Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

terça-feira, novembro 20, 2007

Estratégias de negócio e internacionalização das empresas: um caso da fileira têxtil

Até finais dos anos 80 do século XX a competitividade da maioria das empresas seguia o princípio das vantagens comparativas. As dotações de mão-de-obra, matérias-primas, capital e outros inputs constituíam as principais fontes de competitividade. Portugal baseou as suas indústrias exportadoras em salários baixos ou no acesso a recursos localizados no país, como foi o caso da indústria da cortiça, da cerâmica e dos têxteis. No sector têxtil, a competitividade encontrava-se salvaguardada pelo acordo multifibras, que conferia a Portugal uma protecção em torno de 80% dos produtos exportados.
Com o fim da Guerra-fria, a abertura do Leste Europeu, o alargamento das regras da economia de mercado à generalidade dos países do mundo, a entrada da China na Organização Mundial de Comércio e a presença das multinacionais nas economias nacionais verificou-se uma forte intensificação da concorrência. Aparte ter aumentado, a concorrência deixou de basear-se nas dotações em factores produtivos básicos, para se centrar em vantagens baseadas na inovação, na tecnologia, na diferenciação dos produtos e na qualidade, orientadas para a satisfação das necessidades dos consumidores. Neste contexto, as “vantagens competitivas” resultam essencialmente de elementos qualitativos.
São múltiplos os factores que influenciam a competitividade das empresas, podendo sinteticamente referir-se as economias de custo e a diferenciação. Estas duas vantagens (preço e diferenciação) podem ainda ser focalizadas num nicho de mercado que, pela sua escassa dimensão económica, não se oferece aliciante para a maioria dos operadores.
Em relação à diversificação do produto, no ambiente tecnológico actual, as possibilidades apresentam-se quase ilimitadas. O potencial de diferenciação é determinado, em parte, pelos atributos do produto (características técnicas, embalagem, marca, garantia) e pelas características do mercado alvo (grupos de consumidores). Contudo, o sucesso da diferenciação está intimamente associado ao empenho que a empresa coloca na satisfação das necessidades e preferências que o consumidor valoriza e, por outro lado, às competências geradas no seio da própria empresa.
O nível de serviço disponibilizado pela empresa ao consumidor é outra fonte de diferenciação, assim como as actividades de marketing. A tecnologia adoptada e a qualidade dos factores de produção usados são, ainda, uma fonte mais de diferenciação, a que se podem acrescentar procedimentos de gestão inovadores, a experiência e qualificação dos empregados, entre outros factores.
Do que assinala nos parágrafos precedentes, resulta que, quando se considera, hoje em dia, a afirmação e competitividade das empresas ou o desenvolvimento dos territórios as questões da abertura da sua economia e da respectiva inserção na divisão internacional do trabalho não podem deixar de estar presentes. Não é por acaso que se considera que um consumidor remoto pode ser mais importante que o cliente próximo.

Tomando um caso da fileira têxtil, vejamos como as dificuldades e desafios colocados pela dinâmica actual dos mercados vêm sendo enfrentados. A empresa retida é a Irmãos Vila Nova/ Salsa.
A Irmãos Vila Nova (IVN) é uma empresa fundada em 1987. Criada por três irmãos e localizada em Vila Nova de Famalicão, iniciou a sua actividade na área dos acabamentos têxteis (lavandaria e tinturaria de artigos confeccionados).
Começou por ser apenas uma têxtil subcontratada por empresas estrangeiras mas, perante o reduzido valor acrescentado e a estreita margem de manobra decorrentes desse estatuto, os seus promotores decidiram avançar para a produção de vestuário e criar uma marca. Assim surge a Salsa. Escolheram também deixar de produzir para intermediários, passando a operar para clientes que detinham já uma carteira de clientes finais.
Com a finalidade de projectarem a marca no mercado e expandir o negócio, investiram numa Estação de Tratamento de Águas Residuais, automatizaram processos de acabamento e de confecção, e melhoraram a nível do equipamento e do design gráfico.
O ano de 1994 foi um ano chave para a empresa, que alargou o número de agentes para sete. Foi, também, o ano em que se operou a transformação dos agentes comerciais em vendedores comissionistas. Esta evolução permitiu criar uma maior proximidade aos clientes e conhecer como trabalhavam as lojas multimarca.
Os irmãos Vila Nova inauguraram em 1998 uma loja no centro comercial Norteshopping, no Porto, que marcou mais uma etapa na vida da IVN. Quanto à internacionalização, esse processo teve início em 2002, em Madrid e Barcelona. Foi igualmente em 2002 que foi adquirida em Espanha uma empresa industrial e se iniciou o processo de constituição da holding IVN.
Ao longo de 2004 e 2005, a Salsa expandiu-se para novos mercados, tendo elevado o número de lojas para 50, ficando presente em Portugal, Espanha, Luxemburgo e Médio Oriente (Dubai e Qatar). O recurso à subcontratação da produção atingiu nessa altura os 35% do total. Esta solução permitiu reduzir custos e obter maior flexibilidade na oferta.
Um passo mais recente foi a criação de um novo centro de logística, à luz do propósito de atingir uma mais eficaz gestão da cadeia de abastecimento.

J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de hoje no Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

segunda-feira, novembro 19, 2007

Evolução do Desemprego em Portugal

Nos últimos anos, o défice nacional, tem sido o actor principal na longa metragem dos maiores problemas da nossa sociedade. A célebre frase do Ex-Presidente da Republica Jorge Sampaio, “há vida para além do défice”, remete-nos para o desemprego, uma personagem secundária neste debate, mas que tem afectado directamente milhares de Portugueses.

Com base nas publicações mensais do INE, pretendemos analisar o número de desempregados à procura do primeiro e novo emprego, a duração da procura e o sector da última actividade dos desempregados.
Esta conjuntura só foi favoravel no 2º trimestre de 2005, pautado pelo início de mandato do actual Governo, no entanto, a partir do 3º trimestre de 2005 a situação tem vindo a degradar-se a um ritmo crescente. A variação homóloga destes números, desde o 4º trimestre de 2005 até ao 2º trimestre de 2007, é positiva e muito superior ao periodo anterior, com excepção ao número de desempregados num período de 12 a 36 meses.

[Os numeros que se seguem são em milhares (10³) ]
Nestes dois anos, o número de desempregados à procura do 1º emprego é bastante flutuante, verificando-se: 47,8 - 2ºT/05; 50,6 - 2ºT/06 e 54,5 - 2ºT/07.
Apesar das oscilações da procura de novo emprego, verifica-se: 351,5 - 3ºT/05; 355,0 - 2ºT/06 e 386,1 - 2ºT/07.
A duração da procura de emprego inferior a 12 meses tem registado um crescente número de desempregados desde o 2ºT/06 até ao 2ºT/07 e uma preocupante varição homóloga de 16,3% desde o 4ºT/05 até ao 2ºT/07, onde se verificaram os seguintes numeros: 194,4 - 2ºT/05; 190,1 – 2ºT/06 e 221,0 – 2ºT/07.
O número de desempregados num periodo de 12 a 36 meses é de 143,2 – 2ºT/05; 141,5 – 2ºT/06 e 135,4 – 2ºT/07.
Numa situação de desemprego superior a 36 meses registou-se: 59,6 – 2ºT/05; 74,0 – 2ºT/06 e 81,0 – 2ºT/07.
Relativamente ao sector do último trabalho dos desempregados, na Agricultura, Silvicultura e Pesca: 8,7 2ºT/05; 10,8 – 2ºT/06 e 11,9 – 2ºT/07.
Para a Indust., Construção, Energia e Água: 160,6 – 2ºT/05; 160,5 – 2ºT/06 e 171,6 – 2ºT/07.
No sector dos Serviços: 182,1 – 2ºT/06; 183,7 – 2ºT/06 e 202,6 - 2ºT/07.

É comum o Governo justificar estes números pelo actual dinamismo do Mercado de Trabalho, consequência de uma Economia Dinâmica que existe actualmente. No entanto, e como os dados comprovam, este argumento não é válido. Não se verifica uma permuta entre os vários sectores do Mercado de Trabalho, mas sim, uma regressão do mesmo. O Mercado não só não está a criar emprego, como também, o emprego está a diminuir.
A evolução do número de desempregados à procura do primeiro emprego, bem como o número de desempregados à procura de novo emprego são o reflexo de uma Economia que é tudo menos dinâmica. Apesar de todos os incentivos, existem cada vez menos oportunidades para os jovens, bem como um aumento da precaridade do trabalho.
O número de desempregados há mais de 36 meses é mais um exemplo da incapacidade deste Governo para responder aos desafios actuais no mercado de trabalho, mas será interessante verificar a evolução destes números antes das próximas legislativas.

Emanuel Malanza

(artigo de análise/opinião produzido no âmbito da UC Economia Portuguesa)

Evolução do Índice de Preços no Consumidor

Índice de Preços no Consumidor
Taxa de inflação homóloga aumentou para 2,6% - Outubro de 2007
"Em Outubro, a taxa de variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor (IPC) situou-se em 2,6%, cinco décimas de ponto percentual superior ao valor registado em Setembro de 2007. A variação mensal foi 0,5% e a variação média nos últimos doze meses manteve-se em 2,4%. O Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) português registou uma variação de 2,5% face a Outubro do ano anterior. O IHPC apresentou uma variação de 0,5% entre Setembro e Outubro de 2007. A taxa de variação média dos últimos doze meses manteve-se em 2,4%."

quinta-feira, novembro 15, 2007

Revista de imprensa

Investimento estrangeiro cresce
«O investimento directo estrangeiro (IDE) em Portugal aumentou no ano passado 30 por cento e deverá continuar a crescer nos próximos três anos, se bem que a um ritmo mais lento do que o desejável, concluiu um estudo da Ernst&Young.
"O ano de 2006 foi bom na captação de IDE, aumentando em 30 por cento [38 projectos] em relação a 2005 [29 projectos]", sendo estimada a criação de 10 mil postos de trabalho, disse à agência Lusa José Gonzaga Rosa, coordenador do estudo da Ernst&Young sobre atractividade de investimento estrangeiro, apresentado ontem à noite.
Em declarações à Lusa, o ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho, frisou que "Portugal é visto como um país mais atractivo" e que o facto de os gestores internacionais acreditarem que se vai tornar ainda mais atractivo nos próximos três anos "é uma boa notícia e confirma a subida de Portugal nos índices internacionais de competitividade e o bom comportamento das exportações".
"Os velhos do Restelo dizem que Portugal não é atractivo, que não é competitivo e que não tem capacidade em exportar. Quem trabalha diz que Portugal está a ficar mais atractivo, mais competitivo e com maior capacidade de exportar", disse o ministro.
José Rosa explicou que face ao número de projectos que entram, tendo em conta a população, "o desempenho português é tão bom como o de Espanha, Alemanha e Polónia". "Oitenta por cento dos projectos são novos, relativos a investimentos que não existiam em Portugal, sobretudo na área de prestação de serviços, o que é um sinal de um envolvimento maior", frisou ainda o coordenador do estudo.
Lusa»
(reprodução integral de notícia do Público, de 15-11-2007)

A evolução dos preços do petróleo

(título de mensagem, datada de 07/11/15, disponível em A destreza das dúvidas)

quarta-feira, novembro 14, 2007

“Foreign Direct Investment and Country-Specific Human Capital”

“Workers who are educated abroad acquire human capital specific to the country of foreign study (for example, language capital and country-specific knowledge on firm organization and on social system) which makes them more productive than domestically educated workers when both types of workers are employed by subsidiaries of multinational firms headquartered in the country of foreign study. An increase in foreign-educated labor in an FDI-host country thus attracts more FDI from the country of foreign study. We find evidence from bilateral FDI and foreign-student data for 63 countries over the period of 1963-1998 that strongly supports this prediction. Our findings suggest that foreign-educated labor may account for a sizable portion of growth in FDI flows during the sample period.”

Jinyoung Kim (Department of Economics, Korea University)
Jungsoo Park (Department of Economics, Sogang University)

Keywords: foreign direct investment, multinational firm, human capital, foreign education, students abroad.
Date: 2007
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:iek:wpaper:0705&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

terça-feira, novembro 13, 2007

"Criação insuficiente de emprego qualificado gera desqualificação e desemprego crescente entre os de maior escolaridade"

Criação insuficiente de emprego qualificado gera desqualificação e desemprego crescente entre os de maior escolaridade
(título de estudo de Eugénio Rosa, disponível em http://resistir.info/e_rosa/escolaridade_empregos.html)

quarta-feira, novembro 07, 2007

A caminho de Espanha

A caminho de Espanha
(título de mensagem, da autoria de Vanda Lima, datada de 07/11/06, disponível em Empreender)

terça-feira, novembro 06, 2007

"A variedade é a vida"

Em todos os Estados onde se destruiu a variedade local, eis que um pequeno Estado se forma no centro
*
(título de mensagem, datada de 07/11/06, disponível em Sobre o tempo que passa)

Política de “clusters” e desenvolvimento regional

Embora possa parecer contraditório, o processo de globalização tem reforçado algumas das dimensões do local. A globalização económica tem dado origem a transformações de diversa natureza, ainda que as principais se tenham concentrado em três âmbitos bem delimitados. A primeira grande transformação afecta as estruturas produtivas, e tem a sua manifestação nos processos de ajustamento, reconversão e reordenamento sectorial nas economias mais desenvolvidas e nos de arranque, consolidação e complexificação característicos das economias emergentes. A segunda transformação, de carácter comercial, implicou uma alteração dos padrões de fornecimento e venda das empresas. As mudanças daí resultantes têm levado a um incremento da percentagem de consumos intermédios importados de mercados de origem progressivamente mais longínquos, e ao aumento da quota das vendas internacionais nos balanços empresais. A terceira transformação manifesta-se no território. Os espaços competitivos emergem ou reforçam-se a partir de realidades maduras do ponto de vista do desenvolvimento, em territórios onde o processo de geração de vantagens comparativas se retro-alimenta de forma contínua, dando origem a uma melhoria continuada da sua posição competitiva.
Os espaços competitivos mais dinâmicos e que melhor têm respondido aos desafios globalizadores podem ser classificados de formas diversas, em função das suas dimensões mais características. Um dos mais interessantes é o “cluster”, tanto pela sua capacidade de adaptação às novas formas de concorrência, como pelo sucesso da sua exportação como modelo de desenvolvimento empresarial para realidades produtivas assentes em pequenas e médias empresas. Este tipo de organização da produção de base territorial é uma associação, de natureza para-formal, constituída por empresas vinculadas, de forma directa ou indirecta, a uma actividade dominante, onde o sentido de participação e as relações entre elas procedem tanto da preponderância sectorial como da partilha de um espaço em comum. Apesar de cada uma das unidades empresariais continuar a manter os seus objectivos individuais, a existência de um “cluster” obriga à definição de objectivos conjuntos em matéria de disponibilização e qualificação de recursos, de organização da produção e de promoção da competitividade. Em termos genéricos, os elementos comuns neste tipo de organização produtiva são: i) trata-se de estruturas dinâmicas em constante evolução/transformação, onde o motor da mudança é a geração de valor; ii) as diferentes unidades constitutivas do “cluster” estão organizadas matricialmente à volta de uma actividade principal, ainda que existam uma série de actividades relacionadas, com uma importância central para assegurar a sua continuidade e bom funcionamento (por exemplo, as de serviços especializados e I+D+i); iii) a especialização produtiva e o carácter diferenciado das produções fazem com que os mercados alvos das mesmas sejam os mercados internacionais.
Os “clusters” surgiram em muitos locais como formas de organização da produção espontânea e não dirigida, que souberam aperfeiçoar-se na procura de geração de valor e de ganhos de competitividade. O seu sucesso fez com que vários governos tenham tentado reproduzir o modelo em questão mediante políticas de promoção de “clusters”, nalguns casos, a partir do zero e, noutros, mediante tentativas de organização sectorial em áreas em declínio ou o apoio a iniciativas inovadoras ainda incipientes. Apesar da existência de elementos comuns entre vários tipos de “clusters” localizados em contextos espaciais bem diferentes, as características territoriais, sectoriais e estruturais de cada um deles dificultam a identificação dos factores de sucesso, o qual, em certa medida, cria entraves para a extrapolação deste tipo de modelos entre realidades territoriais, sectoriais e culturais diferentes. Portanto, a replicação de experiências e políticas, a este nível, deve ser extremamente cuidadosa e calculada, dando especial relevo à componente de diagnóstico e de implementação dos instrumentos correspondentes.
Em Portugal, a política de “clusters” foi timidamente introduzida no seu momento e actualmente vive um impasse preocupante, sobretudo porque as actuações em matéria de política produtiva são escassas e deficientemente dirigidas, e porque existem alguns sectores de futuro que devem ser decididamente apoiados, nomeadamente, através da intervenção nas dimensões intangíveis e nas organizativas com carácter de bem público. Em termos de desenho e implementação da política de “clusters” há alguns aspectos que merecem especial destaque: i) Os sectores escolhidos devem estar associados a actividades de valor acrescentado alto e médio-alto, com uma elevada componente de inovação; ii) A localização para o desenvolvimento do “cluster” deve alhear-se de considerações espúrias e decidir-se pelo potencial real em termos de recursos e de ligações aos centros e mercados internacionais; iii) A estrutura social de suporte deve promover uma atitude estratégica permanente e a sua intervenção deve dar resposta a estratégia previamente delineada; iv) A cultura de cooperação deve ser fortemente promovida, especialmente em actividades dificilmente financiáveis individualmente e onde os esforços isolados se têm revelado pouco eficazes.
O fomento duma política de “clusters” em Portugal, para além de ter em consideração os aspectos anteriormente enunciados, não deve avançar sem que a administração promova o diálogo com as empresas e com outros agentes que potencialmente podem induzir a mudança. A implementação deve ser rigorosa, rápida, dinâmica e flexível e deve reger-se por critérios técnicos, tentando minimizar as consequências negativas dos equilíbrios e tensões políticas que sempre surgem neste tipo de processos.
FRANCISCO CARBALLO CRUZ

(artigo de opinião hoje publicado no Diário do Minho - Suplemento de Economia, em coluna intitulada "Desde a Gallaecia")

segunda-feira, novembro 05, 2007

Revista de imprensa

Notícia Jornal de Negócios
Petróleo ameaça os 100 dólares
05-11-2007

A maioria dos analistas inverteu a sua expectativa e, agora, já temem que o crude continue a subir. Estaremos a caminho dos 100 dólares?
José Pedro Luís
«O preço do petróleo deverá manter a tendência de subida esta semana, depois de ter batido máximos históricos em Londres e Nova Iorque nas últimas sessões. A maioria dos analistas contactados pela Bloomberg considera que esta semana há razões para o mercado se preocupar com o petróleo, pois o dólar continua a cair e porque o aumento da produção de crude feito pela organização dos países exportadores de petróleo (OPEP), que se vai efectivar esta semana, não deverá ter efeito na procura.
Estas duas razões deixam 60% dos analistas contactados pela agência Bloomberg à espera de um aumento do preço do crude, o que poderá conduzir a novos máximos históricos do preço do petróleo.
Na semana que passou, o West Texas Intermediate (WTI), petróleo referência nos EUA, subiu dos 91,86 dólares até aos 96,24 dólares, um novo recorde. Também o "brent" terminou a semana a tocar um novo máximo histórico nos 92,21 dólares. Na sexta-feira anterior valia menos três dólares.
Com este ritmo de crescimento, a possibilidade do petróleo, principalmente o negociado nos EUA, atingir os 100 dólares é grande.
Até porque agora há um receio económico. A descida das taxas de juro de referência nos EUA para os 4,5% e o aumento do emprego neste país poderão minimizar o impacto da crise do "subprime" na maior economia do mundo.
e isso acontecer, a noção de que o consumo do preço do petróleo poderá aumentar mais que o esperado fará subir ainda mais os preços do crude nos mercados internacionais.
Além disso, as próximas semanas mostrarão se o aumento da produção de petróleo por parte da OPEP terá, ou não, impacto nas reservas mundiais de petróleo. Se não se vir grande alteração, a tendência será de subida, a não ser que o cartel se retracte e decida efectivar um maior aumento na exportação de crude.»
*
(reprodução integral de notícia/artigo publicada/o no Jornal de Negócios, com as referências identificadas no topo)

quarta-feira, outubro 31, 2007

Retrato do sector da distribuição de vestuário em Portugal

Notícia Portugal Têxtil
Retrato da distribuição em Portugal

"O sector português da distribuição atravessa uma fase de concentração. O grupo Inditex, o El Corte Inglés, o grupo Regojo, a C&A e o Continente são os principais operadores, com uma quota de mercado de 23% em 2006(31Out07). As cadeias especializadas e as grandes superfícies aumentaram a sua quota total de mercado em Portugal nos últimos anos, superando os 50% em 2006, enquanto que o comércio independente diminuiu cerca de 4,3% em igual período, de acordo com o estudo "Distribuição de Confecção" realizado pela consultora DBK.
Os resultados do estudo revelam que o volume de negócios do sector português da distribuição de vestuário registou um incremento de 3,4% em 2006, atingindo os 4,23 mil milhões de euros. Neste contexto, o comércio independente continua a perder quota de mercado a favor das cadeias especializadas, dos grandes armazéns e dos hipermercados.
Deste modo, as vendas das lojas independentes perderam uma quota de 6% desde 2004. Em contrapartida, a facturação total das cadeias especializadas e das grandes superfícies apresentaram, nos últimos exercícios, uma tendência de crescimento que atingiu os 40% e os 13%, respectivamente, em 2006.
O vestuário de senhora representou cerca de 50% das vendas totais em 2006 e o de homem 40%, correspondendo os restantes 10% ao vestuário infantil. No sector operam mais de 6.700 empresas, com um efectivo total de 31.700 pessoas.
Em particular, este estudo aponta para o desaparecimento do comércio independente, assim como para um maior número de aberturas de pontos de venda integrados em cadeias especializadas.
Para 2007-2008, o estudo da DBK prevê uma ligeira aceleração do ritmo de crescimento das vendas, com taxas de variação anual situadas nos 4-5%. O comércio independente deverá, todavia, continuar a perder quota de mercado, num contexto de forte crescimento previsto para as cadeias especializadas, os hipermercados e os grandes armazéns.
A escassez de locais nos centros das cidades e os novos hábitos de consumo fomentaram o desenvolvimento de numerosos projectos de centros comerciais, os quais continuarão a ganhar protagonismo na criação de novos espaços nas cadeias especializadas.
A forte concorrência continuara a impulsionar as estratégias de diversificação dos operadores para novos segmentos de procura, assim como para o lançamento de novas linhas de produtos."

(reprodução integral de notícia recebida em 07/10/31, via Newsletter - Portugal Têxtil)

terça-feira, outubro 30, 2007

Portugal é um dos países da OCDE que menos investe em conhecimento

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) divulgou um relatório em que afirma que Portugal tem um investimento inferior a 2% do PIB em conhecimento, sendo este um dos piores valores do relatório.
No que diz respeito ao financiamento da investigação e desenvolvimento (I+D), Portugal é o segundo país, entre os 33 considerados, em que a contribuição pública pesa mais na I+D. Relativamente ao financiamento da I+D pelas empresas, Portugal tem a segunda mais baixa contribuição da OCDE e a terceira pior no universo considerado.
Para além disto, o relatórido da OCDE diz-nos que Portugal desde 1995 integra o grupo dos cinco países onde o investimento das empresas em I+D mais cresceu, sendo este um aumento superior a 10% ao ano.
Quanto aos recursos humanos, o pessoal a trabalhar em actividades de I+D é cerca de 0,5% do emprego total.
Este relatório afirma que Portugal foi o único país da OCDE onde o peso no emprego dos especialistas em tecnologias da informação e comunicações (TIC) não se alterou entre 1995 e 2004.
Relativamente aos benefícios fiscais, entre 1999 e 2007, Portugal está entre os países em que este factor utilizado para apoio às grandes empresas na I+D mais cresceu, logo a seguir ao México e Noruega.
Sendo assim, o relatório da OCDE diz-nos que Portugal não detém um investimento elevado em percentagem do PIB em conhecimento, mas no que diz respeito ao investimento das empresas em I+D Portugal tem vindo a apresentar um aumento de 10% ao ano.
Rui Filipe Dos Santos Fernandes
(artigo de análise/opinião produzido no âmbito da UC Ec. Port.)
*
Fonte bibliográfica: http://diarioeconomico.sapo.pt/ (30/10/2007, Diário Económico/Economia/Notícias).

sexta-feira, outubro 26, 2007

"Portugal é o 31º país mais globalizado"

Portugal é o 31º país mais globalizado

"Economia e investimento estrangeiro prejudicam pontuação final
Portugal ocupa a 31ª posição no ranking de globalização elaborado pela AT Kearney para a revista Foreign Policy. Os dados, referentes a 2006, demonstram que o País perdeu sete lugares em relação ao ano anterior.
A empresa de consultoria diz que tal se deve à entrada de novos países para a lista, bem como à subida de algumas economias emergentes. Portugal tem bom comportamento em dois items, dos 18 analisados.
O País fica em 5.° lugar no que diz respeito a integração em organizações internacionais e em 9.º quando o que está em causa são questões políticas. Mas desce para 54.º quando o que é analisado é a economia.
Portugal ocupa lugar idêntico no que concerne a investimento directo estrangeiro, sendo estas as duas piores classificações obtidas pelo País. A AT Kearney salienta a "boa prestação na área da tecnologia e Internet", onde Portugal oscila, segundo os pontos de vista, entre o 19.º e o 31º lugares. No geral, o País encontra-se à frente da Itália (34.º) e da Grécia (45º) e atrás da Espanha (29º)."
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(reprodução integral de notícia, datada de 07/10/26, do Diário Notícias / DN Bolsa)

Investimento Directo Estrangeiro

Os projectos de IDE em Portugal foram 29, em 2005, em contrapartida de 37, em 2004.
A criação de emprego estimada era de 2358 novos postos de trabalho.
O ranking dos 5 maiores investidores foi liderado pelos 4 “pesos pesados” europeus:
1.Alemanha
2.Espanha
3.Reino Unido
4.França
5.Estados Unidos
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(Ernst & Young, 2006, Portugal: Cause for Optimism, Ernst & Young Portuguese Attractiveness Survey 2006, Lisboa - http://www.ey.com)

Inflação e desemprego

“Uma estimação da curva de Phillips para Portugal”, Agostinho Rosa (2004)

Conclusões:
-Existe uma relação entre inflação e variação do desemprego ( e não entre inflação e desemprego)
-Considerando a variação da taxa de desemprego no curto prazo, em vez da taxa de desemprego, a curva de Phillips verifica-se em Portugal.

(Joana Ferreira, Outubro de 2005)

terça-feira, outubro 23, 2007

A norte: o desastre em matéria de estratégia de desenvolvimento e de ordenamento do território

A Comissão Europeia divulgou há alguns meses um relatório sobre a situação nas regiões da União Europeia de onde resultava que o norte de Portugal (NUT II norte) emergia como a área do território nacional mais pobre, isto é, com o PIB per capita mais baixo. Há pouco mais de um par de semanas, o INE divulgou, por sua vez, um “Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio - 2005”, de onde ressaltava que não era óbvia a convergência da NUT II norte com a média nacional e, sobretudo, que a dispersão de níveis de poder de compra nesta unidade estatística persistia muito elevada, ao contrário do evidenciado pela generalidade do país.
Quem rejeite a ideia de fatalidade na evolução dos fenómenos económicos não pode deixar de questionar porque é que isso acontece e a consistência das políticas públicas que ditaram tal resultado, muitas delas suportadas por fundos comunitários e nacionais vultuosos, aparte a equidade da distribuição destes pelas diferentes regiões. Na minha condição de observador da evolução da realidade desta parcela do território nacional e de técnico interveniente nalgumas operações de planeamento, não posso deixar de pensar que os resultados a que se chegou são, em grande medida, fruto de estratégias de desenvolvimento e de políticas de ordenamento do território erradas.
Avançando esta posição agora, mais não faço do que repetir o que venho afirmando desde há 25 anos, com o “conforto” que me dão nesta altura os números a que me reporto. Quero eu dizer: quem se atreve agora a classificar de bom o desempenho económico das últimas décadas do norte de Portugal e de acertadas as orientações de política prosseguidas?
Para não me ficar pelo enunciado de ordem geral, retenho do “Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio - 2005” alguns números. A esta recensão de números acrescentarei, a concluir, duas ou três orientações de estratégia, alternativas às que vêm sendo prosseguidas pela CC(D)R-N e pelos Governos, desde os anos 80 do século XX. Essas notas parecem-me ter particular pertinência na ocasião em que está em preparação o chamado Plano Regional de Ordenamento do Território e um estudo de impacte da construção de uma linha férrea de um comboio de velocidade alta entre Porto e Vigo.
Passemos aos números sobre o poder de compra concelhio, isto é, ao índice de poder de compra, como medida da posição relativa dos municípios em termos de capacidade aquisitiva média. Os dados sobre os municípios minhotos invocados são comparados com os das respectivas NUT III e NUT II e os de Porto e Lisboa. São eles os seguintes:
*
Portugal (território base) – 100
NUT II Norte – 85,45
NUT III Minho-Lima - 70,72
-Arcos de Valdevez – 52,49
-Valença – 74,11
-Viana do Castelo – 87,45
NUT III Cavado – 82,47
-Barcelos – 67,05
-Braga – 105,83
-Terras de Bouro – 47,36
NUT III Ave - 74,57
-Guimarães – 77,50
-Póvoa de Lanhoso – 59,38
-Vila Nova de Famalicão – 81,55
NUT III Tâmega - 61,57
-Cabeceiras de Basto – 52,88
-Celorico de Basto – 48,50
------
Lisboa – 216,04
Porto – 164,26
*
O contraste dos números diz bem das assimetrias de desenvolvimento que se configuram no território em análise.
Respostas consequentes à situação da NUT II norte têm que assumir as fragilidades de partida, e ser ousadas. Nessas respostas, tem que tomar papel estruturador a rede urbana, caracterizada na actualidade pelos seguintes tipos de áreas: i) a Área Metropolitana do Porto (AMP), que constitui um espaço maioritariamente urbano, com fortes relações de interdependência funcional interna; ii) uma mancha urbano-industrial descontinua, envolvente da AMP, integrada por cidades de pequena e média dimensão e por contínuos rururbanos; iii) uma área de consolidação urbana, que se consubstancia no quadrilátero constituído pelas cidades de Braga, Guimarães, Famalicão e Barcelos, que se vem progressivamente reforçando pela via da atracção que exerce sobre as áreas envolventes; iv) áreas de intermediação, onde prevalecem conflitos no uso dos solos, escassa dotação de infra-estruturas e espaços urbanos fragmentados; e, v) áreas rurais, caracterizadas por uma estrutura económica frágil e por baixos níveis de prestação de serviços.
A consolidação de espaços urbanos funcionalmente mais autónomos tem implicações para a área metropolitana do Porto, o que não deve inibir a sua potenciação, assumindo a polinucleação que o território já evidencia, o que implica a partilha da sua centralidade competencial com outras centralidades tendencialmente mais dinâmicas, com destaque para o quadrilátero urbano acima nomeado, mas, igualmente, com Viana do Castelo, que tem vindo a consolidar a sua especialização a nível turístico, ambiental e de lazer.
Neste quadro de superação de fragilidades do tecido produtivo, assume particular importância o investimento na qualificação das redes de transportes e comunicações, incluindo as de âmbito transfronteiriço, fazendo particular sentido explorar a capacidade de um equipamento como o comboio de altas prestações como instrumento de consolidação de uma estrutura urbana mais equilibrada e de abertura de novas vias para o desenvolvimento. Esclareça-se entretanto que o uso do conceito de rede quer significar, em simultâneo, inter-operacionalidade de canais e multi-modalidade, dimensões estas onde subsistem particulares estrangulamentos quer na operação interna quer na relação com o exterior.
Na falta de espaço para aprofundamento das ideias de política esboçadas, fica a promessa de um regresso ao tema.
J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião hoje publicado no Diário do Minho - Suplemento de Economia, em coluna intitulada "Desde a Gallaecia")

domingo, outubro 21, 2007

O Nobel da Economia só devia ser atribuído de 4 em 4 anos

"Olhando para os prémios Nobel de Economia dos últimos anos. Olhando para quem vai receber os prémios Nobel nos próximos anos. A conclusão é, obrigatoriamente uma. Não devia haver prémio Nobel para a Economia. Ou, na melhor das hipóteses, devia ser atribuído apenas de 4 em 4 anos."
Luis Aguiar-Conraria
(reprodução integral de mensagem datada de 07/10/18 e intitulada "Sobre as outras ciências não falo", disponível em A destreza das dúvidas)
*
Comentário: !!!

quinta-feira, outubro 18, 2007

Orçamento de Estado para 2008: um comentário pertinente

"[...] afigura-se-nos que a Proposta de Lei do Orçamento do Estado para 2008 divulgada é particularmente conservadora, não contendo propostas relevantes de alteração ao quadro normativo vigente que contribuam para alterar o status quo fiscal, em particular no domínio da competitividade das empresas e da economia portuguesa. Aliás, a rigidez que continua a caracterizar a condução da política fiscal é susceptível de contribuir igualmente para não promover a correcção de vários desequilíbrios que continuam a registar-se no domínio económico."

(extracto de artigo de ontem, intitulado "Análise ao orçamento do Estado para 2008", do Diário Económico / Suplemento, páginas 4/5)

segunda-feira, outubro 15, 2007

sábado, outubro 13, 2007

Indicadores Económicos: as previsões do OE para 2008

Previsões do OE

(título de mensagem, datada de 07/10/13, disponível em Visto da Economia)

quinta-feira, outubro 11, 2007

"Norte Conjuntura"

Norte Conjuntura (Relatório Trimestral - 2º trimestre de 2007)

«Nesta página são disponibilizados para download os Relatórios “Norte Conjuntura”.
Com periocidade trimestral, o boletim "Norte Conjuntura" procura reunir e analisar a informação disponível mais relevante com vista à identificação precoce das tendências que marcam a evolução económica, a curto prazo, da Região Norte no contexto nacional.»:

http://www.ccr-norte.pt/regnorte/conjuntura/norteconjuntura_2trim2007.pdf

O economista e a sua formação

A propósito do que é ser economista na actualidade, em Portugal, João F. Proença escrevia há poucos meses, em boletim informativo da Ordem dos Economistas (OE), o seguinte: “Hoje, os economistas portugueses trabalham em ambientes multiculturais, em contexto internacional e europeu em particular, em ambientes de grande pressão que muitas vezes exigem capacidade de liderança, capacidade de aprender ou de se adaptar a situações novas e a ambientes ou meios culturais diversos”. Daí retirava a perspectiva de que, hoje, o economista “tem que evidenciar que sabe, que sabe fazer e que sabe ser, o que para além de conhecimentos específicos exige competências comportamentais”.
Trazendo para primeiro plano o contexto em que se vem desenvolvendo a actividade do economista e a complexidade daí decorrente, as reflexões que recupero servem também para pôr em evidência a urgência de respostas adequadas a nível de formação académica e profissional deste corpo técnico. A isso se referia, de forma preocupada e crítica, no mesmo boletim da OE, Carlos Pimenta, na passagem seguinte: “O maior reconhecimento da importância da economia e a ideologia economicista como ´religião` da globalização aumentam o valor social do economista e atribui a alguns a função de apaziguadores das consciências. Mas a massificação da formação de economistas ao longo de décadas e as características actuais do mercado de trabalho reforçam a precariedade do emprego de muitos e promovem a despromoção funcional”.
De uma forma mais terra à terra, João F. Proença, prolongando a sua reflexão, reportava-se aos reptos subsistentes em matéria de formação do seguinte modo: “Hoje, é muito difícil exercer a profissão de economista sem o domínio de competências específicas de áreas disciplinares próximas como a gestão (onde, naturalmente, insiro as contabilidades, o marketing ou a fiscalidade, conhecimentos sobre negociação, gestão de pessoas, etc.) e sem acesso a teorias, métodos e técnicas de outras áreas do conhecimento, particularmente da psicologia e da sociologia, do direito e da ciência política, da matemática e da informática, entre outras”. Ideias que eram reforçadas, ainda no dito boletim da OE, por estas outras de José Manuel Belbute: “a formação inicial (de 1º ciclo) não pode/deve ser encarada como definitiva e para o resto da vida”. Assim é já que, sublinha, “Os conhecimentos adquiridos […] arriscam-se a ficar rapidamente desactualizados. Por isso e contrariamente ao que sucedia há alguns anos atrás, a formação inicial deve ter um carácter mais flexível e generalista, que alie uma sólida formação económica de base (em macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos) à aquisição de competência, de capacidade e de atitudes (capacidade de trabalho em equipa, de tomada de decisões, de relacionamento e de iniciativa) que valorizem os estudantes e lhes facilitem a sua inserção no mercado de trabalho”.
A dificuldade, que José Manuel Belbute não endereça mas que seguramente terá presente, está em conjugar uma formação sólida em macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos com todas as exigências em termos de domínio de técnicas, teorias e comportamentos, que antes são enunciadas como sendo imprescindíveis para o sucesso profissional dos nossos tempos, com a redução das escolaridades totais e parciais a nível de formação do 1º ciclo dos cursos do ensino superior. É que, faça-se claro, o reforço da formação em macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos, em simultâneo com a redução das ditas escolaridades, acaba por reduzir os cursos do 1º ciclo a projectos de ensino que pouco mais oferecem em matéria de programas escolares que macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos. Obviamente, que esses programas podem ser transmitidos recorrendo a novos modelos de ensino-aprendizagem que impliquem e suscitem novos comportamentos nos formandos mas, nessa vertente, dão-se agora os primeiros passos em Portugal, e o processo tem sérias dificuldades, mesmo porque o ensino superior não existe isolado de toda a realidade do ensino e formação do país.
Que o 1º ciclo não responderá aos reptos da complexidade da gestão das economias modernas, disso não restarão dúvidas a ninguém, suponho. Saberão as instituições de ensino superior (e os interessados) encontrar uma resposta eficaz para a dificuldade enunciada? A seu tempo o veremos.
J. Cadima Ribeiro
(reprodução de artigo de opinião publicado na edição de hoje do Jornal de Leiria)

quarta-feira, outubro 10, 2007

terça-feira, outubro 09, 2007

Uma perspectiva sobre as estratégias de desenvolvimento regional

Durante um longo período de tempo o Estado teve um papel extremamente intervencionista nas economias de muitos dos estados mais desenvolvidos, materializado na produção directa de bens ou na prestação de serviços, na limitação da concorrência em determinados sectores e na imposição de restrições à liberdade comercial. Durante a década de setenta e a primeira metade da década de oitenta, as intervenções de apoio às empresas enquadravam-se, genericamente, na denominada política industrial, a qual tinha um âmbito de actuação predominantemente nacional. As intervenções em contextos espaciais mais restritos eram escassas e, na maior parte dos casos, foram deficientemente implementadas.
Ao longo da década de oitenta foram sistematizados os factores de sucesso de alguns territórios que baseavam a sua competitividade no seu potencial endógeno. A reflexão e o debate sobre estas realidades permitiram delinear algumas aproximações agrupadas genericamente sobre o denominado desenvolvimento regional endógeno. Neste contexto, as políticas regionais, destinadas a reduzir as assimetrias regionais e a promover a convergência entre territórios, passaram a dominar a agenda da intervenção pública a nível microeconómico. Os instrumentos deste tipo de políticas dirigiram-se para a melhoria da qualidade institucional, para a promoção de um mercado de trabalho bem dimensionado, qualificado e vocacionado para a aprendizagem, para o fortalecimento e flexibilização das redes de empresas e para o impulsionamento das actividades de I&D e da capacidade de inovação. A implementação de políticas regionais deste tipo deu origem a resultados muito dispares, mas naqueles territórios onde a resposta institucional, do mercado de trabalho e das empresas foi positiva a competitividade empresarial viu-se amplamente reforçada.
Na última década as políticas de desenvolvimento regional continuaram centradas nas premissas do enfoque anterior, embora tenham sido introduzidos alguns elementos adicionais com intuito de ultrapassar várias das limitações e problemas dele decorrentes. Em primeiro lugar, adoptou-se uma perspectiva sistémica na compreensão das problemáticas regionais, evitando a excessiva concentração em aspectos parcelares ou muito específicos e assumindo um enfoque suficientemente amplo, a fim de abranger as dimensões mais relevantes das tendências globalizadoras. Em segundo lugar, deu-se um maior relevo às intervenções de carácter sectorial, as quais tinham sido parcialmente subalternizadas em favor de intervenções de carácter eminentemente transversal. Em terceiro lugar, promoveram-se acções destinadas a reduzir os custos de contexto, fundamentalmente, os de natureza infra-estrutural. Em quarto lugar, melhorou-se a fase de implementação das políticas mediante a introdução de programas realistas, tanto em termos de conteúdo como em termos de timings. E em último lugar, relançou-se a cooperação institucional e empresarial, tanto a nível formal, mediante a consolidação de estruturas de partenariado, como a nível informal, através do fomento de valores culturais de partilha, colaboração e associação.
As estratégias de desenvolvimento endógeno descritas surgem como uma alternativa a outras intervenções de carácter pontual de curto prazo, baseadas na concessão de subsídios directos, que fomentam a economia subsidiada e introduzem elementos de concorrência desleal entre empresas e territórios. A falta de eficácia destas ajudas directas evidencia a superioridade da opção baseada na adopção de uma estratégia de desenvolvimento endógeno consciente, não dependente, sustentável, e viável num horizonte temporal alargado. Ademais, à vista dos resultados em algumas das regiões mais competitivas das economias ocidentais, parece que as estratégias de desenvolvimento endógeno de segunda geração, onde o vínculo território-empresa é tendencialmente mais forte, conseguem ser extremamente eficazes para ultrapassar os desafios derivados do processo globalizador. Este facto é de uma importância extrema para a realização de escolhas e a definição de prioridades, dado que, no âmbito da globalização, as economias nacionais são progressivamente mais sensíveis às mudanças e à conjuntura económica internacional. Adicionalmente, a vulnerabilidade derivada do novo paradigma em consolidação amplifica-se significativamente quanto maiores são as assimetrias territoriais e mais fraca é a estrutura político-institucional a nível regional. Desta forma, intui-se que todas as políticas destinadas a melhorar a competitividade regional contribuem decididamente para reforçar a posição do país face às consequências indesejadas da globalização.
No caso Português as políticas de desenvolvimento regional não têm seguido um modelo claramente definido e continuam a utilizar referências ultrapassadas e a privilegiar propostas necessitadas de novos enfoques. As ditas políticas não têm conseguido obter, em geral, resultados positivos em termos de coesão territorial, agravando, em alguns casos, as assimetrias espaciais que, à partida, deveriam esbater. Ademais, têm sido utilizados critérios pouco transparentes em termos de distribuição de verbas, dado que parece existir uma escassa relação entre os diferenciais de investimento atribuído e as disparidades espaciais de rendimento. Desta forma, o modelo que tem sido empregue privilegia os territórios com maior capacidade de geração de riqueza e tem-se mostrado incapaz de ultrapassar os entraves que condicionam o desenvolvimento dos territórios com maior atraso relativo. Para atingir maiores níveis de eficácia, a política de desenvolvimento regional em Portugal deve, no futuro, atribuir uma maior preponderância à componente estratégica sem retirar importância aos aspectos de desenho e implementação de políticas, ainda que estes devam actualizar as propostas, incorporar novos instrumentos e complementar certas dimensões.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
(artigo publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no quadro de colaboração regular em coluna intitulada "Desde a Gallaecia")

sábado, outubro 06, 2007

Ser economista hoje, em Portugal. O que mudou com a implementação da Declaração de Bolonha

«Conclusão
Se se pode dizer que economistas “são aqueles que transportam para a vida social os modelos de racionalidade comportamental que estão na base de uma melhor combinação dos recursos existentes e, por conseguinte, na optimização do retorno que decorrerá da sua afectação” (Rebelo e Neves, 2007, p.10), não fica mal dizer, também, que “economista será todo o que, qualquer que seja o seu nível de intervenção profissional que possuir, for capaz de compatibilizar, no tempo e no espaço, soluções eficientes com soluções equitativas, processos competitivos com processos de inclusão” (Alves, 2007, p.13). É que a economia deve repousar, igualmente, em valores, acompanhando as referências e as preocupações com o bem-estar social e a sustentabilidade dos recursos naturais que se vão afirmando.
Definir o que é o economista não é o mesmo que explicitar os “actos” da profissão desse técnico. Pode-se mesmo questionar se o “acto” típico de economista existe. Se esta se oferece matéria susceptível de gerar controvérsia, outro tanto não sucede com o reconhecimento de que os economistas portugueses trabalham hoje “em ambientes multiculturais, em contexto internacional e europeu em particular, em ambientes de grande pressão que muitas vezes exigem capacidade de liderança, capacidade de aprender ou de se adaptar a situações novas e a ambientes ou meios culturais diversos” (Proença, 2007, p.10), o que, na medida do esforço e exigência profissional que lhes coloca, reclama uma formação geral e técnica adequada (adequada na solidez; adequada no perfil funcional que seja requerido), já que o economista que o presente momento reclama tem que saber, tem que saber fazer e tem que sabe ser. (Proença, 2007, p.11).
Neste contexto, se não se questiona nem que a formação inicial deva ter um carácter flexível e generalista, que alie uma sólida formação económica de base à aquisição de competências, de capacidades e de atitudes (Belbute, 2007, p.12), nem a necessidade da formação ao longo da vida, é mais problemático dizer se as respostas que estão a ser dadas no quadro da reforma dos cursos é a que se fazia necessária. Isto, na própria medida em, mesmo se uma melhor adequação das formações oferecidas às necessidades das empresas e da sociedade, em geral, fosse o grande argumento invocado pelo decisor político para precipitar a mudança, há que convir que o acolhimento das “novas” formações pelo mercado de trabalho, a problemática da empregabilidade, se se quiser, ficou arredada do processo que conduziu à reforma em cursos. Da reestruturação dos cursos, o que nesta altura é seguro é que se assistiu à redução das escolaridades totais e parciais das formações oferecidas a nível do 1º ciclo. Como, por um lado, uma sólida formação em macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos não basta para formar o economista capaz de responder aos reptos da gestão das economias modernas, fica daí, por outro lado, espaço para o reforço do papel do 2º ciclo na formação destes profissionais, mesmo que a implementação de novos modelos de ensino-aprendizagem vá fazendo o seu percurso, dando a sua componente de resposta em matéria de atitude à complexidade da realidade actual em matéria de funcionamento e organização das economias.»
J. Cadima Ribeiro

(extracto de comunicação, intitulada "Ser economista hoje, em Portugal. O que mudou com a implementação da Declaração de Bolonha", a ser presente no 2º Congresso Nacional dos Economistas, Ordem dos Economistas, que decorrerá a 11 e 12 de Outubro de 2007, no Centro de Congressos de Lisboa)

quarta-feira, outubro 03, 2007

Revista de imprensa

«O alto desemprego que veio para ficar
Desemprego nacional supera o de Espanha, foi o que mais cresceu nos últimos 12 meses e continuará sem descer.
Até o ministro do Trabalho, José Vieira da Silva, o admite, quando ontem comentou a subida do desemprego para 8,3% em Agosto, divulgada pelo Eurostat
"Não é fácil recuperar para os níveis que existiam há quatro ou cinco anos". "É um processo longo e difícil que começa com o crescimento da economia", juntou o governante. Este ano a actividade deverá recuperar 1,8%, mas em 2008, por causa da crise financeira, as condições tenderão a ser mais desfavoráveis, podendo travar a recuperação do investimento, logo a criação dos desejados postos de trabalha
Há quatro ou cinco anos a taxa de desemprego portuguesa rondava os 5% a 6% da população activa e era cerca de metade da registada em Espanha, onde o fenómeno era historicamente mais severo.
Hoje, Portugal ultrapassa os 8%, e segundo mostra o Eurostat, onde mais subiu desde Agosto do ano passado, registando a terceira marca mais alta da zona euro. Pior apenas França (8,6%) e Grécia (8,4%), sendo que a tendência nestes dois países é para descer. Em Portugal, parece que ainda não. Economistas e gestores, como António Nogueira Leite ou António Pires de Lima, conferem isso mesmo: que o processo de reestruturação da economia começou tarde, é naturalmente lento, pelo que ainda é cedo para esperar uma "retoma" do mercado de trabalho, mesmo que a economia cresça um pouco mais.
Paula Carvalho, economista do Banco BPI confere que "o desemprego tenderá a permanecer em níveis elevados durante bastante tempo". "O ajustamento entre o que as empresas procuram e a oferta de trabalho não se resolve de um dia para o outro pois as qualificações levam tempo a adquirir", explica, relembrando em seguida que "em 2008 deveremos atravessar tempos mais complicados outra vez".
Gonçalo Pascoal, economista-chefe do BCP, relembra que "o desemprego é estruturalmente mais elevado porque há muita gente que não consegue arranjar emprego há muito tempo" e porque "não há investimentos grandes intensivos em mão-de-obra". "Haverá, quando arrancar o projecto do comboio de alta velocidade e o novo aeroporto".»
L.R.R. e J.P.
(reprodução integral de artigo publicado no Diário Económico, em 07/10/03, com o título indicado)

segunda-feira, outubro 01, 2007

Relação universidade-empresa

"A capacidade da universidade e empresa estabelecerem relações duradouras e mutuamente benéficas é um dos desafios que se colocam numa sociedade cada vez mais baseada no conhecimento."
Vasco Eiriz
(extracto de mensagem, datada de 26 de Setembro de 2007 e intitulada "Redes de conhecimento: estudo de um caso sobre a relação universidade-empresa", disponível em Empreender)

sexta-feira, setembro 28, 2007

Consumer perception of Portuguese quality wine and the region-of-origin effect - VII

Abstract
Region’s specificities such as history, geography and culture can be mobilised to qualify regions` products and confer a competitive advantage to certain products with origin in that region. The returns of a region’s resources depend upon the ability of local firms to appropriate the rents earned and whether consumers value the characteristics of the region that are associated with the product, being disposed to pay a price premium.
In a previous research, using a hedonic price function, which related the price of Portuguese regional wines to its various attributes, we found empirical support to the idea that region of origin matters to consumers, that is, the study showed that some regions of origin had a significant impact on products price. The approach taken was a supply side one, which means we collected prices from different Portuguese retail chains. In this empirical research, we intend to test the same issue questioning directly a certain kind of consumers: those who buy wine to sell it in their small retail shops, restaurants and bars (cafés). Besides the regional designation of origin, other product attributes to be tested are colour, age and special attributes, which all have shown positive effects on price in the previous research.
*
Conclusions
The main motivation for conducting this research was to bring some more light on the impact of territory information on buyers’ behaviour; in this case, Portuguese wine consumers.
Based on empirical evidence collected through a questionnaire directly implemented in a wholesaler, we could conclude that the dominant factor of influence in the acquisition of wine is the region of origin. Product intrinsic characteristics like colour, age, special references and grape, all have shown not having relevant influence in the decision of the wine consumer, in this case. Also noticeable is that, both, wine specialists and consumers use region of origin as a strong clue to their decision of purchasing or not a certain wine, while the non specialist consumer deposits more interest in the brand.
This way, the empirical research undertaken gives support to the hypothesis that the use of territorial references is a promising strategy to increase the market value of products and sustain differentiation towards competitors.
The regions of Alentejo, Douro and Verde have shown to be the most preferred by the Portuguese consumers. The results obtained through this survey are in line with those of a previous research (FREITAS SANTOS and CADIMA RIBEIRO, 2003). The differences to underline have to do with the inclusion of Verde wine region in the questionnaire, which we didn’t consider in the first study due to not being an ordinary Portuguese table wine, and with Dão, not valued as hypothesized by the survey respondents. Anyway, to better understand the results we got in this last study, we should keep in mind that respondents were people living in the Verde wine region itself.
The fact just mentioned can be taken as a major limitation of this empirical research, as it doesn’t allows us to generalise the results to the country, as a whole. Another limitation comes from the fact that we collected the answers in a single wholesaler. That means that supplier marketing strategy could, at least at certain level, to have influenced costumers’ choices.
A last comment we would like to add as to do with the option we took of approaching consumers’ preferences through the ones stated by the small retailers. Even if a close relationship between retailers and final consumers exists, we are aware that it is not the same thing.
-
J. Cadima Ribeiro
J. Freitas Santos
(resumo e conclusão de comunicação apresentada em 47th Congress of the European Regional Science Association (Joint Congress of ERSA and ASRDLF) Paris, August 29th – September 2nd, 2007 - o texto integral da comunicação que trata a matéria em título está disponível, em inglês, no sítio do NIPE, na entrada publicações, actas de conferências, 2007 - http://www3.eeg.uminho.pt/economia/nipe/index_pt.htm)

terça-feira, setembro 25, 2007

As preferências dos turistas que visitam o Minho-Lima

Alguns territórios procuram tirar partido da sua riqueza em recursos naturais, históricos e etnográficos para, por via do aproveitamento turístico, criarem rendimento e emprego. Contudo, sendo os recursos financeiros e humanos escassos, por norma, qualquer planeamento implica fazer apostas selectivas e, logo, proceder à avaliação de alternativas.
Estando em causa um projecto de desenvolvimento turístico, os recursos existentes podem servir como ponto de partida para a definição de alternativas e, conhecendo a opinião dos turistas sobre aqueles, é possível dispor de uma base sólida para a selecção da alternativa estratégica que melhor se adeqúe aos atributos do território e às preferências dos visitantes.
A análise dos gostos e preferências dos turistas está facilitada quando estão em causa destinos mais ou menos consolidados e recursos turísticos actuais, uma vez que estes apresentam uma procura a partir da qual se pode investigar gostos e preferências. Porém, no caso de destinos emergentes e de recursos potenciais, esta tarefa torna-se mais complicada. Para ultrapassar esse problema, podemos recorrer à análise das preferências declaradas, inquirindo os indivíduos sobre as respectivas escolhas (declaradas), face a situações hipotéticas de consumo.
Foi este tipo de abordagem que foi prosseguido há uns meses atrás, no quadro de uma investigação que, em última instância, visava avaliar até que ponto seria viável pensar a sub-região do Minho-Lima como um (novo) destino turístico. O potencial do território em causa resulta-lhe do valor inquestionável dos recursos que possui, que, entretanto, é sabido não bastarem para configurar um projecto sustentável de aproveitamento turístico.
O inquérito destinado a avaliar a estrutura de preferências dos turistas que visitam ou pretendem visitar o Minho-Lima (isto é, o Alto Minho) foi aplicado entre Maio e Dezembro de 2006. Obteve-se um total de 350 respostas, 74 de turistas estrangeiros e 276 de turistas nacionais.
Os recursos do território foram apresentados aos inquiridos sobre a forma de um conjunto de cartões que pretendiam representar os perfis de atributos/alternativas de escolha disponíveis, sendo-lhes pedido para ordenarem/hierarquizarem o(s) preferido(s). Os inquiridos podiam, assim, ter em conta combinações de níveis de atributos, onde cada possível combinação representava o perfil do destino turístico que poderiam ter em mente quando estabelecessem as suas preferências e seleccionassem o seu destino de férias. O desenho do questionário foi aperfeiçoado mediante a realização de um pré-teste.
De forma muito resumida, dos resultados foram obtidos, constatámos que os recursos a que os turistas atribuíam mais importância eram as Praias Oceânicas e os Parques Nacionais ou de Paisagem Protegida. A esta luz, numa perspectiva promocional, não estando os municípios do litoral inseridos no Parque Nacional da Peneda-Gêres, teriam toda a vantagem em referir que este se encontra enquadrado na sub-região a que pertencem. Do mesmo modo, os municípios que fazem parte deste Parque Nacional deveriam referir que se encontram a X km do litoral e, por essa via, de algum modo, incluir esse recurso na sua carteira de oferta.
Considerada a nacionalidade dos entrevistados, obtiveram-se percentagens de importância dos atributos relativamente semelhantes, salvaguardadas as diferenças que se assinalam de seguida:
i) os turistas nacionais preferem os Parques Nacionais ou de Paisagem Protegida, enquanto os turistas estrangeiros valorizam mais as Serras e Montes; e,
ii) no caso dos Recursos Etnográficos, os nacionais atribuem maior importância à Gastronomia, enquanto os estrangeiros valorizam mais as Festas.
Entre os elementos coincidentes, no que se reporta aos Recursos Naturais-Água, estão a preferência dada às Praias Oceânicas e, no que se refere aos Recursos Históricos, a preferência dada ao Património Arqueológico.
Já no caso do Património Religioso e do Artesanato, considerados os mesmos resultados, dada a pouca importância que lhes foi conferida pelos turistas nacionais e estrangeiros, seria de rever o destaque que lhes vem sendo dado nas estratégias de promoção. Partindo da perspectiva que será desejável que um destino turístico disponha de uma carteira de produtos alargada, parece fazer sentido que sejam tomados como recursos complementares, alternativamente à política actual dos apresentar como dois cartazes de visita do Minho-Lima.Conforme é bem explícito, o território que foi alvo de análise foi o Alto Minho. Posta, entretanto, a similitude de recursos turísticos e de perfil de visitantes que visitam o Alto e o Baixo Minho, crê-se que as ilações que se podem retirar deste estudo sejam em grande medida válidas para o Minho, no seu todo.
-
J. Cadima Ribeiro
(reprodução integral de artigo publicado em 07/09/25 no Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna genericamente intitulada "Desde a Gallaecia" - o texto integral da comunicação que trata a matéria em título está disponível, em inglês, no sítio do NIPE, na entrada publicações, actas de conferências, 2007 - http://www3.eeg.uminho.pt/economia/nipe/index_pt.htm)

sábado, setembro 22, 2007

Da falta de arrojo à substituição de Paulo Macedo

Diário económico
José Azevedo Pereira é o sucessor de Paulo Macedo nos Impostos
O Governo já dispensou 14 mil funcionários públicos:
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/edicion_impresa/economia/pt/desarrollo/1038201.html

Comentário: há quem ache que o Ministro das Finanças está a fazer um bom trabalho; há mesmo quem ache que o Governo está a fazer um razoável trabalho em matéria de gestão económica. Lamento, mas não é o meu caso. Aliás, fazer de despedimentos feitos ou programados uma coroa de glória só pode ser fruto de uma enorme confusão de valores e confissão implícita de falta de arrojo e ambição.
Um grande trabalho fê-lo Paulo Macedo!

sexta-feira, setembro 21, 2007

"National Progress Report on eGovernment in the EU27+"

Comissão Europeia
National Progress Report on eGovernment in the EU27+ :
http://ec.europa.eu/information_society/newsroom/cf/itemdetail.cfm?item_id=3635

(cortesia de Irene Rodrigues - CDEUMINHO)

terça-feira, setembro 18, 2007

OCDE: "Education at a Glance 2007"

«Portugal é um dos países onde tirar um curso mais compensa
É um facto que a relação está presente em todos os países da OCDE: quanto mais altas as habilitações académicas, mais elevado é o salário. Mas em Portugal esta ligação é particularmente forte. Em média, um licenciado recebe 80% mais do que um trabalhador que apenas concluiu o secundário.
É uma das maiores diferenças encontradas entre os 25 Estados-membros da organização, só superada na Hungria e na República Checa, de acordo com um relatório da OCDE citado pelo Público e que é divulgado hoje.
Outro dado que comprova que estudar compensa: em nenhum outro país um trabalhador que apenas completou o ensino básico é tão penalizado em termos de rendimentos. Em média, recebe 57% do salário de quem tem o 12.º ano. E em ambos os casos as diferenças têm-se acentuado ao longo dos anos. O que se tem mantido é a diferença salarial entre homens e mulheres, com prejuízo para elas.
Mais um recorde: em Portugal quase 60% das pessoas que recebem duas vezes mais do que a média nacional são licenciadas. Entre os que apenas completaram o 9.º ano, só 7,5 por cento podem dizer o mesmo. As baixas qualificações da população portuguesa podem ajudar a explicar esta valorização.
Estes são alguns dos dados apresentados no relatório da OCDE Education at a Glance 2007, que é hoje divulgado.
Ao longo de mais de 450 páginas, apresentam-se milhares de indicadores relativos aos sistemas de ensino de cada um dos Estados-membros e que permitem constatar algumas características, avança o Público.
Se a valorização das qualificações em Portugal fica demonstrada - igualmente ao nível das taxas de emprego, ainda que de forma muito menos acentuada -, para a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico também ficou claro algo de negativo.
"A maior selectividade no acesso ao ensino superior encontra-se em Portugal", lê-se no relatório, que analisou (para os dez países para os quais havia dados) em que medida o estatuto sócio-económico dos pais condiciona o prosseguimento de estudos dos filhos.
O relatório concluiu que em Portugal essa relação é determinante. Há uma sobrepresentação de filhos de licenciados no superior e estes jovens têm 3,2 vezes mais probabilidade de vir a tirar um curso do que seria normal.»

(reprodução integral de artigo, com o título identificado, publicado na edição de 07/09/18 do Jornal de Negócios)

[cortesia de Nuno silva]

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Ps: Education at a Glance 2007 - OECD Indicators
[a ligação activa ao original e o indíce do texto são disponibilizados por MJMatos (Que Universidade ?) em mensagem, com o título da obra, datada de 07/09/19]

"Poder de compra concelhio - 2005"

Poder de compra cai 1/3 em cinco anos face à média
Disparidades da riqueza face à média nacional caíram nas maiores cidades do país
«Em 2000, um lisboeta conseguia adquirir três vezes mais bens do que a média do cidadão português e um portuense tinha capacidade financeira para comprar 2,38 vezes mais itens do que a média nacional. Cinco anos volvidos, quem habita na capital portuguesa apenas consegue comprar 2,16 vezes a média portuguesa, enquanto no Porto supera em 1,64 vezes a média nacional. Os habitantes das duas cidades continuam, ainda assim, a beneficiar de um poder de compra muito acima da generalidade dos portugueses, revela o estudo sobre o "Poder de Compra Concelhio -2005", divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística no final da semana passada.
Significa isto que o poder de compra dos habitantes das duas maiores cidades do país caiu? Não necessariamente. Na realidade, podemos estar na iminência de um aumento do poder de compra do resto do país. O estudo apresentado pelo INE não permite, contudo tirar conclusões sobre esta questão, uma vez que apenas são apresentados dados relativos face à média nacional (representada em base 100). No entanto, permite concluir que no espaço de cinco anos as disparidades de poder de compra "per capita" diminuíram no Continente (de 101,65 para 100,52) e aumentaram nas regiões autónomas, embora nas ilhas permaneça abaixo da média nacional.
Nos Açores, a capacidade de aquisição subiu de 65,51 para 81,66 e na Madeira aproximou-se vertiginosamente da média nacional, ao aumentar de 72,46 para 96,59 entre 2000 e 2005.
Fosso entre ricos e pobres permanece gritante
Se é verdade que o diferencial nos poderes de compra dos portugueses se reduziu, também é um facto que o fosso entre aqueles que têm um maior poder de compra e os que têm uma capacidade financeira muito reduzida continuava a ser muito grande.
Há dois anos, altura em que o crescimento da economia portuguesa foi particularmente frágil, com o PIB a acrescer a um ritmo de apenas 0,5%, dos 308 municípios do país, só em 43 o poder de compra era superior à média nacional. E destes, a maioria abrangia lugares com mais de 10.000 habitantes. Ou seja, o poder de compra mais elevado continua concentrado nos centros urbanos e no litoral. De acordo com a análise do INE, "metade do poder de compra nacional concentrava-se em apenas 20 municípios", em 2005, pertencendo grande parte à Grande Lisboa, Grande Porto ou ao Algarve.
A cidade de Lisboa continua a ser o local onde se encontra o poder de compra "per capita" mais elevado em todo o País, com 216. No entanto, há dois anos ainda era possível encontrar municípios onde o poder de compra se encontra mais de 50% abaixo da média nacional, como é o caso de Resende, Freixo de Espada à Cinta, Terras de Bouro ou Ribeira de Pena, as zonas de Portugal onde os cidadãos apresentam o mais baixo poder de compra.»
Susana Domingues
(reprodução integral de artigo, datado de 07/09/17, publicado em Jornal de Negócios)

sábado, setembro 15, 2007

"PS recusa discutir subsídio de desemprego na função pública"

www.esquerda.net
PS recusa discutir subsídio de desemprego na função pública:
http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&task=view&id=3974&Itemid=27

(título de mensagem, datada de 2007/09/13, disponível no sítio identificado)
[cortesia de Nuno Silva]

quinta-feira, setembro 13, 2007

O economista e a sua formação: algumas considerações (II)

«[...]
Conforme foi já suficientemente sublinhado nos parágrafos precedentes, quando se considera, hoje em dia, o exercício profissional do economista ou quando se invoca a problemática da gestão e do desenvolvimento de um território, país ou região, as questões da abertura da sua economia e da respectiva inserção na divisão internacional do trabalho não podem deixar de estar presentes. Não é por acaso que se considera que o tempo que atravessamos é o da globalização dos mercados. O que também quer dizer que um consumidor remoto pode ser mais importante que o cliente próximo.
São peças da dita globalização, entre outras, as seguintes: i) a concorrência transnacional, que traz associada ou se suporta em ganhos de escala, economias de custos de mão-de-obra e em dumpings sociais; ii) a liberalização do comércio mundial, com as correspondentes redução de tarifas e eliminação de contingentes; iii) a desregulação da economia, isto é, a redução da intervenção dos Estados (Ribeiro e Santos, 2006).
Esta dinâmica vai a par de outra onde se conjugam as atitudes e desejos dos consumidores e as estratégias de negócio das empresas, marcada i) pela crescente segmentação dos mercados (produtos light; produtos ecológicos), ii) pelo aumento do rendimento e aparecimento de novos grupos de consumidores (crianças/jovens; idosos; consumos apoiados no crédito), iii) pela afirmação de ciclos de vida dos produtos mais curtos e desfasados entre países/regiões e iv) pela valorização pelo consumidor de factores dinâmicos da competitividade como a marca, o design, a qualidade, a personalização do produto, o serviço pós-venda.
É este contexto e esta dinâmica das economias e das sociedades, como um todo, que dão substância aos reptos em matéria de desempenho e de formação a que se reportava João F. Proença na passagem das declarações já transcritas: (hoje, o economista) “tem que evidenciar que sabe, que sabe fazer e que sabe ser, o que para além de conhecimentos específicos exige competências comportamentais.” (Proença, 2007, p.11); “Hoje, é muito difícil exercer a profissão de economista sem o domínio de competências específicas de áreas disciplinares próximas como a gestão […] e sem acesso a teorias, métodos e técnicas de outras áreas do conhecimento, particularmente da psicologia e da sociologia, do direito e da ciência política, da matemática e da informática, entre outras.” (Proença, 2007, p.11). É que as respostas que os técnicos têm que dar são as que lhe são postas pelo funcionamento dos mercados (economias nacionais, empresas, organizações concretas) e, além do mais, têm que visar a eficiência no uso dos recursos e a eficácia nos resultados.
E é neste cenário, igualmente, que as soluções em matéria de formação dos profissionais dos diversos ofícios têm que ser encontradas, percebendo-se do que se adianta acima sobre a evolução dos mercados, das técnicas de produção e de comunicação e das atitudes de consumidores que essas respostas deverão surgir cada vez mais do trabalho de equipas pluridisciplinares e cada vez menos da acção isolada do economista ou do responsável pelo operador global de que se fala.
A esta luz não se questiona a urgência da reforma das instituições de ensino superior e dos curricula dos cursos, a pretexto ou não da chamada “Declaração de Bolonha”. O que se questiona é se há espaço para uma Bolonha à portuguesa.»
J. Cadima Ribeiro
(extracto de comunicação, intitulada "Ser economista hoje, em Portugal. O que mudou com a implementação da Declaração de Bolonha", a ser presente no 2º Congresso Nacional dos Economistas, Ordem dos Economistas, que decorrerá a 11 e 12 de Outubro de 2007, no Centro de Congressos de Lisboa)

domingo, setembro 09, 2007

O economista e a sua formação: algumas considerações

«[...]
Trazendo para primeiro plano o contexto em que se vem desenvolvendo a actividade do economista e do gestor e a complexidade daí decorrente, as derradeiras reflexões que recupero servem também para pôr em evidência a urgência de respostas adequadas a nível de formação académica e profissional deste corpo técnico. A isso se refere, de forma preocupada e crítica, Carlos Pimenta (2007, p.9), nomeadamente, na passagem seguinte: “O maior reconhecimento da importância da economia e a ideologia economicista como ´religião` da globalização aumentam o valor social do economista e atribui a alguns a função de apaziguadores das consciências. Mas a massificação da formação de economistas ao longo de décadas e as características actuais do mercado de trabalho reforçam a precariedade do emprego de muitos e promovem a despromoção funcional”.
De uma forma bem mais terra à terra, João F. Proença (2007, p.11), reporta-se aos reptos lançados em matéria de formação do seguinte modo: “Hoje, é muito difícil exercer a profissão de economista sem o domínio de competências específicas de áreas disciplinares próximas como a gestão (onde, naturalmente, insiro as contabilidades, o marketing ou a fiscalidade, conhecimentos sobre negociação, gestão de pessoas, etc.) e sem acesso a teorias, métodos e técnicas de outras áreas do conhecimento, particularmente da psicologia e da sociologia, do direito e da ciência política, da matemática e da informática, entre outras.” (Proença, 2007, p.11). Ideias que são reforçadas por estas outras: “Contrariamente ao que sucedia há alguns anos atrás, a formação inicial (de 1º ciclo) não pode/deve ser encarada como definitiva e para o resto da vida. Hoje, um aluno finalista de economia sabe (ou deve ter consciência) que o conjunto de actividades onde pode desenvolver, com utilidade, a sua actividade é bem mais vasto e, que por isso, a sua formação não está completa no dia em que receber o seu diploma.” (Belbute, 2007, p.12). Além disso, sublinha, “Os conhecimentos adquiridos […] arriscam-se a ficar rapidamente desactualizados. Por isso e contrariamente ao que sucedia há alguns anos atrás, a formação inicial deve ter um carácter mais flexível e generalista que alie uma sólida formação económica de base (em macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos) à aquisição de competência, de capacidade e de atitudes (capacidade de trabalho em equipa, de tomada de decisões, de relacionamento e de iniciativa) que valorizem os estudantes e lhes facilitem a sua inserção no mercado de trabalho” (Belbute, 2007, p.12).
A dificuldade, que José Manuel Belbute não endereça mas que seguramente terá presente, está em conjugar uma formação sólida em macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos com todas as exigências em termos de domínio de técnicas, teorias e comportamentos que antes são enunciadas como sendo imprescindíveis para o sucesso profissional dos nossos tempos e com a redução das escolaridades totais e parciais a nível de formação do 1º ciclo dos cursos do ensino superior. É que, faça-se claro, o reforço da formação em termos de macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos, em simultâneo com a redução das ditas escolaridades acaba por reduzir os cursos do 1º ciclo a projectos de ensino que pouco mais oferecem em matéria de programas escolares que macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos. Obviamente, que esses programas podem ser transmitidos recorrendo a novos modelos de ensino-aprendizagem que impliquem e suscitem novos comportamentos nos formandos mas, nessa vertente, dão-se agora os primeiros passos em Portugal, e o processo tem sérias dificuldades, mesmo porque o ensino superior não existe isolado de toda a realidade do ensino e formação do país.
Que o 1º ciclo não responderá aos reptos da complexidade da gestão das economias modernas, disso não restarão dúvidas a ninguém, suponho.»

J. Cadima Ribeiro
(extracto de comunicação, intitulada "Ser economista hoje, em Portugal. O que mudou com a implementação da Declaração de Bolonha", a ser presente no 2º Congresso Nacional dos Economistas, Ordem dos Economistas, que decorrerá a 11 e 12 de Outubro de 2007, no Centro de Congressos de Lisboa)

sexta-feira, setembro 07, 2007

quarta-feira, setembro 05, 2007

Greatness is not a function of circumstance

“Greatness is not a function of circumstance. Greatness, it turns out, is largely a matter of conscious choice, and discipline."
Jim Collins

(citação extraída de SBANC Newsletter, September 4, Issue 486-2007, http://www.sbaer.uca.edu/newsletter/2007/090407.htm)

terça-feira, setembro 04, 2007

Consumer perception of Portuguese quality wine and the region-of-origin effect - V I

"The main motivation for conducting this research was to bring some more light on the impact of territory information on buyers’ behaviour; in this case, Portuguese wine consumers.
Based on empirical evidence collected through a questionnaire directly implemented in a wholesaler, we could conclude that the dominant factor of influence in the acquisition of wine is the region of origin. Product intrinsic characteristics like colour, age, special references and grape, all have shown not having relevant influence in the decision of the wine consumer, in this case. Also noticeable is that, both, wine specialists and consumers use region of origin as a strong clue to their decision of purchasing or not a certain wine, while the non specialist consumer deposits more interest in the brand.
This way, the empirical research undertaken gives support to the hypothesis that the use of territorial references is a promising strategy to increase the market value of products and sustain differentiation towards competitors.
The regions of Alentejo, Douro and Verde have shown to be the most preferred by the Portuguese consumers. The results obtained through this survey are in line with those of a previous research (FREITAS SANTOS and CADIMA RIBEIRO, 2003). The differences to underline have to do with the inclusion of Verde wine region in the questionnaire, which we didn’t consider in the first study due to not being an ordinary Portuguese table wine, and with Dão, not valued as hypothesized by the survey respondents. Anyway, to better understand the results we got in this last study, we should keep in mind that respondents were people living in the Verde wine region itself.
The fact just mentioned can be taken as a major limitation of this empirical research, as it doesn’t allows us to generalise the results to the country, as a whole. Another limitation comes from the fact that we collected the answers in a single wholesaler. That means that supplier marketing strategy could, at least at certain level, to have influenced costumers’ choices. A last comment we would like to add as to do with the option we took of approaching consumers’ preferences through the ones stated by the small retailers. Even if a close relationship between retailers and final consumers exists, we are aware that it is not the same thing."
J. Cadima Ribeiro
J. Freitas Santos
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[reprodução da conclusão de comunicação apresentada no 47th Congress of the European Regional Science Association (Joint Congress of ERSA and ASRDLF) Paris, August 29th – September 2nd, 2007]

domingo, setembro 02, 2007

Consumer perception of Portuguese quality wine and the region-of-origin effect - V

"[...]
4. Region of origin and the perception of consumers
[...] wines from the regions of Alentejo, Douro and Verde are the most preferred by the Portuguese consumer. Regions of Beiras, Bairrada, and Ribatejo are less preferred. The results obtain through this survey are in line with those of the 2003 research (FREITAS SANTOS and CADIMA RIBEIRO, 2003), as already mentioned. The differences to underline have to do in the inclusion of Verde, which wine region we didn’t included in the first study due to not being an ordinary Portuguese table wine, and with Dão, not valued as hypothesized by the survey respondents, may be because it doesn’t presents for them as a wine region clearly differentiated from the one of Douro. Anyway, to better understand the results we got in this last empirical research, we should keep in mind that the respondents were people living in the Verde wine region itself.
As mentioned before, these results offer some support to the proposition that, where it is not possible to distinguish objectively between products on the basis of intrinsic quality, consumers will resort to the use of region of origin cue as a surrogate quality index. Thus, some region’s physical resources (such as land and climate) and tradition (historic and cultural background) can affect buyers perceptions towards wines produced in a given region, or, at least, can affect the perception of some segments of potential consumers.
[...]
Another explanation concerns the image of the wine. If wines from regions of Alentejo and Verde have a positive image, then the use of that wine makes the consumer feel better about him or herself. It may also be the case that the product has the image that the consumer wants to project to other people. Besides, it can happen that specialized regional products are fashionable. In this case, that is, if a person is concerned with what other people think, then that person may care about the region of origin in order to impress others (LOUREIRO and McCLUSKEY, 2000).
Lastly, it is interesting to see that, when the buyer has total freedom to choose the wine, Alentejo is the most preferred region, but, if it brings shopping lists, Douro and Verde also assume important places [...] in the revealed buyers preferences.
[...]"

J. Cadima Ribeiro
J. Freitas Santos
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[extractos de comunicação apresentada no 47th Congress of the European Regional Science Association (Joint Congress of ERSA and ASRDLF) Paris, August 29th – September 2nd, 2007]

sexta-feira, agosto 31, 2007

“Fiscal policy in Mediterranean countries – Developments, structures and implications for monetary policy”

“Southern and eastern Mediterranean countries have many fiscal challenges in common with other emerging market and mature economies concerning deficit and debt reduction and the maintenance of fiscal discipline. However, most countries in the region also face some specific fiscal issues, such as relatively high public debt, dependence on some form or another of donor dependence or concessional financing, high budgetary exposure to fluctuations in hydrocarbon prices, high defence expenditure and weak tax bases. Against this background, this paper reviews fiscal developments and fiscal policy issues in the ten countries that are participants or observers in the EU’s Barcelona process. The main focus is on the implications of these developments and issues for macroeconomic stability, given that countries in the region have made considerable progress in terms of macroeconomic stabilisation over the last two decades, which is reflected in particular in lower inflation rates. The analysis distinguishes between non-oil-producing and oil-producing countries in the region, as they exhibit different fiscal features and are confronted with different challenges. In the case of non-oil-producing countries, the key challenges stem from high deficits and debt levels, including implicit and contingent liabilities, notwithstanding some progress in fiscal consolidation in most of these countries over the last years. In the case of oil-producing countries, whose fiscal situation has significantly improved in recent years in the wake of high oil prices, the key challenges for fiscal management stem from the heavy reliance on an exhaustible source of revenues and a large exposure to fluctuations in international hydrocarbon prices. A shock originating from – or being transmitted via and exacerbated by – the fiscal sector appears to be the single most important macroeconomic risk in many countries.”

Michael Sturm (European Central Bank, Kaiserstrasse 29, 60311 Frankfurt am Main, Germany.)
François Gurtner (European Central Bank, Kaiserstrasse 29, 60311 Frankfurt am Main, Germany.)

Date: 2007-08
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:ecb:ecbops:20070069&r=pbe
(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

quarta-feira, agosto 29, 2007

A pretexto do exemplo da Irlanda

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(titulo de mensagem, datada de quarta-feira, 29 de Agosto de 2007, disponivel em Co-Labor)

segunda-feira, agosto 27, 2007

Consumer perception of Portuguese quality wine and the region-of-origin effect - IV

"[...]
3. Wine attributes and the perception of consumers
[....] both, wine specialists and consumers use region of origin as a strong clue to their decision of purchasing or not a certain wine, while the non specialist consumer deposits more interest in the brand. In this case, the brand seems to increase the perceived quality of the wine and the probability of its acquisition. In this regard, producer’s brand seems to be able of creating consumer loyalty and, in a certain degree, to defend the firm from the threat of competition.
[...]"
J. Cadima Ribeiro
J. Freitas Santos
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[extractos de comunicação a apresentar em 47th Congress of the European Regional Science Association (Joint Congress of ERSA and ASRDLF) Paris, August 29th – September 2nd, 2007]

domingo, agosto 26, 2007

Consumer perception of Portuguese quality wine and the region-of-origin effect - III

"[...]
3. Wine attributes and the perception of consumers
[...]
Product intrinsic characteristics like colour, age, special references and grape, all have shown not having relevant influence in the decision of the wine consumer, in this case.
There is mixed empirical evidence about the influence of colour in wine buyers` behaviour. ORTH and KRSKA (2002) study, about the Czech Republic, found that colour is an important wine attribute to buyers, while STEINER (2002) clearly identified red wine as having price premiums in England and Scotland. On the contrary, other studies (NERLOVE, 1995; SCHAMEL and ANDERSON, 2003) concluded that red wines were sold at a discount against white ones in Sweden and Australia/New Zealand, respectively. Given the diversity of countries, these results reinforce the idea of wine as a cultural product, strongly embedded in the history and culture of a “terroir”.
Although with no statistical significance, our previous research (FREITAS SANTOS and CADIMA RIBEIRO, 2003) has shown that Portuguese consumers seem to associate red wine with tradition, better quality and typical gastronomy. Of course, also health reasons spread by the media lately could help to explain the results we got.
Additionally, [...] results seems to tell that characteristics and quality of the wine (appearance, taste, flavour), which improve with age, have no major influence on the buying decision. May be, because it represents to consumers a saving in opportunity costs of storage, while, for producer, the longer they store the wine the greater it is its contribution towards the cost of production. The same way, the statement that wines with special references (marketing indications, such as reserve) have a positive impact on consumer decision is not supported by the data.
This empirical evidence is contrary to the one we got in previously (FREITAS SANTOS and CADIMA RIBEIRO, 2003) for product intrinsic characteristics like age (more years) and special attributes (as reserve), both having positive effects on price. The same applies to the indication of the name of the grapes on the label that, once again, in this survey, has shown not to influence consumers’ decision.
Regarding this issue, a study by STEINER (2002) pointed out the possible interaction between grape varieties and region of origin, saying that “outstanding grape varieties are shown to have a strongly positive or negative regional impact on price just as outstanding regions have a similar grape varietal impact”. On the contrary, ANGULO et al. (2000) found that grape variety did not influence wine prices in the Spanish market. By his turn, SCHAMEL (2003) reported mixed effects (positive and negative) of grape varieties on wine prices.
[...]"
J. Cadima Ribeiro
J. Freitas Santos
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[extractos de comunicação a apresentar em 47th Congress of the European Regional Science Association (Joint Congress of ERSA and ASRDLF) Paris, August 29th – September 2nd, 2007]

quinta-feira, agosto 23, 2007

Consumer perception of Portuguese quality wine and the region-of-origin effect - II

"[...]
3. Wine attributes and the perception of consumers
The current study deals with current Portuguese consumer perceptions of wine, in a real market setting.
[...] the dominant factor of influence in the acquisition of wine is the region of origin. This result reinforces the one we got from the 2003 study (FREITAS SANTOS and CADIMA RIBEIRO, 2003). According to it wines from regions of Douro, Dão and Alentejo would command higher prices than wines from other regions. Anyway, we should keep in mind the different nature of the methodological approach and of the sample taken.
Learning form this results, considering its strategic implication, if the region of origin has a positive image/reputation on the wine market, producers should give more visibility to it on the label and use that image in their marketing programs. A complementary approach to the market is the identification of consumer groups (market niches) that are willing to spend a higher share of their budget to buy products more able to attend theirs particular needs.
[...]
On the contrary, producers from regions with less reputation on wine should compete on brand equity and marketing actions (market research, advertising, promotion, public relations), in order to well establish the uniqueness and the historic background of the goods they are offering to the market. Using other words, the general idea is that producers, rather than competing for a price, should propose to consumers a concept supported on a strong ethos of making quality wine.
[...]"
J. Cadima Ribeiro
J. Freitas Santos
Referência:
- FREITAS SANTOS, J. and CADIMA RIBEIRO, J. (2003), ”Effects of territory information on Portuguese wine prices: a hedonic approach”, European Review of Economics and Finance, Vol. 2, N.1, pp. 39-52.
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[extractos de comunicação a apresentar em 47th Congress of the European Regional Science Association (Joint Congress of ERSA and ASRDLF) Paris, August 29th – September 2nd, 2007]

terça-feira, agosto 21, 2007

Consumer perception of Portuguese quality wine and the region-of-origin effect

"Region’s specificities such as history, geography and culture can be mobilised to qualify regions` products and confer a competitive advantage to certain products with origin in that region. The returns of a region’s resources depend upon the ability of local firms to appropriate the rents earned and whether consumers value the characteristics of the region that are associated with the product, being disposed to pay a price premium.
In a previous research, using a hedonic price function, which related the price of Portuguese regional wines to its various attributes, we found empirical support to the idea that region of origin matters to consumers, that is, the study showed that some regions of origin had a significant impact on products price. The approach taken was a supply side one, which means we collected prices from different Portuguese retail chains. In this empirical research, we intend to test the same issue questioning directly a certain kind of consumers: those who buy wine to sell it in their small retail shops, restaurants and bars (cafés). Besides the regional designation of origin, other product attributes to be tested are colour, age and special attributes, which all have shown positive effects on price in the previous research."

J. Cadima Ribeiro
J. Freitas Santos

[resumo de comunicação a apresentar em 47th Congress of the European Regional Science Association (Joint Congress of ERSA and ASRDLF) Paris, August 29th – September 2nd, 2007]