Vol. 21 Núm. 2 (2023): PASOS Revista de Turismo y Patrimonio Cultural
Publicado: 2023-03-25
Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento
Deadline
for Special Session proposals: April 15, 2023. Proposals should be sent
by
email to the secretariat
of the Congress (apdr@apdr.pt).
Deadline
for Abstracts submissions: May
15, 2023. Authors should submit their
abstracts through online submission system by following the link https://cmt3.research.microsoft.com/APDR2023.
All information available at:
http://www.apdr.pt/congresso/2023
Looking forward to meeting you in Braga, Portugal!
The Organizing Committee and the Board
of APDR 30th APDR
Congress
Quer tomemos como ponto de partida a abordagem funcionalista quer a territorialista, instituições como a Universidade podem ser importantes instrumentos de desenvolvimento, se bem que o sejam mais quando a estratégia tenha uma matriz informadora endógena.
No primeiro caso, a
Universidade será assimilável a investimento externo, eventualmente público,
dotando o território de um equipamento importante pelos seus impactes em termos
de criação de rendimento e de emprego, de estimulo à fixação e desenvolvimento
de actividades económicas e à modernização da sociedade.
No segundo caso, a sua
importância estratégica é maior já que a Instituição tende a ser vista como um
agente da parceria para o desenvolvimento. Um parceiro tanto mais estratégico
quanto as rupturas tecnológicas e organizacionais vêm sublinhando a componente
criação e partilha de conhecimentos inerente a qualquer projecto de desenvolvimento.
Isto é, o conhecimento e a acção associada ao domínio do saber tecnológico e
organizacional, do saber e do saber-fazer, são os elementos portadores da
diferença entre ganhadores e perdedores da batalha do progresso social do
presente.
Estamos, entretanto, a
invocar um modelo de Universidade que descolou daquela cujos traços
caracterizadores são: i) a criação de conhecimentos, que são armazenados nas
bibliotecas; ii) a transmissão de conhecimentos às novas gerações que se vão
sucedendo; iii) o carácter elitista da oferta de formação que assegura, que a
faz funcionar como filtro social.
Na fase de transição, a
Universidade continua a formar as novas gerações mas, também, a intervir na
formação continua. A oferta de formação tende a alargar-se e a equilibrar-se
com a procura social. As expectativas que a sociedade coloca nas Instituições
aumentam, se bem que as barreiras impostas pela estrutura produtiva (em
especial, quando constituída por PMEs com restrita participação nas actividades
de I&D e uma fraca dotação de técnicos qualificados) possam constituir
barreiras ao desenvolvimento da relação da Universidade com o meio.
Esta fase intermédia
anuncia o advento de um novo modelo cujos traços essenciais se podem já
reconhecer (Massicotte, 2002): i) o conhecimento cria-se através da acção e uma
nova partilha de tarefas institui-se entre investigação fundamental e aplicada,
investigação e desenvolvimento, inovação e transferência; ii) a formação não
está mais a montante da investigação, mas insere-se no próprio processo de
criação de conhecimento; e iii) a procura social de formação ultrapassa a
oferta, daí o deslocamento do acento da selecção para o sucesso.
O crescimento da procura
de acesso à formação superior de que se fala é consequência da crescente proporção
de actividades que requerem conhecimentos e aptidões de alto nível. Uma e outra
coisa têm origem na aceleração dos avanços científicos e tecnológicos e das
respectivas aplicações, numa dialéctica que a UNESCO (1998, p.26) sintetiza
como segue: “o acelerar do avanço tecnológico, a obsolescência de algum
conhecimento e o aparecimento de novas áreas de conhecimento e novas sínteses
conduzem a um processo que, por sua vez, requer mudanças na educação superior”.
Perante esta realidade, o
sucesso de uma organização ou de um território depende, cada vez mais, do conhecimento
de que dispõem ou são capazes de gerar, num quadro de procura de resposta para as
necessidades identificadas. Acresce que, à luz deste modelo societário e deste
ritmo de transformação, os saberes dos especialistas esgotam-se rapidamente se
não puderem integrar-se em equipas e em redes de criação e divulgação do
conhecimento.
Para as Universidades e
para os territórios, é um desafio de grande exigência este que lhes é colocado.
Adicionalmente, pela natureza do projecto de construção social entrevisto, é um
desafio que se vence através de uma estreita congregação de esforços com os
demais parceiros do projecto colectivo de desenvolvimento.
J. Cadima Ribeiro
Referências:
Massicotte Guy, "L’enseignement supérieur et le
développement des territoires", Le
développement des territoires: nouveaux enjeux, Le Mouvement Territoire et
Développement (Ed.), Grideq, Université
du Québec, Rimouski, pp. 5-12.
UNESCO
(1998), “Higher Education in the Twenty-first Century: Challenges and Tasks
Viewed in the Light of the Regional Conferences”, Word Conference on Higher
Education, UNESCO, Paris.
(Texto publicado no Jornal de Leiria, em 2007/08/23)
Para quem não é utilizador habitual de redes sociais de âmbito académico/científico e possa estar interessado em aceder a textos meus que tratam diversas facetas da realidade portuguesa e não só, deixo aqui o endereço da minha página do ResearchGate:
https://www.researchgate.net/profile/Jose_Ribeiro14/
A maior parte dos docs. aí depositados encontra-se em acesso aberto. Se algum dos textos lhe/vos puder ser útil, tanto melhor.
Cordiais saudações académicas,
J. Cadima Ribeiro
Com a entrada da China na Organização Mundial de Comércio (OMC), a Indústria dos Têxteis e do Vestuário (ITV) portuguesa enfrentou grandes dificuldades competitivas, acentuadas pelo alargamento da União Europeia a Leste. Na procura de futuro para a fileira, algumas entidades, entre as quais o Centro de Estudos Têxteis Aplicados, foram levadas a conduzir estudos de natureza estratégica. Em resposta a convite para participar em conferência sobre a fileira dos têxteis e do vestuário, achei interessante questionar em que medida os resultados do presente foram os que se antecipava que pudessem ser percorridos para assegurar a continuidade do setor. Para esse efeito, consultaram-se os estudos e a informação setorial que vai sendo divulgada sobre a sua evolução e, através de entrevistas semiestruturadas, inquiriu-se alguns protagonistas da fileira. Concluiu-se que a ITV portuguesa viveu na última década um momento de reposicionamento e afirmação, se bem que as razões do sucesso mereçam apreciações diversas, desde a avaliação de que “Não aconteceu nada daquilo que nós dissemos que ia acontecer” (Braz Costa) à de que “15 anos depois, [o que havia sido equacionado] foi concretizado com muito sucesso” (António Falcão). Em relação ao que possa ser o futuro, as perspetivas recolhidas são igualmente positivas, com sublinhados feitos para o tipo de produtos oferecidos, a atualização tecnológica e os avanços que se estão a dar em matéria de fibras e de economia circular, mas com chamada de atenção unanime para as dificuldades enfrentadas em matéria de recrutamento de recursos humanos dotados das competências que são requeridas.
J. Cadima Ribeiro
NIPE e Escola de Economia e Gestão, Universidade do Minho, Braga,
Portugal, jcadima@eeg.uminho.pt
(Resumo de comunicação a apresentar no Seminário A Têxtil e o Vestuário no Vale do Ave, organizado pela Fábrica de Santo Thyrso/Centro Interpretativo, que vai decorrer em Santo Tirso, em data a definir, em 2022)
Jornal Têxtil: para que te quero?
Não
assisti ao nascimento do Jornal Têxtil, mas nem por isso nutro menos simpatia
por este projecto informativo e pelos que, com dedicação e profissionalismo,
lhe foram dando expressão substantiva. Sei que não é tarefa fácil ser voz
anunciadora de caminhos incertos, mesmo que promissores. Sei, bem assim, que
não é fácil ser-se ponto de encontro de um “sector” tão diverso e complexo como
é o que dá nome ao Jornal. A prová-lo aí está o “impasse” porque passa a
entidade que é sua promotora.
Se
o futuro se constrói com informação qualificada e com conhecimento, então
continuará a haver lugar para o Jornal Têxtil (JT), desde que saiba renovar-se e
preservar a exigência que o tem caracterizado. É este, tal e qual, o desafio
que a própria fileira produtiva enfrenta, agora mais patente face à afirmação
dos grandes operadores têxteis recém-chegados aos mercados mundiais.
Na senda do caminho feito, o JT tem que redobrar insistência em conceitos operativos como os de parceria (parceria de empresas; parceria de empresas e entidades do sistema científico e tecnológico; parceria de agentes de desenvolvimento), inovação (no produto, no processo, no modelo de negócio) e de ousadia (ousar fazer diferente, ousar fazer melhor).
Braga, 24 de Maio de 2005
J.
Cadima Ribeiro
Modern Trends in Business, Hospitality and Tourism (2nd Edition)
Remodelling Businesses for Sustainable Development
May 12th - 14th, 2022:
Abstract
This research aims to investigate the factors influencing residents’ perceptions and attitudes toward the tourism industry, focusing on the level of interaction between the destination residents and tourists. The study refers to the Atlantic Azores islands, Portugal. It makes use of data collected by the Regional Statistic Service of Azores (SREA), Portugal. The survey took place along the year 2018 and got, globally, 950 valid answers. The survey question inquiring the residents on usually keeping direct interaction with the visitors got 451 answers. The findings follow the assumptions of the Social Exchange Theory closely; namely, the respondents that used to keep closer contact with tourists and/or directly benefited from the tourism industry tended to express stronger support to the industry. This result has practical implications, and the regional and national authorities have to be aware of that in the design of their policies, namely for pursuing a sustainable development strategy for the Azores archipelago.
Keywords: Residents’ perceptions; social exchange theory; positive and negative perceptions toward tourism; personal economic benefits; Azores Islands (Portugal).
J. Cadima Ribeiro, NIPE and School of Economics and Management, University of Minho, Braga, Portugal, jcadima@eeg.uminho.pt
Laurentina Vareiro, UNIAG and Polytechnic Institute of Cávado and Ave, Barcelos, Portugal, lvareiro@ipca.pt
Isabel Cristina Monjardino, SREA-Regional Statistic Service of Azores, Angra do Heroísmo, Portugal, isabel.cristina@ine.pt
(Título e resumo de comunicação a apresentar no 28º Congresso da APDR, que vai ter lugar a16 e 17 de Setembro de 2021, na UTAD, Vila Real, Portugal.