Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

quarta-feira, abril 30, 2008

Genuine confidence is what launches you out of bed in the morning

"The kind of commitment I find among the best performers across virtually every field is a single-minded passion for what they do, an unwavering desire for excellence in the way they think and the way they work. Genuine confidence is what launches you out of bed in the morning, and through your day with a spring in your step."

Jim Collins

(citação extraída de SBANC Newsletter, April 29, Issue 517-2008, http://www.sbaer.uca.edu/)
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Comentário: podia ser uma apreciação à falta de lucidez como as políticas económicas e sociais vêem sendo conduzidas em Portugal nos últimos (já muitos) anos.

segunda-feira, abril 28, 2008

sábado, abril 26, 2008

Manuela Ferreira Quê?

Nos últimos meses instalou-se em Portugal num clima de grande desânimo e descrédito. Sendo este um estado de alma profundamente funesto do ponto de vista da mobilização social e da dinâmica económica, permitimos todos que se instalasse e, pior que isso, assentou nisso a linha de força do discurso que o governo, em geral, e certos ministros, em particular, entenderam veicular aos portugueses.
Entende-se que essa estratégia possa fazer sentido enquanto o que importa sublinhar é a herança de ineficiência e ausência de visão do governo cessante. Entende-se pior quando o que passa a estar em causa é o sucesso das políticas do próprio governo em funções, e precebe-se menos, ainda, quando o que o discurso político acaba por veicular são iniciativas de gestão económica pública profundamente erradas, ultrapassadas na concepção que fazem do funcionamento dos mecanismos económicos e, além do mais, inconsistentes.
Embora, como digo, seja esse um sinal distintivo do discurso do governo do Dr. Durão Barroso, no seu todo, a nota mais negativa tem que ser atribuída à sua ministra das finanças, a quem escaparam coisas tão óbvias como a ideia que para cobrar mais receita fiscal é necessário que a actividade económica cresça de forma sustentada, e que o investidor não é mobilitado pela ideia de que ao fundo da estrada não deve esperar mais do que o precipício. Diferentemente, a subida das taxas de fiscalidade só pode gerar a retracção da receita, do mesmo modo que a retracção do investimento público não só acaba por afectar seriamente os sectores económicos implicados por essa despesa, gerando um efeito de retracção económica geral, como hipoteca o crescimento a prazo do país, ao não concretizar projectos essenciais para a modernização da infraestrutura geral.
Perante dados tão óbvios, surpreende-me a cumplicidade dos fazedores de opinião e da comunicação social, em geral, com esta visão das coisas e estas propostas de gestão da economia. Surpreende-me tanto mais quanto se pretende passar a mensagem de que o que está em causa é rigor e seriedade na condução dos assuntos do país, porventura confundindo discurso agreste e convencimento pessoal com capacidade técnica e eficiência.
Num registo mais benévolo, pode-se admitir que o que subjaz à mencionada complacência, senão cumplicidade, será a perspectiva de que já não faltará muito para que um tal discusso se desmorone, por si, face à iminência da divulgação dos primeiros resultados de avaliação das políticas. Mas, pergunto, a que custos presentes e futuros? Não faria mais sentido prevenir o erro que ajustar a trajectória aposteriori? Afinal qual é o conceito de cidadania que cultivamos?
Estas são as questões que se me oferecem face ao estado de passividade que vejo instaurar-se na sociedade portuguesa. São, por outro lado, como bem se percebe, a expressão escrita de um grito de revolta.
J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião, datado de 08 de Dezembro de 2002, pubicado na ocasião no Diário do Minho)

sexta-feira, abril 25, 2008

terça-feira, abril 22, 2008

Conjuntura económica em Espanha e medidas de combate à desaceleração

A economia portuguesa é hoje mais dependente da economia espanhola do que há dez anos. As exportações portuguesas para Espanha neste período passaram de representar aproximadamente 10% do total para perto de 30% das vendas agregadas ao exterior. O Investimento Directo Estrangeiro (IDE) espanhol em Portugal tem ganho posições, especialmente em alguns sectores, sendo Espanha, neste momento, o terceiro maior investidor em Portugal. Ademais, as empresas portuguesas, especialmente as que operam no sector comercial, começam a ser bem sucedidas na abordagem do mercado espanhol, o que faz com que muitas delas tenham ambiciosos planos de expansão no país vizinho. Este contexto de interdependência implica que o acompanhamento da conjuntura da economia espanhola seja fundamental para ajudar a entender certos fenómenos de carácter económico e, inclusivamente, social em Portugal.
A desaceleração económica, originada em grande medida na crise financeira dos Estados Unidos, está a estender-se rapidamente nas economias mais avançadas. Neste momento, os efeitos do abrandamento são muito evidentes na economia espanhola, dado que a maioria dos indicadores de actividade e consumo apresentam importantes quebras em termos inter-anuais. A economia americana e a espanhola partilharam durante os primeiros anos desta década algumas tendências em termos de actividade económica, que acabaram por estar na origem da crise financeira na primeira delas. O paralelismo mais evidente está relacionado com a grande expansão do sector imobiliário, impulsionada pela forte procura de habitação, que resultou num acelerado incremento dos preços e na intensa revalorização deste tipo de activos. Outro tem a ver com a considerável expansão do crédito hipotecário, especialmente às famílias, não só para a compra de primeira habitação, mas também para a compra de segundas habitações e para satisfazer a procura especulativa sobre este tipo de activos. O outro aspecto convergente entre ambas as economias é a acentuação da dependência do financiamento externo, que tem a sua expressão mais notável no significativo défice da balança por conta corrente.
Apesar destas coincidências no diagnóstico, existem algumas circunstâncias que fazem com que a economia espanhola tenha uma maior capacidade de resposta num cenário de desaceleração como o actual. Em primeiro lugar, a existência de um sistema bancário eficiente, solvente, com reduzidos indicadores de morosidade e elevados volumes de recursos consignados em provisões, que se tem internacionalizado com grande sucesso, tanto em mercados em desenvolvimento como em mercados maduros. Em segundo lugar, a disponibilidade de um superavit crescente nas finanças públicas, que permite que o governo, em caso de necessidade, possa utilizar os recursos acumulados para estimular a procura, bem mediante a expansão ou a antecipação do investimento público ou através da redução ou devolução de determinados tipos de impostos.
O abrandamento da actividade económica em Espanha será muito mais rápido do que inicialmente previsto. O governo previu uma taxa de crescimento do PIB para 2008 de 3,1% (3,8% em 2007), ainda que nas últimas semanas o Ministério de Economia tem admitido que a taxa estimada pelo Banco de Espanha, de 2,4%, reflecte melhor a evolução da economia desde início do ano. De acordo com os dados do FMI, ambas as taxas são extremamente optimistas, dado que as suas previsões mais recentes apontam para uma variação relativa do PIB espanhol de apenas 1,8% em 2008.
Neste contexto de intensa desaceleração económica, a utilização dos fundos públicos acumulados emerge como uma solução adequada, no curto prazo, para travar a queda da procura e evitar a destruição massiva de emprego. O novo governo que tomou posse há escassos dias, após as eleições de início de Março, já apresentou um plano de intervenção económica para combater os efeitos da crise no sector imobiliário e das turbulências financeiras internacionais. O pacote previsto inclui 11 medidas (6 destinadas exclusivamente ao sector imobiliário) e prevê-se que tenha um impacto de 24.200 milhões de euros em dois anos (10.800 milhões em 2008). As medidas com efeitos directos sobre as famílias são o prolongamento gratuito dos prazos das hipotecas, a dedução linear de 400 euros no IRS, tanto para trabalhadores por conta de outrem como para trabalhadores por conta própria, que afectará cerca de dezasseis milhões e meio de contribuintes, e a eliminação do imposto de património, que favorecerá um milhão de contribuintes, aproximadamente. Outras medidas que merecem especial destaque são a antecipação da licitação de obras públicas e a devolução mensal do IVA às empresas.
A gravidade dos dados de conjuntura sugere que o plano de intervenção proposto pode ser insuficiente. As medidas anunciadas devem ser entendidas como uma intervenção de carácter urgente e pontual. As políticas de carácter estrutural destinadas a melhorar a eficiência da economia devem ser uma prioridade do governo durante a legislatura que agora se inicia. A modernização e a diversificação económica, o investimento em capital humano e tecnológico, o crescimento da produtividade e a redução do défice externo são aspectos que devem estar na agenda política ao longo dos próximos quatro anos.
O governo português deve prestar especial atenção à evolução económica do seu vizinho. A redução da actividade económica irá, certamente, afectar as exportações portuguesas com destino a Espanha e condicionar os fluxos recíprocos de IDE, mas terá, muito provavelmente, fortes implicações sobre outros âmbitos menos explícitos. Os fenómenos recentes de exportação de mão-de-obra, de importação de inflação e de desvio de procura são manifestações reais, sem expressão estatística, da crescente interdependência das duas economias, que merecem um acompanhamento mais efectivo por parte dos responsáveis de política económica em Portugal.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

sábado, abril 19, 2008

Setting financial goals

"Before you can really start setting financial goals, you need to determine where you stand financially."

David Bach

(citação extraída de SBANC Newsletter, April 15, Issue 515 - 2008,

sexta-feira, abril 18, 2008

terça-feira, abril 15, 2008

segunda-feira, abril 14, 2008

sexta-feira, abril 11, 2008

FMI enerva governo

"Para Espanha seguem 28,3% das exportações nacionais. E as previsões do FMI, ontem divulgadas, para o primeiro cliente português são decepcionantes. Em 2008 o consumo dos espanhóis cai quase 40% e, pela primeira vez na recente história económica do país vizinho, o investimento - principalmente na habitação, o que afectará os emigrantes portugueses - vai cair até ao fim de 2009.
O investimento alemão deverá abrandar para metade e a estimativa para os gastos das famílias francesas e italianas são também objecto de fortes correcções em baixa. Em suma, o consumo na área euro - para onde é escoado cerca de 75% das vendas nacionais - deverá registar na queda em 2008 e 2009 e o investimento deverá cair 60%."

(extracto de notícia, datada de 08/04/10 e intitulada "FMI enerva Governo ao prever economia mais fraca", publicada pelo Diário Notícias)
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Comentário: chato, chato, segundo o ministro das finanças, é se a confiança dos consumidores (que, como bem se sabe, é uma variável exógena) se mantiver em baixa ou baixa, uma vez que é dificil cair mais.

terça-feira, abril 08, 2008

A dinâmica económica estrutural recente do Minho

O Minho tem uma estrutura produtiva caracterizada pela forte presença de sectores produtores de bens transaccionáveis, muito sensíveis à concorrência dos novos países emergentes. A especialização em sectores que experimentam forte processo de ajustamento estrutural tem sido a principal causa do fraco desempenho do emprego nos últimos anos.
No entanto, os serviços, nomeadamente os serviços de apoio às empresas, a prestação de cuidados de saúde e a acção social apresentam dinâmicas positivas, embora insuficientes para absorverem a mão-de-obra libertada pelos sectores tradicionais. A importância das actividades de Investigação e Desenvolvimento (I&D) mantém-se também inferior à média nacional, quer em termos do peso relativo do investimento no produto, quer em termos dos recursos humanos afectos a esta actividade. Assim sucede ainda que no Cávado e no Ave se observem novas dinâmicas, associadas à presença da Universidade do Minho.
Para a leitura da dinâmica económica do Minho acabada de fazer concorrem, por um lado, alguns dados conhecidos sobre a evolução do desemprego, das exportações e do investimento em I&D e, por outro lado, a análise da evolução da actividade económica das NUT III Minho-Lima, Cávado e Ave realizada com o recurso à “análise das componentes de variação” ou shift-share, na designação inglesa.
Esta técnica decompõe o crescimento de uma dada variável (o emprego, por exemplo) em factores distintos que possam influenciar o seu comportamento. Estes factores ou componentes pretendem captar o efeito da dinâmica macroeconómica global, da composição sectorial da região (componente estrutural) e, ainda, o efeito de outros factores específicos da região (componente regional ou diferencial) no crescimento desta.
A componente nacional representa o crescimento que a região teria se tivesse a mesma variação observada a nível nacional. No entanto, é de esperar que só por coincidência a estrutura económica regional seja idêntica à nacional. É baseado neste facto que se inclui a chamada componente estrutural. Como, adicionalmente, nada garante que o crescimento de cada sector ou actividade a nível regional seja idêntico ao observado a nível nacional, importa que essa diferença seja igualmente sublinhada. A componente regional ou concorrencial capta precisamente esta diferença, isto é, mede o desvio do crescimento regional relativamente aquilo que era esperado caso cada sector se tivesse comportado do mesmo modo que a nível nacional. Se esta componente é positiva, o modelo aponta para a existência de vantagens comparativas regionais (por exemplo, melhores infra-estruturas ou maior produtividade do trabalho), que favorecem crescimentos sectoriais regionais mais elevados.
A análise das componentes de variação foi aqui realizada para dois períodos temporais distintos (1996-2000 e 2001-2005), utilizando dados referentes ao emprego não público por conta de outrem, nos sectores secundário e terciário.
Os resultados alcançados permitem concluir que a componente estrutural em ambos os sub-períodos e para todas as NUT III em análise foi negativa (em razão de dificuldades decorrentes do perfil de especialização) [Tabelas 1 e 2]. Por sua vez, a componente regional apresentou um comportamento favorável, com a excepção do Cávado, no primeiro período, circunstância essa que indicia alguma inconsistência competitiva.
[Tabelas 1 e 2]*
Em maior detalhe, comparando as três sub-regiões, verificamos que há diferenças significativas na dinâmica do emprego entre elas. Em termos de crescimento médio anual efectivo do emprego por conta de outrem, apenas a NUT do Minho-Lima observou um crescimento superior à média nacional em ambos os períodos. O desempenho negativo da componente estrutural em todas as NUT, por sua vez, demonstra uma forte dependência de sectores que estão em contracção do emprego a nível nacional. No entanto, os dados evidenciados em termos da componente regional (positiva, com a excepção já sublinhada da NUT Cávado, no primeiro período) revelam que as empresas locais tendem a perder menos emprego que as congéneres, do mesmo sector, localizadas noutras regiões do país.
Estes dados são significativos e têm óbvia utilidade para fins de planeamento, assim as entidades públicas locais e nacionais os queiram considerar, já que constatar situações pouco releva se não existir vontade de actuar sobre elas, corrigindo problemas e potenciando recursos e capacidades dos territórios.
J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião a publicar em próxima edição do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

* não reproduzidas, por razões técnicas

segunda-feira, abril 07, 2008

1.º Congresso de Economia da Euro-região Galiza & Norte de Portugal

1.º Congresso de Economia da Euro-região Galiza & Norte de Portugal / Construindo em Cooperação
Temos o gosto de trazer ao seu conhecimento que se irá realizar nos próximos dias 25 e 26 de Setembro, na cidade de Vigo, o evento em ref.ª, o qual tem como organizador principal o recém-criado Conselho Galego de Economistas, órgão de cúpula que congrega os Colégios Territoriais de Pontevedra, Lugo, Ourense e Corunha, do Conselho Geral de Economistas de Espanha.
[...]
Pense em participar no evento que lhe estamos a anunciar e, para já, informe-se com mais detalhe sobre o mesmo no site
*
(extractos de mensagem de correio electrónico, de divulgação do evento em epígrafe, recebida, proveniente de drn@ordemeconomistas.pt)

sexta-feira, abril 04, 2008

segunda-feira, março 31, 2008

Número de desempregados com diplomas do ensino superior

RTP Noticias
Ensino Superior: Número de licenciados sem emprego idêntico desde há cinco anos - Mariano Gago:
http://ww1.rtp.pt/noticias/?article=336345&visual=26&tm=Economia
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(cortesia de Nuno Soares da Silva)
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Comentário: é interessante como o tom do discurso do ministro oscila entre o trágico e o optimista, consoante a mensagem que se quer passar e quem se quer visar; sugiro que lhe seja atribuída a tutela da propaganda. Fará melhor papel que Sócrates ou o seu ministro da dita, Augusto Santos Silva.

sexta-feira, março 28, 2008

"Finalmente descobrimos aquilo de que Portugal realmente precisa"

«Subject: Mário Crespo
Mário Crespo
Pronto! Finalmente descobrimos aquilo de que Portugal realmente precisa: uma nova frota de jactos executivos para transporte de governantes. Afinal, o que é preciso não são os 150 mil empregos que José Sócrates anda a tentar esgravatar nos desertos em que Portugal se vai transformando. Tão-pouco precisamos de leis claras que impeçam que propriedade pública transite directamente para o sector privado sem passar pela Partida no soturno jogo do Monopólio de pedintes e espoliadores em que Portugal se tornou. Não precisamos de nada disso. Precisamos, diz-nos o Presidente da República, de trocar de jactos porque aviões executivos "assim" como aqueles que temos já não há "nem na Europa nem em África". Cavaco Silva percebe, e obviamente gosta, de aviões executivos. Foi ele, quando chefiava o seu segundo governo, quem comprou com fundos comunitários a actual frota de Falcon em que os nossos governantes se deslocam.
Voei uma vez num jacto executivo. Em 1984 andei num avião presidencial em Moçambique. Samora Machel, em cuja capital se morria à fome, tinha, também, uma paixão por jactos privados que acabaria por lhe ser fatal. Quando morreu a bordo de um deles tinha três na sua frota. Um quadrimotor Ilyushin 62 de longo curso, versão presidencial, o malogrado Antonov-6, e um lindíssimo bimotor a jacto British Aerospace 800B, novinho em folha. Tive a sorte de ter sido nesse que voei com o então Ministro dos Estrangeiros Jaime Gama numa viagem entre Maputo e Cabora Bassa. Era uma aeronave fantástica. Um terço da cabina era uma magnífica casa de banho. O resto era de um requinte de decoração notável. Por exemplo, havia um pequeno armário onde se metia um assistente de bordo magro, muito esguio que, num prodígio de contorcionismo, fez surgir durante o voo minúsculos banquetes de tapas variadíssimas, com sandes de beluga e rolinhos de salmão fumado que deglutimos entre golinhos de Clicquot Ponsardin. Depois de nos mimar, como por magia, desaparecia no seu armário. Na altura fiz uma reportagem em que descrevi aquele luxo como "obsceno". Fiz nesse trabalho a comparação com Portugal, que estava numa craveira de desenvolvimento totalmente diferente da de Moçambique, e não tinha jactos executivos do Estado para servir governantes.
Nesta fase metade dos rendimentos dos portugueses está a ser retida por impostos. Encerram-se maternidades, escolas e serviços de urgência. O Presidente da República inaugura unidades de saúde privadas de luxo e aproveita para reiterar um insuspeitado direito de todos os portugueses a um sistema público de saúde. Numa altura destas, comprar jactos executivos é tão obsceno como o foi nos dias deSamora Machel. Este irrealismo brutalizado com que os nossos governantes eleitos afrontam a carência em que vivemos ultraja quem no seu quotidiano comuta num transporte público apinhado, pela Segunda Circular ou Camarate, para lhe ver passar por cima um jacto executivo com governantes cujo dia a dia decorre a quilómetros das suas dificuldades, entre tapas de caviar e rolinhos de salmão. Claro que há alternativas que vão desde fretar aviões das companhias nacionais até, pura e simplesmente, cingirem-se aos voos regulares. Há governantes de países em muito melhores condições que o fazem por uma questão de pudor que a classe que dirige Portugal parece não ter.
Vi o majestático François Miterrand ir sempre a Washington na Air France. Não é uma questão de soberania ter o melhor jacto executivo do Mundo. É só falta de bom senso. E não venham com a história que é mesquinhez falar disto. É de um pato-bravismo intolerável exigir ao país mais sacrifícios para que os nossos governantes andem de jacto executivo. Nós granjearíamos muito mais respeito internacional chegando a cimeiras em voos de carreira do que a bordo de um qualquer prodígio tecnológico caríssimo para o qual todo o Mundo sabe que não temos dinheiro.
Mário Crespo, escreve à 2ªf no JN»
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(reprodução de texto de Mário Crespo, publicado no JN, que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, reencaminhado por Nuno Soares da Silva)

terça-feira, março 25, 2008

Estratégias de articulação e organização territorial para a região Norte

A competitividade territorial é actualmente um objectivo político de primeira ordem. A construção de um território económico competitivo implica assumir a dialéctica que resulta da confrontação entre o global e o local. Neste contexto, a forma de organização do território revela-se como um elemento de uma importância capital. A visão do território como um contentor de recursos desarticulados está actualmente desactualizada. O entendimento do espaço como uma componente neutral, com funções de suporte, não responde aos desafios da racionalidade competitiva dominante. Presentemente, o território assume-se como um factor de competitividade de grande relevância, pelas vantagens em termos de disponibilidade de recursos e de redução de custos que pode chegar a induzir. Obviamente, a dimensão dessas vantagens dependerá, em grande medida, da forma de organização territorial e, sobretudo, da adaptabilidade da estrutura resultante às necessidades internas e às exigências da competição externa.
O modelo territorial da região Norte deve, neste sentido, ser objecto de uma re-configuração, destinada a conseguir uma estrutura mais flexível e adaptativa, que permita uma aproximação directa aos recursos e serviços e uma redução dos custos externos, de acesso e mobilidade e, inclusivamente, de gestão dos serviços comuns. O sistema de planeamento e organização do território que dominou durante décadas as intervenções de política pública e que se construiu à volta do grande centro polarizador, o Porto, contribuiu para a intensificação das assimetrias espaciais, ao retro-alimentar as dinâmicas polarizadoras associadas aos intensos desequilíbrios em termos de dimensão urbana.
Actualmente o território da região Norte caracteriza-se, do ponto de vista espacial, pela existência de seis tipos de áreas: i) a Área Metropolitana do Porto (AMP), que tem o seu centro na cidade do Porto, e que é um espaço predominantemente urbano onde se constatam intensas relações de interdependência funcional interna; ii) uma malha urbano-industrial descontínua, que circunda a referida área metropolitana e que está integrada por cidades de pequena e média dimensão, com algumas funções terciárias, e por contínuos rururbanos, sem funções claramente definidas; iii) uma área de consolidação urbana, a nordeste da área metropolitana do Porto, com dinâmicas territoriais, produtivas e de prestação de serviços tendencialmente autónomas, constituída pelo quadrilátero formado pelas cidades de Braga, Guimarães, Famalicão e Barcelos; iv) os centros polarizadores, que emergem isolados e desarticulados em locais distantes das áreas urbanas enunciadas (nomeadamente no interior Transmontano), e que polarizam os territórios envolventes, atraindo as funções mais qualificadas e o emprego não agrário; v) as áreas de intermediação, onde prevalecem os conflitos no uso dos solos, a escassa dotação de infra-estruturas básicas e os espaços urbanos fragmentados e desqualificados; e, v) as áreas rurais, caracterizadas por uma estrutura económica frágil, cada vez mais dependente das transferências do Estado, pelos baixos níveis de prestação de serviços e pelas dificuldades de articulação com os centros urbanos mais próximos.
A multiplicidade tipológica das áreas definidas e a variedade dos espaços com características urbanas delimitados evidenciam a desadequação das políticas territoriais tradicionalmente implementadas, assentes num paradigma monocêntrico, promovido, em parte, pelo modelo político-administrativo vigente e a desconcentração de competências ao nível territorial, que, paradoxalmente, reproduz o modelo nacional e origina centralização à escala regional. Essas políticas territoriais, que promovem as dinâmicas e vínculos centrípetos e subalternizam os territórios externos ao centro, são manifestamente inapropriadas em contextos espaciais com múltiplas dinâmicas urbanas funcionalmente independentes. A necessária re-configuração territorial deve basear-se, consequentemente, num policentrismo adaptado, assumindo um conceito de centro mais vasto, retirando-lhe parte do seu conteúdo geográfico e potenciando o seu significado funcional. Esse modelo policêntrico deve definir-se, pelo menos parcialmente, por oposição aos modelos monocêntrico e difuso, dado que o primeiro estabelece uma hierarquia espacial muito rígida, que abafa as dinâmicas alheias ao centro dominante, e o segundo assume tacitamente a ausência de hierarquia espacial, reduzindo as vantagens derivadas da diferenciação dos territórios.
As estratégias territoriais para a região Norte devem combinar a coesão e a competitividade territorial. A implementação dessas estratégias implica assumir o diagnóstico anterior e definir, consequentemente, áreas funcionais consistentes em termos de dimensão, conectividade, actividade económica e atractividade, e em termos de partilha institucional e de experiência no desenvolvimento de projectos comuns. A criação de estruturas organizativas nessas áreas funcionais, para a implementação de políticas e o desenvolvimento de projectos, seria um grande avanço para a consolidação de um modelo territorial de base policêntrica. Sem dúvida, este seria muito mais adequado para potenciar a competitividade territorial de espaços como o quadrilátero de desenvolvimento Braga-Guimarães-Famalicão-Barcelos, ao permitir a definição de objectivos e estratégias territoriais mais apropriados e ao garantir uma tomada de decisões mais descentralizada e autónoma.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
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(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

sábado, março 22, 2008

IV Seminário Internacional sobre Desenvolvimento Regional

IV SEMINARIO INTERNACIONAL SOBRE DESENVOLVIMENTO REGIONAL
IV INTERNATIONAL SEMINAR ON REGIONAL DEVELOPMENT
Santa Cruz do Sul - Rio Grande do Sul - BRASIL
UNIVERSIDADE DE SANTA CRUZ DO SUL - UNISC
22, 23 e 24 de Outubro de 2008

TEMA CENTRAL
GESTÃO TERRITORIAL E DESENVOLVIMENTO REGIONAL: A AGENDA POLÍTICA E DE PESQUISA
EIXOS TEMÁTICOS
1. Refletindo sobre a agenda de pesquisa em gestão territorial e desenvolvimento regional
2. Gestão territorial, conflitos ambientais e desenvolvimento
3. Gestão territorial e desenvolvimento urbano e regional: Exigências e obstáculos da governança multinível

Evento “A Internacional” Qualis CAPES - Comitê Planejamento Urbano e Regional/Demografia
Contatos: sidr4@unisc.br / marcos.ferreira@pq.cnpq.br
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(reprodução integral de mensagem de correio electrónico recebida 5ªfeira pp., proveniente de danielac@unisc.br)