Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

quarta-feira, julho 16, 2008

Turismo Cultural: uma oportunidade económica do nosso tempo

A actividade turística é uma das formas contemporâneas de aproveitamento dos recursos dos territórios, com peso crescente nalguns deles. Nesta acepção, o desenvolvimento do turismo depende das especificidades de cada região, só sendo viável quando existem recursos que garantam uma vocação turística. Os recursos dos territórios podem, por sua vez, resultar dos seus atributos naturais, humanos, históricos e culturais. O seu aproveitamento económico supõe, todavia, que sejam asseguradas condições básicas nos domínios das infra-estruturas económicas e socioculturais, sem as quais não se constituirá no importante instrumento de desenvolvimento que potencialmente é.
Para que o turismo possa constituir-se no instrumento de desenvolvimento que antes se refere, aparte a exigência já mencionada, será crucial que seja feito um esforço para a criação de produtos e serviços turísticos inovadores e diversificados, que seja assegurada a concertação de actuações dos seus principais agentes e feito um adequado investimento no equilíbrio ambiental e na valorização do património cultural.
Estas ideias têm suporte na circunstância de, nas últimas décadas, uma nova geração de turistas ter vindo a procurar produtos turísticos crescentemente diversificados. O clima criado por uma sociedade em mudança acelerada, ecologicamente mais consciente, que procura uma nova qualidade de vida, orientada para um contacto mais estreito com a natureza e com o património cultural das regiões visitadas e alertada para os efeitos negativos do turismo de massas, proporcionou as bases para a diversificação das actividades e dos produtos turísticos.
Sublinhe-se, entretanto, que a actividade turística só fará parte do processo de desenvolvimento regional/local quando for capaz de se integrar na organização global do sistema produtivo e não quando seja implementada como uma prática isolada ou autónoma. Pensada de outro modo, será disruptora de equilíbrios económicos, sociais e culturais e, muito provavelmente, delapidadora do ambiente. Os exemplos de desfuncionalides associadas à exploração turística abundam.
Foi com este pano de fundo que o tema do “Turismo Cultural” emergiu no contexto do Congresso Internacional ´Turismo Cultural e Religioso`, que a TUREL organizou na Póvoa de Varzim, em Abril pp. A diversidade de origens nacionais e de enfoques técnico-científicos de que provinham os oradores convidados alimentava a expectativa de uma sessão rica de ideias e de enunciados de política, que veio a confirmar-se. A sessão plenária temática que acompanhei foi, adicionalmente, enriquecida pelo debate vivo que se seguiu à intervenção dos oradores.
Emergindo de um quadro de representação político-institucional nacional, a sessão a que me refiro contou com comunicações a cargo de Elena Vadillo Lobo (El Turismo Cultural en España), de Delma Santos de Andrade (O Turismo cultural no Brasil: panorama e desafios) e de Maria José Coelho (Turismo Cultural - perspectivas de desenvolvimento). Num registo menos oficioso e muito mais sectorial, registaram-se, ainda, as intervenções de Chantal Le Rai Leroi, França (Visite Guidée du Patrimoine Religieux) e de Cosimo Palagiano, Itália (Faith Routes in Rome: from Tradition to Intercultural Dialogue).
Em sintonia com os parágrafos iniciais deste texto, “ilustrando” o contexto de fundo a que me reportei e procurando estimular a leitura dos textos das comunicações que, a seu tempo, hão-de surgir na forma de livro de actas, deixo aqui um excerto da intervenção da representante do Instituto de Turismo de Espanha (Elena Vadillo Lobo):
“Conscientes de los cambios experimentados en el ámbito turístico a nivel mundial, entre los que se encuentra una creciente demanda de segmentación, la Administración turística española viene realizando un notable esfuerzo de impulso a la creación de nuevos productos turístico-culturales que satisfagan con unos elevados estándares de calidad una demanda cada vez más exigente y especializada. Fruto de esta segmentación, TURESPAÑA ha desarrollado líneas de promoción específicas orientadas al turismo gastronómico, el turismo idiomático, así como aquel focalizado en eventos o citas culturales de relevancia internacional.”
Aparte denunciar a atenção com que as autoridades políticas de alguns países (neste caso, a Espanha) vão acompanhando as tendências de evolução do mercado turístico, o texto que retenho parece-se-me ilustrar bem a diversidade de segmentos e a complexidade desse mercado, a exigir estratégias de promoção e de aproveitamento bem pensadas e melhor aplicadas, informadas por vínculos estreitos com os territórios turísticos e seus actores.
Gostaria de dizer que é também esse o caminho que está a ser prosseguido em Portugal e no Minho, em particular. Ora, para tanto, importaria que se começasse por não confundir divisões administrativas e unidades territoriais para fins estatísticos com destinos turísticos, e importaria que se olhasse para os territórios a partir dos seus recursos e não da respectiva capacidade de se insinuarem junto dos poderes políticos centrais. Sendo como é, receio bem que o imenso património cultural, material e imaterial, que o Minho encerra continue a ser negligenciado, com tudo o que isso implica em matéria de perda de oportunidades de criação de emprego e de rendimento e, mesmo, de risco de degradação, por as populações não lhe perceberem a valia económica.
J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de ontem do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

terça-feira, julho 15, 2008

A Indústria do Entretenimento & a Galinha dos Ovos de Ouro

Incontestavelmente, encontramo-nos num período de crise: a inflação continua a tirar poder de compra aos cidadãos e as sequelas do “subprime” arrastam os mercados financeiros no sentido da queda. Existirão agentes a ganhar com a crise: as óbvias empresas do sector da energia e as do sector alimentar, que vêem o valor dos seus produtos subir no mercado. Contudo, certas indústrias, não ligadas às anteriores, parecem não sentir a perda de poder de compra dos consumidores.
Em 2006, depois de uma análise à indústria dos videojogos, a ABI Research indicou que o valor das suas vendas iria duplicar do ano 2005 para o ano de 2011, passando de 32 600 000 000 de dólares dos EUA (EUA$) para 65 900 000 000 de EUA$, respectivamente. Desta mesma indústria, o nicho ocupado pelos videojogos focados no modo “online” (de interacção com outros jogadores) irá crescer cerca de 95% ao ano.
Como sabemos, de 2005 até agora, a crise agravou-se, os preços continuaram a subir e o “subprime” atingiu a economia. De facto, de acordo com a Reuters, 2007 foi o ano de mais fraco crescimento desde 2002. A esta luz, seria de esperar um abrandamento da indústria dos videojogos, dado que os Estudos Unidos da América (EUA) representam perto de um quarto desta indústria.
Recentemente, a NPD, um grupo de pesquisa de mercado, analisou os dados da indústria dos vídeo jogos nos EUA e o analista Anitz Frazier comentou: “You’d never know that the U.S. economy was under distress by looking at the vídeo games industry sales figures” (Considerando as vendas da indústria de videojogos, nunca se imaginaria que a economia dos EUA estaria a atravessar um mau momento). Em 2007, o crescimento desta indústria situou-se nos 28,4%, sendo que a indústria cinematográfica se ficou pelos 1,8% e a indústria da música registou novamente valores negativos, neste caso, de -10%.
Ainda considerando o mercado Norte-americano, e só o mês de Março deste ano (2008), vale a pena reter os seguintes números reveladores: as plataformas da Nintendo, a Wii e a DS, venderam 721 000 e 698 000 unidades, respectivamente. Por sua vez, as plataformas da Sony, PSP, PS3 e PS2, venderam 297 000, 257 000 e 216 000 unidades, respectivamente. A Microsoft, com a sua plataforma (XBOX360), atingiu as 262 000 unidades. Para quem as desconhece, falo apenas do “hardware” onde se inserem os jogos, o equivalente do leitor DVD para o DVD em si. Se passarmos ao “software”, os mais vendidos atingiram um total de 6 074 000 de unidades vendidas, do qual se destaca o título Super Smash Bos. Brawl, da plataforma Wii, que conta com 2 700 000 unidades vendidas.
Esta indústria não recebe só dos jogos que produz, já que cada vez mais os personagens dos seus jogos se transformam em filmes para o grande ecrã (Tomb Raider; Final Fantasy; Resident Evil) e em merchandising (material diverso usando os símbolos das personagens ou as marcas associadas). O analista Michael Wolf refere que a publicidade nos jogos chegará aos 3 000 000 000 de EUA$. O mundo online, por sua vez, espera atingir um crescimento anual de 95%, tendo como principal título o World of Warcraft, também conhecido pelas siglas WOW, que já conta com 10 milhões de utilizadores, sendo que os jogadores Americanos e Europeus pagam, em média, 15 EUA$ por mês.
Apesar da comunidade de jogadores estar associada a jovens do sexo masculino, a verdade é que as animações mais reais, os comandos mais intuitivos e a interacção crescente entre os jogadores de vários pontos do globo servirão de incentivo para que potenciais consumidores mais velhos e do género feminino sejam atraídos para a nova galinha de ovos de ouro da indústria do entretenimento.
Relativamente a Portugal é difícil encontrar dados, mas é de recordar que no seu lançamento, a Wii, custando 250 €, esgotou.
José Pedro Cadima
jpgcadima@gmail.com
Estudante de Economia da EEG/Universidade do Minho
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(texto de opinião publicado na edição de 08/07/15 do Suplemento de Economia do Diário do Minho)

quinta-feira, julho 10, 2008

"Factura petrolífera custou 1,87 mil milhões de euros entre Fevereiro e Abril"

«Défice da balança comercial atinge os 3,3% do PIB
Compras. Factura petrolífera custou 1,87 mil milhões de euros entre Fevereiro e Abril As exportações comerciais (excluindo serviços) aumentaram 7,1% entre Fevereiro e Abril deste ano, com as compras ao estrangeiro a crescerem 14,3%, de acordo com dados ontem divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

O défice da balança comercial agravou-se em 1,3 mil milhões de euros em comparação com idêntico período do ano passado, com o défice da factura externa comercial a ultrapassar os 5,6 mil milhões de euros, cerca de 3,3% do PIB. Parte substancial do défice é explicado pelo peso da factura petrolífera, de acordo com os dados do INE. Em comparação com igual período do ano passado, entre Fevereiro e Abril deste ano a conta com os combustíveis aumentou 60,9%, determinado pela alta nos preços do barril de petróleo, envolvendo compras no valor 1,87 mil milhões de euros.

Com a Zona Euro, o resultado entre as vendas e compras de bens resultou num défice de 3,8 mil milhões de euros, explicado com o menor dinamismo de exportações para Espanha e França.»
RR.
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(reprodução integral de notícia do Diário Notícias, de 08/07/10)

terça-feira, julho 08, 2008

A luta de Trichet

Camiões parados, agricultores nas ruas, hipermercados vazios, o colossal preço do petróleo e a falta do mesmo nas gasolineiras, a iminente subida dos juros na zona euro e a consequente valorização do euro relativamente ao dólar, são sinais da actual situação económica nacional e internacional.
Perante uma ameaça de subida da taxa de juros de referência da zona euro para 4,25%, são muitos os que se questionam até que ponto será viável a política levada a cabo pelo Banco Central Europeu (BCE), com vista à estabilidade de preços no longo prazo, a denominada Inflation Targetting. Num passado recente essa mesma política levada a cabo pelo BCE alcançou um sucesso inigualável, com taxas de inflação médias da zona euro de 2,1%, em 10 anos.
Actualmente, e após sucessivos aumentos da taxa de juro efectuados pelo BCE, a inflação da zona euro parece resistir e em alguns países tem demonstrado tendência a aumentar, sendo este cenário, em parte, o resultado de um sucessivo aumento do preço do petróleo (crise especulativa). No entanto, mesmo em anos passados assistimos a várias subidas do preço do petróleo, sem que esses aumentos fossem acompanhados por crises inflacionistas. Esse fenómeno é explicado pelo facto de em anos anteriores a subida do preço do petróleo ter sido vista pelos agentes como um aumento transitório e como tal não afectava as expectativas dos agentes relativamente à inflação futura.
Nesta ocasião, o cenário é bem diferente, pois, o repentino aumento do preço do petróleo, tal como o de muitas matérias-primas e bens alimentares, criou a ideia de que se trata de uma subida de carácter permanente, logo gera pressões inflacionistas, pois, as empresas e os consumidores já se aperceberam desse facto e, como tal, esperam preços mais elevados no futuro. Estamos perante uma alteração das expectativas dos agentes económicos que motivaram as recentes manifestações verificadas no sector dos transportes de mercadorias e no sector agrícola (ambos os sectores fortemente afectados pela volatilidade do preço dos combustíveis).
A política de estabilização de preços por via do aumento das taxas de juro seguida pelo BCE leva a um maior endividamento das famílias sem qualquer aumento do consumo privado, contribuindo para uma desaceleração do crescimento económico. Além disso, a valorização do euro, associada ao aumento das taxas de juro, afecta negativamente as exportações dos países da União Europeia (exportações para fora da zona euro) e mais uma vez contrai o crescimento económico.
Contudo, permanece a incerteza quanto à capacidade do Banco Central Europeu de fazer face às pressões inflacionistas apenas por via da subida das taxas de juro e quanto aos efeitos adversos (para além daqueles já enunciados) que tal política poderá causar, num contexto nacional e internacional. Nesse enquadramento, os Bancos Centrais (BCE e FED) deverão reunir esforços e adoptar políticas de estabilização das expectativas inflacionistas de modo a travar um aumento em espiral de preços. Em particular, seria útil rever algumas das premissas do Tratado de Maastricht, analisando a possibilidade de o BCE alterar a sua política de estabilização de preços, podendo estabelecer como prioridade o crescimento e o emprego para dar resposta à conjuntura económica actual e ao baixo crescimento que atravessa a economia mundial.
Paulo Carvalho
Estudante de Economia da EEG/Universidade do Minho
paulojdsccarvalho@gmail.com
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(texto de opinião publicado na edição de 08/07/08 do Suplemento de Economia do Diário do Minho)

Uma mudança flexível

Afinal o que vai mudar na vida de milhares de portugueses com a aplicação da nova lei do trabalho?
A nova lei do trabalho vem introduzir algumas alterações que, no meu ver, são necessárias para o crescimento da economia. São vários os pontos introduzidos na nova lei. Destacarei de seguida os principais.
Em primeiro lugar, deixa de existir a taxa única da Segurança Social. Note-se que as empresas, actualmente, pagam 23,75% de segurança social por cada trabalhador. Com a nova lei, a entidade patronal passa a pagar 22,75% por cada trabalhador com contrato efectivo e 26,75% por cada trabalhador com contrato a prazo. Os trabalhadores, por sua vez, continuarão a descontar a actual taxa de 11%. Por outro lado, no que se refere aos recibos verdes, os trabalhadores independentes passam a pagar 24,6% de taxa para a Segurança Social (contra os actuais 32%), isto porque o governo decidiu reduzir a taxa em 2,4% e as empresas vão passar a suportar 5% da taxa por cada trabalhador independente, taxa essa que actualmente é totalmente suportada pelos trabalhadores.
Em segundo lugar, será introduzida uma nova forma de contratação com o nome de contrato a termo intermitente. Tal contrato implica a prestação de um serviço durante partes do ano, mantendo o vínculo entre o trabalhador e a empresa.
Os horários de trabalho também irão sofrer alterações. Passam a ser admitidas 50 horas semanais (actualmente são 40 horas), sendo possível laborar até 10 horas por dia (actualmente são 8). Acresce que passa a haver a possibilidade do trabalhador exercer as suas funções durante três ou quatro dias, podendo depois folgar o resto da semana. Com isto será possível o trabalho intensivo e prolongado com vista à redução da semana para o trabalhador.
Quanto aos despedimentos, será mais fácil despedir. Com a simplificação do processo, facilita-se o despedimento de um trabalhador que, por inúmeras razões, não se tenha adaptado à sua função. Tais medidas podem funcionar como “motor” para o aumento da produtividade das empresas e, consequentemente, do crescimento económico.
Em relação à licença de parto, será mais alargada e terá várias opções. Será mantida a actual licença de quatro meses com a totalidade do salário, a que acrescerá a possibilidade de mais um mês de licença com 80% do salário. Tal medida também pode ser alargada para seis meses, se um dos membros do casal gozar apenas um mês. Assim, passam a receber a totalidade do salário durante cinco meses e 80% no último mês. Outra opção será alargar o prazo até seis meses, repartido de forma equitativa entre os dois progenitores, mas com apenas 25% do salário.
Uma outra disposição da proposta de lei torna obrigatório que, na contratação de jovens menores de 18 anos sem o 9º ano concluído, estes estejam inscritos no sistema educativo ou de formação profissional. Este é um passo bastante significativo na valorização da formação contínua dos trabalhadores.
Estes são os pontos mais significativos na alteração da lei do trabalho. Os que foram mais contestados foram o das horas de trabalho e o da facilidade de despedimento. O ministro do trabalho, Vieira da Silva, espera aplicar a nova lei já em Janeiro de 2009.
Tais aplicações são necessárias e importantes para o crescimento económico. Promover a mobilidade, a flexibilidade laboral e uma melhor organização do trabalho são aspectos determinantes para a instalação de novas empresas, podendo, com isto, aumentar a competitividade e a produtividade e, consequentemente, o crescimento económico.
Juliana Vieira Narciso
Estudante de Economia da EEG/Universidade do Minho
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(texto de opinião publicado na edição de 08/07/08 do Suplemento de Economia do Diário do Minho)

sábado, julho 05, 2008

"Eu show Sócrates"

«"Eu show Sócrates"
O ministro da Agricultura perde a paciência e insinua que a CAP e a CNA albergam extremistas (de esquerda e direita). Os representantes dos agricultores aproveitam o deslize e recusam falar com Jaime Silva. O que faz o primeiro-ministro? Anuncia que é ele quem vai negociar com os agricultores.
Take 1 – O ministro da Agricultura perde a paciência e insinua que a CAP e a CNA albergam extremistas (de esquerda e direita). Os representantes dos agricultores aproveitam o deslize e recusam falar com Jaime Silva. O que faz o primeiro-ministro? Anuncia que é ele quem vai negociar com os agricultores.
Take 2 – O ministro da Ciência não quer dar mais dinheiro às universidades à beira da ruptura financeira. O ministro das Finanças vai mais longe e diz que aquelas universidades têm um problema de gestão (claro como a água…!). O que faz o primeiro-ministro? Manda dizer que ele mesmo se ocupará do dossier “universidades”.
Compreende-se a descoberta tardia (há uns meses estes grupos seriam corridos a pontapé…), por Sócrates, dos seus dotes negociais. Não se compreende é a desautorização de dois ministros (três, se contarmos com Teixeira dos Santos), a quem passou um atestado de menoridade, com consequências previsíveis nos próximos confrontos com o Portugal corporativo.
Estes episódios reforçam a ideia de que Sócrates deixou de navegar com GPS para navegar à vista. Se o primeiro-ministro acha que os ministros não prestam, substitua-os. Porque insistir no “one man show” em que se transformou a sua governação tem riscos. Graves. E se amanhã alguma corporação disser que já não se senta com Sócrates? O primeiro-ministro cede o lugar ao Presidente da República?»
Camilo Lourenço

(reprodução integral de artigo de opinião, com o título identificado, publicado na edição de 02 de Julho de 2008 do JORNAL DE NEGÓCIOS – online)

[cortesia de Nuno Soares da Silva]

sexta-feira, julho 04, 2008

Jornal Água&Ambiente

Jornal Água&Ambiente
Resposta às questões colocadas pela jornalista Tânia Nascimento, em 08/06/20

«P1- Com o chumbo de 32 projectos candidatos a PIN deixaram de serem investidos 14 mil milhões de euros. Este é um mau sinal para a economia?
R1 – A criação de uma nova metodologia para a aprovação de certos projectos, designados PIN, corresponde ao reconhecimento por parte do governo de que algo ia mal em matéria de burocracia e tempos de demora na decisão de aprovação de projectos de investimento, fossem eles pequenos ou grandes. Não foi por isso que a natureza dos projectos se alterou. Aliás, muitos projectos que estavam em fila de espera na ocasião, isto é, a aguardar licenciamento e/ou aprovação de incentivos públicos, foram reconvertidos em PIN. Acresce que nem todos os investimentos são geradores de riqueza e de emprego no médio-longo prazo. Alguns podem mesmo ser delapidadores de recursos (e do ambiente, que também é um recurso) e hipotecar o desenvolvimento dos territórios.
Concluindo: em abstracto, a reprovação de uns quantos projectos de investimento não pode ser lida como comprometedora do progresso de uma economia. Só considerando a valia de cada projecto tal pode ser afirmado.
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P2- A Dra. Manuela Ferreira Leite afirmou recentemente, numa alusão aos projectos PIN, que «o Estado tem obrigação de criar as condições necessárias para que as empresas se desenvolvam. Mas o que faz o PS é escolher as empresas que quer que se desenvolvam». Está de acordo com esta perspectiva ou reconhece a importância dos projectos PIN para a economia?
R2 – Pessoalmente, considero errado que o esforço de agilização do processo de aprovação de projectos de investimento não seja estendido a todos os projectos, embora admita que por algum lado se tinha que pegar no problema. É, aliás, questionável que uns quantos grandes projectos representem uma mais-valia maior para a economia que muitos pequenos investimentos. Não estou convencido, entretanto, que os promotores beneficiados pelo governo fossem distintos se quem estivesse no poder fosse o PSD. Se considerarmos a estratégia de desenvolvimento prosseguida para o país pelos últimos governos do PS e do PSD (ou a sua ausência), muito pouco os diferencia, nomeadamente na falta de arrojo e de uma ideia (mobilizadora) para o futuro do país.
No meu entendimento, é por aqui que importa começar. Depois, importa mesmo tornar efectiva a desburocratização de procedimentos de aprovação e tornar transparente toda a tramitação dos projectos e dos apoios públicos que lhe possam ser concedidos; de todos os projectos, insista-se. Isto não tem nada que ver com marketing político, chame-se “simplex” ou outro chavão qualquer. Os projectos a aprovar não podem, obviamente, questionar o equilíbrio ambiental e regras básicas de ordenamento do território. Isso tem que ser claramente assumido desde o primeiro momento e adequadamente escrutinado pelos avaliadores, sob pena de, em nome do presente, se prejudicar gravemente o futuro.

Braga, 22 de Junho de 2008

J. Cadima Ribeiro»

terça-feira, julho 01, 2008

Efeitos Económicos da Melhoria da Ligação Ferroviária Porto-Vigo na Euroregião

Há cerca de 15 dias (08/06/16), decorreu no Porto, na CCDRR-N, uma conferência de imprensa para apresentar os resultas de um estudo intitulado “Efeitos Económicos da Melhoria da Ligação Ferroviária Porto-Vigo na Euroregião Norte de Portugal-Galiza”, da iniciativa da referida entidade, em articulação com a Xunta da Galiza. O trabalho em causa foi elaborado por uma equipa no NIPE (Núcleo de Investigação em Políticas Económicas), da EEG/UMinho, que contou com a colaboração de investigadores da FEP/UPorto, e da Escola de Engenharia da UMinho. A coordenação geral do estudo esteve a cargo do signatário deste texto.
Não só pela referido envolvimento técnico na concretização do estudo mas também pelo impacte estratégico que a implementação de uma linha-férrea de altas prestações pode ter no tecido económico e no ordenamento do território atravessado pela via, mantive-me particularmente atento ao que a-propósito foi publicado na comunicação social e nos fóruns informais de discussão nos dias seguintes. Desse acompanhamento de notícias e comentários produzidos, relevo o seguinte:
i) a infelicidade de um título que li num blogue, que era algo como: “TGV Porto-Vigo: mais do mesmo” (a infelicidade no tratamento da matéria não se ficava só pelo título); e
ii) o desinteresse que o estudo mereceu da parte dos jornais minhotos, e dos sedeados em Braga, em particular, como se de matéria de interesse alheio a este território se tratasse.
Doutras coisas podia falar, particularmente das gralhas e erros de transcrição dos dados, fruto do pouco trabalho e da pouca atenção de quem redigiu algumas notícias, menos desculpável, neste caso, por lhes ter sido fornecido o texto de suporte à apresentação oral que foi feita.
Aparte a impropriedade de falar de TGV (comboio de alta velocidade), a ideia deste estudo ser “mais do mesmo” é reveladora da facilidade com que alguns falam daquilo que desconhecem e da descrença que parece ter-se instalado sobre qualquer projecto de infra-estruturas que se faça, particularmente no domínio viário. Comummente, duvida-se que possa ir além do “cimento” injectado no território, do forte consumo de recursos financeiros que envolve, enfim, que possa ser capaz de constituir-se num equipamento estruturador de uma rede (de transporte de pessoas e mercadorias, neste caso) e ser potenciador de competitividade. Falar de TGV é erróneo porque é de um comboio de altas prestações que se trata, quer dizer, um veículo ferroviário do tipo dos “Alfas” que servem a linha do Norte e a linha do Minho, até Braga.
Que se faziam afirmações sem propriedade fica óbvio já que, na data, era impossível o autor do título conhecer o estudo, do qual foi apenas divulgado um resumo de 12 páginas
na conferência de imprensa já mencionada. Do que se invocava, percebia-se até que nem o referido resumo se conhecia. É entretanto assim que, amiúde, se faz “opinião”, seja em blogues seja na televisão, mesmo por comentaristas “encartados”.
O que o estudo sobre os “Efeitos Económicos da Melhoria da Ligação Ferroviária Porto-Vigo” pretendia trazer de novo era, exactamente: “i) avaliar em termos socio-económicos e territoriais o impacte da introdução de um comboio de altas prestações (CAP) no eixo Porto-Vigo; e ii) identificar e discutir alguns aspectos, sujeitos a decisões de política pública, que podem ter consequências muito significativas sobre o sucesso do projecto, a competitividade da ferrovia e o modelo de transportes subjacente”. Esses objectivos conferiam-lhe uma natureza distintiva, e complementar, de outros realizados por outras entidades, nomeadamente a RAVE. Por outro lado, não custam justificar já que, embora o transporte ferroviário não tenha (como devia ter) grande expressão, tanto nas deslocações interurbanas e suburbanas no Norte de Portugal como entre este território e a Galiza, adivinham-se num futuro imediato algumas motivações que podem vir a inverter a tendência.
As razões desta alteração tendencial a curto e médio prazos prendem-se, do lado da procura, com o aumento do preço dos combustíveis nos mercados internacionais, com a generalização das preocupações de carácter ambiental, com o incremento da carga fiscal nos modos concorrentes do caminho-de-ferro e, do lado da oferta, com uma melhoria significativa da qualidade da oferta ferroviária e com o incremento da inter-modalidade. Acresce, no caso Português, o impulso que se pretende dar, e importa concretizar, ao desenvolvimento do caminho-de-ferro e à inter-modalidade, com expressão na melhoria da inter-conectividade entre as linhas ferroviárias suburbanas, as linhas de metro e as redes urbanas de autocarros, o que, no caso vertente, atentos à desarticulação da rede de transportes públicos, é uma prioridade absoluta.
Sabido quanto desarticulada é a rede de transportes públicos de Braga e do Baixo Minho, sabidas que são as dificuldades que o sector produtivo do Ave e do Cávado atravessam, em resultando das exigências de um novo modelo de participação nas trocas internacionais, percebe-se mal que um projecto que aposta na inter-modalidade de passageiros e de mercadorias e na potenciação da rapidez e da eficiência do escoamento destas últimas para a Galiza e a para a Europa do Sul e Central sejam matéria que não mereça ser agarrada pelos operadores de comunicação social de Braga e do Minho, para não me reportar já aos lideres políticos e empresariais deste território. Esperemos que isso seja corrigido entretanto.
J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

domingo, junho 29, 2008

sábado, junho 28, 2008

"Pagar Dívidas EDP? Diga não"

«Alguma vez você foi ter com alguém para exigir o dinheiro que o vizinho lhe ficou a dever? Problema seu não é?
Um gestor de um condomínio vai exigir aos outros condóminus que paguem o que um não quer pagar? É isso mesmo que está a pensar - no ano seguinte outro deixaria de pagar ... e assim sucessivamente.
O que quer a EDP?
Se alguém não lhe paga exija cobrança judicial e se mesmo assim não conseguir, problema seu, não nosso.

Ora, está em curso uma consulta pública promovida pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (http://www.erse.pt/). Aí se diz que as "contribuições podem ser enviadas à ERSE até 7 de Julho de 2008, por correio, por fax ou, preferencialmente, por correio correio electrónico mailto:consultapublica@erse.pt)..."
Eu já enviei o meu contributo. Dê também o seu contributo.
-
De: Joaquim Gomes Sá
Enviada: sex 27-06-2008 21:43
Assunto: Dívidas EDP.

Exmos Senhores:
Pelo presente e na qualidade de cidadão e de cliente da EDP, num Estado que se pretende de Direito, venho manifestar e comunicar a Vªs Exªs a minha discordância, oposição e mesmo indignação relativamente à "proposta" – que considero absolutamente ilegal e inconstitucional – de colocar os cidadãos cumpridores e regulares pagadores a terem que suportar também o valor das dívidas para com a EDP por parte dosincumpridores.
Com os melhores cumprimentos,

Joaquim Gomes de Sá»
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(reprodução integral de mensagem, datada de ontem e intitulada "FW: Pagar Dívidas EDP? Diga não.", que me caiu na caixa de correio electrónico; origem identificada no corpo da mensagem reproduzida)

sexta-feira, junho 27, 2008

terça-feira, junho 24, 2008

Concertação de preços dos combustíveis: é um cartel ou não?

Nos últimos dias tem-se falado frequentemente do cartel da BP, Galp e Repsol. Mas afinal o que é realmente um cartel? E será que estas grandes empresas formam mesmo um cartel?
Um cartel é uma forma de conluio (cooperação entre os produtores) onde as empresas comunicam entre si e definem explicitamente um acordo com o objectivo de reduzir a quantidade oferecida no mercado de um produto ou serviço, e poder aumentar o preço. Segundo o artigo 85º do Tratado de Roma, o comportamento entre empresas que traduza uma cooperação lesiva e que limite a concorrência é considerado prática ilegal.
Analisando agora o caso específico, a evidência que nos leva a acreditar que estamos perante um caso de cartelização é o facto das maiores petrolíferas do nosso país fazerem aumentos sucessivos, simultâneos e seguidos dos preços dos combustíveis fósseis. Com isto, as três empresas obtêm lucros extraordinários (a Galp obtÉm 1,2 milhões de euros por dia de lucros) à custa da prática de preços elevados, criando ineficiência no mercado e, desta forma, prejudicando, a olhos vistos, o consumidor.
A pedido do Ministro da Economia, Manuel Pinho, a Autoridade da Concorrência (AdC) fez uma investigação para apurar a verdade acerca da situação ocorrente.
Segundo Manuel Sebastião, presidente da AdC, não existem indícios de práticas ilegais na formação dos preços. A justificação encontrada para tão elevados preços prende-se com vários factores: a carga fiscal (ISP e o IVA correspondem a 59,2 % do preço da gasolina de 95 octanas e a 47% do preço do gasóleo); e o aumento do preço do crude.
Quanto à carga fiscal, o governo de José Sócrates está irredutível no que se trata de baixar impostos. Tal medida tem diminuído o consumo dos combustíveis (caiu 1,9 por cento no primeiro trimestre deste ano, face a período homólogo) por partes dos consumidores, que preferem abastecer o depósito do seu veículo no país vizinho, que pratica preços mais acessíveis para o “bolso do português”.
No que diz respeito ao preço do crude, este tem registado máximos históricos a cada dia que passa (em Nova Iorque registou-se o valor de 139,12 dólares o barril). A queda do dólar e a ameaça de Israel ao Irão são situações que influenciam o preço do crude.
Com os factos apresentados, podemos tirar algumas conclusões. O cartel tem como consequência preços altos, e é o que temos verificado nos últimos tempos. o preço médio de venda ao público (PMVP) dos combustíveis, em Portugal, tem aumentado mais do que na UE. O preço da gasolina sem chumbo 95, no final do mês de Março, estava 5,1% acima da média da UE. O gasóleo tem uma evolução menos gravosa, mas Portugal está entre os países da UE que mais aumentou o preço deste combustível (0,5%). Tais diferenças entre Portugal e a UE podem ser indícios da existência de um conluio e o facto de os aumentos serem sucessivos também são uma pratica típica de um cartel. Mas, como o próprio presidente da AdC afirmou, tais aumentos devem-se aos aumentos sucessivos do crude e não a práticas de conluio.
Em suma, tal situação é bastante complicada de analisar uma vez que os dados dizem-nos que estamos perante práticas típicas de um cartel e a autoridade competente diz o contrário.

Juliana Vieira Narciso

Estudante de Economia da EEG/Universidade do Minho
julianarciso@gmail.com
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(texto de opinião publicado na edição de 08/06/24 do Suplemento de Economia do Diário do Minho)

terça-feira, junho 17, 2008

“Efeitos Económicos da Melhoria da Ligação Ferroviária Porto-Vigo na Euroregião Norte de Portugal-Galiza”

AV Porto-Vigo deve começar no aeroporto do Porto

(título de mensagem, datada de 08/06/17, disponível em Transportes & Negócios)
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Obs: sobre o mesmo assunto, ler também "TGV: Ligação Porto/Vigo construída de raiz"

As oportunidades do transporte marítimo de curta distância

A política Europeia de transportes tem como objectivos, no âmbito do transporte marítimo, garantir a sustentabilidade, no contexto de um sistema integrado e multimodal, facilitar o acesso aos mercados e promover a integração das regiões marítimas periféricas. As previsões oficiais indicam que o transporte marítimo aumentará, de forma considerável, nos próximos anos, devido aos problemas com que se defronta o transporte rodoviário e às reformas que estão a ser levadas a cabo, tanto pelo sector portuário como pelos grandes operadores marítimos europeus.
O tráfego marítimo total dos portos portugueses aproxima-se dos 60 milhões de toneladas/ano, representando à volta de 1,8% dos tráfegos marítimos de mercadorias da UE-15 (2005). O crescimento médio anual dos tráfegos foi, no período 2001-2005, ligeiramente superior a 3%, ultrapassando o crescimento médio da EU-15 (2,68%) e ficando aquém do da zona Euro (3,40%). Convém referir a este respeito, que em algumas economias europeias o crescimento do transporte marítimo tem sido especialmente intenso. Por exemplo, em Espanha, o crescimento anual médio, no período 2001-2005, aproximou-se dos 12%.
Os dados para o Norte de Portugal são mais modestos que para o conjunto do país. No quinquénio anteriormente considerado, o volume de mercadorias movimentadas apenas experimentou variações de relevo (0,02%, 14 milhões de toneladas), ainda que as diferenças entre os principais portos sejam muito significativas. O porto de Leixões movimentou, em 2005, perto de 13,5 milhões de toneladas, tendo apresentado um crescimento anual médio, no período 2001-2005, de 0,64%. Contrariamente o porto de Viana do Castelo perdeu, no mesmo período, 40% da sua actividade, dado que passou de movimentar 1 milhão de toneladas em 2001 a pouco mais de 600 mil em 2005. Ou seja, a actividade portuária caiu a um ritmo médio de 9,5% ao ano.
Esta situação de estancamento sugere a necessidade de redefinir a estratégia para os portos ao nível regional. A falta de dinâmica não pode ser imputada exclusivamente às magras taxas de crescimento económico dos últimos anos, dado que a actividade portuária depende, cada vez menos, dos tráfegos com origem e destino no seu hinterland imediato. Em concreto, alguns dos portos que mais crescem a nível mundial são precisamente os que desempenham maioritariamente actividades de agrupamento e redistribuição de mercadorias, servindo como nós de redes marítimas de diferente nível, constituídas por linhas de tráfego regular.
Nesta conjuntura de redefinição do papel dos portos e de reformulação da operação do transporte por via marítima, a atracção de transporte marítimo de curta distância (SSS – Short Sea Shipping) passará a ser um factor chave do crescimento portuário nas próximas décadas. Em Europa, o transporte marítimo de curta distância tem experimentado fortes níveis de crescimento, sendo a única modalidade de transporte de mercadorias que consegue manter o mesmo ritmo de crescimento que o transporte rodoviário. Em Europa, entre 1995 e 2004, as toneladas-kilómetro transportadas nesta modalidade apresentaram taxas de crescimento ligeiramente superiores a 30%, enquanto que as transportadas por via rodoviária cresceram perto de 35%. Na UE-15, o SSS representava, em 2004, 42% das toneladas-kilómetro movimentadas, enquanto que o transporte rodoviário representava 44% das mesmas. Convém referir ainda que os maiores crescimentos no âmbito do SSS se verificaram no transporte de mercadorias contentorizadas, o qual apresenta, desde início da década, taxas de crescimento médias anuais próximas de 9%.
A política comunitária de transporte tenciona promover o SSS mediante o desenvolvimento das denominadas auto-estradas do mar, as quais estarão constituídas por rotas bem definidas, apoiadas num conjunto de portos que reúnam as características necessárias para garantir a competitividade do transporte marítimo. Independentemente da localização geográfica do porto e dos níveis de actividade económica no hinterland imediato, a definição e implementação de uma estratégia para o desenvolvimento do SSS implica prestar uma atenção especial aos seguintes aspectos: custos (directos e indirectos), tempo, segurança, fiabilidade e qualidade (serviços e logística). Por isso, a disponibilidade e nível de qualificação dos acessos terrestres (integração multimodal), das actividades portuárias, das zonas de actividades logísticas e dos serviços de transporte marítimo, juntamente com a capacidade de simplificação dos processos de movimentação de mercadorias, são algumas das variáveis que irão condicionar o crescimento portuário a médio prazo.
Os portos da região Norte, nomeadamente o porto de Leixões, devem fazer um esforço de ajustamento às novas realidades do transporte de mercadorias e de adequação às novas condições competitivas, para poder ultrapassar o estancamento da actividade dos últimos anos. A atracção de transporte marítimo de curta distância e a integração em alguma/s auto-estrada/s do mar parecem vectores indispensáveis em qualquer estratégia de futuro, sobretudo porque o SSS representa, correntemente, menos de 40% dos tráfegos (5,4 milhões de toneladas), sendo o seu potencial de crescimento ainda muito significativo.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
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((artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

segunda-feira, junho 16, 2008

"Nas reformas estruturais era possível fazer mais" e melhor

"O processo de reformas tem de passar a ser encarado com naturalidade e deve ser uma exigência da população e dos seus representantes políticos, em lugar de uma fórmula encantatória para entreter o discurso político."

Teodora Cardoso

(excerto de entrevista de 08/06/16, ao Diário Económico, que recebeu o título "Nas reformas estruturais era possível fazer mais")

domingo, junho 15, 2008

"A competitividade de Portugal"

A competitividade de Portugal

(título de mensagem, datada de 14 de Junho de 2008, disponível em Empreender)

sábado, junho 14, 2008

Horário de trabalho até às 65 horas por semana

A Europa está em crise
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(título de mensagem, datada de Sexta-feira, 13 de Junho de 2008, disponível em 0 de Conduta)

quarta-feira, junho 11, 2008

"Crescimento mundial em queda"

«Banco Mundial. Instituição revê aumento do PIB mundial para 2,7% este ano
O Banco Mundial reviu em baixa as previsões de crescimento económico global. A instituição prevê um abrandamento do crescimento do PIB mundial para 2,7% este ano, contra a anterior previsão de 3,3%.
Esta estimativa compara com o crescimento de 3,7%, em 2007. Em Janeiro, o banco tinha divulgado aquela anterior previsão de 3,3% para o crescimento mundial.
Os países emergentes deverão ser menos afectados, com as economias a crescerem em média a uma taxa de 6,5%, contra 7,8% no ano passado, de acordo com as estimativas divulgadas ontem e citadas pela agência Bloomberg.
"O abrandamento nos países ricos tornou-se mais aparente desde o final de 2007", refere o Banco Mundial na sua análise.
"A força continuada da procura doméstica e as importações nos países emergentes estão a atenuar os efeitos globais do abrandamento nos países mais ricos", acrescenta o mesmo documento.
Ontem, o Banco Mundial alertou igualmente para o facto de novos aumentos do preço do petróleo "não poderem ser excluídos", apesar do actual cenário de abrandamento no crescimento nas principais economias mundiais, com destaque para os Estados Unidos.
"O preço do petróleo tornou-se muito difícil de prever. Por isso não podem ser excluídos novos aumentos, mesmo no cenário de um abrandamento moderado do crescimento a nível global", refere aquela organização, no mesmo relatório ontem divulgado.»

(reprodução integral de notícia de 11-06-2008, do Diário Notícias, intitulada "Crescimento mundial em queda")

sábado, junho 07, 2008

quinta-feira, junho 05, 2008

quarta-feira, junho 04, 2008

Uma nova, velha, forma de energia

Muito recentemente os analistas “profetizaram” que o barril de petróleo poderia atingir, a breve prazo, os 200 dólares americanos (EUA$). De momento (24 de Maio), o barril situa-se nuns agressivos 135 EUA$, sendo que no dia 2 de Janeiro de 2004 se situava nos 29,55 EUA$. Em quatro anos e meio, o preço do crude quase quintuplicou. A sociedade chora só por ver quanto custa encher o depósito do seu automóvel para poder ir ao café que fica ao lado. Esperava-se que o biodiesel permitisse melhorar a situação. No entanto, para surpresa de muitos, acontece que a matéria-prima de que é feito o biodiesel são os cereais. Agora, biodiesel nem vê-lo e, para além do alto preço da gasolina, temos também de nos preocupar com os preço da alimentação.
As empresas também sofrem com a subida dos preços dos combustíveis. Vão perdendo a capacidade de competir e não podem subir os preços porque os clientes andam de carteira leve.
Felizmente, nos Estados Unidos da América (EUA) foi encontrada uma opção: a General Motors (GM) criou o EV1 (Electric Vehicle1), um carro movido a electricidade. Poderíamos pensar que ele vai demorar a cá chegar, mas a verdade é que esse veículo foi lançado no mercado em 1996 e retirado do mesmo em 2000, como é documentado no filme “Who killed the electric car?”.
Entretanto, surgem outras soluções: os híbridos. Esta tecnologia combina um motor de combustão com um motor eléctrico, de forma a reduzir o consumo de combustível e as emissões de gases poluentes. O modelo mais popular de todos os híbridos, o Prius da Toyota, custa entre 26’882, 37 € e 29’952,37 €, sendo relativamente caro para o comum dos cidadãos nacionais. Nos EUA ele custa 21’500 EUA$ (13’646 €) e, apesar deste valor não incluir o imposto, há que duvidar que, com o acréscimo do mesmo, alguma vez atinja o valor a que é vendido em Portugal. Ainda para mais, de acordo com o Fundo Monetário Internacional, o PIB per capita em paridades de poder de compra de Portugal é apenas de 21.701 EUA$ (13,773,60 €), que podemos confrontar com o dos EUA, que é de 45.845 EUA$ (29,097,77 €).
A solução? No meu entender, a procura de uma solução teria de passar pelo desenvolvimento de um plano ambiental de diminuição da dependência energética. No curto prazo, isso implicaria diminuir os impostos sobre os produtos amigos do ambiente e eficientes em termos energéticos, como é o caso dos veículos híbridos, de forma a proporcionar-lhes um nicho de mercado.
No longo prazo, a solução é mais complicada. Teremos, primeiro que tudo, que questionar a capacidade de Portugal, mesmo com colaboração exterior, de produzir veículos eléctricos viáveis. No entanto, penso que isso não seria o maior problema, visto que nos anos 90 a GM, com pouco esforço, conseguiu faze-lo, colocando-os no mercado em 1996. Assume-se esta capacidade pois já passaram 12 anos desde esse acontecimento e a tecnologia foi consideravelmente desenvolvida desde então. Esta ideia é tão boa que até a GM resolveu desenvolver um novo EV. Mas teremos de esperar até que o barril de crude chegue aos 300 ou 400 EUA$ para o ter em Portugal visto que, para os EUA, só estará disponível no mercado em 2010.
A questão do capital é de certo a mais bicuda. Quem teria de investir num projecto desta envergadura? A resposta não é, certamente, agradável, mas é a mais realista: todos. O governo teria de subsidiar parte do projecto de forma a garantir viabilidade às empresas interessadas, tal como cativar outras mais avessas ao risco.
De onde viria a procura, é outra pergunta pertinente, mas que pode ser respondida de duas formas: i) quem não comprará um carro eléctrico quando o barril custar 200 EUA$ ?; ii) As próprias empresas, por forma a reduzir os seus custos e a aumentar a competitividade no seu ramo de mercado.
Uma externalidade seria o incremento de procura de energia eléctrica daí decorrente, que poderia provocar uma subida de preços na electricidade. Mas o país já está a trabalhar em prol de uma expansão da produção de energias solar e eólica e para que esse trabalho seja viável os preços da electricidade terão de subir. De acordo com Giacomo Bizzarri, da Universidade de Ferrara, e com Gianluca Morini, da Universidade de Bolonha, um painel fotovoltaico tem um custo de produção 2,5 vezes o valor que vai produzir em energia eléctrica. Assim sendo, a subida do preço da electricidade tornaria o mercado mais atractivo e o aumento da investigação na área, tal como o aumento da produção, levariam a uma queda dos custos de produção.
No meio de toda esta visão estratégica perdi-me e acabei por nem explicar como funciona um carro eléctrico. Permitam-me citar Tom Hanks a propósito: “This is amazing ... what you do with this electric car, Dave: you put the key in and you turn it and, then, there’s this thing on the floor called the pedal…”.
José Pedro Cadima
Estudante de Economia
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(artigo de opinião publicado na edição de 08/06/03 do Suplemento de Economia do Diário do Minho)

terça-feira, junho 03, 2008

O perfil do criador de empresas do Entre Minho e Douro: alguns dados recentes

Por um acaso determinado pela vivência profissional, chegou-me às mãos há poucas semanas o estudo “Empreendedorismo e Empregabilidade: Que passado? Que Futuro?” (Dez. 2007, Braga), realizado e editado pela Expoente, uma empresa de serviços de consultoria sedeada em Braga. Se o tema do empreendorismo aí tratado é um dos que me cativa a atenção, mais me interessou o dito estudo por nele ser possível encontrar o perfil do criador de empresas de um território que coincide, grosso modo, com o Entre Minho e Douro. A propósito, anote-se que tive oportunidade de trabalhar sobre o perfil do empresário minhoto vai para uns 18 anos. Na altura, aproveitei a informação que era possível colher nas candidaturas a apoios públicos apresentadas ao IAPMEI.

Pese embora a precariedade estatística dos resultados obtidos, via inquérito, pela equipa que realizou o estudo e a não coincidência geográfica do território retido num e noutro estudos, há alguns dados do trabalho agora realizado que julgo valer a pena apresentar e comentar à luz dos resultados do meu trabalho de há 18 anos.

O perfil recente do criador de empresas do Entre Minho e Douro que se retira é o seguinte: i) estamos perante pessoas relativamente jovem (maioritariamente, entre os 26 e os 35 anos), do sexo masculino, casados e sem filhos; ii) são indivíduos detentores de curso superior (61% dos casos), não tendo formação em gestão (67% dos casos); iii) têm antecedentes empresariais (77% dos casos), nomeadamente no seio da família de que são originários (46% dos casos); iv) gozavam de uma situação económica confortável no período anterior à criação do seu negócio; v) em matéria de experiência profissional anterior, desempenhavam sobretudo funções técnicas (40,5% dos casos) ou comerciais (30% dos casos); ainda, vi) também em termos de vivência profissional precedente, provinham em 40% dos casos de PMEs, sendo que apenas 13% dos inquiridos terão arrancado para a criação da sua empresa após a conclusão dos estudos.

Com as limitações que decorrem da discutível representatividade estatística da amostra, estes dados são muito interessantes. São interessantes porque põem em evidência inércias sociais e culturas pessoais no despertar da iniciativa empresarial. São interessantes porque relativizam a formação inicial em gestão e a necessidade material no desenvolvimento do processo. São interessantes, finalmente, porque dão conta de uma evolução no sentido de um empresariado detentor de habilitações superiores.

A anotação de que a formação em gestão não é um pré-requisito não me surpreende, já que o mesmo dado saia evidenciado num estudo académico que li há uns meses sobre o espírito empreendedor dos alunos da Universidade do Porto (Aurora Teixeira, FEP). Se daí se não pode concluir que a atitude de empreender se aprende, também não deixa de se levantar a dúvida sobre se a formação proporcionada nas escolas de gestão (ou, pelo menos, na Universidade do Porto) é a adequada para fomentar esse espírito. De permeio estão as questões da receptividade do mercado aos habilitados com diferentes saberes técnico-científicos e a conjuntura do mercado de trabalho.

Em grande consonância com os resultados por mim obtidos, estão a circunstância das vivências profissionais anteriores serem um elemento essencial para perceber o perfil da empresa criada e a respectiva inserção sectorial e, também, a relevância que continuam a ter os agentes comerciais nessas iniciativas. Este aspecto sublinha a importância da relação com o mercado (clientes, fornecedores) na identificação de oportunidades de negócio.

Diferente do que obtive no dito estudo surge a importância assumida pelas qualificações técnicas, porventura resultado das novas exigências de qualificação (técnica) que está colocada às empresas para singrarem no mercado. Esta é, entretanto, uma questão a que o estudo da Expoente não dá resposta, a merecer ser aprofundada no futuro.

Um outro aspecto que este trabalho não capta é o da naturalidade (local de nascimento e/ou de residência) do empresário. No meu estudo, essa era peça central para sublinhar, como resultou confirmado, a opção de sedeação das pequenas e médias empresas de iniciativa local no mesmo ou em município vizinho daquele de onde é natural ou reside o empreendedor.

A última nota que quero deixar é-me sugerida pela constatação de que os indivíduos sobre que incidiu o estudo da Expoente “gozavam de uma situação económica confortável no período anterior à criação do seu negócio”. É que, a ser assim, são postos em causa os pressupostos de alguns programas públicos de incentivo à criação do próprio emprego e/ou de pequenos negócios.

Se as oportunidades de emprego são devedoras da iniciativa empresarial, o que os dados obtidos nos dizem é que o que importa apoiar é a iniciativa empresarial daqueles que a têm e que, fruto do conhecimento que adquiriram sobre os mercados, precisam do empurrão que os faça deixar o emprego “assalariado”, ao invés de tentar transformar desempregados em empresários. Aliás, os obstáculos à iniciativa empresarial mais referidos neste estudo são a dificuldade de dispor de capital inicial suficiente e o receio de pôr em risco o equilíbrio orçamental familiar ao avançar para um projecto empresarial.

J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

sexta-feira, maio 30, 2008

Confiança das famílias no andamento da economia portuguesa

"A confiança das famílias sobre o andamento da economia portuguesa atingiu em Maio o valor mais baixo dos últimos cinco anos, arrastada pela alta dos juros, do preço do petróleo e dos alimentos. Já as expectativas sobre a evolução da situação financeira registaram o valor mais baixo desde 1998, data em que o INE começou a compilar este indicador.

Também o indicador de confiança na indústria registou em Maio o maior agravamento dos últimos três anos, segundo dados ontem publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Ao todo, o indicador de clima voltou a cair de forma ligeira, depois de ter estabilizado nos últimos dois meses."

Bruno Faria Lopes

(excerto de notícia do Diário Económico, datada de 08-06-30 e intitulada "Expectativas das famílias em minimos históricos")

segunda-feira, maio 26, 2008

Poupança das famílias portuguesas continua em queda

"O nível de poupança das famílias portuguesas continua em queda e nunca esteve tão baixo desde o ano 2000. No ano passado o saldo entre as novas aplicações financeiras (activos) e os pedidos de empréstimo (passivos) dos agregados familiares diminuiu 27% para cerca de dois mil milhões de euros, o valor nominal mais baixo dos últimos sete anos.
Visto de outro ângulo, as famílias portuguesas pouparam o ano passado o equivalente a 1,3% do PIB, um valor que se distancia dos 1,8% de 2006 e que transformam os 3,4% de 2002 já numa miragem.
Estes dados das contas nacionais financeiras publicadas pelo Banco de Portugal (BdP) na sexta-feira são a consequência de um conjunto de estrangulamentos que marcaram a economia portuguesa neste período: o baixo crescimento do País, o aumento das taxas de juro, a pressão para os baixos salários, e o aumento do desemprego, que atingiu em 2007 um valor sem precedentes.
Os números são também um desafio para economia nacional. É que quanto menor a poupança, menor o volume de recursos nacionais disponíveis para financiar investimento. Dito de outra forma: aumenta a dependência dos capitais estrangeiros."
Rui Peres Jorge
(exerto de notícia, datada de 08/05/26 e intitulada "Poupança das famílias cai para o mínimo desde o ano 2000 ", publicada pelo Jornal Negócios)

domingo, maio 25, 2008

Os preços dos combustíveis, por distrtito

Gasolina e os preços por distrito...:
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Comentário: Da forma como as coisas estão, este site é interessante.
(cortesia de Nuno Soares da Silva)

sexta-feira, maio 23, 2008

Seminário "A Política Ambiental no Sector Energético Português"

«Caríssimos Sócios,

Vimos por este meio divulgar o Seminário "A Política Ambiental no Sector Energético Português", próximo dia 28/05, a partir das 14h00, no Auditório da Direcção Regional de Economia de Coimbra.
Este evento faz parte do ciclo de seminários da Reforma Fiscal Ambiental, dentro da campanha do mesmo nome que o GEOTA há vários anos desenvolve em Portugal.
Mais informações e incrições pelos contactos do GEOTA. A divulgação pode ser efectuada também através do seguinte URL:
http://www.geota.pt/scid/geotaWebPage/defaultEventViewOne.asp?eventsID=46 de modo a obter sempre os dados mais actualizados sobre o evento.

Aproveitando a oportunidade, vimos por este meio divulgar também o Lanche-Debate:
Eficiência Energética e Energias Renováveis/Dia nacional da Energia, no dia 29 de Maio
O evento é organizado pelo SERS-Sindicato dos Engenheiros e pela GEOTA-Grupo de Estudos do Ordenamento do Território e Ambiente.
Os Oradores serão: o Professor Doutor António Sá da Costa, Licenciado em Engenharia Civil pelo IST, Doutorado pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology USA) em Recursos Hídricos e Presidente da APREN-Associação Portuguesa de Energias Renováveis e o Engenheiro Manuel Ferreira dos Santos- Licenciado em Engenharia Física e dos Materiais, Mestre em Engª Mecânica (Perfil de Energias Renováveis); Membro da Direcção da GEOTA e Coordenador do seu Grupo de Energia e Transportes.
Este Seminário será antecedido de um Welcome Coffee, que terá início às 18 horas.Este lanche será servido pela Pastelaria A Mexicana.
A comparticipação para Associados do SERS e da GEOTA é de 5 euros e, para não Sócios, 7 euros.
Pode obter mais informação na consulta ao URL:
http://www.geota.pt/scid/geotaWebPage/defaultEventViewOne.asp?eventsID=50
Inscrições por mail para engenheiro@sers.pt, ou por telefone:218473060/ 966051110.

Com os melhores cumprimentos,

Rita Azevedo
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Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional»
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(reprodução integral de mensagem, com a proveniência identificada, que me caiu esta manhã na caixa de correio electrónico)

terça-feira, maio 20, 2008

Economia galega: evolução e perspectivas

A situação da economia da Galiza é de notória importância para a população e os decisores políticos Portugueses, especialmente para os do Norte Litoral. Essa relevância deriva da crescente inter-relação entre ambas as economias, traduzida numa significativa capacidade de absorção recíproca, tanto de produções como de factor trabalho. A exportação de dinâmica económica a determinados territórios do Norte resulta do intenso crescimento do produto na Galiza, que atingiu, nos últimos três anos, taxas na ordem dos quatro por cento.
Apesar dos resultados extremamente positivos do último quinquénio, os dados de conjuntura indicam uma rápida desaceleração da actividade no primeiro trimestre de 2008, em linha com o que acontece no resto de Espanha e noutras economias Europeias. Em termos sectoriais observa-se uma forte quebra da actividade do sector secundário e no da construção civil, ainda que neste último a diminuição da actividade não foi tão intensa como no resto de Espanha. A taxa de desemprego no final de 2007 era de 7,5%, 1,1 ponto inferior à média espanhola, embora as previsões apontem para um incremento do número de desempregados nos próximos trimestres, nomeadamente nos dois sectores anteriormente indicados, e no sector serviços, ainda que a evolução da destruição de emprego nesse âmbito seja mais difícil de antecipar. Relativamente aos preços, a taxa de inflação inter-anual no final de 2007 foi de 4,1%, tendo-se verificado uma intensificação do crescimento dos preços a partir do mês de Agosto. As taxas inter-anuais dos meses que levamos de 2008 são ainda superiores, ainda que, em grande medida, esses aumentos se devam à evolução do preço do petróleo e à denominada inflação importada.
O Índice de Confiança dos Consumidores e os resultados do Inquérito de Conjuntura Industrial oferecem sinais evidentes do sentimento pessimista dos agentes económicos relativamente à evolução da actividade económica no curto e no médio prazo. A recuperação da confiança na economia precisa, tanto no caso da Galiza como no de outras economias, como a Portuguesa, da clarificação de uma série de acontecimentos internacionais escassamente previsíveis e da intervenção pública através de um conjunto de políticas tanto macro como microeconómicas.
Os principais acontecimentos de alcance global anteriormente indicados associam-se à crise financeira internacional e à evolução recente de determinados mercados de matérias-primas. A crise do mercado hipotecário subprime dos Estados Unidos transformou-se em poucos meses numa crise de crédito e de liquidez que tem provocado grandes desajustamentos no sistema financeiro internacional. As restrições das condições de acesso ao crédito, derivadas desses desajustamentos sobre o sistema financeiro, estão a ter já consequências negativas sobre os níveis de procura e consumo. O incremento do preço da maior parte das matérias primas, nomeadamente dos produtos alimentares (cereais), do petróleo e dos minerais para usos industriais, está a criar fortes desequilíbrios a nível internacional com consequências de difícil previsão sobre o PIB mundial e, mais concretamente, sobre o funcionamento de determinados mercados. Economias como a galega são extremamente vulneráveis a este tipo de fenómenos, por um lado, porque o crescimento económico dos últimos anos foi acompanhado de um incremento dos níveis de endividamento das famílias, sobretudo pelo forte incremento dos preços da habitação e, por outro, pelo alto grau de dependência energética e o pouco peso dos cereais na produção agrícola da Galiza.
Este tipo de problemáticas justifica a intervenção dos reguladores; num caso para melhorar os mecanismos de regulação e fiscalização e incrementar a transparência, e noutro, para implementar políticas que travem os crescentes níveis de especulação nos mercados de matérias-primas e para pôr em prática medidas que permitam avaliar o uso alternativo de certas produções agrícolas de modo mais consistente. A outro nível as autoridades nacionais e regionais devem intervir para combater os pontos fracos das economias do seu contexto de intervenção. No caso da Galiza as políticas a nível microeconómico devem destinar-se a definir sectores estratégicos de futuro, a incrementar o valor acrescentado das produções, a reduzir a dependência sectorial das exportações, e a promover a I&D e a qualificação dos trabalhadores.
Apesar de as receitas anteriores serem amplamente conhecidas, não tem existido uma acção planificada que permita estabelecer objectivos e medir o seu grau de desempenho. Neste sentido, convém referir que o governo galego prevê apresentar brevemente o denominado Plano de Competitividade 2008-2011, que visa alterar o modelo produtivo da economia da Galiza. O Plano contém cinco eixos fundamentais: desenvolvimento e modernização empresarial, demografia, inovação, infra-estruturas e eficiência da Administração Pública, e dedica uma especial atenção à inovação, nomeadamente ao desenvolvimento do sistema galego de I&D e à promoção da inovação no sector privado.
É evidente que os fenómenos económicos internacionais continuarão a afectar as economias locais, ainda que a intensidade do impacto dependa muito da sua estrutura económica e da oportunidade das políticas públicas escolhidas. Na actual conjuntura, a economia galega não está suficientemente preparada para minimizar o impacto da actual desaceleração internacional, mas a implementação de políticas públicas inteligentes pode contribuir no futuro para mitigar parcialmente os efeitos indesejáveis desses fenómenos de alcance global.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

segunda-feira, maio 19, 2008

"Mais de três anos depois de ter tomado posse, o Governo ainda justifica o injustificável com o passado"

Novas oportunidades para a precariedade

(título de mensagem, datada de Segunda-feira, 19 de Maio de 2008, disponível em 0 de Conduta)

segunda-feira, maio 12, 2008

"Cada vez mais pessoas recebem salário mínimo"

«Os factores que ajudam a explicar o fenómeno estão identificados: o crescimento do trabalho pouco qualificado associado à imigração, o longo período de fraca expansão da economia, a precarização das relações laborais mesmo na camada dos licenciados, a maior concorrência e a contenção de custos por parte das empresas são alguns dos exemplos apontados pelos peritos.
De acordo com o Inquérito aos Ganhos e Duração do Trabalho divulgado na semana passada, que faz um retrato da situação em Abril de 2007, 5,5% dos trabalhadores dependentes em Portugal continental recebiam o salário mínimo. Ou seja, 192 mil pessoas ganhavam 403 euros por mês a trabalhar a tempo inteiro. Entretanto, o Governo aumentou o salário mínimo para 426 euros.
O peso deste grupo no emprego desceu entre o inquérito de Outubro de 2003 e o de Abril de 2006, mas desde então que não pára da subir, somando já três semestres consecutivos nesta tendência. Os números do ministério de José Vieira da Silva mostram que o salário mínimo incide mais sobre as mulheres (8% das trabalhadoras por conta de outrem). Nos homens, esse peso desce para metade, mas em ambos a tendência é para subir desde início de 2006.»

(extracto de notícia, datada de 08/05/12 e intitulada "Cada vez mais pessoas recebem salário mínimo", publicada pelo Diário Económico)

sábado, maio 10, 2008

Financiamento do ensino superior

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(título de mensagem, datada de Sábado, 10 de Maio de 2008, disponível em Ladrões de Bicicletas)

quarta-feira, maio 07, 2008

Dimensões competitivas de Portugal

«DIMENSÕES COMPETITIVAS DE PORTUGAL
Contributos dos Territórios, Sectores, Empresas e Logística

de João Leitão, João M. Ferreira, Susana Garrido Azevedo

Editor: Edições Centro Atlântico
<http://www.centroatl.pt/titulos/si/competitividade.php3>
Colecção: Sociedade da Informação
ISBN: 9789896150570
Ano de Edição/ Reimpressão: 2008
N.º de Páginas: 492

Sinopse
Na preparação de planos estratégicos de desenvolvimento articulados com os programas operacionais do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), para o período 2007 - 2013, há a necessidade latente de definir um posicionamento estratégico que rompa com as opções estruturais do passado, baseadas no cimento, no saneamento e, sobretudo, num pensamento taciturno arreigado à posição periférica atribuída, por alguns analistas, à porta de entrada na Europa Ocidental: Portugal.
A presente obra constitui certamente uma referência para todos os leitores que se interessam, verdadeiramente, em contribuir numa base diária para que Portugal se posicione, de forma diferenciada, atendendo a necessidades já diagnosticadas ao nível da competitividade territorial, sectorial e empresarial. A estrutura desta obra centra-se na avaliação da competitividade, através da reunião e conjunção de três dimensões de análise: a territorial, a sectorial e a empresarial.
A utilização conjunta destas dimensões permite apresentar contributos numa lógica de competitividade sustentável para a definição de um novo posicionamento estratégico de Portugal. Os leitores poderão, ainda, analisar diversos casos e experiências em territórios e sectores produtivos, nos quais a logística e a inovação são áreas estratégicas para a mudança do mapa de acessibilidades e do perfil produtivo e tecnológico de Portugal.

Ficha online do livro:
http://www.centroatl.pt/titulos/si/competitividade.php3

Excerto online:
http://www.centroatl.pt/titulos/si/imagens/excerto-livro-ca-competitividade.pdf»
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Nota: o lançamento do livro está agendado para Lisboa, a 20 de Maio pf.
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(reprodução de mensagem de divulgação que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico)

A asneira do dia

«"Os países que entraram agora estão a beneficiar do exemplo português", sublinha Rui Constantino, que explica que um dos principais erros cometidos foi a má gestão da política orçamental. "Devia ter sido prócíclica, em vez ter acabado por ser contra-cíclica".»

(extracto de notícia, datada de 08/05/07 e intitulada "Portugal não soube como aproveitar o euro", publicada no Diário Económico)
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Comentário: a que período se está a referir o senhor? Aos últimos 3 anos ou aos últimos 10, a que a notícia se refere? Se for aos últimos 3 anos, ...

terça-feira, maio 06, 2008

A dinâmica estrutural recente do Minho e do país: seus reflexos no emprego

Entre 2000 e 2007, a população activa no país registou um crescimento de 7,5 %, resultante do aumento da população do grupo etário dos 15-64 anos (4,6%) e da sua taxa de actividade, que subiu de 60,9% para 62,6%. No mesmo período, a população com emprego cresceu 3%, variando de 5020,9 mil pessoas em 2000 para 5169,7 mil em 2007. Por sua vez, o desemprego total, no quarto trimestre de 2007, afectava 439,5 milhares de pessoas - 7,8% da população activa, uma das taxas mais elevadas da União Europeia a 27.
Na NUT II (unidade estatística de nível II) Norte, a população empregada ascendia, em 2007, a 1800,7 mil (34,8% do emprego do país) e o desemprego atingia 186 mil trabalhadores (41,5% do desemprego do país) – 9,4% da população activa, embora no último trimestre de 2007 tenha registado uma taxa ligeiramente menor (9,1%). A taxa de desemprego na NUT II Norte é, desde 2003, mais elevada do que no país devido, sobretudo, à maior exposição dos sectores produtivos tradicionais à concorrência dos países asiáticos e dos novos membros da União Europeia.
Se considerarmos entretanto apenas o emprego não público por conta de outrem e os dados de 2005, os números para o país e para a NUT II Norte atingiam, respectivamente, 2855059 e 994988 activos, sendo que, destes, se destacava o Grande Porto, com cerca de 13% do emprego do país, e as NUTs III do Cávado e do Ave, que representavam 10% do emprego do país, no seu conjunto.
Estes dados e este desempenho em matéria de emprego são, insiste-se, resultado da conjuntura económica geral e da transformação da estrutura da produtiva que se vinha registando no país e nas unidades territoriais retidas, com justificação significativa na perda de competitividade dos sectores produtivos predominantes em termos nacionais e nas NUTs em análise. Concretamente, entre 1996 e 2005, o emprego por conta de outrem da NUT II Norte perdeu posição relativa no emprego do país (-1,4%), devido sobretudo à quebra em termos absolutos do emprego no sector secundário nas NUTs do Grande Porto e Ave, não compensada pelo crescimento do emprego no sector terciário.
Fruto de dinâmicas diferenciadas, a insipiência da industrialização e da terciarização no Minho-Lima e uma menor dependência do sector secundário na NUT III Cávado, os resultados destas unidades territoriais foram ligeiramente melhores, mas não particularmente auspiciosos.
Estando em causa uma profunda reestruturação produtiva do país e de cada uma das suas parcelas territoriais, como suporte de um tecido produtivo menos dependente de salários baixos e de produção sub-contratada de produtos relativamente banais, poder-se-ia assumir a necessidade do país dispor de uma mão-de-obra mais qualificada. Que se passava então nesta vertente?
A mesma fonte estatística (Quadros de Pessoal, Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social) indicava-nos, a esse respeito, que Portugal continuava em 2005 a registar indicadores muito menos favoráveis que a maioria dos países da União Europeia em matéria de formação dos seus recursos humanos. A evolução entre 2000 e 2005 foi, todavia, positiva. Com efeito, desceu de modo significativo (-9,5%, em média, no país e nas unidades territoriais em referência) o peso dos trabalhadores com habilitação igual ou inferior ao 1º ciclo (apesar de, em 2005, representar ainda cerca de ¼ dos trabalhadores), subindo o peso dos trabalhadores com qualificação mais elevada, em particular, os habilitados com ensino secundário e superior.
Assim, o peso dos trabalhadores, nas NUTs III em estudo, com os 2º e 3º ciclos de formação académica era superior ao observado, em média, no país. O contrário sucedia com os trabalhadores com ensino secundário e superior. Importa, no entanto, não esquecer o défice geral de qualificação dos recursos humanos de Portugal, antes referido.
Tudo considerado, estes indicadores são bem elucidativos do caminho que importa percorrer para construir no país e nestes territórios um tecido produtivo que, sendo qualificado e internacionalmente competitivo, possa ser gerador de emprego e portador de nova esperança para as suas populações.
J. Cadima Ribeiro
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(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")
Nota: o texto que aqui se divulga é uma adaptação da versão pubicada no jornal referenciado

sábado, maio 03, 2008

Clima económico

"Resumo:
O indicador de clima económico recuperou ligeiramente nos dois últimos meses. O comportamento observado em Abril nos sectores foi heterogéneo, registando-se uma recuperação dos indicadores de confiança nos Serviços e na Construção e Obras Públicas e uma deterioração na Indústria Transformadora e no Comércio.
Em Abril, o indicador de confiança dos Consumidores aumentou, interrompendo a tendência descendente iniciada em Novembro de 2006, após ter registado o mínimo desde Junho de 2003."

quinta-feira, maio 01, 2008

Bons contabilistas públicos?

Prefiro o autêntico D. Sebastião, o que vai de Bandarra, antes de D. Sebastião nascer, ao Padre António Vieira, depois de D. Sebastião não morrer
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(título de mensagem, datada de 08/05/01, disponível em Sobre o tempo que passa)

quarta-feira, abril 30, 2008

Genuine confidence is what launches you out of bed in the morning

"The kind of commitment I find among the best performers across virtually every field is a single-minded passion for what they do, an unwavering desire for excellence in the way they think and the way they work. Genuine confidence is what launches you out of bed in the morning, and through your day with a spring in your step."

Jim Collins

(citação extraída de SBANC Newsletter, April 29, Issue 517-2008, http://www.sbaer.uca.edu/)
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Comentário: podia ser uma apreciação à falta de lucidez como as políticas económicas e sociais vêem sendo conduzidas em Portugal nos últimos (já muitos) anos.

segunda-feira, abril 28, 2008

sábado, abril 26, 2008

Manuela Ferreira Quê?

Nos últimos meses instalou-se em Portugal num clima de grande desânimo e descrédito. Sendo este um estado de alma profundamente funesto do ponto de vista da mobilização social e da dinâmica económica, permitimos todos que se instalasse e, pior que isso, assentou nisso a linha de força do discurso que o governo, em geral, e certos ministros, em particular, entenderam veicular aos portugueses.
Entende-se que essa estratégia possa fazer sentido enquanto o que importa sublinhar é a herança de ineficiência e ausência de visão do governo cessante. Entende-se pior quando o que passa a estar em causa é o sucesso das políticas do próprio governo em funções, e precebe-se menos, ainda, quando o que o discurso político acaba por veicular são iniciativas de gestão económica pública profundamente erradas, ultrapassadas na concepção que fazem do funcionamento dos mecanismos económicos e, além do mais, inconsistentes.
Embora, como digo, seja esse um sinal distintivo do discurso do governo do Dr. Durão Barroso, no seu todo, a nota mais negativa tem que ser atribuída à sua ministra das finanças, a quem escaparam coisas tão óbvias como a ideia que para cobrar mais receita fiscal é necessário que a actividade económica cresça de forma sustentada, e que o investidor não é mobilitado pela ideia de que ao fundo da estrada não deve esperar mais do que o precipício. Diferentemente, a subida das taxas de fiscalidade só pode gerar a retracção da receita, do mesmo modo que a retracção do investimento público não só acaba por afectar seriamente os sectores económicos implicados por essa despesa, gerando um efeito de retracção económica geral, como hipoteca o crescimento a prazo do país, ao não concretizar projectos essenciais para a modernização da infraestrutura geral.
Perante dados tão óbvios, surpreende-me a cumplicidade dos fazedores de opinião e da comunicação social, em geral, com esta visão das coisas e estas propostas de gestão da economia. Surpreende-me tanto mais quanto se pretende passar a mensagem de que o que está em causa é rigor e seriedade na condução dos assuntos do país, porventura confundindo discurso agreste e convencimento pessoal com capacidade técnica e eficiência.
Num registo mais benévolo, pode-se admitir que o que subjaz à mencionada complacência, senão cumplicidade, será a perspectiva de que já não faltará muito para que um tal discusso se desmorone, por si, face à iminência da divulgação dos primeiros resultados de avaliação das políticas. Mas, pergunto, a que custos presentes e futuros? Não faria mais sentido prevenir o erro que ajustar a trajectória aposteriori? Afinal qual é o conceito de cidadania que cultivamos?
Estas são as questões que se me oferecem face ao estado de passividade que vejo instaurar-se na sociedade portuguesa. São, por outro lado, como bem se percebe, a expressão escrita de um grito de revolta.
J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião, datado de 08 de Dezembro de 2002, pubicado na ocasião no Diário do Minho)

sexta-feira, abril 25, 2008

terça-feira, abril 22, 2008

Conjuntura económica em Espanha e medidas de combate à desaceleração

A economia portuguesa é hoje mais dependente da economia espanhola do que há dez anos. As exportações portuguesas para Espanha neste período passaram de representar aproximadamente 10% do total para perto de 30% das vendas agregadas ao exterior. O Investimento Directo Estrangeiro (IDE) espanhol em Portugal tem ganho posições, especialmente em alguns sectores, sendo Espanha, neste momento, o terceiro maior investidor em Portugal. Ademais, as empresas portuguesas, especialmente as que operam no sector comercial, começam a ser bem sucedidas na abordagem do mercado espanhol, o que faz com que muitas delas tenham ambiciosos planos de expansão no país vizinho. Este contexto de interdependência implica que o acompanhamento da conjuntura da economia espanhola seja fundamental para ajudar a entender certos fenómenos de carácter económico e, inclusivamente, social em Portugal.
A desaceleração económica, originada em grande medida na crise financeira dos Estados Unidos, está a estender-se rapidamente nas economias mais avançadas. Neste momento, os efeitos do abrandamento são muito evidentes na economia espanhola, dado que a maioria dos indicadores de actividade e consumo apresentam importantes quebras em termos inter-anuais. A economia americana e a espanhola partilharam durante os primeiros anos desta década algumas tendências em termos de actividade económica, que acabaram por estar na origem da crise financeira na primeira delas. O paralelismo mais evidente está relacionado com a grande expansão do sector imobiliário, impulsionada pela forte procura de habitação, que resultou num acelerado incremento dos preços e na intensa revalorização deste tipo de activos. Outro tem a ver com a considerável expansão do crédito hipotecário, especialmente às famílias, não só para a compra de primeira habitação, mas também para a compra de segundas habitações e para satisfazer a procura especulativa sobre este tipo de activos. O outro aspecto convergente entre ambas as economias é a acentuação da dependência do financiamento externo, que tem a sua expressão mais notável no significativo défice da balança por conta corrente.
Apesar destas coincidências no diagnóstico, existem algumas circunstâncias que fazem com que a economia espanhola tenha uma maior capacidade de resposta num cenário de desaceleração como o actual. Em primeiro lugar, a existência de um sistema bancário eficiente, solvente, com reduzidos indicadores de morosidade e elevados volumes de recursos consignados em provisões, que se tem internacionalizado com grande sucesso, tanto em mercados em desenvolvimento como em mercados maduros. Em segundo lugar, a disponibilidade de um superavit crescente nas finanças públicas, que permite que o governo, em caso de necessidade, possa utilizar os recursos acumulados para estimular a procura, bem mediante a expansão ou a antecipação do investimento público ou através da redução ou devolução de determinados tipos de impostos.
O abrandamento da actividade económica em Espanha será muito mais rápido do que inicialmente previsto. O governo previu uma taxa de crescimento do PIB para 2008 de 3,1% (3,8% em 2007), ainda que nas últimas semanas o Ministério de Economia tem admitido que a taxa estimada pelo Banco de Espanha, de 2,4%, reflecte melhor a evolução da economia desde início do ano. De acordo com os dados do FMI, ambas as taxas são extremamente optimistas, dado que as suas previsões mais recentes apontam para uma variação relativa do PIB espanhol de apenas 1,8% em 2008.
Neste contexto de intensa desaceleração económica, a utilização dos fundos públicos acumulados emerge como uma solução adequada, no curto prazo, para travar a queda da procura e evitar a destruição massiva de emprego. O novo governo que tomou posse há escassos dias, após as eleições de início de Março, já apresentou um plano de intervenção económica para combater os efeitos da crise no sector imobiliário e das turbulências financeiras internacionais. O pacote previsto inclui 11 medidas (6 destinadas exclusivamente ao sector imobiliário) e prevê-se que tenha um impacto de 24.200 milhões de euros em dois anos (10.800 milhões em 2008). As medidas com efeitos directos sobre as famílias são o prolongamento gratuito dos prazos das hipotecas, a dedução linear de 400 euros no IRS, tanto para trabalhadores por conta de outrem como para trabalhadores por conta própria, que afectará cerca de dezasseis milhões e meio de contribuintes, e a eliminação do imposto de património, que favorecerá um milhão de contribuintes, aproximadamente. Outras medidas que merecem especial destaque são a antecipação da licitação de obras públicas e a devolução mensal do IVA às empresas.
A gravidade dos dados de conjuntura sugere que o plano de intervenção proposto pode ser insuficiente. As medidas anunciadas devem ser entendidas como uma intervenção de carácter urgente e pontual. As políticas de carácter estrutural destinadas a melhorar a eficiência da economia devem ser uma prioridade do governo durante a legislatura que agora se inicia. A modernização e a diversificação económica, o investimento em capital humano e tecnológico, o crescimento da produtividade e a redução do défice externo são aspectos que devem estar na agenda política ao longo dos próximos quatro anos.
O governo português deve prestar especial atenção à evolução económica do seu vizinho. A redução da actividade económica irá, certamente, afectar as exportações portuguesas com destino a Espanha e condicionar os fluxos recíprocos de IDE, mas terá, muito provavelmente, fortes implicações sobre outros âmbitos menos explícitos. Os fenómenos recentes de exportação de mão-de-obra, de importação de inflação e de desvio de procura são manifestações reais, sem expressão estatística, da crescente interdependência das duas economias, que merecem um acompanhamento mais efectivo por parte dos responsáveis de política económica em Portugal.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

sábado, abril 19, 2008

Setting financial goals

"Before you can really start setting financial goals, you need to determine where you stand financially."

David Bach

(citação extraída de SBANC Newsletter, April 15, Issue 515 - 2008,

sexta-feira, abril 18, 2008

terça-feira, abril 15, 2008

segunda-feira, abril 14, 2008