Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

terça-feira, março 24, 2009

Leiria vista à distância

1. Desde há quase três décadas que as notícias de Leiria me chegam, sobretudo, pelos jornais locais cuja assinatura mantenho. Infelizmente, nem sempre posso demorar com a sua leitura o tempo que gostaria. Esse tempo seria, também, um tempo de evasão ao meu quotidiano, que tantas vezes necessito para recobrar forças. Sendo um cidadão do mundo, com partido e tudo lá para os lados do médio oriente, há alguns sítios aonde gosto de retornar periodicamente. Leiria é um desses sítios.
2. Fruto de uma dessas incursões, por atenção da entidade editora, passei a receber regularmente desde há perto de dois anos a revista do NERLEI, Associação Empresarial da Região de Leiria, “Desafios”, de seu nome. O último número chegou-me muito recentemente e gostei de ler lá algumas coisas que me dizem muito, e, desde logo, um apelo da direcção em funções “à participação efectiva dos associados” no acto eleitoral que designará os novos órgãos sociais da estrutura. Esse gesto é tanto mais significativo quanto, por razões estatutárias, o actual presidente da direcção não se pode candidatar. Para sublinhar a importância do acto, lê-se no dito texto (p.6) “que da sua participação [isto é, do associado] depende a legitimidade de todos os que vierem a ser eleitos. Além disso, numa época de crise como a que as empresas atravessam, a união de esforços e a partilha de experiências faz cada vez mais sentido”. Enquanto alguns ficam confortáveis com o baixo nível de mobilização dos eleitores, muitas vezes expressão final da forma que têm de fazer “política”, há quem veja no seu oposto um elemento central de resposta às dificuldades sentidas. Acrescendo o sentido individualista muito arreigado naquele território (e não só), o apelo à partilha de experiências e à comunhão de esforços entendo-o como sinal de lucidez e, quiçá, de vontade de contribuir para um virar de página.
3. As dificuldades a que se alude no referido texto são enunciadas de forma clara por Pedro Faria, no texto de abertura (editorial); nem mais nem menos que as que imaginamos (melhor seria dizer, que vivemos): “a globalização da economia sem regras definidas”, e o “consumo baseado no crédito”, na relação que esses fenómenos têm com “o aumento do desemprego”, “o empobrecimento geral” e o desrespeito por “regras ambientais, higiene e segurança ou condições de trabalho”. Curiosamente, chegou-se aqui em nome de “el dourados” ainda há pouco cantados por muitos, de empresários e políticos a empresários-políticos e a analistas sociais, passando por uma forte corrente de economistas que agora se vêem muito menos nos ecrãs de televisões e nas capas de revistas (cor-de-rosa ou de outras cores). Andam por aí, no entanto, e, passada a tormenta, hão-de voltar a enunciar as suas certezas sobre a boa-sorte que nos espera ao virar da esquina, se seguirmos pelos caminhos que nos indicam (até à próxima crise).
4. A temática da crise e da mudança necessária atravessa as diversas contribuições disponíveis na revista, a maioria delas originárias de empresários e agentes associativos empresariais de diversos sectores de actividade, entre os quais o da cristalaria, que tantas memórias de infância me traz. Diz a propósito Carlos Martins, presidente da Associação dos Industriais de Cristalaria: “O mundo enfrenta uma mudança radical nos fundamentos básicos da economia – passou-se de uma economia centrada nas pessoas, para outra centrada nos resultados (lucros). O motor do crescimento económico (a classe média), tolhida pela deslocalização dos negócios, passou a ser esmagada, e, naturalmente, ´o motor` emperrou”. “Enfrentar a crise é enfrentar este desafio” (p.25). A diferença que tenho em relação ao que escreve Carlos Martins é que entendo que não foi “ontem”, na véspera da crise declarada nos mercados financeiros internacionais, que a economia deixou de ser centrada nas pessoas, mas muito antes. Quando olhamos para a agitação social dos finais dos anos 60 do século passado não era já contra isso que os jovens daquela altura se revelavam, na Europa, nos Estados Unidos da América? O sistema reformou-se, é certo, mas depois disso a ortodoxia neoclássica, liberal apresentou-se mais triunfante que nunca, e nós, empresários, economistas, agentes culturais, deixámos. Vamos deixar agora novamente, aturdidos que estamos pela crise?
5. Um outro texto disponível (da autoria de João Baptista dos Santos, empresário hoteleiro) versa a temática do turismo (p. 27). A sua leitura oferece-se-me lúcida e o pensamento de estratégia que o informa é também válido para outras parcelas do território nacional, sobretudo para o Minho. Diz o referido autor: “Se Portugal é débil em numerosos campos, outros há em que temos um forte potencial. Refiro-me nomeadamente a sectores onde os valores históricos, naturais e a criatividade são factores diferenciadores […]. Neste contexto, as indústrias do turismo e da cultura no nosso país dispõem de um enorme potencial de crescimento e, por arrastamento, um conjunto de actividades de serviços complementares a estes sectores”. Qual é o problema que subsiste aqui? Pergunto eu. O problema reside na estratégia e respectiva materialização. É que, como diz João Santos, o potencial de oferta turística diversificada territorial e sectorialmente existente nem sempre tem sido “devidamente trabalhado”. Se fosse eu a enunciá-lo diria, antes, que quase nunca tem sido devidamente trabalhado, o que também não é alheio aos protagonistas que temos tido no sector e ao menosprezo que o potencial turístico de alguns territórios tem merecido nos planos de desenvolvimento turístico nacionais.

J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

quinta-feira, março 19, 2009

"Roménia: ITV em queda"

"A Indústria Têxtil e do Vestuário (ITV) romena tem registado uma queda constante do seu volume de negócios nos três últimos anos, mais precisamente desde 2005.
O valor da contracção do volume de negócios da ITV naquele país do leste europeu tem sido de cerca de 7% ao ano desde que o processo de abolição das barreiras alfandegárias dos artigos têxteis e de vestuário provenientes da Republica Popular da China teve início.
Estes dados foram apresentados numa conferência de imprensa por Aurelientu Popescu, presidente-executivo da Federação Patronal da Indústria Têxtil, Vestuário e Couro (Fepaius). Segundo este responsável, o declínio registado deve-se essencialmente à evolução observada no valor do euro e à liberalização do comércio mundial.
«Em 2006 existiam 9.500 pequenas e médias empresas têxteis e de vestuário, mas actualmente existem apenas 2.107 empresas no sector do calçado e 6.000 na ITV», afirmou Popescu.
Outro dos indicadores que reflectem o abrandamento da actividade da ITV romena é o emprego. Segundo o presidente da Fepaius, o volume de emprego nesta indústria sofreu uma contracção de um terço nos últimos anos. Em 31 de Dezembro de 2004, a ITV romena empregava cerca de 450.000 trabalhadores. Um número que contrasta com os 300.000 empregos existentes a 31 de Dezembro de 2008. «Reduzimos o nível de emprego no sector a uma média anual de 50.000 postos de trabalho», revelou.
Em termos de volume de exportação, Popescu anunciou que a ITV romena exportou menos 335 milhões de euros em 2008 do que no ano anterior. O valor do ano passado situou-se nos 5.400 milhões de euros.
2009 deverá ser um ano complicado para a economia romena. À medida que os efeitos da recessão económica mundial se fazem sentir naquele país, a taxa de desemprego, situada actualmente nos 5,3%m – o valor mais alto dos dois últimos anos – tenderá a crescer a um ritmo mais acelerado. Algumas estimativas apontam para que esta chegue aos 8,5% no final do ano.
Entre os trabalhadores mais afectados pelo abrandamento da economia encontram-se aqueles que trabalham no sector exportador, onde se inclui a ITV. 2009 deverá ser, assim, um ano difícil para a ITV da Roménia."
Newsletter Portugal Têxtil
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(reprodução integral de notícia disponível na Newsletter Portugal Têxtil, de 09/03/19)

terça-feira, março 17, 2009

A concepção de sistema económico

Na maioria das ciências, uma descoberta envolve, mesmo que mais tarde, a criação e desenvolvimento de serviços ou de bens decorrentes dessa descoberta. No caso da medicina ou da biologia, um melhor entendimento dos mecanismos de funcionamento do corpo humano levou à invenção de produtos que permitem curá-lo, melhorá-lo e até, a um nível superficial, modificá-lo.
A multidão de inovações provenientes das várias ciências teve e continua a ter incontornável repercussão no nosso dia a dia, sendo peças da compreensão do caminho feito desde o ser Humano que vivia nas cavernas até ao ser Humano de hoje, que habita em apartamentos dotados de aquecimento central e/ou de ar condicionado, de ligação à Internet e de uma cornucópia de sistemas facilitadores das tarefas diárias. Ora, para o cidadão comum, alguém terá inventado o sistema económico contemporâneo. Essa concepção, apesar de lógica, não é correcta. Os economistas não inventaram nem a “troca” nem a “produção”, pelo menos no seu sentido lato. A troca e a produção nasceram da necessidade das pessoas de acederem a certos bens ou serviços e o único trabalho que o economista realmente teve/tem é entender quais os mecanismos que subjazem à sua produção e distribuição e ao progresso que se vai dando na respectiva provisão/oferta.
O entendimento de como as coisas se passam, por si só, não conduz a um novo sistema. Aliás, o sistema económico que temos no presente é o resultado de camadas de conhecimento aplicadas a um modelo que nasceu das necessidades das pessoas. Até o mercado de acções se baseia nele: a empresa, isto é, quem a controla, vende parte de si (entidade empresarial) a investidores, sob a forma de acções ou de quotas de capital, com a promessa de partilha dos lucros que venham a ser gerados, de forma a poder concretizar novos investimentos directa ou indirectamente ligados à produção de bens ou de serviços.
Se pensarmos bem, a história não retrata nenhum Fenício a fazer um empréstimo com vista a comprar acções a algum comerciante que iria levar a sua produção para troca na Península Ibérica. Porém, podemos encontrar testemunhos da decisão do Império Romano de reduzir o tamanho das suas moedas por forma a poupar ouro na sua emissão, algo análogo à desvalorização monetária que ocorre nas nossas economias, bem presente nos mercados cambiais actuais.
Algumas evoluções no pensamento económico é que levaram à expansão do sistema para que hoje se possa produzir quase tudo e trocar qualquer bem. O pensamento que levou ao livre cambismo influenciou o comércio internacional e levou a que, com naturalidade, se dividam produções de mercadorias ou de componentes de certos bens por vários países e até a que se criem novas necessidades.
Camada após camada, foi-se criando de forma quase automática o sistema económico contemporâneo, que sofre mutações mais devido a mudanças de mentalidades e a modas do que a leis ditadas pelos poderes políticos. Muitas vezes, estas apenas conseguem restringir ou condicionar o desenvolvimento de certas actividades, emergindo como anomalias no processo de sobreposição das camadas que vão conformando o(s) sistema(s) económico(s).
De momento, dos acontecimentos subjacentes às crises financeira e económica que se vivem, a ideia que emerge é a de estarmos perante um sistema ineficiente, manipulado por uma elite corrupta. E, no entanto, essas são as anomalias do sistema e não o próprio sistema. Porque o sistema é como o de um Fenício ou um Romano que vê a sua moeda valorizar e desvalorizar, ou de um Veneziano que faz um empréstimo para suportar uma decisão de produção ou a compra de um bem e vê o seu barco afundar-se, tal como vem acontecendo com muitas empresas nas bolsas financeiras.
Uma possível pergunta sobre o sistema de hoje é: qual foi a nova camada que não devíamos ter colocado sobre este velho e instintivo sistema?
José Pedro Cadima

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho)

sábado, março 14, 2009

23º Congresso Internacional da ASEPELT

«Caríssimos Associados,
Vimos por este meio divulgar o 23º Congresso Internacional da ASEPELT – Associação Internacional de Economia Aplicada, que se vai realizar na Universidade da Beira Interior entre 17 e 20 de Junho próximo: www.dge.ubi.pt/asepelt09.
Os melhores cumprimentos,

Rita Azevedo
**********************************************************************
Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional
Universidade dos Açores
Terra-Chã
9700-851 Angra do Heroísmo
Telf: 295 33 2001
apdr@mail.telepac.pt
www.apdr.pt»
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(reprodução de mensagem de correio electrónico ontem recebida, com a proveniência que se identifica)

quinta-feira, março 12, 2009

Sucesso económico na Galiza e mudança política

No passado dia 01 de Março celebraram-se eleições regionais na Galiza. Os eleitores mostraram a sua desconformidade com as opções políticas da coligação de governo, constituída pelo Partido Socialista de Galiza e o Bloco Nacionalista Galego. Esta maioria, surgida das eleições celebradas há quatro anos, substituiu o governo do Partido Popular, liderado por Manuel Fraga, que esteve no poder durante 16 anos, entre 1989 e 2005. O regresso do Partido Popular ao governo, depois de apenas uma legislatura na oposição, é indicativo de que certas dimensões da governação da coligação de progresso não foram bem sucedidas ou não foram bem entendidas pela cidadania. Obviamente, um aspecto que pode ter influenciado os resultados de forma significativa é a situação de crise generalizada que actualmente vive a economia espanhola, ainda que ainda é cedo para saber qual foi o seu impacto real no resultado final das eleições.
Apesar desta última ressalva, um dos aspectos destacáveis da intervenção do governo autonómico durante a passada legislatura foi a sua gestão económica. A economia da Galiza apresentou nos últimos dois anos e meio uma conjuntura macroeconómica significativamente melhor que a da economia espanhola, contrariando a tendência habitual da história económica recente. Concretamente, a Galiza cresceu nos últimos nove trimestres a um ritmo superior ao da média espanhola.
A evolução da economia Galega na última legislatura melhorou consideravelmente, como consequência da boa situação da economia Espanhola e da favorável evolução dos mercados de exportação, e, em boa verdade, em resultado das medidas de política implementadas pelo governo regional. Esta conjuntura macroeconómica teve o seu reflexo nos índices de poder de compra e nos níveis de qualidade de vida das famílias. No período 2005-2008 (período central da legislatura), o crescimento real per capita da economia Galega foi de 9,3%, ultrapassando em quase 6 pontas percentuais o da média espanhola. Em termos nominais, o crescimento desse indicador na Galiza foi de 20,6%, enquanto que em Espanha se situou nos 14,6%. Ademais, desde o terceiro trimestre de 2005, a taxa de desemprego mantém-se por baixo dos 10%, tendo atingido o seu nível mínimo em meados de 2007, quando desceu até os 7,6% da população activa.
No ano de 2008 o crescimento do PIB Galego foi de 1,8%, ultrapassando em 6 décimas a média espanhola (1,2%) e em 1,1 pontos a média da zona euro (0,7%). O crescimento homólogo no último trimestre de 2008 foi de 0,4%, enquanto que as taxas de crescimento para Espanha e a Zona Euro foram de –0,7% e de –1,2%, respectivamente.
Apesar deste bom desempenho relativo, a economia Galega entrará em recessão, seguindo a economia espanhola e as suas congéneres europeias, durante este primeiro trimestre do ano. Os dados do último trimestre de 2008 antecipam o cenário recessivo, dado que a tendência da maioria dos indicadores tem um carácter eminentemente negativo, ainda que, regra geral, melhor que a da média espanhola.
O consumo privado cresceu, em termos homólogos, no último trimestre de 2008, apenas 0,7%, desta forma, a taxa para o conjunto do ano ficou-se pelos 1,7%, mais de um ponto percentual por cima da média espanhola. O investimento, pelo seu carácter pró-cíclico, experimentou uma quebra, no último trimestre, superior a 6%, enquanto que a contracção desta macro-magnitude para a totalidade do ano ultrapassou os 2%. A desaceleração das exportações é o outro dado destacável do final do ano, dado que a quebra, no quarto trimestre, foi de aproximadamente 5%, com o qual, a variação relativa para o ano de 2008 é negativa e igual a meio ponto percentual.
Do lado da oferta, os dados do último trimestre revelam as dificuldades do sector industrial, com uma desaceleração, em termos homólogos, superior a 8%, devido aos fortes ajustamentos no sector de fabrico de automóveis e nos dependentes do sector da construção civil e obras públicas, tendo este último experimentado uma contracção, no mesmo período, muito próxima dos 4%. Em termos anuais, a quebra no sector industrial foi de 1,6% e na construção civil de 0,3%, enquanto que estas taxas de variação para o conjunto de Espanha foram de –2,7%, e de –3,3%, respectivamente, ou seja consideravelmente piores.
A criação de emprego caiu, no quarto trimestre de 2008, em 1,5%, enquanto que em Espanha fê-lo em 3,1%. O total de empregos equivalentes a tempo completo foi em 2008 de 1.158.748, 4.173 mais que em 2007, representativos de um crescimento de 0,4%, um ponto por cima da média espanhola. A taxa de desemprego era na Galiza no final de 2008 de 9,7%, significativamente mais baixa que a média estatal, que se aproximava, nessa data, dos 14% (actualmente em torno dos 15,5%).
Pelo seu carácter regional e pela intensa interdependência com o resto do país, a evolução da economia da Galiza depende, em grande medida, da evolução da economia do resto de Espanha. Contudo, existe uma importante margem de manobra, em termos de política pública, que deve ser aproveitada pelo governo regional para intensificar o ritmo de crescimento e melhorar os níveis de bem-estar da população. O governo derrotado nas passadas eleições parece ter feito, a este nível, escolhas adequadas, o recém-eleito deve ter o cuidado de manter o que de bom foi feito e não cair na tentação de assumir o discurso da inevitabilidade do destino, imposto pela actual situação de crise generalizada.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ

(artigo de opinião publicado a 10 de Março pp. no Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

"Produto Interno Bruto registou uma variação nula em volume no conjunto do Ano 2008 e diminuiu 1,8% no 4º Trimestre"

"Em 2008, o PIB registou uma variação nula em volume, o que compara com a variação de 1,9% verificada no ano anterior. Este comportamento resultou, sobretudo, do intenso contributo negativo da procura externa líquida para o crescimento do PIB, mas também da desaceleração da procura interna. Em termos nominais, o PIB ascendeu a cerca de 166 mil milhões de euros, mais 1,8% que o valor do ano anterior. No 4º trimestre de 2008, o Produto Interno Bruto (PIB) diminuiu 1,8% em volume face ao período homólogo de 2007, abaixo do verificado no trimestre anterior (0,4%). Esta diminuição do PIB esteve associada à evolução da procura interna, cujo contributo para o crescimento do PIB foi de -1,3 p.p. no 4º trimestre (1,6 p.p. no anterior), sobretudo em função do comportamento do Investimento. Em sentido inverso esteve a procura externa líquida, com um contributo menos negativo no 4º trimestre de 2008 (-0,5 p.p., o que compara com -1,2 p.p. no anterior). Relativamente ao trimestre anterior, o PIB diminuiu 1,6%."
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(Resumo de Destaque(s) do INE, de 11 de Março de 2009, disponível em INE - Produto Interno Bruto registou uma variação nula em volume no conjunto do Ano 2008 e diminuiu 1,8% no 4º Trimestre)

domingo, março 08, 2009

quinta-feira, março 05, 2009

Ensino obrigatório de 12 anos viável em Portugal?

P: No discurso de encerramento do XVI Congresso do PS, José Sócrates anunciou a intenção, caso vença as próximas eleições legislativas, de alargar de nove para 12 anos o ensino obrigatório, acompanhando esta medida com a criação de bolsas de estudo para jovens entre os 15 e os 18 anos, com dificuldades financeiras e aproveitamento escolar. O primeiro-ministro afirmou ainda que logo que a rede de creches estiver terminada, também a frequência do pré-escolar será obrigatória, o que na prática elevará para 13 anos o percurso escolar mínimo dos nossos jovens.
Terá esta medida, já implementada em vários países europeus, viabilidade no contexto do ensino em Portugal, sabendo-se que actualmente muitos jovens já têm sérias dificuldades para conseguir terminar os nove anos de escolaridade obrigatória em vigor?
R: Contrariamente ao que algumas vezes se infere olhando o número de desempregados detentores de cursos superiores, Portugal mantém níveis de habilitações académicas da sua população muito baixos quando comparados com a média da União Europeia. Note-se que daí decorrem não apenas condicionamentos em matéria de eficiência produtiva mas igualmente de capacitação para uma cidadania mais qualificada. Assim sendo, fazer apostas a esse nível oferece-se-me adequado e urgente.
Entretanto, já tenho dificuldade em perceber que não se tenha começado pelo pré-escolar, parecendo do que é dito que essa continua a ser uma segunda prioridade, sendo a primeira a extensão da escolaridade obrigatória para 12 anos. É claro que tornar efectiva a frequência do ensino até anos mais tardios implica atender à situação económica das famílias. Se tal não se fizer, permaneceremos no domínio das boas intenções. Por outro lado, a preocupação não pode estar só em alargar a escolaridade mas tem também que visar que ela seja pertinente e qualificada, e a este nível tem-se feito muito mau trabalho e criado expectativas erróneas.
J. Cadima Ribeiro
*
(reprodução de pergunta formulada pela jornalista Raquel Silva, do Jornal de Leiria, em 09/03/03, e da resposta que lhe dei; contributo para fórum promovido pelo referido jornal, divulgado na edição de hoje)

terça-feira, março 03, 2009

"Dear all,
We kindly remind you that the deadline for submitting a paper to the 3rd Meeting of the Portuguese Economic Journal is March 15th 2009.
To submit a paper, please use the following link:
http://pascal.iseg.utl.pt/~meetingspej/ocs/

Kind regards,
Corrado Andini
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Corrado Andini
Assistant Professor
University of Madeira
9000-390 Funchal
Portugal

Email: andini@uma.pt
Webpage: www.uma.pt/andini"
(reprodução integral de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, com a proveniência que se identifica)

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Os caminhos difíceis que a Universidade do Minho precisa percorrer

1. Em conferência de imprensa dada na semana que antecedeu o dia da instituição (17 de Fevereiro), o reitor da Universidade do Minho veio dar notícia à sociedade portuguesa e à própria academia das dificuldades financeiras que a universidade atravessa, criticando duramente a tutela ministerial. Nessa comunicação à imprensa antecipou os termos do seu discurso na sessão solene do dia 17 de Fevereiro. Repetiu nesse acto aquilo que vem fazendo desde que foi eleito: queixou-se do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), com razão, e privilegiou a comunicação para fora, à falta de capacidade de comunicar intra-muros e reunir em torno de si a academia. Demonstração cabal desse isolamento, de facto, foi a escassa presença de professores no acto solene do dia da Universidade: estiveram cerca de 100 de entre os quase 900 doutores do seu quadro de professores e investigadores.
2. Noutras circunstâncias, aparte a situação financeira difícil vivida (que levou o reitor a anunciar desde já que não há dinheiro para cobrir os encargos com salários até final do ano), estando em curso o processo eleitoral que há-de levar à escolha do órgão de cúpula da universidade, o Conselho Geral, seria de esperar que a comunidade académica aproveitasse o referido dia para dar sinal de vida e, porventura, protestar publicamente pela desconsideração que a instituição tem vindo a merecer por parte do MCTES. Em boa verdade, não tem sido apenas a Universidade do Minho (UMinho) que tem sido maltratada, em termos de financiamento e de política geral de ensino superior, mas todas as instituições do sistema de ensino superior público. Por razões diversas, a nossa instituição tem sido, no entanto, das mais sacrificadas. Quero eu dizer que a falta de transparência da gestão pública conduzida pelo MCTES é gritante, não sendo esta pecha única da acção do ministro Mariano Gago e do ministério que tutela. A errância e casuísmo com que foram/são geridos dossiês fundamentais da reforma do ensino superior público nacional são outras acusações que podem ser feitas: a título ilustrativo, retenha-se o que se passou (continua a passar) com a reformulação dos cursos no âmbito do chamado processo de Bolonha e retenha-se o que agora se está a passar com os vínculos dos professores e com o respectivo estatuto de carreira.
3. Curiosamente, nem a escolha (despropositada) para apresentar a “oração de sapiência” (um momento destacado deste tipo de cerimónias) do cabeça de lista de uma das 3 listas concorrentes às eleições para o Conselho Geral motivou a comparência dos professores da UMinho na referida cerimónia. Obviamente, a falta de expectativa sobre o que este dirigente de uma das listas de oposição à política do actual reitor pudesse dizer também poderá ser invocada para explicar a falta de adesão da comunidade académica. Entretanto, estou em crer que as razões maiores não foram essas. No que se me refere (eu que integro uma outra lista de oposição, que aliás teve o privilégio de ser expressamente visada pelo reitor na conferência de imprensa que deu), teria gostado de ver a academia unida naquela data, num forte protesto contra as políticas do ministério.
4. E então o financiamento? É um problema real ou não é? Perguntarão os leitores. Talvez não o parecendo, a minha resposta foi já sendo dada. Sintetizando, direi:
i) uma parte da resposta às dificuldades sentidas há-de passar pela capacidade reivindicativa que a UMinho precisa de recuperar perante o ministério, isto é, se tem sido discriminada negativamente, isso só pode ser fruto da fragilidade da sua capacidade reivindicativo, tendo eu deixado clara a origem dessa fragilidade;
ii) uma segunda componente de resposta passará por a instituição retornar ao jogo do seu estatuto jurídico. Não sendo óbvio que a estratégia da UMinho passe por tornar-se uma fundação, já é muito mais evidente que foi um erro não ir a jogo, fazendo mesmo desse assunto tabu. Não é verdade que são as instituições que foram a jogo aquelas que, no presente ano, menos se podem queixar das respectivas dotações orçamentais?
iii) Uma terceira e essencial dimensão de resposta às restrições financeiras há-de passar pela própria capacidade da instituição de angariar receita via contratos de prestação de serviços e via projectos de investigação científica. Tal não se consegue com políticas absolutamente suicidárias de cativação das verbas de contratos conseguidos pelos seus professores e investigadores. Tal não se prossegue com orientações em termos de tramitação e burocratização que tolham a iniciativa e a capacidade de gestão de recursos de quem, na instituição, tem capacidade de captar projectos e serviços. Dar espaço à liberdade de iniciativa e à ousadia dos agentes da instituição é a resposta neste domínio. Nunca o seu contrário. A questão que está colocada é quanto tempo vai demorar a recuperar a confiança que um claro desnorte em termos de gestão financeira da instituição e de inabilidade em matéria de gestão de recursos humanos gerou.
J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado hoje no Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Um cúmulo de erros

«Qualquer balanço que se faça do caminho percorrido por Portugal desde que aderiu, em 1986, à União Europeia (então, Comunidade Económica Europeia - CEE) tem que sublinhar o enorme progresso económico e social registado. Aparte a componente de dotação do país em infra-estruturas e equipamentos básicos, a expressão mais notória dessa evolução talvez seja dada por indicadores do foro sanitário, como são as taxas de mortalidade infantil e a esperança média de vida à nascença. Infelizmente, os últimos 8 a 10 anos, os que temos mais presentes, foram de impasse e frustração no rumo que vinha sendo trilhado. Esse é o resultado de um cúmulo de erros, onde se juntam incapacidade de perspectivação estratégica, erros de política económica, ausência de liderança e incapacidade de comunicação entre agentes políticos e actores económicos e sociais, e com os cidadãos, de um modo geral.»

J. Cadima Ribeiro

(excerto de artigo de opinião a publicar no dia 19 de Fevereiro pf. no Jornal de Leiria)

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Atenção aos sinais proteccionistas

Nas últimas semanas tem-se assistido a um despertar do proteccionismo em vários países, com expressões públicas de diversa natureza. Na comunicação social portuguesa o assunto que mereceu especial destaque foram os protestos de trabalhadores ingleses, em resposta ao recrutamento de mão-de-obra italiana e portuguesa na refinaria de Lindsey, no Reino Unido. As pressões dos trabalhadores e o receio da generalização dos protestos levaram a que o governo inglês forçasse um acordo entre manifestantes e empresa, a qual se comprometeu a aceitar uma percentagem de trabalhadores locais. Este episódio de carácter proteccionista não é um caso isolado. Os Estados Unidos, a China, a Índia, o Brasil, a Rússia e diversos países de Europa e Latino-américa implementaram ou têm previsto implementar medidas para favorecer os seus trabalhadores e a sua indústria transformadora ou para restringir o comércio internacional, nomeadamente através de aumentos dos impostos à importação.
O comércio internacional tem sido um dos grandes pilares do crescimento económico mundial dos últimos cinquenta anos. Em finais do século XIX o comércio internacional representava 25% do Produto Interno Bruto mundial. Nos anos trinta caiu para 14% do produto, como consequência da crise económica e de uma série de políticas comerciais proteccionistas, mantendo-se sem grandes alterações durante as décadas de quarenta e cinquenta. Na década de sessenta inicia-se um processo de abertura comercial, ainda que não foi até finais da década seguinte quando verdadeiramente se intensifica a liberalização do comércio internacional. Nos últimos trinta anos os impostos ao comércio entre países diminuíram, em termos médios, de 25 para menos de 10%, o qual promoveu uma expansão continuada dos inter-câmbios. Nos últimos 15 anos as taxas de crescimento médias do comércio internacional aproximaram-se dos 6%, em termos anuais.
Nos últimos meses os líderes políticos mundiais realizaram manifestações de apoio ao comércio internacional como via para garantir uma rápida saída à recessão económica global. Contudo, as medidas implementadas ou anunciadas por alguns países nas últimas semanas contradizem o discurso político de abertura e promoção da liberdade comercial. Nesta conjuntura, o Banco Mundial estima que em 2009, por primeira vez nos últimos vinte e sete anos, o crescimento do comércio internacional será negativo (–2.1%.)
A generalização das medidas proteccionistas guarda certo paralelismo, como noutras dimensões da actual conjuntura, com a crise de 1929. Nos Estados Unidos, na sequência do crash de 29, foi aprovada em Junho de 1930 a Lei Smoot-Hawley, que criou uma série de barreiras ao comércio internacional com terceiros países. Em concreto, incrementaram-se os impostos à importação de mais de 20.000 produtos, atingindo os aumentos, em alguns casos, valores próximos dos 70%. As importações dos Estados Unidos caíram de 4.400 milhões de dólares para 1.500 milhões, entre 1929 e 1932. A resposta dos parceiros comerciais americanos teve um grande impacto nas suas exportações, as quais desceram, no mesmo período, de 5.400 para 2.100 milhões de dólares. Esta quebra do comércio internacional, nesse período, é sempre apontada como uma das razões explicativas do alargamento temporal da Grande Depressão.
A posta em marcha de medidas proteccionistas em algumas das economias de maior dimensão pode dar origem a fortes desequilíbrios em determinados mercados e a impactos macroeconómicos de carácter global. De um lado, a cláusula Buy American promovida pela nova Administração americana restringe a utilização de aço importado na construção de infra-estruturas financiadas no âmbito do plano de estímulo económico. As importações apenas poderão proceder dos países incluídos no Acordo sobre Contratação de Obras Públicas da OMC. Assim sendo, grandes produtores mundiais como a China, a Rússia e a Índia ficarão de fora, o que pode levar a que certos mercados, como o europeu, sejam inundados com aço barato procedente desses países, prejudicando os produtores locais. De outro lado, dado que a economia Chinesa tem uma forte dependência das exportações, a intensificação das medidas proteccionistas pode obrigar o seu governo a desvalorizar a moeda, para incrementar a competitividade das suas produções. Os desequilíbrios globais derivados de uma medida de política dessa natureza são neste momento de difícil predição, ainda que certamente o seu impacto não seria neutral.
Estima-se que para que o PIB das economias avançadas cresça a uma taxa média de 3% é necessário que o comércio internacional cresça a taxas não inferiores a 8%. As medidas proteccionistas não são a solução para a recessão. Do ponto de vista individual, podem ajudar a estimular a procura interna no curto prazo, mas terão efeitos perversos sobre a procura externa no médio e longo prazo. A saída da crise implica a implementação de soluções globais e não de medidas avulsas decididas individualmente. A história económica mostra-nos que o proteccionismo não é o caminho. Às vezes deitar uma olhada ao passado permite-nos tirar conclusões mais robustas que as dos sofisticados modelos de previsão, sobretudo em conjunturas como esta, onde o determinismo e a dependência temporal do passado recente perdem grande parte da importância que têm em conjunturas económicas convencionais.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

"10 Years of the Euro: Adjustment in Capital and Labour Markets"

«Dear Colleague
NIPE is organising a two-day conference, on the 7th and 8th of May 2009, on the topic “10 Years of the Euro: Adjustment in Capital and Labour Markets”. We would like to call your attention to this event. Please find below the Call for Papers.
We would be very grateful if you could distribute this announcement among colleagues of yours that might also be interested in this conference.
Yours sincerely,

Dina Guimarães
-
CALL for PAPERS: REMINDER
10 Years of the Euro: Adjustment in Capital and Labour Markets
7-8 of May 2009
School of Economics and Management
University of Minho, Braga, Portugal

The Economic Policies Research Unit of the University of Minho (NIPE) –
Portugal - is organising a two-day conference, on the 7th and 8th of May 2009, on the topic “10 Years of the Euro: Adjustment in Capital and Labour Markets”.
Developments in capital markets, namely, current account imbalances and financial integration, and labour markets rigidities have been among the most noticed difficulties some countries have been facing after adopting the Euro.
To discuss these issues, and the lessons that emerge from the analysis of the first 10 years of Economic and Monetary Union, we encourage you to participate in the conference by submitting a paper.

Plenary sessions will benefit from the participation of
Frank Smets (European Central Bank)
John Driffill (Birkbeck College, University of London)
Jorge Braga de Macedo (Universidade Nova, Lisboa)

Paper submissions should be sent to nipe@eeg.uminho.pt, until February 28th 2009.
Submitters will be notified about the status of their submissions by March 15th, 2009.
To get an update on information regarding the conference please go to
http://www3.eeg.uminho.pt/economia/nipe/euro10years/
[...]»
*
(reprodução parcial de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, com a proveniência identificada)

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Eurostat newsrelease - 4 Fev. 2009

Summary: In December 2008, compared with November 2008, the volume of retail trade remained stable in both the euro area (EA15) and the EU27. In November retail trade fell by 0.1% in both zones.
Summary: In December 2008 compared with November 2008, the industrial producer price index fell by 1.3% in the euro area (EA15) and by 1.4% in the EU27. In November, prices decreased by 2.0% in both zones.
*

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Guia para a competição

Para o mais comum dos cidadãos é difícil entender como a economia internacional funciona e como são analisadas as diversas acções tomadas pelas empresas e estados. Para alguns, trata-se de negócios bilaterais, onde há ganhos recíprocos que permitem o nosso bem-estar enquanto cidadãos e/ou agentes económicos. Para outros, trata-se de um conjunto de instituições que fornece serviços tendo como objectivo final obter certos benefícios ou lucros e que resulta em desenvolvimento da economia internacional. Há ainda alguns que consideram toda a economia internacional como um mero erro.
Há, porém, uma forma totalmente diferente de olhar um sistema em cuja participação é crucial para o desenvolvimento e, ao mesmo tempo, um facilitador do erro económico. A dinâmica económica internacional pode ser vista como a maior de todas as olimpíadas, isto é, uma enorme competição.
Para sustentar a ideia de competição basta procurar alguns indicadores económicos e perceber que todos os anos há uma enorme corrida onde todos os países são pontuados com melhores ou piores classificações. Qualquer competidor quer, obviamente, o ouro, mas dificilmente se verá Portugal, como candidato, receber o diploma de participação, quanto mais uma verdadeira medalha.
A razão é simples: somos, de momento, um atleta gordo, endividado e com um vício bem pior que os estupefacientes ou o álcool. O fraco crescimento do PIB nos últimos anos tem vindo a desencorajar o país e a anunciar a necessidade de reestruturar as instituições físicas e os procedimentos burocráticos. No entanto, independentemente do “escarcéu” politico causado por tanta mudança anunciada ou desencadeada, ela revelou-se insuficiente, dando expressão de uma clara deficiência de visão estratégica e/ou incapacidade de concretização de objectivos definidos por parte do decisor público, vulgo, Estado, e resultando num inútil gasto de tempo e de recursos, sobretudo se os resultados conseguidos forem lidos à luz do retorno obtido.
O país age de forma diferente ano após ano, sem traçar um plano de longo prazo e criando instabilidade nos agentes, nessa errância de atitude e de discurso político. Se tomarmos atenção ao objectivo de manter o défice das contas públicas num nível inferior a 3% do PIB, veremos que há efectiva falta de seriedade na prossecução do mesmo, qualquer que seja o momento que consideremos e qualquer que seja a força política que esteja (tenha estado) no poder. Na verdade, depois desta série de anos a enunciar essa preocupação de política, depois de todo o sacrifício reclamado da parte dos cidadãos, não seria de esperar estarmos mais perto de atingir o objectivo? Pois, não estamos!
Recentemente, tivemos a prova de que o incumprimento político por parte do nosso Estado será mais doloroso: a nossa classificação ou “rating” na S&P (Standard and Poor’s) foi baixada, denunciando essa evolução da cotação do país o aumento do risco que o investidor corre ao fazer aplicações em títulos representativos da nossa divida externa e nas nossas empresas. Isto irá levar a um aumento do custo do crédito por parte de todos os agentes deste país. As empresas terão de pagar mais pelos seus créditos que contraiam para realizar os seus investimentos, as famílias terão de pagar mais pelo seu endividamento e também os impostos terão de subir para aguentar com o juro mais elevado que o Estado terá de pagar ao estrangeiro.
Ao longo dos anos, o objectivo de alcançar o equilíbrio nas contas públicas tornou-se algo quase impossível, enquanto ainda estão em falta alguns dos maiores e melhores investimentos de longo prazo que este país poderia fazer. É de esperar uma contínua desaceleração do crescimento do PIB e mesmo uma estagnação a médio prazo, enquanto no curto prazo o PIB irá contrair-se e a dívida externa irá agravar-se.
É necessário que os investimentos a realizar conduzam o país a um crescimento mais estável e sustentado de agora em diante, assim como permitam o equilíbrio visado do Orçamento de Estado. Isto não será conseguido apenas pelo corte de despesas, pois o corte de algumas despesas de curto prazo só conduziria a mais despesa no longo prazo. É necessário, sim, entender o efeito custo-beneficio a longo prazo e tomar as decisões sem esperar facilidades por parte dos restantes atletas.
José Pedro Cadima

(reprodução integral de artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho)

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Fórum de economia: estratégia, liderança e credibilidade dos actores políticos

Caro [...],
Em anexo encontras o teu texto depois de uma revisão. O texto não continha erros técnicos. Dentro da tua estratégia de comunicação, é um texto muito comunicativo.
As questões que o texto não sublinha o suficiente, mas que talvez não tenha mesmo espaço para sublinhar são as seguintes:
i) aparte a errância e orientação para o curto-prazo das políticas conduzidas, há uma problema de fundo de estratégia ou de modelo de longo prazo que os governos não têm sabido equacionar; é daí que pode vir a resposta para as questões de curto prazo e para as limitações de competitividade que o país vive (tu falas neste último aspecto mas sem enunciar claramente o primeiro);
ii) na construção de uma estratégia de longo prazo é preciso reunir vontades, assegurar uma liderança credível, e saber comunicar com os agentes políticos e com os agentes económicos e a população em geral; nisso, os nossos políticos têm sido um desastre: acham-se os melhores, não são capazes de estabelecer pontes entre si e são completamente avessos ao estabelecimento de verdadeiras parcerias para o desenvolvimento com a "sociedade civil", mesmo que as enunciem no seu discurso quotidiano; por conveniência, já são receptivos ao diálogo com certos "lobbies", que "confundem" com a dita sociedade civil;
iii) a questão da liderança remete também para a questão da credibilidade dos actores políticos que, tendo a génese que têm e a cultura cívica que lhes foi incutida, não têm reunido os requisitos básicos para se constituírem nos lideres que o país precisa; o José Sócrates, por exemplo, padece gravemente destas limitações; acrescento que prefiro claramente lideranças colectivas que lideranças individuais, que facilmente escorregam para a arrogância e o autismo.
Muitos dos meus textos recentes, versem a temática económica ou a gestão do ensino superior, falam disto.
Um abraço,
J. Cadima Ribeiro

domingo, fevereiro 01, 2009

A responsabilidade dos economistas

"[...] toda a opinião, mesmo a mais intransigentemente neoliberal, é composta de mudança. De resto, o debate sobre a responsabilidade dos economistas e sobre o estado do ensino da disciplina não pode parar."
João Rodrigues
(excerto de mensagem, datada de Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009, e intulada A responsabilidade das crenças económicas, disponível em Ladrões de Bicicletas)

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Previsões económicas

Ainda vai sobrar dinheiro para 2009? – Parte 1

(título de artigo disponível em Newsletter Portugal Têxtil, de 2009/01/28)

terça-feira, janeiro 27, 2009

A Economia já não é o que era! (2)

1. A minha unidade de investigação (NIPE) mantém a prática de organizar regularmente seminários onde gente da casa ou convidados das mais diversas universidades, portuguesas ou não, têm a oportunidade de fazer breves apresentações dos resultados da investigação que têm em curso e recolher dos comentários aí recebidos uma primeira avaliação da maturidade da reflexão mantida e dos textos que prepararam. Num dos seminário mais recentes esteve um jovem da própria unidade, que é também colaborador do Banco Central Europeu, e que, enquadrando o tema que escolheu, se referiu a um seminário semelhante, ocorrido numa universidade estrangeira de renome, no ano de 2006. O aspecto mais saliente do referido evento foi que o animador da sessão, referindo-se à situação económica e financeira vivida pelos Estados Unidos antecipou a respectiva “falência” a prazo mais ou menos curto. Não é esse, no entanto, o aspecto a que quero referir-me mas, antes, à intervenção crítica feita de seguida por um outro eminente académico presente na sessão, que proclamou a fragilidade da análise de situação que era feita por não se sustentar em qualquer modelo de natureza quantitativa. Na sessão, para apoiar os seus argumentos, o analista não fizera uso de qualquer instrumento econométrico ou afim.
2. O caso que se invoca fez-me lembrar uma conversa que mantive há bastantes anos com o orientador científico da minha tese de doutoramento sobre o que é o método científico, tendo ambos concordado que este não se confundia com a formalização matemática dos modelos económicos, se bem que esta seja amiúde bastante útil, até pela economia de linguagem que permite. Curiosamente, nas provas públicas a que me sujeitei não me libertei de ser criticado por um dos arguentes por usar uma linguagem escrita que fazia apelo a alguma beleza formal (literária), inconveniente por, supostamente, ser pouco própria para ser usada numa tese de Economia. Deduzi que o(a) interpelante considerava que bom economista é aquele que lida com rudeza com as palavras, tratando-as como se de pedregulhos se tratasse. Alternativamente, deveria abdicar de usar palavras e expressar-se alinhando fórmulas matemáticas umas atrás das outras, como vi feito por um colega de Lisboa numa sessão de apresentação de projectos de investigação candidatos a financiamento do organismo público específico existente. Na altura (e talvez ainda hoje), essa era via garantida para assegurar o financiamento do respectivo projecto. Curiosamente, falando-se tanto nos tempos que correm de pertinência da investigação realizada nas Universidades e Institutos Politécnicas, essa dimensão parece continuar ausente ou quase de entre os critérios usados pela FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia) para decidir dos projectos que entende financiar.
3. A segunda lembrança que o dito caso me trouxe é muito mais recente e leva-me a um texto de opinião que li e vi publicado neste Suplemento na semana precedente, da autoria do meu filho José Pedro Cadima, de 19 anos, e que ele intitulou “Uma Caricatura”. Nesse texto, reporta-se precisamente à crise financeira e económica que atravessamos. Abre-o com a afirmação de que a presente crise lhe faz lembrar o 11 de Setembro. A analogia decorre-lhe de nos meses seguintes aos acontecimentos terroristas terem sido publicitadas várias situações que documentavam várias falhas de informação nas mais diversas agências de segurança Norte-Americanas, quer dizer, todas elas tinham tido algum tipo de pista quanto à existência de planos terroristas mas consideradas isoladamente essas pistas não levavam a lado nenhum e, portanto, não permitiram prevenir os trágicos acontecimentos da data invocada. Similarmente, caricaturando o contexto económico que levou à presente crise, ele propõe o seguinte diálogo entre dois economistas, num encontro no café:
“- Olá Economista! Como te têm estado a correr as coisas?
- Têm estado muito bem, pá! Fizemos mais uns fundos hipotecários de alto risco e os investidores já se atiraram todos a eles!
- Hei! Isso é cá uma sorte! Lá na sucursal, estamos numa enorme encruzilhada. Então, não é que os tipos do crédito de alto risco nos pararam de pagar os empréstimos para a casa?”
- Com os diabos, isso está mesmo mau para os teus lados!
Por fim, abrindo a boca surpreendidos com aquela evidente ligação, um dos dois dizia:
- Espera lá!”
O articulista remata este diálogo ficcionado da seguinte forma: “a verdade é que este tipo de conversa entre dois economistas seria impossível pois, como toda a gente tem conhecimento, dois economistas quando se encontram só falam de futebol”. A ironia e a caricatura são, muitas vezes, a melhor forma de lidar com a realidade.
4. Sem sombra de dúvida que a Economia já não é o que era! Que o digam os analistas encartados e os “Compromisso(s) Portugal” da nossa praça, que ainda não há muitos meses proclamavam as virtudes dos mercados desregulados e reclamavam menos Estado. Que o digam José Sócrates e Fernando Teixeira dos Santos, que ainda há bem poucos meses não viam à sua frente senão o défice do orçamento de Estado, aparte as várias eleições marcadas para o ano de 2009.

J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")
-
Nota: uma primeira versão deste texto foi publicada em 09/01/15 no Jornal de Leiria.

domingo, janeiro 25, 2009

“A arte de tapar o sol com uma peneira”

“Morreu recentemente um professor universitário e economista português por quem nutria simpatia. Não uma simpatia forjada no convívio pessoal ou na afinidade ideológica mas, antes, pelo culto da irreverência e da incomodidade que ele sempre soube manter.
Morreu vítima de atropelamento, não estando confirmado que tenha sido a mando do Prof. Cavaco Silva, seu colega de Faculdade, e alvo preferencial das crónicas de crítica económica que fez publicar durante os últimos anos.
Soube já depois da sua morte que fora militante do PPD, senão mesmo sócio fundador. A confirmar-se essa circunstância mais relevada sai a sua memória num tempo em que na Universidade sobressai o culto do cinzentismo e da mediocridade.
Da derradeira conferência do Prof. Alfredo Sousa a que assisti recordo uma frase que dá bem conta da forma como estava na vida e na política.
Estava-se então em 1993. Haviam-se esgotado os fundos postos ao dispor de Portugal pela Comunidade Europeia no âmbito do Quadro Comunitário de Apoio 1989/93, e o Governo não cessava de publicitar o lançamento de novos programas de apoio a que chamava «pacotes». A dado passo da sua intervenção, o Prof. Alfredo Sousa reportar-se-ia a estas políticas nos termos seguintes: «os pacotes, que como sabem são conjuntos vazios…». A plateia rompeu em riso aberto.
Antes e depois, por múltiplas ocasiões, teve o citado economista oportunidade de reclamar doutras políticas do Prof. Cavaco que, similarmente, não passavam de tentativas de tapar o sol com a peneira, como é uso dizer-se. Terá sido pouco ouvido ou, melhor, pouco lido, o que também não espanta: os jornais têm cada vez menos leitores e o Prof. Cavaco faz questão que se saiba que, pela sua parte, não despende mais de 10 minutos (ou serão cinco?) do seu tempo diário com a leitura da imprensa.
Talvez seja por isso que o Primeiro-Ministro está em via de completar o seu décimo ano à frente do Governo do país. E talvez seja por ter compreendido isso que tem nomeado para o Ministério da Educação quem tem nomeado.
A dúvida maior que me assiste, entretanto, reside em saber se é o mesmo propósito que o move no projectado regresso à Universidade.
Os desígnios de «Deus» são verdadeiramente insondáveis.”

J.C.
(reprodução integral de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 94/12/03, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)

sábado, janeiro 24, 2009

terça-feira, janeiro 20, 2009

"Praticamente todos os economistas sabiam que haveria necessidade de introduzir correcções nos mercados"

*
(título de artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, já antes divulgado neste "jornal de parede", na Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009)

sábado, janeiro 17, 2009

3rd Meeting of the Portuguese Economic Journal

«Dear all,
Please find attached the call for papers of the 3rd Meeting of the Portuguese Economic Journal. This 3rd Meeting is hosted by the Department of Management and Economics of the University of Madeira and will be held in Funchal in June 26-28, 2009.
We look forward to meeting you in Madeira.
Kind regards,

Corrado Andini
---------------------------
Corrado Andini
Assistant Professor
University of Madeira
9000-390 Funchal
Portugal
Email: andini@uma.pt
Webpage: www.uma.pt/andini»
*
(reprodução integral (com excepção de anexo) de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, com a proveniência que se identifica)

sexta-feira, janeiro 16, 2009

A Economia já não é o que era!

1. A minha unidade de investigação (NIPE) mantém a prática de organizar regularmente seminários onde gente da casa ou convidados das mais diversas universidades, portuguesas ou não, têm a oportunidade de fazer breves apresentações dos resultados da investigação que têm em curso e recolher dos comentários aí recebidos uma primeira avaliação da maturidade da reflexão mantida e dos textos que prepararam. No seminário mais recente esteve um jovem da própria unidade, que é também colaborador do Banco Central Europeu, e que, enquadrando o tema que escolheu, se referiu a um seminário semelhante, ocorrido numa universidade estrangeira de renome, no ano de 2006. O aspecto mais saliente do referido evento foi que o animador da sessão, referindo-se à situação económica e financeira vivida pelos Estados Unidos antecipou a respectiva “falência” a prazo mais ou menos curto. Não é esse, no entanto, o aspecto a que quero referir-me mas, antes, à intervenção crítica feita de seguida por um outro eminente académico presente na sessão, que proclamou a fragilidade da análise de situação que era feita por não se sustentar em qualquer modelo de natureza quantitativa. Na sessão, para apoiar os seus argumentos, o analista não fizera uso de qualquer instrumento econométrico ou afim.
2. O caso que se invoca fez-me lembrar uma conversa que mantive há bastantes anos com o orientador científico da minha tese de doutoramento sobre o que é o método científico, tendo ambos concordado que este não se confundia com a formalização matemática dos modelos económicos, se bem que esta seja amiúde bastante útil, até pela economia de linguagem que permite. Curiosamente, nas provas públicas a que me sujeitei não me libertei de ser criticado por um dos arguentes por usar uma linguagem escrita que fazia apelo a alguma beleza formal (literária), inconveniente por, supostamente, ser pouco própria para ser usada numa tese de Economia. Deduzi que o(a) interpelante considerava que bom economista é aquele que lida com rudeza com as palavras, tratando-as como se de pedregulhos se tratasse. Alternativamente, deveria abdicar de usar palavras e expressar-se alinhando fórmulas matemáticas umas atrás das outras, como vi feito por um colega de Lisboa numa sessão de apresentação de projectos de investigação candidatos a financiamento do organismo público específico existente. Na altura (e talvez ainda hoje), essa era via garantida para assegurar o financiamento do respectivo projecto.
3. A segunda lembrança que o dito caso me trouxe é muito mais recente e leva-me a um texto de opinião que li e revi, escrito por um dos meus filhos, José Pedro Cadima, de 19 anos, e que ele intitulou “Uma Caricatura”. Nesse texto, reporta-se precisamente à crise financeira e económica que atravessamos. Abre-o com a afirmação de que a presente crise lhe faz lembrar o 11 de Setembro. A analogia decorre-lhe de nos meses seguintes aos acontecimentos terroristas terem sido publicitadas várias situações que documentavam várias falhas de informação nas mais diversas agências de segurança Norte-Americanas, quer dizer, todas elas tinham tido algum tipo de pista quanto à existência de planos terroristas mas consideradas isoladamente essas pistas não levavam a lado nenhum e, portanto, não permitiram prevenir os trágicos acontecimentos da data invocada. Similarmente, caricaturando o contexto económico que levou à presente crise, ele propõe o seguinte diálogo entre dois economistas, num encontro no café:
“- Olá Economista! Como te têm estado a correr as coisas?
- Têm estado muito bem, pá! Fizemos mais uns fundos hipotecários de alto risco e os investidores já se atiraram todos a eles!
- Hei! Isso é cá uma sorte! Lá na sucursal, estamos numa enorme encruzilhada. Então, não é que os tipos do crédito de alto risco nos pararam de pagar os empréstimos para a casa?”
- Com os diabos, isso está mesmo mau para os teus lados!

Por fim, abrindo a boca surpreendidos com aquela evidente ligação, um dos dois dizia:
- Espera lá!”
O articulista remata este diálogo ficcionado da seguinte forma: “a verdade é que este tipo de conversa entre dois economistas seria impossível pois, como toda a gente tem conhecimento, dois economistas quando se encontram só falam de futebol.”
4. Sem sombra de dúvida que a Economia já não é o que era! Que o digam os analistas encartados e os “Compromissos Portugal” da nossa praça, que ainda não há muitos meses proclamavam as virtudes dos mercados desregulados e reclamavam menos Estado. Que o digam José Sócrates e Fernando Teixeira dos Santos, que ainda há bem poucos meses não viam à sua frente senão o défice do orçamento de Estado, aparte as várias eleições marcadas para o ano de 2009.
J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de ontem do Jornal de Leiria)

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Contratos públicos por ajuste directo

"[...] o meu colega da Universidade do Minho, Miguel Portela, fez uma análise dos dados que constavam no sítio de internet à data de 8 de Janeiro. Retirou as seguintes conclusões: entre 30 de Julho (data da entrada em vigor do Código dos Contratos Públicos) e 31 de Dezembro de 2008, realizaram-se um total de 16 061 contratos públicos por ajuste directo, relativos a 936 entidades públicas e 6 803 empresas, totalizando 528 082 137,21 euros, com um valor mediano por contrato de aproximadamente 6 666 euros."
Fernando Alexandre

(excerto de mensagem, datada de 12 de Janeiro de 2009 e intitulada Ajuste directo e transparência, disponível em A destreza das dúvidas)
-
Obs: quem quiser explorar a informação a que o texto se refere, pode também fazê-lo, com óbvia comodidade, através do endereço seguinte: http://transparencia-pt.org/)

terça-feira, janeiro 13, 2009

Um mau começo para a economia Espanhola

Os dados económicos publicados nas últimas semanas vieram confirmar a gravidade da crise que afecta a economia mundial. Existe um consenso cada vez mais alargado sobre o possível agravamento da conjuntura nos próximos meses e sobre as dificuldades para recuperar os níveis de actividade anteriores à crise. Os dados dos mercados de trabalho são elucidativos da forte travagem da actividade económica. Nos Estados Unidos o número de desempregados atingiu os onze milhões (3,5 milhões mais que há um ano), representando 7,2% da população activa, na Alemanha o desemprego voltou a aumentar no último mês depois de quase três anos (34 meses) de descidas continuadas e, em Espanha, o total de desempregados ultrapassou os três milhões de trabalhadores (1 milhão mais que no início de 2007), representando 11,5% da população activa.
A situação em Espanha parece mais grave que em outras economias do seu entorno, dado que à crise internacional se junta uma crise de grandes proporções no sector imobiliário. Os dados inter-anuais mais recentes revelam a magnitude da crise, tanto para as famílias como para as empresas. As transacções de habitações caíram 28% e os empréstimos hipotecários sobre habitações diminuíram 34%. As vendas de automóveis experimentaram uma redução homóloga, em Dezembro, de 49%. A quebra no mercado dos veículos comerciais foi ainda maior, ultrapassando os 65%. As vendas internas das empresas diminuíram em Novembro, também em termos homólogos, em 13%, aproximadamente.
A produção industrial experimentou uma quebra, em termos homólogos, superior a 15%. Esta taxa mais do que duplica a correspondente à média dos países da zona euro, o qual revela a gravidade da situação neste sector. Apesar de as quebras serem extensivas à generalidade da indústria, as mais acentuadas registam-se nos sectores de bens de consumo duradouro e intermédio e nos bens de equipamento. Os dados de encomendas indicam que as quebras na produção industrial vão continuar durante os próximos meses. O emprego industrial também tem diminuído (5,5%, em termos homólogos), ainda que menos que a produção, facto pelo qual nos próximos meses pode assistir-se a uma importante vaga de despedimentos na indústria.
O desemprego tem aumentado de forma espectacular ao longo de 2008. Mais de um milhão de trabalhadores perderam o seu emprego ao longo do ano. Esta facilidade para destruir emprego dá razão a quem pensava que a facilidade para criar emprego da economia espanhola nos primeiros anos da década, assentava em fundamentos económicos pouco sólidos. A intensidade do incremento do desemprego tem aumentado à medida que o ano avançava. No último trimestre do ano, o incremento médio mensal tem sido superior às 130.000 pessoas. Se essa tendência se mantiver ao longo de 2009, o desemprego aumentaria em mais de 1,5 milhões de trabalhadores. É bastante provável que o aumento não seja tão acentuado, dado que os dados do último trimestre (tradicionalmente negativo em termos de emprego) não podem ser directamente extrapolados, contudo, um aumento da ordem do milhão de trabalhadores não parece descabido, atingindo-se, nesse caso, os quatro milhões de desempregados.
É provável que o último trimestre de 2008 e o primeiro de 2009 sejam os piores em termos de quebra de actividade. A contracção do PIB continuará a verificar-se até o final do ano, mas o ritmo de abrandamento será menor. No último trimestre de 2009 a descida inter-trimestral do PIB poderá ficar-se pelos 0,5% (algumas previsões apontam para variações positivas). A queda média do PIB no final do ano poderá atingir 1,5%, ultrapassando a previsão de 1%, mantida pelo governo. Em termos de taxa de desemprego as previsões convergem no intervalo 14,5%-15%, enquanto que o governo mantém uma previsão escassamente credível de 12% da população activa.
A evolução da situação económica nos próximos meses estará dominada por um ambiente de incerteza. Apesar da complexidade da situação, a história económica mostra-nos que, como em recessões anteriores, os mecanismos cíclicos da economia e as intervenções de política económica permitiram a recuperação da actividade. Neste sentido, convém ter presente que a rapidez com que se produz a recuperação depende da agilidade e pertinência das políticas económicas propostas pelos governos nacionais. Contudo, a dimensão global desta crise justifica a implementação de políticas de alcance internacional em alguns âmbitos de intervenção.
No caso espanhol, o governo deve promover políticas que se adeqúem às particularidades da crise que enfrenta, nomeadamente, ao colapso do mercado imobiliário e às dificuldades do seu mercado de trabalho para gerar emprego. No curto prazo o governo espanhol deve aperfeiçoar os mecanismos para efectivar a despesa pública geradora de procura de investimento e consumo, dando prioridade aos projectos em função da sua capacidade para gerar emprego com carácter imediato. No longo prazo, deve preocupar-se com alterar o quadro institucional da economia, com a finalidade de aproximar o potencial efectivo de crescimento do seu potencial teórico. Neste sentido, devem ser levadas a cabo as reformas necessárias para transformar o seu modelo de crescimento, actuando sobre os seus factores impulsionadores e reorientando o padrão de especialização da economia.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

sábado, janeiro 10, 2009

Dez anos do Euro

Revista Autor
Janeiro de 2009 – Nº 1, Ano IX

2009: decisões em tempo de crise
"[...]
Um balanço de dez anos do euro em contexto de crise mundial
Economia
Escrito por Miguel Rocha de Sousa
No dia 1 de Janeiro de 2009 completam-se 10 anos em que se deu a entrada em vigor do Euro. O processo de transição para a União Económica e Monetária (UEM) não foi pacífico, teve as suas turbulências, para além de ter sido longo. Algumas lições poderão ser retiradas do caso português. O desafio do euro, hoje, é o de se impor como primeira moeda mundial, destronando o dólar, e de a própria UE conseguir ter um papel mais activo na resolução da crise mundial.
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Revista Autor – http://www.revistaautor.com/
Edição Brasileira ISSN 1677-3500
Edição Portuguesa ISSN 1646-8465"
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(excertos de mensagem de correio electrónico entretanto recebida, proveniente de Revista Autor - nl04@revistaautor.com)

terça-feira, janeiro 06, 2009

Uma caricatura

A alguns, a presente crise compara-se ao crash de 1929. A outros, com um sentido mais proporcional, lembra-lhes a crise de 1982. A mim, em especial, e se calhar porque não vivi nenhuma das duas anteriores, lembra-me o 11 de Setembro. Passo a explicar:
Recordar-se-ão das reportagens que apareceram nos meses seguintes aos acontecimentos terroristas e em que se documentavam várias falhas de informação nas mais diversas agências de segurança Norte-Americanas. Acontece que todas tinham algum tipo de pista quanto à existência de terroristas, de planos de atentados, do envolvimento da Al-Qaeda, de dinheiro desconhecido vindo do médio Oriente. Mas como aquelas nunca se juntaram para conversar e comparar indícios, foi impossível prever que uma dúzia de terroristas com ligações à Al-Qaeda tinham tido aulas de pilotagem tendo como objectivo desviar aviões para destruir variados símbolos de poder americanos.
Também nesta crise isso aconteceu. Uma data de fragmentos de informação só fizeram sentido aquando do acontecimento. Praticamente todos os economistas sabiam que haveria necessidade de introduzir correcções nos mercados (alguns apenas sabiam porque alguém lhes tinha dito que tal viria a acontecer), mas as restantes pistas para o efeito da mesma estavam separadas. Havia economistas que entendiam que os níveis de consumo estavam demasiado altos. Havia economistas que não acreditavam na legislação em vigor. Havia outros que perceberam que o sistema financeiro vivia sob um enorme desequilíbrio. E havia quem visse cada vez menos pessoas a pagar as suas prestações de crédito.
No final, antecipar a crise e o seu tamanho provou-se impossível para a generalidade dos economistas. Talvez tudo tivesse sido diferente caso dois economistas com diferentes fragmentos da informação se tivessem encontrado num café. Imaginemo-los a conversar:
“Olá Economista! Como te têm estado a correr as coisas?"
“ Têm estado muito bem, pá! Fizemos mais uns fundos hipotecários de alto risco e os investidores já se atiraram todos a eles!”
“Hei! Isso é cá uma sorte! Lá na sucursal, estamos numa enorme encruzilhada. Então, não é que os tipos do crédito de alto risco nos pararam de pagar os empréstimos para a casa?”
“ Com os diabos, isso está mesmo mau para os teus lados!”
Por fim, abrindo a boca surpreendidos com aquela evidente ligação, um dos dois dizia:
“Espera lá!”

Obviamente, e apesar da caricatura simplista, a verdade é que este tipo de conversa entre dois economistas seria impossível pois, como toda a gente tem conhecimento, dois economistas quando se encontram só falam de futebol.
No entanto, de nenhuma forma os economistas são os únicos culpados nesta situação. Houve enormes falhas por parte de todos os sectores da sociedade, começando por uma sociedade cujo consumismo a levou a um endividamento absurdo, aos bancos que emprestavam o dinheiro dos depositantes sem grande preocupação com o risco que representavam muitos clientes, às instituições financeiras que aglomeravam as hipotecas sob a forma de fundos de capitais que depois eram generosamente classificados por instituições de “rating” globais.
Mas o mais “engraçado” ficou para os investidores. Alguns deles perderam tudo porque não foram capazes de sair à rua para ver as pessoas serem despejadas das casas que haviam adquirido com recurso ao crédito. Outros, contudo, apercebendo-se disso, compraram todo o tipo de seguros para os activos que no futuro iriam destruir o sistema financeiro, fazendo dinheiro à custa da falência das seguradoras que iriam ser salvas pelo dinheiro dos endividados contribuintes.

José Pedro Cadima
(Estudante de Economia da EEG/UMinho)
jpgcadima@gmail.com

sexta-feira, janeiro 02, 2009

O desenvolvimento de Leiria e do país no ano de 2009

Jornal de Leiria
Resposta às questões colocadas pela jornalista Raquel Silva, em 08/12/26

P – Que factos acha que irão marcar o ano de 2009, ao nível do desenvolvimento regional de Leiria, e porquê?
R – O desenvolvimento de Leiria e do país no ano de 2009 será fortemente condicionado pela situação de crise financeira e económica que se vive nesta altura na Europa e no mundo, e que não estará superada num horizonte de curto-prazo. Será igualmente condicionado pela lucidez das políticas públicas que forem prosseguidas, sendo que a indicação que nos vem dos derradeiros anos não permite alimentar grandes expectativas. No essencial, diria, o futuro económico e social de Leiria e do território envolvente resultarão da ousadia e capacidade de iniciativa dos seus agentes, empresas, outros agentes de desenvolvimento e poder político local. A concretização do comboio de alta velocidade é um projecto importante para Leiria, se pensado à luz da criação de um novo sistema, intermodal, de transportes. Entretanto, não deverá haver notícias desse projecto em 2009.

P – Personalidades que acha que irão destacar-se e porquê?
R – O que tem marcado o território “centrado” em Leiria nas décadas mais recentes e a respectiva dinâmica de desenvolvimento têm sido a ausência de liderança e de estratégia, isto é, de uma estratégia para este território claramente enunciada e de alguém que a protagonize dentro e fora da “região”, entidade colectiva ou personalidade. Isto não é contraditório com a exigência de lideranças estritamente locais, que até podem jogar (jogaram, de facto) em sentido contraditório com a situação enunciada.
Não é óbvio que esta realidade se altere substantivamente no decurso de 2009, embora haja esboço de uma tomada de consciência desse problema e estejam a ser dados passos tímidos na direcção certa. Uma reunião ocorrida há dias na sede da ADLEI dá-me indicações nesse sentido.

P – O que seria desejável que acontecesse/o que deveria ser feito para que as coisas melhorassem?
R – Como deixei dito, a resposta parece estar a ser esboçada no seio do “fórum” que é a ADLEI. Não sei é se a Direcção da ADLEI será capaz e quererá tomar o papel difícil que na reunião que invoco lhe foi sugerido que tomasse. Esse papel é o de constituir-se em agitador de uma consciência colectiva do território em que pretende actuar e um animador da comunicação entre os seus principais agentes (agentes culturais, estruturas empresariais, actores políticos, personalidades de diversos quadrantes de intervenção social). É o ponto de partida possível para a criação de uma liderança para este território e de parcerias para o seu desenvolvimento, por contraponto de projectos isolados, porventura bem intencionados, mas que, enquanto tal, serão incapazes de constituir resposta para a afirmação económica, social e política do território em referência. Aliás, é bom que se tenha presente que, no quadro de concorrência entre territórios e respectivas “elites”, o vazio deixado por uns é rapidamente preenchido por outros.

Braga, 28 de Dezembro de 2008

J. Cadima Ribeiro
(entrevista divulgada na edição de hoje do Jornal de Leiria)

terça-feira, dezembro 30, 2008

Afinal os recursos e competências dos territórios contam e o país não vive num mar de rosas

1. Este período que atravessamos é fértil em jantares e convívios, o que sempre constitui oportunidade para conversas e encontros que noutros contextos dificilmente acontecem. Infelizmente, na maior parte dos casos, trata-se de iniciativas únicas no ano, mesmo que o contacto pessoal, não formalizado, seja a forma mais eficaz de trocar informação relevante, de cariz económico, técnico ou outro, e fonte de muitas ideias e oportunidades. A unidade de investigação a que pertenço (NIPE) cumpriu também este ritual, tendo-me permitido, a dado passo, saber que um dos meus colegas investigadores havia recomendado entretanto a alguém a visita a um dos meus “jornais de parede” de economia (http://economiaportuguesa.blogspot.com), vulgo, blogues. Retorqui-lhe, a propósito, que esse meu blogue parecia provocar algum desconforto a alguns outros autores de blogues de Economia, já que, geralmente, não versava os “grandes” temas da política macroeconómica. Antes, pegava na economia portuguesa a partir dos recursos, das competências dos agentes e da dinâmica dos seus territórios (regiões), assumindo que a saúde da economia do país só pode repousar na saúde e no dinamismo dos seus agentes (famílias, empresas, agentes institucionais) e dos seus territórios.
2. Corri pouco risco nesta afirmação, nesta altura, ao contrário que teria sucedido há poucos meses, pois que até o governo de José Sócrates parece ter percebido isso entretanto, como o sugerem as múltiplas visitas de ministros e secretários de Estado ao “país real” que se têm verificado nas derradeiras semanas, e as declarações “de preocupação” com a situação das empresas e dos portugueses que o próprio e vários dos seus colaboradores próximos têm proferido. Curiosamente, o país é o mesmo de há poucas semanas ou meses, sendo que o ministro das finanças do dito governo era tido, por essa altura, como um exemplo de eficácia e competência, por ter reconduzido o défice das contas públicas para valores abaixo dos 3% do PIB. A contrariar essa imagem, emergira quase só a classificação pelo Financial Times de Teixeira dos Santos como um dos piores ministros das finanças da União Europeia, abaixo dos primeiros 15, se não estou enganado. Poderia, obviamente, ser má vontade do mencionado jornal inglês para com os cabelos brancos do “nosso” homem; podia…
3. Falando de territórios e respectivo desempenho, vale a pena deixar aqui a informação que, por encomenda do governo português, a OCDE, produziu não vai para muitos meses um relatório intitulado “Estudos Territoriais da OCDE: Portugal”, editado em português pelo Instituto Financeiro para o Desenvolvimento regional, IP., antiga Direcção-Geral de Desenvolvimento Regional. Surpreendentemente, dada a natureza da entidade responsável pelo estudo, tem bastante informação tratada a nível de unidades estatísticas de nível III (NUTs III), o que permite traçar um retrato bastante fidedigno da realidade do país, o que de maneira nenhuma se consegue usando NUTs II, quer dizer, os territórios de intervenção das chamadas Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional. Pena é que nem todos os dados tenham a actualidade que seria recomendável.
4. Sinal dos tempos, é com interesse e alguma perplexidade que se pode ler nesse relatório algo como o seguinte:
As ambições de Portugal de modernizar a economia nacional estimulando a inovação irão, por conseguinte, exigir políticas que identifiquem os recursos específicos existentes nas diferentes regiões e que facilitem a sua valorização.
Este objectivo torna necessária uma mudança crítica relativamente às orientações anteriormente seguidas pelas políticas aplicadas em Portugal. Até ao recente lançamento de programas emblemáticos […], a política para a inovação esteve, […], ausente ou encontrava-se dissociada da política regional, o que se traduzia em resultados ambivalentes para o desenvolvimento nacional.[…]. Em contraste com o arranque económico favorável noutros países (como a Espanha e a Irlanda) que também eram habitualmente elegíveis para a ajuda especial europeia (Fundo de Coesão), o impasse de Portugal indica que o investimento passado […] não foi suficiente para desencadear uma dinâmica de desenvolvimento endógeno baseada em recursos competitivos
.” (OCDE, 2008, pp. 15/16)
A perplexidade que refiro decorre de ver posta em dúvida a consistência das políticas estruturais conduzidas no âmbito dos Quadros Comunitários I, II e III e o brilhantismo dos seus inspiradores e executores, alguns dos quais ainda andam por aí, sob as luzes da ribalta. E mais me assiste a dúvida sobre a inconsistência que se deduz da política regional mantida que passo a explicitar de seguida: não é verdade que se usava chamar de planos de desenvolvimento regional aos documentos com base nos quais se negociavam, em Bruxelas, os quadros financeiros de apoio (CQAs)?
Não me digam que se andou a vender aos portugueses gato por lebre? Não quero acreditar! Recuso-me a crer na evidência.

J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

quinta-feira, dezembro 25, 2008

"Permeabilidade de diferentes esferas da vida social à finança"

"Esta permeabilidade de diferentes esferas da vida social à finança, em todas as classes e em todas as idades, activamente promovida pelo Estado, torna a recente crise uma preocupação maior para o nosso país. O aumento do desemprego e consequente estagnação ou mesmo diminuição dos salários, aliada ao sobrendividamento, fazem prever o pior no acesso aos bens e serviços essenciais."
(excerto de mensagem intitulada "A crise e o processo de financeirização em Portugal", datada de 08/12/22, disponível em Ladrões de Bicicletas)

terça-feira, dezembro 23, 2008

"Os espanhóis têm cerca de um terço dos empregadores e empregados com formação de nível superior"

Notícia Diário Digital
Estudo: Espanhóis mais qualificados do que os portugueses:
http://diariodigital.sapo.pt/dinheiro_digital/news.asp?section_id=2&id_news=109394

(cortesia de Nuno Soares da Silva)

O desafio da competitividade...

As últimas décadas têm sido marcadas por profundas mudanças nos sistemas económicos e por um notável avanço no domínio das novas tecnologias que vem lançar um enorme desafio às empresas mais ambiciosas ao enfrentarem um mercado globalmente mais competitivo.
Recentemente, o ministro da Economia, Manuel Pinho, em declarações a uma rádio portuguesa, disse acreditar na competitividade das empresas portuguesas e na capacidade destas enfrentarem a pressão competitiva vinda da vizinha Espanha. “Acredito que as nossas empresas são suficientemente fortes para concorrer e para o fazerem cada vez melhor”, salientou.
É nos períodos de crise que as empresas se deparam com a necessidade de redução de custos e reestruturação do sistema produtivo de forma a fazer face às quebras do consumo. De facto, a actual conjuntura económica nacional e internacional coloca às empresas portuguesas um novo desafio, que deve ser encarado no contexto de competitividade, de concorrência e de definição de vantagens competitivas. Como tal as apostas devem ser construídas de uma forma sólida, com base nos seguintes aspectos:
- Inovação e capacidade de criação de valor;
- Crescimento sustentado da produtividade e na recomposição das actividades, de forma a tirar partido do custo relativo dos factores num mercado de moeda única;
- Exploração dos factores territoriais e definição de estratégias de internacionalização;
- Racionalização dos custos produtivos;
É necessário que as empresas, e o país, sejam capazes de criar uma estrutura interna de inovação. Essa estrutura deve contudo ter como base a criação de cadeias de valor em sectores específicos, que gerem vantagens competitivas. É também necessária a exaustiva exploração das reservas de capital humano e de I&D (investigação e desenvolvimento) que permitam aperfeiçoar processos produtivos, apostar na diferenciação e criar novos produtos com qualidade reconhecida. Contudo, tais medidas têm de estar associadas a uma reestruturação do sistema de financiamento das empresas Portuguesas, reduzindo o acesso ao financiamento externo, de forma a diminuir a vulnerabilidade a choques externos. È também fundamental apelar a uma maior flexibilidade das empresas e das condicionantes políticas da sua actividade, tentando estabelecer uma aproximação aos padrões de governação das democracias ocidentais mais desenvolvidas.
São muitas as reformas necessárias para agilizar o processo produtivo e nos tirarem dos lugares cimeiros no que toca à “incapacidade de criação de valor”, segundo dados divulgados pela OCDE (relatório sobre os níveis de competitividade), que terão necessariamente de ter início com uma aposta na educação, formando uma sociedade prática, consciente, ágil, ambiciosa, eficiente e produtiva!
Paulo Jorge Carvalho
(estudante de Economia da EEG/UMinho)
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho)

segunda-feira, dezembro 22, 2008

O subfinanciamento das IES

«Nos últimos três anos, as transferências do Estado para as instituições de ensino superior têm vindo a diminuir e já não chegam para cobrir as despesas correntes. Às universidades e politécnicos públicos é-lhes pedido que recorram às receitas próprias para pagar despesas que, até há dois anos, eram da responsabilidade do Estado.
Ano após ano, as instituições queixam-se do subfinanciamento e vão adiando projectos "à espera de melhores dias", conclui-se num inquérito que o PÚBLICO lançou há um mês ao sistema público de ensino superior e a que responderam metade (15 em 30) das instituições.»
(excerto de Notícia PÚBLICO - Última Hora, de hoje, intitulada "Universidades cortam verbas para professores e instalações")
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[cortesia de Nuno Soares da Silva]

terça-feira, dezembro 16, 2008

A Galiza também abranda

A situação económica na Galiza tem vindo a piorar ao longo do último ano. Os dados mais recentes sobre o nível de actividade, relativos ao terceiro trimestre do ano, confirmam o agravamento da situação. A variação inter-anual do valor acrescentado bruto não agrário nesse trimestre foi de 0.9%, ligeiramente superior à variação de 0.6%, verificada no conjunto de Espanha.
Estima-se que a taxa de crescimento do produto no final do ano apenas venha a ultrapassar o 1%. O abrandamento do ritmo de crescimento do produto advém tanto da fraqueza da procura privada interna como da acentuada quebra das exportações. A primeira, constituída pelo consumo final das famílias e a formação bruta de capital (FBC), está a cair a ritmos progressivamente mais intensos e é bastante provável que a sua taxa de crescimento não exceda o 1% no final do ano.
A componente da procura exterior também revela dados preocupantes. A quebra acumulada das exportações é superior a 8% e a das importações ultrapassa os 7%. Contudo, o dado mais destacado é o relativo à quebra das importações de bens de equipamento, que no que vai de ano se aproxima dos 70%. Este dado evidencia o forte ajustamento do sector produtivo. As empresas, perante expectativas de negócio pouco favoráveis, estão a adiar as suas decisões de investimento, contribuindo para afundar, ainda mais, os níveis de actividade.
O sector da construção civil merece um comentário diferenciado. A queda acumulada de construção de habitações na Galiza é superior a 45%, sendo a da superfície a construir de quase 40% (dados do mês de Maio). O emprego sectorial caiu apenas 6.5%, graças à manutenção dos níveis de investimento público. Neste sentido, convém destacar que o número de concursos públicos no sector caiu unicamente 3.5%, nos oito primeiros meses do ano, devido, entre outras razões, à conjuntura pré-eleitoral derivada da iminente convocatória de eleições para o governo regional.
A situação no mercado de trabalho começa a ser especialmente preocupante. O número de desempregados aumentou nos primeiros três trimestres do ano em quase 11%, e a taxa de desemprego atinge 8.4% da população activa. A conjuntura neste âmbito tem-se agravado seriamente nos últimos meses. Os dados do último mês do terceiro trimestre (Setembro) revelam que a seguir ao verão as empresas, de alguns dos sectores mais importantes em termos de emprego, levaram a cabo processos de ajustamento através de despedimentos acordados ou da não renovação dos contratos a termo. Os jovens menores de 25 anos foram os mais afectados por este ajustamento, dado que o número médio de inscritos na Segurança Social caiu drasticamente após o verão, passando de 87,000 para apenas 77,000.
Um dado que reforça a má situação do mercado de trabalho é o elevado número de Expedientes de Regulação de Emprego (ERE). Este procedimento, regulado por Lei, permite às empresas prescindir temporariamente (e inclusivamente despedir, por extinção do posto de trabalho) dos seus trabalhadores, utilizando como justificação principal a queda de encomendas. Até ao início deste mês, 480 empresas utilizaram esta figura para ajustar o seu volume de emprego. Neste momento, há mais de 7,500 trabalhadores afectados por este tipo de expedientes. Por sectores, os mais prejudicados são os de componentes para automóveis, onde foram apresentados 42 expedientes, alguns deles de centenas de trabalhadores, o das pescas e o têxtil.
O contexto actual caracteriza-se por uma manifesta escassez de procura, a qual é causa e consequência da perda continuada de empregos, por uma dificuldade considerável para financiar o consumo e o investimento, por uma recessão profunda nos mercados externos das empresas e, em definitivo, por uma incerteza crescente, da generalidade dos agentes económicos, relativamente ao futuro. Independentemente das medidas de curto prazo que possam ser postas em prática, esta conjuntura deve obrigar os responsáveis de política a reflectir sobre o modelo de desenvolvimento a longo prazo e, sobretudo, sobre o modelo de governação que deverá vigorar nas próximas décadas.
Na actual conjuntura, as intervenções de curto prazo do governo autonómico neste âmbito terão um alcance muito reduzido. Assim sendo, o governo central é o que tem que apresentar medidas de política económica solventes, que contribuam para estimular a procura privada e substituir parte dela por consumo público, sem esquecer que a actividade económica só voltará a ganhar algum vigor quando as dinâmicas da criação de emprego forem restauradas. As políticas fiscais expansivas que estão a ser propostas nos últimos dias parecem uma boa solução para estimular a economia no curto prazo, mas é nestes momentos quando convém lembrar que, no âmbito produtivo, os recursos públicos devem servir para incrementar a competitividade no longo prazo. Em Espanha isso não foi feito durante os anos de bonança económica. Na Galiza os défices a esse nível foram maiores, e as falhas de orientação comparativamente mais duradouras.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

Seminário “Economic Analysis Using Linked Employer and Employee Data”

«Bom Dia,
O Departamento de Economia e o NIPE (Núcleo de Investigação em Políticas Económicas), estão a organizar um workshop a 18 de Setembro de 2009 sobre “Economic Analysis Using Linked Employer and Employee Data”.
O orador principal deste workshop é o Professor David Card, University of California, Berkeley. Gostaríamos de chamar a sua atenção para este evento. Por favor verifique abaixo o Call for Papers.
Informação adicional sobre o evento pode ser encontrada no sítio:

http://www3.eeg.uminho.pt/economia/nipe/workshopLEED2009/index.html

Despeço-me apresentando os meus melhores cumprimentos,

Dina Guimarães»
(reprodução integral de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, com a proveniência que se identifica)