Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

segunda-feira, março 31, 2008

Número de desempregados com diplomas do ensino superior

RTP Noticias
Ensino Superior: Número de licenciados sem emprego idêntico desde há cinco anos - Mariano Gago:
http://ww1.rtp.pt/noticias/?article=336345&visual=26&tm=Economia
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(cortesia de Nuno Soares da Silva)
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Comentário: é interessante como o tom do discurso do ministro oscila entre o trágico e o optimista, consoante a mensagem que se quer passar e quem se quer visar; sugiro que lhe seja atribuída a tutela da propaganda. Fará melhor papel que Sócrates ou o seu ministro da dita, Augusto Santos Silva.

sexta-feira, março 28, 2008

"Finalmente descobrimos aquilo de que Portugal realmente precisa"

«Subject: Mário Crespo
Mário Crespo
Pronto! Finalmente descobrimos aquilo de que Portugal realmente precisa: uma nova frota de jactos executivos para transporte de governantes. Afinal, o que é preciso não são os 150 mil empregos que José Sócrates anda a tentar esgravatar nos desertos em que Portugal se vai transformando. Tão-pouco precisamos de leis claras que impeçam que propriedade pública transite directamente para o sector privado sem passar pela Partida no soturno jogo do Monopólio de pedintes e espoliadores em que Portugal se tornou. Não precisamos de nada disso. Precisamos, diz-nos o Presidente da República, de trocar de jactos porque aviões executivos "assim" como aqueles que temos já não há "nem na Europa nem em África". Cavaco Silva percebe, e obviamente gosta, de aviões executivos. Foi ele, quando chefiava o seu segundo governo, quem comprou com fundos comunitários a actual frota de Falcon em que os nossos governantes se deslocam.
Voei uma vez num jacto executivo. Em 1984 andei num avião presidencial em Moçambique. Samora Machel, em cuja capital se morria à fome, tinha, também, uma paixão por jactos privados que acabaria por lhe ser fatal. Quando morreu a bordo de um deles tinha três na sua frota. Um quadrimotor Ilyushin 62 de longo curso, versão presidencial, o malogrado Antonov-6, e um lindíssimo bimotor a jacto British Aerospace 800B, novinho em folha. Tive a sorte de ter sido nesse que voei com o então Ministro dos Estrangeiros Jaime Gama numa viagem entre Maputo e Cabora Bassa. Era uma aeronave fantástica. Um terço da cabina era uma magnífica casa de banho. O resto era de um requinte de decoração notável. Por exemplo, havia um pequeno armário onde se metia um assistente de bordo magro, muito esguio que, num prodígio de contorcionismo, fez surgir durante o voo minúsculos banquetes de tapas variadíssimas, com sandes de beluga e rolinhos de salmão fumado que deglutimos entre golinhos de Clicquot Ponsardin. Depois de nos mimar, como por magia, desaparecia no seu armário. Na altura fiz uma reportagem em que descrevi aquele luxo como "obsceno". Fiz nesse trabalho a comparação com Portugal, que estava numa craveira de desenvolvimento totalmente diferente da de Moçambique, e não tinha jactos executivos do Estado para servir governantes.
Nesta fase metade dos rendimentos dos portugueses está a ser retida por impostos. Encerram-se maternidades, escolas e serviços de urgência. O Presidente da República inaugura unidades de saúde privadas de luxo e aproveita para reiterar um insuspeitado direito de todos os portugueses a um sistema público de saúde. Numa altura destas, comprar jactos executivos é tão obsceno como o foi nos dias deSamora Machel. Este irrealismo brutalizado com que os nossos governantes eleitos afrontam a carência em que vivemos ultraja quem no seu quotidiano comuta num transporte público apinhado, pela Segunda Circular ou Camarate, para lhe ver passar por cima um jacto executivo com governantes cujo dia a dia decorre a quilómetros das suas dificuldades, entre tapas de caviar e rolinhos de salmão. Claro que há alternativas que vão desde fretar aviões das companhias nacionais até, pura e simplesmente, cingirem-se aos voos regulares. Há governantes de países em muito melhores condições que o fazem por uma questão de pudor que a classe que dirige Portugal parece não ter.
Vi o majestático François Miterrand ir sempre a Washington na Air France. Não é uma questão de soberania ter o melhor jacto executivo do Mundo. É só falta de bom senso. E não venham com a história que é mesquinhez falar disto. É de um pato-bravismo intolerável exigir ao país mais sacrifícios para que os nossos governantes andem de jacto executivo. Nós granjearíamos muito mais respeito internacional chegando a cimeiras em voos de carreira do que a bordo de um qualquer prodígio tecnológico caríssimo para o qual todo o Mundo sabe que não temos dinheiro.
Mário Crespo, escreve à 2ªf no JN»
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(reprodução de texto de Mário Crespo, publicado no JN, que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, reencaminhado por Nuno Soares da Silva)

terça-feira, março 25, 2008

Estratégias de articulação e organização territorial para a região Norte

A competitividade territorial é actualmente um objectivo político de primeira ordem. A construção de um território económico competitivo implica assumir a dialéctica que resulta da confrontação entre o global e o local. Neste contexto, a forma de organização do território revela-se como um elemento de uma importância capital. A visão do território como um contentor de recursos desarticulados está actualmente desactualizada. O entendimento do espaço como uma componente neutral, com funções de suporte, não responde aos desafios da racionalidade competitiva dominante. Presentemente, o território assume-se como um factor de competitividade de grande relevância, pelas vantagens em termos de disponibilidade de recursos e de redução de custos que pode chegar a induzir. Obviamente, a dimensão dessas vantagens dependerá, em grande medida, da forma de organização territorial e, sobretudo, da adaptabilidade da estrutura resultante às necessidades internas e às exigências da competição externa.
O modelo territorial da região Norte deve, neste sentido, ser objecto de uma re-configuração, destinada a conseguir uma estrutura mais flexível e adaptativa, que permita uma aproximação directa aos recursos e serviços e uma redução dos custos externos, de acesso e mobilidade e, inclusivamente, de gestão dos serviços comuns. O sistema de planeamento e organização do território que dominou durante décadas as intervenções de política pública e que se construiu à volta do grande centro polarizador, o Porto, contribuiu para a intensificação das assimetrias espaciais, ao retro-alimentar as dinâmicas polarizadoras associadas aos intensos desequilíbrios em termos de dimensão urbana.
Actualmente o território da região Norte caracteriza-se, do ponto de vista espacial, pela existência de seis tipos de áreas: i) a Área Metropolitana do Porto (AMP), que tem o seu centro na cidade do Porto, e que é um espaço predominantemente urbano onde se constatam intensas relações de interdependência funcional interna; ii) uma malha urbano-industrial descontínua, que circunda a referida área metropolitana e que está integrada por cidades de pequena e média dimensão, com algumas funções terciárias, e por contínuos rururbanos, sem funções claramente definidas; iii) uma área de consolidação urbana, a nordeste da área metropolitana do Porto, com dinâmicas territoriais, produtivas e de prestação de serviços tendencialmente autónomas, constituída pelo quadrilátero formado pelas cidades de Braga, Guimarães, Famalicão e Barcelos; iv) os centros polarizadores, que emergem isolados e desarticulados em locais distantes das áreas urbanas enunciadas (nomeadamente no interior Transmontano), e que polarizam os territórios envolventes, atraindo as funções mais qualificadas e o emprego não agrário; v) as áreas de intermediação, onde prevalecem os conflitos no uso dos solos, a escassa dotação de infra-estruturas básicas e os espaços urbanos fragmentados e desqualificados; e, v) as áreas rurais, caracterizadas por uma estrutura económica frágil, cada vez mais dependente das transferências do Estado, pelos baixos níveis de prestação de serviços e pelas dificuldades de articulação com os centros urbanos mais próximos.
A multiplicidade tipológica das áreas definidas e a variedade dos espaços com características urbanas delimitados evidenciam a desadequação das políticas territoriais tradicionalmente implementadas, assentes num paradigma monocêntrico, promovido, em parte, pelo modelo político-administrativo vigente e a desconcentração de competências ao nível territorial, que, paradoxalmente, reproduz o modelo nacional e origina centralização à escala regional. Essas políticas territoriais, que promovem as dinâmicas e vínculos centrípetos e subalternizam os territórios externos ao centro, são manifestamente inapropriadas em contextos espaciais com múltiplas dinâmicas urbanas funcionalmente independentes. A necessária re-configuração territorial deve basear-se, consequentemente, num policentrismo adaptado, assumindo um conceito de centro mais vasto, retirando-lhe parte do seu conteúdo geográfico e potenciando o seu significado funcional. Esse modelo policêntrico deve definir-se, pelo menos parcialmente, por oposição aos modelos monocêntrico e difuso, dado que o primeiro estabelece uma hierarquia espacial muito rígida, que abafa as dinâmicas alheias ao centro dominante, e o segundo assume tacitamente a ausência de hierarquia espacial, reduzindo as vantagens derivadas da diferenciação dos territórios.
As estratégias territoriais para a região Norte devem combinar a coesão e a competitividade territorial. A implementação dessas estratégias implica assumir o diagnóstico anterior e definir, consequentemente, áreas funcionais consistentes em termos de dimensão, conectividade, actividade económica e atractividade, e em termos de partilha institucional e de experiência no desenvolvimento de projectos comuns. A criação de estruturas organizativas nessas áreas funcionais, para a implementação de políticas e o desenvolvimento de projectos, seria um grande avanço para a consolidação de um modelo territorial de base policêntrica. Sem dúvida, este seria muito mais adequado para potenciar a competitividade territorial de espaços como o quadrilátero de desenvolvimento Braga-Guimarães-Famalicão-Barcelos, ao permitir a definição de objectivos e estratégias territoriais mais apropriados e ao garantir uma tomada de decisões mais descentralizada e autónoma.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
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(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

sábado, março 22, 2008

IV Seminário Internacional sobre Desenvolvimento Regional

IV SEMINARIO INTERNACIONAL SOBRE DESENVOLVIMENTO REGIONAL
IV INTERNATIONAL SEMINAR ON REGIONAL DEVELOPMENT
Santa Cruz do Sul - Rio Grande do Sul - BRASIL
UNIVERSIDADE DE SANTA CRUZ DO SUL - UNISC
22, 23 e 24 de Outubro de 2008

TEMA CENTRAL
GESTÃO TERRITORIAL E DESENVOLVIMENTO REGIONAL: A AGENDA POLÍTICA E DE PESQUISA
EIXOS TEMÁTICOS
1. Refletindo sobre a agenda de pesquisa em gestão territorial e desenvolvimento regional
2. Gestão territorial, conflitos ambientais e desenvolvimento
3. Gestão territorial e desenvolvimento urbano e regional: Exigências e obstáculos da governança multinível

Evento “A Internacional” Qualis CAPES - Comitê Planejamento Urbano e Regional/Demografia
Contatos: sidr4@unisc.br / marcos.ferreira@pq.cnpq.br
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(reprodução integral de mensagem de correio electrónico recebida 5ªfeira pp., proveniente de danielac@unisc.br)

terça-feira, março 18, 2008

"Galp quer ultrapassar BP em Espanha"

«Petrolífera quer continuar a crescer
Galp atenta a activos da Repsol quer ultrapassar a BP no 'ranking' espanhol.
A Galp está de olhos postos nos activos que a Repsol vai alienar no âmbito do seu novo plano estratégico para 2008-2012, com destaque para o Brasil e Bolívia. A garantia foi dada pelo presidente da petrolífera portuguesa, Ferreira de Oliveira, em entrevista a publicar hoje no jornal "Expansión". "Não significa que os vamos comprar, mas iremos estudá-los", refere o homem forte da Galp.
A aproximação entre as duas petrolíferas não é de agora. Há muito que a Repsol mantém conversações com o grupo nacional com vista a eventuais participações conjuntas em projectos de exploração e produção de petróleo em África e na América Latina. Fruto dessa estratégia é a recente entrada da Repsol no projecto de gás natural liquefeito, em Angola, juntamente com a Sonangol, Galp e Eni.
Ferreira de Oliveira deixa ainda claro que outra das suas prioridades é o crescimento na área do retalho em Espanha, onde actualmente regista vendas na ordem dos 2.500 milhões de euros. O alvo está definido: converter-se num dos três maiores distribuidores de combustíveis, atrás da Repsol e da Cepsa, que contam com 3.600 e 1.500 postos de abastecimento, respectivamente.
Com a compra da rede da Agip aos italianos da Eni, a Galp passa a deter 543 estações. O seu objectivo mais imediato é ultrapassar a BP que possui um pouco mais de 600 estações. "Apesar de não termos pressa em crescer, nem um plano definido, estaremos atentos a todas as oportunidades, tanto em crescimento orgânico, como de aquisições".
Ana Maria Gonçalves»
(notícia, datada de 18-03-2008 e intitulada "Galp quer ultrapassar BP em Espanha", publicada no Diário Económico)

sexta-feira, março 14, 2008

quarta-feira, março 12, 2008

Succeeding is not…

"Succeeding is not really a life experience that does that much good. Failing is a much more sobering and enlightening experience."

Michael Eisner

(citação extraída de SBANC Newsletter, March 11, Issue 509-2008, http://www.sbaer.uca.edu/)

terça-feira, março 11, 2008

Turismo no espaço rural e desenvolvimento local

Num dos trabalhos académicos que foram pioneiros em Portugal no tratamento da temática do Turismo no Espaço Rural (TER), escrevia eu em Outubro de 1991 que era usual esperar-se do desenvolvimento desta actividade contributos em termos de: i) redução de excedentes (agrícolas) de produção; ii) retenção da população rural; iii) incremento do rendimento das famílias rurais; iv) obtenção de uma economia mais diversificada; e v) protecção do meio rural.
Alguns destes contributos antecipados mereceriam tratamento mais detalhado. Deixemos essa análise para futura oportunidade para, sumariamente, nos concentrarmos no enunciado das dificuldades que subsistem. Antes, porém, talvez valha a pena voltar ao estudo de há 17 anos para reter duas das suas conclusões: uma primeira que sublinhava “a redescoberta operada ao longo das décadas mais recentes da atracção pela natureza por parte das populações citadinas”; e uma segunda onde se enunciava “a confirmação da existência de potencialidades a aproveitar e de um mercado que se vem alargando”.
Que o turismo é hoje em dia um dos sectores que mais forte impulso vem dando ao crescimento económico em muitos lugares, da Europa ao Norte de África, do Sudeste Asiático à América do Sul e Central, disso não restam dúvidas. Entretanto, ao mesmo tempo que movimenta anualmente milhões de pessoas e de euros, o turismo surge, amiúde, como fortemente delapidador de recursos naturais e de património e identidade dos territórios.
Pela sua natureza de produto ligado à valorização económica de patrimónios culturais, arquitectónicos e paisagístico-ambientais, o TER tem que tomar particular cuidado com a preservação dos recursos que lhe dão o seu potencial. Dito de outro modo, no turismo existe um paradoxo que é necessário levar em devida conta: quanto mais atractivo é um produto e um destino turístico maior é a probabilidade de sofrerem impactes negativos pela respectiva excessiva exploração. Isto que é válido para qualquer manifestação do fenómeno turístico, é-o ainda mais para o produto turístico aqui em análise.
Em Portugal, o Turismo no Espaço Rural surgiu em termos experimentais no ano de 1979, em dois ou três locais, ente os quais Ponte de Lima. Foi regulado em 1986 através do Decreto-Lei n.º 256/86, de 27 de Agosto. As modalidades que passaram então a compor o TER eram: o Turismo de Habitação; o Turismo Rural e o Agroturismo. Mais tarde, a estas modalidades vieram juntar-se as Casas de Campo e os Hotéis Rurais.
O recente desenvolvimento deste produto encontra explicação na necessidade de retorno a vivências mais naturais, mais humanizadas das populações urbanas, assim como na procura de recreação e lazer por parte daquelas. O primeiro problema é que, nesta nova definição da função do espaço rural, as actividades agrárias quase não cabem, e essa é uma dimensão essencial para preservar o ambiente, a paisagem típica e a identidade rural desses espaços. A incapacidade do sector agrícola de oferecer níveis de rendimento satisfatórios a quem dele vive, se, por um lado, leva a que as populações procurem fontes de rendimento complementares e/ou alternativas, como é o TER, representa, por outro lado, um enorme risco.
Ao disponibilizar alojamento em pequenas localidades, o TER permite que os turistas deixem de ser aí, necessariamente, turistas de passagem, mas o turista dificilmente abandonará tal estatuto se não encontrar nesses lugares outros produtos e serviços, como a gastronomia, o artesanato, as belezas naturais e manifestações culturais de diversa índole, incluindo as tradicionais. Ora estes recursos e serviços podem não existir ou não serem oferecidos de modo permanente. Se assim for, importa assegurar a oferta dos produtos e serviços que se revelem necessários para dar sustentabilidade à vocação turística do território por via da cooperação entre operadores turísticos ou entre estes e outras entidades, públicas e privadas.
As problemáticas antes enunciadas são apenas amostra da dificuldade do projecto de elevação de alguns espaços rurais a destinos turísticos; são amostra de dificuldades vividas por lugares bem próximos daqui. Se quisermos pôr nomes, podemos chamar-lhes Povoa de Lanhoso, Vieira do Minho, Arcos de Valdevez, Paredes de Coura, Caminha, etc., para não mencionar já Ponte de Lima.
Seguindo Francisco Diniz (1999), são (eram) quatro as fraquezas maiores do turismo rural; a saber: i) ao turismo rural são afectadas funções anti-económicas, como a função de solidariedade e de protecção do património, ao invés da função de redistribuição de possíveis mais-valias económicas; ii) subsiste uma relativa indefinição das tendências do mercado; iii) persiste uma evidente inexistência de estruturas de suporte à comercialização e distribuição do produto; e, do mesmo modo, iv) é inquestionável a falta de profissionalismo de muitos dos operadores existentes (e dos actores que intervêm na promoção do produto).
Padecendo de todos esses males e dificuldades, porque alguns ainda persistem, o TER permanece mais promessa que realidade em termos de resultados em matéria de desenvolvimento local.
J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

domingo, março 09, 2008

Encomendas da indústria nacional em Janeiro pp.

As encomendas recebidas na indústria abrandam - Janeiro de 2008
"Em Janeiro de 2008, as novas encomendas recebidas pelas empresas industriais aumentaram 4,0% em termos homólogos, menos 2,4 pontos percentuais que no mês anterior. O crescimento em Janeiro reflecte andamentos díspares observados nos mercados nacional e externo. No primeiro, embora em desaceleração, continuou a observar-se uma taxa de crescimento relativamente elevada (8,9%) e no segundo registou-se uma variação negativa (-2,5%)."
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(título e resumo de Destaque(s) do INE, datado(s) de 06 de Março de 2008, disponível em INE)

domingo, março 02, 2008

Revista Autor: nº 3, Março de 2008

«Assunto: Revista Autor - Março de 2008

Ano VIII - Número 3 - Março de 2008

EDITORIAL

Março de 2008
Editor

Temos o prazer de oferecer aos nossos leitores o terceiro número da Revista Autor no formato binacional. Para chegarmos a esse ponto foram necessários alguns meses de planejamento e estruturação, buscando sempre construir uma proposta que pudesse atender tanto aos gostos brasileiros quanto portugueses e, por que não, do resto do mundo lusófono. Aos poucos, e com o apoio de excelentes colunistas e convidados, temos expandido nossos focos de análises de forma a dar conta desse novo desafio que nos colocamos.
[...]
© 2000-2008 Revista Autor
www.revistaautor.com »
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(extracto de mensagem de correio electrónico, encaminhando a revista electrónica referenciada, recebida nesta data)

sábado, março 01, 2008

"Sinto-me num país tristonho e cabisbaixo..."

«Assunto: Sinto-me num país tristonho e cabisbaixo...
[...]
Professora universitária, militante do PS
1.
Não sou certamente a única socialista descontente com os tempos que vivemos e com o actual governo. Não pertenço a qualquer estrutura nacional e, na secção em que estou inscrita, não reconheço competência à sua presidência para aí debater, discutir, reflectir, apresentar propostas. Seria um mero ritual.
Em política não há divórcios. Há afastamentos. Não me revejo neste partido calado e reverente que não tem, segundo os jornais, uma única pergunta a fazer ao secretário-geral na última comissão política. Uma parte dos seus actuais dirigentes são tão socialistas como qualquer neoliberal; outra parte outrora ocupada com o debate político e com a acção, ficou esmagada por mais de um milhão de votos nas últimas presidenciais e, sem saber que fazer com tal abundância, continuou na sua individualidade privilegiada. Outra parte, enfim, recebendo mais ou menos migalhas do poder, sente que ganhou uma maioria absoluta e considera, portanto, que só tem que ouvir os cidadãos (perdão, os eleitores ou os consumidores, como queiram) no final do mandato.
Umas raríssimas vozes (raras, mesmo) vão ocasionando críticas ocasionais.
2.
Para resolver o défice das contas públicas teria sido necessário adoptar as políticas económicas e sociais e a atitude governativa fechada e arrogante que temos vivido? Teria sido necessário pôr os professores de joelhos num pelourinho? Impor um estatuto baseado apenas nos últimos sete anos de carreira? Foi o que aconteceu com os "titulares" e "não titulares", uma nova casta que ainda não tinha sido inventada até hoje. E premiar "o melhor" professor ou professora? Não é verdade que "ninguém é professor sozinho" e que são necessárias equipas de docentes coesas e competentes, com metas claras, com estratégias bem definidas para alcançar o sucesso (a saber, a aprendizagem efectiva dos alunos)?
Teria sido necessário aumentar as diferenças entre ricos e pobres? Criar mais desemprego? Enviar a GNR contra grevistas no seu direito constitucional? Penalizar as pequenas reformas com impostos? Criar tanto desacerto na justiça? Confirmar aqueles velhos mitos de que "quem paga é sempre o mais pequeno"? Continuar a ser preciso "apanhar" uma consulta e, não, "marcar" uma consulta? Ouvir o senhor ministro das Finanças (os exemplos são tantos que é difícil escolher um, de um homem reservado, aliás) afirmar que "nós não entramos nesses jogos", sendo os tais "jogos" as negociações salariais e de condições de trabalho entre Governo e sindicatos. Um "jogo"? Pensava eu que era um mecanismo de regulação que fazia parte dos regimes democráticos.
[...]
5.
Sinto-me num país tristonho e cabisbaixo, com o PS a substituir as políticas eventuais do PSD (que não sabe, por isso, para que lado se virar). Quanto mais circo, menos pão. Diante dos espectáculos oficiais bem orquestrados que a TV mostra, dos anúncios de um bem-estar sem fim que um dia virá (quanto sebastianismo!), apetece-me muitas vezes dizer: "Aqui há palhaços". E os palhaços somos nós. As únicas críticas sistemáticas às agressões quotidianas à liberdade de expressão são as do Gato Fedorento. Já agora, ficava tão bem a um governo do PS acabar com os abusos da EDP, empresa pública, que manda o "homem do alicate" cortar a luz se o cidadão se atrasa uns dias no seu pagamento, consumidor regular e cumpridor... Quando há avarias, nós cortamos-lhes o quê? Somos cidadãos castigados!
O país cansa! Os partidos são necessários à democracia mas temos que ser mais exigentes.
Movimentos cívicos...procuram-se (já há alguns, são precisos mais). As anedotas e brincadeiras com o "olhe que agora é perigoso criticar o primeiro-ministro" não me fazem rir. Pela liberdade muitos deram a vida. Pela liberdade muitos demos o nosso trabalho, a nossa vontade, o nosso entusiasmo. Com certeza somos muitos os que não gostamos de brincar com coisas tão sérias, sobretudo com um governo do Partido Socialista.»
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[reprodução parcial de mensagem, com origem em Maria P. A. Silva (maps@gmail.com), datada de hoje e com o título indicado em epígrafe, que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico]

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Investimento da Tesco em Famalicão

«A Tesco vai investir dez milhões de euros na construção de uma nova unidade industrial em Ribeirão, no concelho de Famalicão, que entra em produção em Setembro deste ano. A empresa subsidiária da Honda vai criar 50 postos de trabalho. A multinacional japonesa de componentes para a indústria automóvel já está presente no mercado português desde 1993, com uma fábrica na Trofa, onde dá emprego a 250 pessoas.
[...]
De forma a serem conseguidas melhorias ambientais, a Tesco garante que vai utilizar tecnologia que permitirá reutilizar a água da chuva, filtros especiais de limpeza do ar dentro das instalações fabris e luz natural, que será usada sempre que possível de forma a diminuir o consumo energético. A nova unidade fica apenas a quatro quilómetros de distância da actual unidade da Trofa.
[...]
Basílio Horta afirmou esta semana que estão em curso negociações para a captação de investimento em vários sectores de actividade, entre os quais se inclui a área dos componentes para a indústria automóvel, uma das actividades que mais sofreu com a deslocalização recente de grandes multinacionais como a Johnson Controls, Lear e Alcoa.
A indústria de componentes para automóveis em Portugal é constituída entre 180 a 200 empresas, com um volume de facturação de 4,6 mil milhões de euros, contribuindo com 3% para o PIB, sendo que as exportações totalizam 80% desse valor, correspondendo a 3,7 mil milhões de euros, cerca de 7% das exportações nacionais. Os principais mercados são a Alemanha, Espanha e França. Esta indústria assegura, directamente 40 mil postos de trabalho (4% do emprego da indústria transformadora nacional).»
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(reprodução de extractos de notícia de 08/02/28 do Diário Notícias, intitulada "Japoneses da Tesco investem dez milhões em Famalicão")

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Dispersão territorial e planeamento

A teoria económica sugere que a localização da população e da actividade produtiva no território não deve ser totalmente deixada ao acaso. Isto é, a distribuição aleatória dos assentamentos é geradora de deseconomias e custos de graves repercussões sobre o bem-estar geral das populações. Os sistemas urbanos deveriam idealmente modelar-se com base na capacidade/incapacidade dos seus nós para gerar economias externas. Isto é, os assentamentos deveriam crescer e desenvolver-se enquanto têm capacidade para gerar as referidas economias e, no momento em que os custos de congestionamento começassem a aflorar, o crescimento deveria deslocar-se para um outro ponto do território onde surgissem de novo naturalmente. A lógica inerente a esta argumentação assenta no reforço do peso do urbano face ao rural, dado que o primeiro actua como catalisador das economias externas espaciais, pela sua configuração compacta, densa, multifuncional e complexa, a sua morfologia continua e a sua disponibilidade de capital físico e social. A modelação desse padrão ideal de crescimento dos sistemas de assentamentos não é possível sem um processo sistematizado de planeamento territorial à escala regional, que balize e ordene a expansão e reorganização da população e da actividade produtiva.
A falta de instrumentos de planeamento territorial a nível supra-municipal, durante décadas, em Portugal, facilitou o desenvolvimento de fenómenos espaciais indesejáveis pelas suas consequências económicas, paisagísticas, ambientais, etc. Um dos aspectos resultantes dessa falta de planeamento, no caso português, e mais concretamente, no caso do Minho, é a profunda dispersão da população. Nesta região a dispersão populacional não é um fenómeno novo. A predominância das actividades agrícolas e a necessidade associada de dispor de terras de cultivo reproduziu sistematicamente o modelo subjacente durante séculos. Contudo, a dispersão dos assentamentos tem-se intensificado nos últimos cinquenta anos (provavelmente com mais profusão nos últimos vinte e cinco), como consequência de vários processos e tendências de diferente relevância, alheios à ausência de políticas de ordenamento territorial, anteriormente enunciada.
Em primeiro lugar existe uma série de factores relacionados com a mobilidade que claramente intensificaram o processo de dispersão. De um lado, a possibilidade de dispor de um ou mais automóveis por lar e, por outro, a redução em termos reais, do preço dos combustíveis desde início da década de oitenta. A proliferação do automóvel configura um modelo de mobilidade que favorece a disseminação espacial e a permeabilidade em direcção a territórios não ocupados. Neste sentido convém destacar que, enquanto que o transporte público em geral, e o caminho-de-ferro em particular, tendem a gerar e reforçar nós, o transporte individual promove a ocupação massiva do território. A facilitação da mobilidade promovida pelo modelo preponderante incentivou o surgimento de edificações totalmente alheadas da lógica de crescimento dos núcleos rurais.
O segundo grupo de factores relaciona-se com o incremento da procura de habitação em locais não urbanos. Um primeiro determinante deste incremento da procura é a compra e construção de habitações, por parte de emigrantes Portugueses no exterior, bem por questões afectivas ou vinculadas a um potencial retorno ou bem como forma de investimento, aproveitando, no período pré-euro, a fortaleza das moedas nas que auferiam os seus rendimentos do trabalho. Um outro determinante da ocupação do solo em espaços não consolidados é a crescente procura de locais de residência (segunda) e de lazer (fim de semana) fora dos espaços urbanos congestionados. É importante referir que enquanto que a procura associada ao primeiro dos determinantes apontados está claramente em queda, a induzida pelo segundo continua a ser extremamente pujante em concelhos com boas ligações à rede rodoviária principal (por exemplo, Ponte de Lima). Existe ainda um terceiro factor que tem promovido a procura de solo e habitação em espaços desestruturados, o qual está vinculado ao surgimento de oportunidades de emprego em concelhos com uma oferta urbana pouco qualificada (por exemplo, Arcos de Valdevez).
O último grupo inclui os factores de oferta promotores de dispersão no território Minhoto. De um lado, o conhecido abandono das terras rurais. Os seus proprietários deixam de vê-las como um activo produtivo gerador de rendas e passam a vê-las como um activo especulativo susceptível de venda (para fins residenciais/industriais), expropriação (para a construção de infra-estruturas) ou aluguer (por exemplo, aos produtores de energia eólica). O resultado desta mudança de paradigma é a utilização cada vez mais residual das terras para usos agrários ou florestais. De outro lado, a oferta de solo urbanizado em espaços relativamente bem comunicados, disponível a um preço significativamente mais baixo que nos espaços urbanos densos. Este fenómeno surge, em grande medida, pelos incentivos que os autarcas das freguesias rurais têm para promover o crescimento da população residente, que resultam da perpetuação dos mecanismos de repartição financeira assentes em critérios demográficos.
No discurso teórico ortodoxo sobre o ordenamento do território existe uma preponderância das dimensões de diagnóstico face às de intervenção propriamente dita. Implicitamente assume-se que a intervenção em situações complexas não é possível ou que não faz sentido pelos magros resultados que se antecipam. Esta perspectiva é seguramente demasiado pessimista e provavelmente excessivamente descomprometida. É evidente que problemas como os da dispersão não são susceptíveis de uma correcção integral, mas a utilização dos mecanismos adequados pode contribuir para minimizar os seus impactos de modo significativo. A confrontação da teoria com o mundo real exige uma via de compromisso que permita introduzir certos elementos de planeamento, que reduzam as consequências indesejáveis da distribuição ad hoc da população e da actividade económica.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
(artigo de opinião publicado na edição de ontem do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

terça-feira, fevereiro 26, 2008

"Entre 1995 e 2006, a RN foi a única região portuguesa a crescer claramente abaixo do ritmo médio da UE"

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(título de mensagem, datada de 08/02/26, disponível em A destreza das dúvidas)
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Comentário: um bom texto de análise económica, o de Manuel Herédia Cabral, que "aqui" se recupera; o artigo só peca por deixar de lado as questões político-institucionais e de liderança. É que, como uso dizer, o norte termina na Trofa, na margem esquerda do Rio Ave. Depois começa o Minho. Infelizmente, continua a haver muita gente com um papel decisivo na gestão do território que nem isto compreeendeu, ainda.

“Why are some Spanish regions so much more efficient than others?”

“This article investigates the main sources of heterogeneity in regional efficiency. We estimate a translog stochastic frontier production function in the analysis of Spanish regions in the period 1964-1996, to attempt to measure and explain changes in technical efficiency. Our results confirm that regional inefficiency is significantly and positively correlated with the ratio of public capital to private capital. The proportion of service industries in the private capital, the proportion of public capital devoted to transport infrastructures, the industrial specialization, and spatial spillovers from transport infrastructures in neighbouring regions significantly contributed to improve regional efficiency.”

Jaume Puig
Jaime Pinilla

Date: 2008-02
Keywords: Regional efficiency, Regional spillovers, Human capital, Public capital
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:upf:upfgen:1067&r=pbe

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

domingo, fevereiro 24, 2008

"Procura interna impulsiona economia"

"O dinamismo registado na procura interna esteve na base da aceleração do ritmo de crescimento no último trimestre do ano passado. Em destaque estiveram os investimentos nas áreas da construção e do material de transporte. Já a procura externa contribuiu de forma negativa, por via da quebra nas exportações.
A aceleração, no quarto trimestre do ano transacto, fez com que o crescimento económico do país se situasse em dois pontos percentuais. Quanto ao indicador da actividade económica, registou-se uma recuperação nos últimos três meses do exercício. Resta agora esperar que a diminuição das exportações não se acentue mais nos próximos meses."
*
(reprodução integral de notícia do jornal Vida Económica, intitulada "Procura interna impulsiona economia" e datada de 08/02/22)

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

terça-feira, fevereiro 19, 2008

"Zona EURO: Crescimento do PIB será inferior a 2%"

«Erkki Liikanen, membro do Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE), afirmou ontem que o crescimento económico na Zona Euro não atingirá os 2% estimados para este ano pelo banco central. "O crescimento na Zona Euro ficará abaixo dos 2%" definidos pelo BCE em Dezembro, referiu o governador. As previsões mais actuais, divulgadas pelo FMI, apontam para uma taxa de crescimento de 1,6%.»
*
(reprodução integral de notícia do Jornal Negócios, datada de 19-02-2008 e intitulada "Crescimento do PIB será inferior a 2%")

Os problemas económicos não se resolvem apenas com medidas económicas

"Quando a rotina esmaga a aventura, há sempre contas de somar que continuam contas de sumir e ninguém ainda nos explicou que os problemas económicos apenas se resolvem com medidas económicas, mas não apenas com medidas económicas..."
José Adelino Maltez
(extracto de mensagem, datada de 08/02/19 e intitulada "Um político nunca respeita a palavra dada, pois a posterior avaliação que o mesmo faça dos altos interesses do país lhe dá autorização para a revogar", disponível em Sobre o tempo que passa)

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Lusotopie XIV (2)

«Lusotopie XIV (2) est sorti/has been published/já saiu!

Sommaire et résumés trilingues (fr., port. angl.) :
Sumário e resumos trilingues (fr., port., ingl.) :
Contents and trilingual abstracts (fr., port. engl.): http://www.lusotopie.sciencespobordeaux.fr/sommaire.html
Détails dans le fichier attaché ci-joint
Mais informações no ficheiro anexo
More details in the attached document»
*
(reprodução integral de mensagem de correio electrónico entretanto recebida, proveniente de
lusotopie-owner@cean.org, em nome de Chantal Chaussy)

domingo, fevereiro 17, 2008

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

14º Congresso da APDR

A Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional (APDR) vai organizar o seu 14ª Congresso Anual em Tomar, nos dias 4 e 5 de Julho de 2008 o qual, à semelhança do ocorrido em 2007, se conjuga com o 2º Congresso de Gestão e Conservação da Natureza. A iniciativa conta com o apoio científico e logístico do Departamento de Território, Arqueologia e Património da Escola Superior de Tecnologia de Tomar do Instituto Politécnico de Tomar (IPT) e reúne a colaboração de outras sociedades científicas como a Associação Portuguesa de Economia Agrária (APDEA) ou da Sociedade Portuguesa de Estudos Rurais (SPER).

Tema
Desenvolvimento, Administração e Governança Local

Como reconhecemos crescentemente, o desenvolvimento dos territórios que compõem um país é um processo económico, social e político que está muito dependente da qualidade e “espessura” das instituições que estão no território e das quais se espera a assunção de uma importante parte da responsabilidade de concepção, implementação e avaliação das políticas de desenvolvimento, proporcionando condições de sustentabilidade económica, ambiental e financeira. É essa a temática principal que a APDR propõe para discussão em Tomar. Como é hábito nos Congressos da APDR, são também bem-vindas comunicações que se insiram em outras áreas do Desenvolvimento Regional ou Regional Science.

Local e Data
4 e 5 Julho de 2008

Departamento de Território, Arqueologia e Património da
Escola Superior de Tecnologia de Tomar (ESTT) do
Instituto Politécnico de Tomar (IPT).

Lista Provisória de Sessões Paralelas
1. Desenvolvimento, Administração e Governança Local
2. Cidades criativas, cultura e estratégia territorial
3. Economia pública local e desenvolvimento
4. Governança e desenvolvimento rural
5. Relações transfronteiriças, modelos de governança e desenvolvimento
6. Inovação, empreendorismo e território
7. Mobilidade urbana, transportes e desenvolvimento sustentável
8. A alta velocidade, o novo aeroporto e o desenvolvimento regional em Portugal
9. A gestão e conservação da natureza no contexto regional e local
10. Turismo, património e sustentabilidade local
11. Ordenamento do território, planeamento e políticas de solos em Portugal
12. A problemática dos territórios de baixa densidade
13. Recursos da Natureza e desenvolvimento
14. Métodos e indicadores regionais e locais

Prazos limite
Recepção das propostas de comunicação (abstracts): 14 de Março 2008
(A resposta sobre aceitação dos resumos será dada até 28 de Março de 2008)

Recepção de Comunicações: 30 de Maio de 2008
(A resposta sobre aceitação das comunicações será dada até 15 de Junho de 2008)

Tanto os resumos como as comunicações deverão sempre ser remetidos o mais cedo possível para que a Organização possa enviar a sua decisão aos autores antes dos prazos limite.

Especificação para resumos
Os resumos deverão ser enviados para apdr@mail.telepac.pt até 14 de Março de 2008.
Serão aceites resumos em qualquer uma das seguintes línguas: português, espanhol ou inglês.

O texto deverá ocupar uma página A4 em Times New Roman 12, espaçamento de 1 linha, com margens de 2.5 cm em baixo, cima e à direita e 3 cm à esquerda. Máximo de 40 linhas
Na página deverá figurar o primeiro e último nome do(s) autor(es), instituição e contacto do autor (ou autores).

As comunicações referentes a resumos aceites devem ser submetidas dentro dos prazos indicados. A aceitação do resumo não implica a aceitação da comunicação.

Contactos Secretariado

Rita Azevedo

APDR»
*
(reprodução integral de apelo a comunicações recebido da entidade identificada)

terça-feira, fevereiro 12, 2008

O comboio de altas prestações Porto – Vigo: as indefinições que subsistem

Em vésperas da realização em Braga da recente cimeira entre os governos português e espanhol, aproveitando a presença na cidade de grande número de órgãos de comunicação social, a Associação Industrial do Minho (AIMinho) realizou uma conferência de imprensa em que o tema foi a criação de um comboio de altas prestações (vulgo, TGV) entre Porto e Vigo. Um dos jornais que li destacava, em título, dois daqueles que terão sido os sublinhados dessa tomada de posição, a saber: i) o “TGV Porto-Vigo «tem de passar» no aeroporto”; e ii) os “Empresários do Minho defendem também a construção de um canal ferroviário próprio para o TGV”.
A quem este assunto chegue apenas pelo que se vai dizendo nos media, talvez escape o sentido de uma associação empresarial sedeada em Braga vir reivindicar a passagem da dita linha-férrea pelo aeroporto Francisco Sá Carneiro (FSC) e a construção de raiz de um canal próprio para a circulação dos comboios. Para quem se preocupa com o bom uso dos dinheiros públicos, diga-se, desde já, que as razões subjacentes às duas reclamações convergem na questão de fundo da viabilidade económica e da racionalidade do investimento a realizar. Isto é, no primeiro caso, está em causa a procura que o comboio poderá ter e, no segundo, a velocidade de circulação e a comodidade para os seus utentes e, daí, do mesmo modo, a capacidade deste modo de transporte de captar passageiros e mercadorias, em concorrência com modos alternativos pré-existentes. Como dado de partida, é preciso que se diga que estamos perante a construção de uma linha-férrea em bitola europeia, premissa que deixou de ter discussão depois do governo espanhol ter anunciado a reconversão para essa bitola, no decurso da próxima década, da sua estrutura ferroviária.
É neste enquadramento que adquirem sentido as afirmações da AIMinho presentes no corpo da notícia que invoco “que um comboio de alta velocidade entre Porto e Vigo «só será eficaz» se passar no aeroporto” e se for construído “um novo canal ferroviário”, completada com a informação de que aquele aeroporto é já “o mais movimentado do noroeste peninsular”. Neste passo, faz-se alusão, por um lado, às limitações operacionais com que se deparam os aeroportos galegos, a começar pelo de Vigo, e, por outro, à captação crescente de passageiros galegos pelo aeroporto FSC, em razão das suas condições operacionais superiores e da estratégia de negócio que vem sendo adoptada pela entidade gestora.
Aqui entronca a questão da capacidade do comboio ser ou não capaz de desviar utilizadores de outros meios de transporte e gerar procura adicional, o que vai dar às problemáticas da velocidade de circulação e da comodidade, que não se compadecem nem de tempos de percurso irrazoáveis nem de transferências de comboio ou de paragens para mudança de bitola. A reivindicação de velocidades de 200 quilómetros/hora é, a esta luz, o compromisso que importa assegurar entre a economia de tempo que é necessário conseguir nessa ligação, com paragem obrigatória em Braga, e a exigência que a linha sirva o território que atravessará.
É daqui que resulta “«escandaloso» que se queira levar o comboio até Campanhã (Porto) «para poupar dinheiro»”, conforme sublinhava António Marques nas suas declarações, e é por isto que uma tal opção não só “«vai prejudicar a região Norte já que irá impedir o crescimento da sua infra-estrutura aeroportuária»”, como se irá revelar uma opção muito mais onerosa, pelas receitas que deixa de gerar e pela natureza de projecto a prazo em que corre o risco de se transformar.
A obrigatoriedade de uma estação em Braga decorre da circunstância da linha de raiz que irá ser construída só ter financiamento assegurado pela União Europeia até Braga (com maior rigor, até Ponte de Lima) e de, para a viabilidade da linha, ser essencial captar passageiros e mercadorias no quadrilátero urbano Barcelos/Braga/Famalicão/Guimarães.
A captação dessa procura potencial obrigará, por outro lado, a articular regionalmente a própria infra-estrutura ferroviária tradicional com a nova linha e a nova estação de Braga nas componentes circulação de passageiros e de mercadorias, sendo certo que, pelos dados que vão sendo tornados públicos, nestas determinantes o projecto se sugere ainda mais indefinido que nas demais.
De modo quase idêntico, a articulação entre a linha tradicional, a plataforma logística (centro de gestão de mercadorias) e a nova via férrea mantêm um expressivo nível de indefinição em Valença, sendo que neste caso a dificuldade resulta em parte da conjugação de estratégias entre as autoridades e os operadores dos dois territórios que fazem fronteira.
Num tal cenário de visões contraditórias sobre as estratégias de construção e de gestão de uma linha-férrea de altas prestações e sobre o papel de apoio ao desenvolvimento que uma tal infra-estrutura deve desempenhar, oferece-se-me de todo adequado que os actores do território não descurem a oportunidade de trazer para o domínio público a informação relevante e de defender os respectivas pontos de vista, à semelhança do agora feito pela AIMinho. Não o fazendo, não terão legitimidade para mais tarde vir apontar os erros e estreitezas de vista que podem, uma vez mais, informar uma decisão de política pública com o impacte potencial em matéria de ordenamento e de desenvolvimento do Minho e do país da que está em causa.
J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Vencimentos dos deputados

Notícia JN
Abonos podem duplicar vencimento mensal:
http://jn.sapo.pt/2008/02/11/nacional/abonos_podem_duplicar_vencimento_men.html

(cortesia de Nuno Soares da Silva)

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

"Acção desonesta e fraudulenta"

"Estes senhores, que detêm as rédeas do nosso país, desonram a palavra dada pelo Estado que servem e de que se servem. É uma acção desonesta e fraudulenta. Pediram-nos dinheiro e declaram agora, com a força da lei e de um arrazoado jurídico, que nos vão pagar menos do que o que havia sido combinado."

Luís Aguiar-Conraria

(extracto de mensagem, datada de 1 de Fevereiro de 2008 e intitulada "A desforra do Estado", disponível em A destreza das dúvidas)

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Congresso Internacional de Turismo Cultural e Religioso

«A Turel – Turismo Cultural e Religioso, está a organizar para os dias 22, 23 e 24 de Abril de 2008, na cidade da Póvoa de Varzim, o "Congresso Internacional de Turismo Cultural e Religioso", evento que pretende abrir portas ao debate e à reflexão sobre as oportunidades e desafios do turismo cultural e religioso para o séc. XXI, em Portugal e no Mundo.
Neste sentido, vimos convidá-lo a participar no referido congresso. A sua participação pode ser como observador ou comunicador.
Caso estejam interessados podem enviar o resumo das vossas propostas de comunicação para a organização do Congresso: congresso@congressoturel.org
[...]
Os painéis disponíveis para apresentar comunicação são os seguintes:
PAINEL 1: "O desenho e a gestão de rotas culturais"
PAINEL 2: "Cultura, turismo e comunidades locais"
PAINEL 3: "Turismo Religioso e Peregrinações"
[...]
A Comissão Científica receberá as inscrições dos trabalhos nas categorias: Comunicação Oral e Poster. Esses trabalhos devem apresentar resultados de investigação, experiências e de estudos realizados por profissionais, investigadores e estudantes.
[...]
A avaliação de todos os trabalhos será realizada pela Comissão Científica do Evento. Os autores serão notificados por e-mail sobre o resultado da avaliação. Os trabalhos aceites serão publicados na página de Internet do evento.
Os trabalhos inscritos conforme os prazos previstos serão publicados nas actas do congresso.
Prazos:
• Envio do resumo das comunicações orais e Poster: até ao dia 10 de Março;
• Publicação da lista de comunicações e Posters admitidos: 20 de Março;
• Envio de comunicações orais e Posters (texto completo): até ao dia 10 de Abril;
• Inscrição para comunicadores: até 10 de Março;
• Exposição oral da comunicação: 23 de Abril;
• Entrega de certificado de participação e actas: 24 de Abril.
No Web site oficial do Congresso
http://www.congressoturel.org/
podem encontrar todos os documentos oficiais do Congresso.
A participação é gratuita e a inscrição é obrigatória em
http://www.congressoturel.org/»
*
(extracto de texto de apelo a comunicações recebido da entidade organizadora, por via electrónica, em 08/02/01)

"Continental investe 50 milhões em Famalicão"

«A Continental, fornecedora da indústria automóvel, vai investir 50 milhões de euros na sua fábrica de pneus em Lousado, Famalicão, aumentando a produtividade da unidade. Com este investimento, o grupo alemão espera atingir um aumento de produção de cerca de dois milhões de pneus anuais.
A empresa, que prevê o aumento de produção na gama UHP (muito alta performance), vai criar 40 postos de trabalho na unidade portuguesa.
O projecto encontra-se em apreciação junto da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) para a atribuição de apoios financeiros, mas o optimismo no seio da fábrica portuguesa é grande. António Lopes Seabra, presidente da Continental Mabor, refere que a unidade "goza de uma boa imagem junto da sede", sendo considerada a "fábrica mais eficiente do grupo". A decisão final do investimento será tomada em Março.
O novo investimento deverá arrancar durante o próximo Verão. Com esta iniciativa, António Lopes Seabra prevê que, em 2010, o volume de negócios da Continental Mabor ascenda a 600 milhões de euros. Em 2007, a empresa registou um volume de vendas na ordem dos 474 milhões de euros, mais 30 milhões face a 2006, ano em que os lucros totalizaram 92,9 milhões de euros.
Entre 2005 e 2006, a fábrica de Famalicão recebeu investimentos de cerca de 45 milhões de euros, na expansão e modernização da unidade, que emprega mais de 1500 pessoas.
O ano passado, a unidade fabricou 15,3 milhões de pneus, e cerca de 98% da produção teve por destino a exportação. Cerca de 42% dos pneus produzidos na fábrica portuguesa destinaram-se às linhas de montagem das principais marcas de automóveis, entre as quais a fábrica da Autoeuropa, em Palmela.
O Grupo Continental AG encontra-se entre os cinco maiores fornecedores da indústria automóvel, empregando a nível mundial mais de 150 mil pessoas, com unidades de negócio em 200 locais. O grupo alemão possui fábricas em 36 países e o volume de negócios ronda os 25 mil milhões de euros.»
Leonor Matias

(notícia do Diário Notícias de 30-01-2008, com o título indicado em epígrafe)

terça-feira, janeiro 29, 2008

Estratégias para os portos na nova era do transporte marítimo

Na última década têm-se verificado importantes alterações na organização geral do transporte de mercadorias. Estas mudanças têm tido uma expressão muito significativa nas estruturas e comportamentos das actividades portuárias. A nível internacional convivem dois tipos de portos. Por um lado, existe um conjunto de portos que assumem uma estratégia adaptativa relativamente ao fenómeno da globalização e às mudanças nos padrões dos fluxos de mercadorias. Estes mantêm-se como infra-estruturas poli-funcionais, ainda que estão maioritariamente orientados para a prestação de serviços comerciais, industriais e de transporte. A componente de prestação de serviços é, nestes casos, fundamental, dado que o seu objectivo principal é acrescentar valor às mercadorias movimentadas.
Por outro lado, tem-se consolidado uma categoria de portos com uma estratégia proactiva em relação às forças globalizadoras, a qual lhes tem permitido emergir como nós dinâmicos no âmbito das complexas redes internacionais de produção e distribuição de mercadorias. Neste caso, os portos são elos de um sistema muito mais vasto de natureza matricial e a sua gestão insere-se em estruturas integradas de transporte, nas quais as plataformas logísticas assumem um papel determinante. Nestes âmbitos os serviços portuários tendem a especializar-se sem descurar a flexibilidade e a adaptabilidade.
Esta evolução a nível organizativo e estratégico é, em grande medida, derivada da intensificação das transformações associadas à gestão logística. Em resultado da integração progressiva das cadeias de transporte e das novas formas de gestão das mesmas, os portos mais dinâmicos têm-se transformado em plataformas logísticas inter-modais, permitindo melhorar as condições de fornecimento e trânsito de mercadorias e incrementar a fiabilidade das actividades de distribuição. O desenvolvimento destas novas valências faz com que muitas destas estruturas portuárias assumam um papel de hubs marítimos (nós de redes), que acolhem aos navios-mãe, que posteriormente alimentam os navios porta-contentores de média dimensão (feeders), que cobrem as rotas de curta e média distância.
Esta lógica organizacional tem expressão, em maior ou menor medida, em quase todas as tipologias de infra-estruturas portuárias. Desta forma, os portos surgem cada vez mais como nós funcionais, com funções de atracção e captação de tráfego e com capacidade para impulsionar dinâmicas territoriais promotoras de mudanças nos fluxos de mercadorias e, inclusivamente, indutoras de fluxos adicionais, resultantes do desenvolvimento económico delas derivado. Neste contexto, os objectivos das administrações portuárias devem concentrar-se em: a) atrair novos tráfegos de mercadorias; b) conectar áreas económicas e consolidar corredores de transporte; c) promover a captação de investimento que fomente as referidas dinâmicas territoriais e o desenvolvimento económico; d) implementar estratégias que reduzam as consequências negativas das rupturas de carga; e, e) monitorizar permanentemente as novas tendências em termos de organização e desenvolvimento das redes de transporte marítimo.
Nesta conjuntura, o porto mais importante para o Minho e para a região Norte no seu conjunto, o Porto de Leixões, enfrenta uma série de desafios e ameaças que podem vir a limitar o seu crescimento futuro. Em primeiro lugar, o incremento da concorrência dos novos portos exteriores de Ferrol e da Corunha, especialmente em determinados tipos de mercadorias, irá dificultar a atracção de novos tráfegos, tanto marítimos como terrestres, num horizonte temporal de médio prazo. Em segundo lugar, a dificuldade para consolidar rotas permanentes de média distância com o Centro e o Norte de Europa e a deficiente articulação com o modo ferroviário limita, respectivamente, o alargamento da sua oferta de serviços e do seu hinterland operativo. Em terceiro lugar, o atraso na construção das plataformas logísticas previstas no Portugal Logístico para a região Norte, nomeadamente da plataforma da Maia/Trofa, impede o desenvolvimento de um sistema de geração/distribuição de mercadorias que permitiria o aproveitamento de economias de escala na cadeia logística. Em quarto lugar, a escassez de espaço para melhorar os interfaces terra-mar, que reduziriam os custos de transferência modal. E, por último, os problemas derivados da indefinição política em relação à estratégia futura do sector em Portugal e da escassa consistência do quadro regulatório existente.
O crescimento dos portos nos próximos anos dependerá da sua capacidade para enfrentar a competição com os seus pares. Neste sentido, o incremento da produtividade afigura-se como o objectivo central em todas as decisões de gestão portuária. Na minha opinião, para a melhoria das taxas de produtividade do porto de Leixões, a sua administração deve assumir um estratégia mais proactiva, que dê continuidade ao processo de especialização dos terminais portuárias, fomente a construção de portos secos que eliminem o congestionamento e alarguem o seu hinterland natural, promova plataformas logísticas de apoio às actividades portuárias, melhore a ligação com todas as redes de transporte, especialmente com a ferroviária, e implemente sistemas informatizados de gestão de mercadorias de modo generalizado.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

Eurobarómetro: relatório relativo a Portugal

«A Comissão Europeia realiza semestralmente um estudo de opinião nos Estados membros da União Europeia, intitulado Eurobarómetro, que analisa o estado da opinião pública europeia sobre questões de política geral e europeias.
O presente estudo, Eurobarómetro 68, foi realizado entre os dias 22 de Setembro e 3 de Novembro de 2007, nos 27 Estados membros da União Europeia, nos dois países candidatos (Croácia e Turquia), na comunidade turca de Chipre e na Antiga República Jugoslava da Macedónia. Foram feitas 30.281 entrevistas (entre as quais 1.000 em Portugal).
Com base nos mesmos dados, uma equipa de especialistas nacionais elaborou o Relatório Nacional relativo a Portugal, que é publicado hoje. Este relatório analisa o actual clima da opinião pública portuguesa relativamente à situação a nível nacional e europeu, à economia e ao mercado laboral e às perspectivas de desenvolvimento futuro da União Europeia.

Eurobarómetro 68

Relatório Nacional relativo a Portugal»

(reprodução integral do texto datado de 08/01/28 do RAPID - Boletim da Representação em Portugal da Comissão Europeia, intitulado "EUROBARÓMETRO 68 - PUBLICAÇÃO DO RELATÓRIO SOBRE PORTUGAL")

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Get busy and find out how to do it

"Whenever you are asked if you can do a job, tell 'em, 'Certainly, I can!' Then get busy and find out how to do it."

Theodore Roosevelt

(citação extraída de SBANC Newsletter, January 22, Issue 503-2008, http://www.sbaer.uca.edu/)

sexta-feira, janeiro 25, 2008

terça-feira, janeiro 22, 2008

"Lisboa com maior crescimento"

"HOTELARIA
Lisboa com maior crescimento
O ano de 2007 foi excepcional para o mercado de hotelaria da Europa, Médio Oriente e África, com destaque para a cidade de Lisboa, que lidera o 'ranking' dos destinos com maior crescimento do RevPAR (preço médio por quarto disponível), com valor a rondar os 25,5%."
*
(notícia do Diário Económico de ontem)

segunda-feira, janeiro 21, 2008

"Governo português é o único da zona euro optimista para 2008"

"Só Portugal é que prevê que a economia vai crescer mais do que em 2007
Com um cenário de petróleo caro, aperto na concessão de crédito e provável recessão na economia norte-americana, todos os governos dos países que integram o euro prevêem que as respectivas economias vão crescer este ano a um ritmo mais baixo do que o verificado em 2007.
A única excepção neste cenário é Portugal, onde a previsão governamental é de 2,2 por cento de crescimento económico em 2008, depois de um valor próximo de 1,8 por cento no ano passado. Este dado resulta da leitura dos Programas de Estabilidade e Crescimento apresentados por 26 países a Bruxelas (só a Bélgica ainda não apresentou). Nesses documentos há também uma ideia comum para a generalidade dos países, que é a perspectiva de uma redução das respectivas cargas fiscais (peso dos impostos cobrados no PIB) nacionais até 2010.
Na zona euro, só o Governo português prevê uma aceleração
Num cenário de aperto do crédito, risco de recessão nos EUA e subida do euro e do preço do petróleo, Portugal destaca-se pelo optimismo"
(extracto de artigo, assinado por Sérgio Aníbal e datado de 08/01/21, publicado pelo jornal Público)
-
Comentário: do título do artigo do Público e do que nele se diz, poderá concluir-se que Portugal é o único país da Zona Euro com eleições nacionais agendadas para (o início de) 2009?

sábado, janeiro 19, 2008

A AIMinho defende que a ligação Porto/Braga/Valença seja toda feita em canal ferroviário próprio

TGV Porto-Vigo «tem de passar» no aeroporto:
Empresários do Minho defendem também a construção de um canal ferroviário próprio para o TGV
*
(título e subtítulo de notícia do jornal electrónico Portugal Diário, datada de 2008/01/17 12:16
- http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=904447)

sexta-feira, janeiro 18, 2008

A Europa ainda resiste à crise

*
(título de mensagem, datada de 17 de Janeiro de 2008, disponível em e.economia.info)

terça-feira, janeiro 15, 2008

As preferências dos consumidores minhotos em matéria de vinhos de mesa

Aproveitando os dados recolhidos através de dois inquéritos realizados entre Fevereiro e Abril de 2007 na Makro e no Feira Nova, em Braga, sobre os critérios presentes na escolha de vinhos feitas por retalhistas (Makro) e consumidores finais (Feira Nova), dei já, neste jornal, conta de alguns resultados obtidos e sobre as posturas algo distintas de uns e outros nas respectivas decisões de compra.
Uma das questões incluídas respeitava à região de origem dos vinhos. Era também solicitado aos inquiridos que se pronunciassem sobre a relevância que tomavam a marca, o tipo de vinho e os preços, entre outros factores, nas escolhas operadas. Do que divulguei então, sublinho:
i) o destaque que tomava na escolha o factor região de origem dos vinhos;
ii) as diferenças de abordagem entre retalhistas e consumidores finais quando considerado o segundo factor de escolha, com os retalhistas a enfatizarem a marca e a região de origem e os consumidores a darem mais importância aos preços.
Os dados que então divulguei e agora recupero, parcialmente, eram parte de um estudo mais vasto que me permitiu chegar a outras conclusões não menos interessantes que as antes mencionadas. Adianto de seguida algo mais sobre o que foi possível concluir.
Estando em causa a relevância que consumidores e retalhistas conferiam à região de origem dos vinhos como critério de escolha, importa deixar dito que as regiões vinícolas do Alentejo, do Douro e do VinhoVerde, por esta ordem, se revelaram como as mais preferidas. Curiosamente, o Dão mostrou-se menos atractivo para os consumidores minhotos (essencialmente, bracarenses) do que tínhamos antecipado, partindo dos resultados de um estudo anterior.
Sendo os inquiridos, no fundamental, oriundos da região dos vinhos verdes, podia admitir-se que isso enviesasse significativamente as preferências em favor dos vinhos da sua região. A teoria do comportamento do consumidor aponta nesse sentido, sublinhando, nomeadamente, o etnocentrismo presente em muitos grupos de consumidores. Os resultados aqui obtidos não confirmam, inteiramente, esse pressuposto, embora também não o contradigam. A verdade é que se, a nível de primeira escolha, os vinhos alentejanos parecem ter a clara preferência dos consumidores minhotos, seguidos pelos do Douro, quando confrontados com a questão de qual a segunda região vinícola preferida, os vinhos verdes ganham posição relativa face aos dois mais preferidos e são mesmo os primeiros quando se considera a terceira escolha.
Note-se que o conceito de etnocentrismo se suporta na constatação de que, nas suas decisões de compra, os consumidores tendem, amiúde, a dar preferência a produtos nacionais ou da sua região de origem. Este comportamento tem que ver com o receio de lesarem a economia do seu país ou região e com a existência de preconceitos pessoais em relação a produtos estrangeiros ou de territórios alheios, entre outras razões.
Em clara consonância com a teoria emerge entretanto a indicação de que os inquiridos neste trabalho suportam as suas decisões de aquisição dos vinhos que consomem ou comercializam nas suas lojas e restaurantes numa clara hierarquia (implícita) das regiões vinícolas nacionais.
Por outro lado, também pudemos concluir que, nas suas decisões de compra, os compradores não-especialistas de vinhos, consumidores ou retalhistas, se apoiavam mais na marca que os especialistas. Este dado estará associado a boas experiências de consumo prévias e/ou a eventual lealdade a marcas. Os resultados que obtivemos para o grupo dos consumidores com idades entre os 41 e os 60 anos dão consistência a esta leitura, isto é, é neste grupo que, em termos relativos, a escolha mais se apoia na marca.
Finalmente, retomando a diferença de atitudes já identificada entre consumidores finais e retalhistas em matéria da relevância que tomam nas respectivas decisões as marcas e os preços, dir-se-á que uma leitura possível será a de associar a ênfase posta pelos retalhistas na marca à aposta estratégica que fazem na qualidade dos produtos que colocam no mercado. Por contrapartida, a presença entre os consumidores finais inquiridos de um número significativo de reformados (cerca de 20%), presumivelmente muitos deles vivendo com fracos rendimentos, justificará a relevância que os preços tomam nas suas escolhas.
Numa perspectiva de política pública ou de estratégia de negócio, os resultados obtidos nesta investigação dão suporte à ideia que o uso de referências territoriais na comercialização dos produtos é uma via adequada para valorizar os vinhos no mercado e marcar a sua natureza distintiva face aos de outros territórios ou aos que não usam esses elementos identificadores de origem (certificada). Isto é válido para os vinhos provenientes de regiões de origem que os consumidores associam a um produto de qualidade.
J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

domingo, janeiro 13, 2008

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Os detentores do poder e os figurantes

"parlamentos, governos e partidos são meros figurantes de guiões e encenações promovidas por trás dos cortinados do espectáculo de Estado, onde os detentores dos interesses dizem sempre que não estão interessados, conforme os manuais de programação típicos dos eficazes grupos de pressão que já se deixaram de frequentar os corredores dos passos perdidos e vão directamente à fonte."
José Adelino Maltez
(extracto de mensagem, datada de hoje e intitulada "O que a todos diz respeito, por todos deve ser decidido", disponível em Sobre o tempo que passa)

A reforma da Administração Pública

Artigo Diário Económico
O que falta na reforma do Estado:

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/edicion_impresa/economia/pt/desarrollo/1076763.html
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(cortesia de Nuno Soares da Silva)

quinta-feira, janeiro 10, 2008

A valorização do euro e o pessimismo dos portugueses

A criação do espaço euro permitiu dar estabilidade às economias da zona euro, obrigadas a rigorosas regras orientadas pelo Banco Central Europeu, em conjunto com cada um dos bancos centrais nacionais. Além da estabilidade monetária, que cria condições para uma taxa de inflação baixa e controlada, o euro agilizou as trocas comerciais entre estes países, fazendo diminuir os custos de transacção com câmbios de moeda, as barreiras aduaneiras e outros, o que permitiu tornar mais barato transportar e comercializar serviços dentro do espaço euro. O euro tornou-se, assim, uma moeda forte, logo os países do euro podem comprar mais e mais barato. A maioria das moedas tinha, e tem ainda, como referência o dólar americano. Numa altura em que o euro bate um novo recorde de valor em relação á moeda americana (a moeda única europeia está a negociar acima dos 1,47 dólares, impulsionada pelas expectativas de que a Reserva Federal dos Estados Unidos irá baixar a sua taxa de referência em 50 pontos base para evitar que a maior economia do mundo entre em recessão) para os países da zona euro comprar matérias-primas, produtos energéticos ou outras mercadorias aos países de fora, particularmente os que têm por referência o dólar americano, torna-se mais barato, podendo comprar mais e melhor.
Contudo, se pertencer á zona euro permite importar mais, já para quem está fora do espaço é mais caro comprar dentro da zona euro. Os nossos produtos ficam mais caros, sendo mais difícil exportá-los. No mundo global em que vivemos, as empresas para sobreviver têm de conseguir alargar os seus mercados, internacionalizar e exportar. Com um euro cada vez mais forte, é cada vez mais difícil esta tarefa, o que torna os produtos menos competitivos e, em última fase, coloca em risco a vida das próprias empresas. E todos sabemos que quando a existência das empresas está em risco, os postos de trabalho também o estarão.
Segundo um estudo apresentado no início de Dezembro de 2007 (Roper Reports, realizado pela empresa de estudos de mercado Gfk), os portugueses estão cada vez mais pessimistas face aos indicadores económicos, sendo Portugal o segundo país (a seguir ao Japão), onde os cidadãos mostram menos confiança quanto á sua situação económica pessoal. No topo das preocupações dos portugueses estão a eventual recessão e desemprego, o crime e a ausência de lei e a inflação e os preços elevados. Entre os portugueses, apenas 26 por cento acredita que daqui a 12 meses a sua conta bancária estará de melhor saúde. De realçar que dos 31 países analisados neste estudo, Portugal é o único que apresenta duas referências a questões económicas no top 3 das preocupações dos cidadãos. O que se percebe com facilidade: o país continua mais ou menos de tanga, o desemprego aumenta (ou como os governantes gostam de dizer “os empregos diminuem”), as pensões sobem pouco, as greves sucedem-se e, enquanto assistimos á novela do futuro aeroporto internacional do país, vamos perdendo a vontade de sorrir quando toca a fazer contas e fazer render o salário até ao final do mês.

Nelson Cerqueira

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa”)

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Notícias do Vinho Verde (e de política agrícola?)

Notícia JN
Vinho verde não é menor que outros e está na moda: http://jn.sapo.pt/2008/01/09/norte/vinho_verde_e_menor_outros_e_esta_mo.html

(cortesia de Nuno Soares da Silva)

terça-feira, janeiro 08, 2008

O clima económico

"O indicador de clima económico diminuiu ligeiramente nos dois últimos meses, afastando-se do patamar em que se situou nos meses anteriores.O indicador de confiança dos Consumidores manteve um movimento descendente desde Novembro de 2006, registando o valor mais baixo desde Fevereiro de 2006."
(resumo de Destaque(s) do INE de 4 de Janeiro de 2008, intitulado "O indicador de clima económico registou uma ligeira diminuição e o indicador de confiança dos Consumidores manteve o movimento descendente em Dezembro - Dezembro de 2007", disponível em INE)

sábado, janeiro 05, 2008

sexta-feira, janeiro 04, 2008

terça-feira, janeiro 01, 2008

Integração regional entre o Minho e a Galiza: a importância de uma análise regional mais abrangente

Numa economia tão inter-relacionada quanto a actual, a origem e as consequências de alguns fenómenos económicos não podem ser circunscritas ao âmbito territorial da sua manifestação inicial. O incremento da mobilidade de trabalhadores e da velocidade de circulação de mercadorias faz com que os mercados regionais de trabalho e de bens e serviços estejam sujeitos às consequências de certos fenómenos, que afectam esses mercados noutros âmbitos territoriais. A constatação deste tipo de inter-relações em certos mercados é particularmente notória entre o Minho e a Galiza (a situação é extensiva ao conjunto da região Norte).
A evolução global da economia da Galiza, as suas dinâmicas sectoriais e as tendências do seu mercado de trabalho são cada vez mais relevantes para entender a situação e evolução de alguns indicadores económicos a Sul do Minho. Esta realidade é cada vez mais evidente no caso de alguns mercados de trabalho, onde os défices de oferta de trabalho num dos lados da fronteira são compensados pelos excessos de oferta que, conjunturalmente, se produzem no outro lado da mesma. A primeira destas situações afectou o mercado dos profissionais de saúde galegos (médicos e enfermeiros) que, desde finais da década de noventa, se incorporaram ao mercado de trabalho Português. A segunda, em sentido contrário, manifestou-se no mercado da construção civil, onde o excesso de trabalhadores, resultante da crise do sector em Portugal, foi parcialmente absorvido pelo mercado da Galiza, muito dinâmico durante os últimos anos e onde a oferta de mão-de-obra em determinado tipo de artes não acompanhou a procura de trabalho induzida pela procura de bens finais.
Estas duas vagas “migratórias” tiveram um forte impacte sobre os mercados regionais de emprego. No primeiro caso, o número de médicos espanhóis (maioritariamente galegos) trabalhando na região Norte chegou a ser perto de 800, enquanto que no segundo algumas estimativas, baseadas em fontes de diversa natureza, revelaram que o número de trabalhadores Portugueses no sector da construção civil na Galiza ultrapassou nalgumas alturas os 40.000. Mais recentemente, têm-se observado outros movimentos com alguma relevância em sentido Sul-Norte, sobretudo no sector da construção naval. A grande carteira de encomendas dos estaleiros galegos para os próximos cinco anos está presentemente a atrair um número crescente de trabalhadores Portugueses.
A inter-relação entre estas economias é também muito relevante no mercado de bens transaccionáveis. Num número crescente de casos, estas trocas comerciais não podem ser categorizadas como simples transacções, esporádicas ou com um carácter mais ou menos estável, dado que incorporam uma considerável componente organizacional, que deriva do grau de integração e compromisso entre organizações independentes, onde o vínculo de fornecimento é um aspecto chave da competitividade empresarial das organizações envolvidas. Estas relações privilegiadas entre empresas de ambos os lados da fronteira são muito frequentes no sector do vestuário e na indústria automóvel e começam a ter alguma importância no sector da construção naval e na indústria alimentar.
Essa crescente inter-relação entre as duas economias regionais é uma fonte de oportunidades e gera uma série de vantagens para a economia, em geral, e para determinados agentes económicos, em particular. No caso do mercado de trabalho, contribui para colmatar a falta de emprego na região de origem e para alargar o mercado de trabalho e evitar, deste modo, as tensões sobre os preços dos factores no mercado da região de destino. No caso dos mercados de bens, por um lado, assegura a viabilidade e promove o crescimento das empresas fornecedoras e, por outro, permite às empresas compradoras garantir o controlo do processo de geração de valor, graças à proximidade geográfico-temporal, adquirir competências que podem não ter à sua disposição de forma imediata e controlar os custos de produção, em resultado do diferencial de preços industriais.
Os aspectos aqui focados justificam uma análise mais alargada das economias regionais com a finalidade de identificar oportunidades e ameaças, clarificar tendências e fluxos, escolher instrumentos de política regional e efectuar previsões a médio e longo prazo. A pseudo-integração de alguns mercados torna-se especialmente relevante quando os ciclos económicos não são coincidentes, dado que permite um melhor ajustamento entre a oferta e a procura. Esta é a situação que se tem vivido nos últimos anos, dado que o crescimento tanto no Minho como na região Norte tem sido marginalmente positivo, enquanto que na Galiza se situou nos últimos três anos no intervalo 3,5-4,1%.
A desaceleração da economia da Galiza nos próximos anos parece inevitável, o que limitará as oportunidades de emprego para os trabalhadores Portugueses, sobretudo no sector da construção civil, onde, por exemplo, o número de habitações concluídas tem descido nos últimos trimestres a ritmos superiores a 10%, em termos inter-anuais. No caso da procura de bens transaccionáveis o impacte é mais incerto, dado que num número significativo de casos esses bens são posteriormente re-exportados para terceiros mercados. Em todo caso, convém que os agentes com responsabilidade neste tipo de questões estejam atentos à mudança de tendência e à potencial alteração do padrão de crescimento da economia da Galiza, dado que o impacte económico e social a Sul do Minho poderá ser, à luz do anteriormente exposto, bastante significativo, nomeadamente em termos de incremento do desemprego.
FRANCISCO CARBALLO CRUZ
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

domingo, dezembro 30, 2007

Leituras de fim-de-ano

Guiado pelo Ladrões de Bicicletas (cf. mensagem datada de Sábado, 29 de Dezembro de 2007, intitulada "Agora diz que é a cultura"), fui desaguar num texto de Pedro Pita Barros acabado de publicar no Diário Económico.
Para fecho de ano, é leitura que recomendo. Recomendo, digo, na medida em que me parece que o artigo de Pedro Pita Barros, nos equívocos que alimenta, ilustra bem as razões do bloqueio a que se assiste na economia e na sociedade portuguesa. Para a construção de uma visão alternativa, a leitura crítica deixada por João Rodrigues, no seu blogue, deve merecer também a devida ponderação.
A dimensão mais paradigmática desse equívoco de leitura de situação acaba mesmo por ser aquela que emerge no derradeiro parágrafo do texto de Pedro Pita Barros, quando escreve:
«É consensual que o ano de 2008 não será um ano fácil, em termos económicos. O acelerar do calendário eleitoral irá começar a fazer-se sentir. A pressão para o Governo querer “apresentar obra” tem sempre como sinal visível a realização de mais despesa. Ou, ainda mais perigoso, compromissos com despesa futura, a “despesa virtual”. E há várias áreas onde este risco se pode materializar. Resta esperar que o ministro das Finanças tenha a capacidade de o evitar».
A expectativa que põe na acção (mediadora) do ministro das Finanças chega a ser comovente.
J. Cadima Ribeiro

sexta-feira, dezembro 28, 2007

A importância de uma universidade pode ser aferida pela capacidade de criar e transmitir conhecimento útil à sociedade

Empresas e universidades

(título de mensagem, da autoria de Vasco Eiriz e datada de 07/12/28, disponível em Empreender)

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Comportamento do sector turístico em 2005 e 2006

"Após o abrandamento registado em 2005, em parte reflectindo o efeito de base da realização em 2004 do campeonato europeu de futebol, nos dois anos seguintes a actividade turística retomou ritmos de crescimento elevados. De facto, em termos nominais a Despesa em Consumo Turístico aumentou 3,2% e 8,1%, respectivamente, em 2005 e 2006, estimando-se, para 2007, um crescimento de 10,8%. O Valor Acrescentado gerado pelo Turismo registou variações nominais de 2,6% e 10,3%, em 2005 e 2006, respectivamente, devendo ter abrandado ligeiramente para 8,7% em 2007, sobretudo devido aos maiores custos associados ao transporte de turistas. Ainda assim, perspectiva-se que, em 2007, o crescimento nominal desta variável seja superior ao do conjunto da economia, em linha com o verificado em 2006."
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(resumo de Destaque(s) do INE de 21 de Dezembro pp., intitulado "Actividade Turística retoma em 2006 e 2007 ritmos de crescimento elevados, superiores ao do conjunto da economia - 2005 / 2006", disponível em INE)

IDE e produtividade

(titulo de mensagem, datada de 25 de Dezembro de 2007, disponível em e.economia.info)

domingo, dezembro 23, 2007

quarta-feira, dezembro 19, 2007

"A lógica Ricardiana merece ser reabilitada pelos governantes"

Qual é o posicionamento competitivo de Portugal?
(título de mensagem, datada de 18 de Dezembro de 2007, disponível em Empreender)

terça-feira, dezembro 18, 2007

Os vinhos portugueses de qualidade e o efeito região de origem: a percepção de consumidores e retalhistas

O regresso à análise do comportamento do consumidor encontrou uma forte motivação quando a discussão sobre o efeito país de origem dos produtos foi levantado pelos investigadores do marketing e dos negócios internacionais nos anos 80 do século XX e, sobretudo, na primeira metade dos anos 90. O que aqueles pesquisadores defenderam foi que o país de origem tinha uma influência considerável na avaliação de um produto feita pelos consumidores.
A revisão da literatura permite tornar claro que o comportamento dos consumidores pode variar significativamente, quer em termos de motivação para a compra, quer nos critérios de escolha de um produto, quer em termos de comportamento. A cultura, o estatuto económico e os valores humanos podem ser fortes pistas para compreender as motivações de compra dos consumidores. Isso não permite concluir que o efeito país de origem e o etnocentrismo não estejam presentes, mas que esses fenómenos serão muito mais complexos do que tem sido assumido em muitos estudos. Contrariamente à desvalorização do efeito país de origem, alguma investigação dá suporte à noção de que existe uma hierarquia de países estrangeiros implícita na decisão do consumidor.
A mencionada evidência adquire a sua inteligibilidade a partir de algo que parece óbvio: quando os consumidores não estão familiarizados com os produtos de um país, a imagem do país pode servir como chave para a tomada de decisão sobre a aquisição. No sentido oposto, uma vez os consumidores familiarizados com os produtos de um país, a imagem do país perde importância em favor de outros atributos, como a marca e o preço.
O conceito de etnocentrismo é originado na realidade de, nas suas decisões de compra, os consumidores, amiúde, tenderem a dar preferência a produtos nacionais. As razões que subjazem a este comportamento foram resumidas como sendo: i) o receio dos consumidores de lesarem a economia do seu país “amado” ao adquirem produtos estrangeiros; ii) "a moralidade de comprar produtos importados"; e iii) a existência de preconceitos pessoais em relação a produtos estrangeiros. Inversamente, consumidores não-etnocentricos são aqueles que adquirem os produtos em função da avaliação que fazem dos seus méritos e, neste contexto, tendem a não valorizar a origem geográfica.
Entretanto, pode-se entender que, à medida que a familiaridade com a marca aumenta, os consumidores tendam a usar menos outros sinais extrínsecos, como o país de origem ou o preço. Por outro lado, falando da importância dos preços na decisão do consumidor, alguns investigadores concluíram que o preço é raramente o atributo ao qual os consumidores conferem o maior relevo.
Testando a relevância dos factores etnocentrismo ou patriotismo, qualidade, marca e preço do produto, a investigação empírica foi levada a concluir que, embora patriotas a ponto de fazerem sacrifícios em matéria de preço, é duvidoso que os consumidores aceitem desiludir-se optando por produtos que não se conformem com a qualidade que exigem.
Salvaguardadas algumas distâncias, o que é válido para analisar a preferência dada pelos consumidores aos produtos de um país pode também ser válido para os de uma região. Pelo menos, a cultura é certamente algo que dá singularidade aos territórios e, em muitos casos, a cultura e o clima são elementos chave para compreender os factores intrínsecos de diferenciação dos produtos.
Tendo presentes as ideias e conceitos antes enunciados, como forma dos testar, o autor deste texto desenvolveu há uns meses atrás dois questionários através dos quais retalhistas e consumidores finais foram inquiridos sobre as razões da escolha que faziam de vinhos de mesa portugueses, de qualidade. Uma das questões incluídas respeitava à região de origem desses vinhos. Era-lhes também solicitado que identificassem os três principais atributos considerados na decisão de aquisição, hierarquizando-os. Os inquéritos foram realizados entre Fevereiro e Abril de 2007, numa loja Makro (retalhistas) e no hipermercado Feira Nova (consumidores finais), ambos em Braga.
De forma breve, dos resultados que foram obtidos, sublinhamos o seguinte:
i) o factor de maior influência na aquisição de vinho foi identificado como sendo a região de origem, tanto no caso dos consumidores finais como no dos retalhistas;
ii) num distante segundo lugar, apareciam a marca, o preço e o tipo de vinho, no caso dos retalhistas, bem como o tipo, a marca e o preço, no outro inquérito;
iii) olhando para o segundo factor de escolha, as diferenças de abordagem entre retalhistas e consumidores finais ofereciam-se mais evidentes, com os retalhistas a enfatizarem a marca e a região de origem e os consumidores a darem mais importância aos preços e menos à região de origem.
Resumindo, dos resultados obtidos com a amostra dos consumidores conclui-se que o atributo mais valorizado foi, destacadamente, a região de origem, sendo o tipo de vinho decisivo na decisão de aquisição apenas em 13% dos casos. Como segundo factor de escolha, o preço foi assinalado por 25,6% dos respondentes como sendo considerado na sua decisão de aquisição. Dessa forma, os consumidores finais e os retalhistas revelam ter uma estratégia de escolha distinta, com a marca e não o preço a emergir como segundo factor de escolha no caso destes últimos.
J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

domingo, dezembro 16, 2007

"Não é agradável para o poder político falar de emigração"

Notícia JN
Diáspora mais feminina e com maior mobilidade:
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(título de notícia do Jornal de Notícias, de 07/12/15)
[cortesia de Nuno Soares da Silva]