Água do mar
(título de mensagem, datada de 25 de Maio de 2009, disponível em Empreender)
Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento
segunda-feira, maio 25, 2009
sexta-feira, maio 22, 2009
Medidas de apoio à ITV
Qual o efeito dos apoios à ITV? – Parte 2
(título de artigo disponível na Newsletter Portugal Têxtil de 21/05/2009)
(título de artigo disponível na Newsletter Portugal Têxtil de 21/05/2009)
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Comércio Externo,
Políticas Públicas
quinta-feira, maio 21, 2009
"Porque não dá ele próprio o exemplo"?
Governo forte com os fracos
(título de mensagem, datada de 21 de Maio de 2009, disponível em Empreender)
(título de mensagem, datada de 21 de Maio de 2009, disponível em Empreender)
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Comportamento dos Agentes,
Curiosidades
terça-feira, maio 19, 2009
Perceber a economia e a sociedade em que vivemos
1. O Departamento onde trabalho (Depto. de Economia da Escola de Economia e Gestão, Universidade do Minho) organizou há dias uma conferência de que fui moderador, que teve como convidado principal Vítor Bento, economista e presidente da SIBS (Multibanco), e como comentador da intervenção do conferencista em causa Pedro Lains, historiador e investigador do Instituto de Ciências Sociais, Lisboa. O pretexto para o convite a Vítor Bento foi a apresentação do seu mais recente livro, intitulado “Perceber a crise para encontrar o caminho”.
2. A apresentação foi muito rigorosa e didáctica e terá deixado bastante impressionada a plateia. Do que disse o comentador, reagindo à intervenção oral inicial mas, bem assim, ao que lera no livro, retenho a indicação que gostara de ler a primeira parte (analítica) mas que se reconhecia muito menos na segunda parte, que o autor da obra dedica a um conjunto de “Considerações sobre a envolvente político-social”, desembocando nas propostas de estratégia para a superação das graves dificuldades estruturais porque passa a economia portuguesa. Devo dizer que, nesta dimensão, me identifiquei algo com o que disse Pedro Laíns, isto é, a meu ver, o rigor técnico e a lucidez que informa a primeira parte do livro não tem contrapartida à medida na leitura feita dos enquadramentos político-sociais que ditaram o percurso desastroso da economia portuguesa nos últimos 10 anos e, sobretudo, dos derradeiros 7, e ainda menos em matéria de estratégia de política para resolver as múltiplas crises (desequilíbrios) que o país enfrenta. Os mais importantes desses desequilíbrios são, do meu ponto de vista; o desequilíbrio das contas externas e a dívida externa em crescimento acelerado; o desequilíbrio das contas públicas; a crise estrutural da economia nacional; a crise financeira (e económica) internacional; a crise de credibilidade do sistema político; e a crise de liderança da economia e da sociedade portuguesa.
3. Sobre a matéria antes referida, diz a dado o passo Vítor Bento (p.19): “[…] o deslumbramento da afluência adquirida levou-nos a descurar as virtudes da boa ´gestão caseira`, deixando acumular preocupantes desequilíbrios e criado vícios comportamentais que nos enfraqueceram. Ao nível estrutural, somos confrontados com o que impropriamente se tem designado por ´esgotamento do modelo` […]”. Não é igual a leitura que eu faço dos fundamentos e materialidade da “crise” mas não me custa subscrever a análise nesta passagem. Também não me custa subscrever a afirmação que produziu de que “O primeiro choque [reportava-se à adesão de país ao Euro (€)] que poderia ter sido minimizado, se houvesse gestão macroeconómica, foi o que andou associado ao equilíbrio orçamental”. O que me custa verdadeiramente aceitar é que Vítor Bento veja a saída para a superação deste beco a que chegámos: i) na redução dos salários; ii) na redução do preço dos bens e serviços não-transaccionáveis (um conceito que acaba por não se saber muito bem o que é); iii) na redução dos custos parafiscais; iv) em medidas fiscais e sociais complementares; e v) na criação de um “alargado consenso político-social” (p. 21), que alguns interpretarão, porventura com razão, como reclamação da formação de um governo de “bloco central”, como se não fosse já suficientemente mau a alternância que temos tido entre dois desertos de ideias para o país.
4. Tem que se fazer entretanto justiça a Vítor Bento por pôr preto no branco “Que houve má gestão política das variáveis económicas manipuláveis pelo Estado” (p.29). Note-se que se está a referir ao conjunto dos dez anos que constituem o centro de análise do seu livro, juntando no mesmo saco Pina Moura, Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix e Teixeira dos Santos e, com eles, os governos de António Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes e José Sócrates, no seu todo. O que eu duvido seriamente é que nos seus escritos de há um par de anos mantivesse já essa leitura, que a mim me pareceu óbvia ao longo de todo esse tempo.
5. A expressão máxima da nossa diferença de leitura poderá talvez ser sintetizada nas duas questões/observações que fiz no contexto do debate que se sucedeu à intervenção inicial de Vítor Bento. Foram elas as seguintes:
i) Conforme dito, Vítor Bento aposta na redução de salários para a saída da crise, assumindo e aceitando que isso conduza ao crescimento das desigualdades sociais. Pareceu-me entretanto surpreendido ou incomodado quando lhe fiz presente que Portugal apresenta o maior fosso em matéria de rendimentos no seio dos 27 países da União Europeia. A situação é tão chocante que, confrontado com o gráfico respectivo, alguém classificou de “pornográfica” a situação. Se ligarmos desenvolvimento e desigualdade social, não teremos aqui parte da explicação do nosso atraso e das nossas crises?
ii) É muito comum no Portugal dos últimos anos olhar-se para os ministros das finanças e classificar o seu desempenho de bom ou mau consoante estes se revelaram melhores “contabilistas”. Isso foi ainda assim até há poucos meses com Teixeira dos Santos. Mas pergunto: será que o ministro das finanças não precisa ser também “ministro” da economia, isto é, podem-se equacionar separadamente o equilíbrio do orçamento de Estado e o equilíbrio estrutural da economia (leia-se, o crescimento do país)?
O livro de Vítor Bento é uma leitura que recomendo, não pelo que ele sugere como saída(s) para a crise(s) mas pela oportunidade de levar cada um dos leitores a fazerem a sua própria reflexão do que andou mal na economia e na política do país e dos caminhos que importa trilhar para que deixemos este beco de desgraça para onde nos deixámos conduzir.
2. A apresentação foi muito rigorosa e didáctica e terá deixado bastante impressionada a plateia. Do que disse o comentador, reagindo à intervenção oral inicial mas, bem assim, ao que lera no livro, retenho a indicação que gostara de ler a primeira parte (analítica) mas que se reconhecia muito menos na segunda parte, que o autor da obra dedica a um conjunto de “Considerações sobre a envolvente político-social”, desembocando nas propostas de estratégia para a superação das graves dificuldades estruturais porque passa a economia portuguesa. Devo dizer que, nesta dimensão, me identifiquei algo com o que disse Pedro Laíns, isto é, a meu ver, o rigor técnico e a lucidez que informa a primeira parte do livro não tem contrapartida à medida na leitura feita dos enquadramentos político-sociais que ditaram o percurso desastroso da economia portuguesa nos últimos 10 anos e, sobretudo, dos derradeiros 7, e ainda menos em matéria de estratégia de política para resolver as múltiplas crises (desequilíbrios) que o país enfrenta. Os mais importantes desses desequilíbrios são, do meu ponto de vista; o desequilíbrio das contas externas e a dívida externa em crescimento acelerado; o desequilíbrio das contas públicas; a crise estrutural da economia nacional; a crise financeira (e económica) internacional; a crise de credibilidade do sistema político; e a crise de liderança da economia e da sociedade portuguesa.
3. Sobre a matéria antes referida, diz a dado o passo Vítor Bento (p.19): “[…] o deslumbramento da afluência adquirida levou-nos a descurar as virtudes da boa ´gestão caseira`, deixando acumular preocupantes desequilíbrios e criado vícios comportamentais que nos enfraqueceram. Ao nível estrutural, somos confrontados com o que impropriamente se tem designado por ´esgotamento do modelo` […]”. Não é igual a leitura que eu faço dos fundamentos e materialidade da “crise” mas não me custa subscrever a análise nesta passagem. Também não me custa subscrever a afirmação que produziu de que “O primeiro choque [reportava-se à adesão de país ao Euro (€)] que poderia ter sido minimizado, se houvesse gestão macroeconómica, foi o que andou associado ao equilíbrio orçamental”. O que me custa verdadeiramente aceitar é que Vítor Bento veja a saída para a superação deste beco a que chegámos: i) na redução dos salários; ii) na redução do preço dos bens e serviços não-transaccionáveis (um conceito que acaba por não se saber muito bem o que é); iii) na redução dos custos parafiscais; iv) em medidas fiscais e sociais complementares; e v) na criação de um “alargado consenso político-social” (p. 21), que alguns interpretarão, porventura com razão, como reclamação da formação de um governo de “bloco central”, como se não fosse já suficientemente mau a alternância que temos tido entre dois desertos de ideias para o país.
4. Tem que se fazer entretanto justiça a Vítor Bento por pôr preto no branco “Que houve má gestão política das variáveis económicas manipuláveis pelo Estado” (p.29). Note-se que se está a referir ao conjunto dos dez anos que constituem o centro de análise do seu livro, juntando no mesmo saco Pina Moura, Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix e Teixeira dos Santos e, com eles, os governos de António Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes e José Sócrates, no seu todo. O que eu duvido seriamente é que nos seus escritos de há um par de anos mantivesse já essa leitura, que a mim me pareceu óbvia ao longo de todo esse tempo.
5. A expressão máxima da nossa diferença de leitura poderá talvez ser sintetizada nas duas questões/observações que fiz no contexto do debate que se sucedeu à intervenção inicial de Vítor Bento. Foram elas as seguintes:
i) Conforme dito, Vítor Bento aposta na redução de salários para a saída da crise, assumindo e aceitando que isso conduza ao crescimento das desigualdades sociais. Pareceu-me entretanto surpreendido ou incomodado quando lhe fiz presente que Portugal apresenta o maior fosso em matéria de rendimentos no seio dos 27 países da União Europeia. A situação é tão chocante que, confrontado com o gráfico respectivo, alguém classificou de “pornográfica” a situação. Se ligarmos desenvolvimento e desigualdade social, não teremos aqui parte da explicação do nosso atraso e das nossas crises?
ii) É muito comum no Portugal dos últimos anos olhar-se para os ministros das finanças e classificar o seu desempenho de bom ou mau consoante estes se revelaram melhores “contabilistas”. Isso foi ainda assim até há poucos meses com Teixeira dos Santos. Mas pergunto: será que o ministro das finanças não precisa ser também “ministro” da economia, isto é, podem-se equacionar separadamente o equilíbrio do orçamento de Estado e o equilíbrio estrutural da economia (leia-se, o crescimento do país)?
O livro de Vítor Bento é uma leitura que recomendo, não pelo que ele sugere como saída(s) para a crise(s) mas pela oportunidade de levar cada um dos leitores a fazerem a sua própria reflexão do que andou mal na economia e na política do país e dos caminhos que importa trilhar para que deixemos este beco de desgraça para onde nos deixámos conduzir.
J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")
segunda-feira, maio 18, 2009
"O desemprego já atinge 493 mil pessoas"
O pior primeiro trimestre de várias décadas em Portugal com 495 mil desempregados
(título de mensagem, datada de 15 de Maio de 2009, disponível em e.economia.info)
(título de mensagem, datada de 15 de Maio de 2009, disponível em e.economia.info)
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Conjuntura Económica,
Mercado de Trabalho
sexta-feira, maio 15, 2009
Variação homóloga do IPC diminui para -0,5% em Abril de 2009
Taxa de variação homóloga do IPC diminui para -0,5% - Abril de 2009
(título de Destaques do INE, de 13 de Maio de 2009, disponível em INE)
(título de Destaques do INE, de 13 de Maio de 2009, disponível em INE)
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Conjuntura Económica,
Notícia
terça-feira, maio 12, 2009
What we think…
"What we think determines what happens to us, so if we want to change our lives, we need to stretch our minds."
Wayne Dyer
(citação extraída de SBANC Newsletter, May 12, Issue 567- 2009, http://www.sbaer.uca.edu/)
Wayne Dyer
(citação extraída de SBANC Newsletter, May 12, Issue 567- 2009, http://www.sbaer.uca.edu/)
sábado, maio 09, 2009
"Não basta que os territórios disponham de recursos e capacidade empresarial"
Jornal de Leiria: cadernos sobre o distrito de Leiria
(título de mensagem, datada de Sábado, 9 de Maio de 2009, disponívem em Planeamento Territorial)
(título de mensagem, datada de Sábado, 9 de Maio de 2009, disponívem em Planeamento Territorial)
quarta-feira, maio 06, 2009
A previsível estagnação da economia espanhola
O extraordinário desempenho da economia espanhola na última década e meia fez com que muitos analistas acompanhassem a sua evolução com um misto de admiração e desconfiança. Dum lado, as altas taxas de crescimento deslumbraram muitos políticos europeus preocupados por reactivar as suas economias domésticas. Doutro, o boom imobiliário e o crescimento do défice externo geraram todo tipo de suspeições entre analistas, académicos e imprensa especializada.
A evolução recente das variáveis macroeconómicas justifica a desconfiança generalizada instalada nos foros e encontros internacionais. As recentes projecções do FMI confirmam que a prolongada expansão dos últimos quinze anos chegou ao seu final e que nos próximos os ajustamentos serão duros e as reformas inevitáveis. Segundo o FMI, o PIB espanhol experimentará uma contracção de 3% durante este ano e de 0,7% durante o próximo. Em 2011 iniciar-se-á uma tímida recuperação que terá continuidade nos anos seguintes, ainda que com variações de actividade muito moderadas. De facto, a referida instituição muti-lateral prevê que as taxas de crescimento sejam inferiores a 2% até 2015. A quebra de actividade está a ter repercussões extremamente negativas em termos de emprego. O desemprego afecta já mais de quatro milhões de trabalhadores, especialmente no sector da construção civil e no sector industrial. A taxa de desemprego aproxima-se neste momento dos 18% e, apesar da melhoria espectável pelo incremento sazonal de actividade nos meses de verão, não é descabido que, no final do ano, alcance os 20%. Assim sendo, a quebra de actividade prevista para o próximo ano poderá elevar o desemprego por cima dos 22%.
Apesar da gravidade da crise, existe uma probabilidade considerável de que a situação venha a piorar ainda mais. Dum lado, o ajustamento no mercado imobiliário não está totalmente concluído. A queda real dos preços vai continuar, por efeito das restrições do crédito hipotecário e do excesso de oferta disponível para venda, tanto de habitação nova como de habitação usada. Doutro lado, o sistema financeiro pode ter que enfrentar alguns problemas, dado que o crédito malparado continua a aumentar e a exposição ao sector imobiliário de muitas caixas de poupança, que controlam aproximadamente de 50% do sistema financeiro, é extremamente elevada.
A conjuntura nos restantes países da zona Euro não irá contribuir para a recuperação económica em Espanha. Na maioria prevêem-se fortes quebras do PIB durante este ano e parte do próximo, mas não se antevêem riscos sérios num horizonte de médio prazo. Noutros, a situação não é tão favorável. Em Irlanda a crise imobiliária pode agravar-se ainda mais nos próximos meses. Os problemas nos sistemas financeiros Irlandês, Britânico e Austríaco podem atrasar consideravelmente a saída da crise desses países. Ademais, a provável crise de dívida nos países do Leste, provocará problemas financeiros adicionais. A forte presença no Leste das empresas italianas e austríacas terá um impacto considerável sobre as suas economias. Por último, a péssima situação orçamental da Grécia limita a sua margem de manobra em termos de política económica, condicionando as suas possibilidades de relançamento da economia.
Apesar do sucesso económico dos últimos anos, a economia espanhola cresceu de forma extremamente desequilibrada. Em termos de preços, produziram-se revalorizações insustentáveis dos activos imobiliários e gerou-se um alto diferencial de inflação que reduziu fortemente a competitividade da economia. Consequentemente acumulou-se um défice por conta corrente, que neste momento é o segundo maior do mundo, unicamente ultrapassado pelo dos Estados Unidos. Em termos do mercado de trabalho, existem uma série de rigidezes institucionais, que afectam os índices de temporalidade e que contribuem para gerar taxas de desemprego impróprias de uma das dez maiores economias do mundo. Ademais, em termos estruturais existem uma série de peculiaridades que revelam a dualidade de uma economia que não concluiu as reformas estruturais durante a intensa transformação das últimas três décadas. Entre as singularidades mais salientáveis encontra-se a sobrevivência das caixas de poupança, que estão relativamente excluídas da disciplina do mercado e contam com um grau de politização da gestão pouco saudável numa economia de mercado.
Em linha com as recomendações de muitos economistas, o FMI considera que Espanha deve levar a cabo importantes reformas nos mercados de bens e serviços e, sobretudo, no mercado de trabalho, para evitar que a estagnação se prolongue durante vários anos. Em relação aos primeiros, todas as recomendações apontam para a necessidade de incrementar os níveis de concorrência e melhorar os mecanismos de regulação. Relativamente ao mercado de trabalho, as receitas baseiam-se no incremento da flexibilidade para melhorar as assimetrias existentes, em termos de protecção social e temporalidade, entre trabalhadores qualificados e trabalhadores jovens menos qualificados; na melhoria do sistema educativo para reduzir o diferencial de temporalidade; e na reforma do sistema de pensões, dado que o actual é actuarialmente insolvente e consequentemente insustentável.
Os momentos de crise são extremamente duros para muitos agentes económicos, mas devem servir para reflectir e corrigir o rumo. As crises têm consequências demasiado sérias como para não tirar partido delas. A conjuntura actual demonstra que os momentos de expansão devem servir para levar a cabo os processos de reforma que permitam crescer, a prazo, de forma saudável e estar razoavelmente protegido nos momentos de crise.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
A evolução recente das variáveis macroeconómicas justifica a desconfiança generalizada instalada nos foros e encontros internacionais. As recentes projecções do FMI confirmam que a prolongada expansão dos últimos quinze anos chegou ao seu final e que nos próximos os ajustamentos serão duros e as reformas inevitáveis. Segundo o FMI, o PIB espanhol experimentará uma contracção de 3% durante este ano e de 0,7% durante o próximo. Em 2011 iniciar-se-á uma tímida recuperação que terá continuidade nos anos seguintes, ainda que com variações de actividade muito moderadas. De facto, a referida instituição muti-lateral prevê que as taxas de crescimento sejam inferiores a 2% até 2015. A quebra de actividade está a ter repercussões extremamente negativas em termos de emprego. O desemprego afecta já mais de quatro milhões de trabalhadores, especialmente no sector da construção civil e no sector industrial. A taxa de desemprego aproxima-se neste momento dos 18% e, apesar da melhoria espectável pelo incremento sazonal de actividade nos meses de verão, não é descabido que, no final do ano, alcance os 20%. Assim sendo, a quebra de actividade prevista para o próximo ano poderá elevar o desemprego por cima dos 22%.
Apesar da gravidade da crise, existe uma probabilidade considerável de que a situação venha a piorar ainda mais. Dum lado, o ajustamento no mercado imobiliário não está totalmente concluído. A queda real dos preços vai continuar, por efeito das restrições do crédito hipotecário e do excesso de oferta disponível para venda, tanto de habitação nova como de habitação usada. Doutro lado, o sistema financeiro pode ter que enfrentar alguns problemas, dado que o crédito malparado continua a aumentar e a exposição ao sector imobiliário de muitas caixas de poupança, que controlam aproximadamente de 50% do sistema financeiro, é extremamente elevada.
A conjuntura nos restantes países da zona Euro não irá contribuir para a recuperação económica em Espanha. Na maioria prevêem-se fortes quebras do PIB durante este ano e parte do próximo, mas não se antevêem riscos sérios num horizonte de médio prazo. Noutros, a situação não é tão favorável. Em Irlanda a crise imobiliária pode agravar-se ainda mais nos próximos meses. Os problemas nos sistemas financeiros Irlandês, Britânico e Austríaco podem atrasar consideravelmente a saída da crise desses países. Ademais, a provável crise de dívida nos países do Leste, provocará problemas financeiros adicionais. A forte presença no Leste das empresas italianas e austríacas terá um impacto considerável sobre as suas economias. Por último, a péssima situação orçamental da Grécia limita a sua margem de manobra em termos de política económica, condicionando as suas possibilidades de relançamento da economia.
Apesar do sucesso económico dos últimos anos, a economia espanhola cresceu de forma extremamente desequilibrada. Em termos de preços, produziram-se revalorizações insustentáveis dos activos imobiliários e gerou-se um alto diferencial de inflação que reduziu fortemente a competitividade da economia. Consequentemente acumulou-se um défice por conta corrente, que neste momento é o segundo maior do mundo, unicamente ultrapassado pelo dos Estados Unidos. Em termos do mercado de trabalho, existem uma série de rigidezes institucionais, que afectam os índices de temporalidade e que contribuem para gerar taxas de desemprego impróprias de uma das dez maiores economias do mundo. Ademais, em termos estruturais existem uma série de peculiaridades que revelam a dualidade de uma economia que não concluiu as reformas estruturais durante a intensa transformação das últimas três décadas. Entre as singularidades mais salientáveis encontra-se a sobrevivência das caixas de poupança, que estão relativamente excluídas da disciplina do mercado e contam com um grau de politização da gestão pouco saudável numa economia de mercado.
Em linha com as recomendações de muitos economistas, o FMI considera que Espanha deve levar a cabo importantes reformas nos mercados de bens e serviços e, sobretudo, no mercado de trabalho, para evitar que a estagnação se prolongue durante vários anos. Em relação aos primeiros, todas as recomendações apontam para a necessidade de incrementar os níveis de concorrência e melhorar os mecanismos de regulação. Relativamente ao mercado de trabalho, as receitas baseiam-se no incremento da flexibilidade para melhorar as assimetrias existentes, em termos de protecção social e temporalidade, entre trabalhadores qualificados e trabalhadores jovens menos qualificados; na melhoria do sistema educativo para reduzir o diferencial de temporalidade; e na reforma do sistema de pensões, dado que o actual é actuarialmente insolvente e consequentemente insustentável.
Os momentos de crise são extremamente duros para muitos agentes económicos, mas devem servir para reflectir e corrigir o rumo. As crises têm consequências demasiado sérias como para não tirar partido delas. A conjuntura actual demonstra que os momentos de expansão devem servir para levar a cabo os processos de reforma que permitam crescer, a prazo, de forma saudável e estar razoavelmente protegido nos momentos de crise.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
(artigo de opinião publicado na edição de ontem do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")
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Comércio Externo,
Conjuntura Económica
segunda-feira, maio 04, 2009
"Já no âmbito do QREN [...] os atrasos na transferência de verbas [...]"
Os Fundos (ainda) no fundo
(título de mensagem, datada de Segunda-feira, 27 de Abril de 2009, disponível em Suplementos de Economia)
(título de mensagem, datada de Segunda-feira, 27 de Abril de 2009, disponível em Suplementos de Economia)
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Conjuntura Económica,
Políticas Públicas
quinta-feira, abril 30, 2009
Qualificações académicas dos activos em Portugal e na UE
Artigo DN
Portugal entre os piores da UE em diplomados:
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1215586
(cortesia de Nuno Soares da Silva)
Portugal entre os piores da UE em diplomados:
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1215586
(cortesia de Nuno Soares da Silva)
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Investimento em Capital Humano
quarta-feira, abril 29, 2009
Solve the problem created by the error
"There is a certain degree of satisfaction in having the courage to admit one's errors. It not only clears up the air of guilt and defensiveness, but often helps solve the problem created by the error."
Dale Carnegie
(citação extraída de SBANC Newsletter, April 28 , 2009, Issue 565-2009, http://www.sbaer.uca.edu)
domingo, abril 26, 2009
"Portugal ainda tem custos laborais muito interessantes"
Aprender com os investidores estrangeiros
(título de mensagem, datada de 09/04/24, disponível em Ladrões de Bicicletas)
(título de mensagem, datada de 09/04/24, disponível em Ladrões de Bicicletas)
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Custos do Trabalho,
Investimento Estrangeiro
quarta-feira, abril 22, 2009
The extra mile
"Do more than is required. What is the distance between someone who achieves their goals consistently and those who spend their lives and careers merely following? The extra mile."
Gary Ryan Blair
(citação extraída de SBANC Newsletter, April 21 , 2009, Issue 564- 2009, http://www.sbaer.uca.edu/)
terça-feira, abril 21, 2009
A localização da empresa industrial: da história da teoria às questões da actualidade
O quadro conceptual que informa a teoria da localização da empresa começou a ser construído nos finais do século XVIII, suportado em estudos empíricos da organização espacial da sociedade e da distribuição das actividades. Johann H. VON THÜNEN foi o responsável pelo modelo que está na origem do corpo de teorias que respeitam à localização urbana das actividades económicas. Alfred WEBER, por sua vez, é considerado como o responsável pela elaboração da primeira teoria geral da localização industrial.
Após contributos marcantes de diversos autores, entre os quais August LÖSCH, que produziu uma síntese integradora dos contributos anteriores e alargou o problema da localização industrial a todo o sistema económico, a explicação do fenómeno da localização evoluiu por dois caminhos distintos. O primeiro continuou a procura do custo mínimo, na tradição de Alfred WEBER. O segundo investiga a interdependência locativa das empresas, na sequência de August LÖSCH.
O problema locativo desenvolvido da forma como foi progressivamente emergindo no contexto do debate teórico mantido tendeu a tornar complexo em demasia aquilo que para a empresa industrial é mais simples, e deixou de adiantar quaisquer “novos” factores de localização. A verdade é que os fluxos inter-regionais de factores de produção e mercadorias ou a localização, em simultâneo, de todas as actividades económicas no espaço transcendem os interesses imediatos do empresário. Para além disso, é duvidoso que as preocupações deste se centrem na procura da localização “ideal” ou óptima através da minimização dos custos ou da maximização dos lucros.
Aparte isso, os autores das teorias de localização só tardiamente se preocuparam com dimensões fundamentais da vida económica actual como são a localização da empresa estrangeira, as diferenças de comportamento locativo entre a empresa doméstica e a estrangeira ou a implantação de empresas de alta tecnologia, que normalmente se concretiza em áreas circunscritas geograficamente.
Se uma grande parte dos modelos de localização interpretam as escolhas de localização das empresas à luz dos dois grandes determinantes que são os custos de transporte, por uma lado, e as economias de aglomeração, por outro, obviamente que o respectivo valor interpretativo é ainda mais questionado quando, como na actualidade, por força de inovações várias, tecnológicas, organizacionais, os ditos custos assumem uma pequena incidência no valor final das mercadorias na indústria e o quadro territorial de operação da empresa deixou de ser o regional ou, mesmo, o nacional.
Para explicar os desenvolvimentos recentes em matéria de localização e organização das actividades têm vindo a emergir contributos centrados no conceito de operação em rede, sejam redes de empresas sejam redes de cidades. Estes contributos vêm fornecendo “interpretações mais convincentes e mais coerentes” da localização empresarial observada nalguns lugares e dos padrões territoriais emergentes. Esta operação em rede permite às empresas e aos centros parceiros desenvolverem especializações complementares que, por força da respectiva complementaridade de produtos/processos, lhes garante as economias de escala e de aglomeração próprias das empresas e de centros maiores e lhes permite servir mercados comuns de forma competitiva.
Mais fácil que fazer funcionar em rede organizações autónomas e territórios imbuídos de tradições e valores sociais diferenciados (importa não subestimar as diferenças culturais e as resistências às mudanças que podem emergir nesses contextos), é planear e coordenar operações no seio das próprias empresas multinacionais ou multi-estabelecimentos, o que as novas tecnologias de comunicação e informação vieram tornar relativamente banal. Na mesma dimensão em que essas tecnologias desvalorizam o peso dos factores de localização “externos”, fazem emergir uma lógica de inserção no espaço interna à organização, que lhes facilita a deslocalização de algumas das suas funções e a segmentação espacial das actividades. No novo quadro de ordenamento geo-económico, as unidades de produção territorialmente organizadas podem até ser substituídas, quando não se imponham exigências fortes de relações de proximidade física, pela formação de cadeias de valor globalizadas que geram concorrência entre “clusters” locais, cidades e regiões organizadas, para gerar espaços funcionais de aglomerados multinacionais.
Sendo assim, embora, eventuais exigências de relação face-a-face com fornecedores de serviços e com centros de investigação e desenvolvimento, e de acesso a bacias de emprego altamente qualificado ou a infra-estruturas e redes logísticas muito sofisticadas ditarão que haja também vencedores e perdedores nesse processo de reconfiguração produtiva dos territórios. Nesse contexto, o voluntarismo e capacidade que as autoridades públicas mantenham de posicionarem o respectivo território na disputa pela sedeação dos estabelecimentos, industriais ou de serviços avançados, pode ser essencial, sendo certo que nem tudo se resolve ou, melhor, muito pouco se resolve pela via das guerras de incentivos, fiscais ou financeiros.
J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")
Após contributos marcantes de diversos autores, entre os quais August LÖSCH, que produziu uma síntese integradora dos contributos anteriores e alargou o problema da localização industrial a todo o sistema económico, a explicação do fenómeno da localização evoluiu por dois caminhos distintos. O primeiro continuou a procura do custo mínimo, na tradição de Alfred WEBER. O segundo investiga a interdependência locativa das empresas, na sequência de August LÖSCH.
O problema locativo desenvolvido da forma como foi progressivamente emergindo no contexto do debate teórico mantido tendeu a tornar complexo em demasia aquilo que para a empresa industrial é mais simples, e deixou de adiantar quaisquer “novos” factores de localização. A verdade é que os fluxos inter-regionais de factores de produção e mercadorias ou a localização, em simultâneo, de todas as actividades económicas no espaço transcendem os interesses imediatos do empresário. Para além disso, é duvidoso que as preocupações deste se centrem na procura da localização “ideal” ou óptima através da minimização dos custos ou da maximização dos lucros.
Aparte isso, os autores das teorias de localização só tardiamente se preocuparam com dimensões fundamentais da vida económica actual como são a localização da empresa estrangeira, as diferenças de comportamento locativo entre a empresa doméstica e a estrangeira ou a implantação de empresas de alta tecnologia, que normalmente se concretiza em áreas circunscritas geograficamente.
Se uma grande parte dos modelos de localização interpretam as escolhas de localização das empresas à luz dos dois grandes determinantes que são os custos de transporte, por uma lado, e as economias de aglomeração, por outro, obviamente que o respectivo valor interpretativo é ainda mais questionado quando, como na actualidade, por força de inovações várias, tecnológicas, organizacionais, os ditos custos assumem uma pequena incidência no valor final das mercadorias na indústria e o quadro territorial de operação da empresa deixou de ser o regional ou, mesmo, o nacional.
Para explicar os desenvolvimentos recentes em matéria de localização e organização das actividades têm vindo a emergir contributos centrados no conceito de operação em rede, sejam redes de empresas sejam redes de cidades. Estes contributos vêm fornecendo “interpretações mais convincentes e mais coerentes” da localização empresarial observada nalguns lugares e dos padrões territoriais emergentes. Esta operação em rede permite às empresas e aos centros parceiros desenvolverem especializações complementares que, por força da respectiva complementaridade de produtos/processos, lhes garante as economias de escala e de aglomeração próprias das empresas e de centros maiores e lhes permite servir mercados comuns de forma competitiva.
Mais fácil que fazer funcionar em rede organizações autónomas e territórios imbuídos de tradições e valores sociais diferenciados (importa não subestimar as diferenças culturais e as resistências às mudanças que podem emergir nesses contextos), é planear e coordenar operações no seio das próprias empresas multinacionais ou multi-estabelecimentos, o que as novas tecnologias de comunicação e informação vieram tornar relativamente banal. Na mesma dimensão em que essas tecnologias desvalorizam o peso dos factores de localização “externos”, fazem emergir uma lógica de inserção no espaço interna à organização, que lhes facilita a deslocalização de algumas das suas funções e a segmentação espacial das actividades. No novo quadro de ordenamento geo-económico, as unidades de produção territorialmente organizadas podem até ser substituídas, quando não se imponham exigências fortes de relações de proximidade física, pela formação de cadeias de valor globalizadas que geram concorrência entre “clusters” locais, cidades e regiões organizadas, para gerar espaços funcionais de aglomerados multinacionais.
Sendo assim, embora, eventuais exigências de relação face-a-face com fornecedores de serviços e com centros de investigação e desenvolvimento, e de acesso a bacias de emprego altamente qualificado ou a infra-estruturas e redes logísticas muito sofisticadas ditarão que haja também vencedores e perdedores nesse processo de reconfiguração produtiva dos territórios. Nesse contexto, o voluntarismo e capacidade que as autoridades públicas mantenham de posicionarem o respectivo território na disputa pela sedeação dos estabelecimentos, industriais ou de serviços avançados, pode ser essencial, sendo certo que nem tudo se resolve ou, melhor, muito pouco se resolve pela via das guerras de incentivos, fiscais ou financeiros.
J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")
segunda-feira, abril 20, 2009
XVI Congresso Pan-Americano de Engenharia de Tráfego e Transportes e Logística
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(título de mensagem, datada de Segunda-feira, 20 de Abril de 2009, disponível em Planeamento Territorial)
sábado, abril 18, 2009
No mês de Fevereiro de 2009, os estabelecimentos hoteleiros registaram uma quebra homóloga de dormidas de 14,3%
Hotelaria com resultados negativos - Fevereiro de 2009
(título de Destaques INE, de 16 de Abril de 2009, disponível em INE)
(título de Destaques INE, de 16 de Abril de 2009, disponível em INE)
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Comércio Externo,
Conjuntura Económica
quarta-feira, abril 15, 2009
"A inflação homóloga em Portugal caiu para um valor negativo em Março"
A inflação negativa chegou a Portugal
(título de mensagem, datada de 13 de Abril de 2009, disponível em e.economia.info)
(título de mensagem, datada de 13 de Abril de 2009, disponível em e.economia.info)
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Conjuntura Económica
segunda-feira, abril 13, 2009
"Linking corporate productivity to foreign direct investment: An empirical assessment"
Investimento estrangeiro e produtividade
(título de mensagem, datada de 13 de Abril de 2009, disponível em Empreender)
(título de mensagem, datada de 13 de Abril de 2009, disponível em Empreender)
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Investimento Estrangeiro
sexta-feira, abril 10, 2009
"Formas diferentes de se expandir e desenvolver"
Diversificar as estratégias
(título de artigo, datado de 9/04/2009, disponível na Newsletter Portugal Têxtil de hoje)
(título de artigo, datado de 9/04/2009, disponível na Newsletter Portugal Têxtil de hoje)
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