Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

quarta-feira, dezembro 19, 2007

"A lógica Ricardiana merece ser reabilitada pelos governantes"

Qual é o posicionamento competitivo de Portugal?
(título de mensagem, datada de 18 de Dezembro de 2007, disponível em Empreender)

terça-feira, dezembro 18, 2007

Os vinhos portugueses de qualidade e o efeito região de origem: a percepção de consumidores e retalhistas

O regresso à análise do comportamento do consumidor encontrou uma forte motivação quando a discussão sobre o efeito país de origem dos produtos foi levantado pelos investigadores do marketing e dos negócios internacionais nos anos 80 do século XX e, sobretudo, na primeira metade dos anos 90. O que aqueles pesquisadores defenderam foi que o país de origem tinha uma influência considerável na avaliação de um produto feita pelos consumidores.
A revisão da literatura permite tornar claro que o comportamento dos consumidores pode variar significativamente, quer em termos de motivação para a compra, quer nos critérios de escolha de um produto, quer em termos de comportamento. A cultura, o estatuto económico e os valores humanos podem ser fortes pistas para compreender as motivações de compra dos consumidores. Isso não permite concluir que o efeito país de origem e o etnocentrismo não estejam presentes, mas que esses fenómenos serão muito mais complexos do que tem sido assumido em muitos estudos. Contrariamente à desvalorização do efeito país de origem, alguma investigação dá suporte à noção de que existe uma hierarquia de países estrangeiros implícita na decisão do consumidor.
A mencionada evidência adquire a sua inteligibilidade a partir de algo que parece óbvio: quando os consumidores não estão familiarizados com os produtos de um país, a imagem do país pode servir como chave para a tomada de decisão sobre a aquisição. No sentido oposto, uma vez os consumidores familiarizados com os produtos de um país, a imagem do país perde importância em favor de outros atributos, como a marca e o preço.
O conceito de etnocentrismo é originado na realidade de, nas suas decisões de compra, os consumidores, amiúde, tenderem a dar preferência a produtos nacionais. As razões que subjazem a este comportamento foram resumidas como sendo: i) o receio dos consumidores de lesarem a economia do seu país “amado” ao adquirem produtos estrangeiros; ii) "a moralidade de comprar produtos importados"; e iii) a existência de preconceitos pessoais em relação a produtos estrangeiros. Inversamente, consumidores não-etnocentricos são aqueles que adquirem os produtos em função da avaliação que fazem dos seus méritos e, neste contexto, tendem a não valorizar a origem geográfica.
Entretanto, pode-se entender que, à medida que a familiaridade com a marca aumenta, os consumidores tendam a usar menos outros sinais extrínsecos, como o país de origem ou o preço. Por outro lado, falando da importância dos preços na decisão do consumidor, alguns investigadores concluíram que o preço é raramente o atributo ao qual os consumidores conferem o maior relevo.
Testando a relevância dos factores etnocentrismo ou patriotismo, qualidade, marca e preço do produto, a investigação empírica foi levada a concluir que, embora patriotas a ponto de fazerem sacrifícios em matéria de preço, é duvidoso que os consumidores aceitem desiludir-se optando por produtos que não se conformem com a qualidade que exigem.
Salvaguardadas algumas distâncias, o que é válido para analisar a preferência dada pelos consumidores aos produtos de um país pode também ser válido para os de uma região. Pelo menos, a cultura é certamente algo que dá singularidade aos territórios e, em muitos casos, a cultura e o clima são elementos chave para compreender os factores intrínsecos de diferenciação dos produtos.
Tendo presentes as ideias e conceitos antes enunciados, como forma dos testar, o autor deste texto desenvolveu há uns meses atrás dois questionários através dos quais retalhistas e consumidores finais foram inquiridos sobre as razões da escolha que faziam de vinhos de mesa portugueses, de qualidade. Uma das questões incluídas respeitava à região de origem desses vinhos. Era-lhes também solicitado que identificassem os três principais atributos considerados na decisão de aquisição, hierarquizando-os. Os inquéritos foram realizados entre Fevereiro e Abril de 2007, numa loja Makro (retalhistas) e no hipermercado Feira Nova (consumidores finais), ambos em Braga.
De forma breve, dos resultados que foram obtidos, sublinhamos o seguinte:
i) o factor de maior influência na aquisição de vinho foi identificado como sendo a região de origem, tanto no caso dos consumidores finais como no dos retalhistas;
ii) num distante segundo lugar, apareciam a marca, o preço e o tipo de vinho, no caso dos retalhistas, bem como o tipo, a marca e o preço, no outro inquérito;
iii) olhando para o segundo factor de escolha, as diferenças de abordagem entre retalhistas e consumidores finais ofereciam-se mais evidentes, com os retalhistas a enfatizarem a marca e a região de origem e os consumidores a darem mais importância aos preços e menos à região de origem.
Resumindo, dos resultados obtidos com a amostra dos consumidores conclui-se que o atributo mais valorizado foi, destacadamente, a região de origem, sendo o tipo de vinho decisivo na decisão de aquisição apenas em 13% dos casos. Como segundo factor de escolha, o preço foi assinalado por 25,6% dos respondentes como sendo considerado na sua decisão de aquisição. Dessa forma, os consumidores finais e os retalhistas revelam ter uma estratégia de escolha distinta, com a marca e não o preço a emergir como segundo factor de escolha no caso destes últimos.
J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

domingo, dezembro 16, 2007

"Não é agradável para o poder político falar de emigração"

Notícia JN
Diáspora mais feminina e com maior mobilidade:
*
(título de notícia do Jornal de Notícias, de 07/12/15)
[cortesia de Nuno Soares da Silva]

quarta-feira, dezembro 12, 2007

O novo Programa de Estabilidade e Crescimento

O novo Programa de Estabilidade
(título de mensagem, datada de 2007/12/10, disponível em Visto da Economia)

segunda-feira, dezembro 10, 2007

A evolução do mercado de trabalho em Portugal

Por definição, o desemprego é a medida da parcela da força de trabalho disponível que se encontra sem emprego.
No dia 25 de Outubro de 2007 o ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, admitiu que o desemprego é o mais sério problema que a economia portuguesa enfrenta.
O desemprego atingiu em 2007 a mais alta taxa dos últimos vinte anos dando origem a um novo surto de emigração.
Segundo a Eurostat, a taxa de desemprego aumentou para 8,2% em Outubro, sendo assim a maior na zona Euro.
Já alargando aos 27 Estados-Membros da União Europeia, os resultados não são expressivamente melhores. Portugal é ultrapassado apenas pela Polónia com 8,8% e pela Eslováquia com 11,2%.
Desta forma, a taxa de desemprego subiu 0,2% em Outubro, face aos mês anterior, comparando com o período homólogo, o aumento foi de 0,7%.
Fazendo distinção entre os sexos, na Zona Euro, a taxa das mulheres ficou nos 8,2%, contra 6,5% dos homens, na UE, 7,6% para as mulheres e de 6,4% para os homens.
A taxa de desemprego dos jovens com menos de 25 anos situou-se em Outubro em 14,3% na Zona Euro e 14,7% na UE.
Têm-se verificado importantes modificações na estrutura do emprego, com efeitos negativos quer na estabilidade quer na qualidade do emprego: a primeira é a substituição de emprego a tempo inteiro por emprego a tempo parcial com remuneração reduzida; a segunda é a substituição de contratos sem termo por contratos a termo; a terceira é a substituição de emprego mais qualificado por emprego menos qualificado.
O emprego a tempo parcial com salário reduzido, os contratos a prazo e o emprego menos qualificado estão a aumentar, enquanto o emprego permanente, o a tempo completo e o mais qualificado estão a diminuir.
Esta evolução é consequência de políticas económicas, financeiras e sociais.

Elisabete Maciel

(artigo de análise/opinião produzido no âmbito da UC. Economia Portuguesa)

O Custo do Desemprego em Portugal

Numa altura em que o desemprego tem dominado as nossas atenções, é interessante analisar a evolução das contas da Segurança Social, onde este tem influenciado não só as prestações de desemprego, mas também as contribuições.

(em Milhões de Euros)
Em 1995 verificaram-se os seguintes valores: Contribuições: 6.120,60; Desemprego: 699,08 e Pensões: 4.776,97.
Em 2000: Contribuições: 8.769,26; Desemprego: 803,28 e Pensões: 7.008,66.
Em 2005: Contribuições: 10.955,29; Desemprego: 1.803,24 e Pensões: 10.648,75.
Finalmente em 2006, Contribuições: 11.029,61; Desemprego: 1.717,86 e Pensões: 11.191,99.

Analisando estes números, entendemos a preocupação do Governo em controlar o crescimento das Pensões, no entanto, não devemos desvalorizar o peso dos custos com o desemprego.
Verificamos que de 2000 a 2005 as prestações de desemprego aumentaram 124,5%, as pensões 51,9% e as contribuições somente 24,9%. Em 2000 as prestações de desemprego representaram 9,2% das contribuições e em 2006 15,6%.
Tendo em conta que os números de 2006 são o reflexo das necessárias medidas de controlo sobre as prestações de desemprego, a análise destes valores torna-se ainda mais dramática. Representam em grande medida as necessidades reais dos desempregados face ao aumento da precaridade e diminuição da quantidade de trabalho.
As perspectivas futuras também não são animadoras, se considerarmos o crescente aumento do desemprego e do fenónemo de emprego de curto-prazo, prevê-se que as prestações de desemprego tenderão a aumentar e as contribuições a diminuir, impulsionando não só o peso dos custos com o desemprego mas também o peso das pensões nas contas da Segurança Social.
Se bem que o Executivo tem concentrado os seus esforços na contenção do crescimento das pensões, o desemprego é actualmente uma questão emergente, não só porque são as contribuições que financiam a Segurança Social, mas também porque a problemática do desemprego, como é obvio, não se finda na análise destas contas, mas tem expressão na maioria dos indicadores económicos.

Emanue Malanza

(artigo de análise/opinião produzido no âmbito da U.C. Economia Portuguesa)

sábado, dezembro 08, 2007

Apoios do QREN

"FUNDOS COMUNITÁRIOS
Notícias sobre os apois do QREN:
http://apoiosqren.blogspot.com/

Todos as informações sobre Projectos de Investimento"
(mensagem que me caiu na caixa de correio electrónico em 07/12/07, proveniente de noticias@fordual.pt)

terça-feira, dezembro 04, 2007

Um novo modelo de transporte de mercadorias

Durante décadas as empresas Portuguesas tiveram grandes dificuldades para concorrer nos mercados das regiões mais ricas do norte e centro de Europa, pelos elevados custos de transporte que tinham que assumir, em resultado do défice de infra-estruturas tanto no próprio país como em Espanha. A melhoria das infra-estruturas de transporte, primeiro em Espanha e depois em Portugal, tem contribuído significativamente para aproximar as produções portuguesas do centro de Europa.
No caso da região Norte, a situação das ligações a Espanha e à Europa por via rodoviária permaneceu estagnada durante muitos anos, condicionada tanto pelos planos de melhoria da rede de auto-estradas e autovias em Espanha como por um modelo rodoviário nacional que obrigava a que as mercadorias do Norte tivessem sempre que rumar a sul para sair do país. A conclusão da rede de autovias em Espanha e do troço da A3 Braga-Valença, juntamente com a construção das auto-estradas interiores que permitem a saída do país via Chaves, vieram demonstrar que um modelo virado a norte é o mais adequado para que as mercadorias da zona mais exportadora do país possam chegar à fronteira francesa em menos tempo e a um menor custo.
A melhoria da infra-estrutura rodoviária tem promovido a intensificação do transporte de mercadorias por esta via, roubando quota de mercado ao transporte marítimo. Este modelo de base rodoviária parece insustentável a médio prazo pelo impacto ambiental que se lhe associa. Neste sentido, a política da UE em matéria de transporte de mercadorias está cada vez mais vocacionada para a promoção da ferrovia como opção modal prioritária. Por esse motivo, existe um claro redireccionamento do financiamento comunitário para infra-estruturas de transporte, que privilegia nitidamente os projectos ferroviários em detrimento dos de carácter rodoviário. Ademais, é uma hipótese cada vez mais real que a prazo venham a ser introduzidas taxas sobre o transporte rodoviário de mercadorias, com a finalidade de penalizar esta opção modal de forma a mitigar as referidas externalidades ambientais.
A aposta no caminho-de-ferro está ser a aproveitada pelos países da UE de forma diversa. Uns estão a desenvolver amplas redes de alta velocidade que cobrem a totalidade do país, construídas na base das dinâmicas de passageiros, como é o caso de Espanha. Outros estão a utilizar os seus recursos de forma mais racional, destinando-os à melhoria e requalificação da rede existente, com a finalidade de que o novo material circulante possa operar a velocidades máximas de 220 km, e para a construção de novos troços que possam contribuir para eliminar a congestão e para promover os denominados efeitos de rede. Esta estratégia, adoptada maioritariamente pelos países nórdicos e do norte de Europa, tenciona promover a inter-conectividade de redes e a inter-modalidade, integrando o transporte de mercadorias no modelo ferroviário.
No caso Português o debate sobre o modelo ferroviário precisa de incorporar novas perspectivas e propostas e redimir-se de racionalidades ultrapassadas. Alguns dos planos da alta velocidade para o país incluem soluções maximalistas com linhas de alta velocidade internas e de ligação a Espanha nas quatro fronteiras mais importantes. Apesar da impossibilidade de levar a cabo na próxima década um plano com aquela dimensão e características técnicas, é obvio que algumas das soluções propostas poderiam ser postas no terreno com perfis técnicos notoriamente diferentes. Neste sentido, a recente decisão da Comissão Europeia de considerar prioritário, para efeitos de financiamento, o troço ferroviário transfronteiriço entre Portugal e a Galiza, que na parte Portuguesa abrange a secção da linha entre Ponte de Lima e Valença do Minho, contribuirá decisivamente para impulsionar a construção de uma infra-estrutura ferroviária mista de altas prestações entre Braga e a fronteira. A decisão comunitária de incluir o referido troço transfronteiriço entre os 30 projectos prioritários garante um financiamento para o projecto de 244 milhões de euros, ainda que os governos nacionais deverão contribuir com aproximadamente 70% dos fundos necessários, dado que a comparticipação comunitária neste tipo de projectos não pode ultrapassar 30% do orçamento total.
Esta infra-estrutura, que de acordo com o calendário estabelecido pelos governos Português e Galego deverá estar concluída em 2013, representa uma grande oportunidade para a região. Contribuirá para incrementar os níveis de integração com a Galiza e, ao mesmo tempo, permitirá mudar progressivamente o modelo de transporte de mercadorias de base rodoviária por um de base ferroviária, apoiado necessariamente na rede espanhola e nas infra-estruturas logísticas de suporte às actividades de transporte.
As infra-estruturas de transporte representam um factor fundamental na dinâmica de recomposição do território europeu. Os agentes regionais devem estar atentos aos desenvolvimentos referidos, dado que os modelos de transporte não devem continuar a reforçar centralidades nacionais, mas antes devem procurar promover as interconexões em função das próprias dinâmicas e inter-relações de cada território. Deve existir um claro compromisso dos agentes económicos e institucionais regionais para apoiar este tipo de projectos, que ao melhorar a acessibilidade em termos temporais, contribuem para a revalorização do espaço regional.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
(artigo de opinião publicado na edição de hoje no Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

sexta-feira, novembro 30, 2007

"Portugal and the challenges of globalisation"

"Dear Participants,

The presentations and the papers of the Workshop on "Portugal and the challenges of globalisation", are already available online at the GEE´s website.

Best regards,

Elsa de Morais Sarmento
Av. República, 79
1050-243 Lisboa
Telef: 21 7998158
http://www.gee.min-economia.pt/"
(reprodução integral de mensagem de correio electrónico recebida da entidade identificada, em 07/11/26)
*
Nota: assume-se que possa haver interessados em aceder à informação para que a mensagem acima chama a atenção.

quinta-feira, novembro 29, 2007

The measure of success

"The measure of success is not whether you have a tough problem to deal with, but whether it's the same problem you had last year."

John Foster Dulles

(citação extraída de SBANC Newsletter, November 27, Issue 498-2007, http://www.sbaer.uca.edu)

quarta-feira, novembro 28, 2007

Conjuntura económica nacional

O inevitável desemprego
O consumo a travar

(títulos de mensagens, datadas de 07/11/24, disponíveis em Visto da Economia)

sábado, novembro 24, 2007

O crescimento económico no 3º trimestre de 2007

O crescimento económico no 3º trimestre foi marcado pela expansão do investimento e pelo abrandamento das exportações - Outubro de 2007

«O enquadramento económico internacional no 3º trimestre de 2007 ficou assinalado por factos com implicações contraditórias para a economia portuguesa. Por um lado, assistiu-se à continuação da apreciação do euro e ao agravamento dos preços do petróleo e de outras matérias primas, por outro, verificou-se ainda assim uma aceleração do actividade económica na área do euro e no conjunto da União Europeia. No plano interno, de acordo com a estimativa rápida do PIB, ter-se-á registado um ligeiro abrandamento entre o 2º e o 3º trimestre, passando de uma variação homóloga de 1,9% para 1,8%, reflectindo fundamentalmente o comportamento da procura externa. Os dados preliminares relativos ao 3º trimestre revelam uma redução de 4,0 pontos percentuais (p.p.) no crescimento homólogo das exportações em valor, face ao 2º trimestre; paralelamente, registou-se uma pequena aceleração das importações de 0,1 p.p. que, pela primeira vez desde o 3º trimestre de 2005, apresentaram um maior crescimento nominal do que as exportações (5,3% e 4,8%, respectivamente). A procura interna, tal como no trimestre anterior, acelerou no 3º trimestre, sobretudo em resultado do crescimento do investimento. Esta evolução reflectiu, desenvolvimentos positivos em todas as suas componentes, com destaque para a componente de material de transporte. O consumo privado terá apresentado um menor dinamismo devido à desaceleração do consumo de bens duradouros. No 3º trimestre, o emprego cresceu 0,2% em termos homólogos, após a diminuição observada no trimestre precedente. A taxa de desemprego situou-se em 7,9%, o mesmo valor do trimestre anterior e 0,5 p.p. mais elevada do que a de igual período de 2006. Em Outubro, a inflação acelerou, atingindo 2,6%, mais 0,5 p.p. do que no mês anterior.»
(INE:Destaques, 07/11/20

terça-feira, novembro 20, 2007

Estratégias de negócio e internacionalização das empresas: um caso da fileira têxtil

Até finais dos anos 80 do século XX a competitividade da maioria das empresas seguia o princípio das vantagens comparativas. As dotações de mão-de-obra, matérias-primas, capital e outros inputs constituíam as principais fontes de competitividade. Portugal baseou as suas indústrias exportadoras em salários baixos ou no acesso a recursos localizados no país, como foi o caso da indústria da cortiça, da cerâmica e dos têxteis. No sector têxtil, a competitividade encontrava-se salvaguardada pelo acordo multifibras, que conferia a Portugal uma protecção em torno de 80% dos produtos exportados.
Com o fim da Guerra-fria, a abertura do Leste Europeu, o alargamento das regras da economia de mercado à generalidade dos países do mundo, a entrada da China na Organização Mundial de Comércio e a presença das multinacionais nas economias nacionais verificou-se uma forte intensificação da concorrência. Aparte ter aumentado, a concorrência deixou de basear-se nas dotações em factores produtivos básicos, para se centrar em vantagens baseadas na inovação, na tecnologia, na diferenciação dos produtos e na qualidade, orientadas para a satisfação das necessidades dos consumidores. Neste contexto, as “vantagens competitivas” resultam essencialmente de elementos qualitativos.
São múltiplos os factores que influenciam a competitividade das empresas, podendo sinteticamente referir-se as economias de custo e a diferenciação. Estas duas vantagens (preço e diferenciação) podem ainda ser focalizadas num nicho de mercado que, pela sua escassa dimensão económica, não se oferece aliciante para a maioria dos operadores.
Em relação à diversificação do produto, no ambiente tecnológico actual, as possibilidades apresentam-se quase ilimitadas. O potencial de diferenciação é determinado, em parte, pelos atributos do produto (características técnicas, embalagem, marca, garantia) e pelas características do mercado alvo (grupos de consumidores). Contudo, o sucesso da diferenciação está intimamente associado ao empenho que a empresa coloca na satisfação das necessidades e preferências que o consumidor valoriza e, por outro lado, às competências geradas no seio da própria empresa.
O nível de serviço disponibilizado pela empresa ao consumidor é outra fonte de diferenciação, assim como as actividades de marketing. A tecnologia adoptada e a qualidade dos factores de produção usados são, ainda, uma fonte mais de diferenciação, a que se podem acrescentar procedimentos de gestão inovadores, a experiência e qualificação dos empregados, entre outros factores.
Do que assinala nos parágrafos precedentes, resulta que, quando se considera, hoje em dia, a afirmação e competitividade das empresas ou o desenvolvimento dos territórios as questões da abertura da sua economia e da respectiva inserção na divisão internacional do trabalho não podem deixar de estar presentes. Não é por acaso que se considera que um consumidor remoto pode ser mais importante que o cliente próximo.

Tomando um caso da fileira têxtil, vejamos como as dificuldades e desafios colocados pela dinâmica actual dos mercados vêm sendo enfrentados. A empresa retida é a Irmãos Vila Nova/ Salsa.
A Irmãos Vila Nova (IVN) é uma empresa fundada em 1987. Criada por três irmãos e localizada em Vila Nova de Famalicão, iniciou a sua actividade na área dos acabamentos têxteis (lavandaria e tinturaria de artigos confeccionados).
Começou por ser apenas uma têxtil subcontratada por empresas estrangeiras mas, perante o reduzido valor acrescentado e a estreita margem de manobra decorrentes desse estatuto, os seus promotores decidiram avançar para a produção de vestuário e criar uma marca. Assim surge a Salsa. Escolheram também deixar de produzir para intermediários, passando a operar para clientes que detinham já uma carteira de clientes finais.
Com a finalidade de projectarem a marca no mercado e expandir o negócio, investiram numa Estação de Tratamento de Águas Residuais, automatizaram processos de acabamento e de confecção, e melhoraram a nível do equipamento e do design gráfico.
O ano de 1994 foi um ano chave para a empresa, que alargou o número de agentes para sete. Foi, também, o ano em que se operou a transformação dos agentes comerciais em vendedores comissionistas. Esta evolução permitiu criar uma maior proximidade aos clientes e conhecer como trabalhavam as lojas multimarca.
Os irmãos Vila Nova inauguraram em 1998 uma loja no centro comercial Norteshopping, no Porto, que marcou mais uma etapa na vida da IVN. Quanto à internacionalização, esse processo teve início em 2002, em Madrid e Barcelona. Foi igualmente em 2002 que foi adquirida em Espanha uma empresa industrial e se iniciou o processo de constituição da holding IVN.
Ao longo de 2004 e 2005, a Salsa expandiu-se para novos mercados, tendo elevado o número de lojas para 50, ficando presente em Portugal, Espanha, Luxemburgo e Médio Oriente (Dubai e Qatar). O recurso à subcontratação da produção atingiu nessa altura os 35% do total. Esta solução permitiu reduzir custos e obter maior flexibilidade na oferta.
Um passo mais recente foi a criação de um novo centro de logística, à luz do propósito de atingir uma mais eficaz gestão da cadeia de abastecimento.

J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de hoje no Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

segunda-feira, novembro 19, 2007

Evolução do Desemprego em Portugal

Nos últimos anos, o défice nacional, tem sido o actor principal na longa metragem dos maiores problemas da nossa sociedade. A célebre frase do Ex-Presidente da Republica Jorge Sampaio, “há vida para além do défice”, remete-nos para o desemprego, uma personagem secundária neste debate, mas que tem afectado directamente milhares de Portugueses.

Com base nas publicações mensais do INE, pretendemos analisar o número de desempregados à procura do primeiro e novo emprego, a duração da procura e o sector da última actividade dos desempregados.
Esta conjuntura só foi favoravel no 2º trimestre de 2005, pautado pelo início de mandato do actual Governo, no entanto, a partir do 3º trimestre de 2005 a situação tem vindo a degradar-se a um ritmo crescente. A variação homóloga destes números, desde o 4º trimestre de 2005 até ao 2º trimestre de 2007, é positiva e muito superior ao periodo anterior, com excepção ao número de desempregados num período de 12 a 36 meses.

[Os numeros que se seguem são em milhares (10³) ]
Nestes dois anos, o número de desempregados à procura do 1º emprego é bastante flutuante, verificando-se: 47,8 - 2ºT/05; 50,6 - 2ºT/06 e 54,5 - 2ºT/07.
Apesar das oscilações da procura de novo emprego, verifica-se: 351,5 - 3ºT/05; 355,0 - 2ºT/06 e 386,1 - 2ºT/07.
A duração da procura de emprego inferior a 12 meses tem registado um crescente número de desempregados desde o 2ºT/06 até ao 2ºT/07 e uma preocupante varição homóloga de 16,3% desde o 4ºT/05 até ao 2ºT/07, onde se verificaram os seguintes numeros: 194,4 - 2ºT/05; 190,1 – 2ºT/06 e 221,0 – 2ºT/07.
O número de desempregados num periodo de 12 a 36 meses é de 143,2 – 2ºT/05; 141,5 – 2ºT/06 e 135,4 – 2ºT/07.
Numa situação de desemprego superior a 36 meses registou-se: 59,6 – 2ºT/05; 74,0 – 2ºT/06 e 81,0 – 2ºT/07.
Relativamente ao sector do último trabalho dos desempregados, na Agricultura, Silvicultura e Pesca: 8,7 2ºT/05; 10,8 – 2ºT/06 e 11,9 – 2ºT/07.
Para a Indust., Construção, Energia e Água: 160,6 – 2ºT/05; 160,5 – 2ºT/06 e 171,6 – 2ºT/07.
No sector dos Serviços: 182,1 – 2ºT/06; 183,7 – 2ºT/06 e 202,6 - 2ºT/07.

É comum o Governo justificar estes números pelo actual dinamismo do Mercado de Trabalho, consequência de uma Economia Dinâmica que existe actualmente. No entanto, e como os dados comprovam, este argumento não é válido. Não se verifica uma permuta entre os vários sectores do Mercado de Trabalho, mas sim, uma regressão do mesmo. O Mercado não só não está a criar emprego, como também, o emprego está a diminuir.
A evolução do número de desempregados à procura do primeiro emprego, bem como o número de desempregados à procura de novo emprego são o reflexo de uma Economia que é tudo menos dinâmica. Apesar de todos os incentivos, existem cada vez menos oportunidades para os jovens, bem como um aumento da precaridade do trabalho.
O número de desempregados há mais de 36 meses é mais um exemplo da incapacidade deste Governo para responder aos desafios actuais no mercado de trabalho, mas será interessante verificar a evolução destes números antes das próximas legislativas.

Emanuel Malanza

(artigo de análise/opinião produzido no âmbito da UC Economia Portuguesa)

Evolução do Índice de Preços no Consumidor

Índice de Preços no Consumidor
Taxa de inflação homóloga aumentou para 2,6% - Outubro de 2007
"Em Outubro, a taxa de variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor (IPC) situou-se em 2,6%, cinco décimas de ponto percentual superior ao valor registado em Setembro de 2007. A variação mensal foi 0,5% e a variação média nos últimos doze meses manteve-se em 2,4%. O Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) português registou uma variação de 2,5% face a Outubro do ano anterior. O IHPC apresentou uma variação de 0,5% entre Setembro e Outubro de 2007. A taxa de variação média dos últimos doze meses manteve-se em 2,4%."

quinta-feira, novembro 15, 2007

Revista de imprensa

Investimento estrangeiro cresce
«O investimento directo estrangeiro (IDE) em Portugal aumentou no ano passado 30 por cento e deverá continuar a crescer nos próximos três anos, se bem que a um ritmo mais lento do que o desejável, concluiu um estudo da Ernst&Young.
"O ano de 2006 foi bom na captação de IDE, aumentando em 30 por cento [38 projectos] em relação a 2005 [29 projectos]", sendo estimada a criação de 10 mil postos de trabalho, disse à agência Lusa José Gonzaga Rosa, coordenador do estudo da Ernst&Young sobre atractividade de investimento estrangeiro, apresentado ontem à noite.
Em declarações à Lusa, o ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho, frisou que "Portugal é visto como um país mais atractivo" e que o facto de os gestores internacionais acreditarem que se vai tornar ainda mais atractivo nos próximos três anos "é uma boa notícia e confirma a subida de Portugal nos índices internacionais de competitividade e o bom comportamento das exportações".
"Os velhos do Restelo dizem que Portugal não é atractivo, que não é competitivo e que não tem capacidade em exportar. Quem trabalha diz que Portugal está a ficar mais atractivo, mais competitivo e com maior capacidade de exportar", disse o ministro.
José Rosa explicou que face ao número de projectos que entram, tendo em conta a população, "o desempenho português é tão bom como o de Espanha, Alemanha e Polónia". "Oitenta por cento dos projectos são novos, relativos a investimentos que não existiam em Portugal, sobretudo na área de prestação de serviços, o que é um sinal de um envolvimento maior", frisou ainda o coordenador do estudo.
Lusa»
(reprodução integral de notícia do Público, de 15-11-2007)

A evolução dos preços do petróleo

(título de mensagem, datada de 07/11/15, disponível em A destreza das dúvidas)

quarta-feira, novembro 14, 2007

“Foreign Direct Investment and Country-Specific Human Capital”

“Workers who are educated abroad acquire human capital specific to the country of foreign study (for example, language capital and country-specific knowledge on firm organization and on social system) which makes them more productive than domestically educated workers when both types of workers are employed by subsidiaries of multinational firms headquartered in the country of foreign study. An increase in foreign-educated labor in an FDI-host country thus attracts more FDI from the country of foreign study. We find evidence from bilateral FDI and foreign-student data for 63 countries over the period of 1963-1998 that strongly supports this prediction. Our findings suggest that foreign-educated labor may account for a sizable portion of growth in FDI flows during the sample period.”

Jinyoung Kim (Department of Economics, Korea University)
Jungsoo Park (Department of Economics, Sogang University)

Keywords: foreign direct investment, multinational firm, human capital, foreign education, students abroad.
Date: 2007
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:iek:wpaper:0705&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

terça-feira, novembro 13, 2007

"Criação insuficiente de emprego qualificado gera desqualificação e desemprego crescente entre os de maior escolaridade"

Criação insuficiente de emprego qualificado gera desqualificação e desemprego crescente entre os de maior escolaridade
(título de estudo de Eugénio Rosa, disponível em http://resistir.info/e_rosa/escolaridade_empregos.html)