Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

quarta-feira, janeiro 13, 2010

A internacionalização do sector financeiro Cabo-verdiano

A confiança e credibilidade no sector financeiro ficaram profundamente abaladas com a actual crise mundial. Segundo vários economistas, a crise teve a sua origem no sector financeiro/imobiliário e foi causada, por um lado, pela excessiva confiança e défice de legislação neste sector e, por outro lado, pela incapacidade técnica das autoridades de acompanhar as inovações financeiras e avaliar correctamente o risco de certos activos.
Porém, apesar da crise actual, não devemos ignorar ou subvalorizar a importância do sector financeiro no crescimento económico de qualquer país. Os serviços financeiros são consumidos pela quase totalidade dos indivíduos e organizações.
Um sistema financeiro moderno, sólido, dinâmico e eficaz é fundamental para assegurar satisfatoriamente o crescimento e o desenvolvimento de um país, visto que: (i) é importante para a estabilidade económica que, por sua vez, permite o crescimento consistente do produto, e viabiliza a acumulação de saldos positivos da balança de pagamentos, formando assim reservas internacionais; (ii) é relevante na formação de poupança e acumulação de capitais, provendo assim recursos destinados ao investimento.
Em Cabo Verde, o sector dos serviços representa cerca de 70% do PIB. Isto explica perfeitamente o facto de as políticas económicas visarem transformar Cabo Verde num centro internacional de serviços centrado nas áreas de telecomunicações, transportes, turismos e serviços financeiros.
Tendo o nosso estudo centrado no sector financeiro, procuramos analisar se as políticas financeiras e a situação sócio/económica em Cabo Verde são as adequadas a uma pequena economia que ambiciona transformar-se num Centro Financeiro Internacional -CFI, e também verificar se existe uma relação positiva entre as variáveis financeiras e o investimento, uma vez que o investimento tem influências positivas no crescimento da economia. Quer dizer, está em causa saber se se justifica a aposta no sector financeiro.
Comparando a situação actual existente no nosso país com os vários estudos sobre o desenvolvimento do sector financeiro em pequenas economias, apuramos que Cabo Verde apresenta alguns requisitos exigidos aos CFI’s, como: (i) estabilidade política e social; (ii) leis no sector financeiro baseadas no Acordo de Basileia de 1988 e nas 40 recomendações e propostas da Financial Action Task Force on Money Laundering; (iii) estabilidade e credibilidade da moeda; (iv) integração regional; (v) boa governação.
Encontramos no documento Poverty Reduction and Growth Strategy Paper II (2008-2011) e no Programa do Governo para a VII Legislatura (2006-2011) algumas opções de desenvolvimento e políticas económicas/financeiras, exigidas aos CFI, tais como: (i) construção de infra-estruturas básicas; (ii) uso de novas tecnologias na gestão pública e privada; (iii) desenvolvimento do mercado de capitais; (iv) melhoria do acesso das MPME´s (Micro, Pequenas e Médias Empresas) ao financiamento; (v) dinamização e aperfeiçoamento da Bolsa de Valores de Cabo Verde.
Porém, apesar dos passos dados, Cabo Verde tem pela frente algumas barreiras a ultrapassar para atingir o patamar de um CFI competitivo, e fazer dos serviços financeiros um dos grandes impulsionadores do desenvolvimento socioeconómico. Destacamos as seguintes dificuldades: (i) fraca promoção do sector dos seguros e pensões; (ii) pequena dimensão da economia, o que dificulta o desenvolvimento de concorrência; (iii) sistema financeiro caracterizado por alto peso e limitada competição do sector bancário; (iv) fraca diversificação das actividades e instrumentos financeiros; (v) pouco interesse da população em diversificar os investimentos.
Realizámos um estudo econométrico dos determinantes financeiros do investimento, suportado por uma base de dados de 1982 a 2004. Esta base de dados foi reduzida para tirar conclusões robustas. No entanto, permitiu formar uma ideia clara do impulso do sector financeiro no investimento em Cabo Verde.
Foram considerados os indicadores financeiros crédito privado, crédito bancário e passivo líquido. Fazendo uso do modelo designado Vector Error Correction Model (VECM), concluímos que existe uma relação positiva entre os indicadores financeiros e o investimento, com o passivo líquido como o principal indicador na explicação do investimento. Este resultado pode estar relacionado com o facto de em Cabo Verde a maioria dos investimentos ser de origem pública e com financiamento externo, levando a que o impacto do passivo líquido no investimento seja superior aos créditos concedidos pelas instituições financeiras nacionais.
Paralelamente, também, constatámos: (i) uma relação positiva entre o consumo do governo e o investimento, o que pode estar associado ao facto de que em Cabo Verde a maioria dos investimentos serem do domínio público e, por outro lado, o consumo público ter vindo a ser em áreas impulsionadoras do investimento; (ii) apesar da relação negativa entre o investimento e a importação, num primeiro momento o aumento da importação tem influência positiva no investimento.
Em suma, estes resultados evidenciam que Cabo Verde pode impulsionar o crescimento económico através do desenvolvimento do sistema financeiro, apesar de haver ainda um fraco peso do crédito privado e crédito bancário no investimento. Assim, a abertura do sistema financeiro a outros operadores, o aperfeiçoamento das condições de acesso dos investidores e a introdução de outros instrumentos financeiros, conduzem ao aumento da liquidez no mercado interno e da participação na actividade financeira. Por conseguinte, fomentam o crescimento do investimento.
Por outro lado, deve haver também aumento da transparência no sector, reforço da regulamentação e da capacitação das autoridades financeiras, de forma a exercerem com eficiência e eficácia as suas funções de controlo e supervisão, e assim levar à recuperação da confiança e induzir maior dinamismo no sector.

(Coimbra, 04 de Janeiro de 2010)
João António F. Brito – Mestre em Economia.

(artigo publicado no Jornal ASEMANA, nº 915, de 08 de Janeiro de 2010)

domingo, janeiro 10, 2010

Turismo e dinamização dos espaços rurais

Turismo Rural um importante contributo para o Desenvolvimento Rural

(título de mensagem, datada de domingo, 10 de Janeiro de 2010, disponível em Economia Portuguesa e Europeia)

sexta-feira, janeiro 08, 2010

quinta-feira, janeiro 07, 2010

"As alterações energéticas são um tema relevante e de grande debate actualmente"

(título de mensagem, datada de quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010, disponível em Economia Portuguesa e Europeia)

terça-feira, janeiro 05, 2010

Pobreza e desigualdades em Portugal

1. Nos últimos anos, tenho sido responsável pela docência de uma unidade curricular (u.c.) intitulada Economia Portuguesa e Europeia. O objectivo essencial dessa u.c. (ou disciplina) não é tanto apresentar novos conceitos ou teorias mas conduzir os estudantes a usar a formação adquirida previamente no seu curso (de Economia) na análise das realidades socioeconómicas nacional e da U.E. De certo modo, trata-se de levá-los a mergulhar na realidade das economias, depois de lhes terem sido explicados os princípios básicos do funcionamento das estruturas económicas, em abordagens centradas em quadros mais macro ou mais microeconómicos. Como segundo objectivo, visa-se dar-lhes competências em matéria de estruturação e elaboração de documentos técnicos e respectiva apresentação pública e de produção de textos técnicos para difusão junto de públicos não especializados.
2. Dentro do espírito da u.c., as matérias a versar vão evoluindo de acordo com as conjunturas económico-sociais vividas, para que os alunos sintam o espírito da cadeira e tendam a torná-la parte do debate do “momento”. Daí resultou a preferência que os estudantes deram no ano lectivo precedente ao tratamento de temas como os défices dos orçamentos de Estado, a regulação e o funcionamento dos mercados financeiros. No presente ano lectivo, notei com curiosidade que tenham trazido para o debate as problemáticas das energias renováveis e, muito especialmente, as da pobreza e da desigualdade de rendimentos. Sendo, seguramente, um sinal dos tempos que vivemos, não esperava que os últimos temas referidos emergissem de forma tão destacada. Não quero com isso dizer que não abundassem as justificações para o fazer. Não julgava era que existisse suficiente sensibilidade para esta matéria entre estudantes de economia, normalmente muito mais preocupados em seguir os debates sobre a eficiência dos mercados, os “grandes” projectos de investimento público e os défices públicos.
3. Na realidade, apesar da evolução económica verificada nas últimas décadas, no mundo e também em Portugal, um dos maiores desafios que continua a subsistir é o da superação da pobreza. O conceito de pobreza é complexo e multidimensional. Em termos gerais, seguindo a definição proposta em 2001 pela Comissão das Nações Unidas para os Direitos Sociais, Económicos e Culturais, a pobreza “pode ser definida como uma condição humana caracterizada pela privação sustentável e crónica de recursos, capacidades, escolhas, segurança e poder necessários para o aproveitamento de um padrão adequado de vida e de outros direitos civis, culturais, económicos, políticos e sociais”. A União Europeia, por sua vez, identifica a pobreza em termos de "distância económica" relativamente a 60% do rendimento mediano da sociedade.
4. Nas sociedades actuais, e nomeadamente em Portugal, existe uma grande dificuldade em caracterizar devidamente o fenómeno da pobreza. Isso acontece porque não há uma avaliação aprofundada das suas características, dos seus determinantes e um adequado seguimento da sua evolução ao longo do tempo, até pelos “embaraços” que tal situação gera nos poderes políticos.
5. Segundo dados do INE referentes ao ano 2007, são (eram) cerca de 18% os portugueses (1,9 milhões de pessoas) que vivem (viviam) ou estão (estavam) em risco de viver em situação de pobreza, sendo este um valor ligeiramente superior à média da União Europeia que, na mesma data, se situava nos 17%. Caso as transferências sociais e as pensões não existissem, a taxa de pobreza em Portugal chegaria aos 31% da população. Quer isto dizer que as transferências sociais (incluindo o rendimento social de inserção) afastam (afastaram) cerca de 13% dos indivíduos residentes em Portugal do limiar da pobreza. Na U.E., com pior situação que a portuguesa encontravam-se a Roménia, Chipre, Itália, Espanha e Grécia. Já agora, vale a pena assinalar que, entre 1997 e 2007, a taxa de pobreza em Portugal se reduziu cerca de quatro pontos percentuais, passando de 22% para 18%, uma evolução que foi, obviamente, no bom sentido. Infelizmente, mesmo não havendo dados fiáveis, tudo indica que outro tanto não terá sucedido no período mais recente.
6. A assimetria na distribuição dos rendimentos e as situações de desemprego estão entre os principais factores explicativos das situações de pobreza. Em Portugal, a assimetria de rendimentos a que têm acesso as famílias é chocante: de acordo com o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, do INE, em 2007, o rendimento monetário líquido dos 20% da população com maiores recursos correspondia a 6,1 vezes o rendimento dos 20% da população com mais baixos recursos. Se comparado com o que se passa entre os demais membros da União Europeia, Portugal é o país em que a distribuição de riqueza tem o segundo maior diferencial. Maior diferencial apenas se verifica na Roménia, um dos mais recentes membros da UE.
7. Os dados apresentados, ainda que constituindo um “primeiro olhar” sobre a realidade da pobreza em Portugal, não podem deixar de ser vistos com preocupação e ser um elemento essencial na definição das medidas de política social. De acordo com a Comissão Europeia, as medidas para combater a pobreza passam pela introdução (ou manutenção) de um regime de rendimento mínimo e de acções vocacionadas para a promoção do emprego. A esta luz, perceber-se-á que o sucesso das políticas de relançamento da economia, no curto/médio prazo, é peça-chave do combate à pobreza em Portugal.
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J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado na edição de 2010/01/05 do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

sábado, janeiro 02, 2010

"Cultural Diplomacy in Africa - Africa and the Global Economy: Creating Opportunities and Development Strategies (17th - 23rd January, 2010)"

«I am writing to announce the dates of two complementary programs being organised by the Institute for Cultural Diplomacy in January 2010. We appreciate your support and assistance in spreading the word about this great opportunity and would be grateful if you could forward this information on to any individuals who you feel may be interested in attending these programs.

Cultural Diplomacy in Africa: A Forum for Young Leaders” (CDA) is an active network of young leaders from across the world, who conduct activity to strengthen intra-African relations and the relations of Africa with other continents. Members join the forum by taking part in an CDA Weeklong Seminar. The forthcoming CDA Weeklong Seminar will be held in Berlin from 17th – 23rd January 2010 and will have as a theme “Africa and the Global Economy: Creating Opportunities and Development Strategies”. The program will consist of lectures, workshops, seminars, as well as cultural and social activities. During the last three days of the program participants will take part in “The Rise of Africa: An International Conference on New Strategies and Approaches to Governance and Sustainable Development in Africa”.

The Rise of Africa: An International Conference on New Strategies and Approaches to Governance and Sustainable Development in Africa” is an international conference for students, young professionals, economists, diplomatic and political representatives, and civil society practitioners from across the world. “The Rise of Africa” will take place in Berlin from 21st – 23rd January 2010 and will consist of speeches and panel discussions by leading figures from the fields of politics, diplomacy, civil society, academia, and the private sector. Speakers will explore the range of new ideas and initiatives being developed and implemented in support of African development, and to assess the challenges and opportunities they will bring for African leaders and the continent as a whole. The program will aim to set a new pace in the development of Africa and its role in the world economy.
[...]
Further information about the two programs, including the online application forms can be found under:
* Weeklong Seminar on Cultural Diplomacy:
http://www.culturaldiplomacy.org/experienceafrica/index.php?en_cda_about-cda
and
* International Conference on the Rise of Africa:
http://www.culturaldiplomacy.org/experienceafrica/index.php?en_the-rise-of-africa

Please feel free to contact us under cda@culturaldiplomacy.org should you require any further information.
With warmest regards,

Katharina Müller»
(reprodução parcial de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, com a origem que se identifica)

sexta-feira, janeiro 01, 2010

A assimetria de rendimentos em Portugal

A assimetria na distribuição dos rendimentos e as situações de desemprego estão entre os principais factores explicativos das situações de pobreza. Em Portugal, a assimetria de rendimentos a que têm acesso as famílias é chocante: de acordo com o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, do INE, em 2007, o rendimento monetário líquido dos 20% da população com maiores recursos correspondia a 6,1 vezes o rendimento dos 20% da população com mais baixos recursos. Se comparado com o que se passa entre os demais membros da União Europeia, Portugal é o país em que a distribuição de riqueza tem o segundo maior diferencial. Maior diferencial apenas se verifica na Roménia, um dos mais recentes membros da UE.

J. Cadima Ribeiro

quarta-feira, dezembro 30, 2009

“Emigrateca portuguesa”

«Com votos de um feliz Ano Novo, damos-lhe a conhecer que se encontra disponível para consulta “on-line” (http://www.emigrateca.org/), a versão consolidada de 2009, da “Emigrateca portuguesa”.
No próximo ano iremos procurar alargar a sua dimensão inserindo outros textos, que por razões técnicas (devido à sua extensão), não foi ainda possível editar. Neste sentido, vimos convidá-lo a enviar novos contributos, contactos e sugestões de modo a tornar mais acessível este portal junto de investigadores, estudantes, associações e comunidades portuguesas. Bem haja.
[...]
Jorge Carvalho Arroteia»
*
(reprodução parcial de mensagem de correio electrónico entretanto recebida, com a proveniência que se identifica)

sábado, dezembro 26, 2009

A pobreza em Portugal

Nas sociedades actuais, e nomeadamente em Portugal, existe uma grande dificuldade em caracterizar devidamente o fenómeno pobreza. Isso acontece porque não há uma avaliação aprofundada das suas características, dos seus determinantes e um adequado seguimento da sua evolução ao longo do tempo, até pelos “embaraços” que tal situação gera junto dos poderes políticos.
Segundo dados do INE referentes ao ano 2007, são (eram) cerca de 18% os portugueses (1,9 milhões de pessoas) que vivem (viviam) ou estão (estavam) em risco de viver em situação de pobreza, sendo este um valor ligeiramente superior à média da União Europeia que, na mesma data, se situava nos 17%. Caso as transferências sociais e as pensões não existissem, a taxa de pobreza em Portugal chegaria aos 31% da população. Quer isto dizer que as transferências sociais (incluindo o rendimento social de inserção) afastaram cerca de 13% dos indivíduos residentes em Portugal do limiar da pobreza.
Na U.E., com pior situação que a portuguesa, encontravam-se a Roménia, Chipre, Itália, Espanha e Grécia.
Já agora, vale a pena assinalar que, entre 1997 e 2007, a taxa de pobreza em Portugal reduziu-se cerca de quatro pontos percentuais, passando de 22% para 18%, uma evolução que foi, obviamente, no bom sentido. Infelizmente, mesmo não havendo dados fiáveis, tudo indica que outro tanto não sucedeu no período mais recente.

J. Cadima Ribeiro

segunda-feira, dezembro 21, 2009

“Inter-industry Wage Premia in Portugal: Evidence from EU-SILC data”

“In this paper we investigate whether inequality in the inter-industry wage premia may be explained by unobserved differences in workers’ educational skills. We use the 2007 EU-SILC data set for Portugal, a nation which can be considered a case-study, due to its high inter-industry wage dispersion. Applying both OLS and quantile regression techniques, our results suggest that this unobserved heterogeneity is not a relevant matter in the wage premia determination. We thus corroborate the previous empirical contribution to Economic Letters performed by Martins (2004).”

Biagetti, Marco
Scicchitano, Sérgio

Date: 2009-12-08
Keywords: Returns to education; inter-industry wage inequality; Quantile regression; Portugal.
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:pra:mprapa:19076&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

sexta-feira, dezembro 18, 2009

"Portugal com ´grandes carências` na educação"

Notícia i
Portugal com "grandes carências" na educação - estudo:
*
(agradeço a MJMatos a chamada de atenção para a notícia, na sua "entrada" de 16 de Dez., só agora lida, intitulada Revista de imprensa, disponível em Que Universidade ?)

quarta-feira, dezembro 16, 2009

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Eurasia Business and Economics Society (EBES) 2010 Conferences

«Dear Colleague,
We invite you to participate in the Eurasia Business and Economics Society (EBES) 2010 Conferences, which will bring together many distinguished researchers from all over the world. Participants will find a good opportunity for presenting new research, exchanging information and discussing current issues. Although we focus on Europe and Asia, all papers from major business and economics fields -theoretical or empirical - are highly encouraged.
EBES will have two conferences in 2010. The first conference will be held in Istanbul, Turkey on May 26-28, 2010. Submissions are now being accepted for the Istanbul conference. The deadline for the abstract submission for the Istanbul conference is January 31, 2010. The second conference of 2010 will be held in Athens, Greece on October 28-30, 2010. The deadline for abstract submission for the Athens conference is July 18, 2010.
We would also like to announce publication opportunities for qualified papers presented at the EBES Conferences. Qualified papers will be published in the special issues of the journal of Emerging Markets Finance and Trade (EMFT) and the Journal of Business Economics and Management (JBEM). Both journals are indexed in the Social Science Citation Index. On the other hand, all accepted abstracts will be published in the Conference Program and the Abstract Book with ISBN number.
For further details, please visit our website www.ebesweb.org
Hope to see you in one of our 2010 conferences.
Best regards,
Ender Demir
EBESConference Coordinator in Europe
(reprodução integral de mensagem de correio electrónico entretanto recebida, com a proveniência que se identifica)

domingo, dezembro 13, 2009

Qual das estratégias deverá o Governo privilegiar?

*
(título de mensagem, datada de segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009, disponível em Economia Portuguesa e Europeia)

quinta-feira, dezembro 10, 2009

The point to remember

"The point to remember about selling things is that, as well as creating atmosphere and excitement around your products, you've got to know what you're selling."

Stuart Wilde

(citação extraída de SBANC Newsletter, December 8, Issue 596 - 2009,

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Consequências da dívida externa Cabo-verdiana

Nos últimos 5 anos (2004-2008) a taxa média do crescimento do PIB de Cabo Verde foi de 6,44%, valor superior a média dos países da África Subsariana de rendimento médio, que foi de 4,66%. Contudo, sabemos que o nosso país apresenta escassos recursos naturais e nível de poupança interna muito baixa (média de 5% do PIB), pelo que, para sustentar parte deste crescimento, Cabo Verde teve que enveredar pelo caminho do crédito externo.
De forma a apreciar a delicadeza da situação, para avaliar o endividamento externo da economia Cabo-verdiana usámos a Posição de Investimento Internacional (PII), indicador que ocupa uma importância relevante nas tomadas de decisões económicas de qualquer país. A PII é uma medida estatística que apresenta o valor das disponibilidades (activos) e responsabilidades (passivos) financeiras externas de uma economia no final de um determinado período de tempo. A PII líquida representa a diferença entre o que uma economia possui e o que deve.
No nosso período em análise (2004-2008), a média da PII, negativa, em Cabo Verde, foi de 68,56% do PIB [correspondendo a uma média 72.383 milhões de Escudos de Cabo Verde (ECV)], tendo atingido 76,35% do PIB (equivalente a 99.522,8 milhões de ECV), em 2008. Este valor equivale a uma dívida de 200.000$00 (ECV) por cada cidadão. Porém, o recurso ao endividamento externo é perfeitamente explicado no caso de uma economia como a nossa, que apresenta parcos recursos naturais e financeiros, precisando, assim, de recorrer ao capital externo para financiar o investimento interno.
A média do saldo devedor do PII, durante o período em análise é explicada em grande parte pelo sector das sociedades não bancárias e particulares (onde adquire particular relevância o Investimento Directo Estrangeiro) e pelo sector público.
O Investimento Directo Estrangeiro, além de ter facultado avanços consideráveis a nível microeconómico, em sectores chaves, como tecnologia e capacidade produtiva, tem sido direccionado, em grande parte, para o sector imobiliário turístico, impulsionando assim o crescimento económico de Cabo Verde. As receitas do turismo apresentaram no período em análise uma taxa média de crescimento de 27 %, correspondendo a um peso médio no PIB de 17%.
O sector público, por sua vez, considerando o período 2004-2008, representou aproximadamente, em média, 73% da dívida acumulada, expressa em termos de percentagem do PIB. Esta dívida tem tido uma evolução decrescente, situando-se em 2008 em cerca de 60% do PIB. Sendo, a dívida pública interna, excluindo Títulos Consolidados de Mobilização Financeira, correspondeu, uma média de 26,6% do PIB, numa tendência decrescente, atingindo 19,3% do PIB, em 2008. E a dívida externa acumulada foi de aproximadamente 47% do PIB.
Os recursos externos têm financiado cerca de 90 % do investimento público, contribuindo assim para que este crescesse a uma média anual de 17%. Este investimento tem sido direccionado em grande parte para as funções económicas e sociais, como projectos de infra-estruturação no domínio dos transportes, modernização do sistema educativo, boa governação/reforma do Estado, saúde, redução da pobreza e conservação do ambiente.
Estes valores, apesar de aparentarem ser elevados, estão conformes com o acordo assinado com o FMI, no âmbito dos objectivos do Policy Support Instruments – PSI, que estabelecia como o limites de dívida pública externa a observar em Junho do 2009 cerca de 70% do PIB e da dívida pública interna valores próximos de 20% do PIB.
A dívida externa tem sido contratada, na sua maioria, por credores multilaterais, em condições muito vantajosas (taxas de juros médias de 1%, com períodos de carência entre 5 a 10 anos e prazo de maturidade de 20 anos).
Numa perspectiva económica, o Estado pode recorrer ao endividamento aumentado o consumo presente por contrapartida da redução do consumo futuro. E, se esperar um aumento considerável do rendimento futuro, a opção pelo endividamento é boa, uma vez que esses rendimentos gerados vão permitir fazer face aos encargos com as dívidas assumidas. Porém, o Estado deve aplicar estes recursos em projectos que permitam assegurar o seu reembolso, como, por exemplo, no aumento da capacidade produtiva, ou seja, em investimentos produtivos com taxas de rendibilidade superiores às exigidas pelos credores externos.
Em suma, e atendendo aos últimos relatórios do FMI produzidos no âmbito do PSI, datados de Junho e de Outubro de 2009, constatamos o seguinte: (i) o montante da dívida cabo-verdiana está dentro dos limites estabelecido pelo FMI, e apresenta uma tendência decrescente; (ii) o programa de investimento público do Governo foi avaliado como apropriado para eliminar os constrangimentos da infra-estruturação e assim aumentar o potencial de crescimento económico de longo prazo; (iii) apesar do decréscimo na taxa de crescimento do PIB devido à evolução negativa daqueles que têm sido os principais fundamentos do crescimento económico de Cabo Verde (Investimento Directo Estrangeiro; Turismo; e Remessas), motivada pela crise internacional, as autoridades nacionais continuam a demonstrar compromisso firme em matéria de adopção de políticas prudentes, o que se vem traduzindo na redução da dívida pública interna, na acumulação de reservas externas (4 meses de importação) e estabilização da dívida externa; (iv) Cabo Verde cumpriu os principais objectivos estabelecidos no âmbito do PSI, assinado em 2006.

(Coimbra, 01 de Dezembro de 2009)
João António F. Brito – Mestre em Economia.

Fontes dos dados: Relatórios anuais do Banco de Cabo Verde; FMI - Sexta revisão dos termos do PSI; e Regional Economic Outlook – Sub-Saharan Africa, Abril de 2008
[Publicado no Jornal ASEMANA, nº 910, de 04 de Dezembro de 2009]

sexta-feira, dezembro 04, 2009

"O combate ao ´chico-espertismo` tem de ser intensificado"

Conjuntura…(2)

(título de mensagem, datada de sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009, disponível em Economia Portuguesa e Europeia)

quinta-feira, dezembro 03, 2009

XX Jornadas Luso Espanholas de Gestão Científica | Call for Papers - Nova data

«Caras e caros investigadores,
Foi adiado o prazo de submissão de artigos para as XX Jornadas Luso-Espanholas de Gestão Científica.
A nova data é 9 de Dezembro. Apelamos à sua participação! Veja como fazer a sua submissão aqui.
Sob o tema «Novos desafios da gestão em contexto de incerteza», convidamos-vos a submeter os trabalhos de investigação às Jornadas Luso Espanholas de Gestão Científica.

Serão aceites para revisão, trabalhos de investigação aplicada, reflexão teórica e metodologias e experiências docentes. Todas as submissões serão sujeitas a um processo de dupla revisão anónima.
Os tópicos propostos para as jornadas são os seguintes: Docência: Metodologia e experiências docentes; Gestão e Organização de empresas (Empreendedorismo; Estratégia; Inovação; Internacionalização, Ética e Responsabilidade Social, …); Contabilidade e Finanças; Gestão de Recursos Humanos; Marketing, Logística e Distribuição; Sistemas de Informação.

Datas Importantes:
Prazo de apresentação das comunicações: 9 de Dezembro de 2009
Comunicação da Decisão de Aceitação: a partir de 20 de Dezembro 2009
Registo Antecipado: até 11 de Janeiro de 2010
Realização das Jornadas: 4 e 5 de Fevereiro de 2010»
*
(reprodução integral de mensagem entretanto recebida, com a origem identificada)

segunda-feira, novembro 30, 2009

quinta-feira, novembro 26, 2009

Recuperação económica assimétrica à escala global

As perspectivas económicas melhoraram consideravelmente nos últimos meses. Em termos globais começam a observar-se variações positivas do produto, aumentos tímidos nos volumes de investimento e uma leve recuperação do comércio internacional. A conjuntura actual caracteriza-se pela assimetria na recuperação económica por grupos de países, dado que o bloco dos emergentes, que foi o que melhor resistiu aos embates da crise, está a recuperar com maior robustez e celeridade que o das economias ditas desenvolvidas, onde a persistência de desequilíbrios continua a lastrar a recuperação do produto e do emprego.
O cenário de recuperação mais provável nas economias desenvolvidas traduzirá diferentes intensidades de saída da crise, dependendo do tipo de desequilíbrios internos nas taxas de investimento e nos rácios de endividamento privado, e da evolução das variações do PIB. Ademais, as políticas de protecção do emprego adoptadas em alguns países terão um impacto considerável sobre a velocidade de saída no curto prazo. Países como Alemanha, que introduziram medidas de manutenção do emprego no sector privado, crescerão menos no curto prazo, mas é muito provável que os impactos dessas medidas heterodoxas sejam muito positivos, tanto no médio como no longo prazo.
A assimetria em termos conjunturais coloca reptos importantíssimos na definição de uma estratégia de saída da crise. Para além dos problemas associados à determinação dos estímulos públicos a retirar e das medidas de política económica a introduzir nesta fase, pretende-se evitar a extemporaneidade nas decisões sobre esta matéria. Isto porque existe o risco de que a recuperação induzida pelas políticas públicas seja confundida com uma recuperação efectiva dos níveis de actividade. Uma retirada prematura das políticas monetárias e fiscais, implementadas na generalidade das economias desenvolvidas, poderia pôr em risco a incipiente recuperação em algumas delas, prolongando a conjuntura recessiva ou incrementando os desequilíbrios em diversos âmbitos.
Se houver que definir uma calendarização para a alteração do mix de política económica adoptado genericamente no último ano, a cronologia da estratégia de intervenção nos países desenvolvidos deveria contemplar as seguintes fases. Em primeiro lugar, os estímulos monetários quantitativos, associados à expansão da base monetária dos bancos centrais, deveriam ser eliminados de forma progressiva. As principais vias de intervenção são o cancelamento das facilidades de crédito, destinadas à correcção das disfunções dos mercados de crédito e à contenção dos problemas sistémicos no sector financeiro, a modificação das políticas de gestão da liquidez, diminuindo o peso das injecções ilimitadas e reactivando os leilões competitivos, e a suspensão dos programas de compras de activos. Em segundo lugar, e, dependendo das conjunturas nacionais ou regionais, o endurecimento progressivo da política monetária, através do incremento sucessivo das taxas de juro de intervenção. Por último, quando os sinais de crescimento e de criação de emprego sejam suficientemente robustos, os governos deverão restringir a política fiscal, reduzindo a despesa pública, e mais especificamente, contraindo o investimento público. Nos países em desenvolvimento as primeiras duas fases tendem a sobrepor-se e o incremento das taxas de juro deveria começar de forma iminente, inclusivamente antes de retirar as medidas de estímulo, dado que as autoridades destes países estão a ter imensas dificuldades para lidar com as entradas massivas de capital, que se têm verificado nos últimos meses.
A principal consequência macroeconómica dos planos de resgate financeiro e de estímulo monetário e fiscal é o crescimento desproporcionado da dívida pública, que neste momento representa, em média, nos países desenvolvidos, perto de 120% do PIB, transferindo riscos desde os balanços do sector privado para as contas do sector público. Esta situação é altamente indesejável, dado que a margem de manobra dos governos, perante conjunturas recessivas, é cada vez mais limitada. Por este motivo, nos próximos anos as instituições financeiras internacionais deverão pressionar junto dos governos para reduzir os actuais níveis de dívida, até situá-la por baixo de 60% do PIB, nos países desenvolvidos, e em níveis ligeiramente inferiores nos países em desenvolvimento.
A saída da crise implica necessariamente a coordenação das estratégias nacionais, ainda que essa coordenação não significa que as medidas que as integram devam ser implementadas de modo sincrónico, dado que os ritmos de recuperação estão a ser significativamente desiguais. Nas próximas décadas, o reforço da coordenação supra-nacional e a adopção de uma perspectiva sistémica para a resolução dos problemas devem presidir a actuação governamental em matéria de política económica. As necessidades de ajustamento durante o próximo ciclo expansivo obrigarão a uma reformulação do papel do estado na economia e à realização de reformas na saúde, nas pensões e no mercado de trabalho, especialmente nos países desenvolvidos, e a adoptar políticas supranacionais de supervisão do sistema financeiro e medidas efectivas de luta contra a evasão fiscal à escala internacional. Assim sendo, em algumas matérias será necessário alcançar consensos e ceder alguma soberania, na esperança de que a adopção de uma perspectiva global contribua para prevenir o aparecimento de crises sistémicas e limitar o seu alcance e intensidade.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
(artigo de opinião publicado na edição de 2009/11/24 do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

quarta-feira, novembro 25, 2009

Thinking about a thing

"If you spend too much time thinking about a thing, you'll never get it done."

Li Xiao Long

(citação extraída de SBANC Newsletter, November 24, Issue 594 - 2009, http://www.sbaer.uca.edu/)

terça-feira, novembro 24, 2009

segunda-feira, novembro 23, 2009

sábado, novembro 21, 2009

quinta-feira, novembro 19, 2009

sábado, novembro 14, 2009

"Euro-Mediterranean Trade and Investment Fair"

«Dear EMRBI members and associates
This is to inform you that the EuroMed Research Business Institute has joined forces with the BusinessGlobal.com and the Cyprus Chamber of Commerce and Industry and co-organises the Euro-Mediterranean Trade and Investment Fair. The Euro-Mediterranean Trade and Investment Fair is an on-line exhibition and forum bringing together business professionals, exhibitors and buyers from EU countries and Mediterranean countries. The main purpose is the forging of strategic alliances and partnerships in trade, industry, technology and investments.
The Fair with many benefits to the exhibitors and visitors is an innovative marketing tool linking businessmen and investors in EU countries with their counterparts in the Middle East and North Africa providing an ideal platform for promoting their economic and competitive strengths to European as well as global markets.
To find out more about this initiative please read the document attached or email info@businessglobal.com or tel. +357 22581450
Regards

Professor Demetris Vrontis
President, EuroMed Research Business Institute (EMBRI) - http://www.emrbi.com/»

(reprodução do corpo principal de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, com a origem que se identifica)

sexta-feira, novembro 13, 2009

quinta-feira, novembro 12, 2009

"How well the balance-of- payments constraint approach explains the Portuguese growth performance. Empirical evidence for the 1965-2008 period"

«Abstract:
The present study aims to verify whether the balance-of-payments constrained growth approach is suitable for explaining the Portuguese growth performance during the last decades. For that, we adopt “Thirlwall’s Law” that predicts actual growth by the ratio of the exports growth relative to the income-elasticity of the demand for imports. The income-elasticity of imports, essential for the entire analysis, is obtained from the estimation of the imports function by 2SLS, assuming that domestic growth is endogenous.To smooth cyclical variations, 15-year overlapping periods are considered in the computation of “Thirlwall’s Law”, assuming that income-elasticity with respect to imports is either constant or variable over time. It is found that the Law is a good instrument for predicting actual growth in Portugal and this result is reinforced by performing the McCombie test. Our results reveal that Portugal grew slightly higher relatively to the OECD countries in the entire period and this is consistent with the income-elasticity of the demand for exports exceeding that of imports, as “Thirlwall’s Law” implies. Portugal also grew slightly faster than the rate consistent with the balance-of-payments equilibrium, accumulating external deficits over time. Dividing the sample in the pre and post-adhesion period to the EU, it is shown that Portugal grew at a lower rate in the latter, and this is consistent with lower export growth and higher income-elasticity with respect to imports. To overcome this problem, policies are needed to improve the supply characteristics of exports related to non-price competitiveness and reduce the imports sensitivity with respect to domestic income changes.»
Micaela Antunes, Faculty of Economics, University of Coimbra, Portugal
Elias Soukiazis, Faculty of Economics, University of Coimbra and GEMF
[Estudos do GEMF, N.º 13, de 2009,

quarta-feira, novembro 11, 2009

Money is only a tool

"Money is only a tool. It will take you wherever you wish, but it will not replace you as the driver."

Ayn Rand

(citação extraída de SBANC Newsletter, November 10, Issue 592-2009,

terça-feira, novembro 10, 2009

Estatísticas do Território: convergência e divergência económica

Depois de um largo período de redução drástica da produção de estatísticas sobre o território, especialmente a escalas geográficas mais restritas, o Instituto Nacional de Estatística (INE) e outros organismos públicos que integram o Sistema Estatística Nacional retomaram há cerca de 4 anos o esforço de recolha e tratamento de informação relevante para o conhecimento das realidades regionais e locais e de suporte à execução e avaliação das políticas públicas com maior incidência territorial. Por detrás do desmantelamento do sistema de estatísticas de base local e regional a que se assistiu num certo momento estiveram considerações de natureza estritamente financeira e, diria, também, estreiteza de pontos de vista sobre as estatísticas que importaria produzir e o alcance económico e social de dispor de boa informação estatística.
Na linha de trabalhos anteriores, necessariamente recentes, chegou-me às mãos há poucos dias um estudo do Departamento de Prospectiva e Planeamento e Relações Internacionais (DPP) em que o tema versado é a “Convergência Económica das Regiões Portuguesas: 1995-2006” (DPP/MAOTDR, 2009), onde, como se deduz pelo título, o que está em causa é a evolução das desigualdades no país, tratadas a nível de NUTs II e NUTs III. A leitura que se faz toma como indicadores a densidade da população, o VAB, o emprego, a produtividade e o VAB per capita, e a partir deles ensaia-se caracterizar os comportamentos de convergência ou de divergência de cada “região”, isto é, é analisado em que medida as unidades estatísticas em análise (NUTs) registaram uma evolução no sentido de aproximação aos valores da média nacional (convergência, que pode ser positiva ou negativa) ou de afastamento face a essa média (divergência, que pode, também, ter dois sentidos).
Sem surpresa, os autores do estudo acabam por concluir que as dinâmicas a que se assistiu no período em análise são muito diversas, não permitindo arrumações fáceis na conjugação dos comportamentos dos indicadores com as zonas geográficas, a indiciar “estruturas quantitativas territoriais muito diferenciadas” (p. 11). Pese isso, não deixam de sublinhar que as áreas metropolitanas do Porto (Grande Porto) e de Lisboa (Grande Lisboa), juntamente com a Península de Setúbal (4,1% da superfície do país, no seu conjunto), em 2006, “concentravam 38,4% da população, 38,4% do emprego e 48, 6% do VAB nacional” (p.11).
Numa leitura mais fina, assinalam-se outras coisas que me parece oportuno reter aqui; nomeadamente:
i) a perda de posição da NUT II Norte, resultado, em grande medida, do comportamento genericamente negativo da área metropolitana do Porto e da NUT III Ave, parcialmente contrariada pelo Cávado e pelo Tâmega e por alguns sub-regiões do interior;
ii) o contraste que se viu estabelecido entre a área metropolitana de Lisboa, que, em termos gerais, continuou a registar uma divergência positiva face ao restante território nacional, e a Península de Setúbal, que não foi capaz de preservar o dinamismo revelado no período precedente; e
iii) a continuação da evolução convergente mantida pelo Algarve, embora padecendo de limitações em matéria de produtividade.
Como resulta óbvio desta breve apresentação de dados, não há grandes surpresas nos dados agora trazidos a público. Entretanto, como é missão das estatísticas oficiais, esta análise permite tornar mais objectivo o sentimento que vamos tendo de um país a várias velocidades e, em grande medida, desgovernado, nomeadamente naquilo que à gestão do território diz respeito. Será que disponibilidade de mais e melhor informação sobre o território faz/fez diferença deste ponto de vista, particularmente para efeitos de desenho e monitorização das políticas públicas (estruturais; regionais)? Claro que fez, mas não são as estatísticas (e os seus produtores) que decidem sobre a afectação dos recursos e controlam a sua aplicação.
Como última nota, é bom que fique dito que a análise de convergência ou de divergência territorial que é objecto do estudo em referência não deve ser confundida com análise de crescimento. Isto é sublinhado deste o prólogo pelos autores do trabalho. É que desempenhos absolutos positivos mas diferenciados configuram também convergência ou divergência. Claro está que pior que tudo é termos o país “parado”, como foi norma na década que agora se apresta para terminar.´
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J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado na edição de 2009/11/10 do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

segunda-feira, novembro 09, 2009

sexta-feira, novembro 06, 2009

quarta-feira, novembro 04, 2009

Call for Papers for the 4th meeting of the Portuguese Economic Journal

"Dear colleague,
Please find attached the first Call for Papers for the 4th meeting of the Portuguese Economic Journal which will be held in Faro from June 25th-26th, 2010.
Theoretical, empirical or policy oriented papers on economic-related fields can be submitted.
The meeting is being organised by the Centre for Advanced Studies in Economics and Econometrics (CASEE) together with the Faculty of Economics of the University of Algarve.
We look forward to receiving your submission.
(...)
Best regards,
Paulo M. M.Rodrigues"
(reprodução de mensagem de correio electrónico entretanto recebida, com a origem identificada)

segunda-feira, novembro 02, 2009

Conjuntura do mercado de trabalho espanhol: é necessário introduzir reformas?

Sendo certo que os governos Europeus estão extremamente preocupados com os indicadores económicos de conjuntura que os serviços estatísticos produzem periodicamente, neste momento as inquietações mais profundas estão associadas ao crescimento do desemprego. Ademais, na maioria das economias Europeias a tradicional sazonalidade do mercado de trabalho aponta para um agravamento dos níveis de desemprego nos próximos meses e as previsões macroeconómicas para um estancamento da actividade mais prolongado do que inicialmente esperado, que vai atrasar a criação líquida de emprego na maioria dos sectores.
A situação a este nível em Espanha é dramática. A taxa de desemprego aproxima-se dos 18% e o número de desempregados dos 4.125.000. Os dados do último trimestre foram relativamente favoráveis, dado que o desemprego caiu aproximadamente em 14.000 pessoas, ainda que esta descida apenas teve impacto sobre a taxa de desemprego, devido a uma redução da população activa de perto de 90.000 pessoas (por segundo trimestre consecutivo). Esta diminuição explica-se em grande medida pela redução das entradas de jovens no mercado de trabalho e pela contracção da população imigrante.
O dado mais preocupante do último trimestre foi, como já tinha sido nos trimestres anteriores, a intensa destruição de emprego verificada em quase todos os sectores de actividade. Apesar de se ter verificado uma certa moderação, pelo incremento de actividade no período estival e pelos efeitos do Plano E (de promoção de obras públicas locais), no último trimestre a economia espanhola destruiu perto de 75.000 postos de trabalho. Os dados são mais preocupantes se o horizonte temporal for alargado retrospectivamente. No último ano destruíram-se em Espanha mais de um milhão e seiscentos mil postos de trabalho, quase um milhão na construção e perto de setecentos mil na indústria. O emprego no sector serviços tem permanecido praticamente invariável, tendo inclusivamente criado algum emprego nos períodos de maior actividade.
Existem outros aspectos, que sendo de distinta natureza, dão origem a uma preocupação acrescida. Em primeiro lugar, o crescimento do número de lares com todos os seus membros em situação de desemprego, que neste momento se aproxima rapidamente de 1.150.000. Em segundo lugar, a destruição de emprego começa a afectar os trabalhadores com contratos sem termo (indefinidos), dado que no último trimestre o número de trabalhadores com este tipo de contratos caiu em mais de 160.000.
A experiência passada demonstra que a economia espanhola apenas cria emprego quando cresce por cima de 2,5%. Segundo as previsões macroeconómicas internacionais, não voltará a crescer com esse vigor até 2012 ou 2013. Para além das medidas paliativas adoptadas pelo governo nos últimos meses (como por exemplo a concessão de subsídios adicionais para grupos de desempregados sem subsídio), este tem que pôr em prática medidas activas que alterem os pressupostos que regem o mercado de trabalho. Existem evidências objectivas que provam que o mercado de trabalho está desajustado. Por um lado, em situações de crise, a taxa de desemprego praticamente duplica a da média comunitária e, por outro, a aproximação a essa média apenas tem sido possível crescendo desequilibradamente por cima do seu potencial.
A persistência de taxas de desemprego relativamente altas é explicada por várias razões. Primeiro, nos contratos colectivos de trabalho os salários não têm em consideração certos aspectos de extrema importância, como a situação particular de cada empresa, as variações de actividade económica ou o nível de desemprego em cada momento; isto é, a impossibilidade de ajustamento via preços conduz para um ajustamento via quantidades. Segundo, a grande diferença entre o custo de despedimento (e outros direitos) dos contratos a termo e dos contratos sem termo (indefinidos), aliado à facilidade para manter trabalhadores no primeiro regime durante longos períodos de tempo. Terceiro, o escasso recurso à contratação a tempo parcial, dado que a flexibilidade no mercado é introduzida maioritariamente através dos contratos temporais. Quarto, o domínio das políticas passivas de emprego face às políticas de formação e reciclagem profissional no conjunto das políticas de emprego. E por último, ainda que noutro nível, a grande ineficiência dos serviços públicos de emprego que apenas intermedeiam uma em cada dez colocações.
Na primeira fase da recessão a utilização de políticas macroeconómicas de procura permitiu amortecer os seus efeitos mais negativos ao manter os níveis de actividade económica. Uma vez ultrapassado o momento mais crítico, a saída da situação recessiva obriga à utilização de medidas de cariz microeconómico que melhorem o funcionamento dos mercados que se têm revelado menos eficientes. O crescimento do desemprego e os custos económicos e sociais associados obrigam a que o governo tome medidas que contribuam para promover a criação de emprego e, sobretudo, para resolver os problemas que afectam o mercado de trabalho. A crise voltou a evidenciar, com toda a sua crueza, que o mercado de trabalho espanhol apresenta graves problemas institucionais, de carácter estrutural, que têm a sua manifestação mais clara na rigidez salarial e na natureza dicotómica da contratação, que dá origem a um mercado de trabalho dual. Uma reforma do mercado do trabalho que resolva os problemas anteriores é, sem dúvida, necessária, para evitar que continue a ser, durante as fases recessivas, um lastre para o crescimento económico e, durante as expansivas, uma fonte de desequilíbrios macroeconómicos.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
(artigo de opinião publicado na edição de 2009/10/27 do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

domingo, novembro 01, 2009

“The determinants of university patenting: Do incentives matter?”

“In recent years various studies have examined the factors that may explain academic patents. Existing analyses have also underlined the substantial differences to be found in European countries in the institutional framework that defines property rights for academic patents. The objective of this study is to contribute to the empirical literature on the factors explaining academic patents and to determine whether the incentives that universities offer researchers contribute towards explaining the differences in academic patenting activity. The results of the econometric analysis for the Spanish universities point towards the conclusion that the principal factor determining the patents is funding of R&D while royalty incentives to researchers do not appear to be significant.”

Tomás del Barrio-Castro (University of the Balearic Islands)
José García-Quevedo (University of Barcelona)

Date: 2009
Keywords: patents, university, R&D.
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:ieb:wpaper:2009/9/doc2009-13&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

quarta-feira, outubro 28, 2009

If you want time…

"You will never ´find` time for anything. If you want time, you must make it."

Charles Bruxton

(citação extraída de SBANC Newsletter, October 27, Issue 590 - 2009, http://www.sbaer.uca.edu/)

terça-feira, outubro 27, 2009

"Um discurso que defenda e defina [...] uma política industrial mais coerente"

"[...] espero que o novo ministério da economia, inovação e desenvolvimento contribua para a consolidação em Portugal de um discurso público desenvolvimentista assertivo e confiante, na linha de algumas preocupações que constam do QREN. Um discurso que defenda e defina, usando a reduzida margem de manobra disponível, uma política industrial mais coerente, servida por incentivos selectivos e por investimentos públicos bem planeados, que favoreçam a área dos bens transaccionáveis intensivos em conhecimento e em tecnologia e não a captura de sectores da provisão pública por grupos rentistas."
João Rodrigues
*
(excerto de mensagem, datada de 2009/10/23 e intitulada Economia política e política económica alternativas em português, disponível em Ladrões de Bicicletas)

sábado, outubro 24, 2009

quinta-feira, outubro 22, 2009

Os números da crise em tempo de constituição de um novo governo

De acordo com o INE, a taxa de desemprego registada no 2º trimestre do ano em curso foi de 9,1%, mais 1,8 pontos percentuais que o que se verificava no mesmo trimestre do ano de 2008, e o valor mais elevado vivido pelo país desde meados dos anos oitenta do século passado. Segundo estimativas da OCDE, este cenário de desemprego elevado está longe de ter termo a breve prazo: para 2010, prevê para Portugal uma taxa de desemprego de 11,7%, valor acima da média dos países da OCDE, que deverá aproximar-se dos 10%.

Estes números dizem-nos que o país terá ultrapassado a barreira dos 500 mil desempregados no mês de Agosto. Se, entretanto, nos quisermos referir à faixa etária dos 15 aos 24 anos, a taxa de desemprego registada no referido trimestre de 2009 era da ordem dos 18,7%, sendo que um número expressivo era detentor de habilitações a nível de ensino superior. Este número do desemprego juvenil está em linha com o que vinha sendo observado não apenas em Portugal mas, em geral, na União Europeia em matéria de diferencial entre a taxa de desemprego global e a da população activa mais jovem, que em não raros casos é o dobro da primeira. Por sua vez, este dado reflecte a resistência que as empresas mantém à contratação de trabalhadores sem experiência laboral ou com pouca experiência, sejam detentores de maiores ou menores qualificações.

Não se conclua do que se diz no parágrafo precedente que o investimento em educação/formação não vale a pena, de todo. A verdade é que, também de acordo com dados recentes da OCDE (Education at a glance 2009), considerando a média dos países integrantes da organização, o desempregado que tem maiores qualificações tem maior probabilidade de conseguir emprego: por exemplo, ter o secundário completo reduz em 6,7 pontos percentuais o risco de desemprego para quem tiver entre 20 e 24 anos. Obviamente, deste dado não pode retirar-se a indicação que não haja escolhas a manter em matéria de cursos ou áreas de formação a frequentar. O investimento em formação, como a generalidade dos investimentos, comporta risco. Não pode, por isso, ser feito sem uma análise cuidada do deve e haver expectável, futuro.

O quadro de situação em matéria de emprego não dá espaço para optimismos no horizonte temporal próximo, mesmo se os indicadores de confiança económica têm vindo a subir. Na Alemanha, por exemplo, de acordo com informação recente avançada pelo Instituto de Pesquisa Económica alemã, a confiança empresarial terá subido pelo sexto mês consecutivo. Nos EUA, por sua vez, a confiança dos consumidores encontra-se ao nível de Janeiro de 2008, o que pode estar relacionado com o aumento verificado da actividade económica americana. Em Portugal, a situação é similar, com indicadores de confiança para a indústria, comércio e serviços a registarem valores cada vez mais animadores ao longo dos últimos meses deste ano. Acontece entretanto que uma coisa é podermos estar no ponto de viragem para o relançamento económico e outra é assistirmos à criação líquida de emprego. Antes que se atinja uma situação de crescimento sustentado e em torno dos 2 pontos percentuais, não será expectável que se assista à redução das taxas de desemprego, em Portugal, como no resto da Europa.

No caso português, para a melhoria das perspectivas económicas também não ajudam nada o défice das contas públicas previsto para este ano, de 5,9% do PIB, e o montante esperado da dívida pública (74,5% do PIB). Estes dados macroeconómicos reconduzem o país ao quadro de infracção do Pacto de Estabilidade e Crescimento da União Europeia e, logo, abrem espaço para que os procedimentos aí previstos em matéria de défices excessivos sejam accionados. Esta situação tem, por seu turno, consequências gravosas em termos de liberdade de acção do governo em matéria de políticas públicas e, portanto, de capacidade de actuação a nível de estímulo à economia. Isto dito, percebe-se que os tempos continuarão a ser de grande dificuldade para os portugueses, que, depois dos sacrifícios que fizeram nos derradeiros oito anos, talvez merecessem estar bem melhor. Claro está que sempre se pode contrapor que, tendo tomado a opção de referendar, em sede eleitoral, as políticas económicas conduzidas, têm os políticos e as políticas económicas a que têm direito.
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J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Jornal de Leiria)

quarta-feira, outubro 21, 2009

The fool's idea of glory

"Showing off is the fool's idea of glory."

Bruce Lee

(citação extraída de SBANC Newsletter, October 20, 2009, Issue 589-2009, http://www.sbaer.uca.edu/)

segunda-feira, outubro 19, 2009

Autoridade da Concorrência: Seminário

SEMINÁRIO
“The relationship between competition authorities and sectoral regulators: an international-comparative perspective”
Dr. Maher M. Dabbah
Director, Interdisciplinary Centre for Competition Law and Policy (ICC), http://www.icc.qmul.ac.uk/
Queen Mary, University of London
AdC, Lisboa, 26 de Outubro 2009
17h00
[...]
Entrada Livre – Necessária inscrição prévia
Local: Autoridade da Concorrência (AdC)
Para se inscrever contacte: Ema Bernardo
Av. Berna, 19 – 10º andar, Lisboa
Email: ebernardo@concorrencia.pt
Telefone: 21 790 20 53»
*
(reprodução parcial de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, proveniente da entidade identificada)

sábado, outubro 17, 2009

Os portugueses têm os políticos e as políticas económicas que merecem?

"[...]
No caso português, para a melhoria da situação económica também não ajudam nada o défice das contas públicas previsto para este ano, de 5,9% do PIB, e o montante esperado da dívida pública (74,5% do PIB). Estes dados macroeconómicos reconduzem o país ao quadro de infracção do Pacto de Estabilidade e Crescimento da União Europeia e, logo, abrem espaço para que os procedimentos aí previstos em matéria de défices excessivos sejam accionados. Esta situação tem, por seu turno, consequências gravosas em termos de liberdade de acção do governo em matéria de políticas públicas e, portanto, de capacidade de actuação a nível de estímulo à economia. Isto dito, percebe-se que os tempos continuarão a ser de grande dificuldade para os portugueses, que, depois dos sacrifícios que fizeram nos derradeiros oito anos, mereciam estar bem melhor. Claro está que sempre se pode acrescentar que, tendo tomado a opção de referendar, em sede eleitoral, as políticas económicas conduzidas, têm os políticos e as políticas económicas que merecem."

J. Cadima Ribeiro

quinta-feira, outubro 15, 2009

"Lisboa teve 173 milhões dos fundos para regiões pobres"

«Lisboa teve 173 milhões dos fundos para regiões pobres
Os investimentos aprovados para Lisboa com recurso a fundos comunitários dados às regiões mais pobres somavam, em Agosto, 173 milhões de euros, ou 2,3% do total aprovado, disse o secretário de Estado, Rui Baleiras.
Consulte o artigo completo em:
http://jn.sapo.pt/paginainicial/nacional/interior.aspx?content_id=1390935

Comentário: É preciso ter lata...»
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(reprodução de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico)

terça-feira, outubro 13, 2009

O comércio electrónico: curiosidades postas à luz pela investigação empírica

O passo seguinte ao uso generalizado na comunicação corrente das tecnologias de comunicação e informação, especialmente da internet, foi o respectivo aproveitamento para efeitos de negócio, entre empresas, por uma lado, e destas com o consumidor final, por outro. Os investigadores sociais não deixaram de seguir atentamente o nascimento e primeiros passos deste novo canal comercial, sendo certo que depressa foram confrontados com alguns factos inesperados.
Entre os dados surpreendentes ou inesperados que a investigação empírica trouxe para a luz do dia contam-se os seguintes: i) a dispersão de preços entre vendedores virtuais revelou ser muito mais elevada do que o esperado; ii) a importância assumida nesses mercados pela “confiança” e pela “marca” também se revelou muito elevada; isto é, longe de ser um grande egualizador dos retalhistas e de eliminar a necessidade do estabelecimento de marcas, a internet pode incrementar a importância das diferenças entre retalhistas em vertentes como a confiança e a marca”; adicionalmente, iii) constatou-se que a orientação para os mercados electrónicos não conduziu necessariamente à desintermediação das trocas, mesmo se tal difere do que se verifica nos mercados “físicos” tradicionais; isso mostrou ser particularmente verdade no caso dos vinhos, onde as vendas directas ao consumidor via internet não foram assumidas como verdadeira opção por parte da maioria dos produtores de vinhos ou adegas, grandes ou pequenas, como é ilustrado pelos casos australiano e alemão, nomeadamente.
Nesta última dimensão, tem que concluir-se que uma coisa é publicitar na internet informação sobre o produto e respectivos canais de retalho e outra é a venda directa ao consumidor final pelo canal virtual. No que se refere à importância dada pelos consumidores às marcas no comércio electrónico, os investigadores foram levados a concluir que tal possa resultar da necessidade dos consumidores de recorrerem à marca como indicador próximo dos atributos do produto para os quais lhes falta informação ou cuja informação é difícil de obter. Isso aplicar-se-ia com particular acuidade ao caso dos produtos com atributos sensoriais ou “bens tácteis”.
Infelizmente, a informação sobre o canal electrónico em Portugal é muito escassa. Conhece-se pouco mais do que o perfil do consumidor português do comércio electrónico. Um estudo disponível (Netsonda, 2008) diz-nos que este é maioritariamente masculino (52%), jovem (70,3% dos utilizadores têm entre 25 e 64 anos), detentor de boa formação académica (37,5% possuem o ensino secundário, a que se somam 49% com o ensino superior), urbano (as pequenas, médias e grandes cidades representam 83,5% deles), integrando agregados familiares pequenos (2 ou 3 membros), com um certo nível de rendimento (mais de 60% situam-se no grupo de rendimentos que vai dos 10000 aos 50000 Euros).
Através doutras fontes (por exemplo, Jornal Têxtil, 2009) e de dados referidos a casos particulares, sabemos, também, que, apesar de não estar “imune à crise”, o volume de negócios vem crescendo em cada ano que passa. Curiosamente, um operador deste mercado (Petit Patapon), entrevistado pelo jornal antes referido, sublinha que “A boa cobertura de lojas da marca no mundo físico em Portugal funciona […] como elemento gerador de rácios atípicos de visita/compra” (Jornal Têxtil, 2009, p.6). Dado este que põe evidência a possível complementaridade dos dois canais de distribuição referidos, ao invés de serem pensados como alternativos.
Sendo um espaço de oportunidade para fazer negócios ou alargar mercados, espera-se que brevemente outros dados sobre a realidade do comércio electrónico em Portugal e o perfil dos respectivos utilizadores fiquem disponíveis. A identificação dos consumidores-alvo e o seguimento das tendências da procura nunca deixarão de ser requisitos básicos de sucesso de qualquer negócio.
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J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

quinta-feira, outubro 08, 2009

Brasil: "Nordeste ganha portal de notícias econômicas"

«Praias, artesanato, frutos do mar, mas também o maior complexo de produtos químicos e petroquímicos da América Latina, força no segmento de serviços, destaque na produção agrícola. É com a proposta de mostrar o potencial da região Nordeste que entra no ar, hoje dia 8 (às 7:00h), o Tendências e Mercado – Panorama Econômico do Nordeste (http://www.tendenciasemercado.com.br/ ), portal com um olhar diferenciado sobre os aspectos econômicos da região, em sintonia com os negócios presentes no Brasil e no mundo.
Lançado na data em que se comemora o Dia do Nordestino, o Tendências e Mercado possui três raios de atuação: empresas, negócios e finanças, fazendo jornalismo econômico de forma acessível a todos os públicos, por meio de reportagens especiais, entrevistas exclusivas, indicadores financeiros, análise de mercado, além de matérias factuais e artigos de profissionais renomados.
O portal conta ainda com canais dedicados à moda e estilo, saúde e bem-estar, cultura, central de cursos e eventos, central de investimentos, inovação tecnológica, viagens, automóveis e novidades da economia. É um espaço com informações atualizadas, conteúdo especializado e foco em uma região em processo de expansão.
O Tendências e Mercado já nasce comprometido com a responsabilidade social (TM Social) e oferece às Organizações Não-Governamentais (ONGs) do País a oportunidade de apresentarem suas ações, sem nenhum custo, por meio de banners veiculados no portal. A primeira campanha é do Instituto Akatu, que prega o consumo consciente.
Acompanhe também o nosso portal: http://www.tendenciasemercado.com.br/
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Guto Barros Luís Augusto S. Barros
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(reprodução de mensagem de correio electrónico entretanto recebida, com a proveniência que se identifica)

quarta-feira, outubro 07, 2009

You have to…

"You have to put in many, many, many tiny efforts that nobody sees or appreciates before you achieve anything worthwhile."

Brian Tracy

(citação extraída de SBANC Newsletter, October 6, 2009, Issue 587-2009, http://www.sbaer.uca.edu/)

segunda-feira, outubro 05, 2009

“Convergence and divergence in welfare state development: an assessment of education policy in OECD countries”

“In this paper, we quantitatively assess education policy change in OECD countries. While research in social policy has shown that convergence in welfare provision can only partially be assessed in OECD countries, it has yet to be assessed to what extent this also concerns the sector of education. By distinguishing educational expenditures, educational governance and educational outputs, we analyze this sector for OECD countries since the 1990s. The paper is structured as follows: We first outline the importance of education and schooling in contemporary social policy. In a second step, we present concepts of convergence and divergence in welfare state development, concluding with assumptions on the state of education policy. In a third step, we present the data and methods used. Afterwards, we track changes in educational expenditures, educational governance and educational outputs. In a concluding section, we compare the findings and outline their significance for research on policy convergence and social policies, as well as for internationalization of education policy. The paper has a mainly empirical aim, contributing to the debate on policy change and convergence in social policy.”

Jakobi, Anja P.
Teltemann, Janna

Date: 2009
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:zbw:sfb597:93&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

sábado, outubro 03, 2009

"Azeite - Produção nacional cresceu 42%"

Azeite - Produção nacional cresceu 42%

(título de artigo, datado de Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009, disponível em Café Portugal)

quinta-feira, outubro 01, 2009

U. E.: evolução dos principais indicadores económicos

Selected Principal European Economic Indicators: http://ec.europa.eu/eurostat/euroindicators

(título de tabela de indicadores económicos disponível no sítio do EUROSTAT)

terça-feira, setembro 29, 2009

"Eu Participo"

"Eu Participo em Braga"

(título de mensagem, datada de Terça-feira, 29 de Setembro de 2009, disponível em Planeamento Territorial)

domingo, setembro 27, 2009

O perfil do consumidor português do comércio electrónico

"O perfil do consumidor português do comércio electrónico (Netsonda, 2008) diz-nos que este é maioritariamente masculino (52%), jovem (70, 3% têm entre 25 e 64 anos), detentor de boa formação académica (37,5% possuem o ensino secundário, a que se somam 49% com o ensino superior), urbano (as pequenas, médias e grandes cidades representam 83,5% deles), integrando agregados familiares pequenos (2 ou 3 membros), com um certo nível de rendimento (mais de 60% situam-se no grupo de rendimentos que vai dos 10000 aos 50000 Euros)."
*
(excerto de comunicação em preparação, intitulada "Comercialização de vinhos de qualidade em nichos de mercado: o consumidor online", da autoria de J. Freitas Santos e J. Cadima Ribeiro)

quinta-feira, setembro 24, 2009

Leadership

"Leadership rests not only upon ability, not only upon capacity; having the capacity to lead is not enough. The leader must be willing to use it. His leadership is then based on truth and character. There must be truth in the purpose and will power in the character."

Vince Lombardi

(citação extraída de SBANC Newsletter, September 22, Issue 586- 2009, http://www.sbaer.uca.edu)

terça-feira, setembro 22, 2009

sábado, setembro 19, 2009

quarta-feira, setembro 16, 2009

"Today's leaders must be partners"

"In the past a leader was a boss. Today's leaders must be partners with their people... they no longer can lead solely based on positional power."

Ken Blanchard

(citação extraída de SBANC Newsletter, September 15, Issue 585-2009, http://www.sbaer.uca.edu/)

segunda-feira, setembro 14, 2009

sexta-feira, setembro 11, 2009

Portugal: principais indicadores

Principais indicadores
População residente
N.º, 2008: 10 627 250
Índice de preços no consumidor
%, Agosto de 2009: -1,3
Taxa de desemprego
%, 2.º Trimestre de 2009: 9,1
Produto interno bruto dados encadeados em volume (B.1*g)
%, 2.º Trimestre de 2009: -3,7

(tabela de indicadores de evolução da poupulação e economia portuguesas disponível nesta data na página de abertura do sítio do INE)

quarta-feira, setembro 09, 2009

"Education at a glance 2009"

Education at a glance 2009

(título de mensagem, datada de Terça-feira, 8 de Setembro de 2009, disponível em Polikê?)

domingo, setembro 06, 2009

quarta-feira, setembro 02, 2009

Seminário 'Hypercluster do Mar - Que Futuro?'

«Bom dia!
A Câmara Municipal de Cascais e a Agência Cascais Atlântico convidam a participar no Seminário ‘Hypercluster do Mar – Que Futuro?’, inserido no evento ‘Green Festival’ que decorrerá de 18 a 25 de Setembro, no Centro de Congressos do Estoril.
Durante o Seminário, que terá lugar no dia 24 de Setembro, dia Mundial do Mar, será dado a conhecer o estudo sobre o Hypercluster da Economia do Mar, elaborado pela SaeR - Sociedade de Avaliação de Empresas de Risco, em conjunto com a Associação Comercial de Lisboa – Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, sob a orientação do Prof. Ernâni Lopes. Trata-se do primeiro estudo sobre a economia do mar em Portugal, num cenário a médio prazo, tendo como objectivo identificar o potencial estratégico da economia do mar, definindo acções concretas, exequíveis e prontas a aplicar, a nível nacional, de modo a que a teoria seja posta em prática.
Para se inscrever ou para obter mais informações sobre o evento, aceda a
[...]
Agência Cascais Atlântico
Complexo Multiserviços, Estrada de Manique nº 1830 2645-550 Alcabideche
Telefone: +351 210995353

(reprodução integral de mensagem de correio electrónico entretanto recebida, com a proveniência que se identifica)

terça-feira, setembro 01, 2009

Mudando de assunto ou talvez nem tanto: o feitiço de um feiticeiro

Já me reportei recentemente, neste “Jornal de Parede” [corrija-se: num outro, vizinho deste], ao efeito que os outdoors podem ter na imaginação das pessoas! E sobre a dedicação das “senhoras”ao nosso querido Sócrates!
Neste fim-de-semana constatei, para meu espanto, que a saga ainda está no início. E que promete até Outubro, até às nossas eleições!...
Não é que o outdoor que colocava o feiticeiro rodeado de jovens senhoras e outras menos jovens que mal se viam foi substituído por outro onde surge apenas o Sócrates (sempre com o e-mail para contacto, que deve deliciar qualquer senhora, mesmo as mais bem intencionadas e até alguns senhores), que quase se confunde com o Brad Pitt!... Confesso que, por momentos, fiquei desatenta da condução do veículo e que na segunda passagem até me pareceu que o homem me estava a tentar enfeitiçar, tal era o seu olhar penetrante! Não me pareceu ver as brancas no cabelo, mas os olhos de sedutor estavam lá e um sorriso que nunca lhe vi antes… Vejam lá os milagres que se conseguem fazer! E continua a dizer “Juntos vamos conseguir”, que me deixa sempre muito embaraçada!...
Quem o convenceu a parecer em tamanho XL, super retocado pelo Photoshop e com um olhar à matador, foi bem esperto(a). Será uma mulher que estará por detrás desta campanha?...
Quer queiramos ou não, o homem ficou bem na fotografia e, claro, a namorada de longa data deve andar muito apreensiva com os resultados que tal ousadia poderá vir a provocar!...
Leonor

sexta-feira, agosto 28, 2009

Memória: o governo em exame

O governo português da actual maioria PSD/PP acabou de completar dois anos em funções, por isso faz sentido fazer um balanço do seu trabalho, como aliás foi feito pelos partidos políticos da oposição e por alguns órgãos de comunicação social. De forma muito abreviada e parcelar é isso que me proponho realizar aqui, pegando em três dos tópicos que mais atenção têm merecido na opinião pública.

1 - Retoma económica e sectores de arranque
Depois de dois anos de recuo do PIB, do emprego e do poder de compra de parcela significativa dos portugueses, este anuncia-se como o ano de início da recuperação. Não pode, de facto, deixar de ser assim na medida em que é expectável a retoma económica do conjunto das economias da União Europeia. Implícitas na afirmação precedente estão a circunstância de Portugal ser uma pequena economia, com um grau actual de abertura muito elevado, e a postura acomodada, seguidista da política económica conduzida pelo governo em funções.
Em expressão do modelo de gestão económica implementado, a retoma só pode, entretanto, ser desencadeada pelos sectores mais expostos ao exterior e onde existem vantagens comparativas melhor consolidadas. Não me surpreenderia, daí, que voltassem a ser a fileira têxtil, o calçado, o sector automóvel e a electrónica os pivôs da recuperação. Haverá que esperar um contributo, igualmente, do sector turístico, mesmo em expressão da promoção do país associada ao Campeonato Europeu de Futebol (EURO 2004).
É óbvio que não é daí que vem o problema. O problema estará na natureza das vantagens competitivas que se pretender potenciar.

2 – Competitividade económica e áreas-chave onde intervir
No meu entender, subsistem duas razões maiores para as limitações de competitividade que se fazem sentir em Portugal: uma, a falta de investimento em educação e qualificação profissional; outra, a cultura empresarial até há pouco dominante em Portugal, falha de arrojo, apostada em explorar os factores tradicionais de competitividade (mão de obra barata, recursos produtivos tradicionais). Quando e onde se investiu em capital humano, quando se esteve perante estratégias empresariais mais esclarecidas, na vertente de organização do trabalho e na componente comercial, a falta de competitividade desvaneceu-se.
A forma de dar a volta ao problema residirá, obviamente, em fazer diferente do que tradicionalmente se fez, conforme sublinho no parágrafo precedente. Para tanto, é preciso reunir os contributos do Estado, dos agentes empresariais e do cidadão comum. O Estado precisa reforçar o seu empenho na educação e qualificação de activos, empresários e trabalhadores, e manter uma estratégia coerente e esclarecida nesta dimensão da sua acção mas, também, em matéria de rumo a procurar para a economia; os empresários precisam assumir-se mais como agentes de mudança, exigindo que os governos cumpram o seu papel na parceria para o desenvolvimento que importa prosseguir (ao invés, de facilitadores de subsídios e cúmplices de momentos de maiores apertos); o cidadão e trabalhador tem que ser mais exigente com os governos e consigo próprio, percebendo-se como contribuinte activo para a mudança social e económica por que anseia.
Em grande medida, tudo se resume a criar uma nova cultura de responsabilidade e estabelecer um projecto de desenvolvimento para o país que não fique devedor de taticismos políticos de ocasião e, colocado num contexto de desafio para o país, seja partilhado por amplos sectores da sociedade portuguesa.

3 – Reforma fiscal e competitividade nacional. De que reforma precisa Portugal?
Em matéria de reformas, o país precisa principalmente, da reforma da eficácia da máquina fiscal e da reforma da postura que sucessivos governos adoptaram em termos de evasão fiscal. O laxismo também se cultiva, e os governos têm dado um contributo inexcedível. A fazer, há que abandonar o discurso da exigência e adoptar a cultura da exigência, começando o Estado (e os governos) por dar o exemplo.
Para além da de atitude, a mais importante reforma a operar é a da organização do Estado, com expressão substantiva na descentralização da máquina do Estado e na regionalização (leia-se: devolução do poder às regiões). O caminho a percorrer é o da reforma de procedimentos e posturas, com acento tónico no diálogo entre os sectores mais dinâmicos da sociedade portuguesa, no sentido de se alcançar um verdadeiro contrato social de progresso.

É, como sublinhei, um balanço muito parcial e liminar o que aqui adianto. Outras áreas se poderia comentar, do défice orçamental à gestão da dívida pública, da produtividade às políticas de desregulamentação do mercado de trabalho, etc. O tom crítico da análise não se alteraria. A parcimónia no uso do espaço não o permite fazer nesta ocasião. Fica a aguardar uma próxima oportunidade!

Braga, 6 de Abril de 2004

J. Cadima Ribeiro

quarta-feira, agosto 26, 2009

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Mihaly Csikszentmihalyi

(citação extraída de SBANC Newsletter, August 25, Issue 582- 2009, http://www.sbaer.uca.edu/)