Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

quarta-feira, abril 22, 2009

The extra mile

"Do more than is required. What is the distance between someone who achieves their goals consistently and those who spend their lives and careers merely following? The extra mile."

Gary Ryan Blair

(citação extraída de SBANC Newsletter, April 21 , 2009, Issue 564- 2009, http://www.sbaer.uca.edu/)

terça-feira, abril 21, 2009

A localização da empresa industrial: da história da teoria às questões da actualidade

O quadro conceptual que informa a teoria da localização da empresa começou a ser construído nos finais do século XVIII, suportado em estudos empíricos da organização espacial da sociedade e da distribuição das actividades. Johann H. VON THÜNEN foi o responsável pelo modelo que está na origem do corpo de teorias que respeitam à localização urbana das actividades económicas. Alfred WEBER, por sua vez, é considerado como o responsável pela elaboração da primeira teoria geral da localização industrial.
Após contributos marcantes de diversos autores, entre os quais August LÖSCH, que produziu uma síntese integradora dos contributos anteriores e alargou o problema da localização industrial a todo o sistema económico, a explicação do fenómeno da localização evoluiu por dois caminhos distintos. O primeiro continuou a procura do custo mínimo, na tradição de Alfred WEBER. O segundo investiga a interdependência locativa das empresas, na sequência de August LÖSCH.
O problema locativo desenvolvido da forma como foi progressivamente emergindo no contexto do debate teórico mantido tendeu a tornar complexo em demasia aquilo que para a empresa industrial é mais simples, e deixou de adiantar quaisquer “novos” factores de localização. A verdade é que os fluxos inter-regionais de factores de produção e mercadorias ou a localização, em simultâneo, de todas as actividades económicas no espaço transcendem os interesses imediatos do empresário. Para além disso, é duvidoso que as preocupações deste se centrem na procura da localização “ideal” ou óptima através da minimização dos custos ou da maximização dos lucros.
Aparte isso, os autores das teorias de localização só tardiamente se preocuparam com dimensões fundamentais da vida económica actual como são a localização da empresa estrangeira, as diferenças de comportamento locativo entre a empresa doméstica e a estrangeira ou a implantação de empresas de alta tecnologia, que normalmente se concretiza em áreas circunscritas geograficamente.
Se uma grande parte dos modelos de localização interpretam as escolhas de localização das empresas à luz dos dois grandes determinantes que são os custos de transporte, por uma lado, e as economias de aglomeração, por outro, obviamente que o respectivo valor interpretativo é ainda mais questionado quando, como na actualidade, por força de inovações várias, tecnológicas, organizacionais, os ditos custos assumem uma pequena incidência no valor final das mercadorias na indústria e o quadro territorial de operação da empresa deixou de ser o regional ou, mesmo, o nacional.
Para explicar os desenvolvimentos recentes em matéria de localização e organização das actividades têm vindo a emergir contributos centrados no conceito de operação em rede, sejam redes de empresas sejam redes de cidades. Estes contributos vêm fornecendo “interpretações mais convincentes e mais coerentes” da localização empresarial observada nalguns lugares e dos padrões territoriais emergentes. Esta operação em rede permite às empresas e aos centros parceiros desenvolverem especializações complementares que, por força da respectiva complementaridade de produtos/processos, lhes garante as economias de escala e de aglomeração próprias das empresas e de centros maiores e lhes permite servir mercados comuns de forma competitiva.
Mais fácil que fazer funcionar em rede organizações autónomas e territórios imbuídos de tradições e valores sociais diferenciados (importa não subestimar as diferenças culturais e as resistências às mudanças que podem emergir nesses contextos), é planear e coordenar operações no seio das próprias empresas multinacionais ou multi-estabelecimentos, o que as novas tecnologias de comunicação e informação vieram tornar relativamente banal. Na mesma dimensão em que essas tecnologias desvalorizam o peso dos factores de localização “externos”, fazem emergir uma lógica de inserção no espaço interna à organização, que lhes facilita a deslocalização de algumas das suas funções e a segmentação espacial das actividades. No novo quadro de ordenamento geo-económico, as unidades de produção territorialmente organizadas podem até ser substituídas, quando não se imponham exigências fortes de relações de proximidade física, pela formação de cadeias de valor globalizadas que geram concorrência entre “clusters” locais, cidades e regiões organizadas, para gerar espaços funcionais de aglomerados multinacionais.
Sendo assim, embora, eventuais exigências de relação face-a-face com fornecedores de serviços e com centros de investigação e desenvolvimento, e de acesso a bacias de emprego altamente qualificado ou a infra-estruturas e redes logísticas muito sofisticadas ditarão que haja também vencedores e perdedores nesse processo de reconfiguração produtiva dos territórios. Nesse contexto, o voluntarismo e capacidade que as autoridades públicas mantenham de posicionarem o respectivo território na disputa pela sedeação dos estabelecimentos, industriais ou de serviços avançados, pode ser essencial, sendo certo que nem tudo se resolve ou, melhor, muito pouco se resolve pela via das guerras de incentivos, fiscais ou financeiros.

J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

sexta-feira, abril 10, 2009

"Formas diferentes de se expandir e desenvolver"

Diversificar as estratégias

(título de artigo, datado de 9/04/2009, disponível na Newsletter Portugal Têxtil de hoje)

quarta-feira, abril 08, 2009

Sobre os resultados da Cimeira do G-20

As expectativas sobre a cimeira do G-20, celebrada na passada quinta-feira em Londres, eram à partida extremamente modestas, tendo em consideração o clima de tensão provocado pela dialéctica pouco diplomática de alguns dos líderes responsáveis pela geração de consensos. No evento evidenciaram-se duas posições contrapostas em matéria de política económica para a resolução da crise global, derivadas da diversidade de leituras e interpretações sobre o assunto. De um lado, os Estados Unidos defenderam a necessidade de promover um forte estímulo fiscal destinado a reactivar a economia e a recuperar o consumo e o investimento, através da recuperação da confiança. Do outro, outra corrente, liderada pelos países europeus da zona euro, sublinhou que as medidas de política fiscal deveriam ser complementadas com instrumentos de intervenção noutros âmbitos. Os estados europeus consideram que continuar injectando recursos públicos na economia supõe incrementar ainda mais um endividamento crescente, colocando em risco a recuperação no médio prazo, sobretudo à medida que as taxas de juro comecem a remontar. Os países europeus presentes na cimeira, liderados por França e Alemanha, puseram mais ênfase em questões regulatórias e de coordenação da política financeira à escala global.
Desta tensão entre perspectivas resultaram, de um lado, um novo pacote de 1,100 biliões de dólares (810 biliões de euros), com uma finalidade distinta à dos lançados pelos governos nacionais, e doutro, um conjunto de medidas de incremento da transparência e de melhoria da regulação dos mercados financeiros. Os recursos comprometidos no pacote financeiro referido destinam-se, fundamentalmente, a reforçar (sobretudo) o financiamento dos países em desenvolvimento e do comércio internacional.
Do total acordado, 500.000 milhões de dólares serão utilizados para reforçar os recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI). Outros 250.000 servirão para incrementar os Direitos Especiais de Saque (DES), os quais podem ser utilizados como um activo de intercâmbio para obter liquidez no mercado internacional. Ademais, os bancos multi-laterais de ajuda ao desenvolvimento receberão uma verba extra de 100.000 milhões de dólares. As medidas anteriores evidenciam que, neste momento, uma grande preocupação a nível internacional é canalizar capital desde os países desenvolvidos para os países em desenvolvimento. A experiência das décadas passadas demonstra que o défice de capital, em momentos de crise, causa graves desequilíbrios no mundo em desenvolvimento, afundando as suas economias e, condicionando, portanto, o crescimento mundial. Esta impossibilidade para canalizar capital fez com que, na década de oitenta, as economias latino-americanas tivessem grandes dificuldades em fazer face ao serviço da sua dívida externa, e na década de noventa, economias em desenvolvimento de América Latina, Ásia, África e do Leste de Europa experimentassem crises de taxa de câmbio, que afundaram o valor das suas moedas, provocando, deste modo, graves crises económicas.
A falta de capital está relacionada em muitos casos com a quebra do comércio internacional. Um dos factores mais importantes para explicar a quebra dos fluxos de comércio entre países é o rápido encarecimento do seu financiamento. Por esse motivo, o G-20 decidiu destinar ainda 250,000 milhões de dólares a financiar o comércio exterior. Contudo, convém referir a este respeito, que estes fundos terão um impacto muito limitado se as medidas proteccionistas continuam a generalizar-se. Desde o passado mês de Novembro, quando os líderes do G-20 reuniram em Washington e assinaram uma declaração na qual, entre outras questões, defendiam o livre comércio, foram postas em prática 47 medidas para proteger diferentes sectores em vários países. Entre eles, 17 dos 20 países que assinaram a declaração de Washington.
Em termos de regulação e incremento da transparência a medida mais destacada é a transformação do Foro de Estabilidade Financeira (FEF) num Conselho de Estabilidade, que funcionará como um órgão de coordenação financeira à escala mundial, com objectivos de supervisão e controlo dos riscos do sistema. Outros acordos de importância mais reduzida nesta matéria são o compromisso para regular os hedge funds e a publicação por parte da OCDE da listagem dos paraísos fiscais ou daqueles territórios que não contribuem na luta contra a fraude fiscal.
O aspecto no que a cimeira tem resultado mais inconclusiva é no saneamento dos balanços das instituições bancárias. Os países do G-20 estão dispostos a pôr em prática mecanismos para retirar os activos tóxicos dos balanços dos bancos, no entanto, o plano desenhado pela Administração Obama tem algumas fragilidades que não convencem os seus sócios internacionais. As medidas não podem continuar a centrar-se exclusivamente na re-capitalização do sistema financeiro. A experiência japonesa da década de noventa demonstra que injectar recursos no sistema sem sanear os balanços das instituições adia a solução dos problemas, evita o restabelecimento da confiança e, em última instância, lastra o crescimento económico.
Os resultados da cimeira podem considerar-se satisfatórios, sobretudo pela vontade política de atacar as causas da crise que nos afecta e pelo retorno à filosofia multilateral para ultrapassar problemas de carácter global. Os acordos adoptados vão todos na boa direcção. Os americanos perceberam que os fundos públicos não são ilimitados e que os impactos dos estímulos fiscais são limitados se não forem bem direccionados. Os europeus entenderam que a regulação tem que ser suficientemente apertada para poder intervir em situações de risco sistémico, e suficientemente laxa para não desincentivar a inovação financeira. Agora o esforço deve centrar-se em desmontar as barreiras proteccionistas erguidas nos últimos meses e em perfilar um plano de saneamento dos balanços das instituições bancárias, baseado em incentivos, que devolva a confiança ao sector e re-estabeleça as condições creditícias em todos os mercados.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
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(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

terça-feira, abril 07, 2009

"Dicionário Internacional da Outra Economia"

«APRESENTAÇÂO DA OBRA DICIONÁRIO INTERNACIONAL DA OUTRA ECONOMIA
O CETRAD – Centro de Estudos Trandisciplinares para o Desenvolvimento e a Almedina têm o prazer de convidar V.ª Ex.ª para a apresentação da obra “Dicionário Internacional da Outra Economia” organizada por A.D. Cattani, J.-L. Laville, L. I. Gaiger e P. Hespanha.
A apresentação realizar-se-á na terça-feira, dia 14 de Abril, pelas 14h30, na UTAD - Universidade de Trás-os-Montes, em Vila Real.
A obra será apresentada pelo Dr. Pedro Ferrão (UTAD).

http://www.almedina.net/»
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(reprodução de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, reenviada por Manuel Carlos Ferreira Silva)

segunda-feira, abril 06, 2009

sexta-feira, abril 03, 2009

" A Crise e a Recuperação"

«Caro Colega,

Os Representantes da Ordem dos Economistas, Ordem dos Advogados, Ordem dos Engenheiros e Ordem dos Médicos, em Viana do Castelo, com o apoio do IPVC/ESTG, vão organizar uma conferência subordinada ao tema "A Crise e a Recuperação" que será proferida pelo Prof. Doutor João Ferreira do Amaral, Economista e Professor da Escola Superior de Economia da Universidade Técnica de Lisboa, durante a qual será evidenciado um caso de sucesso pelo Sr. Nuno Ribeiro, Administrador da Suavecel.

A conferência será realizada no Auditório Principal da Escola Superior de Tecnologia e Gestão, na Av. Atlântico em Viana do Castelo, no dia 3 de Abril (Sexta-feira.), às 21h30.

Como se trata de uma iniciativa de muito interesse na actual conjuntura económica, convidamos o/a Colega a estar presente na Conferência e a promover a sua divulgação para que seja elevada a participação na mesma.

Cordiais saudações.

Sintra Coelho»
Representante da Ordem dos Economistas em Viana do Castelo
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(reprodução parcial de mensagem entretanto recebida, com a origem identificada)

terça-feira, março 31, 2009

"Crise Mundial: Perspectivas Brasileiras"

«Prezado(a) Sr(a)
Venha debater as perspectivas da economia brasileira e as suas consequências para as empresas, diante do quadro de agravamento da recessão nos países ricos e da forte contração da produção industrial no Brasil registrada em dezembro e em janeiro passados.
Cabe indagar se no final de 2009 a economia brasileira se encontrará em situação melhor do que a atual. Diante da queda de 17,2% na produção industrial em janeiro, em relação ao mesmo mês do ano passado e de 3,6% do PIB no quarto trimestre de 2008, alguns economistas estão agora prevendo estagnação ou até crescimento negativo para o ano de 2009 no Brasil. A tendência das previsões, de tornarem-se cada vez mais pessimistas, será revertida nos próximos meses? Que efeito terá o corte do Banco Central de 1,5 pontos percentuais na taxa básica de juros?
Entre outros problemas internacionais, alguns grandes bancos americanos e europeus encontram-se descapitalizados. Solucionar urgentemente esse problema é crucial para reativar o crédito e deter a rápida propagação da crise internacional. Apesar dos fortes impactos, a economia brasileira mantem uma situação diferenciada e até agora relativamente positiva, diante dos Estados Unidos e da Europa.
Renomados economistas debaterão com você neste Seminário InterNews os rumos da economia mundial e brasileira para 2009 e 2010, assim como as perspectivas dos segmentos econômicos que estão mais ou menos expostos aos efeitos da crise. Avalie os desafios e as oportunidades que se apresentam para a sua empresa.
Qual o cenário mais provável para a duração e a profundidade da recessão nos países ricos?
A chance de um PIB negativo no Brasil para 2009 é grande? O que esperar de 2010?
Qual deverá ser o impacto das medidas anti-cíclicas já anunciadas pelo governo?
Há espaço para outras reduções significativas da taxa básica de juros? Que efeitos elas trariam?
Pode-se esperar ainda em 2009 um ambiente mais favorável para as empresas no país?
Conferencistas
Delfim Netto
Ex-deputado federal, foi ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento
Alexandre Schwartsman
Economista Chefe do Banco Santander. Ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central. Foi economista-chefe para América Latina do ABN AMRO Bank e do Unibanco. PhD em Economia pela Universidade de Berkeley – Califórnia
Ernani Teixeira Torres
Superintendente da Área de Pesquisa e Acompanhamento Econômico do BNDES. Mestre e Doutor em Economia pela UFRJ. Professor Adjunto da UFRJ
Luiz Roberto Cunha
Professor da PUC-RJ, especialista em inflação, mestre em Economia pela Universidade de Vanderbilt (EUA)»
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(reprodução parcial de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, proveniente de informativo@newsmail.bz)

segunda-feira, março 30, 2009

O condimento essencial

"O condimento essencial para lidar com esta crise é o bom-senso"

Joaquim João Martins da Silva

(afirmação produzida publicamente em 09/03/26 no âmbito das XIII Semana de Direito da AEDUM, sessão intitulada "A crise actual: repercussões económicas e sociais", realizadas no Campus de Gualtar da Universidade do Minho na semana em curso)

sexta-feira, março 27, 2009

A nossa maior tradição ...

"A nossa maior tradição é a do mau governo"
Carlos Amorim
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(afirmação/comentário produzida/o publicamente em 09/03/26 no âmbito das XIII Semana de Direito da AEDUM, sessão intitulada "A crise actual: repercussões económicas e sociais", realizadas no Campus de Gualtar da Universidade do Minho na semana em curso)

quarta-feira, março 25, 2009

Conferência "A Crise e a Recuperação"

«Cara Colega,
Caro Colega,
Os representantes da Ordem dos Economistas, Ordem dos Advogados, Ordem dos Engenheiros e Ordem dos Médicos, em Viana do Castelo, com o apoio do IPVC/ESTG, vão organizar uma conferência subordinada ao tema "A Crise e a Recuperação" que será proferida pelo Prof. Doutor João Ferreira do Amaral, Economista e Professor da Escola Superior de Economia da Universidade Técnica de Lisboa, durante a qual será evidenciado um caso de sucesso pelo Sr. Nuno Ribeiro, Administrador da Suavecel.
A conferência será realizada no Auditório Principal da Escola Superior de Tecnologia e Gestão, na Av. Atlântico em Viana do Castelo, no dia 3 de Abril (Sexta-feira.), às 21h30.
Como se trata de uma iniciativa de muito interesse na actual conjuntura económica, convidamos o/a Colega a estar presente na Conferência e a promover a sua divulgação para que seja elevada a participação na mesma.
Cordiais saudações.
Sintra Coelho
(Representação da DRN da Ordem dos Economistas em Viana do Castelo)»
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[reprodução de mensagem de correio electrónico entretanto recebida, com a proveniência que se identifica]

terça-feira, março 24, 2009

Leiria vista à distância

1. Desde há quase três décadas que as notícias de Leiria me chegam, sobretudo, pelos jornais locais cuja assinatura mantenho. Infelizmente, nem sempre posso demorar com a sua leitura o tempo que gostaria. Esse tempo seria, também, um tempo de evasão ao meu quotidiano, que tantas vezes necessito para recobrar forças. Sendo um cidadão do mundo, com partido e tudo lá para os lados do médio oriente, há alguns sítios aonde gosto de retornar periodicamente. Leiria é um desses sítios.
2. Fruto de uma dessas incursões, por atenção da entidade editora, passei a receber regularmente desde há perto de dois anos a revista do NERLEI, Associação Empresarial da Região de Leiria, “Desafios”, de seu nome. O último número chegou-me muito recentemente e gostei de ler lá algumas coisas que me dizem muito, e, desde logo, um apelo da direcção em funções “à participação efectiva dos associados” no acto eleitoral que designará os novos órgãos sociais da estrutura. Esse gesto é tanto mais significativo quanto, por razões estatutárias, o actual presidente da direcção não se pode candidatar. Para sublinhar a importância do acto, lê-se no dito texto (p.6) “que da sua participação [isto é, do associado] depende a legitimidade de todos os que vierem a ser eleitos. Além disso, numa época de crise como a que as empresas atravessam, a união de esforços e a partilha de experiências faz cada vez mais sentido”. Enquanto alguns ficam confortáveis com o baixo nível de mobilização dos eleitores, muitas vezes expressão final da forma que têm de fazer “política”, há quem veja no seu oposto um elemento central de resposta às dificuldades sentidas. Acrescendo o sentido individualista muito arreigado naquele território (e não só), o apelo à partilha de experiências e à comunhão de esforços entendo-o como sinal de lucidez e, quiçá, de vontade de contribuir para um virar de página.
3. As dificuldades a que se alude no referido texto são enunciadas de forma clara por Pedro Faria, no texto de abertura (editorial); nem mais nem menos que as que imaginamos (melhor seria dizer, que vivemos): “a globalização da economia sem regras definidas”, e o “consumo baseado no crédito”, na relação que esses fenómenos têm com “o aumento do desemprego”, “o empobrecimento geral” e o desrespeito por “regras ambientais, higiene e segurança ou condições de trabalho”. Curiosamente, chegou-se aqui em nome de “el dourados” ainda há pouco cantados por muitos, de empresários e políticos a empresários-políticos e a analistas sociais, passando por uma forte corrente de economistas que agora se vêem muito menos nos ecrãs de televisões e nas capas de revistas (cor-de-rosa ou de outras cores). Andam por aí, no entanto, e, passada a tormenta, hão-de voltar a enunciar as suas certezas sobre a boa-sorte que nos espera ao virar da esquina, se seguirmos pelos caminhos que nos indicam (até à próxima crise).
4. A temática da crise e da mudança necessária atravessa as diversas contribuições disponíveis na revista, a maioria delas originárias de empresários e agentes associativos empresariais de diversos sectores de actividade, entre os quais o da cristalaria, que tantas memórias de infância me traz. Diz a propósito Carlos Martins, presidente da Associação dos Industriais de Cristalaria: “O mundo enfrenta uma mudança radical nos fundamentos básicos da economia – passou-se de uma economia centrada nas pessoas, para outra centrada nos resultados (lucros). O motor do crescimento económico (a classe média), tolhida pela deslocalização dos negócios, passou a ser esmagada, e, naturalmente, ´o motor` emperrou”. “Enfrentar a crise é enfrentar este desafio” (p.25). A diferença que tenho em relação ao que escreve Carlos Martins é que entendo que não foi “ontem”, na véspera da crise declarada nos mercados financeiros internacionais, que a economia deixou de ser centrada nas pessoas, mas muito antes. Quando olhamos para a agitação social dos finais dos anos 60 do século passado não era já contra isso que os jovens daquela altura se revelavam, na Europa, nos Estados Unidos da América? O sistema reformou-se, é certo, mas depois disso a ortodoxia neoclássica, liberal apresentou-se mais triunfante que nunca, e nós, empresários, economistas, agentes culturais, deixámos. Vamos deixar agora novamente, aturdidos que estamos pela crise?
5. Um outro texto disponível (da autoria de João Baptista dos Santos, empresário hoteleiro) versa a temática do turismo (p. 27). A sua leitura oferece-se-me lúcida e o pensamento de estratégia que o informa é também válido para outras parcelas do território nacional, sobretudo para o Minho. Diz o referido autor: “Se Portugal é débil em numerosos campos, outros há em que temos um forte potencial. Refiro-me nomeadamente a sectores onde os valores históricos, naturais e a criatividade são factores diferenciadores […]. Neste contexto, as indústrias do turismo e da cultura no nosso país dispõem de um enorme potencial de crescimento e, por arrastamento, um conjunto de actividades de serviços complementares a estes sectores”. Qual é o problema que subsiste aqui? Pergunto eu. O problema reside na estratégia e respectiva materialização. É que, como diz João Santos, o potencial de oferta turística diversificada territorial e sectorialmente existente nem sempre tem sido “devidamente trabalhado”. Se fosse eu a enunciá-lo diria, antes, que quase nunca tem sido devidamente trabalhado, o que também não é alheio aos protagonistas que temos tido no sector e ao menosprezo que o potencial turístico de alguns territórios tem merecido nos planos de desenvolvimento turístico nacionais.

J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

quinta-feira, março 19, 2009

"Roménia: ITV em queda"

"A Indústria Têxtil e do Vestuário (ITV) romena tem registado uma queda constante do seu volume de negócios nos três últimos anos, mais precisamente desde 2005.
O valor da contracção do volume de negócios da ITV naquele país do leste europeu tem sido de cerca de 7% ao ano desde que o processo de abolição das barreiras alfandegárias dos artigos têxteis e de vestuário provenientes da Republica Popular da China teve início.
Estes dados foram apresentados numa conferência de imprensa por Aurelientu Popescu, presidente-executivo da Federação Patronal da Indústria Têxtil, Vestuário e Couro (Fepaius). Segundo este responsável, o declínio registado deve-se essencialmente à evolução observada no valor do euro e à liberalização do comércio mundial.
«Em 2006 existiam 9.500 pequenas e médias empresas têxteis e de vestuário, mas actualmente existem apenas 2.107 empresas no sector do calçado e 6.000 na ITV», afirmou Popescu.
Outro dos indicadores que reflectem o abrandamento da actividade da ITV romena é o emprego. Segundo o presidente da Fepaius, o volume de emprego nesta indústria sofreu uma contracção de um terço nos últimos anos. Em 31 de Dezembro de 2004, a ITV romena empregava cerca de 450.000 trabalhadores. Um número que contrasta com os 300.000 empregos existentes a 31 de Dezembro de 2008. «Reduzimos o nível de emprego no sector a uma média anual de 50.000 postos de trabalho», revelou.
Em termos de volume de exportação, Popescu anunciou que a ITV romena exportou menos 335 milhões de euros em 2008 do que no ano anterior. O valor do ano passado situou-se nos 5.400 milhões de euros.
2009 deverá ser um ano complicado para a economia romena. À medida que os efeitos da recessão económica mundial se fazem sentir naquele país, a taxa de desemprego, situada actualmente nos 5,3%m – o valor mais alto dos dois últimos anos – tenderá a crescer a um ritmo mais acelerado. Algumas estimativas apontam para que esta chegue aos 8,5% no final do ano.
Entre os trabalhadores mais afectados pelo abrandamento da economia encontram-se aqueles que trabalham no sector exportador, onde se inclui a ITV. 2009 deverá ser, assim, um ano difícil para a ITV da Roménia."
Newsletter Portugal Têxtil
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(reprodução integral de notícia disponível na Newsletter Portugal Têxtil, de 09/03/19)

terça-feira, março 17, 2009

A concepção de sistema económico

Na maioria das ciências, uma descoberta envolve, mesmo que mais tarde, a criação e desenvolvimento de serviços ou de bens decorrentes dessa descoberta. No caso da medicina ou da biologia, um melhor entendimento dos mecanismos de funcionamento do corpo humano levou à invenção de produtos que permitem curá-lo, melhorá-lo e até, a um nível superficial, modificá-lo.
A multidão de inovações provenientes das várias ciências teve e continua a ter incontornável repercussão no nosso dia a dia, sendo peças da compreensão do caminho feito desde o ser Humano que vivia nas cavernas até ao ser Humano de hoje, que habita em apartamentos dotados de aquecimento central e/ou de ar condicionado, de ligação à Internet e de uma cornucópia de sistemas facilitadores das tarefas diárias. Ora, para o cidadão comum, alguém terá inventado o sistema económico contemporâneo. Essa concepção, apesar de lógica, não é correcta. Os economistas não inventaram nem a “troca” nem a “produção”, pelo menos no seu sentido lato. A troca e a produção nasceram da necessidade das pessoas de acederem a certos bens ou serviços e o único trabalho que o economista realmente teve/tem é entender quais os mecanismos que subjazem à sua produção e distribuição e ao progresso que se vai dando na respectiva provisão/oferta.
O entendimento de como as coisas se passam, por si só, não conduz a um novo sistema. Aliás, o sistema económico que temos no presente é o resultado de camadas de conhecimento aplicadas a um modelo que nasceu das necessidades das pessoas. Até o mercado de acções se baseia nele: a empresa, isto é, quem a controla, vende parte de si (entidade empresarial) a investidores, sob a forma de acções ou de quotas de capital, com a promessa de partilha dos lucros que venham a ser gerados, de forma a poder concretizar novos investimentos directa ou indirectamente ligados à produção de bens ou de serviços.
Se pensarmos bem, a história não retrata nenhum Fenício a fazer um empréstimo com vista a comprar acções a algum comerciante que iria levar a sua produção para troca na Península Ibérica. Porém, podemos encontrar testemunhos da decisão do Império Romano de reduzir o tamanho das suas moedas por forma a poupar ouro na sua emissão, algo análogo à desvalorização monetária que ocorre nas nossas economias, bem presente nos mercados cambiais actuais.
Algumas evoluções no pensamento económico é que levaram à expansão do sistema para que hoje se possa produzir quase tudo e trocar qualquer bem. O pensamento que levou ao livre cambismo influenciou o comércio internacional e levou a que, com naturalidade, se dividam produções de mercadorias ou de componentes de certos bens por vários países e até a que se criem novas necessidades.
Camada após camada, foi-se criando de forma quase automática o sistema económico contemporâneo, que sofre mutações mais devido a mudanças de mentalidades e a modas do que a leis ditadas pelos poderes políticos. Muitas vezes, estas apenas conseguem restringir ou condicionar o desenvolvimento de certas actividades, emergindo como anomalias no processo de sobreposição das camadas que vão conformando o(s) sistema(s) económico(s).
De momento, dos acontecimentos subjacentes às crises financeira e económica que se vivem, a ideia que emerge é a de estarmos perante um sistema ineficiente, manipulado por uma elite corrupta. E, no entanto, essas são as anomalias do sistema e não o próprio sistema. Porque o sistema é como o de um Fenício ou um Romano que vê a sua moeda valorizar e desvalorizar, ou de um Veneziano que faz um empréstimo para suportar uma decisão de produção ou a compra de um bem e vê o seu barco afundar-se, tal como vem acontecendo com muitas empresas nas bolsas financeiras.
Uma possível pergunta sobre o sistema de hoje é: qual foi a nova camada que não devíamos ter colocado sobre este velho e instintivo sistema?
José Pedro Cadima

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho)

sábado, março 14, 2009

23º Congresso Internacional da ASEPELT

«Caríssimos Associados,
Vimos por este meio divulgar o 23º Congresso Internacional da ASEPELT – Associação Internacional de Economia Aplicada, que se vai realizar na Universidade da Beira Interior entre 17 e 20 de Junho próximo: www.dge.ubi.pt/asepelt09.
Os melhores cumprimentos,

Rita Azevedo
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Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional
Universidade dos Açores
Terra-Chã
9700-851 Angra do Heroísmo
Telf: 295 33 2001
apdr@mail.telepac.pt
www.apdr.pt»
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(reprodução de mensagem de correio electrónico ontem recebida, com a proveniência que se identifica)