Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

sexta-feira, janeiro 18, 2008

A Europa ainda resiste à crise

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(título de mensagem, datada de 17 de Janeiro de 2008, disponível em e.economia.info)

terça-feira, janeiro 15, 2008

As preferências dos consumidores minhotos em matéria de vinhos de mesa

Aproveitando os dados recolhidos através de dois inquéritos realizados entre Fevereiro e Abril de 2007 na Makro e no Feira Nova, em Braga, sobre os critérios presentes na escolha de vinhos feitas por retalhistas (Makro) e consumidores finais (Feira Nova), dei já, neste jornal, conta de alguns resultados obtidos e sobre as posturas algo distintas de uns e outros nas respectivas decisões de compra.
Uma das questões incluídas respeitava à região de origem dos vinhos. Era também solicitado aos inquiridos que se pronunciassem sobre a relevância que tomavam a marca, o tipo de vinho e os preços, entre outros factores, nas escolhas operadas. Do que divulguei então, sublinho:
i) o destaque que tomava na escolha o factor região de origem dos vinhos;
ii) as diferenças de abordagem entre retalhistas e consumidores finais quando considerado o segundo factor de escolha, com os retalhistas a enfatizarem a marca e a região de origem e os consumidores a darem mais importância aos preços.
Os dados que então divulguei e agora recupero, parcialmente, eram parte de um estudo mais vasto que me permitiu chegar a outras conclusões não menos interessantes que as antes mencionadas. Adianto de seguida algo mais sobre o que foi possível concluir.
Estando em causa a relevância que consumidores e retalhistas conferiam à região de origem dos vinhos como critério de escolha, importa deixar dito que as regiões vinícolas do Alentejo, do Douro e do VinhoVerde, por esta ordem, se revelaram como as mais preferidas. Curiosamente, o Dão mostrou-se menos atractivo para os consumidores minhotos (essencialmente, bracarenses) do que tínhamos antecipado, partindo dos resultados de um estudo anterior.
Sendo os inquiridos, no fundamental, oriundos da região dos vinhos verdes, podia admitir-se que isso enviesasse significativamente as preferências em favor dos vinhos da sua região. A teoria do comportamento do consumidor aponta nesse sentido, sublinhando, nomeadamente, o etnocentrismo presente em muitos grupos de consumidores. Os resultados aqui obtidos não confirmam, inteiramente, esse pressuposto, embora também não o contradigam. A verdade é que se, a nível de primeira escolha, os vinhos alentejanos parecem ter a clara preferência dos consumidores minhotos, seguidos pelos do Douro, quando confrontados com a questão de qual a segunda região vinícola preferida, os vinhos verdes ganham posição relativa face aos dois mais preferidos e são mesmo os primeiros quando se considera a terceira escolha.
Note-se que o conceito de etnocentrismo se suporta na constatação de que, nas suas decisões de compra, os consumidores tendem, amiúde, a dar preferência a produtos nacionais ou da sua região de origem. Este comportamento tem que ver com o receio de lesarem a economia do seu país ou região e com a existência de preconceitos pessoais em relação a produtos estrangeiros ou de territórios alheios, entre outras razões.
Em clara consonância com a teoria emerge entretanto a indicação de que os inquiridos neste trabalho suportam as suas decisões de aquisição dos vinhos que consomem ou comercializam nas suas lojas e restaurantes numa clara hierarquia (implícita) das regiões vinícolas nacionais.
Por outro lado, também pudemos concluir que, nas suas decisões de compra, os compradores não-especialistas de vinhos, consumidores ou retalhistas, se apoiavam mais na marca que os especialistas. Este dado estará associado a boas experiências de consumo prévias e/ou a eventual lealdade a marcas. Os resultados que obtivemos para o grupo dos consumidores com idades entre os 41 e os 60 anos dão consistência a esta leitura, isto é, é neste grupo que, em termos relativos, a escolha mais se apoia na marca.
Finalmente, retomando a diferença de atitudes já identificada entre consumidores finais e retalhistas em matéria da relevância que tomam nas respectivas decisões as marcas e os preços, dir-se-á que uma leitura possível será a de associar a ênfase posta pelos retalhistas na marca à aposta estratégica que fazem na qualidade dos produtos que colocam no mercado. Por contrapartida, a presença entre os consumidores finais inquiridos de um número significativo de reformados (cerca de 20%), presumivelmente muitos deles vivendo com fracos rendimentos, justificará a relevância que os preços tomam nas suas escolhas.
Numa perspectiva de política pública ou de estratégia de negócio, os resultados obtidos nesta investigação dão suporte à ideia que o uso de referências territoriais na comercialização dos produtos é uma via adequada para valorizar os vinhos no mercado e marcar a sua natureza distintiva face aos de outros territórios ou aos que não usam esses elementos identificadores de origem (certificada). Isto é válido para os vinhos provenientes de regiões de origem que os consumidores associam a um produto de qualidade.
J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

domingo, janeiro 13, 2008

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Os detentores do poder e os figurantes

"parlamentos, governos e partidos são meros figurantes de guiões e encenações promovidas por trás dos cortinados do espectáculo de Estado, onde os detentores dos interesses dizem sempre que não estão interessados, conforme os manuais de programação típicos dos eficazes grupos de pressão que já se deixaram de frequentar os corredores dos passos perdidos e vão directamente à fonte."
José Adelino Maltez
(extracto de mensagem, datada de hoje e intitulada "O que a todos diz respeito, por todos deve ser decidido", disponível em Sobre o tempo que passa)

A reforma da Administração Pública

Artigo Diário Económico
O que falta na reforma do Estado:

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/edicion_impresa/economia/pt/desarrollo/1076763.html
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(cortesia de Nuno Soares da Silva)

quinta-feira, janeiro 10, 2008

A valorização do euro e o pessimismo dos portugueses

A criação do espaço euro permitiu dar estabilidade às economias da zona euro, obrigadas a rigorosas regras orientadas pelo Banco Central Europeu, em conjunto com cada um dos bancos centrais nacionais. Além da estabilidade monetária, que cria condições para uma taxa de inflação baixa e controlada, o euro agilizou as trocas comerciais entre estes países, fazendo diminuir os custos de transacção com câmbios de moeda, as barreiras aduaneiras e outros, o que permitiu tornar mais barato transportar e comercializar serviços dentro do espaço euro. O euro tornou-se, assim, uma moeda forte, logo os países do euro podem comprar mais e mais barato. A maioria das moedas tinha, e tem ainda, como referência o dólar americano. Numa altura em que o euro bate um novo recorde de valor em relação á moeda americana (a moeda única europeia está a negociar acima dos 1,47 dólares, impulsionada pelas expectativas de que a Reserva Federal dos Estados Unidos irá baixar a sua taxa de referência em 50 pontos base para evitar que a maior economia do mundo entre em recessão) para os países da zona euro comprar matérias-primas, produtos energéticos ou outras mercadorias aos países de fora, particularmente os que têm por referência o dólar americano, torna-se mais barato, podendo comprar mais e melhor.
Contudo, se pertencer á zona euro permite importar mais, já para quem está fora do espaço é mais caro comprar dentro da zona euro. Os nossos produtos ficam mais caros, sendo mais difícil exportá-los. No mundo global em que vivemos, as empresas para sobreviver têm de conseguir alargar os seus mercados, internacionalizar e exportar. Com um euro cada vez mais forte, é cada vez mais difícil esta tarefa, o que torna os produtos menos competitivos e, em última fase, coloca em risco a vida das próprias empresas. E todos sabemos que quando a existência das empresas está em risco, os postos de trabalho também o estarão.
Segundo um estudo apresentado no início de Dezembro de 2007 (Roper Reports, realizado pela empresa de estudos de mercado Gfk), os portugueses estão cada vez mais pessimistas face aos indicadores económicos, sendo Portugal o segundo país (a seguir ao Japão), onde os cidadãos mostram menos confiança quanto á sua situação económica pessoal. No topo das preocupações dos portugueses estão a eventual recessão e desemprego, o crime e a ausência de lei e a inflação e os preços elevados. Entre os portugueses, apenas 26 por cento acredita que daqui a 12 meses a sua conta bancária estará de melhor saúde. De realçar que dos 31 países analisados neste estudo, Portugal é o único que apresenta duas referências a questões económicas no top 3 das preocupações dos cidadãos. O que se percebe com facilidade: o país continua mais ou menos de tanga, o desemprego aumenta (ou como os governantes gostam de dizer “os empregos diminuem”), as pensões sobem pouco, as greves sucedem-se e, enquanto assistimos á novela do futuro aeroporto internacional do país, vamos perdendo a vontade de sorrir quando toca a fazer contas e fazer render o salário até ao final do mês.

Nelson Cerqueira

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa”)

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Notícias do Vinho Verde (e de política agrícola?)

Notícia JN
Vinho verde não é menor que outros e está na moda: http://jn.sapo.pt/2008/01/09/norte/vinho_verde_e_menor_outros_e_esta_mo.html

(cortesia de Nuno Soares da Silva)

terça-feira, janeiro 08, 2008

O clima económico

"O indicador de clima económico diminuiu ligeiramente nos dois últimos meses, afastando-se do patamar em que se situou nos meses anteriores.O indicador de confiança dos Consumidores manteve um movimento descendente desde Novembro de 2006, registando o valor mais baixo desde Fevereiro de 2006."
(resumo de Destaque(s) do INE de 4 de Janeiro de 2008, intitulado "O indicador de clima económico registou uma ligeira diminuição e o indicador de confiança dos Consumidores manteve o movimento descendente em Dezembro - Dezembro de 2007", disponível em INE)

sábado, janeiro 05, 2008

sexta-feira, janeiro 04, 2008

terça-feira, janeiro 01, 2008

Integração regional entre o Minho e a Galiza: a importância de uma análise regional mais abrangente

Numa economia tão inter-relacionada quanto a actual, a origem e as consequências de alguns fenómenos económicos não podem ser circunscritas ao âmbito territorial da sua manifestação inicial. O incremento da mobilidade de trabalhadores e da velocidade de circulação de mercadorias faz com que os mercados regionais de trabalho e de bens e serviços estejam sujeitos às consequências de certos fenómenos, que afectam esses mercados noutros âmbitos territoriais. A constatação deste tipo de inter-relações em certos mercados é particularmente notória entre o Minho e a Galiza (a situação é extensiva ao conjunto da região Norte).
A evolução global da economia da Galiza, as suas dinâmicas sectoriais e as tendências do seu mercado de trabalho são cada vez mais relevantes para entender a situação e evolução de alguns indicadores económicos a Sul do Minho. Esta realidade é cada vez mais evidente no caso de alguns mercados de trabalho, onde os défices de oferta de trabalho num dos lados da fronteira são compensados pelos excessos de oferta que, conjunturalmente, se produzem no outro lado da mesma. A primeira destas situações afectou o mercado dos profissionais de saúde galegos (médicos e enfermeiros) que, desde finais da década de noventa, se incorporaram ao mercado de trabalho Português. A segunda, em sentido contrário, manifestou-se no mercado da construção civil, onde o excesso de trabalhadores, resultante da crise do sector em Portugal, foi parcialmente absorvido pelo mercado da Galiza, muito dinâmico durante os últimos anos e onde a oferta de mão-de-obra em determinado tipo de artes não acompanhou a procura de trabalho induzida pela procura de bens finais.
Estas duas vagas “migratórias” tiveram um forte impacte sobre os mercados regionais de emprego. No primeiro caso, o número de médicos espanhóis (maioritariamente galegos) trabalhando na região Norte chegou a ser perto de 800, enquanto que no segundo algumas estimativas, baseadas em fontes de diversa natureza, revelaram que o número de trabalhadores Portugueses no sector da construção civil na Galiza ultrapassou nalgumas alturas os 40.000. Mais recentemente, têm-se observado outros movimentos com alguma relevância em sentido Sul-Norte, sobretudo no sector da construção naval. A grande carteira de encomendas dos estaleiros galegos para os próximos cinco anos está presentemente a atrair um número crescente de trabalhadores Portugueses.
A inter-relação entre estas economias é também muito relevante no mercado de bens transaccionáveis. Num número crescente de casos, estas trocas comerciais não podem ser categorizadas como simples transacções, esporádicas ou com um carácter mais ou menos estável, dado que incorporam uma considerável componente organizacional, que deriva do grau de integração e compromisso entre organizações independentes, onde o vínculo de fornecimento é um aspecto chave da competitividade empresarial das organizações envolvidas. Estas relações privilegiadas entre empresas de ambos os lados da fronteira são muito frequentes no sector do vestuário e na indústria automóvel e começam a ter alguma importância no sector da construção naval e na indústria alimentar.
Essa crescente inter-relação entre as duas economias regionais é uma fonte de oportunidades e gera uma série de vantagens para a economia, em geral, e para determinados agentes económicos, em particular. No caso do mercado de trabalho, contribui para colmatar a falta de emprego na região de origem e para alargar o mercado de trabalho e evitar, deste modo, as tensões sobre os preços dos factores no mercado da região de destino. No caso dos mercados de bens, por um lado, assegura a viabilidade e promove o crescimento das empresas fornecedoras e, por outro, permite às empresas compradoras garantir o controlo do processo de geração de valor, graças à proximidade geográfico-temporal, adquirir competências que podem não ter à sua disposição de forma imediata e controlar os custos de produção, em resultado do diferencial de preços industriais.
Os aspectos aqui focados justificam uma análise mais alargada das economias regionais com a finalidade de identificar oportunidades e ameaças, clarificar tendências e fluxos, escolher instrumentos de política regional e efectuar previsões a médio e longo prazo. A pseudo-integração de alguns mercados torna-se especialmente relevante quando os ciclos económicos não são coincidentes, dado que permite um melhor ajustamento entre a oferta e a procura. Esta é a situação que se tem vivido nos últimos anos, dado que o crescimento tanto no Minho como na região Norte tem sido marginalmente positivo, enquanto que na Galiza se situou nos últimos três anos no intervalo 3,5-4,1%.
A desaceleração da economia da Galiza nos próximos anos parece inevitável, o que limitará as oportunidades de emprego para os trabalhadores Portugueses, sobretudo no sector da construção civil, onde, por exemplo, o número de habitações concluídas tem descido nos últimos trimestres a ritmos superiores a 10%, em termos inter-anuais. No caso da procura de bens transaccionáveis o impacte é mais incerto, dado que num número significativo de casos esses bens são posteriormente re-exportados para terceiros mercados. Em todo caso, convém que os agentes com responsabilidade neste tipo de questões estejam atentos à mudança de tendência e à potencial alteração do padrão de crescimento da economia da Galiza, dado que o impacte económico e social a Sul do Minho poderá ser, à luz do anteriormente exposto, bastante significativo, nomeadamente em termos de incremento do desemprego.
FRANCISCO CARBALLO CRUZ
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

domingo, dezembro 30, 2007

Leituras de fim-de-ano

Guiado pelo Ladrões de Bicicletas (cf. mensagem datada de Sábado, 29 de Dezembro de 2007, intitulada "Agora diz que é a cultura"), fui desaguar num texto de Pedro Pita Barros acabado de publicar no Diário Económico.
Para fecho de ano, é leitura que recomendo. Recomendo, digo, na medida em que me parece que o artigo de Pedro Pita Barros, nos equívocos que alimenta, ilustra bem as razões do bloqueio a que se assiste na economia e na sociedade portuguesa. Para a construção de uma visão alternativa, a leitura crítica deixada por João Rodrigues, no seu blogue, deve merecer também a devida ponderação.
A dimensão mais paradigmática desse equívoco de leitura de situação acaba mesmo por ser aquela que emerge no derradeiro parágrafo do texto de Pedro Pita Barros, quando escreve:
«É consensual que o ano de 2008 não será um ano fácil, em termos económicos. O acelerar do calendário eleitoral irá começar a fazer-se sentir. A pressão para o Governo querer “apresentar obra” tem sempre como sinal visível a realização de mais despesa. Ou, ainda mais perigoso, compromissos com despesa futura, a “despesa virtual”. E há várias áreas onde este risco se pode materializar. Resta esperar que o ministro das Finanças tenha a capacidade de o evitar».
A expectativa que põe na acção (mediadora) do ministro das Finanças chega a ser comovente.
J. Cadima Ribeiro

sexta-feira, dezembro 28, 2007

A importância de uma universidade pode ser aferida pela capacidade de criar e transmitir conhecimento útil à sociedade

Empresas e universidades

(título de mensagem, da autoria de Vasco Eiriz e datada de 07/12/28, disponível em Empreender)

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Comportamento do sector turístico em 2005 e 2006

"Após o abrandamento registado em 2005, em parte reflectindo o efeito de base da realização em 2004 do campeonato europeu de futebol, nos dois anos seguintes a actividade turística retomou ritmos de crescimento elevados. De facto, em termos nominais a Despesa em Consumo Turístico aumentou 3,2% e 8,1%, respectivamente, em 2005 e 2006, estimando-se, para 2007, um crescimento de 10,8%. O Valor Acrescentado gerado pelo Turismo registou variações nominais de 2,6% e 10,3%, em 2005 e 2006, respectivamente, devendo ter abrandado ligeiramente para 8,7% em 2007, sobretudo devido aos maiores custos associados ao transporte de turistas. Ainda assim, perspectiva-se que, em 2007, o crescimento nominal desta variável seja superior ao do conjunto da economia, em linha com o verificado em 2006."
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(resumo de Destaque(s) do INE de 21 de Dezembro pp., intitulado "Actividade Turística retoma em 2006 e 2007 ritmos de crescimento elevados, superiores ao do conjunto da economia - 2005 / 2006", disponível em INE)

IDE e produtividade

(titulo de mensagem, datada de 25 de Dezembro de 2007, disponível em e.economia.info)

domingo, dezembro 23, 2007

quarta-feira, dezembro 19, 2007

"A lógica Ricardiana merece ser reabilitada pelos governantes"

Qual é o posicionamento competitivo de Portugal?
(título de mensagem, datada de 18 de Dezembro de 2007, disponível em Empreender)

terça-feira, dezembro 18, 2007

Os vinhos portugueses de qualidade e o efeito região de origem: a percepção de consumidores e retalhistas

O regresso à análise do comportamento do consumidor encontrou uma forte motivação quando a discussão sobre o efeito país de origem dos produtos foi levantado pelos investigadores do marketing e dos negócios internacionais nos anos 80 do século XX e, sobretudo, na primeira metade dos anos 90. O que aqueles pesquisadores defenderam foi que o país de origem tinha uma influência considerável na avaliação de um produto feita pelos consumidores.
A revisão da literatura permite tornar claro que o comportamento dos consumidores pode variar significativamente, quer em termos de motivação para a compra, quer nos critérios de escolha de um produto, quer em termos de comportamento. A cultura, o estatuto económico e os valores humanos podem ser fortes pistas para compreender as motivações de compra dos consumidores. Isso não permite concluir que o efeito país de origem e o etnocentrismo não estejam presentes, mas que esses fenómenos serão muito mais complexos do que tem sido assumido em muitos estudos. Contrariamente à desvalorização do efeito país de origem, alguma investigação dá suporte à noção de que existe uma hierarquia de países estrangeiros implícita na decisão do consumidor.
A mencionada evidência adquire a sua inteligibilidade a partir de algo que parece óbvio: quando os consumidores não estão familiarizados com os produtos de um país, a imagem do país pode servir como chave para a tomada de decisão sobre a aquisição. No sentido oposto, uma vez os consumidores familiarizados com os produtos de um país, a imagem do país perde importância em favor de outros atributos, como a marca e o preço.
O conceito de etnocentrismo é originado na realidade de, nas suas decisões de compra, os consumidores, amiúde, tenderem a dar preferência a produtos nacionais. As razões que subjazem a este comportamento foram resumidas como sendo: i) o receio dos consumidores de lesarem a economia do seu país “amado” ao adquirem produtos estrangeiros; ii) "a moralidade de comprar produtos importados"; e iii) a existência de preconceitos pessoais em relação a produtos estrangeiros. Inversamente, consumidores não-etnocentricos são aqueles que adquirem os produtos em função da avaliação que fazem dos seus méritos e, neste contexto, tendem a não valorizar a origem geográfica.
Entretanto, pode-se entender que, à medida que a familiaridade com a marca aumenta, os consumidores tendam a usar menos outros sinais extrínsecos, como o país de origem ou o preço. Por outro lado, falando da importância dos preços na decisão do consumidor, alguns investigadores concluíram que o preço é raramente o atributo ao qual os consumidores conferem o maior relevo.
Testando a relevância dos factores etnocentrismo ou patriotismo, qualidade, marca e preço do produto, a investigação empírica foi levada a concluir que, embora patriotas a ponto de fazerem sacrifícios em matéria de preço, é duvidoso que os consumidores aceitem desiludir-se optando por produtos que não se conformem com a qualidade que exigem.
Salvaguardadas algumas distâncias, o que é válido para analisar a preferência dada pelos consumidores aos produtos de um país pode também ser válido para os de uma região. Pelo menos, a cultura é certamente algo que dá singularidade aos territórios e, em muitos casos, a cultura e o clima são elementos chave para compreender os factores intrínsecos de diferenciação dos produtos.
Tendo presentes as ideias e conceitos antes enunciados, como forma dos testar, o autor deste texto desenvolveu há uns meses atrás dois questionários através dos quais retalhistas e consumidores finais foram inquiridos sobre as razões da escolha que faziam de vinhos de mesa portugueses, de qualidade. Uma das questões incluídas respeitava à região de origem desses vinhos. Era-lhes também solicitado que identificassem os três principais atributos considerados na decisão de aquisição, hierarquizando-os. Os inquéritos foram realizados entre Fevereiro e Abril de 2007, numa loja Makro (retalhistas) e no hipermercado Feira Nova (consumidores finais), ambos em Braga.
De forma breve, dos resultados que foram obtidos, sublinhamos o seguinte:
i) o factor de maior influência na aquisição de vinho foi identificado como sendo a região de origem, tanto no caso dos consumidores finais como no dos retalhistas;
ii) num distante segundo lugar, apareciam a marca, o preço e o tipo de vinho, no caso dos retalhistas, bem como o tipo, a marca e o preço, no outro inquérito;
iii) olhando para o segundo factor de escolha, as diferenças de abordagem entre retalhistas e consumidores finais ofereciam-se mais evidentes, com os retalhistas a enfatizarem a marca e a região de origem e os consumidores a darem mais importância aos preços e menos à região de origem.
Resumindo, dos resultados obtidos com a amostra dos consumidores conclui-se que o atributo mais valorizado foi, destacadamente, a região de origem, sendo o tipo de vinho decisivo na decisão de aquisição apenas em 13% dos casos. Como segundo factor de escolha, o preço foi assinalado por 25,6% dos respondentes como sendo considerado na sua decisão de aquisição. Dessa forma, os consumidores finais e os retalhistas revelam ter uma estratégia de escolha distinta, com a marca e não o preço a emergir como segundo factor de escolha no caso destes últimos.
J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

domingo, dezembro 16, 2007

"Não é agradável para o poder político falar de emigração"

Notícia JN
Diáspora mais feminina e com maior mobilidade:
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(título de notícia do Jornal de Notícias, de 07/12/15)
[cortesia de Nuno Soares da Silva]

quarta-feira, dezembro 12, 2007

O novo Programa de Estabilidade e Crescimento

O novo Programa de Estabilidade
(título de mensagem, datada de 2007/12/10, disponível em Visto da Economia)