Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

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sábado, julho 22, 2023

30º Congresso da APDR: apresentação de livros (Os Territórios na Era das Redes: Cultura digital, ação coletiva e bens comuns)

Título do livro: Os Territórios na Era das Redes: Cultura digital, ação coletiva e bens comuns

Autor: António Covas

Editora: Edições Sílabo (2023) 

Comunhão de visões entre o autor e o apresentador (J. Cadima Ribeiro)

Numa perspetivação de desenvolvimento e organização dos territórios, António Covas enuncia a necessidade da formação/materialização de um ator-rede, “que seja capaz de ouvir, interpretar, promover e realizar as aspirações de um território que é desejado”.

Na verdade, na perspetiva da mobilização dos agentes e organização para o desenvolvimento dos territórios, sobretudo dos mais frágeis, a necessidade da existência desse tipo de atores sempre existiu.

Chamei-lhes, lideres regionais, sendo que enunciei essa liderança como podendo ser protagonizada quer por um ator individual quer por um ator coletivo, uma entidade de desenvolvimento ou uma convergência de atores apostados na materialização de um projeto comum para um certo território.

Divergências de leitura entre o autor e o apresentador (J. Cadima Ribeiro)

Diz António Covas que “a grande inovação da economia dos bens comuns colaborativos”  (BCC) “é o acréscimo de eficácia e eficiência introduzido pela transformação digital nas áreas habitualmente institucionalizadas e burocratizadas, mas, também, a devolução da responsabilidade social aos cidadãos e à sociedade civil”.

A propósito, gostaria de sublinhar que, em muitas situações, a transformação digital, e a chamada desmaterialização, trouxe consigo um acréscimo infindável de rotinas burocráticas e o acréscimo de inteligibilidade do porquê de se realizarem uma multiplicidade de operações/gestos (cliques) para se aceder a um bem ou serviço ou formalizar uma decisão sobre algo.

Quem está familiarizada com a atual rotina burocrática/administrativa de algumas organizações sabe que o que, no passado, se resolvia com uma assinatura, hoje, implica, muitas vezes, uma dezena ou mesmo mais de “cliques” e/ou a introdução associada de informações codificadas numa plataforma eletrónica.

Isso resulta, frequentemente, de quem desenha essas rotinas digitais i) não ter ideia alguma de princípios de gestão de uma organização e ii) não ter nenhuma preocupação com o caráter “amigável” que as tecnologias de informação e comunicação devem ter para os utilizadores comuns.

Por outro lado, a devolução da responsabilidade social aos cidadãos e à sociedade civil não decorre e não implica o multiplicar de rotinas informáticas mas, antes, um modelo de organização do Estado que aproxime o poder dos cidadãos, isto é, que aposte na devolução do poder aos cidadãos, o que quer dizer aprofundamento democrático e, logo, também regionalização e descentralização do poder político. 


sexta-feira, abril 03, 2020

O CONVID-19 e a situação económica em que Portugal se encontra: alguns elementos de reflexão

1.            Quais as maiores implicações para o país quando uma grande parte dos trabalhadores portugueses pararam?
R: Aparte a dimensão social e humana, a economia é profundamente afetada, obviamente, com consequências nos curto, médio e longo prazos. Para além da perda de rendimento e emprego que muitos indivíduos estão a sofrer, desde já, há que ter presente a inércia gerada no comércio interno e externo, que vai arrastar por muito tempo a situação de crise/ abrandamento económico, e os impactes da situação em matéria de equilíbrio financeiro dos sistemas de segurança social e de endividamento público. No caso português, dado o nível excessivamente elevado da dívida pública atual e não sendo claro que soluções de ajuda aos Estados-membros serão gizadas no quadro da União Europeia, é ainda prematuro prever a intensidade com que isso nos vai afetar a curto e médio prazos.
2.            Já podemos prever o cenário futuro do país no fim desta pandemia?
R: Conforme decorre do antes enunciado, se é possível antecipar previsões a curto-prazo em matéria de decréscimo do PIB (desde já, avançadas pelo Banco de Portugal e outras instituições), que, para 2020, podem variar entre 3,5% e 9%, consoante a duração do período crítico de manifestação da doença (COVID-19), de perda de postos de trabalho, que apontam para taxas de emprego que podem atingir 12% e crescimentos acentuados da falência de empresas e dos endividamentos das famílias e do Estado, há muitas outras dimensões que é prematuro assumir como possam evoluir. Por exemplo, no caso do turismo, tão estratégico para Portugal, o que possa acontecer depende não apenas da gestão interna da crise sanitária mas, igualmente, do que se possa passar nos países de origem dos nossos potenciais visitantes. Isso aplica-se, também, em grande medida ao comércio internacional, em geral.
3.            É importante manter a circulação do mercado?
R: Quanto mais acentuada e duradoura for a paragem da economia, em Portugal e no mundo com que nos relacionamos mais intensamente, mais profundos serão os impactes negativos experimentados e mais lento será o processo de reinstalação da normalidade económica.
4.            Estamos perante uma paralisia generalizada da economia?
R: Generalizada não é, no sentido em que há setores que continuam a funcionar, desde logo os diretamente ligados à saúde e à segurança públicas, e o setor alimentar básico. Porventura, em razão das circunstâncias especiais e dos locais em que se desenvolve a atividade, os setores agrícola e florestal serão dos menos atingidos. O recurso ao chamado teletrabalho também permite manter em funcionamento uma parte significativa da economia e da sociedade. Por exemplo, no setor dos serviços e, mesmo, do ensino superior e da investigação, uma grande parte das atividades estão a ser asseguradas. Quem tenha que movimentar-se por alguns lugares, vai também perceber que há alguns projetos na construção civil, que são suportados por um número restrito de trabalhadores, que continuam a avançar. Este enunciado de exceções à paralisia económica pode ser consideravelmente multiplicado.
5.            Como é que este grande problema pode afetar a União Europeia?
R: Na dimensão económica, a União Europeia é afetada na dimensão em que o são os seus estados-membros, mas há outras vertentes a reter, nomeadamente a da gestão política da crise e a financeira, isto é, que se prende com os montantes dos apoios a disponibilizar para apoiar as economias, e a forma do fazer. Os sinais que têm sido dados de falta de solidariedade interna, com expressão nalgumas declarações mais desastradas vindas a público, são preocupantes. Entretanto, também há sinais positivos, talvez tardios, como são os anúncios da Comissão Europeia da criação de uma linha de crédito à economia e do Banco Central Europeu em matéria de atuação planeada no que se reporta a aquisição de dívida pública.
6.            A Europa está a dar uma resposta concertante?
R: Como deixei dito, a gestão da situação na fase inicial da crise deixou transparecer sinais muito preocupantes, desde logo de coesão e solidariedade internas. Mais uma vez, foram evidenciadas clivagens entre países do “norte” e do “sul” e visões diferentes sobre os mecanismos de atuação para atacar a crise economia/financeira. Aparte falta de coesão, pode-se acusar as instituições da União de lentidão na resposta à crise. A Itália, em particular, queixou-se disso. À medida que o tempo foi passando e a crise se generalizou, as divergências atenuaram-se e foi melhor percebida a necessidade de atuação concertada das instituições da União Europeia.
7.            A ajuda da Europa deveria chegar já?
R: Percebendo-se que estruturas pesadas, complexas, como é a União Europeia, tenham dificuldade em dar respostas a situações emergentes, a concertação de atuações e a libertação de meios deverá ser tão rápida quanto a gravidade, indiscutível, da situação sanitário e económica o exigem. Maiores atrasos significarão mais custos, em vidas humanas e a nível de deterioração da situação económica, em geral.
8.            Qual a sua opinião sobre todo este assunto? Acha que o governo está a tomar as medidas certas?
R: O governo português tem revelado grande ponderação e bom senso, o que se saúda. Soube adotar um discurso adequado, centrado nas pessoas e procurando comunicar com elas, e foi escalando as medidas sanitárias e económicas à medida do que pareceu ser necessário fazer, sem precipitações. Obviamente, isso deu azo a críticas, posto que há sempre quem tenha outra perspetiva de gestão da situação e há aqueles que têm necessidade de criticar tudo, muitas vezes apenas para ganhar protagonismo público. As sondagens de opinião feitas sobre a matéria dão expressão de elevado consenso entre os cidadãos nacionais sobre a gestão feita da crise. 
9.            Quais os setores profissionais que vão ficar mais afetados?
R: Obviamente, resultarão mais afetados os setores profissionais ligados a atividades que estão completamente paralisadas ou a empresas que vão entrar em falência. Como disse, desde logo os profissionais das diferentes atividades ligadas ao turismo, desde o alojamento e restauração aos transportes, às agências de viagens e de aluguer de veículos, à animação turística, ao artesanato, etc., mas há muitos outros setores atingidos. Disso é expressão, por exemplo, a paragem na venda de automóveis, na venda de imóveis, e do comércio internacional, de um modo geral.
10.       Concorda com Mário Centena quando este diz que Portugal nunca esteve tão preparado para uma crise económica como agora?
R: Mário Centeno disse, e bem, que se não tivesse sido feita a gestão do endividamento público que foi feita Portugal não teria uma parte dos instrumentos financeiros de que dispõe atualmente, e de credibilidade, também. Demonstração pública, global, disso foi António Costa ter podido aparecer publicamente a criticar de forma veemente o ministro das finanças Holandês pelas palavras infelizes que proferiu sobre a gestão da situação sanitária e económica em Itália e em Espanha sem que alguém se atrevesse a contradizê-lo. Pelo contrário, quem sentiu necessidade de se retratar foi o dito ministro das finanças holandês. Em fórum público, referir-se às ditas palavras como “repugnantes” não é coisa que se espere ouvir de um Primeiro-ministro de um país da União Europeia sobre o que foi dito por um representante de outro. Só por isso, António Costa ficou com uma dívida eterna de gratidão para com Mário Centeno.
11.       Como funcionam os subsídios que o estado vai distribuir por algumas empresas? Existe alguma seleção?
R: O processo está no início e o que se conhece são as medidas enunciadas. A implementação traz sempre dificuldades que nem sempre são percebidas desde o início. Obviamente, simultaneamente com a celeridade de libertação de apoios financeiros há que cuidar que não haja posturas oportunistas. A isenção ou a derrogação de impostos e taxas têm mecanismos de aplicação mais claras e imediatas. Isso já está a acontecer. Sobre mecanismos como o “lay-off” e apoios associados, ainda há uma noção menos claro sobre como as coisas se estão a/vão passar. A ideia de que a inspeção da regularidade das situações se vai fazer a posteriori faz sentido, no presente contexto, e permite acelerar o processo de libertação de apoios financeiros.
12.       Dado que em Portugal a taxa de esforço dos Portugueses já é muito elevada, dados de setembro do jornal negócios apontam para uma taxa de 86% em Lisboa e de 51% no Porto, qual a sua opinião sobre a moratória dos empréstimos que está a ser implementada pelos bancos?
R: A declaração da moratória nos empréstimos aos particulares é uma exigência de equilíbrio dos orçamentos das famílias e da exploração dos bancos. Sem isso, as situações de incumprimento disparariam e com elas os créditos malparados nos balanços do bancos. Esperamos é que o prazo das moratórias seja compatível com a recuperação relativa da economia e do emprego. De outro modo, trata-se apenas de adiar a evidenciação de mais um problema no sistema financeiro. As taxas de esforço excessivas, na sua expressão atual, não são consequência da crise sanitária mas da falta de prudência das famílias no recurso ao crédito, e dos bancos na respetiva concessão. Por alguma razão o Banco Portugal produziu há algum tempo alguns alertas e orientações para o sistema bancário em relação a essa matéria. Tanto quanto se sabe, as instituições bancárias tenderam a ”fazer orelhas moucas” em relação a essas recomendações.  

Ponte de Lima, 3 de abril de 2020

J. Cadima Ribeiro

(Entrevista escrita dada a Andreia Oliveira, aluna da Universidade Lusófona do Porto, a frequentar o 3º ano da Licenciatura  de Ciências da Comunicação, Ramo de Jornalismo). 

domingo, novembro 18, 2018

Leiria: potencialidades, fraquezas, captação de investimento externo e liderança

Do que conhece da região de Leiria, quais as suas potencialidades?

Confesso que conheço muito menos do que gostaria. Já levo cerca de 30 anos de afastamento da realidade económica, social e política. O que vou seguindo é pelos jornais e por visitas muito esporádicas à família. Há potencialidades iniludíveis associadas à história e à dinâmica mais recente da indústria, ao seu património natural e construído, ao posicionamento geográfico, devido à proximidade a Lisboa e, consequentemente, a importantes infra-estruturas portuárias e aeroportuárias, e à iniciativa empresarial.

Que fraquezas deveriam ser trabalhadas?

Uma coisa são recursos, outra são capacidades operativas, concretização de projectos. Do que vou vendo e percebendo, parece haver uma enorme falta de clareza de projecto ou de estratégia, se é que chega a haver projecto de desenvolvimento para este território. Os agentes sugerem-se dispersos e amarradas a estratégias do foro individual. Há, adicionalmente, falta de escala nas intervenções que vão sendo conduzidas e falta de liderança. A relativa fluidez das “fronteiras” do território também não facilita nem a aquisição de massa critica nem a definição das necessárias lideranças sociais e políticas. Parece-me essencial que se pegue na própria malha urbana que é suporte do território e se procure perceber-lhe o potencial estruturador e coerência funcional.

Por que é que pensa que falta liderança em Leiria?

Tenho má opinião sobre a gestão política desse território. Os políticos estão, de forma genérica, muito virados para o seu umbigo. Existe muito pouco o sentimento de território. Aliás, a utilização do termo 'região de Leiria' causa-me algum embaraço. Se estamos a falar de Leiria enquanto concelho, não é região nenhuma. Enquanto distrito, é falar de uma unidade político-administrativa que é relativamente artificial do ponto de vista da identificação das comunidades. Não existe nenhum conceito histórico ou cultural de região associado a Leiria. A imagem que tenho é a de posturas desgarradas, ausência de identidade forte e, claramente, de liderança. Quando falo de liderança, não é focalizada numa pessoa. É antes de uma elite, da convergência de um grupo de pessoas, que têm pontos comuns de visão sobre o desenvolvimento do território e lutam no mesmo sentido. Dos contactos que tenho com Leiria, não me apercebi que tivesse havido um esforço sério para chegar a esse projecto, a essa liderança. Mas é uma percepção obtida por quem está fora, pode não ser assim.

Tem-se assistido ao abandono do País por parte de várias multinacionais. De que forma se pode contrariar esta tendência?

Este abandono prende-se com as estratégias competitivas das empresas que operam em mercados globais e com as oportunidades em matéria de custos, de acesso a recursos naturais, mercados, redes logísticas e a capital humano que se vão revelando nos diferentes contextos económicos. As razões que podem trazer novos investimentos externos a Portugal são necessariamente diferentes daquelas que os trouxeram no passado. O que se pode fazer? Pode-se investir mais em qualificação dos recursos humanos. Pode-se apostar muito mais no desenvolvimento do sistema científico e tecnológico, requalificar o território e dotar o País de infra-estruturas diversas, incluindo as logísticas e as associadas à potenciação do País em matéria de turismo e lazer. Pode-se aproveitar bem melhor as relações históricas e culturais que Portugal mantém com muitas partes do mundo e potenciar a partir daí parcerias empresariais que possamos aproveitar para chegar a novos mercados e criarmos empregos em Portugal. Pode-se dar eficiência à máquina burocrática que regula o funcionamento das empresas e da Economia, ser-se bastante mais célere e esclarecido nos processos de negociação com os operadores internacionais interessados e fomentar uma relação mais próxima entre o sistema científico e tecnológico e as empresas.

(Excerto de entrevista dada à jornalista Lurdes Trindade, do Jornal de Leiria, em 2007)

segunda-feira, abril 28, 2014

“Por uma economia justa e inclusiva ao serviço da Vida”

«Caras e caros amigos,
O Grupo “ Economia e Sociedade”, a que pertenço, publicou na passada sexta-feira (dia 25) uma tomada de posição com o título “Por uma economia justa e inclusiva ao serviço da Vida”. Creio tratar-se de um documento  relevante e oportuno, de reflexão, sobre a vida do país, presente e futura. Não hesito, por isso, em recomendar-lhe a sua leitura e, porventura, difusão.
Poderá encontrar o texto em anexo ou, então, no endereço:
http://areiadosdias.blogspot.pt/p/por-uma-economia-justa-e-inclusiva-ao.htmldo blog “Areia dos Dias”.
Com um abraço do
Manuel Brandão Alves»

(reprodução de mensagem, com a proveniência identificada, que me caiu entretanto na caixa de correio eletrónico)

quinta-feira, março 13, 2014

A economia constrói-se com políticas económicas, macro e micro, e constrói-se a partir de expetativas

"Que não restem dúvidas: o futuro da economia portuguesa, isto é, o retorno à esperança, não se constrói sem o mercado doméstico, como aliás o ano de 2013 tornou bem patente, assim como não acontecerá sem investimento na educação e formação dos portugueses, sem retoma do investimento em investigação e desenvolvimento, sem estancar a hemorragia humana que o país está novamente a viver e sem que os portugueses que vivem do seu trabalho, nas empresas e serviços privados e nas administrações públicas, voltem a acreditar que têm futuro em Portugal. A economia constrói-se com políticas económicas, macro e micro, e constrói-se a partir de expetativas, mobilização, confiança nas políticas e nos decisores de política, e nestas dimensões tudo falha: a consistência das políticas e destas com o discurso e, sobremaneira, a credibilidade dos atores políticos." 

J. Cadima Ribeiro

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

"Congreso sobre Economia Critica"

«Estimad@ Profes@r,

Quizá le interese a usted o a alguno de sus alumnos de postgrado participar como ponente, panelista o participante-espectador en el congreso internacional sobre Economía Crítica, que empieza el próximo día 3 de marzo.

Este congreso se realiza íntegramente a través de internet.

Puede visitar la página de presentación en  

Si está interesado en participar, la página de las inscripciones está en

Si tiene un trabajo para presentar, por favor nos lo envía a la mayor brevedad posible junto con el currículum de los autores a lisette@eumed.net.

Un cordial saludo
--
Juan Carlos Martínez Coll
Universidad de Málaga»

(reprodução de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio eletrónico, proveniente da entidade identificada)

terça-feira, novembro 12, 2013

"Boa gestão e gestão esclarecida não são austeridade, pelo menos tal qual ela tem sido interpretada pelo governo em funções"

«1. Quais os factores que considera serem os principais responsáveis pela actual crise?
A crise atual é o resultado conjugado de: i) causas externas (a crise financeira e económica internacional); causas internas de natureza económica (o esgotamento do modelo de acumulação que vigorou até final dos anos 90 do séc. XX e da ausência de uma política industrial ativa); e iii) causas internas de natureza político-institucional, decorrentes da fraca qualidade das lideranças políticas e da ausência de um projeto coletivo para o país.

2. O que foi feito para a evitar?
Não foi feito nada. Pelo contrário, políticas seguidistas de orientações externas (da UE) e uma lógica político-partidária estreita, ajudaram a aprofundar o vazio de respostas e de soluções.

3. Na sua opinião, que medidas deveriam ter sido adoptadas?
Portugal nunca devia ter deixado de ter uma política industrial (e agrícola) e ter reorientado cedo o seu posicionamento na divisão internacional de trabalho, não ficando à espera de evoluções no âmbito da OMC e da integração de novos países na UE. A aposta em novos e produtos e serviços e reposicionamentos na cadeia de valor deveriam ter acompanhado o esforço que se fez em matéria de qualificação dos recursos humanos e provisão de infra-estruturas. Essas eram peças centrais da política industrial de que se abdicou. Há dimensões ao nível da reorganização do Estado e gestão dos serviços que deveriam também ter avançado, nomeadamente, a descentralização e a regionalização.

4. Considera que, aplicadas as mesmas, poder-se-ia ter evitado os efeitos nefastos que se sentem correntemente?
Em diálogo com os agentes económicas e numa relação muito mais próxima com a sociedade, muito poderia ter sido feito. Precisaríamos de esclarecimento e capacidade de liderança nas instâncias políticas, que não existiu e continua a não existir.

5. A austeridade é o caminho a seguir?
Os dados mostram que a austeridade, interpretada como tem sido, é o caminho do desastre. Boa gestão e gestão esclarecida não são austeridade, pelo menos tal qual ela tem sido interpretada pelo governo em funções.

6. Os impactos da mesma na sociedade podem ser minimizados?
Poderiam, se o governo o quisesse. Parece haver uma agenda política que vai em sentido contrário, nomeadamente quando vê hipóteses de negócio em tudo quanto são serviços públicos. Aparte isso, há uma coisa que se chama sensibilidade social, de que as políticas deste governo andam arredias.

7. Quais as políticas que classifica como fundamentais para fomentar o crescimento sem comprometer as obrigações nacionais perante os nossos credores?
As políticas deveriam ser percebidas e partilhadas, solidariamente, pelas empresas, cidadãos e governo, o que obrigaria a montar um processo de construção das políticas que nunca foi ensaiado em Portugal. É preciso ter uma política industrial, ter uma política agrícola, ter uma política de qualificação dos portugueses, ter uma política de inovação, uma política social, etc., isto é, ter uma estratégia para a economia e para o país. Não tendo nada disso, como se pode querer ter a solidariedade e a compreensão geral dos portugueses e das instâncias internacionais, credoras ou não. Resta uma política de curto-prazo, seguidista, de gente sem ambição e sem projeto para o país, embora o possam ter para cada um dos intérpretes das políticas em execução. 

Braga, 7 de Novembro de 2013

J. Cadima Ribeir»

[Resposta sumária a um conjunto de questões formuladas por um aluno do ISCTE (FMS), datadas de 2013/11/05]

sábado, março 16, 2013

"Portugal Economy Probe - PEProbe lançado há um ano"

«Portugal Economy Probe comemora o seu primeiro ano
Um ano a facilitar o acesso à informação sobre a economia portuguesa

O website do PEProbe disponibiliza informação pública sobre Portugal nos domínios da economia, do sistema financeiro, e das empresas, tornando a informação económica sobre Portugal mais acessível aos mercados e agentes económicos em geral, celebrando o seu primeiro aniversário.

Com base em documentos provenientes de instituições oficiais, assim como de instituições privadas de grande relevo mundial, atualizados diariamente, este site permite uma informação transparente e fiável, apresentada de forma clara e de fácil busca.

Atualmente conta com:
  • 2.883 documentos, estatísticas e vídeos de 192 instituições nacionais e internacionais
(exemplo: 
  • 1.141 notícias e factos referentes a Portugal e à sua economia
(exemplo: 
  • 1.678 eventos de calendário
(exemplo: 
  • 6 Dossiers especiais e 126 recursos elaborados pelo PEProbe
(exemplos:

Os utilizadores ao registarem-se recebem diariamente as últimas atualizações efetuadas no site e, no início de cada mês, a newsletter mensal com uma resenha do que de mais importante se passou no mês anterior. Registo disponível em www.peprobe.com/my-account/registration .

Portugal Economy Probe é uma iniciativa promovida e apoiada por instituições nacionais (Associação Portuguesa de Bancos, Banco Espírito Santo, Caixa Geral de Depósitos, Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação Luso-Americana, Fundação Oriente, Impresa e mais recentemente: Brisa, Cimpor, EDP, Galp Energia and Zon).

Ao projeto Portugal Economy Probe foi conferido o Alto Patrocínio de Sua Excelência o Presidente da República.

_________________________________________________________________________________

Maria José Correia



Rua Laura Alves, 7 - Piso 10 | 1050-138 Lisboa - Portugal»

(reprodução parcial de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, proveniente da entidade identificada)

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

"Banca e Empresas: Parceiros? Contributos para um melhor relacionamento dos bancos com os seus clientes"

[António Guimarães Pimenta, Banca e Empresas: Parceiros? Contributos para um melhor relacionamento dos bancos com os seus clientes, Edição Vida Económica, Porto, 2012, 238 págs.]

Um comentário:

I-     o que o livro não é:

- um livro académico (não contém uma revisão da literatura teórica e empírica sobre a matéria que versa; apresenta algumas deficiências de notação por referência àquilo que é habitual encontrar-se num trabalho de índole académica; há alguns termos usados, nomeadamente em língua inglesa, que não aparecem suficientemente explicados);

- não é um livro de ficção (embora recorra a alguns soluções de comunicação para posicionar as problemáticas que trata que associamos a este estilo literário, embora isso nem sempre funcione no sentido de atrair o leitor e fixar a respectiva atenção, nomeadamente porque são um pouco monótonas).
II- o que o livro é:

- um testemunho de vida (experiência) “de um quadro bancário” (António Tomás Correia, Prefácio, p. 5);

- um relato de experiências de um “Director que trabalhou num Banco de Pessoas para Pessoas” (António Tomás Correia, Prefácio, p. 6);

- um repositório de reflexões sobre uma experiência de vida e de trabalho centrado nas “relações entre gerentes e gestores bancários e os pequenos e médios empresários”,
informado por uma experiência de vida que permitiu ao seu autor “reconhecer (o progressivo) enviesamento e a desumanização daquelas relações” (José António Barros, Nota de Apresentação, p. 8),
já que “Tudo parece ter mudado, menos as funções principais dos bancos” (António Guimarães Pimenta, Apresentação, p. 9);

- um repositório de reflexões sobre uma experiência de vida e de trabalho e os valores que informam a realidade social actual, de que retira, entre outras ilações, as seguintes:

i)            “A melhor solução não é incompatível, bem pelo contrário, com o respeito pelo crédito saudável e pelo comportamento ético – o reconhecimento destes princípios concorre para a fidelização dos clientes” (António Guimarães Pimenta, Apresentação, p. 10);

ii)          “Os bancos não podem usar nas suas decisões os critérios rígidos do risco, como parece estar a acontecer em vários casos […] Não tendo participação importante (nas decisões, entenda-se), os responsáveis dos balcões tendem à desmotivação, reconhecendo a pouca relevância das suas opiniões e, compreensivelmente, reduzem o acompanhamento das empresas” (António Guimarães Pimenta, Apresentação, p. 11); e (consistentemente),

iii)       “as soluções não podem ter como base uma receita; têm de ser ajustadas a cada caso concreto” (António Guimarães Pimenta, Apresentação, p. 12).

Estamos aqui a falar da concessão de crédito e outras operações bancárias mas poderíamos estar a falar da gestão de territórios e da governação do país, como dramaticamente tem sido evidenciado nos últimos meses e, particularmente, nas últimas semanas, com decisões tomadas e anúncio de previsões de evolução económica distanciadas da realidade e que os próprios agentes que as anunciam vêm desmentir pouco tempo depois; algumas vezes, poucas semanas ou dias depois.

Não basta, de facto, ter lido os livros (aqueles que os leram, porque é bem conhecido que há também quem nunca os leu). É preciso ser capaz de interpretar a realidade, comunicar com ela (isto é com a realidade vivida pelos agentes económicos e sociais, e as famílias), ser capaz de admitir o erro ou a inadequação dos instrumentos de política (financeiros ou outros) que estão disponíveis para intervir num certo contexto ou caso.

A esta luz, é bem pertinente a afirmação do autor do livro (António Guimarães Pimenta, Apresentação, p. 12) de que os bancos que se orientam para os pequenos negócios têm que adoptar um posicionamento de relação, de acompanhamento próximo, por parte dos gerentes e gestores dos clientes”. Mas, isto dito, porque é que se põe em dúvida que não tenha que ser essa também a postura dos decisores das políticas económicas que vão sendo adoptadas para o país? Alguém concebe o sucesso de políticas (e decisões) que não levem em devida conta a realidade social e económico-financeira das empresas e das famílias e se alheiem da respectiva sensibilidade e disponibilidade de comprometimento?

III-         Ideias (soltas) que destacaria:

i)            “Uma decisão é ética quando não é abusiva em relação ao outro`” (António Guimarães Pimenta, cap.4, p. 34);

ii)          “O gestor do processo, sendo responsabilizado pessoalmente, permite a redução substancial das falhas e a melhora nas relações com os clientes” (António Guimarães Pimenta, cap.7, p. 58);

  iii)             “os gerentes e gestores têm que ter competências delegadas que lhes permitam decidir numa percentagem elevada de situações” (António Guimarães Pimenta, cap.9, p. 71);

iv)        “as empresas devem ser analisadas de acordo com as suas diversas fases de vida, de desenvolvimento” (António Guimarães Pimenta, cap.10, p. 78).

Braga, 21 de Fevereiro de 2013

J. Cadima Ribeiro

terça-feira, fevereiro 12, 2013

"Conferência ´Economia Portuguesa: Propostas com Futuro` - 16 de Fevereiro, Fundação Calouste Gulbenkian"

«Caras(os) membros e amigas(os) da Rede Economia com Futuro,

A conferência da Rede Economia com Futuro, intitulada Economia Portuguesa: Propostas com Futuro, terá lugar no próximo dia 16 de Fevereiro (sábado), na Fundação Calouste Gulbenkian (Auditório 2), em Lisboa. 

A conferência Economia Portuguesa: Propostas com Futuro constituirá um momento privilegiado de apresentação pública e debate dos resultados do trabalho que tem sido desenvolvido pela Rede Economia com Futuro, enriquecido pela discussão e reflexão tidas no âmbito dos seminários temáticos que decorreram durante o mês de Janeiro de 2013.

No apelo de Abril de 2011 que fundou a Rede Economia com Futuro e levou à realização da Conferência “Economia Portuguesa: uma Economia com Futuro” (30 de Setembro de 2011) alertava-se para o desastre que o “resgate” que acabara de ser anunciado poderia provocar. Passado um ano e meio, os resultados deste “resgate” estão à vista e são amplamente reconhecidos. Importa agora, face à devastação económica e social do país, procurar vias de saída e propostas capazes de impedir o declínio e a dependência de Portugal no quadro de uma União Europeia dual e em risco de desagregação.
Espera-se com a conferência dar um contributo que qualifique o debate público acerca das alternativas em presença e clarifique as escolhas necessárias para a superação da crise.

A conferência será aberta ao público, mas por motivos logísticos pedimos a inscrição prévia através da página de Internet da Rede Economia com Futuro (http://www.economiacomfuturo.org).

Enviamos, em anexo, o cartaz/programa da conferência e o convite electrónico.
Pedimos e agradecemos desde já a vossa colaboração numa ampla divulgação da Conferência junto de contactos pessoais e redes sociais (via email, blogs, Facebook, Twitter, etc.).

Contamos com a vossa presença!

Saudações cordiais»

(reprodução do corpo principal de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, proveniente da entidade identificada)

quarta-feira, janeiro 16, 2013

"Em defesa de um Portugal soberano e desenvolvido"

"Apelo «Em defesa de um Portugal soberano e desenvolvido» já tem página na Internet

Está já disponível a página de Internet do Apelo «Em defesa de um Portugal soberano e desenvolvido»: 

Aí pode encontrar o texto do Apelo, a lista das 600 personalidades que já o subscreveram, notícias de actividades e material gráfico, nomeadamente o convite para a Conferência Nacional. Esta terá lugar na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, a 23 de Fevereiro."

(reprodução de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónica, proveniente da entidade identificada)