Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento
quinta-feira, novembro 15, 2007
A evolução dos preços do petróleo
quarta-feira, novembro 14, 2007
“Foreign Direct Investment and Country-Specific Human Capital”
Jinyoung Kim (Department of Economics, Korea University)
Keywords: foreign direct investment, multinational firm, human capital, foreign education, students abroad.
Date: 2007
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:iek:wpaper:0705&r=edu
(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)
terça-feira, novembro 13, 2007
"Criação insuficiente de emprego qualificado gera desqualificação e desemprego crescente entre os de maior escolaridade"
sábado, novembro 10, 2007
Evolução do comércio externo
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Comércio Extra-Comunitário - Janeiro a Setembro de 2007
(títulos de mensagens, datadas de 07/11/09, disponíveis em Economia & Finanças)
quarta-feira, novembro 07, 2007
A caminho de Espanha
terça-feira, novembro 06, 2007
"A variedade é a vida"
(título de mensagem, datada de 07/11/06, disponível em Sobre o tempo que passa)
Política de “clusters” e desenvolvimento regional
Em Portugal, a política de “clusters” foi timidamente introduzida no seu momento e actualmente vive um impasse preocupante, sobretudo porque as actuações em matéria de política produtiva são escassas e deficientemente dirigidas, e porque existem alguns sectores de futuro que devem ser decididamente apoiados, nomeadamente, através da intervenção nas dimensões intangíveis e nas organizativas com carácter de bem público. Em termos de desenho e implementação da política de “clusters” há alguns aspectos que merecem especial destaque: i) Os sectores escolhidos devem estar associados a actividades de valor acrescentado alto e médio-alto, com uma elevada componente de inovação; ii) A localização para o desenvolvimento do “cluster” deve alhear-se de considerações espúrias e decidir-se pelo potencial real em termos de recursos e de ligações aos centros e mercados internacionais; iii) A estrutura social de suporte deve promover uma atitude estratégica permanente e a sua intervenção deve dar resposta a estratégia previamente delineada; iv) A cultura de cooperação deve ser fortemente promovida, especialmente em actividades dificilmente financiáveis individualmente e onde os esforços isolados se têm revelado pouco eficazes.
O fomento duma política de “clusters” em Portugal, para além de ter em consideração os aspectos anteriormente enunciados, não deve avançar sem que a administração promova o diálogo com as empresas e com outros agentes que potencialmente podem induzir a mudança. A implementação deve ser rigorosa, rápida, dinâmica e flexível e deve reger-se por critérios técnicos, tentando minimizar as consequências negativas dos equilíbrios e tensões políticas que sempre surgem neste tipo de processos.
(artigo de opinião hoje publicado no Diário do Minho - Suplemento de Economia, em coluna intitulada "Desde a Gallaecia")
segunda-feira, novembro 05, 2007
Revista de imprensa
A maioria dos analistas inverteu a sua expectativa e, agora, já temem que o crude continue a subir. Estaremos a caminho dos 100 dólares?
quarta-feira, outubro 31, 2007
Retrato do sector da distribuição de vestuário em Portugal
"O sector português da distribuição atravessa uma fase de concentração. O grupo Inditex, o El Corte Inglés, o grupo Regojo, a C&A e o Continente são os principais operadores, com uma quota de mercado de 23% em 2006(31Out07). As cadeias especializadas e as grandes superfícies aumentaram a sua quota total de mercado em Portugal nos últimos anos, superando os 50% em 2006, enquanto que o comércio independente diminuiu cerca de 4,3% em igual período, de acordo com o estudo "Distribuição de Confecção" realizado pela consultora DBK.
Os resultados do estudo revelam que o volume de negócios do sector português da distribuição de vestuário registou um incremento de 3,4% em 2006, atingindo os 4,23 mil milhões de euros. Neste contexto, o comércio independente continua a perder quota de mercado a favor das cadeias especializadas, dos grandes armazéns e dos hipermercados.
Deste modo, as vendas das lojas independentes perderam uma quota de 6% desde 2004. Em contrapartida, a facturação total das cadeias especializadas e das grandes superfícies apresentaram, nos últimos exercícios, uma tendência de crescimento que atingiu os 40% e os 13%, respectivamente, em 2006.
O vestuário de senhora representou cerca de 50% das vendas totais em 2006 e o de homem 40%, correspondendo os restantes 10% ao vestuário infantil. No sector operam mais de 6.700 empresas, com um efectivo total de 31.700 pessoas.
Em particular, este estudo aponta para o desaparecimento do comércio independente, assim como para um maior número de aberturas de pontos de venda integrados em cadeias especializadas.
Para 2007-2008, o estudo da DBK prevê uma ligeira aceleração do ritmo de crescimento das vendas, com taxas de variação anual situadas nos 4-5%. O comércio independente deverá, todavia, continuar a perder quota de mercado, num contexto de forte crescimento previsto para as cadeias especializadas, os hipermercados e os grandes armazéns.
A escassez de locais nos centros das cidades e os novos hábitos de consumo fomentaram o desenvolvimento de numerosos projectos de centros comerciais, os quais continuarão a ganhar protagonismo na criação de novos espaços nas cadeias especializadas.
A forte concorrência continuara a impulsionar as estratégias de diversificação dos operadores para novos segmentos de procura, assim como para o lançamento de novas linhas de produtos."
(reprodução integral de notícia recebida em 07/10/31, via Newsletter - Portugal Têxtil)
terça-feira, outubro 30, 2007
Portugal é um dos países da OCDE que menos investe em conhecimento
sexta-feira, outubro 26, 2007
"Portugal é o 31º país mais globalizado"
"Economia e investimento estrangeiro prejudicam pontuação final
Investimento Directo Estrangeiro
1.Alemanha
2.Espanha
3.Reino Unido
4.França
5.Estados Unidos
Inflação e desemprego
Conclusões:
-Existe uma relação entre inflação e variação do desemprego ( e não entre inflação e desemprego)
-Considerando a variação da taxa de desemprego no curto prazo, em vez da taxa de desemprego, a curva de Phillips verifica-se em Portugal.
(Joana Ferreira, Outubro de 2005)
terça-feira, outubro 23, 2007
A norte: o desastre em matéria de estratégia de desenvolvimento e de ordenamento do território
Quem rejeite a ideia de fatalidade na evolução dos fenómenos económicos não pode deixar de questionar porque é que isso acontece e a consistência das políticas públicas que ditaram tal resultado, muitas delas suportadas por fundos comunitários e nacionais vultuosos, aparte a equidade da distribuição destes pelas diferentes regiões. Na minha condição de observador da evolução da realidade desta parcela do território nacional e de técnico interveniente nalgumas operações de planeamento, não posso deixar de pensar que os resultados a que se chegou são, em grande medida, fruto de estratégias de desenvolvimento e de políticas de ordenamento do território erradas.
Avançando esta posição agora, mais não faço do que repetir o que venho afirmando desde há 25 anos, com o “conforto” que me dão nesta altura os números a que me reporto. Quero eu dizer: quem se atreve agora a classificar de bom o desempenho económico das últimas décadas do norte de Portugal e de acertadas as orientações de política prosseguidas?
Para não me ficar pelo enunciado de ordem geral, retenho do “Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio - 2005” alguns números. A esta recensão de números acrescentarei, a concluir, duas ou três orientações de estratégia, alternativas às que vêm sendo prosseguidas pela CC(D)R-N e pelos Governos, desde os anos 80 do século XX. Essas notas parecem-me ter particular pertinência na ocasião em que está em preparação o chamado Plano Regional de Ordenamento do Território e um estudo de impacte da construção de uma linha férrea de um comboio de velocidade alta entre Porto e Vigo.
Passemos aos números sobre o poder de compra concelhio, isto é, ao índice de poder de compra, como medida da posição relativa dos municípios em termos de capacidade aquisitiva média. Os dados sobre os municípios minhotos invocados são comparados com os das respectivas NUT III e NUT II e os de Porto e Lisboa. São eles os seguintes:
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Portugal (território base) – 100
NUT II Norte – 85,45
NUT III Minho-Lima - 70,72
-Arcos de Valdevez – 52,49
-Valença – 74,11
-Viana do Castelo – 87,45
NUT III Cavado – 82,47
-Barcelos – 67,05
-Braga – 105,83
-Terras de Bouro – 47,36
NUT III Ave - 74,57
-Guimarães – 77,50
-Póvoa de Lanhoso – 59,38
-Vila Nova de Famalicão – 81,55
NUT III Tâmega - 61,57
-Cabeceiras de Basto – 52,88
-Celorico de Basto – 48,50
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Lisboa – 216,04
Porto – 164,26
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O contraste dos números diz bem das assimetrias de desenvolvimento que se configuram no território em análise.
Respostas consequentes à situação da NUT II norte têm que assumir as fragilidades de partida, e ser ousadas. Nessas respostas, tem que tomar papel estruturador a rede urbana, caracterizada na actualidade pelos seguintes tipos de áreas: i) a Área Metropolitana do Porto (AMP), que constitui um espaço maioritariamente urbano, com fortes relações de interdependência funcional interna; ii) uma mancha urbano-industrial descontinua, envolvente da AMP, integrada por cidades de pequena e média dimensão e por contínuos rururbanos; iii) uma área de consolidação urbana, que se consubstancia no quadrilátero constituído pelas cidades de Braga, Guimarães, Famalicão e Barcelos, que se vem progressivamente reforçando pela via da atracção que exerce sobre as áreas envolventes; iv) áreas de intermediação, onde prevalecem conflitos no uso dos solos, escassa dotação de infra-estruturas e espaços urbanos fragmentados; e, v) áreas rurais, caracterizadas por uma estrutura económica frágil e por baixos níveis de prestação de serviços.
A consolidação de espaços urbanos funcionalmente mais autónomos tem implicações para a área metropolitana do Porto, o que não deve inibir a sua potenciação, assumindo a polinucleação que o território já evidencia, o que implica a partilha da sua centralidade competencial com outras centralidades tendencialmente mais dinâmicas, com destaque para o quadrilátero urbano acima nomeado, mas, igualmente, com Viana do Castelo, que tem vindo a consolidar a sua especialização a nível turístico, ambiental e de lazer.
Neste quadro de superação de fragilidades do tecido produtivo, assume particular importância o investimento na qualificação das redes de transportes e comunicações, incluindo as de âmbito transfronteiriço, fazendo particular sentido explorar a capacidade de um equipamento como o comboio de altas prestações como instrumento de consolidação de uma estrutura urbana mais equilibrada e de abertura de novas vias para o desenvolvimento. Esclareça-se entretanto que o uso do conceito de rede quer significar, em simultâneo, inter-operacionalidade de canais e multi-modalidade, dimensões estas onde subsistem particulares estrangulamentos quer na operação interna quer na relação com o exterior.
Na falta de espaço para aprofundamento das ideias de política esboçadas, fica a promessa de um regresso ao tema.
domingo, outubro 21, 2007
O Nobel da Economia só devia ser atribuído de 4 em 4 anos
quinta-feira, outubro 18, 2007
Orçamento de Estado para 2008: um comentário pertinente
segunda-feira, outubro 15, 2007
Orçamento de Estado para 2008
Orçamento do Estado para 2008
(cortesia de Nuno Soares da Silva)
sábado, outubro 13, 2007
quinta-feira, outubro 11, 2007
"Norte Conjuntura"
«Nesta página são disponibilizados para download os Relatórios “Norte Conjuntura”.
Com periocidade trimestral, o boletim "Norte Conjuntura" procura reunir e analisar a informação disponível mais relevante com vista à identificação precoce das tendências que marcam a evolução económica, a curto prazo, da Região Norte no contexto nacional.»:
http://www.ccr-norte.pt/regnorte/conjuntura/norteconjuntura_2trim2007.pdf
O economista e a sua formação
Trazendo para primeiro plano o contexto em que se vem desenvolvendo a actividade do economista e a complexidade daí decorrente, as reflexões que recupero servem também para pôr em evidência a urgência de respostas adequadas a nível de formação académica e profissional deste corpo técnico. A isso se referia, de forma preocupada e crítica, no mesmo boletim da OE, Carlos Pimenta, na passagem seguinte: “O maior reconhecimento da importância da economia e a ideologia economicista como ´religião` da globalização aumentam o valor social do economista e atribui a alguns a função de apaziguadores das consciências. Mas a massificação da formação de economistas ao longo de décadas e as características actuais do mercado de trabalho reforçam a precariedade do emprego de muitos e promovem a despromoção funcional”.
De uma forma mais terra à terra, João F. Proença, prolongando a sua reflexão, reportava-se aos reptos subsistentes em matéria de formação do seguinte modo: “Hoje, é muito difícil exercer a profissão de economista sem o domínio de competências específicas de áreas disciplinares próximas como a gestão (onde, naturalmente, insiro as contabilidades, o marketing ou a fiscalidade, conhecimentos sobre negociação, gestão de pessoas, etc.) e sem acesso a teorias, métodos e técnicas de outras áreas do conhecimento, particularmente da psicologia e da sociologia, do direito e da ciência política, da matemática e da informática, entre outras”. Ideias que eram reforçadas, ainda no dito boletim da OE, por estas outras de José Manuel Belbute: “a formação inicial (de 1º ciclo) não pode/deve ser encarada como definitiva e para o resto da vida”. Assim é já que, sublinha, “Os conhecimentos adquiridos […] arriscam-se a ficar rapidamente desactualizados. Por isso e contrariamente ao que sucedia há alguns anos atrás, a formação inicial deve ter um carácter mais flexível e generalista, que alie uma sólida formação económica de base (em macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos) à aquisição de competência, de capacidade e de atitudes (capacidade de trabalho em equipa, de tomada de decisões, de relacionamento e de iniciativa) que valorizem os estudantes e lhes facilitem a sua inserção no mercado de trabalho”.
A dificuldade, que José Manuel Belbute não endereça mas que seguramente terá presente, está em conjugar uma formação sólida em macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos com todas as exigências em termos de domínio de técnicas, teorias e comportamentos, que antes são enunciadas como sendo imprescindíveis para o sucesso profissional dos nossos tempos, com a redução das escolaridades totais e parciais a nível de formação do 1º ciclo dos cursos do ensino superior. É que, faça-se claro, o reforço da formação em macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos, em simultâneo com a redução das ditas escolaridades, acaba por reduzir os cursos do 1º ciclo a projectos de ensino que pouco mais oferecem em matéria de programas escolares que macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos. Obviamente, que esses programas podem ser transmitidos recorrendo a novos modelos de ensino-aprendizagem que impliquem e suscitem novos comportamentos nos formandos mas, nessa vertente, dão-se agora os primeiros passos em Portugal, e o processo tem sérias dificuldades, mesmo porque o ensino superior não existe isolado de toda a realidade do ensino e formação do país.
Que o 1º ciclo não responderá aos reptos da complexidade da gestão das economias modernas, disso não restarão dúvidas a ninguém, suponho. Saberão as instituições de ensino superior (e os interessados) encontrar uma resposta eficaz para a dificuldade enunciada? A seu tempo o veremos.
quarta-feira, outubro 10, 2007
Revista de imprensa
As diferenças entre o orçamento português e os europeus:
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/edicion_impresa/destaque/pt/desarrollo/1044236.html
(cortesia de Nuno Soares da Silva)
terça-feira, outubro 09, 2007
Uma perspectiva sobre as estratégias de desenvolvimento regional
Ao longo da década de oitenta foram sistematizados os factores de sucesso de alguns territórios que baseavam a sua competitividade no seu potencial endógeno. A reflexão e o debate sobre estas realidades permitiram delinear algumas aproximações agrupadas genericamente sobre o denominado desenvolvimento regional endógeno. Neste contexto, as políticas regionais, destinadas a reduzir as assimetrias regionais e a promover a convergência entre territórios, passaram a dominar a agenda da intervenção pública a nível microeconómico. Os instrumentos deste tipo de políticas dirigiram-se para a melhoria da qualidade institucional, para a promoção de um mercado de trabalho bem dimensionado, qualificado e vocacionado para a aprendizagem, para o fortalecimento e flexibilização das redes de empresas e para o impulsionamento das actividades de I&D e da capacidade de inovação. A implementação de políticas regionais deste tipo deu origem a resultados muito dispares, mas naqueles territórios onde a resposta institucional, do mercado de trabalho e das empresas foi positiva a competitividade empresarial viu-se amplamente reforçada.
Na última década as políticas de desenvolvimento regional continuaram centradas nas premissas do enfoque anterior, embora tenham sido introduzidos alguns elementos adicionais com intuito de ultrapassar várias das limitações e problemas dele decorrentes. Em primeiro lugar, adoptou-se uma perspectiva sistémica na compreensão das problemáticas regionais, evitando a excessiva concentração em aspectos parcelares ou muito específicos e assumindo um enfoque suficientemente amplo, a fim de abranger as dimensões mais relevantes das tendências globalizadoras. Em segundo lugar, deu-se um maior relevo às intervenções de carácter sectorial, as quais tinham sido parcialmente subalternizadas em favor de intervenções de carácter eminentemente transversal. Em terceiro lugar, promoveram-se acções destinadas a reduzir os custos de contexto, fundamentalmente, os de natureza infra-estrutural. Em quarto lugar, melhorou-se a fase de implementação das políticas mediante a introdução de programas realistas, tanto em termos de conteúdo como em termos de timings. E em último lugar, relançou-se a cooperação institucional e empresarial, tanto a nível formal, mediante a consolidação de estruturas de partenariado, como a nível informal, através do fomento de valores culturais de partilha, colaboração e associação.
As estratégias de desenvolvimento endógeno descritas surgem como uma alternativa a outras intervenções de carácter pontual de curto prazo, baseadas na concessão de subsídios directos, que fomentam a economia subsidiada e introduzem elementos de concorrência desleal entre empresas e territórios. A falta de eficácia destas ajudas directas evidencia a superioridade da opção baseada na adopção de uma estratégia de desenvolvimento endógeno consciente, não dependente, sustentável, e viável num horizonte temporal alargado. Ademais, à vista dos resultados em algumas das regiões mais competitivas das economias ocidentais, parece que as estratégias de desenvolvimento endógeno de segunda geração, onde o vínculo território-empresa é tendencialmente mais forte, conseguem ser extremamente eficazes para ultrapassar os desafios derivados do processo globalizador. Este facto é de uma importância extrema para a realização de escolhas e a definição de prioridades, dado que, no âmbito da globalização, as economias nacionais são progressivamente mais sensíveis às mudanças e à conjuntura económica internacional. Adicionalmente, a vulnerabilidade derivada do novo paradigma em consolidação amplifica-se significativamente quanto maiores são as assimetrias territoriais e mais fraca é a estrutura político-institucional a nível regional. Desta forma, intui-se que todas as políticas destinadas a melhorar a competitividade regional contribuem decididamente para reforçar a posição do país face às consequências indesejadas da globalização.
No caso Português as políticas de desenvolvimento regional não têm seguido um modelo claramente definido e continuam a utilizar referências ultrapassadas e a privilegiar propostas necessitadas de novos enfoques. As ditas políticas não têm conseguido obter, em geral, resultados positivos em termos de coesão territorial, agravando, em alguns casos, as assimetrias espaciais que, à partida, deveriam esbater. Ademais, têm sido utilizados critérios pouco transparentes em termos de distribuição de verbas, dado que parece existir uma escassa relação entre os diferenciais de investimento atribuído e as disparidades espaciais de rendimento. Desta forma, o modelo que tem sido empregue privilegia os territórios com maior capacidade de geração de riqueza e tem-se mostrado incapaz de ultrapassar os entraves que condicionam o desenvolvimento dos territórios com maior atraso relativo. Para atingir maiores níveis de eficácia, a política de desenvolvimento regional em Portugal deve, no futuro, atribuir uma maior preponderância à componente estratégica sem retirar importância aos aspectos de desenho e implementação de políticas, ainda que estes devam actualizar as propostas, incorporar novos instrumentos e complementar certas dimensões.
sábado, outubro 06, 2007
Ser economista hoje, em Portugal. O que mudou com a implementação da Declaração de Bolonha
Se se pode dizer que economistas “são aqueles que transportam para a vida social os modelos de racionalidade comportamental que estão na base de uma melhor combinação dos recursos existentes e, por conseguinte, na optimização do retorno que decorrerá da sua afectação” (Rebelo e Neves, 2007, p.10), não fica mal dizer, também, que “economista será todo o que, qualquer que seja o seu nível de intervenção profissional que possuir, for capaz de compatibilizar, no tempo e no espaço, soluções eficientes com soluções equitativas, processos competitivos com processos de inclusão” (Alves, 2007, p.13). É que a economia deve repousar, igualmente, em valores, acompanhando as referências e as preocupações com o bem-estar social e a sustentabilidade dos recursos naturais que se vão afirmando.
Definir o que é o economista não é o mesmo que explicitar os “actos” da profissão desse técnico. Pode-se mesmo questionar se o “acto” típico de economista existe. Se esta se oferece matéria susceptível de gerar controvérsia, outro tanto não sucede com o reconhecimento de que os economistas portugueses trabalham hoje “em ambientes multiculturais, em contexto internacional e europeu em particular, em ambientes de grande pressão que muitas vezes exigem capacidade de liderança, capacidade de aprender ou de se adaptar a situações novas e a ambientes ou meios culturais diversos” (Proença, 2007, p.10), o que, na medida do esforço e exigência profissional que lhes coloca, reclama uma formação geral e técnica adequada (adequada na solidez; adequada no perfil funcional que seja requerido), já que o economista que o presente momento reclama tem que saber, tem que saber fazer e tem que sabe ser. (Proença, 2007, p.11).
Neste contexto, se não se questiona nem que a formação inicial deva ter um carácter flexível e generalista, que alie uma sólida formação económica de base à aquisição de competências, de capacidades e de atitudes (Belbute, 2007, p.12), nem a necessidade da formação ao longo da vida, é mais problemático dizer se as respostas que estão a ser dadas no quadro da reforma dos cursos é a que se fazia necessária. Isto, na própria medida em, mesmo se uma melhor adequação das formações oferecidas às necessidades das empresas e da sociedade, em geral, fosse o grande argumento invocado pelo decisor político para precipitar a mudança, há que convir que o acolhimento das “novas” formações pelo mercado de trabalho, a problemática da empregabilidade, se se quiser, ficou arredada do processo que conduziu à reforma em cursos. Da reestruturação dos cursos, o que nesta altura é seguro é que se assistiu à redução das escolaridades totais e parciais das formações oferecidas a nível do 1º ciclo. Como, por um lado, uma sólida formação em macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos não basta para formar o economista capaz de responder aos reptos da gestão das economias modernas, fica daí, por outro lado, espaço para o reforço do papel do 2º ciclo na formação destes profissionais, mesmo que a implementação de novos modelos de ensino-aprendizagem vá fazendo o seu percurso, dando a sua componente de resposta em matéria de atitude à complexidade da realidade actual em matéria de funcionamento e organização das economias.»
(extracto de comunicação, intitulada "Ser economista hoje, em Portugal. O que mudou com a implementação da Declaração de Bolonha", a ser presente no 2º Congresso Nacional dos Economistas, Ordem dos Economistas, que decorrerá a 11 e 12 de Outubro de 2007, no Centro de Congressos de Lisboa)
quarta-feira, outubro 03, 2007
Revista de imprensa
segunda-feira, outubro 01, 2007
Relação universidade-empresa
sexta-feira, setembro 28, 2007
Consumer perception of Portuguese quality wine and the region-of-origin effect - VII
Region’s specificities such as history, geography and culture can be mobilised to qualify regions` products and confer a competitive advantage to certain products with origin in that region. The returns of a region’s resources depend upon the ability of local firms to appropriate the rents earned and whether consumers value the characteristics of the region that are associated with the product, being disposed to pay a price premium.
In a previous research, using a hedonic price function, which related the price of Portuguese regional wines to its various attributes, we found empirical support to the idea that region of origin matters to consumers, that is, the study showed that some regions of origin had a significant impact on products price. The approach taken was a supply side one, which means we collected prices from different Portuguese retail chains. In this empirical research, we intend to test the same issue questioning directly a certain kind of consumers: those who buy wine to sell it in their small retail shops, restaurants and bars (cafés). Besides the regional designation of origin, other product attributes to be tested are colour, age and special attributes, which all have shown positive effects on price in the previous research.
The main motivation for conducting this research was to bring some more light on the impact of territory information on buyers’ behaviour; in this case, Portuguese wine consumers.
Based on empirical evidence collected through a questionnaire directly implemented in a wholesaler, we could conclude that the dominant factor of influence in the acquisition of wine is the region of origin. Product intrinsic characteristics like colour, age, special references and grape, all have shown not having relevant influence in the decision of the wine consumer, in this case. Also noticeable is that, both, wine specialists and consumers use region of origin as a strong clue to their decision of purchasing or not a certain wine, while the non specialist consumer deposits more interest in the brand.
This way, the empirical research undertaken gives support to the hypothesis that the use of territorial references is a promising strategy to increase the market value of products and sustain differentiation towards competitors.
The regions of Alentejo, Douro and Verde have shown to be the most preferred by the Portuguese consumers. The results obtained through this survey are in line with those of a previous research (FREITAS SANTOS and CADIMA RIBEIRO, 2003). The differences to underline have to do with the inclusion of Verde wine region in the questionnaire, which we didn’t consider in the first study due to not being an ordinary Portuguese table wine, and with Dão, not valued as hypothesized by the survey respondents. Anyway, to better understand the results we got in this last study, we should keep in mind that respondents were people living in the Verde wine region itself.
The fact just mentioned can be taken as a major limitation of this empirical research, as it doesn’t allows us to generalise the results to the country, as a whole. Another limitation comes from the fact that we collected the answers in a single wholesaler. That means that supplier marketing strategy could, at least at certain level, to have influenced costumers’ choices.
A last comment we would like to add as to do with the option we took of approaching consumers’ preferences through the ones stated by the small retailers. Even if a close relationship between retailers and final consumers exists, we are aware that it is not the same thing.
terça-feira, setembro 25, 2007
As preferências dos turistas que visitam o Minho-Lima
Estando em causa um projecto de desenvolvimento turístico, os recursos existentes podem servir como ponto de partida para a definição de alternativas e, conhecendo a opinião dos turistas sobre aqueles, é possível dispor de uma base sólida para a selecção da alternativa estratégica que melhor se adeqúe aos atributos do território e às preferências dos visitantes.
A análise dos gostos e preferências dos turistas está facilitada quando estão em causa destinos mais ou menos consolidados e recursos turísticos actuais, uma vez que estes apresentam uma procura a partir da qual se pode investigar gostos e preferências. Porém, no caso de destinos emergentes e de recursos potenciais, esta tarefa torna-se mais complicada. Para ultrapassar esse problema, podemos recorrer à análise das preferências declaradas, inquirindo os indivíduos sobre as respectivas escolhas (declaradas), face a situações hipotéticas de consumo.
Foi este tipo de abordagem que foi prosseguido há uns meses atrás, no quadro de uma investigação que, em última instância, visava avaliar até que ponto seria viável pensar a sub-região do Minho-Lima como um (novo) destino turístico. O potencial do território em causa resulta-lhe do valor inquestionável dos recursos que possui, que, entretanto, é sabido não bastarem para configurar um projecto sustentável de aproveitamento turístico.
O inquérito destinado a avaliar a estrutura de preferências dos turistas que visitam ou pretendem visitar o Minho-Lima (isto é, o Alto Minho) foi aplicado entre Maio e Dezembro de 2006. Obteve-se um total de 350 respostas, 74 de turistas estrangeiros e 276 de turistas nacionais.
Os recursos do território foram apresentados aos inquiridos sobre a forma de um conjunto de cartões que pretendiam representar os perfis de atributos/alternativas de escolha disponíveis, sendo-lhes pedido para ordenarem/hierarquizarem o(s) preferido(s). Os inquiridos podiam, assim, ter em conta combinações de níveis de atributos, onde cada possível combinação representava o perfil do destino turístico que poderiam ter em mente quando estabelecessem as suas preferências e seleccionassem o seu destino de férias. O desenho do questionário foi aperfeiçoado mediante a realização de um pré-teste.
De forma muito resumida, dos resultados foram obtidos, constatámos que os recursos a que os turistas atribuíam mais importância eram as Praias Oceânicas e os Parques Nacionais ou de Paisagem Protegida. A esta luz, numa perspectiva promocional, não estando os municípios do litoral inseridos no Parque Nacional da Peneda-Gêres, teriam toda a vantagem em referir que este se encontra enquadrado na sub-região a que pertencem. Do mesmo modo, os municípios que fazem parte deste Parque Nacional deveriam referir que se encontram a X km do litoral e, por essa via, de algum modo, incluir esse recurso na sua carteira de oferta.
Considerada a nacionalidade dos entrevistados, obtiveram-se percentagens de importância dos atributos relativamente semelhantes, salvaguardadas as diferenças que se assinalam de seguida:
i) os turistas nacionais preferem os Parques Nacionais ou de Paisagem Protegida, enquanto os turistas estrangeiros valorizam mais as Serras e Montes; e,
ii) no caso dos Recursos Etnográficos, os nacionais atribuem maior importância à Gastronomia, enquanto os estrangeiros valorizam mais as Festas.
Entre os elementos coincidentes, no que se reporta aos Recursos Naturais-Água, estão a preferência dada às Praias Oceânicas e, no que se refere aos Recursos Históricos, a preferência dada ao Património Arqueológico.
Já no caso do Património Religioso e do Artesanato, considerados os mesmos resultados, dada a pouca importância que lhes foi conferida pelos turistas nacionais e estrangeiros, seria de rever o destaque que lhes vem sendo dado nas estratégias de promoção. Partindo da perspectiva que será desejável que um destino turístico disponha de uma carteira de produtos alargada, parece fazer sentido que sejam tomados como recursos complementares, alternativamente à política actual dos apresentar como dois cartazes de visita do Minho-Lima.Conforme é bem explícito, o território que foi alvo de análise foi o Alto Minho. Posta, entretanto, a similitude de recursos turísticos e de perfil de visitantes que visitam o Alto e o Baixo Minho, crê-se que as ilações que se podem retirar deste estudo sejam em grande medida válidas para o Minho, no seu todo.
sábado, setembro 22, 2007
Da falta de arrojo à substituição de Paulo Macedo
José Azevedo Pereira é o sucessor de Paulo Macedo nos Impostos
O Governo já dispensou 14 mil funcionários públicos:
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/edicion_impresa/economia/pt/desarrollo/1038201.html
Comentário: há quem ache que o Ministro das Finanças está a fazer um bom trabalho; há mesmo quem ache que o Governo está a fazer um razoável trabalho em matéria de gestão económica. Lamento, mas não é o meu caso. Aliás, fazer de despedimentos feitos ou programados uma coroa de glória só pode ser fruto de uma enorme confusão de valores e confissão implícita de falta de arrojo e ambição.
Um grande trabalho fê-lo Paulo Macedo!
sexta-feira, setembro 21, 2007
"National Progress Report on eGovernment in the EU27+"
National Progress Report on eGovernment in the EU27+ :
http://ec.europa.eu/information_society/newsroom/cf/itemdetail.cfm?item_id=3635
(cortesia de Irene Rodrigues - CDEUMINHO)
terça-feira, setembro 18, 2007
OCDE: "Education at a Glance 2007"
É uma das maiores diferenças encontradas entre os 25 Estados-membros da organização, só superada na Hungria e na República Checa, de acordo com um relatório da OCDE citado pelo Público e que é divulgado hoje.
Outro dado que comprova que estudar compensa: em nenhum outro país um trabalhador que apenas completou o ensino básico é tão penalizado em termos de rendimentos. Em média, recebe 57% do salário de quem tem o 12.º ano. E em ambos os casos as diferenças têm-se acentuado ao longo dos anos. O que se tem mantido é a diferença salarial entre homens e mulheres, com prejuízo para elas.
Mais um recorde: em Portugal quase 60% das pessoas que recebem duas vezes mais do que a média nacional são licenciadas. Entre os que apenas completaram o 9.º ano, só 7,5 por cento podem dizer o mesmo. As baixas qualificações da população portuguesa podem ajudar a explicar esta valorização.
Estes são alguns dos dados apresentados no relatório da OCDE Education at a Glance 2007, que é hoje divulgado.
Ao longo de mais de 450 páginas, apresentam-se milhares de indicadores relativos aos sistemas de ensino de cada um dos Estados-membros e que permitem constatar algumas características, avança o Público.
Se a valorização das qualificações em Portugal fica demonstrada - igualmente ao nível das taxas de emprego, ainda que de forma muito menos acentuada -, para a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico também ficou claro algo de negativo.
"A maior selectividade no acesso ao ensino superior encontra-se em Portugal", lê-se no relatório, que analisou (para os dez países para os quais havia dados) em que medida o estatuto sócio-económico dos pais condiciona o prosseguimento de estudos dos filhos.
O relatório concluiu que em Portugal essa relação é determinante. Há uma sobrepresentação de filhos de licenciados no superior e estes jovens têm 3,2 vezes mais probabilidade de vir a tirar um curso do que seria normal.»
(reprodução integral de artigo, com o título identificado, publicado na edição de 07/09/18 do Jornal de Negócios)
[cortesia de Nuno silva]
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Ps: Education at a Glance 2007 - OECD Indicators
[a ligação activa ao original e o indíce do texto são disponibilizados por MJMatos (Que Universidade ?) em mensagem, com o título da obra, datada de 07/09/19]
"Poder de compra concelhio - 2005"
Disparidades da riqueza face à média nacional caíram nas maiores cidades do país
sábado, setembro 15, 2007
"PS recusa discutir subsídio de desemprego na função pública"
PS recusa discutir subsídio de desemprego na função pública:
(título de mensagem, datada de 2007/09/13, disponível no sítio identificado)
quinta-feira, setembro 13, 2007
O economista e a sua formação: algumas considerações (II)
São peças da dita globalização, entre outras, as seguintes: i) a concorrência transnacional, que traz associada ou se suporta em ganhos de escala, economias de custos de mão-de-obra e em dumpings sociais; ii) a liberalização do comércio mundial, com as correspondentes redução de tarifas e eliminação de contingentes; iii) a desregulação da economia, isto é, a redução da intervenção dos Estados (Ribeiro e Santos, 2006).
Esta dinâmica vai a par de outra onde se conjugam as atitudes e desejos dos consumidores e as estratégias de negócio das empresas, marcada i) pela crescente segmentação dos mercados (produtos light; produtos ecológicos), ii) pelo aumento do rendimento e aparecimento de novos grupos de consumidores (crianças/jovens; idosos; consumos apoiados no crédito), iii) pela afirmação de ciclos de vida dos produtos mais curtos e desfasados entre países/regiões e iv) pela valorização pelo consumidor de factores dinâmicos da competitividade como a marca, o design, a qualidade, a personalização do produto, o serviço pós-venda.
É este contexto e esta dinâmica das economias e das sociedades, como um todo, que dão substância aos reptos em matéria de desempenho e de formação a que se reportava João F. Proença na passagem das declarações já transcritas: (hoje, o economista) “tem que evidenciar que sabe, que sabe fazer e que sabe ser, o que para além de conhecimentos específicos exige competências comportamentais.” (Proença, 2007, p.11); “Hoje, é muito difícil exercer a profissão de economista sem o domínio de competências específicas de áreas disciplinares próximas como a gestão […] e sem acesso a teorias, métodos e técnicas de outras áreas do conhecimento, particularmente da psicologia e da sociologia, do direito e da ciência política, da matemática e da informática, entre outras.” (Proença, 2007, p.11). É que as respostas que os técnicos têm que dar são as que lhe são postas pelo funcionamento dos mercados (economias nacionais, empresas, organizações concretas) e, além do mais, têm que visar a eficiência no uso dos recursos e a eficácia nos resultados.
E é neste cenário, igualmente, que as soluções em matéria de formação dos profissionais dos diversos ofícios têm que ser encontradas, percebendo-se do que se adianta acima sobre a evolução dos mercados, das técnicas de produção e de comunicação e das atitudes de consumidores que essas respostas deverão surgir cada vez mais do trabalho de equipas pluridisciplinares e cada vez menos da acção isolada do economista ou do responsável pelo operador global de que se fala.
A esta luz não se questiona a urgência da reforma das instituições de ensino superior e dos curricula dos cursos, a pretexto ou não da chamada “Declaração de Bolonha”. O que se questiona é se há espaço para uma Bolonha à portuguesa.»
terça-feira, setembro 11, 2007
"Mais vale a dívida do que não tirar o curso"
(cortesia de Nuno Silva)
domingo, setembro 09, 2007
O economista e a sua formação: algumas considerações
Trazendo para primeiro plano o contexto em que se vem desenvolvendo a actividade do economista e do gestor e a complexidade daí decorrente, as derradeiras reflexões que recupero servem também para pôr em evidência a urgência de respostas adequadas a nível de formação académica e profissional deste corpo técnico. A isso se refere, de forma preocupada e crítica, Carlos Pimenta (2007, p.9), nomeadamente, na passagem seguinte: “O maior reconhecimento da importância da economia e a ideologia economicista como ´religião` da globalização aumentam o valor social do economista e atribui a alguns a função de apaziguadores das consciências. Mas a massificação da formação de economistas ao longo de décadas e as características actuais do mercado de trabalho reforçam a precariedade do emprego de muitos e promovem a despromoção funcional”.
J. Cadima Ribeiro
sexta-feira, setembro 07, 2007
quarta-feira, setembro 05, 2007
Greatness is not a function of circumstance
(citação extraída de SBANC Newsletter, September 4, Issue 486-2007, http://www.sbaer.uca.edu/newsletter/2007/090407.htm)
terça-feira, setembro 04, 2007
Consumer perception of Portuguese quality wine and the region-of-origin effect - V I
Based on empirical evidence collected through a questionnaire directly implemented in a wholesaler, we could conclude that the dominant factor of influence in the acquisition of wine is the region of origin. Product intrinsic characteristics like colour, age, special references and grape, all have shown not having relevant influence in the decision of the wine consumer, in this case. Also noticeable is that, both, wine specialists and consumers use region of origin as a strong clue to their decision of purchasing or not a certain wine, while the non specialist consumer deposits more interest in the brand.
This way, the empirical research undertaken gives support to the hypothesis that the use of territorial references is a promising strategy to increase the market value of products and sustain differentiation towards competitors.
The regions of Alentejo, Douro and Verde have shown to be the most preferred by the Portuguese consumers. The results obtained through this survey are in line with those of a previous research (FREITAS SANTOS and CADIMA RIBEIRO, 2003). The differences to underline have to do with the inclusion of Verde wine region in the questionnaire, which we didn’t consider in the first study due to not being an ordinary Portuguese table wine, and with Dão, not valued as hypothesized by the survey respondents. Anyway, to better understand the results we got in this last study, we should keep in mind that respondents were people living in the Verde wine region itself.
The fact just mentioned can be taken as a major limitation of this empirical research, as it doesn’t allows us to generalise the results to the country, as a whole. Another limitation comes from the fact that we collected the answers in a single wholesaler. That means that supplier marketing strategy could, at least at certain level, to have influenced costumers’ choices. A last comment we would like to add as to do with the option we took of approaching consumers’ preferences through the ones stated by the small retailers. Even if a close relationship between retailers and final consumers exists, we are aware that it is not the same thing."
domingo, setembro 02, 2007
Consumer perception of Portuguese quality wine and the region-of-origin effect - V
[...] wines from the regions of Alentejo, Douro and Verde are the most preferred by the Portuguese consumer. Regions of Beiras, Bairrada, and Ribatejo are less preferred. The results obtain through this survey are in line with those of the 2003 research (FREITAS SANTOS and CADIMA RIBEIRO, 2003), as already mentioned. The differences to underline have to do in the inclusion of Verde, which wine region we didn’t included in the first study due to not being an ordinary Portuguese table wine, and with Dão, not valued as hypothesized by the survey respondents, may be because it doesn’t presents for them as a wine region clearly differentiated from the one of Douro. Anyway, to better understand the results we got in this last empirical research, we should keep in mind that the respondents were people living in the Verde wine region itself.
As mentioned before, these results offer some support to the proposition that, where it is not possible to distinguish objectively between products on the basis of intrinsic quality, consumers will resort to the use of region of origin cue as a surrogate quality index. Thus, some region’s physical resources (such as land and climate) and tradition (historic and cultural background) can affect buyers perceptions towards wines produced in a given region, or, at least, can affect the perception of some segments of potential consumers.
Lastly, it is interesting to see that, when the buyer has total freedom to choose the wine, Alentejo is the most preferred region, but, if it brings shopping lists, Douro and Verde also assume important places [...] in the revealed buyers preferences.
J. Cadima Ribeiro
J. Freitas Santos
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[extractos de comunicação apresentada no 47th Congress of the European Regional Science Association (Joint Congress of ERSA and ASRDLF) Paris, August 29th – September 2nd, 2007]
sexta-feira, agosto 31, 2007
“Fiscal policy in Mediterranean countries – Developments, structures and implications for monetary policy”
Michael Sturm (European Central Bank, Kaiserstrasse 29, 60311 Frankfurt am Main, Germany.)
Date: 2007-08
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:ecb:ecbops:20070069&r=pbe
quarta-feira, agosto 29, 2007
segunda-feira, agosto 27, 2007
Consumer perception of Portuguese quality wine and the region-of-origin effect - IV
3. Wine attributes and the perception of consumers
[....] both, wine specialists and consumers use region of origin as a strong clue to their decision of purchasing or not a certain wine, while the non specialist consumer deposits more interest in the brand. In this case, the brand seems to increase the perceived quality of the wine and the probability of its acquisition. In this regard, producer’s brand seems to be able of creating consumer loyalty and, in a certain degree, to defend the firm from the threat of competition.
[...]"
domingo, agosto 26, 2007
Consumer perception of Portuguese quality wine and the region-of-origin effect - III
There is mixed empirical evidence about the influence of colour in wine buyers` behaviour. ORTH and KRSKA (2002) study, about the Czech Republic, found that colour is an important wine attribute to buyers, while STEINER (2002) clearly identified red wine as having price premiums in England and Scotland. On the contrary, other studies (NERLOVE, 1995; SCHAMEL and ANDERSON, 2003) concluded that red wines were sold at a discount against white ones in Sweden and Australia/New Zealand, respectively. Given the diversity of countries, these results reinforce the idea of wine as a cultural product, strongly embedded in the history and culture of a “terroir”.
Although with no statistical significance, our previous research (FREITAS SANTOS and CADIMA RIBEIRO, 2003) has shown that Portuguese consumers seem to associate red wine with tradition, better quality and typical gastronomy. Of course, also health reasons spread by the media lately could help to explain the results we got.
Additionally, [...] results seems to tell that characteristics and quality of the wine (appearance, taste, flavour), which improve with age, have no major influence on the buying decision. May be, because it represents to consumers a saving in opportunity costs of storage, while, for producer, the longer they store the wine the greater it is its contribution towards the cost of production. The same way, the statement that wines with special references (marketing indications, such as reserve) have a positive impact on consumer decision is not supported by the data.
This empirical evidence is contrary to the one we got in previously (FREITAS SANTOS and CADIMA RIBEIRO, 2003) for product intrinsic characteristics like age (more years) and special attributes (as reserve), both having positive effects on price. The same applies to the indication of the name of the grapes on the label that, once again, in this survey, has shown not to influence consumers’ decision.
Regarding this issue, a study by STEINER (2002) pointed out the possible interaction between grape varieties and region of origin, saying that “outstanding grape varieties are shown to have a strongly positive or negative regional impact on price just as outstanding regions have a similar grape varietal impact”. On the contrary, ANGULO et al. (2000) found that grape variety did not influence wine prices in the Spanish market. By his turn, SCHAMEL (2003) reported mixed effects (positive and negative) of grape varieties on wine prices.
J. Cadima Ribeiro
J. Freitas Santos
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[extractos de comunicação a apresentar em 47th Congress of the European Regional Science Association (Joint Congress of ERSA and ASRDLF) Paris, August 29th – September 2nd, 2007]
quinta-feira, agosto 23, 2007
Consumer perception of Portuguese quality wine and the region-of-origin effect - II
The current study deals with current Portuguese consumer perceptions of wine, in a real market setting.
[...] the dominant factor of influence in the acquisition of wine is the region of origin. This result reinforces the one we got from the 2003 study (FREITAS SANTOS and CADIMA RIBEIRO, 2003). According to it wines from regions of Douro, Dão and Alentejo would command higher prices than wines from other regions. Anyway, we should keep in mind the different nature of the methodological approach and of the sample taken.
Learning form this results, considering its strategic implication, if the region of origin has a positive image/reputation on the wine market, producers should give more visibility to it on the label and use that image in their marketing programs. A complementary approach to the market is the identification of consumer groups (market niches) that are willing to spend a higher share of their budget to buy products more able to attend theirs particular needs.
terça-feira, agosto 21, 2007
Consumer perception of Portuguese quality wine and the region-of-origin effect
J. Cadima Ribeiro
[resumo de comunicação a apresentar em 47th Congress of the European Regional Science Association (Joint Congress of ERSA and ASRDLF) Paris, August 29th – September 2nd, 2007]
sexta-feira, agosto 17, 2007
Ser economista hoje, em Portugal. O que mudou com a implementação da Declaração de Bolonha
Se é sabido que a Economia, como ciência, se preocupa com a realização de escolhas de utilização de recursos escassos no quadro da satisfação de necessidades individuais ou sociais, afigura-se bem mais problemático dizer o que é ser economista hoje, em Portugal. A dificuldade que se anota levou-me, não há muito tempo, a exprimir embaraço quando essa questão me foi colocada, à semelhança de outros conhecidos colegas de “profissão”. Embora talvez não devesse ser assim, a dificuldade da questão alargou-se nos últimos tempos, não apenas em razão da complexificação das economias mas, igualmente, da transformação porque passam os curricula do ensino superior. É que, embora uma melhor adequação das formações oferecidas às necessidades das empresas e da sociedade fosse o grande argumento invocado pelo decisor político para precipitar a mudança, o acolhimento das “novas” formações pelo mercado de trabalho ficou fora da equação. É destes problemas difíceis e deste paradoxo que esta comunicação fala.»
J. Cadima Ribeiro
segunda-feira, agosto 13, 2007
Competitividade territorial: o caso de Leiria (VI)
R: A minha relação com Leiria e, mais do que com Leiria, com a sua envolvente, funda-se em razões do foro afectivo, onde, portanto, a racionalidade nem sempre está presente.
Procurando, construir a resposta à questão colocada a partir do modelo de vida e de trabalho que é, presentemente, o meu, dir-lhe-ei o seguinte:
i) elementos centrais da minha realização como investigador, professor e, mesmo, como consultor de planeamento regional, são a possibilidade de me inserir em equipas de trabalho razoavelmente dimensionadas e qualificadas e dispor de acesso fácil a informação científica e técnica;
ii) da mesma condição de académico e investigador e técnico, necessito ter razoável mobilidade, no espaço nacional e internacional, não sendo opção para este efeito o transporte individual, por razões de comodidade pessoal, aparte considerações de ordem ambiental;
iii) da minha condição de sujeito informado de certos valores e necessidades humanas, e de pai, decorrem exigências em termos de acesso a serviços de educação, de saúde e culturais (espectáculos musicais, cinema, teatro, tertúlias culturais), que reputo imprescindíveis para o meu equilíbrio pessoal e a realização dos meus filhos.
Embora me custe dizê-lo, a Leiria que conheço mantém insuficiências importantes na generalidade das dimensões de realização profissional e pessoal que enuncio. Não é por culpa própria em todos os casos, mas é-o nalguns deles. Aí entram as questões de estratégia e de liderança de que falo.»
J. Cadima Ribeiro
(extracto de entrevista a incluir no dossiê sobre “Competitividade Territorial”, da edição nº 29 da revista Desafios, NERLEI, a sair em meados de Agosto pf.)
sexta-feira, agosto 10, 2007
Competitividade territorial: o caso de Leiria (V)
R: Para se realizarem, as pessoas necessitam de ter oportunidades de trabalho, de formação, de acesso a um conjunto básico de serviços, que vão desde a educação, à saúde, à cultura e ao lazer. Não se pode exigir a ninguém que renuncie a níveis satisfatórias de provisão de tais serviços e, obviamente, ao emprego, que é condição necessária para os adquirir. Ora, sejam actividades privadas, sejam serviços públicos, sempre se impõem determinantes de rendibilidade (privada ou social, respectivamente), o que dita que haja que assegurar mercados (procura) suficientemente dimensionados que justifiquem a iniciativa da oferta. Pequenos lugares ou cidades e populações dispersas geram deseconomias significativas que afastam os operadores privados e oneram para além do comportável a provisão de bens/serviços públicos.
Qual é a saída para evitar o abandono/desertificação dos espaços rurais e para assegurar uma provisão satisfatória de serviços às populações e aos agentes económicos e a própria atractividade de certos centros urbanos e da área envolvente? A saída tem uma resposta que se materializa no conceito técnico de ordenamento, ordenamento do território, ordenamento do espaço rural; ordenamento urbano. Quer-se com isto dizer que há que trabalhar os assentamentos humanos para que certos lugares (cidades) se desenvolvam e possam servir os seus residentes e a população das vilas e aldeias vizinhas em matéria de provisão dos serviços básicos e do emprego de que falo antes, numa organização geográfica que assegure distâncias razoáveis entre os lugares de residência e de trabalho do comum dos cidadãos e os ditos centros de oferta de equipamentos e serviços.
Isto é o contrário de deixar crescer as cidades ao sabor da especulação imobiliária e de acasos de mercado; isto é o oposto de vir a correr, a seguir, dotá-las de equipamentos e serviços públicos cuja oferta se tornou, naturalmente, deficitária. Também é o oposto de transformar o espaço rural numa amálgama de área residencial, território produtivo agrícola e mancha florestal.
E que se pode fazer partindo do cenário actual, dominado pela presença de uma multiplicidade de cidades, quase nenhuma com escala crítica para acolher serviços mais qualificados e, por isso, incapazes de dar resposta a solicitações de ambiência urbana mais exigente de certos grupos sócio-profissionais? Pode-se organizar em rede núcleos urbanos vizinhos, criar conurbações urbanas ou pequenas áreas metropolitanas que, conjugando recursos/equipamentos e gerindo-os articuladamente, possam atingir uma escala de operação que lhes confira a competitividade que cada um, por isso, não terá ao seu alcance.
(extracto de entrevista a incluir no dossiê sobre “Competitividade Territorial”, da edição nº 29 da revista Desafios, NERLEI, a sair em meados de Agosto pf.)