Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

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quinta-feira, dezembro 19, 2024

sexta-feira, dezembro 22, 2023

quarta-feira, março 01, 2023

sábado, janeiro 07, 2023

Do baú de memórias de um professor universitário: "Universidade e desenvolvimento regional"

Quer tomemos como ponto de partida a abordagem funcionalista quer a territorialista, instituições como a Universidade podem ser importantes instrumentos de desenvolvimento, se bem que o sejam mais quando a estratégia tenha uma matriz informadora endógena.

No primeiro caso, a Universidade será assimilável a investimento externo, eventualmente público, dotando o território de um equipamento importante pelos seus impactes em termos de criação de rendimento e de emprego, de estimulo à fixação e desenvolvimento de actividades económicas e à modernização da sociedade.

No segundo caso, a sua importância estratégica é maior já que a Instituição tende a ser vista como um agente da parceria para o desenvolvimento. Um parceiro tanto mais estratégico quanto as rupturas tecnológicas e organizacionais vêm sublinhando a componente criação e partilha de conhecimentos inerente a qualquer projecto de desenvolvimento. Isto é, o conhecimento e a acção associada ao domínio do saber tecnológico e organizacional, do saber e do saber-fazer, são os elementos portadores da diferença entre ganhadores e perdedores da batalha do progresso social do presente.

Estamos, entretanto, a invocar um modelo de Universidade que descolou daquela cujos traços caracterizadores são: i) a criação de conhecimentos, que são armazenados nas bibliotecas; ii) a transmissão de conhecimentos às novas gerações que se vão sucedendo; iii) o carácter elitista da oferta de formação que assegura, que a faz funcionar como filtro social.

Na fase de transição, a Universidade continua a formar as novas gerações mas, também, a intervir na formação continua. A oferta de formação tende a alargar-se e a equilibrar-se com a procura social. As expectativas que a sociedade coloca nas Instituições aumentam, se bem que as barreiras impostas pela estrutura produtiva (em especial, quando constituída por PMEs com restrita participação nas actividades de I&D e uma fraca dotação de técnicos qualificados) possam constituir barreiras ao desenvolvimento da relação da Universidade com o meio.

Esta fase intermédia anuncia o advento de um novo modelo cujos traços essenciais se podem já reconhecer (Massicotte, 2002): i) o conhecimento cria-se através da acção e uma nova partilha de tarefas institui-se entre investigação fundamental e aplicada, investigação e desenvolvimento, inovação e transferência; ii) a formação não está mais a montante da investigação, mas insere-se no próprio processo de criação de conhecimento; e iii) a procura social de formação ultrapassa a oferta, daí o deslocamento do acento da selecção para o sucesso.

O crescimento da procura de acesso à formação superior de que se fala é consequência da crescente proporção de actividades que requerem conhecimentos e aptidões de alto nível. Uma e outra coisa têm origem na aceleração dos avanços científicos e tecnológicos e das respectivas aplicações, numa dialéctica que a UNESCO (1998, p.26) sintetiza como segue: “o acelerar do avanço tecnológico, a obsolescência de algum conhecimento e o aparecimento de novas áreas de conhecimento e novas sínteses conduzem a um processo que, por sua vez, requer mudanças na educação superior”.

Perante esta realidade, o sucesso de uma organização ou de um território depende, cada vez mais, do conhecimento de que dispõem ou são capazes de gerar, num quadro de procura de resposta para as necessidades identificadas. Acresce que, à luz deste modelo societário e deste ritmo de transformação, os saberes dos especialistas esgotam-se rapidamente se não puderem integrar-se em equipas e em redes de criação e divulgação do conhecimento.

Para as Universidades e para os territórios, é um desafio de grande exigência este que lhes é colocado. Adicionalmente, pela natureza do projecto de construção social entrevisto, é um desafio que se vence através de uma estreita congregação de esforços com os demais parceiros do projecto colectivo de desenvolvimento.


J. Cadima Ribeiro


Referências:

Massicotte Guy, "L’enseignement supérieur et le développement des territoires", Le développement des territoires: nouveaux enjeux, Le Mouvement Territoire et Développement (Ed.), Grideq, Université du Québec, Rimouski, pp. 5-12.

        UNESCO (1998), “Higher Education in the Twenty-first Century: Challenges and Tasks Viewed in the Light of the Regional Conferences”, Word Conference on Higher Education, UNESCO, Paris.


(Texto publicado no Jornal de Leiriaem 2007/08/23)

sábado, dezembro 17, 2022

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quarta-feira, maio 29, 2013

Humor (negro) - LXXVII

[reprodução de imagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, reenviada por Nuno Soares da Silva]

quinta-feira, maio 09, 2013

"«Pioneering Universities in Transition», Encontro Internacional na U.M."

««Pioneering Universities in Transition», Encontro Internacional
A Comissão Organizadora vem, por este meio, convidar Vª Exa. a tomar parte no Encontro Internacional «Pioneering Universities in Transition» que se realiza no dia 17 de Maio de 2013, entre as 14h00 e as 19h00 na sala B3.37 da Escola de Engenharia, no campus de Azurém da Universidade do Minho.

Este encontro é organizado pelos regedores da Iniciativa «UMinho in transition»: Luís Botelho (EE/DEI), Paula Remoaldo (CICS/UM), Maria João Thompson (EEG) e Manuela Melo (EEnf).

Objectivos

Num momento em que a crise internacional vem recolocar, cruzando-as, as questões da sustentabilidade, da autonomia alimentar e da energia; em que se assiste, ao mesmo tempo, a uma crescente implantação do movimento internacional “Transition Network” em contexto universitário, a iniciativa UMinTransition promove um encontro entre diferentes actores neste processo.

participação gratuita 

Inscrição on-line em:

Convida-se todos os participantes envolvidos ou interessados em hortas comunitárias
a preencher o inquérito on-line em:

---------------------------------------------------
contactos:

T. 253.510.378»


(reprodução de mensagem, proveniente da entidades identificada e distribuída universalmente na rede da UMinho, que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico)

quinta-feira, março 28, 2013

Humor (negro) - LXVIII


[reprodução de imagem que me caiu entretanto na página pessoal do Facebook]

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

"Banca e Empresas: Parceiros? Contributos para um melhor relacionamento dos bancos com os seus clientes"

[António Guimarães Pimenta, Banca e Empresas: Parceiros? Contributos para um melhor relacionamento dos bancos com os seus clientes, Edição Vida Económica, Porto, 2012, 238 págs.]

Um comentário:

I-     o que o livro não é:

- um livro académico (não contém uma revisão da literatura teórica e empírica sobre a matéria que versa; apresenta algumas deficiências de notação por referência àquilo que é habitual encontrar-se num trabalho de índole académica; há alguns termos usados, nomeadamente em língua inglesa, que não aparecem suficientemente explicados);

- não é um livro de ficção (embora recorra a alguns soluções de comunicação para posicionar as problemáticas que trata que associamos a este estilo literário, embora isso nem sempre funcione no sentido de atrair o leitor e fixar a respectiva atenção, nomeadamente porque são um pouco monótonas).
II- o que o livro é:

- um testemunho de vida (experiência) “de um quadro bancário” (António Tomás Correia, Prefácio, p. 5);

- um relato de experiências de um “Director que trabalhou num Banco de Pessoas para Pessoas” (António Tomás Correia, Prefácio, p. 6);

- um repositório de reflexões sobre uma experiência de vida e de trabalho centrado nas “relações entre gerentes e gestores bancários e os pequenos e médios empresários”,
informado por uma experiência de vida que permitiu ao seu autor “reconhecer (o progressivo) enviesamento e a desumanização daquelas relações” (José António Barros, Nota de Apresentação, p. 8),
já que “Tudo parece ter mudado, menos as funções principais dos bancos” (António Guimarães Pimenta, Apresentação, p. 9);

- um repositório de reflexões sobre uma experiência de vida e de trabalho e os valores que informam a realidade social actual, de que retira, entre outras ilações, as seguintes:

i)            “A melhor solução não é incompatível, bem pelo contrário, com o respeito pelo crédito saudável e pelo comportamento ético – o reconhecimento destes princípios concorre para a fidelização dos clientes” (António Guimarães Pimenta, Apresentação, p. 10);

ii)          “Os bancos não podem usar nas suas decisões os critérios rígidos do risco, como parece estar a acontecer em vários casos […] Não tendo participação importante (nas decisões, entenda-se), os responsáveis dos balcões tendem à desmotivação, reconhecendo a pouca relevância das suas opiniões e, compreensivelmente, reduzem o acompanhamento das empresas” (António Guimarães Pimenta, Apresentação, p. 11); e (consistentemente),

iii)       “as soluções não podem ter como base uma receita; têm de ser ajustadas a cada caso concreto” (António Guimarães Pimenta, Apresentação, p. 12).

Estamos aqui a falar da concessão de crédito e outras operações bancárias mas poderíamos estar a falar da gestão de territórios e da governação do país, como dramaticamente tem sido evidenciado nos últimos meses e, particularmente, nas últimas semanas, com decisões tomadas e anúncio de previsões de evolução económica distanciadas da realidade e que os próprios agentes que as anunciam vêm desmentir pouco tempo depois; algumas vezes, poucas semanas ou dias depois.

Não basta, de facto, ter lido os livros (aqueles que os leram, porque é bem conhecido que há também quem nunca os leu). É preciso ser capaz de interpretar a realidade, comunicar com ela (isto é com a realidade vivida pelos agentes económicos e sociais, e as famílias), ser capaz de admitir o erro ou a inadequação dos instrumentos de política (financeiros ou outros) que estão disponíveis para intervir num certo contexto ou caso.

A esta luz, é bem pertinente a afirmação do autor do livro (António Guimarães Pimenta, Apresentação, p. 12) de que os bancos que se orientam para os pequenos negócios têm que adoptar um posicionamento de relação, de acompanhamento próximo, por parte dos gerentes e gestores dos clientes”. Mas, isto dito, porque é que se põe em dúvida que não tenha que ser essa também a postura dos decisores das políticas económicas que vão sendo adoptadas para o país? Alguém concebe o sucesso de políticas (e decisões) que não levem em devida conta a realidade social e económico-financeira das empresas e das famílias e se alheiem da respectiva sensibilidade e disponibilidade de comprometimento?

III-         Ideias (soltas) que destacaria:

i)            “Uma decisão é ética quando não é abusiva em relação ao outro`” (António Guimarães Pimenta, cap.4, p. 34);

ii)          “O gestor do processo, sendo responsabilizado pessoalmente, permite a redução substancial das falhas e a melhora nas relações com os clientes” (António Guimarães Pimenta, cap.7, p. 58);

  iii)             “os gerentes e gestores têm que ter competências delegadas que lhes permitam decidir numa percentagem elevada de situações” (António Guimarães Pimenta, cap.9, p. 71);

iv)        “as empresas devem ser analisadas de acordo com as suas diversas fases de vida, de desenvolvimento” (António Guimarães Pimenta, cap.10, p. 78).

Braga, 21 de Fevereiro de 2013

J. Cadima Ribeiro

terça-feira, setembro 11, 2012