Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

domingo, novembro 09, 2008

A Regulação do Mercado de Trabalho e a Competitividade

Resposta a questões colocadas por dois estudantes de economia da Fac. de Economia da UNLisboa (I.T. e H.P.A.), no âmbito dos trabalhos de uma sua unidade curricular
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P: De que forma a regulação do mercado de trabalho afecta a competitividade externa de um país?
R: Num quadro de funcionamento em economia aberta, tudo o que possa reflectir-se nos custos, na agilidade de operação corrente e na capacidade de modificar as condições em que se opera são dados relevantes em termos de competitividade geral das empresas e, por conseguinte, do país. Uma visão que liga custos de mão-de-obra, flexibilidade formal do mercado de trabalho e competitividade externa do país é necessariamente reducionista. Vale a pena acrescentar que há valores sociais básicos, que importa salvaguardar, que fazem com que se ofereça sem cabimento a ideia de que um mercado isento de qualquer tipo de regulação é um mercado ideal para a operação das empresas. Por outro lado, a competitividade externa das economias vive hoje sobretudo assente na qualidade e imagem dos produtos e serviços oferecidos, na respectiva novidade/singularidade e no respectivo design e marketing, na logística e na eficiência das redes de distribuição dos bens e serviços que na produção (industrial) propriamente dita. No caso português, vale ainda a pena ter presente, ainda, que a carga formal que anda associada à regulação do mercado de trabalho não espelha de modo algum a flexibilidade com que este mercado funciona, que é expressivamente maior.

P: Se houver um mercado de trabalho menos regulado, poderá isso aumentar o desemprego?
R: Como deixei dito antes, importa não confundir a carga legal e toda a panóplia de acordos de trabalho que enquadram os diferentes mercados sectoriais de trabalho com o nível de flexibilidade ou rigidez de funcionamento deste mercado. Por outro lado, é bom que se tenha presente que, até há pouco tempo (2, 3 anos), embora acusada de ter um mercado de trabalho excessivamente regulado, a economia nacional era, no conjunto da União Europeia, uma das que apresentava uma taxa de desemprego mais baixa. Ainda agora, vivendo uma situação de praticamente estagnação económica, que se arrasta deste 2002, tem uma taxa de desemprego que não é tão alta quanto as circunstâncias poderiam ditar. Isso tem que ver com o tipo de especialização produtiva da economia portuguesa, relativamente intensiva em trabalho, e com uma preocupação social e valores sociais de fundo que subsistem. Na minha perspectiva, uma das principais limitações que o mercado de trabalho nacional enfrenta é a pequena dimensão que o trabalho a tempo parcial mantém, comparativamente com outros países da UE, especialmente os países nórdicos. A valorização social e um melhor enquadramento legal desta forma de participação no mercado de trabalho poderia criar novas oportunidades em termos de emprego, ao mesmo tempo que permitiria desinvestia de um quadro de regulação mais clássico, do tipo do actual.

P: Acredita que uma menor regulação do mercado de trabalho em Portugal pode ajudar o país a ganhar competitividade face aos novos países da União Europeia?
R: Os problemas de competitividade externa do país só muito parcialmente se prendem com a regulação subsistente no mercado de trabalho, como já sublinhei. Se se olhar para os países da Europa Central e de Leste, que recentemente integraram a UE, o que é que constatamos imediatamente que os distingue de Portugal? Em primeiro lugar e sobretudo, um nível de qualificações académicas de base muito superior ao que se regista em Portugal. Depois, níveis salariais muito mais baixos, que chegam a ser um terço dos subsistentes no nosso país. Em terceiro lugar, níveis de carência em termos de oferta de infra-estruturas e serviços aos cidadãos e às empresas que os tornam especialmente apetecíveis para o investimento das empresas multinacionais que visam os respectivos mercados e/ou os dos países vizinhos. Entretanto, se olharmos para a China ou a Índia, percebemos que estes países são também pouco competitivos em termos de salários vigentes, o que nos deve levar a concluir que as respostas a encontrar em matéria de competitividade da economia destes países e de Portugal não passam, no essencial, pelos custos do trabalho, em sentido restrito, e mesmo pela legislação que o enquadra.

P: Pegando num País de idêntica dimensão a Portugal: parece-lhe que a República Checa é, actualmente, mais competitiva que Portugal? Essa diferença deve-se às diferentes regulações do mercado de trabalho?
R: Tanto quanto os dados que tenho me levam a pensar, a República Checa não atravessa, também ela, um bom momento em matéria de dinâmica económica. As razões serão diferentes das nacionais, com uma componente de instabilidade política que será relevante para perceber o que se passa. Que dados temos da República Checa que explicam o seu bom desempenho nos últimos anos? Um deles é exactamente o nível de qualificação da mão-de-obra. Um outro é a sua posição no centro da Europa, na vizinhança de alguns dos principais mercados (regionais) europeus. E um outro foi(é), porventura em razão dos dois precedentes, ter podido beneficiar de afluxos massivos de investimento directo estrangeiro, de que se tornou um dos principais destinos na Europa nos anos mais recentes. Não apresentando níveis salariais tão baixos com a Roménia ou a Bulgária, por exemplo, trata(va)-se de uma economia com níveis de corrupção bem mais baixos do que aqueles dois países, e de estruturação económico-social bem mais consolidada. Concluindo: é um erro tentar explicar a diferença de desempenho recente de Portugal e da República Checa centrando a análise nos respectivos mercados de trabalho. Mais: para perceber o desempenho da economia portuguesa nesta última década (isto é, de 2000 em diante), é essencial olhar para a respectiva gestão política e para os gravosos erros cometidos em matéria políticas de estabilização e de estratégia económica geral. Infelizmente, esta última componente (de natureza mais estrutural) parece continuar quase ausente das preocupações dos nossos decisores políticos.

Braga, 2 de Novembro de 2008

J. Cadima Ribeiro

sexta-feira, novembro 07, 2008

quinta-feira, novembro 06, 2008

Employment in high-tech sectors in % of labour force by region, 2006

«Science, technology and innovation are at the heart of EU policies. An indication of progress in these fields is given by the number of people employed in high-tech sectors.
In 2006, 4.4% of the EU27 labour force was employed in high-tech sectors3. Three quarters of those employed in high-tech sectors worked in high-tech knowledge-intensive services and a quarter in high-tech manufacturing.
The share of employment in high-tech sectors was more than 6% in 29 EU27 regions: nine of these regions were found in Germany, five in the United Kingdom, three in Hungary, two each in Belgium and Finland and one region each in the Czech Republic, Ireland, Spain, France, Italy, Austria and Sweden as well as Malta. The highest share of employment was found in Berkshire, Buckinghamshire & Oxfordshire (11.5%) in the United Kingdom, followed by Stockholm (9.3%) in Sweden, Île de France (8.9%) in France and the two German regions Dresden (8.7%) and Oberbayern (8.5%).
The share of employment in high-tech sectors was less than 2% in 23 EU27 regions: Six of these regions were found in Romania, five in Greece, four each in Spain and Poland, and two each in Bulgaria and Portugal. The lowest shares of employment were found in Thessalia in Greece and in Centro in Portugal (both 1.0%), followed by the two Romanian regions Sud-Vest Oltenia and Sud-Est and the Greek region Peloponnisos (all 1.1%).»
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(excerto de Eurostat News Release nº 150/2008, de 30 Outubro de 2008 - http://ec.europa.eu/eurostat)

terça-feira, novembro 04, 2008

Turismo cultural: o caso de Guimarães

Nos 14 e 15 de Novembro de 2008 vai realizar-se em Arcos de Valdevez, na Casa das Artes, o “2º Congresso Internacional Casa Nobre: um Património para o Futuro”, uma iniciativa que se repete 3 anos depois da concretização do primeiro evento. O congresso cobre áreas temáticas diversas, que vão da memória histórica e da heráldica à arquitectura e ao restauro, das políticas culturais e de defesa do património ao turismo, na sua relação com o desenvolvimento regional.
Retenho do primeiro encontro gratas recordações, em razão da valia das comunicações que foram apresentadas e de toda a ambiência social vivida. Essas e outras razões levaram-me a querer estar presente nesta segunda edição com um texto cuja autoria partilho com Paula Cristina Remoaldo, professora do Departamento de Geografia do Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho. O tema tratado é “Património cultural e estratégia de desenvolvimento turístico da cidade de Guimarães”, onde se procura ligar preservação do património e valorização turística e, logo, desenvolvimento local (urbano).
A problemática é mais complexa do que à primeira vista se sugere, já que, se a actividade turística é uma das formas contemporâneas de aproveitamento dos recursos dos territórios, com peso crescente nalguns deles, também não deixa de ser verdade que a actividade turística é, muitas vezes, delapidadora dos recursos patrimoniais e ambientais e responsável pela perda de identidade dos territórios. Acrescente-se que a actividade turística só fará parte do processo de desenvolvimento regional/local quando for capaz de se integrar na organização global do sistema produtivo e não quando seja implementada como uma prática autónoma. Só neste caso os efeitos económicos da actividade serão majorados e o benefício económico resultante chegará a um maior número de agentes locais.
Por constituir um bom exemplo de conservação do património urbano português, e pela elevada carga simbólica que carrega, estando indissociavelmente ligada à ideia de “berço da nacionalidade”, pareceu-nos adequado reter para estudo Guimarães. Essa opção sugeriu-se-nos tanto mais justificada quanto, após a atribuição pela U.N.E.S.C.O., em 2001, da designação de Património da Humanidade ao seu centro histórico, tem havido um claro esforço no sentido de incrementar a oferta de infra-estruturas e de materializar um programa de animação turística mais rico. É da análise da estratégia de desenvolvimento turístico seguida da cidade, seus roteiros, imagem turística e dinâmica cultural que a comunicação fala.
O estudo realizado tem que ser tomado como uma abordagem inicial da problemática em título. Mesmo assim, esperamos que possa ser útil aos responsáveis pela gestão do turismo de Guimarães e de outros territórios que tenham projectos de dinamização do turismo cultural.
Das conclusões do estudo, retemos o seguinte:
«[…] o desfrute cultural e a contemplação do património são motivações sempre retidas entre as que estão na origem das deslocações turísticas dos nossos dias. A cultura, tradições e modos de vida constituem, mesmo, factores de atracção que tomam crescente importância em razão da procura subsistente em certos sectores sociais de singularidade, autenticidade e de busca de experiências intelectualmente estimulantes e mais diversificadas.»
«Guimarães viu reconhecida a valia do seu património monumental pela U.N.E.S.C.O. […]. Isso deu credibilidade ao trabalho de recuperação do património urbano prosseguido pela autarquia local e alguma visibilidade pública potenciadora do turismo e da visita com motivação cultural. Não assegurou a respectiva transformação num destino de turismo cultural por excelência, sobretudo à escala internacional, nem é suficiente para fazer do turismo um ancoradouro seguro do seu desenvolvimento, por razões de escala, diversidade da oferta e de continuidade e qualidade da programação […]. A imagem de um território ou cidade também não se constrói de um dia para o outro e reclama importantes recursos promocionais.
[…] o que os dados disponíveis e a informação qualitativa a que tivemos acesso nos dizem é que há muito caminho a percorrer, ainda que se tenha feito caminho na boa direcção. As debilidades constatadas em termos de manutenção e estrutura do sítio electrónico […], a problemática do uso das línguas nos materiais promocionais e a consistência e riqueza da programação cultural são boa ilustração do muito que falta fazer e consolidar. Outra dimensão do caminho a percorrer, no sentido de dar resposta a exigências dos turistas em termos de diversidade e escala da oferta, estará na construção de verdadeiras políticas de parceria com o território envolvente, no sentido para que aponta a iniciativa designada “Redes Urbanas para a Competitividade e Inovação”, reunindo os quatro principais núcleos urbanos do Baixo Minho, que, de ideia com elevado potencial, importa fazer realidade.”».
O texto vai mais longe na análise das políticas seguidas, aparte a caracterização da oferta turística disponível. Os mais interessados terão a oportunidade de tomar contacto mais aprofundado com essas dimensões de análise e recomendações de política participando no congresso ou, então, esperando pela publicação das respectivas actas.
J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

domingo, novembro 02, 2008

quinta-feira, outubro 30, 2008

Eurostat regional yearbook

«Eurostat regional yearbook 2008
EU27 regions under the magnifying glass

In which EU region can you find the highest share of the labour force employed in high-tech sectors? Which region has the highest total number of nights spent in hotels? And which region has the lowest rate of road deaths?
The answers to these questions and many more are found in the 2008 edition of the Eurostat regional yearbook1 which is published by Eurostat, the Statistical Office of the European Communities. The publication gives an overview of the most recent economic, social and demographic developments in the 271 regions2 of the 27 Member States of the European Union as well as in regions in the three candidate countries (Croatia, the former Yugoslav Republic of Macedonia and Turkey) and the four EFTA countries (Iceland, Liechtenstein, Norway and Switzerland).
The Eurostat regional yearbook 2008 includes chapters on population, urban statistics, GDP, household accounts, structural business statistics, labour market, transport, tourism, science, technology & innovation, health and agriculture. The publication also contains two new subjects; labour costs and sectoral productivity. The latter was written by the European Commission Directorate-General for Regional Policy.
To illustrate the diversity of data found in the Eurostat regional yearbook, this News Release presents three indicators from different statistical fields.»
(excerto de EUROSTAT News Release 150/2008, de 30 de Outubro de 2008 - http://ec.europa.eu/eurostat)

terça-feira, outubro 28, 2008

There are free lunches!

There are NO free lunches” é uma expressão anglo-saxónica que significa: “não há almoços grátis”. Esta expressão é uma metáfora para o (ex)facto de nada ser de graça, coisa que se revelou ser mentira a partir do Plano Paulson, recentemente aprovado pelo congresso dos Estados Unidos da América.
Mas o que é preciso para se ter um almoço grátis? E quem foram os felizardos que, em tempo de vaca magras, o tiveram?
Nos últimos dois mandatos presidenciais dos Estados Unidos da América, o bem amado George W. Bush esteve um bocado desatento em relação ao andamento do sistema financeiro Norte-americano. Sem culpa, é claro! Quem, como a América do Norte, tem também que gerir o resto do mundo, em especial, o Iraque e o Afeganistão, e, também, de regular as regiões do Irão e Coreia do Norte não tem tempo para se importunar com os amigos e família, de modo a apurar se tudo corre bem nas respectivas gerências empresariais.
Apesar de todo o trabalho a que George W. Bush se tinha incumbido de fazer para lá do Pacifico e do Atlântico, a gestão e regulação dos mercados dos EUA não foi totalmente ignorada (deixou-a a cargo de um conselheiro). O ex-primeiro ministro Alemão, Gerhard Schröder, fez declarações em que referia que Deus aconselhava George W. Bush nas suas decisões politicas. Algo que se podia constatar pela forma como terminava todos os seus emblemáticos discursos. Pena que a omnisciência e a omnipotência não sejam o que já foram e o sistema financeiro esteja à beira de ruir.
A bolha especulativa do “subprime” rebentou no final de 2007, trazendo à luz do dia o ciclo de insustentabilidade em que o sistema financeiro Norte-americano se tornara. Mas, mesmo com a entrada no famoso “Bear Market”, ninguém tomou consciência daquilo que se aproximava: no dia 7 de Setembro de 2008, o país mais liberal do mundo nacionalizou o Fannie Mae e o Freddie Mac, que detinham metade dos empréstimos à habitação dos Estados Unidos. Uma semana depois, o Lehman Brothers, um dos maiores bancos americanos, que já contava com 150 anos de história, foi obrigado a declarar a bancarrota. E ainda nesse mesmo dia foi anunciada a compra do Merrill Lynch pelo Bank of America. Sucedeu-se o caos financeiro que levou a América e o Mundo a enfrentar uma segunda-feira “negra”. Mas a terça-feira não foi mais clara: as acções da AIG, 18ª maior empresa do mundo (Forbes Global 2000, 2008), caíram 95% do seu valor de mercado.
A resposta mundial foi coordenada: os maiores bancos centrais do mundo injectaram capital nos mercados. Em resposta, não ocorreu melhoria significativa. O Plano Paulson deu algum ânimo aos investidores, mas rapidamente foi rejeitado pelo contribuinte americano, sendo depois também rejeitado pelo congresso, a 29 de Setembro. Entretanto, pela Europa, a Bélgica, a Holanda e o Luxemburgo apressavam-se a salvar o Fortis, sendo que dois dias depois a Bélgica e o Luxemburgo voltavam à cena para, com a França, disponibilizar 9 mil milhões para salvar o Dexia.
Dia 3 de Outubro é aprovada uma nova versão do Plano Paulson. A Islândia afunda-se na crise com a obliteração do seu sistema financeiro e uma dívida igual a 12 vezes o seu PIB. Dá-se mais uma segunda-feira “negra”, seguida, nessa mesma semana, de um corte nos juros por parte dos maiores bancos centrais mundiais, que acaba por não fazer efeito nos mercados. Não há confiança dos investidores no poder instituído.
Enquanto as poupanças da classe média desaparecem, alguns encontram a oportunidade de almoçar de graça: R.Fuld, do Lehman Bros, e J.Cayne, da Bear Stearms, arrecadam, cada um, 40 milhões de $EUA em compensações. R.Syrona, da Freedie Mac, e Daniel Meal, da Fannie Mae, arrecadam 20 milhões e 12,2 milhões de $EUA, respectivamente. Já S.O’Neal, da Merril Lynch, acomoda-se a receber 46 milhões de $EUA.
Mas houve uma administração que levou à letra a expressão "there are no free lunches" como uma provocação! A título de celebração pela aprovação do Plano Paulson, a administração da AIG esbanjou 440 000 $EUA em tratamentos de SPA, jogos de golfe e almoços, tudo por cortesia dos contribuintes norte-americanos!
José Pedro Cadima
jpgcadima@gmail.com
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho)

segunda-feira, outubro 27, 2008

sexta-feira, outubro 24, 2008

Regras de mobilidade na Função Pública

Artigo JN
Sindicatos contra alteração das regras de mobilidade na Função Pública:
http://jn.sapo.pt/paginainicial/nacional/interior.aspx?content_id=1033052

(cortesia de Nuno Soares da Silva)

terça-feira, outubro 21, 2008

Estratégias marítimo-ferroviárias de futuro

A posição geográfica dos territórios pode actuar como um forte condicionamento em termos de competitividade. A globalização económica pode, por um lado, aprofundar esse condicionamento, ao reforçar a relevância dos territórios centrais e, por outro, contribuir para o seu esbatimento, em resultado da reconfiguração dos sistemas de transporte à escala global. O reposicionamento geográfico de um território deve basear-se no melhoramento da sua conectividade com as redes internacionais e na disponibilização de plataformas logísticas que favoreçam a sua interconexão externa.
O transporte marítimo mundial tem experimentado uma forte expansão nos últimos anos, caracterizada pelo intenso crescimento dos tráfegos de mercadorias, pela abertura de novas rotas comerciais e pela incorporação de novos países aos circuitos de intercâmbio de bens. As razões explicativas dessa expansão estão relacionadas com a crescente procura de fontes primárias de energia e de matérias-primas, assim como com o processo de descentralização produtiva à escala global, que concentra uma proporção crescente da produção mundial em economias emergentes do continente Asiático, enquanto que o consumo continua a estar concentrado maioritariamente em Europa e em América do Norte. Estas tendências dos mercados de produção e distribuição resultam, em termos organizativos, em cadeias logísticas progressivamente mais complexas, com implicações sobre as operações marítimas, a integração intermodal e o tipo de tráfegos.
As alterações dos padrões logísticos abrem novas oportunidades para os portos, ainda que o seu aproveitamento dependerá da sua capacidade para redefinir o seu posicionamento competitivo, através de estratégias que extravasem os seus limites e integrem outros operadores modais. Assim sendo, o incremento da sua dimensão afigura-se como um aspecto fundamental, dado que as economias de escala e de aglomeração passam a ser um factor competitivo de primeira ordem. O outro factor determinante é a capacidade para combinar eficientemente o transporte marítimo com outros modos complementares, com a finalidade de tornar o transporte porta-a-porta mais competitivo, tanto em termos de custo como em termos de tempo de viagem.
As conexões marítimo-ferroviárias devem contribuir, por um lado, para potenciar o hinterland portuário imediato, incrementando a competitividade dos territórios mais dinâmicos e promovendo o aparecimento de novas iniciativas empresariais e, por outro, ampliando esse hinterland, incentivando o desenvolvimento de localizações competitivas em áreas interiores, anteriormente excluídas dos mercados e das lógicas da globalização.
Portugal deve aproveitar as oportunidades de crescimento que oferecem os processos de desintegração das cadeias de valor e de reorganização dos sistemas de transporte e das cadeias logísticas. Os principais portos portugueses, Sines e Leixões, devem tentar posicionar-se como hubs (nós) de malhas mais vastas, com objectivos de redistribuição de mercadorias (transformando tráfegos de longa distância em tráfegos de curta distância e vice-versa) e de qualificação dos tráfegos de entrada e saída.
O porto de Sines deve continuar a sua estratégia de captação de tráfegos, de qualificação das infra-estruturas terrestres, de atracção de indústrias básicas de transformação e de alargamento do seu hinterland a áreas progressivamente mais amplas do centro da península Ibérica. No actual contexto, a contribuição do caminho-de-ferro para a expansão da sua área de influência é de extrema importância, sobretudo, atendendo às rápidas taxas de crescimento dos tráfegos que melhor se adaptam ao transporte ferroviário.
No caso de Leixões, as características da infra-estrutura e o rápido crescimento do tráfego contentorizado apontam para um tipo de especialização diferente. Este porto deve acelerar o seu ritmo de crescimento para poder usufruir das vantagens em custos associadas a uma maior dimensão. As áreas logísticas de apoio às actividades portuárias e de gestão intermodal são, consequentemente, um elemento central da estratégia de crescimento. O outro é a inter-conexão marítimo-portuária, a qual precisa de ser potenciada para evitar rupturas de carga e minimizar os custos de movimentação e transacção e os tempos de transferência.
A potenciação do eixo ferroviário Porto-Vigo cria, neste contexto, excelentes oportunidades para melhorar a inter-conexão entre o modo marítimo e o ferroviário na região Norte. Ademais, a ligação à rede ferroviária espanhola de altas prestações para mercadorias contribuirá para alargar o mercado potencial do porto de Leixões e irá favorecer o transporte de mercadorias com origem e destino na região Norte. Para que esta estratégia de integração modal seja bem sucedida devem ser cuidadosamente observados os seguintes aspectos:
a) A ligação da linha Porto-Vigo à área portuária: A construção integral da linha em bitola europeia obriga a que essa ligação seja construída na mesma bitola para evitar rupturas de carga e incrementos nos custos.
b) O faseamento na construção da linha: A construção integral deve avançar o mais rapidamente possível, evitando que uma solução por fases (Vigo-Braga e Braga-Porto) se perpetue no tempo, dado que não contribuirá para alterar significativamente o modelo de transportes da região Norte e para impulsionar o crescimento do porto de Leixões.
c) A integração nas redes envolventes: A ligação entre o eixo Tui-Porrinho e Ourense, na Galiza, deve ser objecto de especial atenção por parte das autoridades portuguesas, para evitar que o potencial de uma estratégia ferroviária em bitola Europeia no eixo Porto-Vigo seja neutralizado por uma incorrecta planificação do lado galego.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

domingo, outubro 19, 2008

A independência estratégica

A actual situação vivida no Cáucaso vem fortalecer o clima de instabilidade política e económica que assistimos a nível mundial.
O conflito teve início a 7 de Agosto, quando o governo Georgiano decidiu pôr fim à autonomia das regiões separatistas da Abecásia e Ossétia do Sul através da força. Por outro lado, invocando o discurso tantas vezes proferido por Washington nos últimos anos, Moscovo rejeita a hipótese de ter invadido território da Geórgia, alegando estar a proteger os seus cidadãos (dado que a Rússia deu cidadania à esmagadora maioria da população dos dois territórios separatistas, em meados da década de 90) e a preservar os direitos daqueles povos, reconhecendo-lhes a independência relativamente à Geórgia. Deste modo, a Rússia posiciona-se internacionalmente como defensora da liberdade, da democracia e dos direitos das minorias.
Apesar das declarações de Moscovo relativamente às causas da sua intervenção no Cáucaso, continuam a surgir especulações de que o conflito do Cáucaso foi orquestrado pela Rússia por factores comerciais e geopolíticos, dado que a região é muito rica em combustíveis fosseis e é também uma das principais rotas de distribuição petrolífera da Europa.
No entanto, a intervenção Russa não é aceite pela comunidade internacional e o presidente Francês, Nicolas Sarkozy, que é também o actual presidente em exercício da União Europeia (UE), salientou a "urgente necessidade" de diminuir a tensão, sublinhando a importância da retirada dos contingentes militares Russos em zonas tampão à volta das regiões separatistas georgianas da Abecásia e da Ossétia do Sul.
A cimeira realizada no passado dia 1 de Setembro, em Bruxelas, ficou marcada pela incapacidade da União Europeia tomar uma posição firme e unificada quanto às possíveis sanções a aplicar a Moscovo. Este desfecho foi fortemente influenciado pela excessiva dependência petrolífera da UE relativamente a Moscovo. Mais propriamente, a Eslováquia, Hungria, Polónia e Letónia têm uma dependência petrolífera da Rússia superior a 90%. A Alemanha e a Suécia importam cerca de 35% do petróleo da Rússia. Portugal e a Dinamarca situam-se no fundo da tabela no que respeita à dependência petrolífera relativamente a Moscovo, com 1% e 0% respectivamente. Em matéria de gás natural, a situação é igualmente desmotivante, pois 25% do gás consumido pela União provém da Rússia.
Perante este cenário, é compreensível a divergência de opiniões no seio da UE bem como a posição prudente adoptada pelos seus dirigentes, pois uma tentativa de aplicar sanções a Moscovo teria um impacto brutal a nível da economia europeia, com a possibilidade de Moscovo suspender o fornecimento de petróleo e gás natural.
No entanto, após a reunião com Dmitry Medvedev, o presidente Francês Nicolas Sarkozy conseguiu obter de Moscovo o compromisso de retirada das tropas russas presentes em torno do porto de Poti, no prazo máximo de um mês. Contudo, o contingente militar russo em torno das regiões separatistas da Abecásia e Ossétia do Sul irá permanecer no local, dado que a Rússia reconheceu a independência dessas regiões.
Apesar do aparente sucesso das negociações, Moscovo teima em não abdicar de “proteger” as regiões da Abecásia e Ossétia do Sul pois esse avanço geoestratégico é fundamental para reforçar a sua influência nestas áreas política e economicamente importantes.
A Europa não tem conseguido construir uma relação de confiança com a Rússia e muito desse fracasso deve-se ao facto da atitude arrogante demonstrada por Moscovo nas relações comerciais. A política de crescimento conduzida por Vladimir Putin, direccionada para o incremento das exportações, e o seu distanciamento em relação à UE e o mundo revelam essa sede de imposição.
De facto, tudo indica que esta situação irá continuar, pois a Rússia, que parece não ter recuperado do golpe sofrido em 1989, vem, desde então, tentado recuperar a sua influência no panorama internacional.
(artigo de opinião publicado no Suplemento de Economia do Diário do Minho, em 08/09/16)

quinta-feira, outubro 16, 2008

Salários da função pública

Artigo SOL
Nova grelha remuneratória da FP vai até aos 6.350 euros:
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=113240
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Artigo JN
Função pública vai perder poder de compra:
http://jn.sapo.pt/paginainicial/economia/interior.aspx?content_id=1029358

(cortesia de Nuno Soares da Silva)

terça-feira, outubro 14, 2008

Os malefícios da moeda única

Portugal, em conjunto com vários países do mundo, está a atravessar uma crise económica. No caso português, muitos especialistas na matéria atribuem a culpa desta crise à moeda única, isto é, o abrandamento económico português piorou com a adesão ao euro. Será isto verdade? Afinal o que é que o euro nos trouxe de bom e de mau?
Com a adesão ao euro, Portugal deixou de ter controlo sobre a política cambial e a política monetária. Ambas as políticas eram bastante importantes na manutenção da economia portuguesa.
Sem a política cambial os governos deixaram de poder desvalorizar o escudo (moeda portuguesa antes do euro) com o intuito de tornar a economia portuguesa mais competitiva nos mercados internacionais, isto é, ao desvalorizarem a moeda, as exportações tornavam-se mais baratas o que atraía mais clientes. Este aumento de competitividade era utópico uma vez que a produtividade mantinha-se a mesma. Actualmente se Portugal quer ter ganhos de competitividade terá de ser pela via da inovação e aumento de produtividade.
A política monetária foi outro dos instrumentos que Portugal perdeu com a sua adesão ao euro. Sem esta política Portugal ficou impossibilitado de decidir o seu futuro monetário, perdeu o poder de injectar ou não moeda na economia, e alterar as taxas de juro.
Além de termos perdido o controlo desta duas políticas, passamos a ter que prestar contas da nossa política fiscal, isto é, qualquer país da zona euro tem de controlar a sua dívida pública (não ultrapassar os 60% do PIB) e o défice (não ultrapassar os 3% do PIB). Caso não cumpram têm penalizações.
A partir de 1999 (ano de adesão às taxas de câmbio fixas) observa-se em Portugal um declínio acentuado nas exportações de têxteis. Entre 1995 e 2004 as exportações de têxteis passaram de 23,3% para 14,7%. Com estes dados podemos dizer que o euro teve um impacto no nosso abrandamento.
Como diz Álvaro Santos Pereira, economista português, “a nossa adesão ao euro impediu-nos de utilizar toda uma serie de aspirinas que tomávamos em tempos de crise”. Ou seja, pegando na ideia de Álvaro Santos Pereira, o problema conjuntural que Portugal tem deixou de ser “escondido” com injecções de moeda e diminuição de impostos, por isso o euro até nos trouxe uma coisa boa que foi “abrir os olhos” do português, isto é, acabaram se as “aspirinas” é preciso inovar, é preciso qualificar os nossos trabalhadores para que estes se tornem mais produtivos e desta forma aumentar a competitividade de Portugal lá fora. Basta de acharmos que somos o país que tem de estar sempre na cauda da Europa, que o nosso país não tem volta a dar, este pensamento é errado, temos que agir já.
Apesar dos males que o euro nos trouxe, como diz o ditado “há males que vêm por bem”.

Juliana Narciso

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho)

"O transporte de alta velocidade entre Porto e Vigo não será semelhante ao que vai existir entre Lisboa e Porto"

BRAGA "À TOUTE LA VITESSE"

(título de mensagem, datada de Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008, disponível em Município de Braga)

sábado, outubro 11, 2008

1º Congresso dos Profissionais de Turismo

«Exmo(a) Senhor(a),
É com enorme orgulho que vos informo da realização do 1º CONGRESSO DE PROFISSIONAIS DE TURISMO DE PORTUGAL, a realizar na Terceira – AÇORES, nas cidades de Angra do Heroísmo e Praia da Vitória, de 21 a 23 de Novembro de 2008, sob o TEMA:

“PROFISSIONAIS DE TURISMO – Novas visões, mais oportunidades”

Este congresso surge pela necessidade de debatermos o FUTURO profissões do Turismo, a valorização e promoção dos profissionais, as novas carreiras do turismo, as saídas profissionais, o futuro da formação académica e profissional em Turismo, e, a importância de nos reunirmos e discutirmos o PLANO DE DESENVOLVIMENTO ESTRATÉGICO DO CAPITAL HUMANO DO TURISMO.
Neste contexto, conto com a presença de todos os profissionais do turismo e interessados na temática neste grande evento que marcará indelevelmente a actividade turística nacional como um dos mais importantes eventos do ano.
Recordo que nunca foi realizado em Portugal um congresso de pessoas para pessoas, de profissionais para profissionais, e neste sentido devemos cada um de nós dar o seu contributo participando e apresentando as respectivas opiniões. O espaço de debate de ideias será um dos pontos altos do congresso.
A escolha dos palestrantes e das entidades que constituirão o 3 painéis do congresso foi criteriosa e assentou nomeadamente na preocupação de poderem connosco discutir o futuro do sector tendo por base o CAPITAL HUMANO das Empresas e das organizações do Turismo. Sem falsas modéstias, estamos convictos que o conjunto de palestrantes altamente qualificados e com vasta experiência no sector farão deste evento uma referência para os próximos anos.
Junto envio o programa do congresso com os temas e as Instituições presentes.
O valor de congresso para todos os interessados é excelente e para os associados é quase simbólico. É oportunidade única de ir aos Açores nestas condições.
As inscrições devem ser formalizadas através do site da APTP -
http://www.profissionaisdeturismo.pt/
Conto com a vossa presença e AGRADEÇO A MELHOR DIVULGAÇÃO junto dos vossos contactos profissionais e pessoais.
Com os melhores cumprimentos,

Agostinho Peixoto
Presidente da Direcção
Associação de Profissionais de Turismo de Portugal
Rua do Janes, 15 – 1º
4700-318 Braga
Fax 253693733
Tlm 968052121»
(reprodução integral de mensagem que me caiu na caixa de correio electrónico entretanto, com a proveniência identificada)

sexta-feira, outubro 10, 2008

To do good

"Anyone who proposes to do good must not expect people to roll stones out of his way, but must accept his lot calmly, even if they roll a few stones upon it."

Albert Schweitzer


(citação extraída de SBANC Newsletter, October 7, Issue 540-2008, http://www.sbaer.uca.edu)

terça-feira, outubro 07, 2008

"É ingénuo assumir que todo o investimento estrangeiro é capaz de dar um contributo à economia portuguesa"

Verdades e mitos sobre o investimento directo estrangeiro

(artigo da opinião (re)publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia, do Diário do Minho, no contexto de colaboração em coluna regular genericamente intitulada "Desde a Gallaecia")

segunda-feira, outubro 06, 2008

quinta-feira, outubro 02, 2008

Verdades e mitos sobre o investimento directo estrangeiro

1. Em texto de opinião publicado recentemente neste jornal referi-me ao discurso que por aí vai sobre a reforma da economia e de outras estruturas. Nesse contexto, invoquei o deslumbramento que os nossos políticos, e não só, mantêm pelo investimento directo estrangeiro e respectiva eficácia de operação. Invoquei até casos que conheço de entidades multinacionais a operar no mercado português cujo exemplo merece a pena ser seguido, concluindo, entretanto, serem cada vez mais as situações em que os nacionais rivalizam com os demais, num quadro de competição económica que é crescentemente global.
2. Pois bem, o acaso do meu trabalho académico ditou que, pouco depois, me chegasse à mão um conjunto de textos de investigação científica sobre o investimento directo estrangeiro (IDE) presente em Portugal que dão substância ao que afirmo em termos da falta de razão de ser do deslumbramento mantido, e de quanto singulares são os casos que invoquei. São estudos que põem a claro que a empresa de capitais externos não é necessariamente nem mais rendível que a empresa nacional média nem é, por outro lado, factor inequívoco de dinamização do tecido empresarial nacional, por força da cadeia de cadeia de relações que desencadeie ou pela iniciativa empreendedora que estimule. Consciente que estava de que isso pudesse acontecer, surpreendeu-me, ainda assim, a frieza dos resultados que pude ler.
3. Os estudos a que me refiro intitulam-se, “Corporate Performance: Does Ownership Matter? A Comparison of Foreign- and Domestic-Owned Firms in Greece and Portugal” (2005), da autoria de Natália Barbosa e Helen Louri, e “The role of inward foreign direct investment on entrepreneurship” (2007), da autoria de Natália Barbosa e Vasco Eiriz. Trata-se de trabalhos que se encontram publicados em revistas científicas internacionais (Review of Industrial Organization e International Entrepreneurship and Management Journal, respectivamente), sendo que os autores portugueses são ambos professores na EEG/Universidade do Minho e Helen Louri é uma investigadora grega. É uma síntese dos resultados desses dois estudos que alinho nos parágrafos seguintes, deixando ao(à) leitor(a) a liberdade de ajuizar sobre a justeza das considerações que faço nos parágrafos precedentes.
4. Do artigo com o título que transcrevo em primeiro lugar (em tradução minha do original em língua inglesa), vale a pena sublinhar o seguinte: “No caso Português nós não encontrámos evidência que suportasse a hipótese apriori assumida no que se reporta à relação entre propriedade externa (controle externo do capital) e rendibilidade, o que leva a colocar a dúvida sobre a pressuposto de que as empresas multinacionais apresentam melhor desempenho que as empresas domésticas. Se há alguma diferença, ela parece favorecer as empresas nacionais, que se sugerem ter melhor desempenho que as filiais de multinacionais a operar em Portugal” (p. 89).
5. Similarmente, olhando para o segundo título, é interessante reter da respectiva “Discussão dos resultados” que os resultados agora conseguidos “confirmam a indicação que havíamos obtido em anteriores investigações, já que a relação com formato em U invertido indica que, inicialmente, as multinacionais promovem a inovação e o empreendorismo na economia portuguesa (expresso numa taxa positiva de entrada de empresas nacionais) mas, à medida que a importância das empresas multinacionais cresce na estrutura sectorial, o seu impacto positivo desaparece, levando à saída de certo número de firmas nacionais não inteiramente substituídas por outras recém-criadas”.
6. Antes que se tirem conclusões apressadas dos resultados que aqui trago, vale a pena, contudo, atentar numa passagem das “Conclusões” deste último estudo, em que se diz que “a fraca evidência de que haja um efeito positivo na iniciativa empresarial da presença de multinacionais […] pode esconder um impacto dos estabelecimentos multinacionais na reorganização industrial e na substituição de firmas ineficientes por outras mais eficientes”.
7. Trazendo para aqui estes resultados, porventura pouco conhecidos ou ignorados pelos decisores públicos nacionais, pretendo chamar a atenção para a necessidade da existência de um critério que presida às iniciativas de captação de investimento externo para a economia portuguesa e, obviamente, de afectação de apoios públicos à implantação desse tipo de operadores económicos no mercado nacional. É ingénuo assumir que todo o investimento estrangeiro é capaz de dar um contributo à economia portuguesa, nomeadamente na vertente eficiência de operação, dinâmica inovadora e efeito de arrasto de operadores nacionais.
J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Jornal de Leiria)

sexta-feira, setembro 26, 2008

O Benéfico megalómano

O dicionário da língua portuguesa contemporânea da Academia de Ciências de Lisboa define megalómano como: “1. +Psiq. Que sofre de megalomania = Megalomaníaco. 2. Que tem gosto pelas coisas de grande porte ou de grande alcance; que tem ambição desmedida...”. Apesar dos investimentos não terem gostos, vamos fingir que sim, pois assim foram descritos os futuros investimentos nas infra-estruturas deste país. Mas será que são todos projectos de ambição desmedida? Será que querem ter tão grande alcance quanto o sugerido pelo conceito que é enunciado? Não será que, na realidade, muitos deles servem apenas para trazer Portugal para uma Europa que nos foge? A concretizarem-se, não servirão antes para atenuar as diferenças nos rendimentos de diferentes regiões do território nacional?
Dado que toda a discussão é expressa em milhões de euros, temos a sensação de ficar perdidos na contagem dos zeros que a nós, especialmente a nós, tanto nos fazem falta. Graças a alguns dados, convenientemente simplificados, decidi averiguar a necessidade daquela “catrozada” de zeros que nos leva sempre para o lado imaginário da vida.
O número índice que compara o poder de compra de diferentes unidades estatístico-territoriais do país, conhecido por “Indicador per Capita” de poder de compra (IpC) foi a minha primeira escolha. De acordo com o “Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio – 2005”, do INE, referido às NUTS II (unidades estatísticas de nível II), e tomando para valor base (100) a média Portuguesa, Lisboa possuía na referida data um IpC de 137,3 pontos, ao passo que o Norte possuía um IpC de 85,4. A diferença de 51,9 pontos de IpC parece-me “megalómana” (e nem tem zeros!). Mas porque assim se corre o risco de impedir a imaginação de se exprimir, talvez seja mais útil referir-me a um outro número que dê expressão do rendimento relativo auferido por diferentes indivíduos. Assim, de acordo com “o ganho médio mensal dos trabalhadores por conta de outrem nos estabelecimentos”, enquanto que um “Lisboeta” faz 1173,68 € mensais, um “Nortenho” faz 785,18€, o que dá uma diferença de 388,5 €, valor este que é próximo do salário mínimo nacional.
Penso que aqui o significado de megalómano já se aplica, porque para atenuar esta enorme diferença terá de haver uma ambição desmedida, mas necessária. Digo “desmedida” porque dificilmente se encontra escala para o trabalho que é atenuar as diferenças entre todas as regiões do país, de que é exemplo a diferença de poder de compra da NUT II Norte face a Lisboa. Para mais, dizer “Estes investimentos iriam gerar um rendimento necessário para compensar os seus custos” não é tão fácil como dizer “Estes investimentos são Megalómanos”. É que a primeira afirmação usa mais 8 palavras. Um gasto aparentemente excessivo.
Os constantes investimentos públicos na área metropolitana de Lisboa é que possibilitaram todo o investimento privado que favorece a vida dos seus habitantes. Alguma vez se imagina um CEO (director executivo de empresas) asiático, representante de uma multinacional enriquecida pelo aproveitamento comercial das tecnologia de informação, que viaje até Portugal, fazer de seguida o trajecto até Vila Real ou mesmo Braga, depois de 5 a 8 horas de voo? Não é impossível que tal aconteça. Mas porque não há-de tratar o que tem que tratar em Lisboa, onde tem pessoal especializado e infra-estruturas preparadas na mesma dimensão que outras regiões do país foram negligenciadas na provisão desses mesmos recursos e infra-estruturas?
Nem toda a gente trocaria o carro pelo comboio, barco ou avião. Nem toda a gente abriria uma nova empresa, mas haveria quem o fizesse, e haveria quem arranjasse emprego em razão disso. Quero eu dizer, haveria uma alternativa benéfica para todos. Certamente que estas populações que se situam abaixo da média nacional em termos de rendimentos (já ela miserável comparada com a da União Europeia) tirariam partido de alguns dos “investimentos megalómanos” que tão contestados têm sido. Estes, por sua vez, trazer-lhe-iam a equidade social que lhes é devida.
José Pedro Cadima
jpgcadima@gmail.com
-
(artigo de opinião a sair no número de 30 de Setembro p.f. do Suplemento de Economia do Diário do Minho)

terça-feira, setembro 23, 2008

O porquê da crise

As consequências da crise financeira que afecta a economia mundial são extremamente graves e, neste momento, certamente desconhecidas. Contudo, as comparações com as crises económicas mais importantes do século passado são escassamente pertinentes. É verdade que a crise que se seguiu ao crash de 1929 foi de carácter financeiro, mas a intensidade da crise naquela altura parece irrepetível neste momento. Em 1930 o PIB americano caiu mais de 8,5%, no ano seguinte, à volta de 6,5%, para voltar a cair com mais intensidade em 1932, aproximadamente, 13% num único ano. Na crise energética posterior a 1973, a componente financeira teve muito menos protagonismo, e não houve nem uma restrição creditícia nem uma queda do preço dos activos tão acentuada como as verificadas na crise que no início da década de trinta abalou a economia americana. Na década de 70 o principal problema foi a inflação provocada pelo forte incremento do preço das matérias-primas, fundamentalmente do petróleo, que deu origem a uma forte contracção da procura de consumo e investimento e, consequentemente, das taxas de crescimento do PIB.
Apesar dos problemas no sector financeiro americano e britânico poderem indiciar que a crise actual é uma crise de liquidez, convém não esquecer que os problemas se iniciaram no mercado imobiliário. A explosão da bolha especulativa em torno das acções tecnológicas em 2001 fez com que a Reserva Federal Americana (Fed) reduzisse rapidamente a taxa de juro em mais de 5 pontos percentuais para 1%. A facilidade de acesso ao crédito impulsionou a procura de habitação como activo de investimento, face a outras alternativas como os mercados de acções ou os depósitos remunerados. O crescimento da procura no mercado imobiliário impulsionou o preço destes activos, que nos últimos dez anos se multiplicou praticamente por dois. Esta dinâmica intensificou-se pelo papel desempenhado pelo sistema bancário, que alimentou o crescimento da procura através da concessão massiva de empréstimos hipotecários. A estratégia dos bancos era conseguir compensar as perdas derivadas da redução das margens de intermediação por duas vias: 1) pelo incremento do volume de transacções hipotecárias; e 2) pela universalização do acesso a este tipo de produtos a camadas da população com perfis de risco menos favoráveis. Estes novos clientes, denominados ninjas (no income, no jobs or assets – sem rendimento, sem trabalho, sem património), tornavam-se mais rendíveis para os bancos, dado que estes poderiam cobrar um juro mais elevado que compensasse o maior risco associado a estes empréstimos hipotecários, denominados subprime. Esta estratégia é certamente arriscada quando é seguida por uma entidade isolada, mas torna-se extremamente perigosa quando passa a ser uma prática generalizada no mercado hipotecário. Além disso, assenta em dois pressupostos pouco prováveis no médio prazo: a revalorização continua dos activos imobiliários e a inexistência de ciclos económicos. As necessidades de financiamento das entidades hipotecárias, geradas pelo incremento do número de hipotecas, levaram-nas a desenvolver uma política de captação massiva de fundos junto de investidores institucionais, tanto americanos como estrangeiros. Para facilitar a colocação desses activos hipotecários recorreram à titularização dos mesmos, isto é, criaram pacotes denominados MBS (Obrigações Garantidas por Hipotecas), que incluíam tanto hipotecas prime (concedidas a clientes solventes) como as referidas hipotecas subprime. Estes títulos eram posteriormente comprados por entidades filiais, denominadas conduits, que eram as encarregues de vendê-los a investidores institucionais oferecendo uma remuneração atractiva.
O papel dos conduits nesta engrenagem é fundamental, dado que, ao serem considerados fundos ou trusts, não têm a obrigação de consolidar as suas contas com o banco matriz, pelo que estão isentos do cumprimento das Normas de Basileia, que versam sobre a relação permanente que deve existir entre capital e activos no sector bancário. O papel dos investidores institucionais também é chave na extensão metastática da crise, dado que compraram e venderam cegamente produtos financeiros, cujo valor real se escondia atrás de complexas titularizações em cadeia. Calcula-se que nos últimos anos foram concedidos, nos Estados Unidos, créditos hipotecários, a pessoas escassamente solventes, de uma importância superior a 900.000 milhões de dólares, os quais foram posteriormente titularizados e vendidos a investidores institucionais, nomeadamente a bancos de investimento e a fundos de pensões. A generalização destas práticas pouco ortodoxas no mercado hipotecário e o contágio dos riscos associados, através de titularizações sucessivas de activos sem valor, nos mercados de investimento, estão na base de uma crise financeira de proporções, neste momento, absolutamente desconhecidas.
O abrandamento da economia americana e a quebra do mercado imobiliário deitaram por terra os pressupostos nos quais assentou o crescimento das hipotecas subprime. As dificuldades que as principais agências hipotecárias americanas, Fannie Mae e Freddie Mac, mostraram nos últimos meses não faziam pressagiar nada de bom. A recente intervenção do governo americano nestas agências teve como objectivo impedir a sua falência, evitando um potencial contágio sistémico com consequências de dimensão global. A perda de valor dos activos (MBS) e a impossibilidade de financiar as ampliações de capital necessárias para compensar essas perdas, pela escassez de liquidez nos mercados, provocou graves problemas na banca de investimento americana. Os casos mais notórios foram os de Bern Stearns, que teve de ser resgatado por uma entidade pública, o de Merrill Lynch, que foi comprado por um terceiro (Bank of América), e o de Lehman Brothers, que perante a impossibilidade de ser resgatado ou comprado teve de optar por abrir falência. Dias depois, a seguradora AIG, a maior dos Estados Unidos, que avalizou muitas das emissões de obrigações dos grandes bancos de investimento, recebeu da Fed um crédito ponte de 85.000 milhões de dólares em troca de 80% do seu capital, numa espécie de nacionalização encoberta, para evitar uma falência incontornável. Os graves problemas de liquidez nos mercados, verificados nas últimas semanas, foram parcialmente resolvidos mediante injecções isoladas dos bancos centrais e através de uma acção coordenada dos seis bancos centrais mais importantes do mundo, que decidiram, na passada quinta-feira, injectar 180.000 milhões de dólares no sistema. A queda das cotações dos bancos nas principais praças financeiras mundiais, aliada aos problemas anteriormente descritos, fez com que no final da semana passada houve-se novas compras de entidades em sérias dificuldades (HBOS, o maior banco hipotecário britânico foi comprado por Lloyds TSB) e que se anunciassem algumas tentativas de fusão de carácter defensivo (Morgan Stanley e Wachovia).
A principal consequência financeira, no curto prazo, destes desequilíbrios é que os bancos dos países industrializados ver-se-ão fortemente penalizados nos mercados de investimento, independentemente da sua exposição aos produtos financeiros que originaram a crise, como consequência da conjuntura de medo generalizado que paira sobre os mercados. As restrições no acesso ao crédito nessas economias serão progressivamente maiores e o impacto sobre a economia real será muito significativo, razão pela qual a recuperação da economia Europeia será mais lenta do que inicialmente previsto. Uma das lições que deve ser tirada desta crise é que o desenvolvimento de produtos financeiros sofisticados precisa de sistemas de supervisão e de controlo de risco igualmente complexos. A outra, é que as economias nacionais estão extremamente expostas ao fenómeno globalizador, nomeadamente, à globalização financeira. As vantagens desta são inegáveis, mas os riscos, com níveis de supervisão como os actuais, são extremamente altos. A dimensão reguladora do Estado deve sair reforçada desta crise, para evitar que os fundos públicos continuem a ser utilizados para socializar as perdas de empresas privadas, com gestores escassamente avessos ao risco, excessivamente ambiciosos e provavelmente muito negligentes.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, produzido no contexto de colaboração em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

domingo, setembro 21, 2008

Código do Trabalho, ainda

Artigo SOL
Código do Trabalho aprovado com votos contra de Manuel Alegre e de outros três socialistas:
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=109760

(cortesia de Nuno Soares da Silva)

sexta-feira, setembro 19, 2008

Código do Trabalho

Artigo Diário Económico
O que vai mudar no código laboral a partir de 2009:
http://diarioeconomico.com/edicion/diarioeconomico/edicion_impresa/economia/pt/desarrollo/1166107.html
-
Artigo JN
Código do Trabalho: Empresas vão poder despedir mais: http://jn.sapo.pt/paginainicial/economia/interior.aspx?content_id=1014126

(cortesia de Nuno Soares da Silva)

quinta-feira, setembro 18, 2008

Factos, intensões e marketing político (versão 0)

Revista EXAME – resposta a questão da jornalista Sónia Lourenço (sonial@edimpresa.pt), datada de 08/08/29

P:
Se o Governo tem vindo a anunciar tantos projectos de investimento directo estrangeiro (IDE) em Portugal, porque é que o IDE caiu para menos de metade em 2007 face a 2006?

R: Quando falamos de IDE estamos a referir-nos a uma realidade complexa, que considera desde aplicações na indústria transformadora, em serviços diversos, até investimentos nos sectores imobiliário e do turismo. Algumas destas aplicações são muito sensíveis às perspectivas de evolução dos mercados e às oportunidades surgidas em realidades alternativas. Vem de 2007 a alteração das expectativas de crescimento da economia americana e, em menor grau, da economia europeia e a convicção de que a economia portuguesa manteria por mais algum tempo um fraco desempenho. A esta luz, não tem que surpreender a fraca capacidade de captação de IDE que o país vem revelando.
Outra coisa são os anúncios do governo português, confrontado com a letargia que a economia atravessa e a necessidade que tem de apresentar resultados no horizonte temporal balizado pelas eleições de 2009. Se, por um lado, o seu discurso deve ser parte no processo de alteração das expectativas dos agentes económicos e das famílias, por outro, pintar cor de rosa o cenário é uma tentação, até para escamotear a responsabilidade que tem no medíocre desempenho económico verificado.
Não traz nada de novo em termos de prática política multiplicar os anúncios de sucesso, seja na captação de IDE ou noutra vertente qualquer. Para mais, a instalação de um novo hotel ou de uma unidade industrial da natureza da Infineon ou da Auto-Europa têm impactes e escalas completamente distintas. Quero eu dizer que anúncios sempre se podem fazer sem fugir inteiramente à verdade. Aparte isso, em qualquer decisão de investimento, uma coisa é o momento da negociação das contrapartidas públicas de que o investimento vai beneficiar, outra o momento em que a decisão é tomada e outra,ainda, o do investimento, propriamente dito.
Concluindo: as duas dimensões enunciadas na questão colocada dificilmente têm correlação, isto é, uma delas são factos e outra são intenções e marketing político.

J. Cadima Ribeiro

quarta-feira, setembro 17, 2008

Revista de imprensa

RTP Noticias
Trabalho: Falta de regulamentação deveria atrasar entrada em vigor da revisão do Código do Trabalho, diz especialista em Direito do Trabalho:
http://ww1.rtp.pt/noticias/?article=363383&visual=26&tm=Economia

(cortesia de Nuno Soares da Silva)

segunda-feira, setembro 15, 2008

Revista de imprensa

Artigo Diário Económico
Muito para melhorar:
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/editorial/pt/desarrollo/1163090.html
-
Notícia DN: DN_ONLINE
Função pública vai perder 0,9% no valor dos salários:
http://dn.sapo.pt/2008/09/15/economia/funcao_publica_perder_09_valor_salar.html

(cortesia de Nuno Soares da Silva)

domingo, setembro 14, 2008

sábado, setembro 13, 2008

Factos, intenções e marketing político

Revista EXAME – resposta a questão da jornalista Sónia Lourenço (sonial@edimpresa.pt), datada de 08/08/29
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P: Se o Governo tem vindo a anunciar tantos projectos de investimento directo estrangeiro (IDE) em Portugal, porque é que o IDE caiu para menos de metade em 2007 face a 2006?

R: Quando falamos de IDE estamos a referir-nos a uma realidade complexa, que considera desde aplicações na indústria a outras nos serviços. Vem de 2007 a alteração das expectativas da economia americana e, em menor grau, da europeia, e a convicção de que a economia portuguesa manter-se-ia com um fraco desempenho. A esta luz, não tem que surpreender a fraca captação de IDE revelada. Os anúncios do governo são coisa distinta, confrontado que está com a letargia da economia e a necessidade de apresentar resultados no horizonte das eleições de 2009. Se o seu discurso deve ser parte no processo de alteração das expectativas, por outro lado, pintar cor-de-rosa o cenário é uma tentação, até para iludir a responsabilidade que tem.
Não é algo novo multiplicar anúncios de sucesso, seja na captação de IDE ou noutra vertente qualquer. Anúncios sempre se podem fazer sem fugir muito à verdade, até porque, numa decisão de investimento, uma coisa é o momento da negociação das contrapartidas públicas e outra o do investimento. Concluindo: as duas dimensões questionadas dificilmente têm correlação. Uma são factos e outra são intenções e marketing político.

J. Cadima Ribeiro
(Professor de Economia)
jcadima@eeg.uminho.pt

terça-feira, setembro 09, 2008

INE reviu em baixa o crescimento no segundo trimestre

Artigo Diário Económico
Construir um Orçamento do Estado com a economia parada:
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/1162630.html

(cortesia de Nuno Soares da Silva)

O mito das reformas: ilustração com o caso do Ensino Superior (v. 2)

1. Em Portugal, é comum confundir-se reformas, da economia, das instituições, da administração pública, do que quer que seja, com a produção de leis. Talvez por isso seja tão difícil aos nossos políticos perceberem porque é que as empresas, sob as mesmas leis do trabalho, podem ter desempenhos tão contrastados consoante sejam controladas por entidades externas ou nacionais. Felizmente, são cada vez mais as situações em que os nacionais rivalizam com os demais em capacidade de organização da produção e de encontrar respostas para as oportunidades existentes nos mercados globais.
2. Não foi há muitos anos que visitei um estabelecimento industrial existente no município de Famalicão, filial de empresa de origem alemã, que era na altura e persiste sendo hoje uma das unidades mais eficientes do grupo. Questionado o gestor português da unidade sobre as razões desse desempenho (cadência de trabalho? Níveis de assiduidade?), obtive a resposta de que os trabalhadores não estavam sujeitos a regimes de esforço excepcionais. Adicionalmente, não tinha reclamação a fazer em matéria de assiduidade. Admitia que a empresa pagava algo acima dos acordos de contratação colectiva do sector.
3. No contexto do mesmo estudo, visitei também uma empresa de capitais americanos, localizada na periferia de Guimarães, que, ao lado da unidade existente, estava a construir uma outra para a produção de um novo receptáculo para distribuição de gás, por recurso a uma solução tecnológica inovadora. Era aí que iria ser produzida a botija de gás que viria a chamar-se Pluma e que, na ocasião, não havia ainda sido baptizada nem sonhava aparecer na televisão transportada ao ombro de uma elegante menina polaca. Essa entidade era também um operador do mercado global que primava pela eficiência e que, além disso, era inovadora no sentido “radical” do termo. Para o efeito, não havia hesitado em associar-se a uma empresa nacional e a universidades portuguesas para se distinguir dos seus concorrentes. O gestor que me recebeu era português, vestindo a camisola da entidade societária para quem trabalhava.
4. Um exemplo da visão persistente no país sobre o que é um processo de reforma é o que se vem passando no Ensino Superior, cujo expoente máximo em termos de enunciado de reforma é o RJIES (Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior), aprovado na Assembleia da República em Julho do ano passado e publicado em Diário da República no mês de Setembro do mesmo ano, com o número de série 62/2007. Pretendia a lei introduzir um novo modelo de governação das Instituições de Ensino Superior e conferir ao funcionamento daquelas mais eficácia e autonomia. No ano precedente àquele (2006), a pretexto de “Bolonha”, iniciara-se o processo de redução da duração dos cursos e, o que não é facto menor, a redução do financiamento das Instituições, o que foi consistentemente prosseguido no ano seguinte e será de supor que seja prática para preservar até ao fim da legislatura. Aliás, sob densa cortina de fumo, é disso notícia o que vai aparecendo nos jornais no contexto da preparação do orçamento de Estado do próximo ano. É bom não esquecer que 2009 é ano de eleições e, nesse contexto, fica sempre bem reafirmar votos de compromisso com a educação e a ciência. Daí a necessidade da cortina de fumo.
5. Um ano passado desde o desencadear da grande reforma do consulado Gago, enquanto a maioria das Instituições aguarda, ainda, a homologação dos estatutos elaborados à luz da nova lei, é já possível fazer uma primeira avaliação da dita, porventura para concluir, como posso dizer do que se passou na universidade onde trabalho, que “a maior parte das deliberações da Assembleia Estatutária consagradas em sede de estatutos corresponde à tentativa de preservação do status quo que (nos) conduziu à falta de projecto, de equilíbrio financeiro e de eficácia organizacional que temos”. Leia-se: para chegar aqui, não precisávamos da lei nº 62/2007; para obter este resultado, não precisávamos de ter no MCTES ministro tão inspirado e ousado. Acrescente-se que, nisso, a Instituição onde trabalho não se distingue da generalidade das suas congéneres.
6. Um aspecto que me intriga sobremaneira na forma como a revisão dos estatutos foi feita na grande maioria das Instituições de Ensino Superior foi a circunstância destas terem podido prescindir da definição de uma Visão para o médio-longo prazo, isto é, terem prescindido de qualquer tipo de exercício estratégico, com definição de objectivos a realizar no horizonte temporal definido. Fazendo justiça a quem a merece, assinale-se que não foi este o caso do Instituto Politécnico de Leiria e da Universidade (Clássica) de Lisboa, por exemplo, sendo que a primeira instituição que invoco não terá esperado pela lei para se repensar e definir metas. Ao contrário, houve até quem tivesse adoptado definições de Missão pedindo emprestado a um qualquer dicionário ou enciclopédia aquilo que é habitual dizer-se a esse propósito. Seriedade? Ousadia? Sentido de serviço à Sociedade? Que é isso? O que interessa é a reforma. O ministro tem a reforma que merece!
J. Cadima Ribeiro
*
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, produzido no contexto de colaboração em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

segunda-feira, setembro 08, 2008

"Foi por água abaixo o projecto"

Um grande voo

(título de mensagem, datada de 6 de Setembro de 2008, disponível em Empreender)

sexta-feira, setembro 05, 2008

I Congresso de Economia da Euro-Região Galiza/Norte de Portugal

"Relembramos a realização do I Congresso de Economia da Euro-Região Galiza/Norte de Portugal, em Vigo, nos dias 25 e 26 de Setembro.
Se a consolidação da cooperação transfronteiriça entre a Galiza e o Norte de Portugal é um factor decisivo no desenvolvimento de ambos os territórios, o actual panorama económico torna necessário, reforçar as potencialidades da Euro-região. A aposta das instituições galegas e portuguesas e também da União Europeia é inequívoca.
No próximo 22 de Setembro constitui-se oficialmente a Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial, com o que a Euro-região nasce juridicamente e se converte na terceira euro-região europeia. Isto supõe um ponto de inflexão permitindo a gestão de fundos europeus e de projectos transfronteiriços, nada menos que 130 projectos já estão em marcha.
O I Congresso de Economia da Euro-região supõe também uma forte aposta para fortalecer e reforçar as relações entre as duas comunidades, com o objectivo de oferecer uma visão comum sobre temas tão transcendentes como mercado de trabalho, agrupamento empresariais, transporte, financiamento, inovação fiscalidade ou marco universitário, entre outros. De igual forma, pretende fortalecer também as relações entre profissionais galegos e portugueses e entre as instituições que representam o nosso colectivo a ambos os dois lados da fronteira. Por isso, consideramo-lo de especial interesse para a nossa profissão e apelamos, uma vez mais , a participar neste evento. É uma questão de oportunidade, a não perder.
Poderá aceder a toda a informação no site da Ordem dos Economistas e conhecer o programa assim como condições de inscrição em
[...]
Ordem dos Economistas"
*
(reprodução parcial de mensagem de correio electrónico entretanto recebida, com a proveniência identificada)

quinta-feira, setembro 04, 2008

Frente Comum exige aumento salarial de 5%

Artigo JN
Função Pública: Frente Comum exige aumento salarial de 5% e compensação de 0,9% até final do ano:
*
(cortesia de Nuno Soares da Silva)

Novo regime de contrato na Função Pública

Artigo Diário Económico
Frente Comum lamenta que Cavaco tenha promulgado o novo Regime do Contrato de Trabalho:
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/nacional/economia/pt/desarrollo/1161045.html
-
Artigo JN
Cavaco promulgou novo regime de contrato na Função Pública: http://jn.sapo.pt/paginainicial/nacional/interior.aspx?content_id=1008722

(cortesia de Nuno Soares da Silva)

terça-feira, setembro 02, 2008

Os dados do Eurostat sobre a taxa de desemprego

Artigo JN
Taxa de desemprego diminuiu:
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Comentário (de NSS): os números agora divulgados não incluem, ainda, as rescisões de contratos de milhares de professores dos vários graus de ensino.
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(cortesia de Nuno Soares da Silva)

quinta-feira, agosto 28, 2008

O mito das reformas: ilustração com o caso do Ensino Superior

1. Em Portugal, é comum confundir-se reformas, da economia, das instituições, da administração pública, do que quer que seja, com a produção de leis. Talvez por isso seja tão difícil aos nossos políticos perceberem porque é que as empresas, sob as mesmas leis do trabalho, podem ter desempenhos tão contrastados consoante sejam controladas por entidades externas ou nacionais. Felizmente, são cada vez mais as situações em que os nacionais rivalizam com os demais em capacidade de organização da produção e de encontrar respostas para as oportunidades existentes nos mercados globais.
2. Não foi há muitos anos que visitei um estabelecimento industrial existente no município de Famalicão, filial de empresa de origem alemã, que era na altura e persiste sendo hoje uma das unidades mais eficientes do grupo. Questionado o gestor português da unidade sobre as razões desse desempenho (cadência de trabalho? Níveis de assiduidade?), obtive a resposta de que os trabalhadores não estavam sujeitos a regimes de esforço excepcionais. Adicionalmente, não tinha reclamação a fazer em matéria de assiduidade. Admitia que a empresa pagava algo acima dos acordos de contratação colectiva do sector.
3. No contexto do mesmo estudo, visitei também uma empresa de capitais americanos, localizada na periferia de Guimarães, que, ao lado da unidade existente, estava a construir uma outra para a produção de um novo receptáculo para distribuição de gás, por recurso a uma solução tecnológica inovadora. Era aí que iria ser produzida a botija de gás que viria a chamar-se Pluma e que, na ocasião, não havia ainda sido baptizada nem sonhava aparecer na televisão transportada ao ombro de uma elegante menina polaca. Essa entidade era também um operador do mercado global que primava pela eficiência e que, além disso, era inovadora no sentido “radical” do termo. Para o efeito, não havia hesitado em associar-se a uma empresa nacional e a universidades portuguesas para se distinguir dos seus concorrentes. O gestor que me recebeu era português, vestindo a camisola da entidade societária para quem trabalhava.
4. Um exemplo da visão persistente no país sobre o que é um processo de reforma é o que se vem passando no Ensino Superior, cujo expoente máximo em termos de enunciado de reforma é o RJIES (Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior), aprovado na Assembleia da República em Julho do ano passado e publicado em Diário da República no mês de Setembro do mesmo ano, com o número de série 62/2007. Pretendia a lei introduzir um novo modelo de governação das Instituições de Ensino Superior e conferir ao funcionamento daquelas mais eficácia e autonomia. No ano precedente àquele (2006), a pretexto de “Bolonha”, iniciara-se o processo de redução da duração dos cursos e, o que não é facto menor, a redução do financiamento das Instituições, o que foi consistentemente prosseguido no ano seguinte e será de supor que seja prática para preservar até ao fim da legislatura.
5. Um ano passado desde o desencadear da grande reforma do consulado Gago, enquanto as Instituições aguardam a homologação dos estatutos elaborados à luz da nova lei, é já possível fazer uma primeira avaliação da dita, porventura para concluir, como posso dizer do que se passou na universidade onde trabalho, que “a maior parte das deliberações da Assembleia Estatutária consagradas em sede de estatutos corresponde à tentativa de preservação do status quo que (nos) conduziu à falta de projecto, de equilíbrio financeiro e de eficácia organizacional que temos”. Leia-se: para chegar aqui, não precisávamos da lei nº 62/2007; para obter este resultado, não precisávamos de ter no MCTES ministro tão inspirado e ousado. Acrescente-se que, nisso, a Instituição onde trabalho não se distingue da generalidade das suas congéneres.
6. Um aspecto que me intriga sobremaneira na forma como a revisão dos estatutos foi feita na grande maioria das Instituições de Ensino Superior foi a circunstância destas terem podido prescindir da definição de uma Visão para o médio-longo prazo, isto é, terem prescindido de qualquer tipo de exercício estratégico, com definição de objectivos a realizar no horizonte temporal definido. Fazendo justiça a quem a merece, assinale-se que não foi este o caso do Instituto Politécnico de Leiria, que não terá esperado pela lei para se pensar e definir metas. Ao contrário, houve até quem tivesse adoptado definições de Missão pedindo emprestado a um qualquer dicionário ou enciclopédia aquilo que é habitual dizer-se a esse propósito. Seriedade? Ousadia? Sentido de serviço à Sociedade? Que é isso? O que interessa é a reforma. O ministro tem a reforma que merece!
J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Jornal de Leiria)

quarta-feira, agosto 27, 2008

Produção e exportação de embalagens em vidro

"Em Portugal, e com a produção assente nos mercados externos, o sector é controlado por cinco empresas - Barbosa & Almeida, Sotranco, Saint-Gobain Mondego, Santos Barosa e Vidrala. Como salienta Isabel Valente, secretária-geral da Associação dos Industriais de Vidro de Embalagem, a indústria portuguesa está totalmente direccionada para os mercados externos, seja por vendas directas (mais de 50% do que produz) seja indirectamente (entre 20% a 25%).
Diariamente saem 12 milhões de embalagens dos 16 fornos que o sector tem a operar no país, sendo que o principal mercado é o espanhol que vale 68% das exportações portuguesas de vidro de embalagem. França tem ainda alguma expressão nas exportações (16%) e embora as empresas coloquem os seus produtos noutros mercados como o Reino Unido, Itália ou mesmo Estados Unidos, estes respondem por valores residuais, num universo de 551 mil toneladas de vidro exportadas."

(excerto de artigo do Diário Económico , datado de 27-08-2008 e intitulado "Europa dominada por três grupos")

segunda-feira, agosto 25, 2008

"Ao contrário de 2007, a conjuntura não vai ajudar"

Notícia Diário Económico
Cumprir a meta do défice em 2009 exigirá mais esforço:
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/edicion_impresa/economia/pt/desarrollo/1157721.html

(cortesia de Nuno Soares da Silva)

International Trade Fair RENEXPO 08

«Caros Associados,
No próximo mês de Outubro, entre os dias 9 e 12, realizar-se-á a “RENEXPO® 2008 – International Trade Fair and Conference for Renewable Energies and Energy Efficient Building and Renovation”, em Augsburg.
Habitualmente dedicada às Energias Renováveis, este ano realça o tema da eficiência energética nos edifícios, com a organização da Conferência Greenbuilding, no dia 10 de Outubro, a assumir uma posição de relevo.
Adicionalmente, em Novembro, de 19 a 21, terá lugar em Bucareste, a 1.ª edição da “RENEXPO® South-East Europe 2008 – International Trade Fair and Conference for Renewable Energy and Energy Efficient Construction and Renovation”, dando especial destaque aos novos desafios que se colocam aos países desta região da Europa.

Para informação mais detalhada, sugerimos a consulta dos sites
e
www.renexpo.com.

Com os melhores cumprimentos,

Rita Azevedo
*****************************************************
Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional
Praça D. Dinis - Colégio S. Jerónimo Apartado 3010
3001-401 COIMBRA
telf.: 239 836 068 / fax: 239 820 750
e-mail: apdr@mail.telepac.pt
web: www.apdr.pt»
+
(reprodução integral de mensagem de correio electrónico entretanto recebida, com a proveniência identificada)

sábado, agosto 23, 2008

«Caros associados,
Vimos por este meio divulgar duas Conferências de Economia, em Atenas, abaixo inidcadas.
Com os melhores cumprimentos,

Rita Azevedo
APDR
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Dear Colleague,
I would like to invite you to the following International Conferences organized by the Athens Institute for Education and Research:
· 2nd international city break conference on business and economic research, 17-20 October 2008. Athens, Greece. Conference Website:
http://www.atiner.gr/bec.htm
· 4th INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON ECONOMIC THEORY, POLICY AND APPLICATIONS 3-6 AUGUST 2009, ATHENS, GREECE. Person Responsible: Dr. John Roufagalas, Professor, Troy University, USA & Academic Member, ATINER. Conference Website:
www.atiner.gr/docs/Economics.htm
Please distribute to your colleagues and graduate students.
Best Regards

*****************************************
Dr. Gregory T. Papanikos
Director, ATINER
8 Valaoritou Street, Kolonaki
10671 Athens, Greece
Tel.: + 30 210 3634210
Fax: + 30 210 3634209
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(reprodução integral de mensagem de correio electrónico datada de 08/08/20, com a proveniência identificada)

quarta-feira, agosto 20, 2008

Everyone experiences tough times

"Everyone experiences tough times, it is a measure of your determination and dedication how you deal with them and how you can come through them."

Lakshmi Mittal

(citação extraída de SBANC Newsletter, August 19, Issue 533-2008, http://www.sbaer.uca.edu)

Jornadas da Energia 2008

«Caros associados,
Vimos por este meio divulgar as Jornadas da Energia Cascais 2008, a 16 e 17 de Outubro -
http://www.cascaisenergia.org/Default.aspx?ID=1489
Segue abaixo toda a informação.
Com os melhores cumprimentos,

Rita Azevedo
APDR
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Exmos. Srs e Sras.

A Agência Cascais Energia encontra-se a organizar as Jornadas da Energia 2008, que irão decorrer nos dias 16 e 17 de Outubro no Centro de Congressos do Estoril em Cascais.

Neste evento decorrerá uma Conferência Internacional sobre Sustentabilidade Energética e simultaneamente actividades de educação ambiental para a população escolar do Concelho.

Também no Centro de Congressos do Estoril estará um espaço de exposição de empresas e entidades da área da energia.

Com os Melhores Cumprimentos,

Agência Cascais Energia.»
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(reprodução integral de mensagem de correio electrónico entretanto recebida, com a proveniência identificada)

quinta-feira, agosto 14, 2008

Abrandamento da economia continua

"O abrandamento da economia continua a fazer-se sentir um pouco por todo o mundo em resultado da crise financeira internacional. Na Europa, depois da Dinamarca, ontem foi a vez de a Estónia entrar em recessão técnica. Mas o Reino Unido também está cada vez mais próximo desta realidade para a qual o próprio banco central ontem alertou. Hoje serão conhecidos os valores das economias europeias relativos ao segundo trimestre de 2008 e muito provavelmente a Europa irá registar o primeiro trimestre negativo desde que foi criado o euro. Para Portugal, vários analistas prevêem um crescimento de 0,4 por cento para o período, o que afastaria a economia nacional do cenário da recessão."
Sérgio Aníbal
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(excerto de notícia do Público de 08/08/14, intitulada "Recessão económica alastra e começa a instalar-se em vários países europeus")

terça-feira, agosto 12, 2008

Volume de Negócios nos Serviços - Junho de 2008

INE: Destaques
Variação do Volume de Negócios nos Serviços continua negativa - Junho de 2008

Resumo
Em Junho de 2008, o volume de negócios nos serviços registou uma taxa de variação homóloga nominal de-0,3%, idêntica à observada em Maio. A variação homóloga do volume de negócios no II trimestre de 2008 foi de 1,4% (3,1% no I trimestre).
O emprego, as remunerações e as horas trabalhadas aumentaram, em termos homólogos, 1,0%, 3,3% e 0,6%, respectivamente.
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(reprodução de resumo de Destaque(s) INE, de 08/08/11, disponível em INE)

segunda-feira, agosto 11, 2008

Mudando de assunto: humor negro

A nova alcunha do Governo é 'LATINHA'...
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(título de mensagem, datada de Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008, disponível em MARGINAL ZAMBI)

sexta-feira, agosto 08, 2008

quarta-feira, agosto 06, 2008

Programa de Valorização Económica de Recursos Endógenos

«Sessenta e cinco agrupamentos de territórios do Continente apresentaram ideias novas para a valorização económica do mundo rural, no âmbito da primeira fase das acções preparatórias do Programa de Valorização Económica de Recursos Endógenos (PROVERE).
Os projectos mais bem classificados serão anunciados na sexta-feira pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Regional, mas as propostas já superaram as expectativas do Governo "tanto pelo número como pela qualidade e abrangência territorial dos projectos", realçou ao DN o secretário de Estado Rui Baleiras, assinalando ainda a "maturidade da maior parte das ideias", sobretudo tendo em conta que "o objectivo era obter um pequeno apoio financeiro para a elaboração de um projecto de candidatura ao PROVERE".
Rui Baleiras revelou que a segunda fase das acções preparatórias do PROVERE arrancará no início de 2009. data em que serão conhecidos os projectos majorados no âmbito dos apoios do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).
A navegabilidade e a dinamização de actividades económicas em zonas fluviais e ribeirinhas, actividades empresariais relacionadas com o património histórico e projectos turísticos associados à exploração dos recursos endógenos constituem a maioria dos projectos candidatos. Mas, nesta primeira fase, surgiram ainda projectos para a utilização eficiente da energia em espaço rural e para a produção de produtos alimentares artesanais.
A região norte apresentou 20 propostas, o Centro 19, o Alentejo 18 e o Algarve 8. Lisboa e Vale do Tejo, por imperativos comunitários, já não podia beneficiar deste tipo de apoio, tendo alguns dos seus concelhos sido integrados na região do Alentejo.
À excepção do Algarve, cujo montante máximo de apoio, nesta fase, atinge os 50 mil euros, nas outras regiões o apoio poderá chegar a 60 mil euros.
As acções preparatórias são um incentivo para a elaboração dos projectos que, até Outubro, irão concorrer à certificação PROVERE. Apenas com esta certificação, os projectos seleccionados beneficiarão de privilégios no acesso aos fundos do QREN.
O PROVERE, que estimula projectos de desenvolvimento integrados e envolvendo vários parceiros, públicos e privados, destina-se a territórios com baixo potencial económico, excluindo por isso as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto e as cidades de grande dimensão.»

PAULA SANCHEZ

(reprodução parcial de notícia do Diário de Notícias, intitulada "Ideias para valorizar mundo rural mobilizam 65 novos projectos", publicada em 08/08/06)

segunda-feira, agosto 04, 2008

sábado, agosto 02, 2008

As apostas económicas a fazer por Leiria: a versão zero da resposta

Jornal de Leiria
Resposta às questões colocadas pela jornalista Raquel Silva, em 08/07/18
P – O Jornal de Leiria está a preparar um trabalho para a próxima edição sobre as potencialidades do distrito, região Oeste e Ourém/Fátima em termos de novas áreas de actividade em que se pode/deve apostar, por contraponto ou em paralelo às mais tradicionais, bem como o investimento público necessário para acompanhar a iniciativa privada. Seria muito importante poder contar com a sua visão sobre o assunto. Assim, venho pedir-lhe que me envie a sua opinião sobre esta matéria.

R – No quadro de uma resposta tão breve como a visada, partindo da minha reflexão e vivência como técnico de desenvolvimento, tenho que começar por lhe dizer que a sustentabilidade e a potenciação dos processos de desenvolvimento regional decorre, na maioria dos casos, da forma como aqueles se estruturam a partir dos recursos e das competências dos territórios, recursos naturais, capital humano e financeiro, património cultural e ambiental, capacidade empreendedora, rede de actores sociais, etc. Acrescento, também, que raramente a evolução do tecido produtivo se dá por ruptura de sectores ou actividades. São muito mais comuns as situações de transformação a partir de uma certa matriz sectorial, em direcção a novos produtos e/ou serviços ou posicionamento num segmento diferente da cadeia de valor (por exemplo, distribuição versus fabrico).
A esta luz, dir-lhe-ei que acredito que o futuro económico dos territórios em causa se fará muito a partir das potencialidades que possam (continuar a) revelar os sectores dos moldes, dos plásticos, da cerâmica, dos vidros e dos cristais, do mobiliário e das madeiras e do turismo. Por referência ao tecido produtivo existente, o mais inovador será mesmo o turismo, desde que saiba configurar produtos consistentes e diferenciados e o território em questão saiba organizar-se como destino singular. Essa mesma exigência em matéria de criatividade ao nível dos produtos e serviços e formas dos fazer chegar ao mercado se coloca em relação aos demais sectores de actividade.
Daí decorrem exigências fortes a nível a nível de capacidade de inovação e de qualificação dos recursos humanos e das infra-estruturas e equipamentos de apoio à economia e às pessoas, chamem-se escolas de ensino superior ou centros investigação e desenvolvimento ou redes de equipamentos de saúde e culturais ou outros equipamentos com impacto na qualidade de vida, em geral, com expressão na preservação ambiental e do património construído e imaterial. Aqui, reclamam-se importantes investimentos públicos, na recuperação de paisagens rurais e urbanas degradadas, no ordenamento do território, na promoção da qualidade da formação dos activos e dos cidadãos, na qualificação dos serviços de saúde prestados, no estímulo à investigação e desenvolvimento, no incentivo ao empreendorismo, no incentivo ao desenvolvimento de dinâmicas associativas em termos de potenciação da competitividade externa das empresas e de uma melhor gestão do território.

Braga, 20 de Julho de 2008

J. Cadima Ribeiro

quinta-feira, julho 31, 2008

Turismo Cultural: uma oportunidade económica do nosso tempo (2)

A actividade turística é uma das formas contemporâneas de aproveitamento dos recursos dos territórios, com peso crescente nalguns deles. Nesta acepção, o desenvolvimento do turismo depende das especificidades de cada região, só sendo viável quando existem recursos que garantam uma vocação turística. Os recursos podem resultar dos atributos naturais, humanos, históricos e culturais dos territórios. O seu aproveitamento económico supõe, todavia, que sejam asseguradas condições básicas nos domínios das infra-estruturas económicas e sócio-culturais.
Para que o turismo possa constituir-se no instrumento de desenvolvimento que antes se refere, aparte a pré-condição acabada de referir, será crucial que seja feito um esforço para a criação de produtos e serviços turísticos inovadores e diversificados, que seja assegurada a concertação de actuações dos seus principais agentes e feito um adequado investimento no equilíbrio ambiental e na valorização do património cultural.
Estas ideias têm suporte na circunstância de, nas últimas décadas, uma nova geração de turistas ter vindo a procurar produtos turísticos crescentemente diversificados. O clima criado por uma sociedade em mudança acelerada, ecologicamente mais consciente, que procura uma nova qualidade de vida, orientada para um contacto mais estreito com a natureza e com o património cultural das regiões visitadas, proporcionou as bases para a diversificação das actividades e dos produtos turísticos.
Sublinhe-se, entretanto, que a actividade turística só fará parte do processo de desenvolvimento regional/local quando for capaz de se integrar na organização global do sistema produtivo e não quando seja implementada como uma prática autónoma. Pensada de outro modo, será disruptora de equilíbrios económicos, sociais e culturais e, muito provavelmente, delapidadora do ambiente.
Foi com este pano de fundo que o tema do “Turismo Cultural” emergiu no Congresso Internacional ´Turismo Cultural e Religioso`, que a TUREL, estrutura sedeada em Braga, dedicada à dinamização do turismo religioso, organizou na Póvoa de Varzim, há poucos meses. Ilustrando a sensibilidade que vai existindo nalguns lugares e em certos agentes para as potencialidades económicas decorrentes do aproveitamento do respectivo património cultural, do referido evento retenho aqui um excerto da intervenção da representante do Instituto de Turismo de Espanha (Elena Vadillo Lobo):
“Conscientes de los cambios experimentados en el ámbito turístico a nivel mundial, entre los que se encuentra una creciente demanda de segmentación, la Administración turística española viene realizando un notable esfuerzo de impulso a la creación de nuevos productos turístico-culturales que satisfagan con unos elevados estándares de calidad una demanda cada vez más exigente y especializada. Fruto de esta segmentación, TURESPAÑA ha desarrollado líneas de promoción específicas orientadas al turismo gastronómico, el turismo idiomático, así como aquel focalizado en eventos o citas culturales de relevancia internacional.”
Aparte denunciar a atenção com que as autoridades políticas de alguns países (neste caso, a Espanha) vão acompanhando as tendências de evolução do mercado turístico, o texto que retenho parece-se-me ilustrar bem a diversidade de segmentos e a complexidade desse mercado, a exigir estratégias de promoção e de aproveitamento bem pensadas e melhor aplicadas, informadas por vínculos estreitos com os territórios turísticos e seus actores.
Gostaria de dizer que é também esse o caminho que está a ser prosseguido em Portugal. Ora, para tanto, importaria que se começasse por não confundir divisões administrativas e unidades territoriais para fins estatísticos com destinos turísticos, e importaria que se olhasse para os territórios a partir dos seus recursos e não da respectiva capacidade de se insinuarem junto dos poderes políticos centrais. Sendo como é, receio bem que o imenso património cultural, material e imaterial, que Leiria e a Alta Estremadura encerram, à semelhança de outros territórios nacionais, de que tomo como exemplo o Minho, continuem a ser negligenciados, com tudo o que isso implica em matéria de perda de oportunidades de criação de emprego e de rendimento e, mesmo, de risco de degradação, por as populações não lhe perceberem a valia económica.
J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Jornal de Leiria)