Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

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quarta-feira, novembro 06, 2024

´Nos 50 Anos do 25 de Abril`: apresentação do livro

 


Nos 50 Anos do 25 de Abril: memórias e reflexões sobre as mudanças da sociedade portuguesa (UMinhoEditora, 2024)

J. Cadima Ribeiro, NIPE e Lab2PT, Universidade do Minho, https://orcid.org/0000-0002-4434-0766

Apresentação do livro

Na comemoração dos 50 anos da Revolução do 25 de Abril, dando expressão da importância histórica do evento, foram publicados vários livros, para além do que aqui se apresenta hoje.

Thomas Fischer (2024, p. 17), um autor alemão atualmente residente em Portugal e que visitou o país por altura dos acontecimentos subsequentes à queda do regime fascista, escreveu que aquele “foi, muito provavelmente, o golpe militar mais bonito de que há memoria”.  

De celebração, alegria e liberdade fala José Soares (2024, p. 10), entre outros, acrescentando que “A Revolução de abril foi um processo único. Quem o viveu e nele participou não o esquecerá”.

Porventura, em grande parte, estará nas circunstâncias absolutamente singulares em que foi reposta a democracia em Portugal a razão porque a passagem dos 50 anos da revolução tenha sido/esteja a ser vivida de forma tão emotiva e participada, de que o multiplicar de eventos comemorativos, programas televisivos e livros publicados evocativos são testemunho.

Isto, pese a grande maioria da população portuguesa já não ter vivido os tempos sombrios do fascismo, e muito menos tenha tido a oportunidade de participar naqueles dias felizes da revolução (Soares, 2024), que o foi também, a revolução, digo, por força da adesão popular que imediatamente conquistou.

Para tanto ajudou a programação musical que as rádios adotaram desde cedo, com destaque para a música de intervenção, de Zeca Afonso e de muitos outros.

Conforme enuncia Yves Léonard (2024), uma revolução não se resume a um golpe de Estado, mesmo que tenha resultado de iniciativa popular ou que tenha sido amplamente participada. Uma revolução significa uma mudança radical na forma de pensar o exercício do poder e a organização e evolução da sociedade, no quadro de uma matriz histórica e cultural singular.

Para além da liberdade de expressão e da democracia, com a Revolução de Abril veio a autodeterminação dos povos colonizados, a fixação do salário mínimo em 3.300 escudos (o que significou um salto salarial muito significativo para muitos trabalhadores), a generalização da segurança social, o direito ao subsídio de Natal, a legislação sobre acidentes de trabalho, o aumento do abono de família e de outras prestações sociais, a licença de parto e o reconhecimento da igualdade entre homens e mulheres (Avelãs Nunes, 2024; Silva, 2024).

O livro que se apresenta navega essa mesma onda de reconhecimento e celebração do 25 de Abril, pretendendo acrescentar valor por juntar testemunhos aos que foram sendo publicitados, e por integrar vários textos académicos e ensaios que se debruçam sobre a evolução da sociedade e da economia portuguesas nos últimos 50 anos.

Mesmo que nem tudo tenha sido concretizado de acordo com os ideais que inspiraram o 25 de Abril, julga-se que a história da revolução dos cravos permanece como fonte de encorajamento e de esperança (Léonard, 2024). 

Na dimensão testemunhos, por força das leis da vida, esta constitui uma das derradeiras oportunidades de recolher o que quiseram reportar alguns daqueles que assistiram e/ou participaram nos eventos associados ao dia 25 de Abril de 1974, e aos dos dias e meses que os antecederam e lhe sucederam.    

Em razão da natureza diferenciada dos contributos que se pretendeu reunir neste livro, ele apresenta-se estruturado em duas partes.

A primeira parte é dedicada à apresentação de testemunhos ou memórias, relatando experiências vividas pelos seus autores no dia 25 de abril ou no período que se lhe seguiu, com relação estreita com o desenvolvimento revolucionário de 25 de Abril de 1974.

A segunda parte inclui textos de divulgação científica ou ensaios originais abordando temas diversos, perspetivados a partir do leque de formações e labor académico dos autores que foi possível reunir neste livro.

Na parte do livro dedicada aos testemunhos, para além de testemunhos, podem encontrar-se peças documentais, como é caso do texto encurtado do extraordinário discurso proferido por José Manuel Mendes em 26 de abril de 1974, em Braga, na Praça do Município, para milhares de cidadãos que aí se juntaram, e o próprio comunicado original do Movimento das Forças Armadas (1º comunicado), distribuído em 24 de abril ao oficial miliciano Wladimir Brito, colocado num dos quartéis militares então existentes na Figueira da Foz, já no quadro do plano de ações específicas a operacionalizar no âmbito do Movimento militar.

Para quem viveu o 25 de Abril de 1974, não é possível ler esses textos sem que deles transpire uma enorme emoção, e sem que sejamos conduzidos para as vivências e emoções de cada um nessa data. Esse sentimento é acentuado quando se lê o contributo de Mário Tomé, Capitão de Abril.

Mas antes de 26 de abril, houve a 5ª feira, 25 de abril de 1974, e os tempos que os antecederam. Disso fala José António Pereirinha, que estava lá, no Largo do Carmo, em Lisboa, na tarde do dia 25 de abril de 1974, e que viveu “bem perto dos protagonistas, a incerteza do desfecho”.

Da sua vivência, em Lisboa, do dia 25 de abril de 1974 fala-nos igualmente Moisés Martins que, na tarde de 25 de abril de 1974, estava na esquina da Calçada do Sacramento, à entrada do Largo do Carmo, “pronto para correr Calçada abaixo, em caso de emergência”.

A segunda parte deste livro é dedicada à divulgação de artigos de índole científica ou ensaios abordando temas diversos. Em todos os casos, trata-se de textos originais que ensaiam olhar para o período de 50 anos, contados a partir da Revolução. Não são cobertas todas as áreas possíveis de estudo.

A segunda parte deste livro abre com um texto da autoria de José Reis. José Reis defende que a economia política materializada ao longo dos anos que medeiam entre abril de 1974 e o presente não pode “deixar de ser reconhecida como impulsionadora de um ciclo de crescimento económico tão relevante como o da primeira fase da integração europeia.

A terminar a sua análise faz referência à necessidade de adoção de uma política de cidades e do território, que diz ser “a mais ausente das políticas públicas atuais”.

Seguem-se textos sobre a organização do Poder Local ao longo dos 50 anos iniciados na revolução, as Finanças Municipais no pós-25 de Abril, a descentralização política e financeira do Estado, as mudanças ocorridas na política e administração da educação pública em Portugal, da autoria de Licínio Lima, a participação das mulheres no mercado de trabalho em Portugal e a evolução da situação das mulheres, a evolução do Ensino Superior e da Ciência e Tecnologia em Portugal, tema tratado em dois textos, um de Carlos Fiolhais e outro de González-Méijome, Gerós e Castro.

Os autores de ambos os textos convergem na afirmação de que a Revolução de 25 de Abril de 1974 proporcionou um grande impulso ao desenvolvimento do Ensino Superior e da Ciência e Tecnologia em Portugal.

De áreas científicas muito diferentes das antes invocadas existem contributos sobre o Programa SAAL (Serviço de Apoio Ambulatório Local), o contexto político-institucional nacional, antes e após a Revolução, a intervenção e influência de Portugal no quadro político-institucional internacional.

O livro fecha com um texto de natureza historiográfica, que tem como foco de análise os acontecimentos em Braga em 25 de abril e nos meses que se seguiram, até 28 de setembro de 1974.

Neste contributo vamos encontrar, também, referência ao papel ativo desempenhado nesse processo social e politicamente transformador operado em Braga e nos municípios do distrito por algumas personalidades cujos nomes muitos recordarão ainda ou que, felizmente, ainda estão entre nós. Entre esses nomes, retenham-se os de Victor de Sá, que, com José Manuel Mendes e vários outros democratas de Braga, organizou e discursou na manifestação que ocorreu a 26 de abril de 1974 na Praça do Município, em Braga, José Ferreira Salgado, António Sousa Fernandes, Joaquim Santos Simões, António Mota Prego, Manuel Tinoco de Faria, Manuel Rocha Peixoto, …

Obrigado!

 

Referências

Avelãs Nunes, António (2024). Cinquenta anos depois de Abril. Está quase tudo dito, mas há muito que fazer. Seara Nova, 1766 (Primavera - Edição Especial), 13-15.

Fischer, Thomas (2024). Entre cravos e cardos. Lisboa: Edições 70.

Fonseca, Manuel, e Saraiva, Nuno (2024). 25 de Abril: no princípio era o verbo. Lisboa: Gerra e Paz, Editores, Lda.

Léonard, Yves (2024). Breve história do 25 de abril. Lisboa: Edições 70.

Silva, Manuel Carvalho (2024). Conquista no trabalho e nos direitos sociais: avanços e recuos na construção do estado social de direito democrático. Seara Nova, 1766 (Primavera - Edição Especial), 36-41.   

Soares, José Pedro (2024). A Revolução de Abril, um grande passo em frente na vida dos Portugueses. Seara Nova, 1766 (Primavera - Edição Especial), 7-12.

 

terça-feira, julho 25, 2023

Regionalização e Descentralização em Portugal: Reforma do Estado, Aprofundamento da Democracia e Desenvolvimento

 


Resumo

O debate da Regionalização de Portugal voltou a emergir. Periodicamente, tem-se retomado a discussão do tema, se bem que sem consequências de maior. A exceção em matéria de alcance do debate que foi acontecendo foi a realização do referendo de 8 de novembro de 1998, cujo resultado significou a criação de um bloqueio substantivo à institucionalização da instância regional de governo. Por detrás desse retomar do debate estão, por um lado, a inclusão dessa temática no Programa do XXIII Governo, definindo-se aí o objetivo de realizar um novo referendo em 2024, e, por outro lado, as sequelas da implementação da Lei nº 50/2018, de 16 de agosto, que estabeleceu a transferência, gradual, de um conjunto alargado de competências para as “autarquias locais” e as “entidades intermunicipais”. Tendo presente o contexto que se enuncia, importa refletir sobre a oportunidade e os fundamentos para se avançar no processo de regionalização em Portugal, e sobre aquilo que pode estar em causa quando se encetam iniciativas de descentralização do poder suportadas apenas nas instâncias locais. Obviamente, equacionando-se a regionalização, volta a ser necessário discutir as potenciais soluções de divisão territorial e os seus fundamentos económicos, sociais, culturais e políticos, e a escolha das próprias cidades-capital. São essas problemáticas e este debate que este livro coletivo se propõe retomar, reclamando para tanto o contributo de um conjunto de académicos de várias formações científicas e sensibilidades político-sociais. Os destinatários da publicação são, também, os académicos, mas, igualmente, os decisores públicos e todos aqueles que, comprometidos com o desenvolvimento do país, olham para a reforma da sua organização político-administrativa como a grande reforma estrutural de que Portugal realmente carece.

[Texto integral do livro, ainda em formato de pré-publicação, disponível em: https://www.researchgate.net/profile/Jose-Ribeiro] 

 


sábado, julho 22, 2023

30º Congresso da APDR: apresentação de livros (Os Territórios na Era das Redes: Cultura digital, ação coletiva e bens comuns)

Título do livro: Os Territórios na Era das Redes: Cultura digital, ação coletiva e bens comuns

Autor: António Covas

Editora: Edições Sílabo (2023) 

Comunhão de visões entre o autor e o apresentador (J. Cadima Ribeiro)

Numa perspetivação de desenvolvimento e organização dos territórios, António Covas enuncia a necessidade da formação/materialização de um ator-rede, “que seja capaz de ouvir, interpretar, promover e realizar as aspirações de um território que é desejado”.

Na verdade, na perspetiva da mobilização dos agentes e organização para o desenvolvimento dos territórios, sobretudo dos mais frágeis, a necessidade da existência desse tipo de atores sempre existiu.

Chamei-lhes, lideres regionais, sendo que enunciei essa liderança como podendo ser protagonizada quer por um ator individual quer por um ator coletivo, uma entidade de desenvolvimento ou uma convergência de atores apostados na materialização de um projeto comum para um certo território.

Divergências de leitura entre o autor e o apresentador (J. Cadima Ribeiro)

Diz António Covas que “a grande inovação da economia dos bens comuns colaborativos”  (BCC) “é o acréscimo de eficácia e eficiência introduzido pela transformação digital nas áreas habitualmente institucionalizadas e burocratizadas, mas, também, a devolução da responsabilidade social aos cidadãos e à sociedade civil”.

A propósito, gostaria de sublinhar que, em muitas situações, a transformação digital, e a chamada desmaterialização, trouxe consigo um acréscimo infindável de rotinas burocráticas e o acréscimo de inteligibilidade do porquê de se realizarem uma multiplicidade de operações/gestos (cliques) para se aceder a um bem ou serviço ou formalizar uma decisão sobre algo.

Quem está familiarizada com a atual rotina burocrática/administrativa de algumas organizações sabe que o que, no passado, se resolvia com uma assinatura, hoje, implica, muitas vezes, uma dezena ou mesmo mais de “cliques” e/ou a introdução associada de informações codificadas numa plataforma eletrónica.

Isso resulta, frequentemente, de quem desenha essas rotinas digitais i) não ter ideia alguma de princípios de gestão de uma organização e ii) não ter nenhuma preocupação com o caráter “amigável” que as tecnologias de informação e comunicação devem ter para os utilizadores comuns.

Por outro lado, a devolução da responsabilidade social aos cidadãos e à sociedade civil não decorre e não implica o multiplicar de rotinas informáticas mas, antes, um modelo de organização do Estado que aproxime o poder dos cidadãos, isto é, que aposte na devolução do poder aos cidadãos, o que quer dizer aprofundamento democrático e, logo, também regionalização e descentralização do poder político. 


sábado, janeiro 07, 2023

Do baú de memórias de um professor universitário: "Universidade e desenvolvimento regional"

Quer tomemos como ponto de partida a abordagem funcionalista quer a territorialista, instituições como a Universidade podem ser importantes instrumentos de desenvolvimento, se bem que o sejam mais quando a estratégia tenha uma matriz informadora endógena.

No primeiro caso, a Universidade será assimilável a investimento externo, eventualmente público, dotando o território de um equipamento importante pelos seus impactes em termos de criação de rendimento e de emprego, de estimulo à fixação e desenvolvimento de actividades económicas e à modernização da sociedade.

No segundo caso, a sua importância estratégica é maior já que a Instituição tende a ser vista como um agente da parceria para o desenvolvimento. Um parceiro tanto mais estratégico quanto as rupturas tecnológicas e organizacionais vêm sublinhando a componente criação e partilha de conhecimentos inerente a qualquer projecto de desenvolvimento. Isto é, o conhecimento e a acção associada ao domínio do saber tecnológico e organizacional, do saber e do saber-fazer, são os elementos portadores da diferença entre ganhadores e perdedores da batalha do progresso social do presente.

Estamos, entretanto, a invocar um modelo de Universidade que descolou daquela cujos traços caracterizadores são: i) a criação de conhecimentos, que são armazenados nas bibliotecas; ii) a transmissão de conhecimentos às novas gerações que se vão sucedendo; iii) o carácter elitista da oferta de formação que assegura, que a faz funcionar como filtro social.

Na fase de transição, a Universidade continua a formar as novas gerações mas, também, a intervir na formação continua. A oferta de formação tende a alargar-se e a equilibrar-se com a procura social. As expectativas que a sociedade coloca nas Instituições aumentam, se bem que as barreiras impostas pela estrutura produtiva (em especial, quando constituída por PMEs com restrita participação nas actividades de I&D e uma fraca dotação de técnicos qualificados) possam constituir barreiras ao desenvolvimento da relação da Universidade com o meio.

Esta fase intermédia anuncia o advento de um novo modelo cujos traços essenciais se podem já reconhecer (Massicotte, 2002): i) o conhecimento cria-se através da acção e uma nova partilha de tarefas institui-se entre investigação fundamental e aplicada, investigação e desenvolvimento, inovação e transferência; ii) a formação não está mais a montante da investigação, mas insere-se no próprio processo de criação de conhecimento; e iii) a procura social de formação ultrapassa a oferta, daí o deslocamento do acento da selecção para o sucesso.

O crescimento da procura de acesso à formação superior de que se fala é consequência da crescente proporção de actividades que requerem conhecimentos e aptidões de alto nível. Uma e outra coisa têm origem na aceleração dos avanços científicos e tecnológicos e das respectivas aplicações, numa dialéctica que a UNESCO (1998, p.26) sintetiza como segue: “o acelerar do avanço tecnológico, a obsolescência de algum conhecimento e o aparecimento de novas áreas de conhecimento e novas sínteses conduzem a um processo que, por sua vez, requer mudanças na educação superior”.

Perante esta realidade, o sucesso de uma organização ou de um território depende, cada vez mais, do conhecimento de que dispõem ou são capazes de gerar, num quadro de procura de resposta para as necessidades identificadas. Acresce que, à luz deste modelo societário e deste ritmo de transformação, os saberes dos especialistas esgotam-se rapidamente se não puderem integrar-se em equipas e em redes de criação e divulgação do conhecimento.

Para as Universidades e para os territórios, é um desafio de grande exigência este que lhes é colocado. Adicionalmente, pela natureza do projecto de construção social entrevisto, é um desafio que se vence através de uma estreita congregação de esforços com os demais parceiros do projecto colectivo de desenvolvimento.


J. Cadima Ribeiro


Referências:

Massicotte Guy, "L’enseignement supérieur et le développement des territoires", Le développement des territoires: nouveaux enjeux, Le Mouvement Territoire et Développement (Ed.), Grideq, Université du Québec, Rimouski, pp. 5-12.

        UNESCO (1998), “Higher Education in the Twenty-first Century: Challenges and Tasks Viewed in the Light of the Regional Conferences”, Word Conference on Higher Education, UNESCO, Paris.


(Texto publicado no Jornal de Leiriaem 2007/08/23)

terça-feira, março 12, 2019

Sustainability, Vol. 11, N. 5, 2019: “Stepping out of the Shadows: Legacy of the European Capitals of Culture, Guimarães 2012 and Košice 2013”

The European Capitals of Culture (ECOC) is the most ambitious cultural, collaborative programme in Europe. Up until 2000, ECOC projects were hosted by several national capitals and principal cultural cities in Europe. In the second phase, the programme also began to discover second-tier and less well-known cities hidden in the shadow of the cultural capitals. This paper focuses on assessing different ECOC strategies (traditional versus radical) and the corresponding legacies of two medium-sized cities: Guimarães (ECOC in 2012, Portugal) and Košice (ECOC in 2013, Slovakia). Cultural heritage is identified by the capacity of culture to change development trajectory and to boost the economy of cities. The strategies and legacies of Guimarães and Košice have revealed themselves to be comparatively different, especially due to their differences with respect to UNESCO cultural heritage. While Guimarães partially succeeded in enhancing its position as a tourist attraction and the visibility of its historical cultural heritage, the industrial city of Košice is an example of more radical and dynamic culture-led form of development, overcoming the provincialism of the city. Most importantly, and due to the strengthening pride of the locals, both ECOC cities have stepped out of the shadow of stronger cultural capitals in their countries. This joint research offers the possibility of a first-hand comparison of traditional and radical approaches and an in-depth interpretation of their legacies after a period of five years, explaining the mechanisms of forming different legacies in two types of ECOC cities. The results can help future ECOC cities to set their strategies in relation to their desired cultural and economic development. View Full-Text



(Resumo de artigo entretanto publicado ´online` em Sustainability, Vol. 11, N. 5, 2019,  https://doi.org/10.3390/su11051469)

domingo, novembro 18, 2018

Leiria: potencialidades, fraquezas, captação de investimento externo e liderança

Do que conhece da região de Leiria, quais as suas potencialidades?

Confesso que conheço muito menos do que gostaria. Já levo cerca de 30 anos de afastamento da realidade económica, social e política. O que vou seguindo é pelos jornais e por visitas muito esporádicas à família. Há potencialidades iniludíveis associadas à história e à dinâmica mais recente da indústria, ao seu património natural e construído, ao posicionamento geográfico, devido à proximidade a Lisboa e, consequentemente, a importantes infra-estruturas portuárias e aeroportuárias, e à iniciativa empresarial.

Que fraquezas deveriam ser trabalhadas?

Uma coisa são recursos, outra são capacidades operativas, concretização de projectos. Do que vou vendo e percebendo, parece haver uma enorme falta de clareza de projecto ou de estratégia, se é que chega a haver projecto de desenvolvimento para este território. Os agentes sugerem-se dispersos e amarradas a estratégias do foro individual. Há, adicionalmente, falta de escala nas intervenções que vão sendo conduzidas e falta de liderança. A relativa fluidez das “fronteiras” do território também não facilita nem a aquisição de massa critica nem a definição das necessárias lideranças sociais e políticas. Parece-me essencial que se pegue na própria malha urbana que é suporte do território e se procure perceber-lhe o potencial estruturador e coerência funcional.

Por que é que pensa que falta liderança em Leiria?

Tenho má opinião sobre a gestão política desse território. Os políticos estão, de forma genérica, muito virados para o seu umbigo. Existe muito pouco o sentimento de território. Aliás, a utilização do termo 'região de Leiria' causa-me algum embaraço. Se estamos a falar de Leiria enquanto concelho, não é região nenhuma. Enquanto distrito, é falar de uma unidade político-administrativa que é relativamente artificial do ponto de vista da identificação das comunidades. Não existe nenhum conceito histórico ou cultural de região associado a Leiria. A imagem que tenho é a de posturas desgarradas, ausência de identidade forte e, claramente, de liderança. Quando falo de liderança, não é focalizada numa pessoa. É antes de uma elite, da convergência de um grupo de pessoas, que têm pontos comuns de visão sobre o desenvolvimento do território e lutam no mesmo sentido. Dos contactos que tenho com Leiria, não me apercebi que tivesse havido um esforço sério para chegar a esse projecto, a essa liderança. Mas é uma percepção obtida por quem está fora, pode não ser assim.

Tem-se assistido ao abandono do País por parte de várias multinacionais. De que forma se pode contrariar esta tendência?

Este abandono prende-se com as estratégias competitivas das empresas que operam em mercados globais e com as oportunidades em matéria de custos, de acesso a recursos naturais, mercados, redes logísticas e a capital humano que se vão revelando nos diferentes contextos económicos. As razões que podem trazer novos investimentos externos a Portugal são necessariamente diferentes daquelas que os trouxeram no passado. O que se pode fazer? Pode-se investir mais em qualificação dos recursos humanos. Pode-se apostar muito mais no desenvolvimento do sistema científico e tecnológico, requalificar o território e dotar o País de infra-estruturas diversas, incluindo as logísticas e as associadas à potenciação do País em matéria de turismo e lazer. Pode-se aproveitar bem melhor as relações históricas e culturais que Portugal mantém com muitas partes do mundo e potenciar a partir daí parcerias empresariais que possamos aproveitar para chegar a novos mercados e criarmos empregos em Portugal. Pode-se dar eficiência à máquina burocrática que regula o funcionamento das empresas e da Economia, ser-se bastante mais célere e esclarecido nos processos de negociação com os operadores internacionais interessados e fomentar uma relação mais próxima entre o sistema científico e tecnológico e as empresas.

(Excerto de entrevista dada à jornalista Lurdes Trindade, do Jornal de Leiria, em 2007)

terça-feira, março 21, 2017

REMINDER | Call for Abstracts | 24th APDR Congress, July 6-7 2017, Covilhã, Portugal


«Call for Abstracts
It is our pleasure to announce the 24th APDRCongress, to be held at the University of Beira Interior, Covilhã, Portugal, from July 6 to July 7, 2017.
Theme of the Conference:
Intellectual Capital and Regional Development: New landscapes and challenges for space planning
The 24th APDR Congress has the following central theme: Intellectual Capital and Regional Development: New landscapes and challenges for space planning. After 23 years, the APDR’s Annual Congress returns to the University of Beira Interior, for positioning intellectual capital and regional development as a key theme for public policies and the agenda of the collaborative community of politicians, entrepreneurs, researchers and citizens interested in promoting endogenous growth, combined with the institutions, systems and new functional and integrative type designs, for promoting symbiosis among economic, social and political agents, in the joint task of (re) designing a new competitive space, at the regional level.  In this context, the central theme chosen is of major importance, since it is urgent to expand the ongoing debate on the importance of identifying, monitoring and managing the different components of regional-based intellectual capital, in order to stimulate a structural change in the scope of in- novation and development regimes, funded on endogenous growth factors.
The 24th APDR Congress aims to address different questions, namely: What are the regional development models applicable in peripheral and low population density economies? How can intellectual capital promote regional development? Are higher education institutions a vehicle that pro- motes quality of life and innovation at the level of cities? Can services contribute to sustainable regions? How to plan regional space from a perspective of entrepreneurial and innovative ecosystems? How to finance regional planning and development? What transport networks should the trans-European regions have? What should be the new productive specializations in the regions? Can sport be a motor for regional development?  The Congress will include a Policy Forum, Plenary Sessions, Special Sessions, Conferences and Round Tables, Workshops and Parallel Sessions. The Parallel Sessions will include: (i) communications submitted to Regular Sessions (RS) proposed by the organization; And (ii) communications submitted to Special Sessions (SS), proposed by participants as well as discussion topics included in Workshops proposed by the participants.
The communications presented at the 24th APDR Congress may be published in the Revista Portuguesa de Estudos Regionais (RPER), even though a first version has already been included in the minutes of the Congress. Thus, interested authors should submit their manuscripts, even if revised in relation to the texts presented at the congress. There is no deadline for this submission. The texts must be formatted according to the RPER publication standards: http://www.apdr.pt/siterper/EN/revistaEN.html. The decision of acceptance will follow the standard of habitual exigency, being based on independent external evaluation (peer-reviewing).
The call for papers and Special Session Proposals is open and your participation is very welcome!
Special Sessions
SS01 - Entrepreneurship in sustainable and creative territories
SS02 - Asymmetries in metropolitan areas: measuring, correcting, rethinking
SS03 - Cultura e desenvolvimento regional: As contribuições da arte, do folclore e de outras manifestações artísticas para o progresso regional
SS04 - Mega-events legacy on hosting cities
SS05 - Segurança e desenvolvimento regional: Correlações económicas, culturais e políticas com progresso regional
SS06 - Creative tourism in small cities and rural areas
SS07 - Territorial innovation models, smart specialisation and public policies
SS08 - Support of higher education institutions to regions’ intellectual capital: Is it true?
SS09 - Wicked problems and integrated governance
SS10 - Entrepreneurship, gender, and regional development
SS11 - Knowledge cities: Updating the state of the art
SS12 - Desenvolvimento Regional e Governação Integrada em Territórios de Baixa Densidade
SS13 - Social entrepreneurship, social innovation and regional development
SS14 - Air Transport and Regional Development
Regular Sessions:
RS01 – Models for Regional Development
RS02 – Regional and Local Development Policies
RS03 – Regional Intellectual Capital
RS04 – Financing of Economic Growth
RS05 – Regional Innovation Systems, Clusters and Ecosystems
RS06 – Regional and Local Public Finance
RS07 – Sectoral Policies and Regional Dynamics
RS08 – Infrastructure, Transportation Networks and Regional Development
RS09 – Labour Markets and Development
RS10 – Entrepreneurship and Regional Development
RS11 – Quality of Life and City Planning
RS12 – Services, Tourism and Sustainable Regions
RS13 – Education, Innovation and Territory
RS14 – Rural Development and Agrarian Economy
RS15 – Regional and Urban Planning and Regional Development
RS16 – Sports and Regional Development
RS17 – Low Density Regions and Development
Deadline for Abstracts submissions: April 28th, 2017. Abstracts should be submitted electronically, using the platform available on the Conference website: https://events.digitalpapers.org/apdr2017/
All information at the congress website: http://www.apdr.pt/congresso/2017/
Looking forward to meeting you in Covilhã!
The Organizing Committee and the Board of APDR
24th APDR Congress»
(reprodução de mensagem de correio entretanto recebida, com origem na entidade identificada)