Economia Portuguesa

Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

sábado, abril 06, 2019

26º Congresso da APDR - submissão de resumos


«Caro(a) Colega,
A Universidade de Aveiro (UA) e a Associação Portuguesa de Desenvolvimento Regional (APDR) estão a organizar o 26º Congresso da APDR,
que se realizará nos próximos dias 4 e 5 de julho, na UA.
Assim, convidamos os potenciais interessados a submeter trabalhos numa das suas 28 sessões ordinárias e/ou 26 sessões especiais,
lembrando que a data limite para submissão de resumos termina no próximo dia 16 de abril.
Pedimos a máxima compreensão para qualquer redundância de informação recebida sobre a divulgação deste evento.
Para informação adicional, por favor, consultar:
Atentamente,
João Lourenço Marques
(em nome da Comissão Organizadora e da APDR)»

(Reprodução de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio eletrónico, proveniente da entidade identificada)

terça-feira, março 12, 2019

Sustainability, Vol. 11, N. 5, 2019: “Stepping out of the Shadows: Legacy of the European Capitals of Culture, Guimarães 2012 and Košice 2013”

The European Capitals of Culture (ECOC) is the most ambitious cultural, collaborative programme in Europe. Up until 2000, ECOC projects were hosted by several national capitals and principal cultural cities in Europe. In the second phase, the programme also began to discover second-tier and less well-known cities hidden in the shadow of the cultural capitals. This paper focuses on assessing different ECOC strategies (traditional versus radical) and the corresponding legacies of two medium-sized cities: Guimarães (ECOC in 2012, Portugal) and Košice (ECOC in 2013, Slovakia). Cultural heritage is identified by the capacity of culture to change development trajectory and to boost the economy of cities. The strategies and legacies of Guimarães and Košice have revealed themselves to be comparatively different, especially due to their differences with respect to UNESCO cultural heritage. While Guimarães partially succeeded in enhancing its position as a tourist attraction and the visibility of its historical cultural heritage, the industrial city of Košice is an example of more radical and dynamic culture-led form of development, overcoming the provincialism of the city. Most importantly, and due to the strengthening pride of the locals, both ECOC cities have stepped out of the shadow of stronger cultural capitals in their countries. This joint research offers the possibility of a first-hand comparison of traditional and radical approaches and an in-depth interpretation of their legacies after a period of five years, explaining the mechanisms of forming different legacies in two types of ECOC cities. The results can help future ECOC cities to set their strategies in relation to their desired cultural and economic development. View Full-Text



(Resumo de artigo entretanto publicado ´online` em Sustainability, Vol. 11, N. 5, 2019,  https://doi.org/10.3390/su11051469)

sexta-feira, dezembro 21, 2018

domingo, novembro 18, 2018

Leiria: potencialidades, fraquezas, captação de investimento externo e liderança

Do que conhece da região de Leiria, quais as suas potencialidades?

Confesso que conheço muito menos do que gostaria. Já levo cerca de 30 anos de afastamento da realidade económica, social e política. O que vou seguindo é pelos jornais e por visitas muito esporádicas à família. Há potencialidades iniludíveis associadas à história e à dinâmica mais recente da indústria, ao seu património natural e construído, ao posicionamento geográfico, devido à proximidade a Lisboa e, consequentemente, a importantes infra-estruturas portuárias e aeroportuárias, e à iniciativa empresarial.

Que fraquezas deveriam ser trabalhadas?

Uma coisa são recursos, outra são capacidades operativas, concretização de projectos. Do que vou vendo e percebendo, parece haver uma enorme falta de clareza de projecto ou de estratégia, se é que chega a haver projecto de desenvolvimento para este território. Os agentes sugerem-se dispersos e amarradas a estratégias do foro individual. Há, adicionalmente, falta de escala nas intervenções que vão sendo conduzidas e falta de liderança. A relativa fluidez das “fronteiras” do território também não facilita nem a aquisição de massa critica nem a definição das necessárias lideranças sociais e políticas. Parece-me essencial que se pegue na própria malha urbana que é suporte do território e se procure perceber-lhe o potencial estruturador e coerência funcional.

Por que é que pensa que falta liderança em Leiria?

Tenho má opinião sobre a gestão política desse território. Os políticos estão, de forma genérica, muito virados para o seu umbigo. Existe muito pouco o sentimento de território. Aliás, a utilização do termo 'região de Leiria' causa-me algum embaraço. Se estamos a falar de Leiria enquanto concelho, não é região nenhuma. Enquanto distrito, é falar de uma unidade político-administrativa que é relativamente artificial do ponto de vista da identificação das comunidades. Não existe nenhum conceito histórico ou cultural de região associado a Leiria. A imagem que tenho é a de posturas desgarradas, ausência de identidade forte e, claramente, de liderança. Quando falo de liderança, não é focalizada numa pessoa. É antes de uma elite, da convergência de um grupo de pessoas, que têm pontos comuns de visão sobre o desenvolvimento do território e lutam no mesmo sentido. Dos contactos que tenho com Leiria, não me apercebi que tivesse havido um esforço sério para chegar a esse projecto, a essa liderança. Mas é uma percepção obtida por quem está fora, pode não ser assim.

Tem-se assistido ao abandono do País por parte de várias multinacionais. De que forma se pode contrariar esta tendência?

Este abandono prende-se com as estratégias competitivas das empresas que operam em mercados globais e com as oportunidades em matéria de custos, de acesso a recursos naturais, mercados, redes logísticas e a capital humano que se vão revelando nos diferentes contextos económicos. As razões que podem trazer novos investimentos externos a Portugal são necessariamente diferentes daquelas que os trouxeram no passado. O que se pode fazer? Pode-se investir mais em qualificação dos recursos humanos. Pode-se apostar muito mais no desenvolvimento do sistema científico e tecnológico, requalificar o território e dotar o País de infra-estruturas diversas, incluindo as logísticas e as associadas à potenciação do País em matéria de turismo e lazer. Pode-se aproveitar bem melhor as relações históricas e culturais que Portugal mantém com muitas partes do mundo e potenciar a partir daí parcerias empresariais que possamos aproveitar para chegar a novos mercados e criarmos empregos em Portugal. Pode-se dar eficiência à máquina burocrática que regula o funcionamento das empresas e da Economia, ser-se bastante mais célere e esclarecido nos processos de negociação com os operadores internacionais interessados e fomentar uma relação mais próxima entre o sistema científico e tecnológico e as empresas.

(Excerto de entrevista dada à jornalista Lurdes Trindade, do Jornal de Leiria, em 2007)