CEER: notícia
(título de mensagem disponível em Economia Portuguesa)
Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento
quinta-feira, fevereiro 26, 2009
terça-feira, fevereiro 24, 2009
Os caminhos difíceis que a Universidade do Minho precisa percorrer
1. Em conferência de imprensa dada na semana que antecedeu o dia da instituição (17 de Fevereiro), o reitor da Universidade do Minho veio dar notícia à sociedade portuguesa e à própria academia das dificuldades financeiras que a universidade atravessa, criticando duramente a tutela ministerial. Nessa comunicação à imprensa antecipou os termos do seu discurso na sessão solene do dia 17 de Fevereiro. Repetiu nesse acto aquilo que vem fazendo desde que foi eleito: queixou-se do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), com razão, e privilegiou a comunicação para fora, à falta de capacidade de comunicar intra-muros e reunir em torno de si a academia. Demonstração cabal desse isolamento, de facto, foi a escassa presença de professores no acto solene do dia da Universidade: estiveram cerca de 100 de entre os quase 900 doutores do seu quadro de professores e investigadores.
2. Noutras circunstâncias, aparte a situação financeira difícil vivida (que levou o reitor a anunciar desde já que não há dinheiro para cobrir os encargos com salários até final do ano), estando em curso o processo eleitoral que há-de levar à escolha do órgão de cúpula da universidade, o Conselho Geral, seria de esperar que a comunidade académica aproveitasse o referido dia para dar sinal de vida e, porventura, protestar publicamente pela desconsideração que a instituição tem vindo a merecer por parte do MCTES. Em boa verdade, não tem sido apenas a Universidade do Minho (UMinho) que tem sido maltratada, em termos de financiamento e de política geral de ensino superior, mas todas as instituições do sistema de ensino superior público. Por razões diversas, a nossa instituição tem sido, no entanto, das mais sacrificadas. Quero eu dizer que a falta de transparência da gestão pública conduzida pelo MCTES é gritante, não sendo esta pecha única da acção do ministro Mariano Gago e do ministério que tutela. A errância e casuísmo com que foram/são geridos dossiês fundamentais da reforma do ensino superior público nacional são outras acusações que podem ser feitas: a título ilustrativo, retenha-se o que se passou (continua a passar) com a reformulação dos cursos no âmbito do chamado processo de Bolonha e retenha-se o que agora se está a passar com os vínculos dos professores e com o respectivo estatuto de carreira.
3. Curiosamente, nem a escolha (despropositada) para apresentar a “oração de sapiência” (um momento destacado deste tipo de cerimónias) do cabeça de lista de uma das 3 listas concorrentes às eleições para o Conselho Geral motivou a comparência dos professores da UMinho na referida cerimónia. Obviamente, a falta de expectativa sobre o que este dirigente de uma das listas de oposição à política do actual reitor pudesse dizer também poderá ser invocada para explicar a falta de adesão da comunidade académica. Entretanto, estou em crer que as razões maiores não foram essas. No que se me refere (eu que integro uma outra lista de oposição, que aliás teve o privilégio de ser expressamente visada pelo reitor na conferência de imprensa que deu), teria gostado de ver a academia unida naquela data, num forte protesto contra as políticas do ministério.
4. E então o financiamento? É um problema real ou não é? Perguntarão os leitores. Talvez não o parecendo, a minha resposta foi já sendo dada. Sintetizando, direi:
i) uma parte da resposta às dificuldades sentidas há-de passar pela capacidade reivindicativa que a UMinho precisa de recuperar perante o ministério, isto é, se tem sido discriminada negativamente, isso só pode ser fruto da fragilidade da sua capacidade reivindicativo, tendo eu deixado clara a origem dessa fragilidade;
ii) uma segunda componente de resposta passará por a instituição retornar ao jogo do seu estatuto jurídico. Não sendo óbvio que a estratégia da UMinho passe por tornar-se uma fundação, já é muito mais evidente que foi um erro não ir a jogo, fazendo mesmo desse assunto tabu. Não é verdade que são as instituições que foram a jogo aquelas que, no presente ano, menos se podem queixar das respectivas dotações orçamentais?
iii) Uma terceira e essencial dimensão de resposta às restrições financeiras há-de passar pela própria capacidade da instituição de angariar receita via contratos de prestação de serviços e via projectos de investigação científica. Tal não se consegue com políticas absolutamente suicidárias de cativação das verbas de contratos conseguidos pelos seus professores e investigadores. Tal não se prossegue com orientações em termos de tramitação e burocratização que tolham a iniciativa e a capacidade de gestão de recursos de quem, na instituição, tem capacidade de captar projectos e serviços. Dar espaço à liberdade de iniciativa e à ousadia dos agentes da instituição é a resposta neste domínio. Nunca o seu contrário. A questão que está colocada é quanto tempo vai demorar a recuperar a confiança que um claro desnorte em termos de gestão financeira da instituição e de inabilidade em matéria de gestão de recursos humanos gerou.
2. Noutras circunstâncias, aparte a situação financeira difícil vivida (que levou o reitor a anunciar desde já que não há dinheiro para cobrir os encargos com salários até final do ano), estando em curso o processo eleitoral que há-de levar à escolha do órgão de cúpula da universidade, o Conselho Geral, seria de esperar que a comunidade académica aproveitasse o referido dia para dar sinal de vida e, porventura, protestar publicamente pela desconsideração que a instituição tem vindo a merecer por parte do MCTES. Em boa verdade, não tem sido apenas a Universidade do Minho (UMinho) que tem sido maltratada, em termos de financiamento e de política geral de ensino superior, mas todas as instituições do sistema de ensino superior público. Por razões diversas, a nossa instituição tem sido, no entanto, das mais sacrificadas. Quero eu dizer que a falta de transparência da gestão pública conduzida pelo MCTES é gritante, não sendo esta pecha única da acção do ministro Mariano Gago e do ministério que tutela. A errância e casuísmo com que foram/são geridos dossiês fundamentais da reforma do ensino superior público nacional são outras acusações que podem ser feitas: a título ilustrativo, retenha-se o que se passou (continua a passar) com a reformulação dos cursos no âmbito do chamado processo de Bolonha e retenha-se o que agora se está a passar com os vínculos dos professores e com o respectivo estatuto de carreira.
3. Curiosamente, nem a escolha (despropositada) para apresentar a “oração de sapiência” (um momento destacado deste tipo de cerimónias) do cabeça de lista de uma das 3 listas concorrentes às eleições para o Conselho Geral motivou a comparência dos professores da UMinho na referida cerimónia. Obviamente, a falta de expectativa sobre o que este dirigente de uma das listas de oposição à política do actual reitor pudesse dizer também poderá ser invocada para explicar a falta de adesão da comunidade académica. Entretanto, estou em crer que as razões maiores não foram essas. No que se me refere (eu que integro uma outra lista de oposição, que aliás teve o privilégio de ser expressamente visada pelo reitor na conferência de imprensa que deu), teria gostado de ver a academia unida naquela data, num forte protesto contra as políticas do ministério.
4. E então o financiamento? É um problema real ou não é? Perguntarão os leitores. Talvez não o parecendo, a minha resposta foi já sendo dada. Sintetizando, direi:
i) uma parte da resposta às dificuldades sentidas há-de passar pela capacidade reivindicativa que a UMinho precisa de recuperar perante o ministério, isto é, se tem sido discriminada negativamente, isso só pode ser fruto da fragilidade da sua capacidade reivindicativo, tendo eu deixado clara a origem dessa fragilidade;
ii) uma segunda componente de resposta passará por a instituição retornar ao jogo do seu estatuto jurídico. Não sendo óbvio que a estratégia da UMinho passe por tornar-se uma fundação, já é muito mais evidente que foi um erro não ir a jogo, fazendo mesmo desse assunto tabu. Não é verdade que são as instituições que foram a jogo aquelas que, no presente ano, menos se podem queixar das respectivas dotações orçamentais?
iii) Uma terceira e essencial dimensão de resposta às restrições financeiras há-de passar pela própria capacidade da instituição de angariar receita via contratos de prestação de serviços e via projectos de investigação científica. Tal não se consegue com políticas absolutamente suicidárias de cativação das verbas de contratos conseguidos pelos seus professores e investigadores. Tal não se prossegue com orientações em termos de tramitação e burocratização que tolham a iniciativa e a capacidade de gestão de recursos de quem, na instituição, tem capacidade de captar projectos e serviços. Dar espaço à liberdade de iniciativa e à ousadia dos agentes da instituição é a resposta neste domínio. Nunca o seu contrário. A questão que está colocada é quanto tempo vai demorar a recuperar a confiança que um claro desnorte em termos de gestão financeira da instituição e de inabilidade em matéria de gestão de recursos humanos gerou.
J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado hoje no Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")
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Ensino Superior,
Relação universidade-empresa
domingo, fevereiro 22, 2009
"Saber amanhar a terra é integralmente compatível com a evolução civilizacional"
Economia informal: como enquadrar sem desvirtuar?
(título de mensagem, datada de 09/02/21, disponível em Economia & Finanças)
(título de mensagem, datada de 09/02/21, disponível em Economia & Finanças)
quinta-feira, fevereiro 19, 2009
O território conta
Leiria: construir um trilho remando contra adversidades diversas
(título de mensagem, datada de Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009, disponível em Planeamento Territorial)
(título de mensagem, datada de Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009, disponível em Planeamento Territorial)
segunda-feira, fevereiro 16, 2009
Um cúmulo de erros
«Qualquer balanço que se faça do caminho percorrido por Portugal desde que aderiu, em 1986, à União Europeia (então, Comunidade Económica Europeia - CEE) tem que sublinhar o enorme progresso económico e social registado. Aparte a componente de dotação do país em infra-estruturas e equipamentos básicos, a expressão mais notória dessa evolução talvez seja dada por indicadores do foro sanitário, como são as taxas de mortalidade infantil e a esperança média de vida à nascença. Infelizmente, os últimos 8 a 10 anos, os que temos mais presentes, foram de impasse e frustração no rumo que vinha sendo trilhado. Esse é o resultado de um cúmulo de erros, onde se juntam incapacidade de perspectivação estratégica, erros de política económica, ausência de liderança e incapacidade de comunicação entre agentes políticos e actores económicos e sociais, e com os cidadãos, de um modo geral.»
J. Cadima Ribeiro
(excerto de artigo de opinião a publicar no dia 19 de Fevereiro pf. no Jornal de Leiria)
sexta-feira, fevereiro 13, 2009
"Em Janeiro, a taxa de variação face ao mês anterior voltou a ser negativa"
Inflação em vias de extinção?
(título de mensagem, datada de 09/02/13, disponível em Economia & Finanças)
(título de mensagem, datada de 09/02/13, disponível em Economia & Finanças)
terça-feira, fevereiro 10, 2009
Atenção aos sinais proteccionistas
Nas últimas semanas tem-se assistido a um despertar do proteccionismo em vários países, com expressões públicas de diversa natureza. Na comunicação social portuguesa o assunto que mereceu especial destaque foram os protestos de trabalhadores ingleses, em resposta ao recrutamento de mão-de-obra italiana e portuguesa na refinaria de Lindsey, no Reino Unido. As pressões dos trabalhadores e o receio da generalização dos protestos levaram a que o governo inglês forçasse um acordo entre manifestantes e empresa, a qual se comprometeu a aceitar uma percentagem de trabalhadores locais. Este episódio de carácter proteccionista não é um caso isolado. Os Estados Unidos, a China, a Índia, o Brasil, a Rússia e diversos países de Europa e Latino-américa implementaram ou têm previsto implementar medidas para favorecer os seus trabalhadores e a sua indústria transformadora ou para restringir o comércio internacional, nomeadamente através de aumentos dos impostos à importação.
O comércio internacional tem sido um dos grandes pilares do crescimento económico mundial dos últimos cinquenta anos. Em finais do século XIX o comércio internacional representava 25% do Produto Interno Bruto mundial. Nos anos trinta caiu para 14% do produto, como consequência da crise económica e de uma série de políticas comerciais proteccionistas, mantendo-se sem grandes alterações durante as décadas de quarenta e cinquenta. Na década de sessenta inicia-se um processo de abertura comercial, ainda que não foi até finais da década seguinte quando verdadeiramente se intensifica a liberalização do comércio internacional. Nos últimos trinta anos os impostos ao comércio entre países diminuíram, em termos médios, de 25 para menos de 10%, o qual promoveu uma expansão continuada dos inter-câmbios. Nos últimos 15 anos as taxas de crescimento médias do comércio internacional aproximaram-se dos 6%, em termos anuais.
Nos últimos meses os líderes políticos mundiais realizaram manifestações de apoio ao comércio internacional como via para garantir uma rápida saída à recessão económica global. Contudo, as medidas implementadas ou anunciadas por alguns países nas últimas semanas contradizem o discurso político de abertura e promoção da liberdade comercial. Nesta conjuntura, o Banco Mundial estima que em 2009, por primeira vez nos últimos vinte e sete anos, o crescimento do comércio internacional será negativo (–2.1%.)
A generalização das medidas proteccionistas guarda certo paralelismo, como noutras dimensões da actual conjuntura, com a crise de 1929. Nos Estados Unidos, na sequência do crash de 29, foi aprovada em Junho de 1930 a Lei Smoot-Hawley, que criou uma série de barreiras ao comércio internacional com terceiros países. Em concreto, incrementaram-se os impostos à importação de mais de 20.000 produtos, atingindo os aumentos, em alguns casos, valores próximos dos 70%. As importações dos Estados Unidos caíram de 4.400 milhões de dólares para 1.500 milhões, entre 1929 e 1932. A resposta dos parceiros comerciais americanos teve um grande impacto nas suas exportações, as quais desceram, no mesmo período, de 5.400 para 2.100 milhões de dólares. Esta quebra do comércio internacional, nesse período, é sempre apontada como uma das razões explicativas do alargamento temporal da Grande Depressão.
A posta em marcha de medidas proteccionistas em algumas das economias de maior dimensão pode dar origem a fortes desequilíbrios em determinados mercados e a impactos macroeconómicos de carácter global. De um lado, a cláusula Buy American promovida pela nova Administração americana restringe a utilização de aço importado na construção de infra-estruturas financiadas no âmbito do plano de estímulo económico. As importações apenas poderão proceder dos países incluídos no Acordo sobre Contratação de Obras Públicas da OMC. Assim sendo, grandes produtores mundiais como a China, a Rússia e a Índia ficarão de fora, o que pode levar a que certos mercados, como o europeu, sejam inundados com aço barato procedente desses países, prejudicando os produtores locais. De outro lado, dado que a economia Chinesa tem uma forte dependência das exportações, a intensificação das medidas proteccionistas pode obrigar o seu governo a desvalorizar a moeda, para incrementar a competitividade das suas produções. Os desequilíbrios globais derivados de uma medida de política dessa natureza são neste momento de difícil predição, ainda que certamente o seu impacto não seria neutral.
Estima-se que para que o PIB das economias avançadas cresça a uma taxa média de 3% é necessário que o comércio internacional cresça a taxas não inferiores a 8%. As medidas proteccionistas não são a solução para a recessão. Do ponto de vista individual, podem ajudar a estimular a procura interna no curto prazo, mas terão efeitos perversos sobre a procura externa no médio e longo prazo. A saída da crise implica a implementação de soluções globais e não de medidas avulsas decididas individualmente. A história económica mostra-nos que o proteccionismo não é o caminho. Às vezes deitar uma olhada ao passado permite-nos tirar conclusões mais robustas que as dos sofisticados modelos de previsão, sobretudo em conjunturas como esta, onde o determinismo e a dependência temporal do passado recente perdem grande parte da importância que têm em conjunturas económicas convencionais.
O comércio internacional tem sido um dos grandes pilares do crescimento económico mundial dos últimos cinquenta anos. Em finais do século XIX o comércio internacional representava 25% do Produto Interno Bruto mundial. Nos anos trinta caiu para 14% do produto, como consequência da crise económica e de uma série de políticas comerciais proteccionistas, mantendo-se sem grandes alterações durante as décadas de quarenta e cinquenta. Na década de sessenta inicia-se um processo de abertura comercial, ainda que não foi até finais da década seguinte quando verdadeiramente se intensifica a liberalização do comércio internacional. Nos últimos trinta anos os impostos ao comércio entre países diminuíram, em termos médios, de 25 para menos de 10%, o qual promoveu uma expansão continuada dos inter-câmbios. Nos últimos 15 anos as taxas de crescimento médias do comércio internacional aproximaram-se dos 6%, em termos anuais.
Nos últimos meses os líderes políticos mundiais realizaram manifestações de apoio ao comércio internacional como via para garantir uma rápida saída à recessão económica global. Contudo, as medidas implementadas ou anunciadas por alguns países nas últimas semanas contradizem o discurso político de abertura e promoção da liberdade comercial. Nesta conjuntura, o Banco Mundial estima que em 2009, por primeira vez nos últimos vinte e sete anos, o crescimento do comércio internacional será negativo (–2.1%.)
A generalização das medidas proteccionistas guarda certo paralelismo, como noutras dimensões da actual conjuntura, com a crise de 1929. Nos Estados Unidos, na sequência do crash de 29, foi aprovada em Junho de 1930 a Lei Smoot-Hawley, que criou uma série de barreiras ao comércio internacional com terceiros países. Em concreto, incrementaram-se os impostos à importação de mais de 20.000 produtos, atingindo os aumentos, em alguns casos, valores próximos dos 70%. As importações dos Estados Unidos caíram de 4.400 milhões de dólares para 1.500 milhões, entre 1929 e 1932. A resposta dos parceiros comerciais americanos teve um grande impacto nas suas exportações, as quais desceram, no mesmo período, de 5.400 para 2.100 milhões de dólares. Esta quebra do comércio internacional, nesse período, é sempre apontada como uma das razões explicativas do alargamento temporal da Grande Depressão.
A posta em marcha de medidas proteccionistas em algumas das economias de maior dimensão pode dar origem a fortes desequilíbrios em determinados mercados e a impactos macroeconómicos de carácter global. De um lado, a cláusula Buy American promovida pela nova Administração americana restringe a utilização de aço importado na construção de infra-estruturas financiadas no âmbito do plano de estímulo económico. As importações apenas poderão proceder dos países incluídos no Acordo sobre Contratação de Obras Públicas da OMC. Assim sendo, grandes produtores mundiais como a China, a Rússia e a Índia ficarão de fora, o que pode levar a que certos mercados, como o europeu, sejam inundados com aço barato procedente desses países, prejudicando os produtores locais. De outro lado, dado que a economia Chinesa tem uma forte dependência das exportações, a intensificação das medidas proteccionistas pode obrigar o seu governo a desvalorizar a moeda, para incrementar a competitividade das suas produções. Os desequilíbrios globais derivados de uma medida de política dessa natureza são neste momento de difícil predição, ainda que certamente o seu impacto não seria neutral.
Estima-se que para que o PIB das economias avançadas cresça a uma taxa média de 3% é necessário que o comércio internacional cresça a taxas não inferiores a 8%. As medidas proteccionistas não são a solução para a recessão. Do ponto de vista individual, podem ajudar a estimular a procura interna no curto prazo, mas terão efeitos perversos sobre a procura externa no médio e longo prazo. A saída da crise implica a implementação de soluções globais e não de medidas avulsas decididas individualmente. A história económica mostra-nos que o proteccionismo não é o caminho. Às vezes deitar uma olhada ao passado permite-nos tirar conclusões mais robustas que as dos sofisticados modelos de previsão, sobretudo em conjunturas como esta, onde o determinismo e a dependência temporal do passado recente perdem grande parte da importância que têm em conjunturas económicas convencionais.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")
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Comércio Externo,
Conjuntura Económica
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
"10 Years of the Euro: Adjustment in Capital and Labour Markets"
«Dear Colleague
NIPE is organising a two-day conference, on the 7th and 8th of May 2009, on the topic “10 Years of the Euro: Adjustment in Capital and Labour Markets”. We would like to call your attention to this event. Please find below the Call for Papers.
We would be very grateful if you could distribute this announcement among colleagues of yours that might also be interested in this conference.
Yours sincerely,
NIPE is organising a two-day conference, on the 7th and 8th of May 2009, on the topic “10 Years of the Euro: Adjustment in Capital and Labour Markets”. We would like to call your attention to this event. Please find below the Call for Papers.
We would be very grateful if you could distribute this announcement among colleagues of yours that might also be interested in this conference.
Yours sincerely,
Dina Guimarães
-
CALL for PAPERS: REMINDER
10 Years of the Euro: Adjustment in Capital and Labour Markets
7-8 of May 2009
School of Economics and Management
University of Minho, Braga, Portugal
The Economic Policies Research Unit of the University of Minho (NIPE) –
Portugal - is organising a two-day conference, on the 7th and 8th of May 2009, on the topic “10 Years of the Euro: Adjustment in Capital and Labour Markets”.
Developments in capital markets, namely, current account imbalances and financial integration, and labour markets rigidities have been among the most noticed difficulties some countries have been facing after adopting the Euro.
To discuss these issues, and the lessons that emerge from the analysis of the first 10 years of Economic and Monetary Union, we encourage you to participate in the conference by submitting a paper.
Plenary sessions will benefit from the participation of
Frank Smets (European Central Bank)
John Driffill (Birkbeck College, University of London)
Jorge Braga de Macedo (Universidade Nova, Lisboa)
Paper submissions should be sent to nipe@eeg.uminho.pt, until February 28th 2009.
Submitters will be notified about the status of their submissions by March 15th, 2009.
To get an update on information regarding the conference please go to
http://www3.eeg.uminho.pt/economia/nipe/euro10years/
[...]»
CALL for PAPERS: REMINDER
10 Years of the Euro: Adjustment in Capital and Labour Markets
7-8 of May 2009
School of Economics and Management
University of Minho, Braga, Portugal
The Economic Policies Research Unit of the University of Minho (NIPE) –
Portugal - is organising a two-day conference, on the 7th and 8th of May 2009, on the topic “10 Years of the Euro: Adjustment in Capital and Labour Markets”.
Developments in capital markets, namely, current account imbalances and financial integration, and labour markets rigidities have been among the most noticed difficulties some countries have been facing after adopting the Euro.
To discuss these issues, and the lessons that emerge from the analysis of the first 10 years of Economic and Monetary Union, we encourage you to participate in the conference by submitting a paper.
Plenary sessions will benefit from the participation of
Frank Smets (European Central Bank)
John Driffill (Birkbeck College, University of London)
Jorge Braga de Macedo (Universidade Nova, Lisboa)
Paper submissions should be sent to nipe@eeg.uminho.pt, until February 28th 2009.
Submitters will be notified about the status of their submissions by March 15th, 2009.
To get an update on information regarding the conference please go to
http://www3.eeg.uminho.pt/economia/nipe/euro10years/
[...]»
*
(reprodução parcial de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, com a proveniência identificada)
domingo, fevereiro 08, 2009
"Ficar sentadinhos na política monetária não é opção"
A Euribor e a taxa de referência do BCE
(título de mensagem, datada de 09/02/03, disponível em Economia & Finanças)
(título de mensagem, datada de 09/02/03, disponível em Economia & Finanças)
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Conjuntura Económica,
Política Monetária
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
Eurostat newsrelease - 4 Fev. 2009
Summary: In December 2008, compared with November 2008, the volume of retail trade remained stable in both the euro area (EA15) and the EU27. In November retail trade fell by 0.1% in both zones.
Summary: In December 2008 compared with November 2008, the industrial producer price index fell by 1.3% in the euro area (EA15) and by 1.4% in the EU27. In November, prices decreased by 2.0% in both zones.
*
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Comportamento dos Agentes,
Conjuntura Económica
terça-feira, fevereiro 03, 2009
Guia para a competição
Para o mais comum dos cidadãos é difícil entender como a economia internacional funciona e como são analisadas as diversas acções tomadas pelas empresas e estados. Para alguns, trata-se de negócios bilaterais, onde há ganhos recíprocos que permitem o nosso bem-estar enquanto cidadãos e/ou agentes económicos. Para outros, trata-se de um conjunto de instituições que fornece serviços tendo como objectivo final obter certos benefícios ou lucros e que resulta em desenvolvimento da economia internacional. Há ainda alguns que consideram toda a economia internacional como um mero erro.
Há, porém, uma forma totalmente diferente de olhar um sistema em cuja participação é crucial para o desenvolvimento e, ao mesmo tempo, um facilitador do erro económico. A dinâmica económica internacional pode ser vista como a maior de todas as olimpíadas, isto é, uma enorme competição.
Para sustentar a ideia de competição basta procurar alguns indicadores económicos e perceber que todos os anos há uma enorme corrida onde todos os países são pontuados com melhores ou piores classificações. Qualquer competidor quer, obviamente, o ouro, mas dificilmente se verá Portugal, como candidato, receber o diploma de participação, quanto mais uma verdadeira medalha.
A razão é simples: somos, de momento, um atleta gordo, endividado e com um vício bem pior que os estupefacientes ou o álcool. O fraco crescimento do PIB nos últimos anos tem vindo a desencorajar o país e a anunciar a necessidade de reestruturar as instituições físicas e os procedimentos burocráticos. No entanto, independentemente do “escarcéu” politico causado por tanta mudança anunciada ou desencadeada, ela revelou-se insuficiente, dando expressão de uma clara deficiência de visão estratégica e/ou incapacidade de concretização de objectivos definidos por parte do decisor público, vulgo, Estado, e resultando num inútil gasto de tempo e de recursos, sobretudo se os resultados conseguidos forem lidos à luz do retorno obtido.
O país age de forma diferente ano após ano, sem traçar um plano de longo prazo e criando instabilidade nos agentes, nessa errância de atitude e de discurso político. Se tomarmos atenção ao objectivo de manter o défice das contas públicas num nível inferior a 3% do PIB, veremos que há efectiva falta de seriedade na prossecução do mesmo, qualquer que seja o momento que consideremos e qualquer que seja a força política que esteja (tenha estado) no poder. Na verdade, depois desta série de anos a enunciar essa preocupação de política, depois de todo o sacrifício reclamado da parte dos cidadãos, não seria de esperar estarmos mais perto de atingir o objectivo? Pois, não estamos!
Recentemente, tivemos a prova de que o incumprimento político por parte do nosso Estado será mais doloroso: a nossa classificação ou “rating” na S&P (Standard and Poor’s) foi baixada, denunciando essa evolução da cotação do país o aumento do risco que o investidor corre ao fazer aplicações em títulos representativos da nossa divida externa e nas nossas empresas. Isto irá levar a um aumento do custo do crédito por parte de todos os agentes deste país. As empresas terão de pagar mais pelos seus créditos que contraiam para realizar os seus investimentos, as famílias terão de pagar mais pelo seu endividamento e também os impostos terão de subir para aguentar com o juro mais elevado que o Estado terá de pagar ao estrangeiro.
Ao longo dos anos, o objectivo de alcançar o equilíbrio nas contas públicas tornou-se algo quase impossível, enquanto ainda estão em falta alguns dos maiores e melhores investimentos de longo prazo que este país poderia fazer. É de esperar uma contínua desaceleração do crescimento do PIB e mesmo uma estagnação a médio prazo, enquanto no curto prazo o PIB irá contrair-se e a dívida externa irá agravar-se.
É necessário que os investimentos a realizar conduzam o país a um crescimento mais estável e sustentado de agora em diante, assim como permitam o equilíbrio visado do Orçamento de Estado. Isto não será conseguido apenas pelo corte de despesas, pois o corte de algumas despesas de curto prazo só conduziria a mais despesa no longo prazo. É necessário, sim, entender o efeito custo-beneficio a longo prazo e tomar as decisões sem esperar facilidades por parte dos restantes atletas.
Há, porém, uma forma totalmente diferente de olhar um sistema em cuja participação é crucial para o desenvolvimento e, ao mesmo tempo, um facilitador do erro económico. A dinâmica económica internacional pode ser vista como a maior de todas as olimpíadas, isto é, uma enorme competição.
Para sustentar a ideia de competição basta procurar alguns indicadores económicos e perceber que todos os anos há uma enorme corrida onde todos os países são pontuados com melhores ou piores classificações. Qualquer competidor quer, obviamente, o ouro, mas dificilmente se verá Portugal, como candidato, receber o diploma de participação, quanto mais uma verdadeira medalha.
A razão é simples: somos, de momento, um atleta gordo, endividado e com um vício bem pior que os estupefacientes ou o álcool. O fraco crescimento do PIB nos últimos anos tem vindo a desencorajar o país e a anunciar a necessidade de reestruturar as instituições físicas e os procedimentos burocráticos. No entanto, independentemente do “escarcéu” politico causado por tanta mudança anunciada ou desencadeada, ela revelou-se insuficiente, dando expressão de uma clara deficiência de visão estratégica e/ou incapacidade de concretização de objectivos definidos por parte do decisor público, vulgo, Estado, e resultando num inútil gasto de tempo e de recursos, sobretudo se os resultados conseguidos forem lidos à luz do retorno obtido.
O país age de forma diferente ano após ano, sem traçar um plano de longo prazo e criando instabilidade nos agentes, nessa errância de atitude e de discurso político. Se tomarmos atenção ao objectivo de manter o défice das contas públicas num nível inferior a 3% do PIB, veremos que há efectiva falta de seriedade na prossecução do mesmo, qualquer que seja o momento que consideremos e qualquer que seja a força política que esteja (tenha estado) no poder. Na verdade, depois desta série de anos a enunciar essa preocupação de política, depois de todo o sacrifício reclamado da parte dos cidadãos, não seria de esperar estarmos mais perto de atingir o objectivo? Pois, não estamos!
Recentemente, tivemos a prova de que o incumprimento político por parte do nosso Estado será mais doloroso: a nossa classificação ou “rating” na S&P (Standard and Poor’s) foi baixada, denunciando essa evolução da cotação do país o aumento do risco que o investidor corre ao fazer aplicações em títulos representativos da nossa divida externa e nas nossas empresas. Isto irá levar a um aumento do custo do crédito por parte de todos os agentes deste país. As empresas terão de pagar mais pelos seus créditos que contraiam para realizar os seus investimentos, as famílias terão de pagar mais pelo seu endividamento e também os impostos terão de subir para aguentar com o juro mais elevado que o Estado terá de pagar ao estrangeiro.
Ao longo dos anos, o objectivo de alcançar o equilíbrio nas contas públicas tornou-se algo quase impossível, enquanto ainda estão em falta alguns dos maiores e melhores investimentos de longo prazo que este país poderia fazer. É de esperar uma contínua desaceleração do crescimento do PIB e mesmo uma estagnação a médio prazo, enquanto no curto prazo o PIB irá contrair-se e a dívida externa irá agravar-se.
É necessário que os investimentos a realizar conduzam o país a um crescimento mais estável e sustentado de agora em diante, assim como permitam o equilíbrio visado do Orçamento de Estado. Isto não será conseguido apenas pelo corte de despesas, pois o corte de algumas despesas de curto prazo só conduziria a mais despesa no longo prazo. É necessário, sim, entender o efeito custo-beneficio a longo prazo e tomar as decisões sem esperar facilidades por parte dos restantes atletas.
José Pedro Cadima
(reprodução integral de artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho)
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Conjuntura Económica,
Fórum de Economia
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
Fórum de economia: estratégia, liderança e credibilidade dos actores políticos
Caro [...],
Em anexo encontras o teu texto depois de uma revisão. O texto não continha erros técnicos. Dentro da tua estratégia de comunicação, é um texto muito comunicativo.
As questões que o texto não sublinha o suficiente, mas que talvez não tenha mesmo espaço para sublinhar são as seguintes:
i) aparte a errância e orientação para o curto-prazo das políticas conduzidas, há uma problema de fundo de estratégia ou de modelo de longo prazo que os governos não têm sabido equacionar; é daí que pode vir a resposta para as questões de curto prazo e para as limitações de competitividade que o país vive (tu falas neste último aspecto mas sem enunciar claramente o primeiro);
ii) na construção de uma estratégia de longo prazo é preciso reunir vontades, assegurar uma liderança credível, e saber comunicar com os agentes políticos e com os agentes económicos e a população em geral; nisso, os nossos políticos têm sido um desastre: acham-se os melhores, não são capazes de estabelecer pontes entre si e são completamente avessos ao estabelecimento de verdadeiras parcerias para o desenvolvimento com a "sociedade civil", mesmo que as enunciem no seu discurso quotidiano; por conveniência, já são receptivos ao diálogo com certos "lobbies", que "confundem" com a dita sociedade civil;
iii) a questão da liderança remete também para a questão da credibilidade dos actores políticos que, tendo a génese que têm e a cultura cívica que lhes foi incutida, não têm reunido os requisitos básicos para se constituírem nos lideres que o país precisa; o José Sócrates, por exemplo, padece gravemente destas limitações; acrescento que prefiro claramente lideranças colectivas que lideranças individuais, que facilmente escorregam para a arrogância e o autismo.
Muitos dos meus textos recentes, versem a temática económica ou a gestão do ensino superior, falam disto.
Um abraço,
J. Cadima Ribeiro
domingo, fevereiro 01, 2009
A responsabilidade dos economistas
"[...] toda a opinião, mesmo a mais intransigentemente neoliberal, é composta de mudança. De resto, o debate sobre a responsabilidade dos economistas e sobre o estado do ensino da disciplina não pode parar."
João Rodrigues
(excerto de mensagem, datada de Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009, e intulada A responsabilidade das crenças económicas, disponível em Ladrões de Bicicletas)
quinta-feira, janeiro 29, 2009
Previsões económicas
Ainda vai sobrar dinheiro para 2009? – Parte 1
(título de artigo disponível em Newsletter Portugal Têxtil, de 2009/01/28)
(título de artigo disponível em Newsletter Portugal Têxtil, de 2009/01/28)
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Conjuntura Económica
terça-feira, janeiro 27, 2009
A Economia já não é o que era! (2)
1. A minha unidade de investigação (NIPE) mantém a prática de organizar regularmente seminários onde gente da casa ou convidados das mais diversas universidades, portuguesas ou não, têm a oportunidade de fazer breves apresentações dos resultados da investigação que têm em curso e recolher dos comentários aí recebidos uma primeira avaliação da maturidade da reflexão mantida e dos textos que prepararam. Num dos seminário mais recentes esteve um jovem da própria unidade, que é também colaborador do Banco Central Europeu, e que, enquadrando o tema que escolheu, se referiu a um seminário semelhante, ocorrido numa universidade estrangeira de renome, no ano de 2006. O aspecto mais saliente do referido evento foi que o animador da sessão, referindo-se à situação económica e financeira vivida pelos Estados Unidos antecipou a respectiva “falência” a prazo mais ou menos curto. Não é esse, no entanto, o aspecto a que quero referir-me mas, antes, à intervenção crítica feita de seguida por um outro eminente académico presente na sessão, que proclamou a fragilidade da análise de situação que era feita por não se sustentar em qualquer modelo de natureza quantitativa. Na sessão, para apoiar os seus argumentos, o analista não fizera uso de qualquer instrumento econométrico ou afim.
2. O caso que se invoca fez-me lembrar uma conversa que mantive há bastantes anos com o orientador científico da minha tese de doutoramento sobre o que é o método científico, tendo ambos concordado que este não se confundia com a formalização matemática dos modelos económicos, se bem que esta seja amiúde bastante útil, até pela economia de linguagem que permite. Curiosamente, nas provas públicas a que me sujeitei não me libertei de ser criticado por um dos arguentes por usar uma linguagem escrita que fazia apelo a alguma beleza formal (literária), inconveniente por, supostamente, ser pouco própria para ser usada numa tese de Economia. Deduzi que o(a) interpelante considerava que bom economista é aquele que lida com rudeza com as palavras, tratando-as como se de pedregulhos se tratasse. Alternativamente, deveria abdicar de usar palavras e expressar-se alinhando fórmulas matemáticas umas atrás das outras, como vi feito por um colega de Lisboa numa sessão de apresentação de projectos de investigação candidatos a financiamento do organismo público específico existente. Na altura (e talvez ainda hoje), essa era via garantida para assegurar o financiamento do respectivo projecto. Curiosamente, falando-se tanto nos tempos que correm de pertinência da investigação realizada nas Universidades e Institutos Politécnicas, essa dimensão parece continuar ausente ou quase de entre os critérios usados pela FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia) para decidir dos projectos que entende financiar.
3. A segunda lembrança que o dito caso me trouxe é muito mais recente e leva-me a um texto de opinião que li e vi publicado neste Suplemento na semana precedente, da autoria do meu filho José Pedro Cadima, de 19 anos, e que ele intitulou “Uma Caricatura”. Nesse texto, reporta-se precisamente à crise financeira e económica que atravessamos. Abre-o com a afirmação de que a presente crise lhe faz lembrar o 11 de Setembro. A analogia decorre-lhe de nos meses seguintes aos acontecimentos terroristas terem sido publicitadas várias situações que documentavam várias falhas de informação nas mais diversas agências de segurança Norte-Americanas, quer dizer, todas elas tinham tido algum tipo de pista quanto à existência de planos terroristas mas consideradas isoladamente essas pistas não levavam a lado nenhum e, portanto, não permitiram prevenir os trágicos acontecimentos da data invocada. Similarmente, caricaturando o contexto económico que levou à presente crise, ele propõe o seguinte diálogo entre dois economistas, num encontro no café:
“- Olá Economista! Como te têm estado a correr as coisas?
- Têm estado muito bem, pá! Fizemos mais uns fundos hipotecários de alto risco e os investidores já se atiraram todos a eles!
- Hei! Isso é cá uma sorte! Lá na sucursal, estamos numa enorme encruzilhada. Então, não é que os tipos do crédito de alto risco nos pararam de pagar os empréstimos para a casa?”
- Com os diabos, isso está mesmo mau para os teus lados!
Por fim, abrindo a boca surpreendidos com aquela evidente ligação, um dos dois dizia:
- Espera lá!”
O articulista remata este diálogo ficcionado da seguinte forma: “a verdade é que este tipo de conversa entre dois economistas seria impossível pois, como toda a gente tem conhecimento, dois economistas quando se encontram só falam de futebol”. A ironia e a caricatura são, muitas vezes, a melhor forma de lidar com a realidade.
4. Sem sombra de dúvida que a Economia já não é o que era! Que o digam os analistas encartados e os “Compromisso(s) Portugal” da nossa praça, que ainda não há muitos meses proclamavam as virtudes dos mercados desregulados e reclamavam menos Estado. Que o digam José Sócrates e Fernando Teixeira dos Santos, que ainda há bem poucos meses não viam à sua frente senão o défice do orçamento de Estado, aparte as várias eleições marcadas para o ano de 2009.
2. O caso que se invoca fez-me lembrar uma conversa que mantive há bastantes anos com o orientador científico da minha tese de doutoramento sobre o que é o método científico, tendo ambos concordado que este não se confundia com a formalização matemática dos modelos económicos, se bem que esta seja amiúde bastante útil, até pela economia de linguagem que permite. Curiosamente, nas provas públicas a que me sujeitei não me libertei de ser criticado por um dos arguentes por usar uma linguagem escrita que fazia apelo a alguma beleza formal (literária), inconveniente por, supostamente, ser pouco própria para ser usada numa tese de Economia. Deduzi que o(a) interpelante considerava que bom economista é aquele que lida com rudeza com as palavras, tratando-as como se de pedregulhos se tratasse. Alternativamente, deveria abdicar de usar palavras e expressar-se alinhando fórmulas matemáticas umas atrás das outras, como vi feito por um colega de Lisboa numa sessão de apresentação de projectos de investigação candidatos a financiamento do organismo público específico existente. Na altura (e talvez ainda hoje), essa era via garantida para assegurar o financiamento do respectivo projecto. Curiosamente, falando-se tanto nos tempos que correm de pertinência da investigação realizada nas Universidades e Institutos Politécnicas, essa dimensão parece continuar ausente ou quase de entre os critérios usados pela FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia) para decidir dos projectos que entende financiar.
3. A segunda lembrança que o dito caso me trouxe é muito mais recente e leva-me a um texto de opinião que li e vi publicado neste Suplemento na semana precedente, da autoria do meu filho José Pedro Cadima, de 19 anos, e que ele intitulou “Uma Caricatura”. Nesse texto, reporta-se precisamente à crise financeira e económica que atravessamos. Abre-o com a afirmação de que a presente crise lhe faz lembrar o 11 de Setembro. A analogia decorre-lhe de nos meses seguintes aos acontecimentos terroristas terem sido publicitadas várias situações que documentavam várias falhas de informação nas mais diversas agências de segurança Norte-Americanas, quer dizer, todas elas tinham tido algum tipo de pista quanto à existência de planos terroristas mas consideradas isoladamente essas pistas não levavam a lado nenhum e, portanto, não permitiram prevenir os trágicos acontecimentos da data invocada. Similarmente, caricaturando o contexto económico que levou à presente crise, ele propõe o seguinte diálogo entre dois economistas, num encontro no café:
“- Olá Economista! Como te têm estado a correr as coisas?
- Têm estado muito bem, pá! Fizemos mais uns fundos hipotecários de alto risco e os investidores já se atiraram todos a eles!
- Hei! Isso é cá uma sorte! Lá na sucursal, estamos numa enorme encruzilhada. Então, não é que os tipos do crédito de alto risco nos pararam de pagar os empréstimos para a casa?”
- Com os diabos, isso está mesmo mau para os teus lados!
Por fim, abrindo a boca surpreendidos com aquela evidente ligação, um dos dois dizia:
- Espera lá!”
O articulista remata este diálogo ficcionado da seguinte forma: “a verdade é que este tipo de conversa entre dois economistas seria impossível pois, como toda a gente tem conhecimento, dois economistas quando se encontram só falam de futebol”. A ironia e a caricatura são, muitas vezes, a melhor forma de lidar com a realidade.
4. Sem sombra de dúvida que a Economia já não é o que era! Que o digam os analistas encartados e os “Compromisso(s) Portugal” da nossa praça, que ainda não há muitos meses proclamavam as virtudes dos mercados desregulados e reclamavam menos Estado. Que o digam José Sócrates e Fernando Teixeira dos Santos, que ainda há bem poucos meses não viam à sua frente senão o défice do orçamento de Estado, aparte as várias eleições marcadas para o ano de 2009.
J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")
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Nota: uma primeira versão deste texto foi publicada em 09/01/15 no Jornal de Leiria.
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domingo, janeiro 25, 2009
“A arte de tapar o sol com uma peneira”
“Morreu recentemente um professor universitário e economista português por quem nutria simpatia. Não uma simpatia forjada no convívio pessoal ou na afinidade ideológica mas, antes, pelo culto da irreverência e da incomodidade que ele sempre soube manter.
Morreu vítima de atropelamento, não estando confirmado que tenha sido a mando do Prof. Cavaco Silva, seu colega de Faculdade, e alvo preferencial das crónicas de crítica económica que fez publicar durante os últimos anos.
Soube já depois da sua morte que fora militante do PPD, senão mesmo sócio fundador. A confirmar-se essa circunstância mais relevada sai a sua memória num tempo em que na Universidade sobressai o culto do cinzentismo e da mediocridade.
Da derradeira conferência do Prof. Alfredo Sousa a que assisti recordo uma frase que dá bem conta da forma como estava na vida e na política.
Estava-se então em 1993. Haviam-se esgotado os fundos postos ao dispor de Portugal pela Comunidade Europeia no âmbito do Quadro Comunitário de Apoio 1989/93, e o Governo não cessava de publicitar o lançamento de novos programas de apoio a que chamava «pacotes». A dado passo da sua intervenção, o Prof. Alfredo Sousa reportar-se-ia a estas políticas nos termos seguintes: «os pacotes, que como sabem são conjuntos vazios…». A plateia rompeu em riso aberto.
Antes e depois, por múltiplas ocasiões, teve o citado economista oportunidade de reclamar doutras políticas do Prof. Cavaco que, similarmente, não passavam de tentativas de tapar o sol com a peneira, como é uso dizer-se. Terá sido pouco ouvido ou, melhor, pouco lido, o que também não espanta: os jornais têm cada vez menos leitores e o Prof. Cavaco faz questão que se saiba que, pela sua parte, não despende mais de 10 minutos (ou serão cinco?) do seu tempo diário com a leitura da imprensa.
Talvez seja por isso que o Primeiro-Ministro está em via de completar o seu décimo ano à frente do Governo do país. E talvez seja por ter compreendido isso que tem nomeado para o Ministério da Educação quem tem nomeado.
A dúvida maior que me assiste, entretanto, reside em saber se é o mesmo propósito que o move no projectado regresso à Universidade.
Os desígnios de «Deus» são verdadeiramente insondáveis.”
J.C.
Morreu vítima de atropelamento, não estando confirmado que tenha sido a mando do Prof. Cavaco Silva, seu colega de Faculdade, e alvo preferencial das crónicas de crítica económica que fez publicar durante os últimos anos.
Soube já depois da sua morte que fora militante do PPD, senão mesmo sócio fundador. A confirmar-se essa circunstância mais relevada sai a sua memória num tempo em que na Universidade sobressai o culto do cinzentismo e da mediocridade.
Da derradeira conferência do Prof. Alfredo Sousa a que assisti recordo uma frase que dá bem conta da forma como estava na vida e na política.
Estava-se então em 1993. Haviam-se esgotado os fundos postos ao dispor de Portugal pela Comunidade Europeia no âmbito do Quadro Comunitário de Apoio 1989/93, e o Governo não cessava de publicitar o lançamento de novos programas de apoio a que chamava «pacotes». A dado passo da sua intervenção, o Prof. Alfredo Sousa reportar-se-ia a estas políticas nos termos seguintes: «os pacotes, que como sabem são conjuntos vazios…». A plateia rompeu em riso aberto.
Antes e depois, por múltiplas ocasiões, teve o citado economista oportunidade de reclamar doutras políticas do Prof. Cavaco que, similarmente, não passavam de tentativas de tapar o sol com a peneira, como é uso dizer-se. Terá sido pouco ouvido ou, melhor, pouco lido, o que também não espanta: os jornais têm cada vez menos leitores e o Prof. Cavaco faz questão que se saiba que, pela sua parte, não despende mais de 10 minutos (ou serão cinco?) do seu tempo diário com a leitura da imprensa.
Talvez seja por isso que o Primeiro-Ministro está em via de completar o seu décimo ano à frente do Governo do país. E talvez seja por ter compreendido isso que tem nomeado para o Ministério da Educação quem tem nomeado.
A dúvida maior que me assiste, entretanto, reside em saber se é o mesmo propósito que o move no projectado regresso à Universidade.
Os desígnios de «Deus» são verdadeiramente insondáveis.”
J.C.
(reprodução integral de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 94/12/03, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)
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sábado, janeiro 24, 2009
"25 páginas de propaganda e contentamento"
Voltar outra vez
(título de mensagem, datada de Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009, disponível em Ladrões de Bicicletas)
(título de mensagem, datada de Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009, disponível em Ladrões de Bicicletas)
terça-feira, janeiro 20, 2009
sábado, janeiro 17, 2009
3rd Meeting of the Portuguese Economic Journal
«Dear all,
Please find attached the call for papers of the 3rd Meeting of the Portuguese Economic Journal. This 3rd Meeting is hosted by the Department of Management and Economics of the University of Madeira and will be held in Funchal in June 26-28, 2009.
We look forward to meeting you in Madeira.
Kind regards,
Please find attached the call for papers of the 3rd Meeting of the Portuguese Economic Journal. This 3rd Meeting is hosted by the Department of Management and Economics of the University of Madeira and will be held in Funchal in June 26-28, 2009.
We look forward to meeting you in Madeira.
Kind regards,
Corrado Andini
---------------------------
Corrado Andini
Assistant Professor
University of Madeira
9000-390 Funchal
Portugal
Email: andini@uma.pt
Webpage: www.uma.pt/andini»
*
(reprodução integral (com excepção de anexo) de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, com a proveniência que se identifica)
sexta-feira, janeiro 16, 2009
A Economia já não é o que era!
1. A minha unidade de investigação (NIPE) mantém a prática de organizar regularmente seminários onde gente da casa ou convidados das mais diversas universidades, portuguesas ou não, têm a oportunidade de fazer breves apresentações dos resultados da investigação que têm em curso e recolher dos comentários aí recebidos uma primeira avaliação da maturidade da reflexão mantida e dos textos que prepararam. No seminário mais recente esteve um jovem da própria unidade, que é também colaborador do Banco Central Europeu, e que, enquadrando o tema que escolheu, se referiu a um seminário semelhante, ocorrido numa universidade estrangeira de renome, no ano de 2006. O aspecto mais saliente do referido evento foi que o animador da sessão, referindo-se à situação económica e financeira vivida pelos Estados Unidos antecipou a respectiva “falência” a prazo mais ou menos curto. Não é esse, no entanto, o aspecto a que quero referir-me mas, antes, à intervenção crítica feita de seguida por um outro eminente académico presente na sessão, que proclamou a fragilidade da análise de situação que era feita por não se sustentar em qualquer modelo de natureza quantitativa. Na sessão, para apoiar os seus argumentos, o analista não fizera uso de qualquer instrumento econométrico ou afim.
2. O caso que se invoca fez-me lembrar uma conversa que mantive há bastantes anos com o orientador científico da minha tese de doutoramento sobre o que é o método científico, tendo ambos concordado que este não se confundia com a formalização matemática dos modelos económicos, se bem que esta seja amiúde bastante útil, até pela economia de linguagem que permite. Curiosamente, nas provas públicas a que me sujeitei não me libertei de ser criticado por um dos arguentes por usar uma linguagem escrita que fazia apelo a alguma beleza formal (literária), inconveniente por, supostamente, ser pouco própria para ser usada numa tese de Economia. Deduzi que o(a) interpelante considerava que bom economista é aquele que lida com rudeza com as palavras, tratando-as como se de pedregulhos se tratasse. Alternativamente, deveria abdicar de usar palavras e expressar-se alinhando fórmulas matemáticas umas atrás das outras, como vi feito por um colega de Lisboa numa sessão de apresentação de projectos de investigação candidatos a financiamento do organismo público específico existente. Na altura (e talvez ainda hoje), essa era via garantida para assegurar o financiamento do respectivo projecto.
3. A segunda lembrança que o dito caso me trouxe é muito mais recente e leva-me a um texto de opinião que li e revi, escrito por um dos meus filhos, José Pedro Cadima, de 19 anos, e que ele intitulou “Uma Caricatura”. Nesse texto, reporta-se precisamente à crise financeira e económica que atravessamos. Abre-o com a afirmação de que a presente crise lhe faz lembrar o 11 de Setembro. A analogia decorre-lhe de nos meses seguintes aos acontecimentos terroristas terem sido publicitadas várias situações que documentavam várias falhas de informação nas mais diversas agências de segurança Norte-Americanas, quer dizer, todas elas tinham tido algum tipo de pista quanto à existência de planos terroristas mas consideradas isoladamente essas pistas não levavam a lado nenhum e, portanto, não permitiram prevenir os trágicos acontecimentos da data invocada. Similarmente, caricaturando o contexto económico que levou à presente crise, ele propõe o seguinte diálogo entre dois economistas, num encontro no café:
“- Olá Economista! Como te têm estado a correr as coisas?
- Têm estado muito bem, pá! Fizemos mais uns fundos hipotecários de alto risco e os investidores já se atiraram todos a eles!
- Hei! Isso é cá uma sorte! Lá na sucursal, estamos numa enorme encruzilhada. Então, não é que os tipos do crédito de alto risco nos pararam de pagar os empréstimos para a casa?”
- Com os diabos, isso está mesmo mau para os teus lados!
Por fim, abrindo a boca surpreendidos com aquela evidente ligação, um dos dois dizia:
- Espera lá!”
O articulista remata este diálogo ficcionado da seguinte forma: “a verdade é que este tipo de conversa entre dois economistas seria impossível pois, como toda a gente tem conhecimento, dois economistas quando se encontram só falam de futebol.”
4. Sem sombra de dúvida que a Economia já não é o que era! Que o digam os analistas encartados e os “Compromissos Portugal” da nossa praça, que ainda não há muitos meses proclamavam as virtudes dos mercados desregulados e reclamavam menos Estado. Que o digam José Sócrates e Fernando Teixeira dos Santos, que ainda há bem poucos meses não viam à sua frente senão o défice do orçamento de Estado, aparte as várias eleições marcadas para o ano de 2009.
2. O caso que se invoca fez-me lembrar uma conversa que mantive há bastantes anos com o orientador científico da minha tese de doutoramento sobre o que é o método científico, tendo ambos concordado que este não se confundia com a formalização matemática dos modelos económicos, se bem que esta seja amiúde bastante útil, até pela economia de linguagem que permite. Curiosamente, nas provas públicas a que me sujeitei não me libertei de ser criticado por um dos arguentes por usar uma linguagem escrita que fazia apelo a alguma beleza formal (literária), inconveniente por, supostamente, ser pouco própria para ser usada numa tese de Economia. Deduzi que o(a) interpelante considerava que bom economista é aquele que lida com rudeza com as palavras, tratando-as como se de pedregulhos se tratasse. Alternativamente, deveria abdicar de usar palavras e expressar-se alinhando fórmulas matemáticas umas atrás das outras, como vi feito por um colega de Lisboa numa sessão de apresentação de projectos de investigação candidatos a financiamento do organismo público específico existente. Na altura (e talvez ainda hoje), essa era via garantida para assegurar o financiamento do respectivo projecto.
3. A segunda lembrança que o dito caso me trouxe é muito mais recente e leva-me a um texto de opinião que li e revi, escrito por um dos meus filhos, José Pedro Cadima, de 19 anos, e que ele intitulou “Uma Caricatura”. Nesse texto, reporta-se precisamente à crise financeira e económica que atravessamos. Abre-o com a afirmação de que a presente crise lhe faz lembrar o 11 de Setembro. A analogia decorre-lhe de nos meses seguintes aos acontecimentos terroristas terem sido publicitadas várias situações que documentavam várias falhas de informação nas mais diversas agências de segurança Norte-Americanas, quer dizer, todas elas tinham tido algum tipo de pista quanto à existência de planos terroristas mas consideradas isoladamente essas pistas não levavam a lado nenhum e, portanto, não permitiram prevenir os trágicos acontecimentos da data invocada. Similarmente, caricaturando o contexto económico que levou à presente crise, ele propõe o seguinte diálogo entre dois economistas, num encontro no café:
“- Olá Economista! Como te têm estado a correr as coisas?
- Têm estado muito bem, pá! Fizemos mais uns fundos hipotecários de alto risco e os investidores já se atiraram todos a eles!
- Hei! Isso é cá uma sorte! Lá na sucursal, estamos numa enorme encruzilhada. Então, não é que os tipos do crédito de alto risco nos pararam de pagar os empréstimos para a casa?”
- Com os diabos, isso está mesmo mau para os teus lados!
Por fim, abrindo a boca surpreendidos com aquela evidente ligação, um dos dois dizia:
- Espera lá!”
O articulista remata este diálogo ficcionado da seguinte forma: “a verdade é que este tipo de conversa entre dois economistas seria impossível pois, como toda a gente tem conhecimento, dois economistas quando se encontram só falam de futebol.”
4. Sem sombra de dúvida que a Economia já não é o que era! Que o digam os analistas encartados e os “Compromissos Portugal” da nossa praça, que ainda não há muitos meses proclamavam as virtudes dos mercados desregulados e reclamavam menos Estado. Que o digam José Sócrates e Fernando Teixeira dos Santos, que ainda há bem poucos meses não viam à sua frente senão o défice do orçamento de Estado, aparte as várias eleições marcadas para o ano de 2009.
J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado na edição de ontem do Jornal de Leiria)
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