das taxas de juro de referência nos EUA para os 4,5% e o aumento do emprego neste país poderão minimizar o impacto da crise do "subprime" na maior economia do mundo.
e isso acontecer, a noção de que o consumo do preço do petróleo poderá aumentar mais que o esperado fará subir ainda mais os preços do crude nos mercados internacionais.
Além disso, as próximas semanas mostrarão se o aumento da produção de petróleo por parte da OPEP terá, ou não, impacto nas reservas mundiais de petróleo. Se não se vir grande alteração, a tendência será de subida, a não ser que o cartel se retracte e decida efectivar um maior aumento na exportação de crude.»
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(reprodução integral de notícia/artigo publicada/o no Jornal de Negócios, com as referências identificadas no topo)

quarta-feira, outubro 31, 2007

Retrato do sector da distribuição de vestuário em Portugal

Notícia Portugal Têxtil
Retrato da distribuição em Portugal

"O sector português da distribuição atravessa uma fase de concentração. O grupo Inditex, o El Corte Inglés, o grupo Regojo, a C&A e o Continente são os principais operadores, com uma quota de mercado de 23% em 2006(31Out07). As cadeias especializadas e as grandes superfícies aumentaram a sua quota total de mercado em Portugal nos últimos anos, superando os 50% em 2006, enquanto que o comércio independente diminuiu cerca de 4,3% em igual período, de acordo com o estudo "Distribuição de Confecção" realizado pela consultora DBK.
Os resultados do estudo revelam que o volume de negócios do sector português da distribuição de vestuário registou um incremento de 3,4% em 2006, atingindo os 4,23 mil milhões de euros. Neste contexto, o comércio independente continua a perder quota de mercado a favor das cadeias especializadas, dos grandes armazéns e dos hipermercados.
Deste modo, as vendas das lojas independentes perderam uma quota de 6% desde 2004. Em contrapartida, a facturação total das cadeias especializadas e das grandes superfícies apresentaram, nos últimos exercícios, uma tendência de crescimento que atingiu os 40% e os 13%, respectivamente, em 2006.
O vestuário de senhora representou cerca de 50% das vendas totais em 2006 e o de homem 40%, correspondendo os restantes 10% ao vestuário infantil. No sector operam mais de 6.700 empresas, com um efectivo total de 31.700 pessoas.
Em particular, este estudo aponta para o desaparecimento do comércio independente, assim como para um maior número de aberturas de pontos de venda integrados em cadeias especializadas.
Para 2007-2008, o estudo da DBK prevê uma ligeira aceleração do ritmo de crescimento das vendas, com taxas de variação anual situadas nos 4-5%. O comércio independente deverá, todavia, continuar a perder quota de mercado, num contexto de forte crescimento previsto para as cadeias especializadas, os hipermercados e os grandes armazéns.
A escassez de locais nos centros das cidades e os novos hábitos de consumo fomentaram o desenvolvimento de numerosos projectos de centros comerciais, os quais continuarão a ganhar protagonismo na criação de novos espaços nas cadeias especializadas.
A forte concorrência continuara a impulsionar as estratégias de diversificação dos operadores para novos segmentos de procura, assim como para o lançamento de novas linhas de produtos."

(reprodução integral de notícia recebida em 07/10/31, via Newsletter - Portugal Têxtil)

terça-feira, outubro 30, 2007

Portugal é um dos países da OCDE que menos investe em conhecimento

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) divulgou um relatório em que afirma que Portugal tem um investimento inferior a 2% do PIB em conhecimento, sendo este um dos piores valores do relatório.
No que diz respeito ao financiamento da investigação e desenvolvimento (I+D), Portugal é o segundo país, entre os 33 considerados, em que a contribuição pública pesa mais na I+D. Relativamente ao financiamento da I+D pelas empresas, Portugal tem a segunda mais baixa contribuição da OCDE e a terceira pior no universo considerado.
Para além disto, o relatórido da OCDE diz-nos que Portugal desde 1995 integra o grupo dos cinco países onde o investimento das empresas em I+D mais cresceu, sendo este um aumento superior a 10% ao ano.
Quanto aos recursos humanos, o pessoal a trabalhar em actividades de I+D é cerca de 0,5% do emprego total.
Este relatório afirma que Portugal foi o único país da OCDE onde o peso no emprego dos especialistas em tecnologias da informação e comunicações (TIC) não se alterou entre 1995 e 2004.
Relativamente aos benefícios fiscais, entre 1999 e 2007, Portugal está entre os países em que este factor utilizado para apoio às grandes empresas na I+D mais cresceu, logo a seguir ao México e Noruega.
Sendo assim, o relatório da OCDE diz-nos que Portugal não detém um investimento elevado em percentagem do PIB em conhecimento, mas no que diz respeito ao investimento das empresas em I+D Portugal tem vindo a apresentar um aumento de 10% ao ano.
Rui Filipe Dos Santos Fernandes
(artigo de análise/opinião produzido no âmbito da UC Ec. Port.)
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Fonte bibliográfica: http://diarioeconomico.sapo.pt/ (30/10/2007, Diário Económico/Economia/Notícias).

sexta-feira, outubro 26, 2007

"Portugal é o 31º país mais globalizado"

Portugal é o 31º país mais globalizado

"Economia e investimento estrangeiro prejudicam pontuação final
Portugal ocupa a 31ª posição no ranking de globalização elaborado pela AT Kearney para a revista Foreign Policy. Os dados, referentes a 2006, demonstram que o País perdeu sete lugares em relação ao ano anterior.
A empresa de consultoria diz que tal se deve à entrada de novos países para a lista, bem como à subida de algumas economias emergentes. Portugal tem bom comportamento em dois items, dos 18 analisados.
O País fica em 5.° lugar no que diz respeito a integração em organizações internacionais e em 9.º quando o que está em causa são questões políticas. Mas desce para 54.º quando o que é analisado é a economia.
Portugal ocupa lugar idêntico no que concerne a investimento directo estrangeiro, sendo estas as duas piores classificações obtidas pelo País. A AT Kearney salienta a "boa prestação na área da tecnologia e Internet", onde Portugal oscila, segundo os pontos de vista, entre o 19.º e o 31º lugares. No geral, o País encontra-se à frente da Itália (34.º) e da Grécia (45º) e atrás da Espanha (29º)."
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(reprodução integral de notícia, datada de 07/10/26, do Diário Notícias / DN Bolsa)

Investimento Directo Estrangeiro

Os projectos de IDE em Portugal foram 29, em 2005, em contrapartida de 37, em 2004.
A criação de emprego estimada era de 2358 novos postos de trabalho.
O ranking dos 5 maiores investidores foi liderado pelos 4 “pesos pesados” europeus:
1.Alemanha
2.Espanha
3.Reino Unido
4.França
5.Estados Unidos
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(Ernst & Young, 2006, Portugal: Cause for Optimism, Ernst & Young Portuguese Attractiveness Survey 2006, Lisboa - http://www.ey.com)

Inflação e desemprego

“Uma estimação da curva de Phillips para Portugal”, Agostinho Rosa (2004)

Conclusões:
-Existe uma relação entre inflação e variação do desemprego ( e não entre inflação e desemprego)
-Considerando a variação da taxa de desemprego no curto prazo, em vez da taxa de desemprego, a curva de Phillips verifica-se em Portugal.

(Joana Ferreira, Outubro de 2005)

terça-feira, outubro 23, 2007

A norte: o desastre em matéria de estratégia de desenvolvimento e de ordenamento do território

A Comissão Europeia divulgou há alguns meses um relatório sobre a situação nas regiões da União Europeia de onde resultava que o norte de Portugal (NUT II norte) emergia como a área do território nacional mais pobre, isto é, com o PIB per capita mais baixo. Há pouco mais de um par de semanas, o INE divulgou, por sua vez, um “Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio - 2005”, de onde ressaltava que não era óbvia a convergência da NUT II norte com a média nacional e, sobretudo, que a dispersão de níveis de poder de compra nesta unidade estatística persistia muito elevada, ao contrário do evidenciado pela generalidade do país.
Quem rejeite a ideia de fatalidade na evolução dos fenómenos económicos não pode deixar de questionar porque é que isso acontece e a consistência das políticas públicas que ditaram tal resultado, muitas delas suportadas por fundos comunitários e nacionais vultuosos, aparte a equidade da distribuição destes pelas diferentes regiões. Na minha condição de observador da evolução da realidade desta parcela do território nacional e de técnico interveniente nalgumas operações de planeamento, não posso deixar de pensar que os resultados a que se chegou são, em grande medida, fruto de estratégias de desenvolvimento e de políticas de ordenamento do território erradas.
Avançando esta posição agora, mais não faço do que repetir o que venho afirmando desde há 25 anos, com o “conforto” que me dão nesta altura os números a que me reporto. Quero eu dizer: quem se atreve agora a classificar de bom o desempenho económico das últimas décadas do norte de Portugal e de acertadas as orientações de política prosseguidas?
Para não me ficar pelo enunciado de ordem geral, retenho do “Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio - 2005” alguns números. A esta recensão de números acrescentarei, a concluir, duas ou três orientações de estratégia, alternativas às que vêm sendo prosseguidas pela CC(D)R-N e pelos Governos, desde os anos 80 do século XX. Essas notas parecem-me ter particular pertinência na ocasião em que está em preparação o chamado Plano Regional de Ordenamento do Território e um estudo de impacte da construção de uma linha férrea de um comboio de velocidade alta entre Porto e Vigo.
Passemos aos números sobre o poder de compra concelhio, isto é, ao índice de poder de compra, como medida da posição relativa dos municípios em termos de capacidade aquisitiva média. Os dados sobre os municípios minhotos invocados são comparados com os das respectivas NUT III e NUT II e os de Porto e Lisboa. São eles os seguintes:
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Portugal (território base) – 100
NUT II Norte – 85,45
NUT III Minho-Lima - 70,72
-Arcos de Valdevez – 52,49
-Valença – 74,11
-Viana do Castelo – 87,45
NUT III Cavado – 82,47
-Barcelos – 67,05
-Braga – 105,83
-Terras de Bouro – 47,36
NUT III Ave - 74,57
-Guimarães – 77,50
-Póvoa de Lanhoso – 59,38
-Vila Nova de Famalicão – 81,55
NUT III Tâmega - 61,57
-Cabeceiras de Basto – 52,88
-Celorico de Basto – 48,50
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Lisboa – 216,04
Porto – 164,26
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O contraste dos números diz bem das assimetrias de desenvolvimento que se configuram no território em análise.
Respostas consequentes à situação da NUT II norte têm que assumir as fragilidades de partida, e ser ousadas. Nessas respostas, tem que tomar papel estruturador a rede urbana, caracterizada na actualidade pelos seguintes tipos de áreas: i) a Área Metropolitana do Porto (AMP), que constitui um espaço maioritariamente urbano, com fortes relações de interdependência funcional interna; ii) uma mancha urbano-industrial descontinua, envolvente da AMP, integrada por cidades de pequena e média dimensão e por contínuos rururbanos; iii) uma área de consolidação urbana, que se consubstancia no quadrilátero constituído pelas cidades de Braga, Guimarães, Famalicão e Barcelos, que se vem progressivamente reforçando pela via da atracção que exerce sobre as áreas envolventes; iv) áreas de intermediação, onde prevalecem conflitos no uso dos solos, escassa dotação de infra-estruturas e espaços urbanos fragmentados; e, v) áreas rurais, caracterizadas por uma estrutura económica frágil e por baixos níveis de prestação de serviços.
A consolidação de espaços urbanos funcionalmente mais autónomos tem implicações para a área metropolitana do Porto, o que não deve inibir a sua potenciação, assumindo a polinucleação que o território já evidencia, o que implica a partilha da sua centralidade competencial com outras centralidades tendencialmente mais dinâmicas, com destaque para o quadrilátero urbano acima nomeado, mas, igualmente, com Viana do Castelo, que tem vindo a consolidar a sua especialização a nível turístico, ambiental e de lazer.
Neste quadro de superação de fragilidades do tecido produtivo, assume particular importância o investimento na qualificação das redes de transportes e comunicações, incluindo as de âmbito transfronteiriço, fazendo particular sentido explorar a capacidade de um equipamento como o comboio de altas prestações como instrumento de consolidação de uma estrutura urbana mais equilibrada e de abertura de novas vias para o desenvolvimento. Esclareça-se entretanto que o uso do conceito de rede quer significar, em simultâneo, inter-operacionalidade de canais e multi-modalidade, dimensões estas onde subsistem particulares estrangulamentos quer na operação interna quer na relação com o exterior.
Na falta de espaço para aprofundamento das ideias de política esboçadas, fica a promessa de um regresso ao tema.
J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião hoje publicado no Diário do Minho - Suplemento de Economia, em coluna intitulada "Desde a Gallaecia")

domingo, outubro 21, 2007

O Nobel da Economia só devia ser atribuído de 4 em 4 anos

"Olhando para os prémios Nobel de Economia dos últimos anos. Olhando para quem vai receber os prémios Nobel nos próximos anos. A conclusão é, obrigatoriamente uma. Não devia haver prémio Nobel para a Economia. Ou, na melhor das hipóteses, devia ser atribuído apenas de 4 em 4 anos."
Luis Aguiar-Conraria
(reprodução integral de mensagem datada de 07/10/18 e intitulada "Sobre as outras ciências não falo", disponível em A destreza das dúvidas)
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Comentário: !!!

quinta-feira, outubro 18, 2007

Orçamento de Estado para 2008: um comentário pertinente

"[...] afigura-se-nos que a Proposta de Lei do Orçamento do Estado para 2008 divulgada é particularmente conservadora, não contendo propostas relevantes de alteração ao quadro normativo vigente que contribuam para alterar o status quo fiscal, em particular no domínio da competitividade das empresas e da economia portuguesa. Aliás, a rigidez que continua a caracterizar a condução da política fiscal é susceptível de contribuir igualmente para não promover a correcção de vários desequilíbrios que continuam a registar-se no domínio económico."

(extracto de artigo de ontem, intitulado "Análise ao orçamento do Estado para 2008", do Diário Económico / Suplemento, páginas 4/5)

segunda-feira, outubro 15, 2007

sábado, outubro 13, 2007

Indicadores Económicos: as previsões do OE para 2008

Previsões do OE

(título de mensagem, datada de 07/10/13, disponível em Visto da Economia)

quinta-feira, outubro 11, 2007

"Norte Conjuntura"

Norte Conjuntura (Relatório Trimestral - 2º trimestre de 2007)

«Nesta página são disponibilizados para download os Relatórios “Norte Conjuntura”.
Com periocidade trimestral, o boletim "Norte Conjuntura" procura reunir e analisar a informação disponível mais relevante com vista à identificação precoce das tendências que marcam a evolução económica, a curto prazo, da Região Norte no contexto nacional.»:

http://www.ccr-norte.pt/regnorte/conjuntura/norteconjuntura_2trim2007.pdf

O economista e a sua formação

A propósito do que é ser economista na actualidade, em Portugal, João F. Proença escrevia há poucos meses, em boletim informativo da Ordem dos Economistas (OE), o seguinte: “Hoje, os economistas portugueses trabalham em ambientes multiculturais, em contexto internacional e europeu em particular, em ambientes de grande pressão que muitas vezes exigem capacidade de liderança, capacidade de aprender ou de se adaptar a situações novas e a ambientes ou meios culturais diversos”. Daí retirava a perspectiva de que, hoje, o economista “tem que evidenciar que sabe, que sabe fazer e que sabe ser, o que para além de conhecimentos específicos exige competências comportamentais”.
Trazendo para primeiro plano o contexto em que se vem desenvolvendo a actividade do economista e a complexidade daí decorrente, as reflexões que recupero servem também para pôr em evidência a urgência de respostas adequadas a nível de formação académica e profissional deste corpo técnico. A isso se referia, de forma preocupada e crítica, no mesmo boletim da OE, Carlos Pimenta, na passagem seguinte: “O maior reconhecimento da importância da economia e a ideologia economicista como ´religião` da globalização aumentam o valor social do economista e atribui a alguns a função de apaziguadores das consciências. Mas a massificação da formação de economistas ao longo de décadas e as características actuais do mercado de trabalho reforçam a precariedade do emprego de muitos e promovem a despromoção funcional”.
De uma forma mais terra à terra, João F. Proença, prolongando a sua reflexão, reportava-se aos reptos subsistentes em matéria de formação do seguinte modo: “Hoje, é muito difícil exercer a profissão de economista sem o domínio de competências específicas de áreas disciplinares próximas como a gestão (onde, naturalmente, insiro as contabilidades, o marketing ou a fiscalidade, conhecimentos sobre negociação, gestão de pessoas, etc.) e sem acesso a teorias, métodos e técnicas de outras áreas do conhecimento, particularmente da psicologia e da sociologia, do direito e da ciência política, da matemática e da informática, entre outras”. Ideias que eram reforçadas, ainda no dito boletim da OE, por estas outras de José Manuel Belbute: “a formação inicial (de 1º ciclo) não pode/deve ser encarada como definitiva e para o resto da vida”. Assim é já que, sublinha, “Os conhecimentos adquiridos […] arriscam-se a ficar rapidamente desactualizados. Por isso e contrariamente ao que sucedia há alguns anos atrás, a formação inicial deve ter um carácter mais flexível e generalista, que alie uma sólida formação económica de base (em macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos) à aquisição de competência, de capacidade e de atitudes (capacidade de trabalho em equipa, de tomada de decisões, de relacionamento e de iniciativa) que valorizem os estudantes e lhes facilitem a sua inserção no mercado de trabalho”.
A dificuldade, que José Manuel Belbute não endereça mas que seguramente terá presente, está em conjugar uma formação sólida em macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos com todas as exigências em termos de domínio de técnicas, teorias e comportamentos, que antes são enunciadas como sendo imprescindíveis para o sucesso profissional dos nossos tempos, com a redução das escolaridades totais e parciais a nível de formação do 1º ciclo dos cursos do ensino superior. É que, faça-se claro, o reforço da formação em macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos, em simultâneo com a redução das ditas escolaridades, acaba por reduzir os cursos do 1º ciclo a projectos de ensino que pouco mais oferecem em matéria de programas escolares que macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos. Obviamente, que esses programas podem ser transmitidos recorrendo a novos modelos de ensino-aprendizagem que impliquem e suscitem novos comportamentos nos formandos mas, nessa vertente, dão-se agora os primeiros passos em Portugal, e o processo tem sérias dificuldades, mesmo porque o ensino superior não existe isolado de toda a realidade do ensino e formação do país.
Que o 1º ciclo não responderá aos reptos da complexidade da gestão das economias modernas, disso não restarão dúvidas a ninguém, suponho. Saberão as instituições de ensino superior (e os interessados) encontrar uma resposta eficaz para a dificuldade enunciada? A seu tempo o veremos.
J. Cadima Ribeiro
(reprodução de artigo de opinião publicado na edição de hoje do Jornal de Leiria)

quarta-feira, outubro 10, 2007