Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

segunda-feira, outubro 15, 2007

sábado, outubro 13, 2007

Indicadores Económicos: as previsões do OE para 2008

Previsões do OE

(título de mensagem, datada de 07/10/13, disponível em Visto da Economia)

quinta-feira, outubro 11, 2007

"Norte Conjuntura"

Norte Conjuntura (Relatório Trimestral - 2º trimestre de 2007)

«Nesta página são disponibilizados para download os Relatórios “Norte Conjuntura”.
Com periocidade trimestral, o boletim "Norte Conjuntura" procura reunir e analisar a informação disponível mais relevante com vista à identificação precoce das tendências que marcam a evolução económica, a curto prazo, da Região Norte no contexto nacional.»:

http://www.ccr-norte.pt/regnorte/conjuntura/norteconjuntura_2trim2007.pdf

O economista e a sua formação

A propósito do que é ser economista na actualidade, em Portugal, João F. Proença escrevia há poucos meses, em boletim informativo da Ordem dos Economistas (OE), o seguinte: “Hoje, os economistas portugueses trabalham em ambientes multiculturais, em contexto internacional e europeu em particular, em ambientes de grande pressão que muitas vezes exigem capacidade de liderança, capacidade de aprender ou de se adaptar a situações novas e a ambientes ou meios culturais diversos”. Daí retirava a perspectiva de que, hoje, o economista “tem que evidenciar que sabe, que sabe fazer e que sabe ser, o que para além de conhecimentos específicos exige competências comportamentais”.
Trazendo para primeiro plano o contexto em que se vem desenvolvendo a actividade do economista e a complexidade daí decorrente, as reflexões que recupero servem também para pôr em evidência a urgência de respostas adequadas a nível de formação académica e profissional deste corpo técnico. A isso se referia, de forma preocupada e crítica, no mesmo boletim da OE, Carlos Pimenta, na passagem seguinte: “O maior reconhecimento da importância da economia e a ideologia economicista como ´religião` da globalização aumentam o valor social do economista e atribui a alguns a função de apaziguadores das consciências. Mas a massificação da formação de economistas ao longo de décadas e as características actuais do mercado de trabalho reforçam a precariedade do emprego de muitos e promovem a despromoção funcional”.
De uma forma mais terra à terra, João F. Proença, prolongando a sua reflexão, reportava-se aos reptos subsistentes em matéria de formação do seguinte modo: “Hoje, é muito difícil exercer a profissão de economista sem o domínio de competências específicas de áreas disciplinares próximas como a gestão (onde, naturalmente, insiro as contabilidades, o marketing ou a fiscalidade, conhecimentos sobre negociação, gestão de pessoas, etc.) e sem acesso a teorias, métodos e técnicas de outras áreas do conhecimento, particularmente da psicologia e da sociologia, do direito e da ciência política, da matemática e da informática, entre outras”. Ideias que eram reforçadas, ainda no dito boletim da OE, por estas outras de José Manuel Belbute: “a formação inicial (de 1º ciclo) não pode/deve ser encarada como definitiva e para o resto da vida”. Assim é já que, sublinha, “Os conhecimentos adquiridos […] arriscam-se a ficar rapidamente desactualizados. Por isso e contrariamente ao que sucedia há alguns anos atrás, a formação inicial deve ter um carácter mais flexível e generalista, que alie uma sólida formação económica de base (em macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos) à aquisição de competência, de capacidade e de atitudes (capacidade de trabalho em equipa, de tomada de decisões, de relacionamento e de iniciativa) que valorizem os estudantes e lhes facilitem a sua inserção no mercado de trabalho”.
A dificuldade, que José Manuel Belbute não endereça mas que seguramente terá presente, está em conjugar uma formação sólida em macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos com todas as exigências em termos de domínio de técnicas, teorias e comportamentos, que antes são enunciadas como sendo imprescindíveis para o sucesso profissional dos nossos tempos, com a redução das escolaridades totais e parciais a nível de formação do 1º ciclo dos cursos do ensino superior. É que, faça-se claro, o reforço da formação em macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos, em simultâneo com a redução das ditas escolaridades, acaba por reduzir os cursos do 1º ciclo a projectos de ensino que pouco mais oferecem em matéria de programas escolares que macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos. Obviamente, que esses programas podem ser transmitidos recorrendo a novos modelos de ensino-aprendizagem que impliquem e suscitem novos comportamentos nos formandos mas, nessa vertente, dão-se agora os primeiros passos em Portugal, e o processo tem sérias dificuldades, mesmo porque o ensino superior não existe isolado de toda a realidade do ensino e formação do país.
Que o 1º ciclo não responderá aos reptos da complexidade da gestão das economias modernas, disso não restarão dúvidas a ninguém, suponho. Saberão as instituições de ensino superior (e os interessados) encontrar uma resposta eficaz para a dificuldade enunciada? A seu tempo o veremos.
J. Cadima Ribeiro
(reprodução de artigo de opinião publicado na edição de hoje do Jornal de Leiria)

quarta-feira, outubro 10, 2007

terça-feira, outubro 09, 2007

Uma perspectiva sobre as estratégias de desenvolvimento regional

Durante um longo período de tempo o Estado teve um papel extremamente intervencionista nas economias de muitos dos estados mais desenvolvidos, materializado na produção directa de bens ou na prestação de serviços, na limitação da concorrência em determinados sectores e na imposição de restrições à liberdade comercial. Durante a década de setenta e a primeira metade da década de oitenta, as intervenções de apoio às empresas enquadravam-se, genericamente, na denominada política industrial, a qual tinha um âmbito de actuação predominantemente nacional. As intervenções em contextos espaciais mais restritos eram escassas e, na maior parte dos casos, foram deficientemente implementadas.
Ao longo da década de oitenta foram sistematizados os factores de sucesso de alguns territórios que baseavam a sua competitividade no seu potencial endógeno. A reflexão e o debate sobre estas realidades permitiram delinear algumas aproximações agrupadas genericamente sobre o denominado desenvolvimento regional endógeno. Neste contexto, as políticas regionais, destinadas a reduzir as assimetrias regionais e a promover a convergência entre territórios, passaram a dominar a agenda da intervenção pública a nível microeconómico. Os instrumentos deste tipo de políticas dirigiram-se para a melhoria da qualidade institucional, para a promoção de um mercado de trabalho bem dimensionado, qualificado e vocacionado para a aprendizagem, para o fortalecimento e flexibilização das redes de empresas e para o impulsionamento das actividades de I&D e da capacidade de inovação. A implementação de políticas regionais deste tipo deu origem a resultados muito dispares, mas naqueles territórios onde a resposta institucional, do mercado de trabalho e das empresas foi positiva a competitividade empresarial viu-se amplamente reforçada.
Na última década as políticas de desenvolvimento regional continuaram centradas nas premissas do enfoque anterior, embora tenham sido introduzidos alguns elementos adicionais com intuito de ultrapassar várias das limitações e problemas dele decorrentes. Em primeiro lugar, adoptou-se uma perspectiva sistémica na compreensão das problemáticas regionais, evitando a excessiva concentração em aspectos parcelares ou muito específicos e assumindo um enfoque suficientemente amplo, a fim de abranger as dimensões mais relevantes das tendências globalizadoras. Em segundo lugar, deu-se um maior relevo às intervenções de carácter sectorial, as quais tinham sido parcialmente subalternizadas em favor de intervenções de carácter eminentemente transversal. Em terceiro lugar, promoveram-se acções destinadas a reduzir os custos de contexto, fundamentalmente, os de natureza infra-estrutural. Em quarto lugar, melhorou-se a fase de implementação das políticas mediante a introdução de programas realistas, tanto em termos de conteúdo como em termos de timings. E em último lugar, relançou-se a cooperação institucional e empresarial, tanto a nível formal, mediante a consolidação de estruturas de partenariado, como a nível informal, através do fomento de valores culturais de partilha, colaboração e associação.
As estratégias de desenvolvimento endógeno descritas surgem como uma alternativa a outras intervenções de carácter pontual de curto prazo, baseadas na concessão de subsídios directos, que fomentam a economia subsidiada e introduzem elementos de concorrência desleal entre empresas e territórios. A falta de eficácia destas ajudas directas evidencia a superioridade da opção baseada na adopção de uma estratégia de desenvolvimento endógeno consciente, não dependente, sustentável, e viável num horizonte temporal alargado. Ademais, à vista dos resultados em algumas das regiões mais competitivas das economias ocidentais, parece que as estratégias de desenvolvimento endógeno de segunda geração, onde o vínculo território-empresa é tendencialmente mais forte, conseguem ser extremamente eficazes para ultrapassar os desafios derivados do processo globalizador. Este facto é de uma importância extrema para a realização de escolhas e a definição de prioridades, dado que, no âmbito da globalização, as economias nacionais são progressivamente mais sensíveis às mudanças e à conjuntura económica internacional. Adicionalmente, a vulnerabilidade derivada do novo paradigma em consolidação amplifica-se significativamente quanto maiores são as assimetrias territoriais e mais fraca é a estrutura político-institucional a nível regional. Desta forma, intui-se que todas as políticas destinadas a melhorar a competitividade regional contribuem decididamente para reforçar a posição do país face às consequências indesejadas da globalização.
No caso Português as políticas de desenvolvimento regional não têm seguido um modelo claramente definido e continuam a utilizar referências ultrapassadas e a privilegiar propostas necessitadas de novos enfoques. As ditas políticas não têm conseguido obter, em geral, resultados positivos em termos de coesão territorial, agravando, em alguns casos, as assimetrias espaciais que, à partida, deveriam esbater. Ademais, têm sido utilizados critérios pouco transparentes em termos de distribuição de verbas, dado que parece existir uma escassa relação entre os diferenciais de investimento atribuído e as disparidades espaciais de rendimento. Desta forma, o modelo que tem sido empregue privilegia os territórios com maior capacidade de geração de riqueza e tem-se mostrado incapaz de ultrapassar os entraves que condicionam o desenvolvimento dos territórios com maior atraso relativo. Para atingir maiores níveis de eficácia, a política de desenvolvimento regional em Portugal deve, no futuro, atribuir uma maior preponderância à componente estratégica sem retirar importância aos aspectos de desenho e implementação de políticas, ainda que estes devam actualizar as propostas, incorporar novos instrumentos e complementar certas dimensões.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
(artigo publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no quadro de colaboração regular em coluna intitulada "Desde a Gallaecia")

sábado, outubro 06, 2007

Ser economista hoje, em Portugal. O que mudou com a implementação da Declaração de Bolonha

«Conclusão
Se se pode dizer que economistas “são aqueles que transportam para a vida social os modelos de racionalidade comportamental que estão na base de uma melhor combinação dos recursos existentes e, por conseguinte, na optimização do retorno que decorrerá da sua afectação” (Rebelo e Neves, 2007, p.10), não fica mal dizer, também, que “economista será todo o que, qualquer que seja o seu nível de intervenção profissional que possuir, for capaz de compatibilizar, no tempo e no espaço, soluções eficientes com soluções equitativas, processos competitivos com processos de inclusão” (Alves, 2007, p.13). É que a economia deve repousar, igualmente, em valores, acompanhando as referências e as preocupações com o bem-estar social e a sustentabilidade dos recursos naturais que se vão afirmando.
Definir o que é o economista não é o mesmo que explicitar os “actos” da profissão desse técnico. Pode-se mesmo questionar se o “acto” típico de economista existe. Se esta se oferece matéria susceptível de gerar controvérsia, outro tanto não sucede com o reconhecimento de que os economistas portugueses trabalham hoje “em ambientes multiculturais, em contexto internacional e europeu em particular, em ambientes de grande pressão que muitas vezes exigem capacidade de liderança, capacidade de aprender ou de se adaptar a situações novas e a ambientes ou meios culturais diversos” (Proença, 2007, p.10), o que, na medida do esforço e exigência profissional que lhes coloca, reclama uma formação geral e técnica adequada (adequada na solidez; adequada no perfil funcional que seja requerido), já que o economista que o presente momento reclama tem que saber, tem que saber fazer e tem que sabe ser. (Proença, 2007, p.11).
Neste contexto, se não se questiona nem que a formação inicial deva ter um carácter flexível e generalista, que alie uma sólida formação económica de base à aquisição de competências, de capacidades e de atitudes (Belbute, 2007, p.12), nem a necessidade da formação ao longo da vida, é mais problemático dizer se as respostas que estão a ser dadas no quadro da reforma dos cursos é a que se fazia necessária. Isto, na própria medida em, mesmo se uma melhor adequação das formações oferecidas às necessidades das empresas e da sociedade, em geral, fosse o grande argumento invocado pelo decisor político para precipitar a mudança, há que convir que o acolhimento das “novas” formações pelo mercado de trabalho, a problemática da empregabilidade, se se quiser, ficou arredada do processo que conduziu à reforma em cursos. Da reestruturação dos cursos, o que nesta altura é seguro é que se assistiu à redução das escolaridades totais e parciais das formações oferecidas a nível do 1º ciclo. Como, por um lado, uma sólida formação em macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos não basta para formar o economista capaz de responder aos reptos da gestão das economias modernas, fica daí, por outro lado, espaço para o reforço do papel do 2º ciclo na formação destes profissionais, mesmo que a implementação de novos modelos de ensino-aprendizagem vá fazendo o seu percurso, dando a sua componente de resposta em matéria de atitude à complexidade da realidade actual em matéria de funcionamento e organização das economias.»
J. Cadima Ribeiro

(extracto de comunicação, intitulada "Ser economista hoje, em Portugal. O que mudou com a implementação da Declaração de Bolonha", a ser presente no 2º Congresso Nacional dos Economistas, Ordem dos Economistas, que decorrerá a 11 e 12 de Outubro de 2007, no Centro de Congressos de Lisboa)

quarta-feira, outubro 03, 2007

Revista de imprensa

«O alto desemprego que veio para ficar
Desemprego nacional supera o de Espanha, foi o que mais cresceu nos últimos 12 meses e continuará sem descer.
Até o ministro do Trabalho, José Vieira da Silva, o admite, quando ontem comentou a subida do desemprego para 8,3% em Agosto, divulgada pelo Eurostat
"Não é fácil recuperar para os níveis que existiam há quatro ou cinco anos". "É um processo longo e difícil que começa com o crescimento da economia", juntou o governante. Este ano a actividade deverá recuperar 1,8%, mas em 2008, por causa da crise financeira, as condições tenderão a ser mais desfavoráveis, podendo travar a recuperação do investimento, logo a criação dos desejados postos de trabalha
Há quatro ou cinco anos a taxa de desemprego portuguesa rondava os 5% a 6% da população activa e era cerca de metade da registada em Espanha, onde o fenómeno era historicamente mais severo.
Hoje, Portugal ultrapassa os 8%, e segundo mostra o Eurostat, onde mais subiu desde Agosto do ano passado, registando a terceira marca mais alta da zona euro. Pior apenas França (8,6%) e Grécia (8,4%), sendo que a tendência nestes dois países é para descer. Em Portugal, parece que ainda não. Economistas e gestores, como António Nogueira Leite ou António Pires de Lima, conferem isso mesmo: que o processo de reestruturação da economia começou tarde, é naturalmente lento, pelo que ainda é cedo para esperar uma "retoma" do mercado de trabalho, mesmo que a economia cresça um pouco mais.
Paula Carvalho, economista do Banco BPI confere que "o desemprego tenderá a permanecer em níveis elevados durante bastante tempo". "O ajustamento entre o que as empresas procuram e a oferta de trabalho não se resolve de um dia para o outro pois as qualificações levam tempo a adquirir", explica, relembrando em seguida que "em 2008 deveremos atravessar tempos mais complicados outra vez".
Gonçalo Pascoal, economista-chefe do BCP, relembra que "o desemprego é estruturalmente mais elevado porque há muita gente que não consegue arranjar emprego há muito tempo" e porque "não há investimentos grandes intensivos em mão-de-obra". "Haverá, quando arrancar o projecto do comboio de alta velocidade e o novo aeroporto".»
L.R.R. e J.P.
(reprodução integral de artigo publicado no Diário Económico, em 07/10/03, com o título indicado)

segunda-feira, outubro 01, 2007

Relação universidade-empresa

"A capacidade da universidade e empresa estabelecerem relações duradouras e mutuamente benéficas é um dos desafios que se colocam numa sociedade cada vez mais baseada no conhecimento."
Vasco Eiriz
(extracto de mensagem, datada de 26 de Setembro de 2007 e intitulada "Redes de conhecimento: estudo de um caso sobre a relação universidade-empresa", disponível em Empreender)

sexta-feira, setembro 28, 2007

Consumer perception of Portuguese quality wine and the region-of-origin effect - VII

Abstract
Region’s specificities such as history, geography and culture can be mobilised to qualify regions` products and confer a competitive advantage to certain products with origin in that region. The returns of a region’s resources depend upon the ability of local firms to appropriate the rents earned and whether consumers value the characteristics of the region that are associated with the product, being disposed to pay a price premium.
In a previous research, using a hedonic price function, which related the price of Portuguese regional wines to its various attributes, we found empirical support to the idea that region of origin matters to consumers, that is, the study showed that some regions of origin had a significant impact on products price. The approach taken was a supply side one, which means we collected prices from different Portuguese retail chains. In this empirical research, we intend to test the same issue questioning directly a certain kind of consumers: those who buy wine to sell it in their small retail shops, restaurants and bars (cafés). Besides the regional designation of origin, other product attributes to be tested are colour, age and special attributes, which all have shown positive effects on price in the previous research.
*
Conclusions
The main motivation for conducting this research was to bring some more light on the impact of territory information on buyers’ behaviour; in this case, Portuguese wine consumers.
Based on empirical evidence collected through a questionnaire directly implemented in a wholesaler, we could conclude that the dominant factor of influence in the acquisition of wine is the region of origin. Product intrinsic characteristics like colour, age, special references and grape, all have shown not having relevant influence in the decision of the wine consumer, in this case. Also noticeable is that, both, wine specialists and consumers use region of origin as a strong clue to their decision of purchasing or not a certain wine, while the non specialist consumer deposits more interest in the brand.
This way, the empirical research undertaken gives support to the hypothesis that the use of territorial references is a promising strategy to increase the market value of products and sustain differentiation towards competitors.
The regions of Alentejo, Douro and Verde have shown to be the most preferred by the Portuguese consumers. The results obtained through this survey are in line with those of a previous research (FREITAS SANTOS and CADIMA RIBEIRO, 2003). The differences to underline have to do with the inclusion of Verde wine region in the questionnaire, which we didn’t consider in the first study due to not being an ordinary Portuguese table wine, and with Dão, not valued as hypothesized by the survey respondents. Anyway, to better understand the results we got in this last study, we should keep in mind that respondents were people living in the Verde wine region itself.
The fact just mentioned can be taken as a major limitation of this empirical research, as it doesn’t allows us to generalise the results to the country, as a whole. Another limitation comes from the fact that we collected the answers in a single wholesaler. That means that supplier marketing strategy could, at least at certain level, to have influenced costumers’ choices.
A last comment we would like to add as to do with the option we took of approaching consumers’ preferences through the ones stated by the small retailers. Even if a close relationship between retailers and final consumers exists, we are aware that it is not the same thing.
-
J. Cadima Ribeiro
J. Freitas Santos
(resumo e conclusão de comunicação apresentada em 47th Congress of the European Regional Science Association (Joint Congress of ERSA and ASRDLF) Paris, August 29th – September 2nd, 2007 - o texto integral da comunicação que trata a matéria em título está disponível, em inglês, no sítio do NIPE, na entrada publicações, actas de conferências, 2007 - http://www3.eeg.uminho.pt/economia/nipe/index_pt.htm)

terça-feira, setembro 25, 2007

As preferências dos turistas que visitam o Minho-Lima

Alguns territórios procuram tirar partido da sua riqueza em recursos naturais, históricos e etnográficos para, por via do aproveitamento turístico, criarem rendimento e emprego. Contudo, sendo os recursos financeiros e humanos escassos, por norma, qualquer planeamento implica fazer apostas selectivas e, logo, proceder à avaliação de alternativas.
Estando em causa um projecto de desenvolvimento turístico, os recursos existentes podem servir como ponto de partida para a definição de alternativas e, conhecendo a opinião dos turistas sobre aqueles, é possível dispor de uma base sólida para a selecção da alternativa estratégica que melhor se adeqúe aos atributos do território e às preferências dos visitantes.
A análise dos gostos e preferências dos turistas está facilitada quando estão em causa destinos mais ou menos consolidados e recursos turísticos actuais, uma vez que estes apresentam uma procura a partir da qual se pode investigar gostos e preferências. Porém, no caso de destinos emergentes e de recursos potenciais, esta tarefa torna-se mais complicada. Para ultrapassar esse problema, podemos recorrer à análise das preferências declaradas, inquirindo os indivíduos sobre as respectivas escolhas (declaradas), face a situações hipotéticas de consumo.
Foi este tipo de abordagem que foi prosseguido há uns meses atrás, no quadro de uma investigação que, em última instância, visava avaliar até que ponto seria viável pensar a sub-região do Minho-Lima como um (novo) destino turístico. O potencial do território em causa resulta-lhe do valor inquestionável dos recursos que possui, que, entretanto, é sabido não bastarem para configurar um projecto sustentável de aproveitamento turístico.
O inquérito destinado a avaliar a estrutura de preferências dos turistas que visitam ou pretendem visitar o Minho-Lima (isto é, o Alto Minho) foi aplicado entre Maio e Dezembro de 2006. Obteve-se um total de 350 respostas, 74 de turistas estrangeiros e 276 de turistas nacionais.
Os recursos do território foram apresentados aos inquiridos sobre a forma de um conjunto de cartões que pretendiam representar os perfis de atributos/alternativas de escolha disponíveis, sendo-lhes pedido para ordenarem/hierarquizarem o(s) preferido(s). Os inquiridos podiam, assim, ter em conta combinações de níveis de atributos, onde cada possível combinação representava o perfil do destino turístico que poderiam ter em mente quando estabelecessem as suas preferências e seleccionassem o seu destino de férias. O desenho do questionário foi aperfeiçoado mediante a realização de um pré-teste.
De forma muito resumida, dos resultados foram obtidos, constatámos que os recursos a que os turistas atribuíam mais importância eram as Praias Oceânicas e os Parques Nacionais ou de Paisagem Protegida. A esta luz, numa perspectiva promocional, não estando os municípios do litoral inseridos no Parque Nacional da Peneda-Gêres, teriam toda a vantagem em referir que este se encontra enquadrado na sub-região a que pertencem. Do mesmo modo, os municípios que fazem parte deste Parque Nacional deveriam referir que se encontram a X km do litoral e, por essa via, de algum modo, incluir esse recurso na sua carteira de oferta.
Considerada a nacionalidade dos entrevistados, obtiveram-se percentagens de importância dos atributos relativamente semelhantes, salvaguardadas as diferenças que se assinalam de seguida:
i) os turistas nacionais preferem os Parques Nacionais ou de Paisagem Protegida, enquanto os turistas estrangeiros valorizam mais as Serras e Montes; e,
ii) no caso dos Recursos Etnográficos, os nacionais atribuem maior importância à Gastronomia, enquanto os estrangeiros valorizam mais as Festas.
Entre os elementos coincidentes, no que se reporta aos Recursos Naturais-Água, estão a preferência dada às Praias Oceânicas e, no que se refere aos Recursos Históricos, a preferência dada ao Património Arqueológico.
Já no caso do Património Religioso e do Artesanato, considerados os mesmos resultados, dada a pouca importância que lhes foi conferida pelos turistas nacionais e estrangeiros, seria de rever o destaque que lhes vem sendo dado nas estratégias de promoção. Partindo da perspectiva que será desejável que um destino turístico disponha de uma carteira de produtos alargada, parece fazer sentido que sejam tomados como recursos complementares, alternativamente à política actual dos apresentar como dois cartazes de visita do Minho-Lima.Conforme é bem explícito, o território que foi alvo de análise foi o Alto Minho. Posta, entretanto, a similitude de recursos turísticos e de perfil de visitantes que visitam o Alto e o Baixo Minho, crê-se que as ilações que se podem retirar deste estudo sejam em grande medida válidas para o Minho, no seu todo.
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J. Cadima Ribeiro
(reprodução integral de artigo publicado em 07/09/25 no Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna genericamente intitulada "Desde a Gallaecia" - o texto integral da comunicação que trata a matéria em título está disponível, em inglês, no sítio do NIPE, na entrada publicações, actas de conferências, 2007 - http://www3.eeg.uminho.pt/economia/nipe/index_pt.htm)

sábado, setembro 22, 2007

Da falta de arrojo à substituição de Paulo Macedo

Diário económico
José Azevedo Pereira é o sucessor de Paulo Macedo nos Impostos
O Governo já dispensou 14 mil funcionários públicos:
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/edicion_impresa/economia/pt/desarrollo/1038201.html

Comentário: há quem ache que o Ministro das Finanças está a fazer um bom trabalho; há mesmo quem ache que o Governo está a fazer um razoável trabalho em matéria de gestão económica. Lamento, mas não é o meu caso. Aliás, fazer de despedimentos feitos ou programados uma coroa de glória só pode ser fruto de uma enorme confusão de valores e confissão implícita de falta de arrojo e ambição.
Um grande trabalho fê-lo Paulo Macedo!

sexta-feira, setembro 21, 2007

"National Progress Report on eGovernment in the EU27+"

Comissão Europeia
National Progress Report on eGovernment in the EU27+ :
http://ec.europa.eu/information_society/newsroom/cf/itemdetail.cfm?item_id=3635

(cortesia de Irene Rodrigues - CDEUMINHO)

terça-feira, setembro 18, 2007

OCDE: "Education at a Glance 2007"

«Portugal é um dos países onde tirar um curso mais compensa
É um facto que a relação está presente em todos os países da OCDE: quanto mais altas as habilitações académicas, mais elevado é o salário. Mas em Portugal esta ligação é particularmente forte. Em média, um licenciado recebe 80% mais do que um trabalhador que apenas concluiu o secundário.
É uma das maiores diferenças encontradas entre os 25 Estados-membros da organização, só superada na Hungria e na República Checa, de acordo com um relatório da OCDE citado pelo Público e que é divulgado hoje.
Outro dado que comprova que estudar compensa: em nenhum outro país um trabalhador que apenas completou o ensino básico é tão penalizado em termos de rendimentos. Em média, recebe 57% do salário de quem tem o 12.º ano. E em ambos os casos as diferenças têm-se acentuado ao longo dos anos. O que se tem mantido é a diferença salarial entre homens e mulheres, com prejuízo para elas.
Mais um recorde: em Portugal quase 60% das pessoas que recebem duas vezes mais do que a média nacional são licenciadas. Entre os que apenas completaram o 9.º ano, só 7,5 por cento podem dizer o mesmo. As baixas qualificações da população portuguesa podem ajudar a explicar esta valorização.
Estes são alguns dos dados apresentados no relatório da OCDE Education at a Glance 2007, que é hoje divulgado.
Ao longo de mais de 450 páginas, apresentam-se milhares de indicadores relativos aos sistemas de ensino de cada um dos Estados-membros e que permitem constatar algumas características, avança o Público.
Se a valorização das qualificações em Portugal fica demonstrada - igualmente ao nível das taxas de emprego, ainda que de forma muito menos acentuada -, para a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico também ficou claro algo de negativo.
"A maior selectividade no acesso ao ensino superior encontra-se em Portugal", lê-se no relatório, que analisou (para os dez países para os quais havia dados) em que medida o estatuto sócio-económico dos pais condiciona o prosseguimento de estudos dos filhos.
O relatório concluiu que em Portugal essa relação é determinante. Há uma sobrepresentação de filhos de licenciados no superior e estes jovens têm 3,2 vezes mais probabilidade de vir a tirar um curso do que seria normal.»

(reprodução integral de artigo, com o título identificado, publicado na edição de 07/09/18 do Jornal de Negócios)

[cortesia de Nuno silva]

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Ps: Education at a Glance 2007 - OECD Indicators
[a ligação activa ao original e o indíce do texto são disponibilizados por MJMatos (Que Universidade ?) em mensagem, com o título da obra, datada de 07/09/19]

"Poder de compra concelhio - 2005"

Poder de compra cai 1/3 em cinco anos face à média
Disparidades da riqueza face à média nacional caíram nas maiores cidades do país
«Em 2000, um lisboeta conseguia adquirir três vezes mais bens do que a média do cidadão português e um portuense tinha capacidade financeira para comprar 2,38 vezes mais itens do que a média nacional. Cinco anos volvidos, quem habita na capital portuguesa apenas consegue comprar 2,16 vezes a média portuguesa, enquanto no Porto supera em 1,64 vezes a média nacional. Os habitantes das duas cidades continuam, ainda assim, a beneficiar de um poder de compra muito acima da generalidade dos portugueses, revela o estudo sobre o "Poder de Compra Concelhio -2005", divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística no final da semana passada.
Significa isto que o poder de compra dos habitantes das duas maiores cidades do país caiu? Não necessariamente. Na realidade, podemos estar na iminência de um aumento do poder de compra do resto do país. O estudo apresentado pelo INE não permite, contudo tirar conclusões sobre esta questão, uma vez que apenas são apresentados dados relativos face à média nacional (representada em base 100). No entanto, permite concluir que no espaço de cinco anos as disparidades de poder de compra "per capita" diminuíram no Continente (de 101,65 para 100,52) e aumentaram nas regiões autónomas, embora nas ilhas permaneça abaixo da média nacional.
Nos Açores, a capacidade de aquisição subiu de 65,51 para 81,66 e na Madeira aproximou-se vertiginosamente da média nacional, ao aumentar de 72,46 para 96,59 entre 2000 e 2005.
Fosso entre ricos e pobres permanece gritante
Se é verdade que o diferencial nos poderes de compra dos portugueses se reduziu, também é um facto que o fosso entre aqueles que têm um maior poder de compra e os que têm uma capacidade financeira muito reduzida continuava a ser muito grande.
Há dois anos, altura em que o crescimento da economia portuguesa foi particularmente frágil, com o PIB a acrescer a um ritmo de apenas 0,5%, dos 308 municípios do país, só em 43 o poder de compra era superior à média nacional. E destes, a maioria abrangia lugares com mais de 10.000 habitantes. Ou seja, o poder de compra mais elevado continua concentrado nos centros urbanos e no litoral. De acordo com a análise do INE, "metade do poder de compra nacional concentrava-se em apenas 20 municípios", em 2005, pertencendo grande parte à Grande Lisboa, Grande Porto ou ao Algarve.
A cidade de Lisboa continua a ser o local onde se encontra o poder de compra "per capita" mais elevado em todo o País, com 216. No entanto, há dois anos ainda era possível encontrar municípios onde o poder de compra se encontra mais de 50% abaixo da média nacional, como é o caso de Resende, Freixo de Espada à Cinta, Terras de Bouro ou Ribeira de Pena, as zonas de Portugal onde os cidadãos apresentam o mais baixo poder de compra.»
Susana Domingues
(reprodução integral de artigo, datado de 07/09/17, publicado em Jornal de Negócios)

sábado, setembro 15, 2007

"PS recusa discutir subsídio de desemprego na função pública"

www.esquerda.net
PS recusa discutir subsídio de desemprego na função pública:
http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&task=view&id=3974&Itemid=27

(título de mensagem, datada de 2007/09/13, disponível no sítio identificado)
[cortesia de Nuno Silva]

quinta-feira, setembro 13, 2007

O economista e a sua formação: algumas considerações (II)

«[...]
Conforme foi já suficientemente sublinhado nos parágrafos precedentes, quando se considera, hoje em dia, o exercício profissional do economista ou quando se invoca a problemática da gestão e do desenvolvimento de um território, país ou região, as questões da abertura da sua economia e da respectiva inserção na divisão internacional do trabalho não podem deixar de estar presentes. Não é por acaso que se considera que o tempo que atravessamos é o da globalização dos mercados. O que também quer dizer que um consumidor remoto pode ser mais importante que o cliente próximo.
São peças da dita globalização, entre outras, as seguintes: i) a concorrência transnacional, que traz associada ou se suporta em ganhos de escala, economias de custos de mão-de-obra e em dumpings sociais; ii) a liberalização do comércio mundial, com as correspondentes redução de tarifas e eliminação de contingentes; iii) a desregulação da economia, isto é, a redução da intervenção dos Estados (Ribeiro e Santos, 2006).
Esta dinâmica vai a par de outra onde se conjugam as atitudes e desejos dos consumidores e as estratégias de negócio das empresas, marcada i) pela crescente segmentação dos mercados (produtos light; produtos ecológicos), ii) pelo aumento do rendimento e aparecimento de novos grupos de consumidores (crianças/jovens; idosos; consumos apoiados no crédito), iii) pela afirmação de ciclos de vida dos produtos mais curtos e desfasados entre países/regiões e iv) pela valorização pelo consumidor de factores dinâmicos da competitividade como a marca, o design, a qualidade, a personalização do produto, o serviço pós-venda.
É este contexto e esta dinâmica das economias e das sociedades, como um todo, que dão substância aos reptos em matéria de desempenho e de formação a que se reportava João F. Proença na passagem das declarações já transcritas: (hoje, o economista) “tem que evidenciar que sabe, que sabe fazer e que sabe ser, o que para além de conhecimentos específicos exige competências comportamentais.” (Proença, 2007, p.11); “Hoje, é muito difícil exercer a profissão de economista sem o domínio de competências específicas de áreas disciplinares próximas como a gestão […] e sem acesso a teorias, métodos e técnicas de outras áreas do conhecimento, particularmente da psicologia e da sociologia, do direito e da ciência política, da matemática e da informática, entre outras.” (Proença, 2007, p.11). É que as respostas que os técnicos têm que dar são as que lhe são postas pelo funcionamento dos mercados (economias nacionais, empresas, organizações concretas) e, além do mais, têm que visar a eficiência no uso dos recursos e a eficácia nos resultados.
E é neste cenário, igualmente, que as soluções em matéria de formação dos profissionais dos diversos ofícios têm que ser encontradas, percebendo-se do que se adianta acima sobre a evolução dos mercados, das técnicas de produção e de comunicação e das atitudes de consumidores que essas respostas deverão surgir cada vez mais do trabalho de equipas pluridisciplinares e cada vez menos da acção isolada do economista ou do responsável pelo operador global de que se fala.
A esta luz não se questiona a urgência da reforma das instituições de ensino superior e dos curricula dos cursos, a pretexto ou não da chamada “Declaração de Bolonha”. O que se questiona é se há espaço para uma Bolonha à portuguesa.»
J. Cadima Ribeiro
(extracto de comunicação, intitulada "Ser economista hoje, em Portugal. O que mudou com a implementação da Declaração de Bolonha", a ser presente no 2º Congresso Nacional dos Economistas, Ordem dos Economistas, que decorrerá a 11 e 12 de Outubro de 2007, no Centro de Congressos de Lisboa)

domingo, setembro 09, 2007

O economista e a sua formação: algumas considerações

«[...]
Trazendo para primeiro plano o contexto em que se vem desenvolvendo a actividade do economista e do gestor e a complexidade daí decorrente, as derradeiras reflexões que recupero servem também para pôr em evidência a urgência de respostas adequadas a nível de formação académica e profissional deste corpo técnico. A isso se refere, de forma preocupada e crítica, Carlos Pimenta (2007, p.9), nomeadamente, na passagem seguinte: “O maior reconhecimento da importância da economia e a ideologia economicista como ´religião` da globalização aumentam o valor social do economista e atribui a alguns a função de apaziguadores das consciências. Mas a massificação da formação de economistas ao longo de décadas e as características actuais do mercado de trabalho reforçam a precariedade do emprego de muitos e promovem a despromoção funcional”.
De uma forma bem mais terra à terra, João F. Proença (2007, p.11), reporta-se aos reptos lançados em matéria de formação do seguinte modo: “Hoje, é muito difícil exercer a profissão de economista sem o domínio de competências específicas de áreas disciplinares próximas como a gestão (onde, naturalmente, insiro as contabilidades, o marketing ou a fiscalidade, conhecimentos sobre negociação, gestão de pessoas, etc.) e sem acesso a teorias, métodos e técnicas de outras áreas do conhecimento, particularmente da psicologia e da sociologia, do direito e da ciência política, da matemática e da informática, entre outras.” (Proença, 2007, p.11). Ideias que são reforçadas por estas outras: “Contrariamente ao que sucedia há alguns anos atrás, a formação inicial (de 1º ciclo) não pode/deve ser encarada como definitiva e para o resto da vida. Hoje, um aluno finalista de economia sabe (ou deve ter consciência) que o conjunto de actividades onde pode desenvolver, com utilidade, a sua actividade é bem mais vasto e, que por isso, a sua formação não está completa no dia em que receber o seu diploma.” (Belbute, 2007, p.12). Além disso, sublinha, “Os conhecimentos adquiridos […] arriscam-se a ficar rapidamente desactualizados. Por isso e contrariamente ao que sucedia há alguns anos atrás, a formação inicial deve ter um carácter mais flexível e generalista que alie uma sólida formação económica de base (em macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos) à aquisição de competência, de capacidade e de atitudes (capacidade de trabalho em equipa, de tomada de decisões, de relacionamento e de iniciativa) que valorizem os estudantes e lhes facilitem a sua inserção no mercado de trabalho” (Belbute, 2007, p.12).
A dificuldade, que José Manuel Belbute não endereça mas que seguramente terá presente, está em conjugar uma formação sólida em macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos com todas as exigências em termos de domínio de técnicas, teorias e comportamentos que antes são enunciadas como sendo imprescindíveis para o sucesso profissional dos nossos tempos e com a redução das escolaridades totais e parciais a nível de formação do 1º ciclo dos cursos do ensino superior. É que, faça-se claro, o reforço da formação em termos de macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos, em simultâneo com a redução das ditas escolaridades acaba por reduzir os cursos do 1º ciclo a projectos de ensino que pouco mais oferecem em matéria de programas escolares que macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos. Obviamente, que esses programas podem ser transmitidos recorrendo a novos modelos de ensino-aprendizagem que impliquem e suscitem novos comportamentos nos formandos mas, nessa vertente, dão-se agora os primeiros passos em Portugal, e o processo tem sérias dificuldades, mesmo porque o ensino superior não existe isolado de toda a realidade do ensino e formação do país.
Que o 1º ciclo não responderá aos reptos da complexidade da gestão das economias modernas, disso não restarão dúvidas a ninguém, suponho.»

J. Cadima Ribeiro
(extracto de comunicação, intitulada "Ser economista hoje, em Portugal. O que mudou com a implementação da Declaração de Bolonha", a ser presente no 2º Congresso Nacional dos Economistas, Ordem dos Economistas, que decorrerá a 11 e 12 de Outubro de 2007, no Centro de Congressos de Lisboa)

sexta-feira, setembro 07, 2007

quarta-feira, setembro 05, 2007

Greatness is not a function of circumstance

“Greatness is not a function of circumstance. Greatness, it turns out, is largely a matter of conscious choice, and discipline."
Jim Collins

(citação extraída de SBANC Newsletter, September 4, Issue 486-2007, http://www.sbaer.uca.edu/newsletter/2007/090407.htm)

terça-feira, setembro 04, 2007

Consumer perception of Portuguese quality wine and the region-of-origin effect - V I

"The main motivation for conducting this research was to bring some more light on the impact of territory information on buyers’ behaviour; in this case, Portuguese wine consumers.
Based on empirical evidence collected through a questionnaire directly implemented in a wholesaler, we could conclude that the dominant factor of influence in the acquisition of wine is the region of origin. Product intrinsic characteristics like colour, age, special references and grape, all have shown not having relevant influence in the decision of the wine consumer, in this case. Also noticeable is that, both, wine specialists and consumers use region of origin as a strong clue to their decision of purchasing or not a certain wine, while the non specialist consumer deposits more interest in the brand.
This way, the empirical research undertaken gives support to the hypothesis that the use of territorial references is a promising strategy to increase the market value of products and sustain differentiation towards competitors.
The regions of Alentejo, Douro and Verde have shown to be the most preferred by the Portuguese consumers. The results obtained through this survey are in line with those of a previous research (FREITAS SANTOS and CADIMA RIBEIRO, 2003). The differences to underline have to do with the inclusion of Verde wine region in the questionnaire, which we didn’t consider in the first study due to not being an ordinary Portuguese table wine, and with Dão, not valued as hypothesized by the survey respondents. Anyway, to better understand the results we got in this last study, we should keep in mind that respondents were people living in the Verde wine region itself.
The fact just mentioned can be taken as a major limitation of this empirical research, as it doesn’t allows us to generalise the results to the country, as a whole. Another limitation comes from the fact that we collected the answers in a single wholesaler. That means that supplier marketing strategy could, at least at certain level, to have influenced costumers’ choices. A last comment we would like to add as to do with the option we took of approaching consumers’ preferences through the ones stated by the small retailers. Even if a close relationship between retailers and final consumers exists, we are aware that it is not the same thing."
J. Cadima Ribeiro
J. Freitas Santos
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[reprodução da conclusão de comunicação apresentada no 47th Congress of the European Regional Science Association (Joint Congress of ERSA and ASRDLF) Paris, August 29th – September 2nd, 2007]

domingo, setembro 02, 2007

Consumer perception of Portuguese quality wine and the region-of-origin effect - V

"[...]
4. Region of origin and the perception of consumers
[...] wines from the regions of Alentejo, Douro and Verde are the most preferred by the Portuguese consumer. Regions of Beiras, Bairrada, and Ribatejo are less preferred. The results obtain through this survey are in line with those of the 2003 research (FREITAS SANTOS and CADIMA RIBEIRO, 2003), as already mentioned. The differences to underline have to do in the inclusion of Verde, which wine region we didn’t included in the first study due to not being an ordinary Portuguese table wine, and with Dão, not valued as hypothesized by the survey respondents, may be because it doesn’t presents for them as a wine region clearly differentiated from the one of Douro. Anyway, to better understand the results we got in this last empirical research, we should keep in mind that the respondents were people living in the Verde wine region itself.
As mentioned before, these results offer some support to the proposition that, where it is not possible to distinguish objectively between products on the basis of intrinsic quality, consumers will resort to the use of region of origin cue as a surrogate quality index. Thus, some region’s physical resources (such as land and climate) and tradition (historic and cultural background) can affect buyers perceptions towards wines produced in a given region, or, at least, can affect the perception of some segments of potential consumers.
[...]
Another explanation concerns the image of the wine. If wines from regions of Alentejo and Verde have a positive image, then the use of that wine makes the consumer feel better about him or herself. It may also be the case that the product has the image that the consumer wants to project to other people. Besides, it can happen that specialized regional products are fashionable. In this case, that is, if a person is concerned with what other people think, then that person may care about the region of origin in order to impress others (LOUREIRO and McCLUSKEY, 2000).
Lastly, it is interesting to see that, when the buyer has total freedom to choose the wine, Alentejo is the most preferred region, but, if it brings shopping lists, Douro and Verde also assume important places [...] in the revealed buyers preferences.
[...]"

J. Cadima Ribeiro
J. Freitas Santos
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[extractos de comunicação apresentada no 47th Congress of the European Regional Science Association (Joint Congress of ERSA and ASRDLF) Paris, August 29th – September 2nd, 2007]

sexta-feira, agosto 31, 2007

“Fiscal policy in Mediterranean countries – Developments, structures and implications for monetary policy”

“Southern and eastern Mediterranean countries have many fiscal challenges in common with other emerging market and mature economies concerning deficit and debt reduction and the maintenance of fiscal discipline. However, most countries in the region also face some specific fiscal issues, such as relatively high public debt, dependence on some form or another of donor dependence or concessional financing, high budgetary exposure to fluctuations in hydrocarbon prices, high defence expenditure and weak tax bases. Against this background, this paper reviews fiscal developments and fiscal policy issues in the ten countries that are participants or observers in the EU’s Barcelona process. The main focus is on the implications of these developments and issues for macroeconomic stability, given that countries in the region have made considerable progress in terms of macroeconomic stabilisation over the last two decades, which is reflected in particular in lower inflation rates. The analysis distinguishes between non-oil-producing and oil-producing countries in the region, as they exhibit different fiscal features and are confronted with different challenges. In the case of non-oil-producing countries, the key challenges stem from high deficits and debt levels, including implicit and contingent liabilities, notwithstanding some progress in fiscal consolidation in most of these countries over the last years. In the case of oil-producing countries, whose fiscal situation has significantly improved in recent years in the wake of high oil prices, the key challenges for fiscal management stem from the heavy reliance on an exhaustible source of revenues and a large exposure to fluctuations in international hydrocarbon prices. A shock originating from – or being transmitted via and exacerbated by – the fiscal sector appears to be the single most important macroeconomic risk in many countries.”

Michael Sturm (European Central Bank, Kaiserstrasse 29, 60311 Frankfurt am Main, Germany.)
François Gurtner (European Central Bank, Kaiserstrasse 29, 60311 Frankfurt am Main, Germany.)

Date: 2007-08
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:ecb:ecbops:20070069&r=pbe
(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

quarta-feira, agosto 29, 2007

A pretexto do exemplo da Irlanda

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(titulo de mensagem, datada de quarta-feira, 29 de Agosto de 2007, disponivel em Co-Labor)

segunda-feira, agosto 27, 2007

Consumer perception of Portuguese quality wine and the region-of-origin effect - IV

"[...]
3. Wine attributes and the perception of consumers
[....] both, wine specialists and consumers use region of origin as a strong clue to their decision of purchasing or not a certain wine, while the non specialist consumer deposits more interest in the brand. In this case, the brand seems to increase the perceived quality of the wine and the probability of its acquisition. In this regard, producer’s brand seems to be able of creating consumer loyalty and, in a certain degree, to defend the firm from the threat of competition.
[...]"
J. Cadima Ribeiro
J. Freitas Santos
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[extractos de comunicação a apresentar em 47th Congress of the European Regional Science Association (Joint Congress of ERSA and ASRDLF) Paris, August 29th – September 2nd, 2007]

domingo, agosto 26, 2007

Consumer perception of Portuguese quality wine and the region-of-origin effect - III

"[...]
3. Wine attributes and the perception of consumers
[...]
Product intrinsic characteristics like colour, age, special references and grape, all have shown not having relevant influence in the decision of the wine consumer, in this case.
There is mixed empirical evidence about the influence of colour in wine buyers` behaviour. ORTH and KRSKA (2002) study, about the Czech Republic, found that colour is an important wine attribute to buyers, while STEINER (2002) clearly identified red wine as having price premiums in England and Scotland. On the contrary, other studies (NERLOVE, 1995; SCHAMEL and ANDERSON, 2003) concluded that red wines were sold at a discount against white ones in Sweden and Australia/New Zealand, respectively. Given the diversity of countries, these results reinforce the idea of wine as a cultural product, strongly embedded in the history and culture of a “terroir”.
Although with no statistical significance, our previous research (FREITAS SANTOS and CADIMA RIBEIRO, 2003) has shown that Portuguese consumers seem to associate red wine with tradition, better quality and typical gastronomy. Of course, also health reasons spread by the media lately could help to explain the results we got.
Additionally, [...] results seems to tell that characteristics and quality of the wine (appearance, taste, flavour), which improve with age, have no major influence on the buying decision. May be, because it represents to consumers a saving in opportunity costs of storage, while, for producer, the longer they store the wine the greater it is its contribution towards the cost of production. The same way, the statement that wines with special references (marketing indications, such as reserve) have a positive impact on consumer decision is not supported by the data.
This empirical evidence is contrary to the one we got in previously (FREITAS SANTOS and CADIMA RIBEIRO, 2003) for product intrinsic characteristics like age (more years) and special attributes (as reserve), both having positive effects on price. The same applies to the indication of the name of the grapes on the label that, once again, in this survey, has shown not to influence consumers’ decision.
Regarding this issue, a study by STEINER (2002) pointed out the possible interaction between grape varieties and region of origin, saying that “outstanding grape varieties are shown to have a strongly positive or negative regional impact on price just as outstanding regions have a similar grape varietal impact”. On the contrary, ANGULO et al. (2000) found that grape variety did not influence wine prices in the Spanish market. By his turn, SCHAMEL (2003) reported mixed effects (positive and negative) of grape varieties on wine prices.
[...]"
J. Cadima Ribeiro
J. Freitas Santos
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[extractos de comunicação a apresentar em 47th Congress of the European Regional Science Association (Joint Congress of ERSA and ASRDLF) Paris, August 29th – September 2nd, 2007]

quinta-feira, agosto 23, 2007

Consumer perception of Portuguese quality wine and the region-of-origin effect - II

"[...]
3. Wine attributes and the perception of consumers
The current study deals with current Portuguese consumer perceptions of wine, in a real market setting.
[...] the dominant factor of influence in the acquisition of wine is the region of origin. This result reinforces the one we got from the 2003 study (FREITAS SANTOS and CADIMA RIBEIRO, 2003). According to it wines from regions of Douro, Dão and Alentejo would command higher prices than wines from other regions. Anyway, we should keep in mind the different nature of the methodological approach and of the sample taken.
Learning form this results, considering its strategic implication, if the region of origin has a positive image/reputation on the wine market, producers should give more visibility to it on the label and use that image in their marketing programs. A complementary approach to the market is the identification of consumer groups (market niches) that are willing to spend a higher share of their budget to buy products more able to attend theirs particular needs.
[...]
On the contrary, producers from regions with less reputation on wine should compete on brand equity and marketing actions (market research, advertising, promotion, public relations), in order to well establish the uniqueness and the historic background of the goods they are offering to the market. Using other words, the general idea is that producers, rather than competing for a price, should propose to consumers a concept supported on a strong ethos of making quality wine.
[...]"
J. Cadima Ribeiro
J. Freitas Santos
Referência:
- FREITAS SANTOS, J. and CADIMA RIBEIRO, J. (2003), ”Effects of territory information on Portuguese wine prices: a hedonic approach”, European Review of Economics and Finance, Vol. 2, N.1, pp. 39-52.
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[extractos de comunicação a apresentar em 47th Congress of the European Regional Science Association (Joint Congress of ERSA and ASRDLF) Paris, August 29th – September 2nd, 2007]

terça-feira, agosto 21, 2007

Consumer perception of Portuguese quality wine and the region-of-origin effect

"Region’s specificities such as history, geography and culture can be mobilised to qualify regions` products and confer a competitive advantage to certain products with origin in that region. The returns of a region’s resources depend upon the ability of local firms to appropriate the rents earned and whether consumers value the characteristics of the region that are associated with the product, being disposed to pay a price premium.
In a previous research, using a hedonic price function, which related the price of Portuguese regional wines to its various attributes, we found empirical support to the idea that region of origin matters to consumers, that is, the study showed that some regions of origin had a significant impact on products price. The approach taken was a supply side one, which means we collected prices from different Portuguese retail chains. In this empirical research, we intend to test the same issue questioning directly a certain kind of consumers: those who buy wine to sell it in their small retail shops, restaurants and bars (cafés). Besides the regional designation of origin, other product attributes to be tested are colour, age and special attributes, which all have shown positive effects on price in the previous research."

J. Cadima Ribeiro
J. Freitas Santos

[resumo de comunicação a apresentar em 47th Congress of the European Regional Science Association (Joint Congress of ERSA and ASRDLF) Paris, August 29th – September 2nd, 2007]

sexta-feira, agosto 17, 2007

Ser economista hoje, em Portugal. O que mudou com a implementação da Declaração de Bolonha

«Resumo:
Se é sabido que a Economia, como ciência, se preocupa com a realização de escolhas de utilização de recursos escassos no quadro da satisfação de necessidades individuais ou sociais, afigura-se bem mais problemático dizer o que é ser economista hoje, em Portugal. A dificuldade que se anota levou-me, não há muito tempo, a exprimir embaraço quando essa questão me foi colocada, à semelhança de outros conhecidos colegas de “profissão”. Embora talvez não devesse ser assim, a dificuldade da questão alargou-se nos últimos tempos, não apenas em razão da complexificação das economias mas, igualmente, da transformação porque passam os curricula do ensino superior. É que, embora uma melhor adequação das formações oferecidas às necessidades das empresas e da sociedade fosse o grande argumento invocado pelo decisor político para precipitar a mudança, o acolhimento das “novas” formações pelo mercado de trabalho ficou fora da equação. É destes problemas difíceis e deste paradoxo que esta comunicação fala.»

J. Cadima Ribeiro
(título e resumo de comunicação, com redação em curso, a ser apresentada no 2º Congresso Nacional dos Economistas, Ordem dos Economistas, a ter lugar a 11 e 12 de Outubro de 2007, no Centro de Congressos de Lisboa)

segunda-feira, agosto 13, 2007

Competitividade territorial: o caso de Leiria (VI)

"[...]
7. Na sua intervenção no IV congresso da Região de Leiria, diz que “para atrair talentos, os factores decisivos da competitividade das cidades são a qualidade de vida e a vibração cultural”. Fazendo um exercício de suposição: se lhe fizessem um proposta para regressar a Leiria o que faltaria à cidade para atrair um talento que aqui nasceu?

R: A minha relação com Leiria e, mais do que com Leiria, com a sua envolvente, funda-se em razões do foro afectivo, onde, portanto, a racionalidade nem sempre está presente.
Procurando, construir a resposta à questão colocada a partir do modelo de vida e de trabalho que é, presentemente, o meu, dir-lhe-ei o seguinte:
i) elementos centrais da minha realização como investigador, professor e, mesmo, como consultor de planeamento regional, são a possibilidade de me inserir em equipas de trabalho razoavelmente dimensionadas e qualificadas e dispor de acesso fácil a informação científica e técnica;
ii) da mesma condição de académico e investigador e técnico, necessito ter razoável mobilidade, no espaço nacional e internacional, não sendo opção para este efeito o transporte individual, por razões de comodidade pessoal, aparte considerações de ordem ambiental;
iii) da minha condição de sujeito informado de certos valores e necessidades humanas, e de pai, decorrem exigências em termos de acesso a serviços de educação, de saúde e culturais (espectáculos musicais, cinema, teatro, tertúlias culturais), que reputo imprescindíveis para o meu equilíbrio pessoal e a realização dos meus filhos.
Embora me custe dizê-lo, a Leiria que conheço mantém insuficiências importantes na generalidade das dimensões de realização profissional e pessoal que enuncio. Não é por culpa própria em todos os casos, mas é-o nalguns deles. Aí entram as questões de estratégia e de liderança de que falo.»

J. Cadima Ribeiro

(extracto de entrevista a incluir no dossiê sobre “Competitividade Territorial”, da edição nº 29 da revista Desafios, NERLEI, a sair em meados de Agosto pf.)

sexta-feira, agosto 10, 2007

Competitividade territorial: o caso de Leiria (V)

«[...]
6. Pensando no forte abandono populacional que se verifica em algumas regiões do nosso País, fruto da procura de oportunidades de trabalho e do mais fácil acesso a educação, cultura, saúde, etc, como deverão posicionar-se estes territórios, alvo de abandono, para contrariarem esta situação e até para se tornarem atractivos?

R: Para se realizarem, as pessoas necessitam de ter oportunidades de trabalho, de formação, de acesso a um conjunto básico de serviços, que vão desde a educação, à saúde, à cultura e ao lazer. Não se pode exigir a ninguém que renuncie a níveis satisfatórias de provisão de tais serviços e, obviamente, ao emprego, que é condição necessária para os adquirir. Ora, sejam actividades privadas, sejam serviços públicos, sempre se impõem determinantes de rendibilidade (privada ou social, respectivamente), o que dita que haja que assegurar mercados (procura) suficientemente dimensionados que justifiquem a iniciativa da oferta. Pequenos lugares ou cidades e populações dispersas geram deseconomias significativas que afastam os operadores privados e oneram para além do comportável a provisão de bens/serviços públicos.
Qual é a saída para evitar o abandono/desertificação dos espaços rurais e para assegurar uma provisão satisfatória de serviços às populações e aos agentes económicos e a própria atractividade de certos centros urbanos e da área envolvente? A saída tem uma resposta que se materializa no conceito técnico de ordenamento, ordenamento do território, ordenamento do espaço rural; ordenamento urbano. Quer-se com isto dizer que há que trabalhar os assentamentos humanos para que certos lugares (cidades) se desenvolvam e possam servir os seus residentes e a população das vilas e aldeias vizinhas em matéria de provisão dos serviços básicos e do emprego de que falo antes, numa organização geográfica que assegure distâncias razoáveis entre os lugares de residência e de trabalho do comum dos cidadãos e os ditos centros de oferta de equipamentos e serviços.
Isto é o contrário de deixar crescer as cidades ao sabor da especulação imobiliária e de acasos de mercado; isto é o oposto de vir a correr, a seguir, dotá-las de equipamentos e serviços públicos cuja oferta se tornou, naturalmente, deficitária. Também é o oposto de transformar o espaço rural numa amálgama de área residencial, território produtivo agrícola e mancha florestal.
E que se pode fazer partindo do cenário actual, dominado pela presença de uma multiplicidade de cidades, quase nenhuma com escala crítica para acolher serviços mais qualificados e, por isso, incapazes de dar resposta a solicitações de ambiência urbana mais exigente de certos grupos sócio-profissionais? Pode-se organizar em rede núcleos urbanos vizinhos, criar conurbações urbanas ou pequenas áreas metropolitanas que, conjugando recursos/equipamentos e gerindo-os articuladamente, possam atingir uma escala de operação que lhes confira a competitividade que cada um, por isso, não terá ao seu alcance.
[...]»
J. Cadima Ribeiro

(extracto de entrevista a incluir no dossiê sobre “Competitividade Territorial”, da edição nº 29 da revista Desafios, NERLEI, a sair em meados de Agosto pf.)

terça-feira, agosto 07, 2007

Competitividade territorial: o caso de Leiria (IV)

«[...]
5. Leiria é uma clara defensora da localização do novo aeroporto na Ota. Como economista especialista em Economia Regional, está convicto que esta localização vai trazer de facto vantagens competitivas a Leiria? Em que medida?

R: Na entrevista que dei ao Jornal de Leiria a que faz referência numa questão anterior, creio ter invocado uma ideia central no funcionamento dos mercados actuais e que é a de que “num mundo crescentemente global, um consumidor remoto pode ser mais importante que o cliente próximo.” Daqui resulta, como dizia há algum tempo António Câmara, que a acessibilidade (e não a localização) passou a ser o factor decisivo de sucesso económico/empresarial.
Que é que isto tem que ver com Leiria e com a localização do novo aeroporto de Lisboa? Tem que ver na medida em que aquele futuro aeroporto venha a ser o centro logístico de que o país necessita para operar à escala global, de forma mais eficiente; isto é, o aeroporto é importante para Leiria na medida em que as empresas aqui sedeadas visem, preferentemente, os mercados internacionais e desenvolvam modelos de negócio onde o tempo de resposta, a assistência ao cliente e o acesso ao conhecimento e à informação se encontrem entre os principais factores de competitividade em que se amarrem? Se o aeroporto acabar por cair em Alcochete, a situação modifica-se radicalmente? Não! Não porque a acessibilidade de que se fala é capacidade de comunicação, de relação, com o cliente distante e essa capacidade decorre da habilidade de tirar partido económico das tecnologias de comunicação e informação e de “razoáveis” condições de transporte de mercadorias e pessoas, e, pelo menos em relação à segunda componente, as condições actuais já são boas e só podem melhorar (com o comboio de alta velocidade, em concreto). Definitivamente, pensando a infra-estrutura aeroportuária que está em causa, não são mais 30 ou 40 quilómetros para Norte ou para Sul que modificam radicalmente a competitividade de uma região.
[...]»

J. Cadima Ribeiro
(extracto de entrevista a incluir no dossiê sobre “Competitividade Territorial”, da edição nº 29 da revista Desafios, NERLEI, a sair em meados de Agosto pf.)

domingo, agosto 05, 2007

Competitividade territorial: o caso de Leiria (III)

«[...]
4. No conjunto dos sete vectores estratégicos de desenvolvimento de uma região, assinala a “liderança”. Esse é outro dos problemas quando se fala de Leiria. Como se constrói essa liderança para afirmação dos territórios?

R: É disso que falo nas considerações precedentes, quando associo estratégia e intérpretes. Liderança significa, neste contexto, intérpretes com um projecto mobilizador e agregador de vontades da comunidade cujos interesses interpretam. Obviamente, nem todos os actores de desenvolvimento precisam assumir-se como lideres nem isso asseguraria liderança para o desenvolvimento, nem, sublinhe-se, a liderança de um território precisa confundir-se com uma liderança pessoal. Muitos líderes, resultaria em lideranças e disputas “tribais”, cuja caricatura se pode reconhecer no multiplicar de dirigentes das associações empresariais, ditas de cúpula, de que o país dispõe. Uma liderança pessoal arrisca-se a cair em caciquismo, sempre condenável, que me escuso de ilustrar aqui.
Acrescentando uma nota de esperança, gostaria de dizer que as lideranças também se estimulam e se constroem. Não se fazem é com gente com ânsia desmesurada de protagonismo pessoal e falha de sentido de responsabilidade social.
[...]»

J. Cadima Ribeiro

(extracto de entrevista a incluir no dossiê sobre “Competitividade Territorial”, da edição nº 29 da revista Desafios, NERLEI, a sair em meados de Agosto pf.)

quarta-feira, agosto 01, 2007

Competitividade territorial: o caso de Leiria (II)

«[...]
3. Numa entrevista recente ao Jornal de Leiria disse que “não existe nenhum conceito histórico ou cultural de região associado a Leiria” e referiu ainda que o termo ‘região de Leiria” lhe causava algum embaraço. A muitos leirienses também, pois nunca se sabe muito bem do que se está a falar. Neste contexto, como é que Leiria define um projecto e uma estratégia de competitividade territorial?

R: A pergunta que, há tempos, me foi colocada era difícil, como resulta óbvio desta outra perante a qual estou colocado agora. As respostas só são fáceis se as perguntas feitas o forem. Que é que eu quero dizer com isto? Várias coisas; a saber:
i) primeiro, que os territórios podem ser tomados segundo diferentes escalas, o local, o regional, o nacional, o comunitário, entre outras, e as potencialidades económicas e de organização e eficácia sócio-política destes níveis são distintas, havendo funções e serviços que são mais eficientemente prosseguidos à escala local que regional ou à escala regional que nacional, e assim sucessivamente. Aliás, não é por acaso que a União Europeu inventou o conceito de subsidariedade para defender que cada atribuição em matéria de gestão de recursos comunitários deve ser desenvolvida ao nível em que melhor se garanta a adequação entre a percepção dos problemas que urge atacar e os fins que as políticas visem atingir;
ii) segundo, eu não questiono que exista uma identidade histórica de que Leiria participa, se bem que, segundo julgo saber, não se reconheça no conceito de “região de Leiria”; como disse, entretanto, os laços que tecem uma comunidade não são estáticos, precisam ser regularmente renovados e essa reafirmação faz-se enfeudada às lógicas económicas, político-institucionais, culturais que vão emergindo ao longo do tempo e que, em muitos casos, deixam para trás alguns agentes e comunidades locais. Se se atender à forma como os tecidos económicos se vão renovando e às lógicas de imbricação entre actividades que, em consequência, se vão gerando, perceber-se-á melhor o que quero dizer. Note-se, a título de ilustração, a forma como a decadência de certas actividades arrasta consigo a de certos territórios, e o fulgor que emerge noutros, não raras vezes sem história na actividade motora precedente, decorrente do desenvolvimento de um novo produto ou mercado;
iii) terceiro, as estratégias e os projectos, empresariais ou outros, não existem sem protagonistas. Quero eu dizer, Lisboa pode fazer planos de desenvolvimento para Leiria e território envolvente mas planos não são acção, acção de transformação consequente, e nunca serão desenvolvimento se não tiverem intérpretes regionais e se não responderem às aspirações e motivações desses intérpretes e, supostamente, das populações que eles representam. Isto leva-nos à questão da rede social (se se quiser, de uma elite económica, cultural, política) cuja rede de relações se teça nos limites de uma certa “região de Leiria”, qualquer que ela seja, que existirá ou não.
Endereçando directamente a último parte da questão que coloca, dir-lhe-ei que, se a elite social de que falo não existir, restará a Leiria e ao território onde se inscreve coserem o melhor que souberem os projectos “particulares” que forem capazes de gerar ou atrair, informando-os da racionalidade económica e ambiental que lhes permita assegurar a geração de riqueza, de emprego, e a sustentabilidade ambiental possíveis, buscando a consistência de projecto económico e, sobretudo, político-institucional nas parcerias(alianças) que consigam estabelecer com os espaços contíguos com que mantenham maiores afinidades.
[...]»

J. Cadima Ribeiro
(extracto de entrevista a incluir no dossiê sobre “Competitividade Territorial”, da edição nº 29 da revista Desafios, NERLEI, a sair em meados de Agosto pf.)

domingo, julho 29, 2007

Competitividade territorial: o caso de Leiria

«1. Enquanto professor e investigador, como definiria “competitividade territorial”?
R: Uma definição possível é a seguinte: competitividade é a capacidade de um território (cidade; região; país) gerar e reter valor de forma sustentável, em proveito das suas empresas e populações. Na acepção que retenho, isso só se atinge através da mobilização dos agentes e dos recursos e capacidades dos territórios e pela detenção de algum grau de inovação, em matéria de oferta de produtos/serviços e organizacional.

2. Esta competitividade territorial deve ser construída a partir de um modelo de divisão do território já existente, deve ser definido um novo modelo, ou pelo contrário, a ‘construção de territórios” deve ser feita espontaneamente, ainda que desta forma algumas parcelas possam ficar excluídas?
R: Até há não muito tempo (final dos anos 70/princípios dos anos 80 do séc. XX), o paradigma de desenvolvimento dominante, tendia a ver nos territórios espaços relativamente desprovidos de recursos (capital, trabalho qualificado) e de iniciativa. A esta luz, cumpria ao poder público central aportar recursos, equipamentos e serviços básicos, definir estratégias e mobilizar actores, a mais das vezes igualmente externos ao território objecto de intervenção, que, a prazo, gerassem emprego e riqueza, quer dizer, crescimento económico.
A visão que subsiste hoje em dia é substancialmente distinta e pode ser revertida ao conceito de desenvolvimento endógeno, que remete para a noção de competitividade dos territórios que é enunciada na resposta precedente.
De que modo é que isso se relaciona com o modelo de divisão do espaço e a sua gestão política e económica? Relaciona-se na medida em que as unidades operativas são comunidades humanas, isto é, populações, tecidos empresariais e institucionais com certo nível de coesão, partilhando valores e aspirações que são singulares no contexto do país ou do bloco económico/político onde essa unidade espacial se integra. Dito de outro modo, território significa já comunidade humana informada por certos valores e estruturas de organização social e económica. As estratégias de desenvolvimento a gizar, aparte o suporte que necessitam ter nos recursos e competências dessa comunidade, têm que dar resposta às aspirações dessa comunidade e ser capazes de mobilizá-la, para que sejam sustentáveis no tempo, isto é, para que o desenvolvimento aconteça. Tal não quer dizer que as fronteiras das comunidades humanas não se recriem, na medida em que preservem a respectiva capacidade de regeneração, quer dizer, permaneçam vivas.
[...]»
J. Cadima Ribeiro
(extracto de entrevista a incluir no dossiê sobre “Competitividade Territorial”, da edição nº 29 da revista Desafios, NERLEI, a sair em meados de Agosto pf.)

quarta-feira, julho 25, 2007

Mestrado em Economia, Mercados e Políticas Públicas

MEMPP
Candidaturas
prazo
: 16 de Julho a 31 de Agosto de 2007
local: Divisão de Pós-Graduação da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho
documentos: Boletim de candidatura; Cópia da certidão da licenciatura com as notas discriminadas e de outros graus obtidos; "Curriculum Vitae" detalhado; 2 fotografias tipo passe; Cópia do Bilhete de Identidade; Cópia do Cartão de Contribuinte
matrículas: 1 a 4 de Outubro de 2007
propinas: €1750/ano

sábado, julho 21, 2007

The analysis of tourists` preferences: the Minho-Lima case (III)

«[...]
Some territories use its natural, historical and ethnographical resources aiming to preserve resources and to increase revenue and employment. However, being financial and human resources scarces, usually, any planning process implies to develop a selection process and the evaluation of available alternatives.
The current touristic resources can provide a starting point for the definition of alternatives and, knowing the tourists' opinion on these, we can get more solid base to select the strategic alternative adjusted to the characteristics of the territory in analysis and to their preferences.
The analysis of tourists’ preferences and tastes are facilitated when we face more or less consolidated destinations and actual touristic resources, once these present a demand where tastes and preferences can be investigated. However, when emergent destinations and potential touristic resources are analysed we do not know the demand on which to base these parameters, and this mission becomes more complicated. To surpass that problem, we can apply to the stated preferences analysis, asking respondents about theirs (stated) choices, in the aim of hypothetical consumption situations. “Because it relies on individual’s statements about their preferences or choices, this approach has become known as ´stated preference` (or choice) analysis” (Louvière and Timmermans, 1990, p.10).
[...]»
Laurentina Vareiro
J. Cadima Ribeiro

[reprodução de extracto de comunicação intitulada "The use of stated preference and choice models in the analysis of tourists’ preferences: the Minho-Lima sub-region (Portugal) case", a ser apresentada em: 47th Congress of the European Regional Science Association (Joint Congress of ERSA and ASRDLF), Paris, August 29th – September 2nd, 2007].

terça-feira, julho 17, 2007

The analysis of tourists’ preferences: the Minho-Lima case (II)

"[...]
Even being quite similar, the results show some differences in terms of preferred destination profiles:
- national tourists prefer National Parks or Protected Landscapes, while foreign tourists give more value to Mountains; additionally,
- in the case of the Ethnographical Resources, national tourists attribute larger importance to Gastronomy, while foreigners value better Popular Festivities.
Both, national and foreigners tourists value a lot Natural Resources-water, namely Oceanic Beaches, and, in what concerns Historical Resources, the preference goes, clearly, to Archaeological Patrimony.
[...]"
Laurentina Vareiro
J. Cadima Ribeiro

[reprodução de extracto de comunicação intitulada "The use of stated preference and choice models in the analysis of tourists’ preferences: the Minho-Lima sub-region (Portugal) case", a ser apresentada em: 47th Congress of the European Regional Science Association (Joint Congress of ERSA and ASRDLF), Paris, August 29th – September 2nd, 2007].

sexta-feira, julho 13, 2007

The analysis of tourists’ preferences: the Minho-Lima case

"Tourist operators and public decision makers of a certain touristic destination are interested in knowing the contribution of each of the touristist resources (attributes) available and of theirs levels to the success of the destination. That as to do with preferences kept by present or future (potential) consumers (tourists). Having access to that knowledge they can evaluate the consistency of the strategy they are following in terms of profiting from those resources, as well as to take more informed decisions regarding promotion of the touristic destination, according to the set of products and services available.
Briefly, from the results we got from our empirical approach, we have to conclude that resources tourists value the most are (were) Oceanic Beaches and National Parks or Protected Landscapes. Having this in mind, from a promotional point of view, we think coastal municipalities of our study, which do not belong to the Peneda-Gêres National Park, should include the reference to it in their promotion campaigns, as they are located close to it. The same way, those municipalities which are inserted in this National Park, should refer to the coastline in their tourism folders, as the distance to it is never longer than a few dozens of kilometres.
By contrast, considering the same empirical results, given the minor importance conferred to Religious Patrimony and Handicraft by, both, national and foreign tourists, there is, clearly, the need to review the importance (visibility) given to them in the promotion strategies. Anyway, taking the perspective that it will be better to have a touristic destination able to offer to the market an enlarged folder of products/services than a narrow one, it seems to make sense that these resources are taken as complementary ones. As the current promotion strategy does of the Religious Patrimony and Handicraft the visiting cards of Minho-Lima, the results we got call for a deep move regarding this territory future touristic promotion."
Laurentina Vareiro
J. Cadima Ribeiro
[reprodução da "conclusão" de comunicação intitulada "The use of stated preference and choice models in the analysis of tourists’ preferences: the Minho-Lima sub-region (Portugal) case", a ser apresentada em: 47th Congress of the European Regional Science Association (Joint Congress of ERSA and ASRDLF), Paris, August 29th – September 2nd, 2007].

segunda-feira, julho 09, 2007

A União Europeia e Portugal: planeamento e bom uso de recursos

1. “A coesão significa solidariedade entre os Estados-Membros para tornar as regiões lugares mais atractivos, inovadores e competitivos para se viver e trabalhar.”. Quais as implicações do alargamento da União Europeia na coesão económica, social e territorial? Portugal deve estar na linha da frente dos países com maior interesse no processo de integração europeia tendo em linha de pensamento a actual conjectura económica a nível Europeu e mesmo Mundial?

R: A realidade europeia em termos de desenvolvimento é muito desequilibrada considerando os estados que a constituem, e ainda mais desequilibrada quando a pensamos em termos dos territórios sub-nacionais. Assim sendo, dificilmente novos alargamentos não acarretarão o aumento do fosso entre regiões pobres e regiões ricas.
Portugal não tem muito a ganhar, em termos económicos, com novos alargamentos. Não pode é, por razoes éticas e políticas negar a solidariedade a esses povos, na própria medida em que a tem reclamado em relação a si. Teoricamente, a entrada de novos países significa abrir novos mercados, todos podendo ganhar com isso. Na prática, é preciso que as empresas o percebam como tal e vão à lutam. As multinacionais são, usualmente, quem melhor partido tira destas oportunidades. É preciso pensar a conjuntura económica europeia e mundial mais como um desafio que como uma ameaça!

2. Para além das políticas correntes, que mais esforços podem ser realizados por parte da Comissão da União Europeia no sentido de ajudar as regiões a tornarem-se mais competitivas e homogéneas entre si?

R: Não é só a comissão europeia que tem responsabilidades neste domínio. Os estados nacionais também as têm. No caso português, onde tem estado a solidariedade com as regiões mais desfavorecidas e onde tem estado uma verdadeira política de desenvolvimento regional? A melhor ilustração dessa falta de vontade é a ausência de descentralização e de regionalização, que são instrumentos fundamentais de cidadania e de desenvolvimento.
Em termos europeus, as políticas estruturais, com expressão a nível das infra-estruturas e equipamentos, têm sido uma boa ajuda. Obviamente, se o orçamento afecto a este tipo de políticas fosse maior podia ir-se mais longe. Importa, por outro lado, secundar as políticas orientadas paras as infra-estruturas por outras ligadas à qualificação das pessoas, dos territórios e dos tecidos empresariais. Isso implica, sublinho, implicar proximamente os agentes, dando substância ao conceito de subsidiariedade, com leitura também nacional.

3. Qual ou quais devem ser os princípios e/ou indicadores que devem ser privilegiados no estabelecimento de prioridades da política de coesão da UE de forma a assegurar um crescimento equilibrado e sustentável dos territórios?

R: Em termos de diagnóstico, indicadores como o PIB per capita, expresso em paridades de poder de compra, ou outros que retratem a competitividade dos territórios e a respectiva capacidade empresarial são úteis. Há que manter presente, também, a qualificação das pessoas e a cobertura dos territórios em equipamentos e em serviços básicos. Os princípios orientadores das políticas deverão ser, por outro lado:
i) a aposta no aproveitamento dos recursos e capacidades dos territórios;
ii) a sustentabilidade do modelo económico ; e
iii) a equidade de tratamento, o que supõe, à partida, dotar as regiões mais carentes de um conjunto de infra- estruturas e de equipamentos de suporte às pessoas e às empresas.

4. Segundo Jos Chabert, “A transparência e a aproximação permanecem duas prioridades políticas do Comité das Regiões para os próximos anos”. Que passos devem ser tomados de forma a tornar as decisões de política regional mais transparentes e coerentes entre si?

R: há dois níveis de pensar as intervenções: o europeu e o nacional. Em termos nacionais, conforme já dito, há que assumir uma postura de muito maior solidariedade das regiões mais ricas com as mais pobres e assentar muito mais do que até aqui os projectos de desenvolvimento nos recursos e nas iniciativas dos agentes regionais, facilitando-lhes recursos e capacidades de decisão para que possam definir políticas de médio e longo prazos e trabalharem com patamares de eficiência maiores. Quer isto dizer que as políticas têm que ser construídas com as pessoas, com os agentes dos territórios e não a partir de Lisboa ou do Porto.
A nível europeu, há que ultrapassar igualmente a situação de diálogo/negociação exclusiva com os governos nacionais, e fazer valer mais a componente de monitorização das políticas e dos projectos que os processos de planeamento sempre envolvem.
Note-se, a propósito, que o comité das Regiões é um órgão inexistente para os cidadãos, não se conhecendo sequer quem são os representantes portugueses nessa estrutura, nem existe criado qualquer mecanismo de interacção entre os cidadãos ou os poderes locais e esses representantes "anónimos".

5. No seu entender, os fundos de coesão que tiveram como destino o nosso país, foram bem aplicados? Que poderia ter sido feito no sentido de tornar a sua aplicação mais eficiente?

R: Se os fundos tivessem sido bem aplicados e as políticas adequadamente estabelecidas, Portugal deveria situar-se actualmente num patamar de desenvolvimento muito mais elevado. Houve erros de planeamento (de definição de prioridades políticas). Houve erros de implementação. Não houve monitorização das políticas e consequente correcção de trajectórias quando as coisas não correram bem. O que há a fazer?
i) Planear com maior envolvimento dos agentes, com prioridade mais rigorosamente definidas;
ii) Instituir verdadeiros mecanismos de acompanhamento e monitorização.
iii) Ser mais exigente e selectivo nos projectos a apoiar, mantendo presente o respectivo alcance em matéria de contributo para a competitividade nacional e de sustentabilidade económica e ambiental dos projectos e dos equipamentos apoiados. Em síntese: há que alterar modelos de trabalho e culturas de dependência e de acomodação.

(As perguntas de Alberto Dantas, Daniel Maciel, Eduardo Silva e Rui Gonçalves e as respostas de J. Cadima Ribeiro)

segunda-feira, julho 02, 2007

Casos de sucesso de produtos do território nos mercados externos - II

"[...]
A produção de produtos alimentares biológicos ou cultivados segundo métodos tradicionais tem sido a aposta de alguns produtores. Por exemplo, a produção de cerejas de qualidade superior, com um sabor específico, permitiu que um produtor do Fundão vendesse a sua cereja à Ferrero Rocher para os bombons Mon Chéri (EXPRESSO, 2005c), outro de Odemira colocasse os seus morangos à venda na cadeia de supermercados Wal-Mart (EXPRESSO, 2005d), e um outro de Ferreira do Alentejo tenha desenvolvido variedades de uva para consumo, duas delas sem grainha, para comercialização no mercado nacional e inglês (EXPRESSO, 2005e).
O saber fazer português, consubstanciado nas receitas caseiras tradicionais de culinária e doçaria, também parece oferecer algum potencial de exportação. A Chocolame está presente num segmento muito específico, o dos salames de chocolate, que respeitam integralmente as receitas e os métodos de fabrico tradicionais, sendo distribuídos em Portugal e nos Estados Unidos (SEMANÁRIO ECONÓMICO, 2005). Um empresário de Coimbra vende queijadas e pastéis de Tentúgal e de Santa Clara não só na sua rede de pastelarias Vasco da Gama, como numa loja em Salamanca (EXPRESSO, 2005a). Uma pequena empresa de Tavira produz flor do sal, um produto formado nas salinas e que tem características químicas e físicas muito diferentes do sal de cozinha, sendo usado na alta cozinha para dar um paladar requintado aos pratos, em peelings faciais e em tratamentos homeopáticos contra a malária. Os canais de distribuição preferenciais são os hotéis de luxo e as lojas de artigos gourmet de grandes superfícies em Portugal, França, Alemanha, Bélgica, Suécia, Estados Unidos e Canadá (EXPRESSO, 2005b).
[...]"

J. Cadima Ribeiro
J. Freitas Santos

(extracto de comunicação intitulada "Produtos do Território e Internacionalização Empresarial", a apresentar no 13º Congresso da APDR, que decorre na Universidade dos Açores, Angra do Heroísmo, de 5 a 7 de Julho de 2007)

sexta-feira, junho 29, 2007

Casos de sucesso de produtos do território nos mercados externos

"[...]
A origem do produto é um atributo importante no processo de decisão de compra do consumidor. Em Portugal, Freitas Santos e Cadima Ribeiro (2003, 2005 e 2006) analisaram o efeito da região de origem de alguns produtos do território (vinho, azeite e queijo) no seu preço, tendo concluído que, em geral, os consumidores estão dispostos a pagar um prémio em termos de preço pelos produtos oriundos de regiões com maior reputação.
A questão que agora se coloca é a de saber se essa mais valia, empiricamente testada no plano nacional, é transferível para os mercados internacionais. Um caso particular é o das comunidades de emigrantes espalhadas pelo mundo, onde o efeito da região representa uma forte identificação com o seu país de origem (vinho do Porto, azeite, queijo, etc.). Porém, existem outros casos de sucesso onde a exploração dos mercados externos acontece pela procura de segmentos homogéneos de consumidores mundiais (nichos) que valorizam produtos de qualidade e com denominação de origem protegida.
[...]"
J. Cadima Ribeiro
J. Freitas Santos

(extracto de comunicação intitulada "Produtos do Território e Internacionalização Empresarial", a apresentar no 13º Congresso da APDR, que decorre na Universidade dos Açores, Angra do Heroísmo, de 5 a 7 de Julho de 2007)