Economia Portuguesa

Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

domingo, novembro 18, 2018

Leiria: potencialidades, fraquezas, captação de investimento externo e liderança

Do que conhece da região de Leiria, quais as suas potencialidades?

Confesso que conheço muito menos do que gostaria. Já levo cerca de 30 anos de afastamento da realidade económica, social e política. O que vou seguindo é pelos jornais e por visitas muito esporádicas à família. Há potencialidades iniludíveis associadas à história e à dinâmica mais recente da indústria, ao seu património natural e construído, ao posicionamento geográfico, devido à proximidade a Lisboa e, consequentemente, a importantes infra-estruturas portuárias e aeroportuárias, e à iniciativa empresarial.

Que fraquezas deveriam ser trabalhadas?

Uma coisa são recursos, outra são capacidades operativas, concretização de projectos. Do que vou vendo e percebendo, parece haver uma enorme falta de clareza de projecto ou de estratégia, se é que chega a haver projecto de desenvolvimento para este território. Os agentes sugerem-se dispersos e amarradas a estratégias do foro individual. Há, adicionalmente, falta de escala nas intervenções que vão sendo conduzidas e falta de liderança. A relativa fluidez das “fronteiras” do território também não facilita nem a aquisição de massa critica nem a definição das necessárias lideranças sociais e políticas. Parece-me essencial que se pegue na própria malha urbana que é suporte do território e se procure perceber-lhe o potencial estruturador e coerência funcional.

Por que é que pensa que falta liderança em Leiria?

Tenho má opinião sobre a gestão política desse território. Os políticos estão, de forma genérica, muito virados para o seu umbigo. Existe muito pouco o sentimento de território. Aliás, a utilização do termo 'região de Leiria' causa-me algum embaraço. Se estamos a falar de Leiria enquanto concelho, não é região nenhuma. Enquanto distrito, é falar de uma unidade político-administrativa que é relativamente artificial do ponto de vista da identificação das comunidades. Não existe nenhum conceito histórico ou cultural de região associado a Leiria. A imagem que tenho é a de posturas desgarradas, ausência de identidade forte e, claramente, de liderança. Quando falo de liderança, não é focalizada numa pessoa. É antes de uma elite, da convergência de um grupo de pessoas, que têm pontos comuns de visão sobre o desenvolvimento do território e lutam no mesmo sentido. Dos contactos que tenho com Leiria, não me apercebi que tivesse havido um esforço sério para chegar a esse projecto, a essa liderança. Mas é uma percepção obtida por quem está fora, pode não ser assim.

Tem-se assistido ao abandono do País por parte de várias multinacionais. De que forma se pode contrariar esta tendência?

Este abandono prende-se com as estratégias competitivas das empresas que operam em mercados globais e com as oportunidades em matéria de custos, de acesso a recursos naturais, mercados, redes logísticas e a capital humano que se vão revelando nos diferentes contextos económicos. As razões que podem trazer novos investimentos externos a Portugal são necessariamente diferentes daquelas que os trouxeram no passado. O que se pode fazer? Pode-se investir mais em qualificação dos recursos humanos. Pode-se apostar muito mais no desenvolvimento do sistema científico e tecnológico, requalificar o território e dotar o País de infra-estruturas diversas, incluindo as logísticas e as associadas à potenciação do País em matéria de turismo e lazer. Pode-se aproveitar bem melhor as relações históricas e culturais que Portugal mantém com muitas partes do mundo e potenciar a partir daí parcerias empresariais que possamos aproveitar para chegar a novos mercados e criarmos empregos em Portugal. Pode-se dar eficiência à máquina burocrática que regula o funcionamento das empresas e da Economia, ser-se bastante mais célere e esclarecido nos processos de negociação com os operadores internacionais interessados e fomentar uma relação mais próxima entre o sistema científico e tecnológico e as empresas.

(Excerto de entrevista dada à jornalista Lurdes Trindade, do Jornal de Leiria, em 2007)

quarta-feira, fevereiro 28, 2018

quinta-feira, fevereiro 08, 2018

“Social entrepreneur and gender: what`s personality got to do with it?”

Abstract
Social entrepreneurship is known as a promising path for creating social value in a sustainable and enduring way. Social entrepreneurs are at the core of the entrepreneurial process and are critical drivers for maintaining social entrepreneurial activity. Research on economic entrepreneurship identifies a gender gap favourable to men. In the social entrepreneurship arena, the existing evidence is slightly fuzzy, since this gender gap seems not to be so preeminent. The present study uses the Big Five Model to identify personality trait differences between women and men social entrepreneurs and to assess whether this differences influence the social entrepreneurial activity in a different way. A review of literature on gender differences and personality traits on social entrepreneurship details the main theoretical developments and builds the hypotheses. An email survey was applied to the heads of Portuguese social ventures to test the hypotheses previously formulated. The data gathered suggest that, both, female and male social entrepreneurs have a personality characterized by a high level of openness to experience, agreeableness, conscientiousness, extraversion and emotional stability. Based on the analysis of variance (ANOVA) between the two groups and a logistic regression, our investigation has revealed that women and men who launch a new social venture only differ in one personality dimension - agreeableness - wherein women are highest scored. No significantly differences were found in the other personality traits.

Keywords: Social entrepreneurship; Gender, Big Five Personality traits; Portugal.

ÒSusana Bernardino
     Polytechnic Institute of Oporto/ISCAP/CECEJ, Porto, Portugal
ÒJ. Freitas Santos
     Polytechnic Institute of Oporto/ISCAP/CECEJ, Porto
ÒJ. Cadima Ribeiro
     University of Minho/NIPE, Braga, Portugal

(Reprodução de resumo de artigo publicado online em 7 de fevereiro de 2018 em International Journal of Gender and Entrepreneurship, https://doi.org/10.1108/IJGE-07-2017-0040) 

quinta-feira, fevereiro 01, 2018

“Initiatives of Creative Tourism in Urban and Rural Territories”: call for papers


A Stream on “Initiatives of Creative Tourism in Urban and Rural Territories”
as part of the 14th Annual International Conference on Tourism 11-14 June 2018, Athens, Greece Sponsored by the Athens Journal of Tourism

- https://www.atiner.gr/touter 

domingo, dezembro 17, 2017