Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

quarta-feira, junho 17, 2009

5ª Conferência do Banco de Portugal "Desenvolvimento Económico Português no Espaço Europeu"

«Caro Professor,
Está em curso o Convite à Apresentação de Comunicações para a 5ª Conferência do Banco de Portugal sobre o Desenvolvimento Económico Português no Espaço Europeu, a realizar no 2º Trimestre de 2010.
A conferência tem como objectivo incentivar economistas portugueses a reflectirem sobre os desafios do desenvolvimento económico em Portugal. Para além de reflexões de grande rigor técnico, pretende-se que os estudos apresentados sejam úteis do ponto de vista de política económica, devendo ter um carácter aplicado e considerando Portugal como case study.
O período para apresentação de comunicações decorre até ao dia 30 de Junho e toda a informação relativa à Conferência poderá ser consultada em
Com os melhores cumprimentos,
Mário Centeno»
*
(reprodução integral de mensagem electrónica recebida, reencaminhada por: NIPE)

terça-feira, junho 16, 2009

Construir respostas a partir dos recursos e competências dos territórios: a comercialização de vinhos pela internet

1. Os recursos são a base da actividade económica. Alguns territórios podem apresentar-se bem dotados de recursos e carecerem de competências. As competências exprimem-se na capacidade de combinar os recursos para deles tirar utilidade ou proveito. O desenvolvimento da actividade económica, requer a combinação e a coordenação eficiente dos recursos existentes nos territórios.
Num momento em que a economia portuguesa vem atravessando um período de profunda crise e indecisão sobre as bases em que vai construir o seu futuro, parece-me oportuno trazer aqui estas notas sobre as bases do desenvolvimento dos territórios e, logo, do país. Nos parágrafos seguintes procura-se sublinhar a existência de oportunidades e de vias para o seu aproveitamento que ou não têm sido consideradas ou têm sido subaproveitadas. O caso que se invoca é o dos vinhos de qualidade, aqui convocados no contexto do questionamento das virtualidades do recurso a novos canais de distribuição.
2. Nas últimas duas décadas emergiu um número crescente de empresas portuguesas que vêm produzindo e vendendo vinho de elevada qualidade para o mercado externo. O sucesso destas firmas, orientadas para os principais mercados de vinhos e fazendo uso dos canais de retalho tradicionais, é facilitado pelas especificidades regionais. Algumas dessas firmas estão a evoluir desta aproximação clássica para uma nova que consiste na exploração de nichos de mercado. O mercado “em linha” (online) é um nicho que as empresas precisam de visar.
A indústria do vinho pode ser segmentada em função de variados atributos. Esses atributos podem ter natureza intrínseca ou extrínseca. Elementos distintivos básicos dos vinhos são a região de origem e a cor. A atractividade de um nicho de mercado depende de vários aspectos, que vão da dimensão do mercado e poder de compra dos consumidores ao interesse demonstrado por parte dos concorrentes.
3. Para alguns consumidores, a aquisição através do canal electrónico tornou-se parte da respectiva vida diária. Nos Estados Unidos da América (EUA), por exemplo, o número de indivíduos que usava a internet para comprar e vender bens e serviços atingia já mais de 17 milhões no final do ano de 2001. O desenvolvimento da internet levou muitas empresas a procurar tirar vantagem deste novo canal de distribuição. Em todo o caso, vender livros ou CDs “em linha” ou vender doces, frutas ou mobiliário não é a mesma coisa.
4. Não havendo dados para Portugal sobre o perfil do comprador de vinhos que usa o canal electrónico, esses dados existem para os EUA. Dos resultados disponíveis para este mercado, um primeiro elemento a reter refere-se ao número de respondentes a um inquérito que consomem vinho regularmente (53,5%). Em contraste, o mercado electrónico revelou-se bastante pequeno: somente 17,2% dos consumidores de vinho recorria a esse canal de comercialização. A variedade de fontes de informação usadas pelos consumidores merece também atenção, sendo que os retalhistas gozam de uma clara supremacia, com quase 30% (29,6%) das visitas. Este dado é consistente com a ideia de que subsiste uma clara diferença entre usar a internet para obter informação sobre produtos e usá-la como principal canal de compra ou canal alternativo aos tradicionais.
5. Informação igualmente interessante foi obtida através de um inquérito conduzido junto dos autores dos blogues temáticos de vinhos. Uma primeira indicação reporta-se ao género: 70,7% dos respondentes foram homens. Uma segunda informação reporta-se à presença menor de indivíduos jovens entre os autores de blogues sobre vinhos. Jovens ou menos jovens, os autores de blogues são, em geral, gente possuindo altos níveis de rendimento e detentora de elevadas qualificações académicas. Isto pressupõe que se trata de consumidores bem informados, capazes de sustentar um certo nível de consumo. Cruzando este dado com aquele que nos dizia que a internet deveria ser tomada como um canal de aquisição de vinhos complementar, uma estratégia que os operadores do mercado electrónico podem explorar residirá na aposta nos catálogos de vinhos difíceis de encontrar e de muito elevada qualidade.
6. Concluindo: no respeitante à comercialização pela internet de vinhos, os resultados a que tivemos acesso confirmam que esse canal é apropriado para comercializar vinho, mesmo se não é considerado pelos consumidores como alternativo aos canais tradicionais. Perseguindo a meta de ver crescer esse mercado, importa implementar esquemas logísticos bem lubrificados e melhorar a confiança entre vendedores e consumidores. Para alcançar esse objectivo, parece ser necessário estabelecer algum nível de colaboração dos produtores e/ou retalhistas localizados na mesma área.
7. Cremos ter ficado claro que os territórios são uma fonte inquestionável de recursos e que, quando considerados a partir das suas potencialidades, não será difícil descortinar neles oportunidades de índole económica. As novas tecnologias de informação e comunicação mostram ter um papel essencial a desempenhar, quer na componente promoção quer na da comercialização.
J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

segunda-feira, junho 15, 2009

"Chamada de artigos - Revista História e Economia"

«Prezado Professor,
Temos a satisfação de lhe informar que a 4ª publicação da revista: "História e Economia", Revista Interdisciplinar do Instituto de História e Economia, encontra-se gratuitamente disponível no site http://www.bbs.edu.br/institutobbs.asp
Solicitamos artigos para o 5ª volume da revista, que tem a publicação prevista para o final do primeiro semestre de 2009.
A Revista dedica-se à publicação de artigos nas áreas de História Econômica, História Financeira, e História das Idéias Econômicas. Publicamos somente textos originais, aceitando em casos especiais, a publicação simultânea em revista estrangeira.Recebemos artigos em português, inglês, espanhol ou francês.
Os artigos poderão ser referentes a quaisquer países ou regiões. Todos os artigos serão publicados no idioma em que foram escritos
O conselho editorial da revista é composto pelos seguintes profissionais:
§ Adalton Franciozo Diniz – Mackenzie
§ André Villela – EPGE/FGV
§ Antônio Penalves Rocha- USP
§ Carlos Eduardo Carvalho – PUC/SP
§ Carlos Gabriel Guimarães - UFF
§ Flavio Saes – USP
§ Gail Triner - Rutgers University
§ Jaime Reis – ICS - Universidade de Lisboa
§ John Schulz – BBS
§ Jonathan B. Wight – University of Richmond
§ José Luis Cardoso –ISEG - Universidade Técnica de Lisboa
§ Marcos Cintra - Unicamp
§ Pedro Carvalho de Mello – ESALQ
§ Renato Leite Marcondes - USP/Ribeirão Preto
§ Ricardo Feijó – USP/Ribeirão Preto
§ Steven Topik – University of California Irvine
§ Vitoria Saddi – JP Morgan Chase

Para maiores informações, favor entrar em contato com Rafael Balan Zappia
Telefone: 3266-2586
E-mail: he@bbs.edu.br
Endereço: Alameda Santos, 745 – 1º andar.
CEP: 01419-001 – São Paulo – SP
Atenciosamente,

Conselho Editorial»

(reprodução de mensagem de correio electrónico entretanto recebida, com a proveniência que se identifica)

Subsiste uma clara diferença entre usar a internet para obter informação e usá-la como principal canal de compra

Subsiste uma clara diferença entre usar a internet para obter informação e usá-la como principal canal de compra

(título de mensagem, datada de hoje, disponível em Planeamento Territorial)

quarta-feira, junho 10, 2009

Apresentação de livro: "[...] 500 anos de emigração galega a Lisboa"

«O Centro de Estudos Galegos da Universidade do Minho tem o prazer de informar da seguinte actividade:
Inauguração da exposição e apresentação do livro e do documentário: História de uma emigração difusa. 500 anos de emigração galega a Lisboa, da autoria de Xan Leira.

Lugar: Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva
Dia: 17 de Junho
Hora: 18h

Com os melhores cumprimentos,
Inês Rodo Montes
Centro de Estudos Galegos - ILCH
Universidade do Minho»

(reprodução integral de mensagem distribuída entretanto na rede electrónica da UMinho, com a proveniência identificada)

segunda-feira, junho 08, 2009

"O PS sofreu hoje uma grande derrota": não foi nada que não merecesse

"O PS sofreu hoje uma grande derrota: primeiro com a elevadíssima abstenção, depois com a constatação de que as sondagens estavam erradas. Apesar de esperada uma descida substancial em relação a 2004, os 26,6% são um resultado fraquíssimo e os cerca de 5% de distância em relação ao PSD serão, concerteza, muito difíceis de digerir.
Por outro lado, o PSD foi incapaz de aproveitar o descalabro socialista e, apesar de ser o partido mais votado, não é, nem de perto de longe, o vencedor da noite eleitoral [...]"
João Martinho
*
(excerto de mensagem, datada de 2009/06/07, intitulada A vitória, nestes casos, é de quem a apanhar, disponível em Avenida Central)

terça-feira, junho 02, 2009

Reflexões sobre a alteração do modelo económico-social português

Desde há uma série de anos discute-se quase permanente sobre a necessidade de mudar o modelo económico-social em Portugal. As razões invocadas para justificar tal necessidade advêm da escassa capacidade do actual modelo para garantir níveis sustentáveis de crescimento económico, com capacidade para gerar riqueza e emprego, e para acomodar as variações cíclicas da actividade económica. O debate sobre o assunto tem sido amplo e diversificado, mas também disperso e pouco qualificado. A falta de concretização tem conduzido a resultados magros em termos teóricos e a inação em termos práticos.
Um modelo económico é uma síntese da realidade, que tenciona reflectir de forma simplificada os comportamentos e as inter-relações entre os diferentes agentes económicos, no âmbito da produção, do investimento e do consumo. Um modelo económico-social amplia o espectro do modelo económico, ao incorporar não só as transacções de carácter económico, mas também as de carácter social, incluindo, inclusivamente, aquelas sem qualquer tipo de contraprestação económica. Em economia política estudam-se habitualmente três tipos de modelos económicos: a economia de mercado, a economia dirigida e a economia mista.
A economia portuguesa é, como a maioria das economias industrializadas, uma economia mista, onde o sector privado e o público convivem com a finalidade de gerar e distribuir riqueza, respectivamente. Em termos latos, o debate sobre a alteração do modelo económico deveria apenas concentrar-se sobre o papel atribuído às esferas privada e pública da economia e, portanto, sobre o seu protagonismo no sistema económico. Em termos mais específicos, a reflexão deveria centrar-se na potencial mudança do modelo produtivo e na alteração do papel do Estado na economia. Obviamente ambos os níveis de discussão afectam lógicas sobrepostas, razão pela qual, tratar de isolar os debates não parece a estratégia mais razoável para melhorar a eficácia do sistema.
A primeira questão a resolver é determinar quais as funções a desempenhar pelo Estado na economia, definindo-se por exclusão as que devem ser executadas por privados. Neste sentido convém pôr de lado os preconceitos sobre este assunto, dado que economias nas que o Estado tem um peso muito significativo (nomeadamente pela grande generosidade das políticas redistributivas) conseguem apresentar níveis de competitividade significativamente altos nos rankings internacionais. Contrariamente, algumas das mais liberais enfrentam graves problemas em momentos de crise, como o actual, pela inexistência de políticas públicas que permitam amortecer os efeitos da quebra de actividade económica e travar o drama social do desemprego.
Dentro das temáticas específicas para o debate, a alteração do sistema produtivo é prioritária. No caso português este apoiou-se, durante décadas, em sectores de reduzido valor acrescentado, que baseavam a sua competitividade em custos de produção (nomeadamente salariais) relativamente baixos. A crescente exposição à concorrência de países com custos de produção extremamente reduzidos levou ao desaparecimento ou reconversão, desde início desta década, de sectores de grande importância em termos de produção e exportação. O rol do governo português, na óptica sectorial, tem sido tradicionalmente muito interventivo, potenciando sectores, através da subsidiação directa ou indirecta, e prejudicando outros, muitas vezes de forma inconsciente, por via das distorções competitivas, activas ou passivas. No contexto dos sistemas produtivos, os governos não podem promover directamente sectores atendendo a interesses particulares, sejam eles legítimos ou não. Compete às empresas tomar decisões de investimento e pôr em marcha actividades produtivas. Os governos devem limitar-se a melhorar as suas condições de desempenho, apoiando o sistema educativo e de inovação, fornecendo informação para os negócios, reforçando os vínculos universidade-empresa, fortalecendo as diferentes modalidades de formação profissional, reduzindo os custos de transacção e a burocracia e promovendo a estabilidade macroeconómica e a segurança jurídica, entre outras.
Para além das mudanças do sistema produtivo, é imprescindível proceder a uma reformulação das formas de intervenção do Estado. O seu papel como produtor deveria focar-se maioritariamente nas funções de distribuição, potenciando, simultaneamente, o seu papel como regulador, com a finalidade de assegurar o bom funcionamento tanto dos mercados de bens e serviços, como do mercado de trabalho. Um outro aspecto importante consiste em diferenciar os conceitos de provisão e produção. Para garantir a provisão dum determinado bem ou serviço, o Estado não precisa de o produzir directamente. Na tomada de decisões operativas a este respeito, as considerações de eficiência e de capacidade de regulação são aspectos que exigem uma cuidada ponderação por parte dos decisores públicos.
Todas as recomendações recorrentemente efectuadas pelos organismos internacionais, durante os últimos vinte anos, são, sem dúvida, um bom ponto de partida para implementar um programa de reformas estruturais que permita alterar o modelo económico-social, tornando-o economicamente mais eficiente e socialmente mais justo. A alteração do modelo exige uma liderança política forte e uma conjuntura económica favorável. Sem elas o debate estéril prolongar-se-á durante anos e a sua implementação ficará eternamente adiada.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

"Não me venham com a lenga-lenga de que nas eleições europeias não se avaliam políticas nacionais!"

Um protesto mais eficaz

(título de mensagem, datada de 1 de Junho de 2009, disponível em Empreender)

domingo, maio 31, 2009

Sistemas de navegação para carros

«"BOSCH" ANUNCIA 100 POSTOS DE TRABALHO
A "Bosch" anunciou que vai transferir para a fábrica de Braga a produção dos seus sistemas de navegação para carros, uma área que estava centrada na Alemanhã, em Hildesheim. A decisão tem impacto no nível de emprego em Portugal, com a criação de 100 novos postos de trabalho.»
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(título e excerto de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, proveniente de CMBraga - Comunicação - canal.informativo@cm-braga.info

quarta-feira, maio 27, 2009

Índice Sintético de Desenvolvimento Regional - 2006

"Os resultados do ISDR, reportados a 2006, revelam que apenas cinco, em 30 sub-regiões - por ordem hierárquica, Grande Lisboa, Pinhal Litoral, Baixo Vouga e, marginalmente, Beira Interior Sul e Baixo Mondego - superavam a média nacional em termos do índice global de desenvolvimento regional.
Os resultados reflectem uma imagem assimétrica do País, em termos de desenvolvimento global e de competitividade, mas mais equilibrada do ponto de vista da coesão e, ainda que em menor escala, mais equilibrada também do ponto de vista da qualidade ambiental. A existência de assimetrias inter-regionais mais intensas na competitividade reflecte, todavia, um processo em que, entre 2004 e 2006, 17 sub-regiões convergiram relativamente ao nível de desempenho nacional.
Na competitividade é saliente a diferenciação entre o Litoral e o Interior, com dominância do Litoral. Este padrão também caracteriza a qualidade ambiental, embora invertido face à competitividade, com o Interior a revelar desempenhos mais favoráveis. Na coesão, uma realidade mais equilibrada coexiste com alguma predominância de sub-regiões do Sul e centro Sul face ao Norte."
*
(reprodução de resumo de Destaque(s) do INE de 2009/05/26, intitulado Índice Sintético de Desenvolvimento Regional - 2006, disponível em INE)

segunda-feira, maio 25, 2009

"Não basta possuir recursos"

Água do mar

(título de mensagem, datada de 25 de Maio de 2009, disponível em Empreender)

sexta-feira, maio 22, 2009

Medidas de apoio à ITV

Qual o efeito dos apoios à ITV? – Parte 2

(título de artigo disponível na Newsletter Portugal Têxtil de 21/05/2009)

quinta-feira, maio 21, 2009

terça-feira, maio 19, 2009

Perceber a economia e a sociedade em que vivemos

1. O Departamento onde trabalho (Depto. de Economia da Escola de Economia e Gestão, Universidade do Minho) organizou há dias uma conferência de que fui moderador, que teve como convidado principal Vítor Bento, economista e presidente da SIBS (Multibanco), e como comentador da intervenção do conferencista em causa Pedro Lains, historiador e investigador do Instituto de Ciências Sociais, Lisboa. O pretexto para o convite a Vítor Bento foi a apresentação do seu mais recente livro, intitulado “Perceber a crise para encontrar o caminho”.
2. A apresentação foi muito rigorosa e didáctica e terá deixado bastante impressionada a plateia. Do que disse o comentador, reagindo à intervenção oral inicial mas, bem assim, ao que lera no livro, retenho a indicação que gostara de ler a primeira parte (analítica) mas que se reconhecia muito menos na segunda parte, que o autor da obra dedica a um conjunto de “Considerações sobre a envolvente político-social”, desembocando nas propostas de estratégia para a superação das graves dificuldades estruturais porque passa a economia portuguesa. Devo dizer que, nesta dimensão, me identifiquei algo com o que disse Pedro Laíns, isto é, a meu ver, o rigor técnico e a lucidez que informa a primeira parte do livro não tem contrapartida à medida na leitura feita dos enquadramentos político-sociais que ditaram o percurso desastroso da economia portuguesa nos últimos 10 anos e, sobretudo, dos derradeiros 7, e ainda menos em matéria de estratégia de política para resolver as múltiplas crises (desequilíbrios) que o país enfrenta. Os mais importantes desses desequilíbrios são, do meu ponto de vista; o desequilíbrio das contas externas e a dívida externa em crescimento acelerado; o desequilíbrio das contas públicas; a crise estrutural da economia nacional; a crise financeira (e económica) internacional; a crise de credibilidade do sistema político; e a crise de liderança da economia e da sociedade portuguesa.
3. Sobre a matéria antes referida, diz a dado o passo Vítor Bento (p.19): “[…] o deslumbramento da afluência adquirida levou-nos a descurar as virtudes da boa ´gestão caseira`, deixando acumular preocupantes desequilíbrios e criado vícios comportamentais que nos enfraqueceram. Ao nível estrutural, somos confrontados com o que impropriamente se tem designado por ´esgotamento do modelo` […]”. Não é igual a leitura que eu faço dos fundamentos e materialidade da “crise” mas não me custa subscrever a análise nesta passagem. Também não me custa subscrever a afirmação que produziu de que “O primeiro choque [reportava-se à adesão de país ao Euro (€)] que poderia ter sido minimizado, se houvesse gestão macroeconómica, foi o que andou associado ao equilíbrio orçamental”. O que me custa verdadeiramente aceitar é que Vítor Bento veja a saída para a superação deste beco a que chegámos: i) na redução dos salários; ii) na redução do preço dos bens e serviços não-transaccionáveis (um conceito que acaba por não se saber muito bem o que é); iii) na redução dos custos parafiscais; iv) em medidas fiscais e sociais complementares; e v) na criação de um “alargado consenso político-social” (p. 21), que alguns interpretarão, porventura com razão, como reclamação da formação de um governo de “bloco central”, como se não fosse já suficientemente mau a alternância que temos tido entre dois desertos de ideias para o país.
4. Tem que se fazer entretanto justiça a Vítor Bento por pôr preto no branco “Que houve má gestão política das variáveis económicas manipuláveis pelo Estado” (p.29). Note-se que se está a referir ao conjunto dos dez anos que constituem o centro de análise do seu livro, juntando no mesmo saco Pina Moura, Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix e Teixeira dos Santos e, com eles, os governos de António Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes e José Sócrates, no seu todo. O que eu duvido seriamente é que nos seus escritos de há um par de anos mantivesse já essa leitura, que a mim me pareceu óbvia ao longo de todo esse tempo.
5. A expressão máxima da nossa diferença de leitura poderá talvez ser sintetizada nas duas questões/observações que fiz no contexto do debate que se sucedeu à intervenção inicial de Vítor Bento. Foram elas as seguintes:
i) Conforme dito, Vítor Bento aposta na redução de salários para a saída da crise, assumindo e aceitando que isso conduza ao crescimento das desigualdades sociais. Pareceu-me entretanto surpreendido ou incomodado quando lhe fiz presente que Portugal apresenta o maior fosso em matéria de rendimentos no seio dos 27 países da União Europeia. A situação é tão chocante que, confrontado com o gráfico respectivo, alguém classificou de “pornográfica” a situação. Se ligarmos desenvolvimento e desigualdade social, não teremos aqui parte da explicação do nosso atraso e das nossas crises?
ii) É muito comum no Portugal dos últimos anos olhar-se para os ministros das finanças e classificar o seu desempenho de bom ou mau consoante estes se revelaram melhores “contabilistas”. Isso foi ainda assim até há poucos meses com Teixeira dos Santos. Mas pergunto: será que o ministro das finanças não precisa ser também “ministro” da economia, isto é, podem-se equacionar separadamente o equilíbrio do orçamento de Estado e o equilíbrio estrutural da economia (leia-se, o crescimento do país)?
O livro de Vítor Bento é uma leitura que recomendo, não pelo que ele sugere como saída(s) para a crise(s) mas pela oportunidade de levar cada um dos leitores a fazerem a sua própria reflexão do que andou mal na economia e na política do país e dos caminhos que importa trilhar para que deixemos este beco de desgraça para onde nos deixámos conduzir.
J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

sexta-feira, maio 15, 2009

terça-feira, maio 12, 2009

What we think…

"What we think determines what happens to us, so if we want to change our lives, we need to stretch our minds."

Wayne Dyer

(citação extraída de SBANC Newsletter, May 12, Issue 567- 2009, http://www.sbaer.uca.edu/)

quarta-feira, maio 06, 2009

A previsível estagnação da economia espanhola

O extraordinário desempenho da economia espanhola na última década e meia fez com que muitos analistas acompanhassem a sua evolução com um misto de admiração e desconfiança. Dum lado, as altas taxas de crescimento deslumbraram muitos políticos europeus preocupados por reactivar as suas economias domésticas. Doutro, o boom imobiliário e o crescimento do défice externo geraram todo tipo de suspeições entre analistas, académicos e imprensa especializada.
A evolução recente das variáveis macroeconómicas justifica a desconfiança generalizada instalada nos foros e encontros internacionais. As recentes projecções do FMI confirmam que a prolongada expansão dos últimos quinze anos chegou ao seu final e que nos próximos os ajustamentos serão duros e as reformas inevitáveis. Segundo o FMI, o PIB espanhol experimentará uma contracção de 3% durante este ano e de 0,7% durante o próximo. Em 2011 iniciar-se-á uma tímida recuperação que terá continuidade nos anos seguintes, ainda que com variações de actividade muito moderadas. De facto, a referida instituição muti-lateral prevê que as taxas de crescimento sejam inferiores a 2% até 2015. A quebra de actividade está a ter repercussões extremamente negativas em termos de emprego. O desemprego afecta já mais de quatro milhões de trabalhadores, especialmente no sector da construção civil e no sector industrial. A taxa de desemprego aproxima-se neste momento dos 18% e, apesar da melhoria espectável pelo incremento sazonal de actividade nos meses de verão, não é descabido que, no final do ano, alcance os 20%. Assim sendo, a quebra de actividade prevista para o próximo ano poderá elevar o desemprego por cima dos 22%.
Apesar da gravidade da crise, existe uma probabilidade considerável de que a situação venha a piorar ainda mais. Dum lado, o ajustamento no mercado imobiliário não está totalmente concluído. A queda real dos preços vai continuar, por efeito das restrições do crédito hipotecário e do excesso de oferta disponível para venda, tanto de habitação nova como de habitação usada. Doutro lado, o sistema financeiro pode ter que enfrentar alguns problemas, dado que o crédito malparado continua a aumentar e a exposição ao sector imobiliário de muitas caixas de poupança, que controlam aproximadamente de 50% do sistema financeiro, é extremamente elevada.
A conjuntura nos restantes países da zona Euro não irá contribuir para a recuperação económica em Espanha. Na maioria prevêem-se fortes quebras do PIB durante este ano e parte do próximo, mas não se antevêem riscos sérios num horizonte de médio prazo. Noutros, a situação não é tão favorável. Em Irlanda a crise imobiliária pode agravar-se ainda mais nos próximos meses. Os problemas nos sistemas financeiros Irlandês, Britânico e Austríaco podem atrasar consideravelmente a saída da crise desses países. Ademais, a provável crise de dívida nos países do Leste, provocará problemas financeiros adicionais. A forte presença no Leste das empresas italianas e austríacas terá um impacto considerável sobre as suas economias. Por último, a péssima situação orçamental da Grécia limita a sua margem de manobra em termos de política económica, condicionando as suas possibilidades de relançamento da economia.
Apesar do sucesso económico dos últimos anos, a economia espanhola cresceu de forma extremamente desequilibrada. Em termos de preços, produziram-se revalorizações insustentáveis dos activos imobiliários e gerou-se um alto diferencial de inflação que reduziu fortemente a competitividade da economia. Consequentemente acumulou-se um défice por conta corrente, que neste momento é o segundo maior do mundo, unicamente ultrapassado pelo dos Estados Unidos. Em termos do mercado de trabalho, existem uma série de rigidezes institucionais, que afectam os índices de temporalidade e que contribuem para gerar taxas de desemprego impróprias de uma das dez maiores economias do mundo. Ademais, em termos estruturais existem uma série de peculiaridades que revelam a dualidade de uma economia que não concluiu as reformas estruturais durante a intensa transformação das últimas três décadas. Entre as singularidades mais salientáveis encontra-se a sobrevivência das caixas de poupança, que estão relativamente excluídas da disciplina do mercado e contam com um grau de politização da gestão pouco saudável numa economia de mercado.
Em linha com as recomendações de muitos economistas, o FMI considera que Espanha deve levar a cabo importantes reformas nos mercados de bens e serviços e, sobretudo, no mercado de trabalho, para evitar que a estagnação se prolongue durante vários anos. Em relação aos primeiros, todas as recomendações apontam para a necessidade de incrementar os níveis de concorrência e melhorar os mecanismos de regulação. Relativamente ao mercado de trabalho, as receitas baseiam-se no incremento da flexibilidade para melhorar as assimetrias existentes, em termos de protecção social e temporalidade, entre trabalhadores qualificados e trabalhadores jovens menos qualificados; na melhoria do sistema educativo para reduzir o diferencial de temporalidade; e na reforma do sistema de pensões, dado que o actual é actuarialmente insolvente e consequentemente insustentável.
Os momentos de crise são extremamente duros para muitos agentes económicos, mas devem servir para reflectir e corrigir o rumo. As crises têm consequências demasiado sérias como para não tirar partido delas. A conjuntura actual demonstra que os momentos de expansão devem servir para levar a cabo os processos de reforma que permitam crescer, a prazo, de forma saudável e estar razoavelmente protegido nos momentos de crise.

FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
(artigo de opinião publicado na edição de ontem do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

segunda-feira, maio 04, 2009

quinta-feira, abril 30, 2009

quarta-feira, abril 29, 2009

Solve the problem created by the error

"There is a certain degree of satisfaction in having the courage to admit one's errors. It not only clears up the air of guilt and defensiveness, but often helps solve the problem created by the error."

Dale Carnegie
(citação extraída de SBANC Newsletter, April 28 , 2009, Issue 565-2009, http://www.sbaer.uca.edu)

quarta-feira, abril 22, 2009

The extra mile

"Do more than is required. What is the distance between someone who achieves their goals consistently and those who spend their lives and careers merely following? The extra mile."

Gary Ryan Blair

(citação extraída de SBANC Newsletter, April 21 , 2009, Issue 564- 2009, http://www.sbaer.uca.edu/)

terça-feira, abril 21, 2009

A localização da empresa industrial: da história da teoria às questões da actualidade

O quadro conceptual que informa a teoria da localização da empresa começou a ser construído nos finais do século XVIII, suportado em estudos empíricos da organização espacial da sociedade e da distribuição das actividades. Johann H. VON THÜNEN foi o responsável pelo modelo que está na origem do corpo de teorias que respeitam à localização urbana das actividades económicas. Alfred WEBER, por sua vez, é considerado como o responsável pela elaboração da primeira teoria geral da localização industrial.
Após contributos marcantes de diversos autores, entre os quais August LÖSCH, que produziu uma síntese integradora dos contributos anteriores e alargou o problema da localização industrial a todo o sistema económico, a explicação do fenómeno da localização evoluiu por dois caminhos distintos. O primeiro continuou a procura do custo mínimo, na tradição de Alfred WEBER. O segundo investiga a interdependência locativa das empresas, na sequência de August LÖSCH.
O problema locativo desenvolvido da forma como foi progressivamente emergindo no contexto do debate teórico mantido tendeu a tornar complexo em demasia aquilo que para a empresa industrial é mais simples, e deixou de adiantar quaisquer “novos” factores de localização. A verdade é que os fluxos inter-regionais de factores de produção e mercadorias ou a localização, em simultâneo, de todas as actividades económicas no espaço transcendem os interesses imediatos do empresário. Para além disso, é duvidoso que as preocupações deste se centrem na procura da localização “ideal” ou óptima através da minimização dos custos ou da maximização dos lucros.
Aparte isso, os autores das teorias de localização só tardiamente se preocuparam com dimensões fundamentais da vida económica actual como são a localização da empresa estrangeira, as diferenças de comportamento locativo entre a empresa doméstica e a estrangeira ou a implantação de empresas de alta tecnologia, que normalmente se concretiza em áreas circunscritas geograficamente.
Se uma grande parte dos modelos de localização interpretam as escolhas de localização das empresas à luz dos dois grandes determinantes que são os custos de transporte, por uma lado, e as economias de aglomeração, por outro, obviamente que o respectivo valor interpretativo é ainda mais questionado quando, como na actualidade, por força de inovações várias, tecnológicas, organizacionais, os ditos custos assumem uma pequena incidência no valor final das mercadorias na indústria e o quadro territorial de operação da empresa deixou de ser o regional ou, mesmo, o nacional.
Para explicar os desenvolvimentos recentes em matéria de localização e organização das actividades têm vindo a emergir contributos centrados no conceito de operação em rede, sejam redes de empresas sejam redes de cidades. Estes contributos vêm fornecendo “interpretações mais convincentes e mais coerentes” da localização empresarial observada nalguns lugares e dos padrões territoriais emergentes. Esta operação em rede permite às empresas e aos centros parceiros desenvolverem especializações complementares que, por força da respectiva complementaridade de produtos/processos, lhes garante as economias de escala e de aglomeração próprias das empresas e de centros maiores e lhes permite servir mercados comuns de forma competitiva.
Mais fácil que fazer funcionar em rede organizações autónomas e territórios imbuídos de tradições e valores sociais diferenciados (importa não subestimar as diferenças culturais e as resistências às mudanças que podem emergir nesses contextos), é planear e coordenar operações no seio das próprias empresas multinacionais ou multi-estabelecimentos, o que as novas tecnologias de comunicação e informação vieram tornar relativamente banal. Na mesma dimensão em que essas tecnologias desvalorizam o peso dos factores de localização “externos”, fazem emergir uma lógica de inserção no espaço interna à organização, que lhes facilita a deslocalização de algumas das suas funções e a segmentação espacial das actividades. No novo quadro de ordenamento geo-económico, as unidades de produção territorialmente organizadas podem até ser substituídas, quando não se imponham exigências fortes de relações de proximidade física, pela formação de cadeias de valor globalizadas que geram concorrência entre “clusters” locais, cidades e regiões organizadas, para gerar espaços funcionais de aglomerados multinacionais.
Sendo assim, embora, eventuais exigências de relação face-a-face com fornecedores de serviços e com centros de investigação e desenvolvimento, e de acesso a bacias de emprego altamente qualificado ou a infra-estruturas e redes logísticas muito sofisticadas ditarão que haja também vencedores e perdedores nesse processo de reconfiguração produtiva dos territórios. Nesse contexto, o voluntarismo e capacidade que as autoridades públicas mantenham de posicionarem o respectivo território na disputa pela sedeação dos estabelecimentos, industriais ou de serviços avançados, pode ser essencial, sendo certo que nem tudo se resolve ou, melhor, muito pouco se resolve pela via das guerras de incentivos, fiscais ou financeiros.

J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

sexta-feira, abril 10, 2009

"Formas diferentes de se expandir e desenvolver"

Diversificar as estratégias

(título de artigo, datado de 9/04/2009, disponível na Newsletter Portugal Têxtil de hoje)

quarta-feira, abril 08, 2009

Sobre os resultados da Cimeira do G-20

As expectativas sobre a cimeira do G-20, celebrada na passada quinta-feira em Londres, eram à partida extremamente modestas, tendo em consideração o clima de tensão provocado pela dialéctica pouco diplomática de alguns dos líderes responsáveis pela geração de consensos. No evento evidenciaram-se duas posições contrapostas em matéria de política económica para a resolução da crise global, derivadas da diversidade de leituras e interpretações sobre o assunto. De um lado, os Estados Unidos defenderam a necessidade de promover um forte estímulo fiscal destinado a reactivar a economia e a recuperar o consumo e o investimento, através da recuperação da confiança. Do outro, outra corrente, liderada pelos países europeus da zona euro, sublinhou que as medidas de política fiscal deveriam ser complementadas com instrumentos de intervenção noutros âmbitos. Os estados europeus consideram que continuar injectando recursos públicos na economia supõe incrementar ainda mais um endividamento crescente, colocando em risco a recuperação no médio prazo, sobretudo à medida que as taxas de juro comecem a remontar. Os países europeus presentes na cimeira, liderados por França e Alemanha, puseram mais ênfase em questões regulatórias e de coordenação da política financeira à escala global.
Desta tensão entre perspectivas resultaram, de um lado, um novo pacote de 1,100 biliões de dólares (810 biliões de euros), com uma finalidade distinta à dos lançados pelos governos nacionais, e doutro, um conjunto de medidas de incremento da transparência e de melhoria da regulação dos mercados financeiros. Os recursos comprometidos no pacote financeiro referido destinam-se, fundamentalmente, a reforçar (sobretudo) o financiamento dos países em desenvolvimento e do comércio internacional.
Do total acordado, 500.000 milhões de dólares serão utilizados para reforçar os recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI). Outros 250.000 servirão para incrementar os Direitos Especiais de Saque (DES), os quais podem ser utilizados como um activo de intercâmbio para obter liquidez no mercado internacional. Ademais, os bancos multi-laterais de ajuda ao desenvolvimento receberão uma verba extra de 100.000 milhões de dólares. As medidas anteriores evidenciam que, neste momento, uma grande preocupação a nível internacional é canalizar capital desde os países desenvolvidos para os países em desenvolvimento. A experiência das décadas passadas demonstra que o défice de capital, em momentos de crise, causa graves desequilíbrios no mundo em desenvolvimento, afundando as suas economias e, condicionando, portanto, o crescimento mundial. Esta impossibilidade para canalizar capital fez com que, na década de oitenta, as economias latino-americanas tivessem grandes dificuldades em fazer face ao serviço da sua dívida externa, e na década de noventa, economias em desenvolvimento de América Latina, Ásia, África e do Leste de Europa experimentassem crises de taxa de câmbio, que afundaram o valor das suas moedas, provocando, deste modo, graves crises económicas.
A falta de capital está relacionada em muitos casos com a quebra do comércio internacional. Um dos factores mais importantes para explicar a quebra dos fluxos de comércio entre países é o rápido encarecimento do seu financiamento. Por esse motivo, o G-20 decidiu destinar ainda 250,000 milhões de dólares a financiar o comércio exterior. Contudo, convém referir a este respeito, que estes fundos terão um impacto muito limitado se as medidas proteccionistas continuam a generalizar-se. Desde o passado mês de Novembro, quando os líderes do G-20 reuniram em Washington e assinaram uma declaração na qual, entre outras questões, defendiam o livre comércio, foram postas em prática 47 medidas para proteger diferentes sectores em vários países. Entre eles, 17 dos 20 países que assinaram a declaração de Washington.
Em termos de regulação e incremento da transparência a medida mais destacada é a transformação do Foro de Estabilidade Financeira (FEF) num Conselho de Estabilidade, que funcionará como um órgão de coordenação financeira à escala mundial, com objectivos de supervisão e controlo dos riscos do sistema. Outros acordos de importância mais reduzida nesta matéria são o compromisso para regular os hedge funds e a publicação por parte da OCDE da listagem dos paraísos fiscais ou daqueles territórios que não contribuem na luta contra a fraude fiscal.
O aspecto no que a cimeira tem resultado mais inconclusiva é no saneamento dos balanços das instituições bancárias. Os países do G-20 estão dispostos a pôr em prática mecanismos para retirar os activos tóxicos dos balanços dos bancos, no entanto, o plano desenhado pela Administração Obama tem algumas fragilidades que não convencem os seus sócios internacionais. As medidas não podem continuar a centrar-se exclusivamente na re-capitalização do sistema financeiro. A experiência japonesa da década de noventa demonstra que injectar recursos no sistema sem sanear os balanços das instituições adia a solução dos problemas, evita o restabelecimento da confiança e, em última instância, lastra o crescimento económico.
Os resultados da cimeira podem considerar-se satisfatórios, sobretudo pela vontade política de atacar as causas da crise que nos afecta e pelo retorno à filosofia multilateral para ultrapassar problemas de carácter global. Os acordos adoptados vão todos na boa direcção. Os americanos perceberam que os fundos públicos não são ilimitados e que os impactos dos estímulos fiscais são limitados se não forem bem direccionados. Os europeus entenderam que a regulação tem que ser suficientemente apertada para poder intervir em situações de risco sistémico, e suficientemente laxa para não desincentivar a inovação financeira. Agora o esforço deve centrar-se em desmontar as barreiras proteccionistas erguidas nos últimos meses e em perfilar um plano de saneamento dos balanços das instituições bancárias, baseado em incentivos, que devolva a confiança ao sector e re-estabeleça as condições creditícias em todos os mercados.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
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(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

terça-feira, abril 07, 2009

"Dicionário Internacional da Outra Economia"

«APRESENTAÇÂO DA OBRA DICIONÁRIO INTERNACIONAL DA OUTRA ECONOMIA
O CETRAD – Centro de Estudos Trandisciplinares para o Desenvolvimento e a Almedina têm o prazer de convidar V.ª Ex.ª para a apresentação da obra “Dicionário Internacional da Outra Economia” organizada por A.D. Cattani, J.-L. Laville, L. I. Gaiger e P. Hespanha.
A apresentação realizar-se-á na terça-feira, dia 14 de Abril, pelas 14h30, na UTAD - Universidade de Trás-os-Montes, em Vila Real.
A obra será apresentada pelo Dr. Pedro Ferrão (UTAD).

http://www.almedina.net/»
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(reprodução de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, reenviada por Manuel Carlos Ferreira Silva)

segunda-feira, abril 06, 2009

sexta-feira, abril 03, 2009

" A Crise e a Recuperação"

«Caro Colega,

Os Representantes da Ordem dos Economistas, Ordem dos Advogados, Ordem dos Engenheiros e Ordem dos Médicos, em Viana do Castelo, com o apoio do IPVC/ESTG, vão organizar uma conferência subordinada ao tema "A Crise e a Recuperação" que será proferida pelo Prof. Doutor João Ferreira do Amaral, Economista e Professor da Escola Superior de Economia da Universidade Técnica de Lisboa, durante a qual será evidenciado um caso de sucesso pelo Sr. Nuno Ribeiro, Administrador da Suavecel.

A conferência será realizada no Auditório Principal da Escola Superior de Tecnologia e Gestão, na Av. Atlântico em Viana do Castelo, no dia 3 de Abril (Sexta-feira.), às 21h30.

Como se trata de uma iniciativa de muito interesse na actual conjuntura económica, convidamos o/a Colega a estar presente na Conferência e a promover a sua divulgação para que seja elevada a participação na mesma.

Cordiais saudações.

Sintra Coelho»
Representante da Ordem dos Economistas em Viana do Castelo
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(reprodução parcial de mensagem entretanto recebida, com a origem identificada)

terça-feira, março 31, 2009

"Crise Mundial: Perspectivas Brasileiras"

«Prezado(a) Sr(a)
Venha debater as perspectivas da economia brasileira e as suas consequências para as empresas, diante do quadro de agravamento da recessão nos países ricos e da forte contração da produção industrial no Brasil registrada em dezembro e em janeiro passados.
Cabe indagar se no final de 2009 a economia brasileira se encontrará em situação melhor do que a atual. Diante da queda de 17,2% na produção industrial em janeiro, em relação ao mesmo mês do ano passado e de 3,6% do PIB no quarto trimestre de 2008, alguns economistas estão agora prevendo estagnação ou até crescimento negativo para o ano de 2009 no Brasil. A tendência das previsões, de tornarem-se cada vez mais pessimistas, será revertida nos próximos meses? Que efeito terá o corte do Banco Central de 1,5 pontos percentuais na taxa básica de juros?
Entre outros problemas internacionais, alguns grandes bancos americanos e europeus encontram-se descapitalizados. Solucionar urgentemente esse problema é crucial para reativar o crédito e deter a rápida propagação da crise internacional. Apesar dos fortes impactos, a economia brasileira mantem uma situação diferenciada e até agora relativamente positiva, diante dos Estados Unidos e da Europa.
Renomados economistas debaterão com você neste Seminário InterNews os rumos da economia mundial e brasileira para 2009 e 2010, assim como as perspectivas dos segmentos econômicos que estão mais ou menos expostos aos efeitos da crise. Avalie os desafios e as oportunidades que se apresentam para a sua empresa.
Qual o cenário mais provável para a duração e a profundidade da recessão nos países ricos?
A chance de um PIB negativo no Brasil para 2009 é grande? O que esperar de 2010?
Qual deverá ser o impacto das medidas anti-cíclicas já anunciadas pelo governo?
Há espaço para outras reduções significativas da taxa básica de juros? Que efeitos elas trariam?
Pode-se esperar ainda em 2009 um ambiente mais favorável para as empresas no país?
Conferencistas
Delfim Netto
Ex-deputado federal, foi ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento
Alexandre Schwartsman
Economista Chefe do Banco Santander. Ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central. Foi economista-chefe para América Latina do ABN AMRO Bank e do Unibanco. PhD em Economia pela Universidade de Berkeley – Califórnia
Ernani Teixeira Torres
Superintendente da Área de Pesquisa e Acompanhamento Econômico do BNDES. Mestre e Doutor em Economia pela UFRJ. Professor Adjunto da UFRJ
Luiz Roberto Cunha
Professor da PUC-RJ, especialista em inflação, mestre em Economia pela Universidade de Vanderbilt (EUA)»
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(reprodução parcial de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, proveniente de informativo@newsmail.bz)

segunda-feira, março 30, 2009

O condimento essencial

"O condimento essencial para lidar com esta crise é o bom-senso"

Joaquim João Martins da Silva

(afirmação produzida publicamente em 09/03/26 no âmbito das XIII Semana de Direito da AEDUM, sessão intitulada "A crise actual: repercussões económicas e sociais", realizadas no Campus de Gualtar da Universidade do Minho na semana em curso)

sexta-feira, março 27, 2009

A nossa maior tradição ...

"A nossa maior tradição é a do mau governo"
Carlos Amorim
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(afirmação/comentário produzida/o publicamente em 09/03/26 no âmbito das XIII Semana de Direito da AEDUM, sessão intitulada "A crise actual: repercussões económicas e sociais", realizadas no Campus de Gualtar da Universidade do Minho na semana em curso)

quarta-feira, março 25, 2009

Conferência "A Crise e a Recuperação"

«Cara Colega,
Caro Colega,
Os representantes da Ordem dos Economistas, Ordem dos Advogados, Ordem dos Engenheiros e Ordem dos Médicos, em Viana do Castelo, com o apoio do IPVC/ESTG, vão organizar uma conferência subordinada ao tema "A Crise e a Recuperação" que será proferida pelo Prof. Doutor João Ferreira do Amaral, Economista e Professor da Escola Superior de Economia da Universidade Técnica de Lisboa, durante a qual será evidenciado um caso de sucesso pelo Sr. Nuno Ribeiro, Administrador da Suavecel.
A conferência será realizada no Auditório Principal da Escola Superior de Tecnologia e Gestão, na Av. Atlântico em Viana do Castelo, no dia 3 de Abril (Sexta-feira.), às 21h30.
Como se trata de uma iniciativa de muito interesse na actual conjuntura económica, convidamos o/a Colega a estar presente na Conferência e a promover a sua divulgação para que seja elevada a participação na mesma.
Cordiais saudações.
Sintra Coelho
(Representação da DRN da Ordem dos Economistas em Viana do Castelo)»
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[reprodução de mensagem de correio electrónico entretanto recebida, com a proveniência que se identifica]

terça-feira, março 24, 2009

Leiria vista à distância

1. Desde há quase três décadas que as notícias de Leiria me chegam, sobretudo, pelos jornais locais cuja assinatura mantenho. Infelizmente, nem sempre posso demorar com a sua leitura o tempo que gostaria. Esse tempo seria, também, um tempo de evasão ao meu quotidiano, que tantas vezes necessito para recobrar forças. Sendo um cidadão do mundo, com partido e tudo lá para os lados do médio oriente, há alguns sítios aonde gosto de retornar periodicamente. Leiria é um desses sítios.
2. Fruto de uma dessas incursões, por atenção da entidade editora, passei a receber regularmente desde há perto de dois anos a revista do NERLEI, Associação Empresarial da Região de Leiria, “Desafios”, de seu nome. O último número chegou-me muito recentemente e gostei de ler lá algumas coisas que me dizem muito, e, desde logo, um apelo da direcção em funções “à participação efectiva dos associados” no acto eleitoral que designará os novos órgãos sociais da estrutura. Esse gesto é tanto mais significativo quanto, por razões estatutárias, o actual presidente da direcção não se pode candidatar. Para sublinhar a importância do acto, lê-se no dito texto (p.6) “que da sua participação [isto é, do associado] depende a legitimidade de todos os que vierem a ser eleitos. Além disso, numa época de crise como a que as empresas atravessam, a união de esforços e a partilha de experiências faz cada vez mais sentido”. Enquanto alguns ficam confortáveis com o baixo nível de mobilização dos eleitores, muitas vezes expressão final da forma que têm de fazer “política”, há quem veja no seu oposto um elemento central de resposta às dificuldades sentidas. Acrescendo o sentido individualista muito arreigado naquele território (e não só), o apelo à partilha de experiências e à comunhão de esforços entendo-o como sinal de lucidez e, quiçá, de vontade de contribuir para um virar de página.
3. As dificuldades a que se alude no referido texto são enunciadas de forma clara por Pedro Faria, no texto de abertura (editorial); nem mais nem menos que as que imaginamos (melhor seria dizer, que vivemos): “a globalização da economia sem regras definidas”, e o “consumo baseado no crédito”, na relação que esses fenómenos têm com “o aumento do desemprego”, “o empobrecimento geral” e o desrespeito por “regras ambientais, higiene e segurança ou condições de trabalho”. Curiosamente, chegou-se aqui em nome de “el dourados” ainda há pouco cantados por muitos, de empresários e políticos a empresários-políticos e a analistas sociais, passando por uma forte corrente de economistas que agora se vêem muito menos nos ecrãs de televisões e nas capas de revistas (cor-de-rosa ou de outras cores). Andam por aí, no entanto, e, passada a tormenta, hão-de voltar a enunciar as suas certezas sobre a boa-sorte que nos espera ao virar da esquina, se seguirmos pelos caminhos que nos indicam (até à próxima crise).
4. A temática da crise e da mudança necessária atravessa as diversas contribuições disponíveis na revista, a maioria delas originárias de empresários e agentes associativos empresariais de diversos sectores de actividade, entre os quais o da cristalaria, que tantas memórias de infância me traz. Diz a propósito Carlos Martins, presidente da Associação dos Industriais de Cristalaria: “O mundo enfrenta uma mudança radical nos fundamentos básicos da economia – passou-se de uma economia centrada nas pessoas, para outra centrada nos resultados (lucros). O motor do crescimento económico (a classe média), tolhida pela deslocalização dos negócios, passou a ser esmagada, e, naturalmente, ´o motor` emperrou”. “Enfrentar a crise é enfrentar este desafio” (p.25). A diferença que tenho em relação ao que escreve Carlos Martins é que entendo que não foi “ontem”, na véspera da crise declarada nos mercados financeiros internacionais, que a economia deixou de ser centrada nas pessoas, mas muito antes. Quando olhamos para a agitação social dos finais dos anos 60 do século passado não era já contra isso que os jovens daquela altura se revelavam, na Europa, nos Estados Unidos da América? O sistema reformou-se, é certo, mas depois disso a ortodoxia neoclássica, liberal apresentou-se mais triunfante que nunca, e nós, empresários, economistas, agentes culturais, deixámos. Vamos deixar agora novamente, aturdidos que estamos pela crise?
5. Um outro texto disponível (da autoria de João Baptista dos Santos, empresário hoteleiro) versa a temática do turismo (p. 27). A sua leitura oferece-se-me lúcida e o pensamento de estratégia que o informa é também válido para outras parcelas do território nacional, sobretudo para o Minho. Diz o referido autor: “Se Portugal é débil em numerosos campos, outros há em que temos um forte potencial. Refiro-me nomeadamente a sectores onde os valores históricos, naturais e a criatividade são factores diferenciadores […]. Neste contexto, as indústrias do turismo e da cultura no nosso país dispõem de um enorme potencial de crescimento e, por arrastamento, um conjunto de actividades de serviços complementares a estes sectores”. Qual é o problema que subsiste aqui? Pergunto eu. O problema reside na estratégia e respectiva materialização. É que, como diz João Santos, o potencial de oferta turística diversificada territorial e sectorialmente existente nem sempre tem sido “devidamente trabalhado”. Se fosse eu a enunciá-lo diria, antes, que quase nunca tem sido devidamente trabalhado, o que também não é alheio aos protagonistas que temos tido no sector e ao menosprezo que o potencial turístico de alguns territórios tem merecido nos planos de desenvolvimento turístico nacionais.

J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

quinta-feira, março 19, 2009

"Roménia: ITV em queda"

"A Indústria Têxtil e do Vestuário (ITV) romena tem registado uma queda constante do seu volume de negócios nos três últimos anos, mais precisamente desde 2005.
O valor da contracção do volume de negócios da ITV naquele país do leste europeu tem sido de cerca de 7% ao ano desde que o processo de abolição das barreiras alfandegárias dos artigos têxteis e de vestuário provenientes da Republica Popular da China teve início.
Estes dados foram apresentados numa conferência de imprensa por Aurelientu Popescu, presidente-executivo da Federação Patronal da Indústria Têxtil, Vestuário e Couro (Fepaius). Segundo este responsável, o declínio registado deve-se essencialmente à evolução observada no valor do euro e à liberalização do comércio mundial.
«Em 2006 existiam 9.500 pequenas e médias empresas têxteis e de vestuário, mas actualmente existem apenas 2.107 empresas no sector do calçado e 6.000 na ITV», afirmou Popescu.
Outro dos indicadores que reflectem o abrandamento da actividade da ITV romena é o emprego. Segundo o presidente da Fepaius, o volume de emprego nesta indústria sofreu uma contracção de um terço nos últimos anos. Em 31 de Dezembro de 2004, a ITV romena empregava cerca de 450.000 trabalhadores. Um número que contrasta com os 300.000 empregos existentes a 31 de Dezembro de 2008. «Reduzimos o nível de emprego no sector a uma média anual de 50.000 postos de trabalho», revelou.
Em termos de volume de exportação, Popescu anunciou que a ITV romena exportou menos 335 milhões de euros em 2008 do que no ano anterior. O valor do ano passado situou-se nos 5.400 milhões de euros.
2009 deverá ser um ano complicado para a economia romena. À medida que os efeitos da recessão económica mundial se fazem sentir naquele país, a taxa de desemprego, situada actualmente nos 5,3%m – o valor mais alto dos dois últimos anos – tenderá a crescer a um ritmo mais acelerado. Algumas estimativas apontam para que esta chegue aos 8,5% no final do ano.
Entre os trabalhadores mais afectados pelo abrandamento da economia encontram-se aqueles que trabalham no sector exportador, onde se inclui a ITV. 2009 deverá ser, assim, um ano difícil para a ITV da Roménia."
Newsletter Portugal Têxtil
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(reprodução integral de notícia disponível na Newsletter Portugal Têxtil, de 09/03/19)

terça-feira, março 17, 2009

A concepção de sistema económico

Na maioria das ciências, uma descoberta envolve, mesmo que mais tarde, a criação e desenvolvimento de serviços ou de bens decorrentes dessa descoberta. No caso da medicina ou da biologia, um melhor entendimento dos mecanismos de funcionamento do corpo humano levou à invenção de produtos que permitem curá-lo, melhorá-lo e até, a um nível superficial, modificá-lo.
A multidão de inovações provenientes das várias ciências teve e continua a ter incontornável repercussão no nosso dia a dia, sendo peças da compreensão do caminho feito desde o ser Humano que vivia nas cavernas até ao ser Humano de hoje, que habita em apartamentos dotados de aquecimento central e/ou de ar condicionado, de ligação à Internet e de uma cornucópia de sistemas facilitadores das tarefas diárias. Ora, para o cidadão comum, alguém terá inventado o sistema económico contemporâneo. Essa concepção, apesar de lógica, não é correcta. Os economistas não inventaram nem a “troca” nem a “produção”, pelo menos no seu sentido lato. A troca e a produção nasceram da necessidade das pessoas de acederem a certos bens ou serviços e o único trabalho que o economista realmente teve/tem é entender quais os mecanismos que subjazem à sua produção e distribuição e ao progresso que se vai dando na respectiva provisão/oferta.
O entendimento de como as coisas se passam, por si só, não conduz a um novo sistema. Aliás, o sistema económico que temos no presente é o resultado de camadas de conhecimento aplicadas a um modelo que nasceu das necessidades das pessoas. Até o mercado de acções se baseia nele: a empresa, isto é, quem a controla, vende parte de si (entidade empresarial) a investidores, sob a forma de acções ou de quotas de capital, com a promessa de partilha dos lucros que venham a ser gerados, de forma a poder concretizar novos investimentos directa ou indirectamente ligados à produção de bens ou de serviços.
Se pensarmos bem, a história não retrata nenhum Fenício a fazer um empréstimo com vista a comprar acções a algum comerciante que iria levar a sua produção para troca na Península Ibérica. Porém, podemos encontrar testemunhos da decisão do Império Romano de reduzir o tamanho das suas moedas por forma a poupar ouro na sua emissão, algo análogo à desvalorização monetária que ocorre nas nossas economias, bem presente nos mercados cambiais actuais.
Algumas evoluções no pensamento económico é que levaram à expansão do sistema para que hoje se possa produzir quase tudo e trocar qualquer bem. O pensamento que levou ao livre cambismo influenciou o comércio internacional e levou a que, com naturalidade, se dividam produções de mercadorias ou de componentes de certos bens por vários países e até a que se criem novas necessidades.
Camada após camada, foi-se criando de forma quase automática o sistema económico contemporâneo, que sofre mutações mais devido a mudanças de mentalidades e a modas do que a leis ditadas pelos poderes políticos. Muitas vezes, estas apenas conseguem restringir ou condicionar o desenvolvimento de certas actividades, emergindo como anomalias no processo de sobreposição das camadas que vão conformando o(s) sistema(s) económico(s).
De momento, dos acontecimentos subjacentes às crises financeira e económica que se vivem, a ideia que emerge é a de estarmos perante um sistema ineficiente, manipulado por uma elite corrupta. E, no entanto, essas são as anomalias do sistema e não o próprio sistema. Porque o sistema é como o de um Fenício ou um Romano que vê a sua moeda valorizar e desvalorizar, ou de um Veneziano que faz um empréstimo para suportar uma decisão de produção ou a compra de um bem e vê o seu barco afundar-se, tal como vem acontecendo com muitas empresas nas bolsas financeiras.
Uma possível pergunta sobre o sistema de hoje é: qual foi a nova camada que não devíamos ter colocado sobre este velho e instintivo sistema?
José Pedro Cadima

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho)

sábado, março 14, 2009

23º Congresso Internacional da ASEPELT

«Caríssimos Associados,
Vimos por este meio divulgar o 23º Congresso Internacional da ASEPELT – Associação Internacional de Economia Aplicada, que se vai realizar na Universidade da Beira Interior entre 17 e 20 de Junho próximo: www.dge.ubi.pt/asepelt09.
Os melhores cumprimentos,

Rita Azevedo
**********************************************************************
Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional
Universidade dos Açores
Terra-Chã
9700-851 Angra do Heroísmo
Telf: 295 33 2001
apdr@mail.telepac.pt
www.apdr.pt»
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(reprodução de mensagem de correio electrónico ontem recebida, com a proveniência que se identifica)

quinta-feira, março 12, 2009

Sucesso económico na Galiza e mudança política

No passado dia 01 de Março celebraram-se eleições regionais na Galiza. Os eleitores mostraram a sua desconformidade com as opções políticas da coligação de governo, constituída pelo Partido Socialista de Galiza e o Bloco Nacionalista Galego. Esta maioria, surgida das eleições celebradas há quatro anos, substituiu o governo do Partido Popular, liderado por Manuel Fraga, que esteve no poder durante 16 anos, entre 1989 e 2005. O regresso do Partido Popular ao governo, depois de apenas uma legislatura na oposição, é indicativo de que certas dimensões da governação da coligação de progresso não foram bem sucedidas ou não foram bem entendidas pela cidadania. Obviamente, um aspecto que pode ter influenciado os resultados de forma significativa é a situação de crise generalizada que actualmente vive a economia espanhola, ainda que ainda é cedo para saber qual foi o seu impacto real no resultado final das eleições.
Apesar desta última ressalva, um dos aspectos destacáveis da intervenção do governo autonómico durante a passada legislatura foi a sua gestão económica. A economia da Galiza apresentou nos últimos dois anos e meio uma conjuntura macroeconómica significativamente melhor que a da economia espanhola, contrariando a tendência habitual da história económica recente. Concretamente, a Galiza cresceu nos últimos nove trimestres a um ritmo superior ao da média espanhola.
A evolução da economia Galega na última legislatura melhorou consideravelmente, como consequência da boa situação da economia Espanhola e da favorável evolução dos mercados de exportação, e, em boa verdade, em resultado das medidas de política implementadas pelo governo regional. Esta conjuntura macroeconómica teve o seu reflexo nos índices de poder de compra e nos níveis de qualidade de vida das famílias. No período 2005-2008 (período central da legislatura), o crescimento real per capita da economia Galega foi de 9,3%, ultrapassando em quase 6 pontas percentuais o da média espanhola. Em termos nominais, o crescimento desse indicador na Galiza foi de 20,6%, enquanto que em Espanha se situou nos 14,6%. Ademais, desde o terceiro trimestre de 2005, a taxa de desemprego mantém-se por baixo dos 10%, tendo atingido o seu nível mínimo em meados de 2007, quando desceu até os 7,6% da população activa.
No ano de 2008 o crescimento do PIB Galego foi de 1,8%, ultrapassando em 6 décimas a média espanhola (1,2%) e em 1,1 pontos a média da zona euro (0,7%). O crescimento homólogo no último trimestre de 2008 foi de 0,4%, enquanto que as taxas de crescimento para Espanha e a Zona Euro foram de –0,7% e de –1,2%, respectivamente.
Apesar deste bom desempenho relativo, a economia Galega entrará em recessão, seguindo a economia espanhola e as suas congéneres europeias, durante este primeiro trimestre do ano. Os dados do último trimestre de 2008 antecipam o cenário recessivo, dado que a tendência da maioria dos indicadores tem um carácter eminentemente negativo, ainda que, regra geral, melhor que a da média espanhola.
O consumo privado cresceu, em termos homólogos, no último trimestre de 2008, apenas 0,7%, desta forma, a taxa para o conjunto do ano ficou-se pelos 1,7%, mais de um ponto percentual por cima da média espanhola. O investimento, pelo seu carácter pró-cíclico, experimentou uma quebra, no último trimestre, superior a 6%, enquanto que a contracção desta macro-magnitude para a totalidade do ano ultrapassou os 2%. A desaceleração das exportações é o outro dado destacável do final do ano, dado que a quebra, no quarto trimestre, foi de aproximadamente 5%, com o qual, a variação relativa para o ano de 2008 é negativa e igual a meio ponto percentual.
Do lado da oferta, os dados do último trimestre revelam as dificuldades do sector industrial, com uma desaceleração, em termos homólogos, superior a 8%, devido aos fortes ajustamentos no sector de fabrico de automóveis e nos dependentes do sector da construção civil e obras públicas, tendo este último experimentado uma contracção, no mesmo período, muito próxima dos 4%. Em termos anuais, a quebra no sector industrial foi de 1,6% e na construção civil de 0,3%, enquanto que estas taxas de variação para o conjunto de Espanha foram de –2,7%, e de –3,3%, respectivamente, ou seja consideravelmente piores.
A criação de emprego caiu, no quarto trimestre de 2008, em 1,5%, enquanto que em Espanha fê-lo em 3,1%. O total de empregos equivalentes a tempo completo foi em 2008 de 1.158.748, 4.173 mais que em 2007, representativos de um crescimento de 0,4%, um ponto por cima da média espanhola. A taxa de desemprego era na Galiza no final de 2008 de 9,7%, significativamente mais baixa que a média estatal, que se aproximava, nessa data, dos 14% (actualmente em torno dos 15,5%).
Pelo seu carácter regional e pela intensa interdependência com o resto do país, a evolução da economia da Galiza depende, em grande medida, da evolução da economia do resto de Espanha. Contudo, existe uma importante margem de manobra, em termos de política pública, que deve ser aproveitada pelo governo regional para intensificar o ritmo de crescimento e melhorar os níveis de bem-estar da população. O governo derrotado nas passadas eleições parece ter feito, a este nível, escolhas adequadas, o recém-eleito deve ter o cuidado de manter o que de bom foi feito e não cair na tentação de assumir o discurso da inevitabilidade do destino, imposto pela actual situação de crise generalizada.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ

(artigo de opinião publicado a 10 de Março pp. no Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

"Produto Interno Bruto registou uma variação nula em volume no conjunto do Ano 2008 e diminuiu 1,8% no 4º Trimestre"

"Em 2008, o PIB registou uma variação nula em volume, o que compara com a variação de 1,9% verificada no ano anterior. Este comportamento resultou, sobretudo, do intenso contributo negativo da procura externa líquida para o crescimento do PIB, mas também da desaceleração da procura interna. Em termos nominais, o PIB ascendeu a cerca de 166 mil milhões de euros, mais 1,8% que o valor do ano anterior. No 4º trimestre de 2008, o Produto Interno Bruto (PIB) diminuiu 1,8% em volume face ao período homólogo de 2007, abaixo do verificado no trimestre anterior (0,4%). Esta diminuição do PIB esteve associada à evolução da procura interna, cujo contributo para o crescimento do PIB foi de -1,3 p.p. no 4º trimestre (1,6 p.p. no anterior), sobretudo em função do comportamento do Investimento. Em sentido inverso esteve a procura externa líquida, com um contributo menos negativo no 4º trimestre de 2008 (-0,5 p.p., o que compara com -1,2 p.p. no anterior). Relativamente ao trimestre anterior, o PIB diminuiu 1,6%."
*
(Resumo de Destaque(s) do INE, de 11 de Março de 2009, disponível em INE - Produto Interno Bruto registou uma variação nula em volume no conjunto do Ano 2008 e diminuiu 1,8% no 4º Trimestre)

domingo, março 08, 2009

quinta-feira, março 05, 2009

Ensino obrigatório de 12 anos viável em Portugal?

P: No discurso de encerramento do XVI Congresso do PS, José Sócrates anunciou a intenção, caso vença as próximas eleições legislativas, de alargar de nove para 12 anos o ensino obrigatório, acompanhando esta medida com a criação de bolsas de estudo para jovens entre os 15 e os 18 anos, com dificuldades financeiras e aproveitamento escolar. O primeiro-ministro afirmou ainda que logo que a rede de creches estiver terminada, também a frequência do pré-escolar será obrigatória, o que na prática elevará para 13 anos o percurso escolar mínimo dos nossos jovens.
Terá esta medida, já implementada em vários países europeus, viabilidade no contexto do ensino em Portugal, sabendo-se que actualmente muitos jovens já têm sérias dificuldades para conseguir terminar os nove anos de escolaridade obrigatória em vigor?
R: Contrariamente ao que algumas vezes se infere olhando o número de desempregados detentores de cursos superiores, Portugal mantém níveis de habilitações académicas da sua população muito baixos quando comparados com a média da União Europeia. Note-se que daí decorrem não apenas condicionamentos em matéria de eficiência produtiva mas igualmente de capacitação para uma cidadania mais qualificada. Assim sendo, fazer apostas a esse nível oferece-se-me adequado e urgente.
Entretanto, já tenho dificuldade em perceber que não se tenha começado pelo pré-escolar, parecendo do que é dito que essa continua a ser uma segunda prioridade, sendo a primeira a extensão da escolaridade obrigatória para 12 anos. É claro que tornar efectiva a frequência do ensino até anos mais tardios implica atender à situação económica das famílias. Se tal não se fizer, permaneceremos no domínio das boas intenções. Por outro lado, a preocupação não pode estar só em alargar a escolaridade mas tem também que visar que ela seja pertinente e qualificada, e a este nível tem-se feito muito mau trabalho e criado expectativas erróneas.
J. Cadima Ribeiro
*
(reprodução de pergunta formulada pela jornalista Raquel Silva, do Jornal de Leiria, em 09/03/03, e da resposta que lhe dei; contributo para fórum promovido pelo referido jornal, divulgado na edição de hoje)

terça-feira, março 03, 2009

"Dear all,
We kindly remind you that the deadline for submitting a paper to the 3rd Meeting of the Portuguese Economic Journal is March 15th 2009.
To submit a paper, please use the following link:
http://pascal.iseg.utl.pt/~meetingspej/ocs/

Kind regards,
Corrado Andini
--------------------------------------------
Corrado Andini
Assistant Professor
University of Madeira
9000-390 Funchal
Portugal

Email: andini@uma.pt
Webpage: www.uma.pt/andini"
(reprodução integral de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, com a proveniência que se identifica)

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Os caminhos difíceis que a Universidade do Minho precisa percorrer

1. Em conferência de imprensa dada na semana que antecedeu o dia da instituição (17 de Fevereiro), o reitor da Universidade do Minho veio dar notícia à sociedade portuguesa e à própria academia das dificuldades financeiras que a universidade atravessa, criticando duramente a tutela ministerial. Nessa comunicação à imprensa antecipou os termos do seu discurso na sessão solene do dia 17 de Fevereiro. Repetiu nesse acto aquilo que vem fazendo desde que foi eleito: queixou-se do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), com razão, e privilegiou a comunicação para fora, à falta de capacidade de comunicar intra-muros e reunir em torno de si a academia. Demonstração cabal desse isolamento, de facto, foi a escassa presença de professores no acto solene do dia da Universidade: estiveram cerca de 100 de entre os quase 900 doutores do seu quadro de professores e investigadores.
2. Noutras circunstâncias, aparte a situação financeira difícil vivida (que levou o reitor a anunciar desde já que não há dinheiro para cobrir os encargos com salários até final do ano), estando em curso o processo eleitoral que há-de levar à escolha do órgão de cúpula da universidade, o Conselho Geral, seria de esperar que a comunidade académica aproveitasse o referido dia para dar sinal de vida e, porventura, protestar publicamente pela desconsideração que a instituição tem vindo a merecer por parte do MCTES. Em boa verdade, não tem sido apenas a Universidade do Minho (UMinho) que tem sido maltratada, em termos de financiamento e de política geral de ensino superior, mas todas as instituições do sistema de ensino superior público. Por razões diversas, a nossa instituição tem sido, no entanto, das mais sacrificadas. Quero eu dizer que a falta de transparência da gestão pública conduzida pelo MCTES é gritante, não sendo esta pecha única da acção do ministro Mariano Gago e do ministério que tutela. A errância e casuísmo com que foram/são geridos dossiês fundamentais da reforma do ensino superior público nacional são outras acusações que podem ser feitas: a título ilustrativo, retenha-se o que se passou (continua a passar) com a reformulação dos cursos no âmbito do chamado processo de Bolonha e retenha-se o que agora se está a passar com os vínculos dos professores e com o respectivo estatuto de carreira.
3. Curiosamente, nem a escolha (despropositada) para apresentar a “oração de sapiência” (um momento destacado deste tipo de cerimónias) do cabeça de lista de uma das 3 listas concorrentes às eleições para o Conselho Geral motivou a comparência dos professores da UMinho na referida cerimónia. Obviamente, a falta de expectativa sobre o que este dirigente de uma das listas de oposição à política do actual reitor pudesse dizer também poderá ser invocada para explicar a falta de adesão da comunidade académica. Entretanto, estou em crer que as razões maiores não foram essas. No que se me refere (eu que integro uma outra lista de oposição, que aliás teve o privilégio de ser expressamente visada pelo reitor na conferência de imprensa que deu), teria gostado de ver a academia unida naquela data, num forte protesto contra as políticas do ministério.
4. E então o financiamento? É um problema real ou não é? Perguntarão os leitores. Talvez não o parecendo, a minha resposta foi já sendo dada. Sintetizando, direi:
i) uma parte da resposta às dificuldades sentidas há-de passar pela capacidade reivindicativa que a UMinho precisa de recuperar perante o ministério, isto é, se tem sido discriminada negativamente, isso só pode ser fruto da fragilidade da sua capacidade reivindicativo, tendo eu deixado clara a origem dessa fragilidade;
ii) uma segunda componente de resposta passará por a instituição retornar ao jogo do seu estatuto jurídico. Não sendo óbvio que a estratégia da UMinho passe por tornar-se uma fundação, já é muito mais evidente que foi um erro não ir a jogo, fazendo mesmo desse assunto tabu. Não é verdade que são as instituições que foram a jogo aquelas que, no presente ano, menos se podem queixar das respectivas dotações orçamentais?
iii) Uma terceira e essencial dimensão de resposta às restrições financeiras há-de passar pela própria capacidade da instituição de angariar receita via contratos de prestação de serviços e via projectos de investigação científica. Tal não se consegue com políticas absolutamente suicidárias de cativação das verbas de contratos conseguidos pelos seus professores e investigadores. Tal não se prossegue com orientações em termos de tramitação e burocratização que tolham a iniciativa e a capacidade de gestão de recursos de quem, na instituição, tem capacidade de captar projectos e serviços. Dar espaço à liberdade de iniciativa e à ousadia dos agentes da instituição é a resposta neste domínio. Nunca o seu contrário. A questão que está colocada é quanto tempo vai demorar a recuperar a confiança que um claro desnorte em termos de gestão financeira da instituição e de inabilidade em matéria de gestão de recursos humanos gerou.
J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado hoje no Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Um cúmulo de erros

«Qualquer balanço que se faça do caminho percorrido por Portugal desde que aderiu, em 1986, à União Europeia (então, Comunidade Económica Europeia - CEE) tem que sublinhar o enorme progresso económico e social registado. Aparte a componente de dotação do país em infra-estruturas e equipamentos básicos, a expressão mais notória dessa evolução talvez seja dada por indicadores do foro sanitário, como são as taxas de mortalidade infantil e a esperança média de vida à nascença. Infelizmente, os últimos 8 a 10 anos, os que temos mais presentes, foram de impasse e frustração no rumo que vinha sendo trilhado. Esse é o resultado de um cúmulo de erros, onde se juntam incapacidade de perspectivação estratégica, erros de política económica, ausência de liderança e incapacidade de comunicação entre agentes políticos e actores económicos e sociais, e com os cidadãos, de um modo geral.»

J. Cadima Ribeiro

(excerto de artigo de opinião a publicar no dia 19 de Fevereiro pf. no Jornal de Leiria)

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Atenção aos sinais proteccionistas

Nas últimas semanas tem-se assistido a um despertar do proteccionismo em vários países, com expressões públicas de diversa natureza. Na comunicação social portuguesa o assunto que mereceu especial destaque foram os protestos de trabalhadores ingleses, em resposta ao recrutamento de mão-de-obra italiana e portuguesa na refinaria de Lindsey, no Reino Unido. As pressões dos trabalhadores e o receio da generalização dos protestos levaram a que o governo inglês forçasse um acordo entre manifestantes e empresa, a qual se comprometeu a aceitar uma percentagem de trabalhadores locais. Este episódio de carácter proteccionista não é um caso isolado. Os Estados Unidos, a China, a Índia, o Brasil, a Rússia e diversos países de Europa e Latino-américa implementaram ou têm previsto implementar medidas para favorecer os seus trabalhadores e a sua indústria transformadora ou para restringir o comércio internacional, nomeadamente através de aumentos dos impostos à importação.
O comércio internacional tem sido um dos grandes pilares do crescimento económico mundial dos últimos cinquenta anos. Em finais do século XIX o comércio internacional representava 25% do Produto Interno Bruto mundial. Nos anos trinta caiu para 14% do produto, como consequência da crise económica e de uma série de políticas comerciais proteccionistas, mantendo-se sem grandes alterações durante as décadas de quarenta e cinquenta. Na década de sessenta inicia-se um processo de abertura comercial, ainda que não foi até finais da década seguinte quando verdadeiramente se intensifica a liberalização do comércio internacional. Nos últimos trinta anos os impostos ao comércio entre países diminuíram, em termos médios, de 25 para menos de 10%, o qual promoveu uma expansão continuada dos inter-câmbios. Nos últimos 15 anos as taxas de crescimento médias do comércio internacional aproximaram-se dos 6%, em termos anuais.
Nos últimos meses os líderes políticos mundiais realizaram manifestações de apoio ao comércio internacional como via para garantir uma rápida saída à recessão económica global. Contudo, as medidas implementadas ou anunciadas por alguns países nas últimas semanas contradizem o discurso político de abertura e promoção da liberdade comercial. Nesta conjuntura, o Banco Mundial estima que em 2009, por primeira vez nos últimos vinte e sete anos, o crescimento do comércio internacional será negativo (–2.1%.)
A generalização das medidas proteccionistas guarda certo paralelismo, como noutras dimensões da actual conjuntura, com a crise de 1929. Nos Estados Unidos, na sequência do crash de 29, foi aprovada em Junho de 1930 a Lei Smoot-Hawley, que criou uma série de barreiras ao comércio internacional com terceiros países. Em concreto, incrementaram-se os impostos à importação de mais de 20.000 produtos, atingindo os aumentos, em alguns casos, valores próximos dos 70%. As importações dos Estados Unidos caíram de 4.400 milhões de dólares para 1.500 milhões, entre 1929 e 1932. A resposta dos parceiros comerciais americanos teve um grande impacto nas suas exportações, as quais desceram, no mesmo período, de 5.400 para 2.100 milhões de dólares. Esta quebra do comércio internacional, nesse período, é sempre apontada como uma das razões explicativas do alargamento temporal da Grande Depressão.
A posta em marcha de medidas proteccionistas em algumas das economias de maior dimensão pode dar origem a fortes desequilíbrios em determinados mercados e a impactos macroeconómicos de carácter global. De um lado, a cláusula Buy American promovida pela nova Administração americana restringe a utilização de aço importado na construção de infra-estruturas financiadas no âmbito do plano de estímulo económico. As importações apenas poderão proceder dos países incluídos no Acordo sobre Contratação de Obras Públicas da OMC. Assim sendo, grandes produtores mundiais como a China, a Rússia e a Índia ficarão de fora, o que pode levar a que certos mercados, como o europeu, sejam inundados com aço barato procedente desses países, prejudicando os produtores locais. De outro lado, dado que a economia Chinesa tem uma forte dependência das exportações, a intensificação das medidas proteccionistas pode obrigar o seu governo a desvalorizar a moeda, para incrementar a competitividade das suas produções. Os desequilíbrios globais derivados de uma medida de política dessa natureza são neste momento de difícil predição, ainda que certamente o seu impacto não seria neutral.
Estima-se que para que o PIB das economias avançadas cresça a uma taxa média de 3% é necessário que o comércio internacional cresça a taxas não inferiores a 8%. As medidas proteccionistas não são a solução para a recessão. Do ponto de vista individual, podem ajudar a estimular a procura interna no curto prazo, mas terão efeitos perversos sobre a procura externa no médio e longo prazo. A saída da crise implica a implementação de soluções globais e não de medidas avulsas decididas individualmente. A história económica mostra-nos que o proteccionismo não é o caminho. Às vezes deitar uma olhada ao passado permite-nos tirar conclusões mais robustas que as dos sofisticados modelos de previsão, sobretudo em conjunturas como esta, onde o determinismo e a dependência temporal do passado recente perdem grande parte da importância que têm em conjunturas económicas convencionais.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

"10 Years of the Euro: Adjustment in Capital and Labour Markets"

«Dear Colleague
NIPE is organising a two-day conference, on the 7th and 8th of May 2009, on the topic “10 Years of the Euro: Adjustment in Capital and Labour Markets”. We would like to call your attention to this event. Please find below the Call for Papers.
We would be very grateful if you could distribute this announcement among colleagues of yours that might also be interested in this conference.
Yours sincerely,

Dina Guimarães
-
CALL for PAPERS: REMINDER
10 Years of the Euro: Adjustment in Capital and Labour Markets
7-8 of May 2009
School of Economics and Management
University of Minho, Braga, Portugal

The Economic Policies Research Unit of the University of Minho (NIPE) –
Portugal - is organising a two-day conference, on the 7th and 8th of May 2009, on the topic “10 Years of the Euro: Adjustment in Capital and Labour Markets”.
Developments in capital markets, namely, current account imbalances and financial integration, and labour markets rigidities have been among the most noticed difficulties some countries have been facing after adopting the Euro.
To discuss these issues, and the lessons that emerge from the analysis of the first 10 years of Economic and Monetary Union, we encourage you to participate in the conference by submitting a paper.

Plenary sessions will benefit from the participation of
Frank Smets (European Central Bank)
John Driffill (Birkbeck College, University of London)
Jorge Braga de Macedo (Universidade Nova, Lisboa)

Paper submissions should be sent to nipe@eeg.uminho.pt, until February 28th 2009.
Submitters will be notified about the status of their submissions by March 15th, 2009.
To get an update on information regarding the conference please go to
http://www3.eeg.uminho.pt/economia/nipe/euro10years/
[...]»
*
(reprodução parcial de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, com a proveniência identificada)