Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

terça-feira, março 21, 2017

REMINDER | Call for Abstracts | 24th APDR Congress, July 6-7 2017, Covilhã, Portugal


«Call for Abstracts
It is our pleasure to announce the 24th APDRCongress, to be held at the University of Beira Interior, Covilhã, Portugal, from July 6 to July 7, 2017.
Theme of the Conference:
Intellectual Capital and Regional Development: New landscapes and challenges for space planning
The 24th APDR Congress has the following central theme: Intellectual Capital and Regional Development: New landscapes and challenges for space planning. After 23 years, the APDR’s Annual Congress returns to the University of Beira Interior, for positioning intellectual capital and regional development as a key theme for public policies and the agenda of the collaborative community of politicians, entrepreneurs, researchers and citizens interested in promoting endogenous growth, combined with the institutions, systems and new functional and integrative type designs, for promoting symbiosis among economic, social and political agents, in the joint task of (re) designing a new competitive space, at the regional level.  In this context, the central theme chosen is of major importance, since it is urgent to expand the ongoing debate on the importance of identifying, monitoring and managing the different components of regional-based intellectual capital, in order to stimulate a structural change in the scope of in- novation and development regimes, funded on endogenous growth factors.
The 24th APDR Congress aims to address different questions, namely: What are the regional development models applicable in peripheral and low population density economies? How can intellectual capital promote regional development? Are higher education institutions a vehicle that pro- motes quality of life and innovation at the level of cities? Can services contribute to sustainable regions? How to plan regional space from a perspective of entrepreneurial and innovative ecosystems? How to finance regional planning and development? What transport networks should the trans-European regions have? What should be the new productive specializations in the regions? Can sport be a motor for regional development?  The Congress will include a Policy Forum, Plenary Sessions, Special Sessions, Conferences and Round Tables, Workshops and Parallel Sessions. The Parallel Sessions will include: (i) communications submitted to Regular Sessions (RS) proposed by the organization; And (ii) communications submitted to Special Sessions (SS), proposed by participants as well as discussion topics included in Workshops proposed by the participants.
The communications presented at the 24th APDR Congress may be published in the Revista Portuguesa de Estudos Regionais (RPER), even though a first version has already been included in the minutes of the Congress. Thus, interested authors should submit their manuscripts, even if revised in relation to the texts presented at the congress. There is no deadline for this submission. The texts must be formatted according to the RPER publication standards: http://www.apdr.pt/siterper/EN/revistaEN.html. The decision of acceptance will follow the standard of habitual exigency, being based on independent external evaluation (peer-reviewing).
The call for papers and Special Session Proposals is open and your participation is very welcome!
Special Sessions
SS01 - Entrepreneurship in sustainable and creative territories
SS02 - Asymmetries in metropolitan areas: measuring, correcting, rethinking
SS03 - Cultura e desenvolvimento regional: As contribuições da arte, do folclore e de outras manifestações artísticas para o progresso regional
SS04 - Mega-events legacy on hosting cities
SS05 - Segurança e desenvolvimento regional: Correlações económicas, culturais e políticas com progresso regional
SS06 - Creative tourism in small cities and rural areas
SS07 - Territorial innovation models, smart specialisation and public policies
SS08 - Support of higher education institutions to regions’ intellectual capital: Is it true?
SS09 - Wicked problems and integrated governance
SS10 - Entrepreneurship, gender, and regional development
SS11 - Knowledge cities: Updating the state of the art
SS12 - Desenvolvimento Regional e Governação Integrada em Territórios de Baixa Densidade
SS13 - Social entrepreneurship, social innovation and regional development
SS14 - Air Transport and Regional Development
Regular Sessions:
RS01 – Models for Regional Development
RS02 – Regional and Local Development Policies
RS03 – Regional Intellectual Capital
RS04 – Financing of Economic Growth
RS05 – Regional Innovation Systems, Clusters and Ecosystems
RS06 – Regional and Local Public Finance
RS07 – Sectoral Policies and Regional Dynamics
RS08 – Infrastructure, Transportation Networks and Regional Development
RS09 – Labour Markets and Development
RS10 – Entrepreneurship and Regional Development
RS11 – Quality of Life and City Planning
RS12 – Services, Tourism and Sustainable Regions
RS13 – Education, Innovation and Territory
RS14 – Rural Development and Agrarian Economy
RS15 – Regional and Urban Planning and Regional Development
RS16 – Sports and Regional Development
RS17 – Low Density Regions and Development
Deadline for Abstracts submissions: April 28th, 2017. Abstracts should be submitted electronically, using the platform available on the Conference website: https://events.digitalpapers.org/apdr2017/
All information at the congress website: http://www.apdr.pt/congresso/2017/
Looking forward to meeting you in Covilhã!
The Organizing Committee and the Board of APDR
24th APDR Congress»
(reprodução de mensagem de correio entretanto recebida, com origem na entidade identificada)

quarta-feira, março 15, 2017

O legado de Guimarães Capital Europeia da Cultura de 2012: a leitura dos residentes e dos visitantes (a Introdução)

O legado de Guimarães Capital Europeia da Cultura de 2012: a leitura dos residentes e dos visitantes

Edições Afrontamento, Porto, fevereiro de 2017
ISSN: 978-972-36-529-6



«Escrever sobre a experiência e legado de uma Capital Europeia da Cultura (CEC), cuja primeira edição remonta a 1985, não é um exercício fácil, em expressão da complexidade do megaevento. Talvez por isso, em Portugal, que até ao presente acolheu a CEC em três datas distintas (1994, 2001 e 2012), pouco tenha ficado escrito sobre a matéria.

Na realidade, em Portugal e no mundo, foram poucos os estudos de cariz científico publicados. Há-os mais, não muitos, de cariz técnico e, porventura, mais comprometidos com os desígnios das entidades organizadoras, referidos aos impactes que este tipo de megaevento poderá gerar ou ter criado nas cidades e nas regiões onde se realizaram.
Numa época de vincada globalização e marcada pelo advir de várias situações de crise económica e social, a competição entre as cidades pela captação de visitantes internacionais tem-se afigurado crescentemente feroz. Por essa razão, apostando na melhoria da sua imagem e na edificação de equipamentos vários, os culturais entre eles, se tem afigurado tão estratégico poder sedear, por um ano, uma Capital Europeia da Cultura. Esse tem sido o passaporte usado por múltiplas cidades europeias.
Atentos a isso, aparte o escrutínio que se justifica que seja feito do uso de dinheiros públicos, nacionais e da União Europeia, dedicados à realização de tais eventos, faz sentido investigar como as populações reagem a este tipo de megaevento e como as cidades tiram, efetivamente, proveito deste título a diferentes níveis: para se requalificarem e equiparem; para se promoverem nacional e internacionalmente; para captarem novos investimentos e visitantes; para melhorarem ou alterarem a respetiva imagem; para melhor se posicionarem na candidatura ao acolhimento de outros grandes eventos...
Existem múltiplos relatórios de avaliação de impactes das CEC à escala, conduzidos sobretudo desde os anos 2000, quando a Comissão Europeia passou a impor a realização deste tipo de estudos às entidades organizadoras do megaevento. Não obstante, grande parte destes estudos de cariz técnico tem tendido a manter um foco algo restrito, muito centrado na componente mais económico-financeira. Esse foco decorre da necessidade de aportar uma justificação para a decisão política de acolhimento da CEC.
 Por seu turno, apesar de haver estudos internacionais consistentes sobre a perceção por parte dos residentes dos efeitos da atividade turística desde finais da década de 70 do século XX, os mesmos não têm merecido grande atenção por parte dos investigadores portugueses das ciências sociais. Versando a realidade portuguesa, só nos últimos oito anos começaram a surgir estudos sobre esta componente mais sustentados.
Com base nesta leitura de situação, a presente obra tem como principal objetivo deixar um retrato do legado da Capital Europeia da Cultura organizada em Guimarães, em 2012, centrando-se em impactes de várias índoles, acolhendo, nomeadamente, a leitura dos residentes, dos visitantes e da comunicação social. Num segundo nível, almeja-se ainda contribuir para um planeamento mais participativo, isto é, em que seja mais natural trabalhar com as populações na construção de um desenvolvimento mais sustentável, objetivo geral para o qual se acredita que o acolhimento de eventos desta natureza pode dar contributo não sub-estimável.
A vontade de escrever este livro alimentou-se de várias razões. A primeira prende-se com o fato de não existir um estudo que se ocupe dos impactes percebidos de uma Capital Europeia da Cultura nos períodos ex-ante, on-going e ex-post, e que se centre, ao mesmo tempo, na leitura dos residentes e dos visitantes e tome como objeto de análise uma cidade que foi Capital Europeia da Cultura e tem, ao mesmo tempo, o seu centro histórico certificado pela UNESCO como Património Cultural da Humanidade.
Em segundo lugar, porque, em estudos em turismo, a Geografia e a Economia foram sempre das ciências que mais se preocuparam com a análise dos impactes da atividade turística. Esta é, aliás, uma abordagem clássica no seio destas duas ciências, mas em Portugal, até ao momento, existem poucos estudos que se tenham preocupado com a perceção mantida pelos residentes da atividade turística, e sobre a leitura que disso é feito, e, genericamente, dos efeitos do acolhimento de um tipo de evento desta natureza e magnitude, na comunicação social.
Em terceiro lugar, porque, entre 2011 e 2014, uma equipa de investigadores ancorada na Universidade do Minho desenvolveu um projeto intitulado As perceções de residentes e turistas do impacte de Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012 e respetiva participação no evento, integrado no N.I.P.E. (Núcleo de Investigação em Políticas Públicas da Universidade do Minho) e no C.I.C.S. (Centro de Investigação em Ciências Sociais), contando com o apoio da Câmara Municipal de Guimarães. Tendo este projeto sido concretizado e tendo sido produzidos vários textos de pendor académico, havia que sistematizar os resultados obtidos e dar-lhe um formato acessível a um público nacional mais alargado.
Uma quarta motivação prende-se com a elevada autoestima e orgulho da população vimaranense. A sua vontade de participar na Guimarães CEC 2012 e a sua vontade de ganhar notoriedade nacional e internacional foram evidentes nessa ocasião, bem como, consciente ou inconscientemente, a sua “sede” de aderir a um planeamento mais participativo desse megaevento. A própria comunicação social mostrou-o ainda antes de se iniciar a CEC, como teremos oportunidade de o lembrar num dos capítulos desta obra. Sendo assim, este livro é, também, um tributo à população vimaranense.
Mas os olhares e discursos dos vimaranenses recolhidos em 2011 e 2013 não podiam ficar soltos e sem sentido e tinham que ser complementados com os de outros stakeholders (atores, partes interessadas) de todo o processo de planeamento da Capital Europeia da cultura e da oferta turística de Guimarães. Por isso, optou-se por escutar também os visitantes em dois momentos (2010/2011 e 2015) e por analisar os anseios e vontades que vários agentes verteram para a imprensa escrita. Com esse objetivo, faremos o levantamento das notícias e artigos que alguns jornais publicaram a esse respeito no decurso dos anos de 2011 e 2012.
A obra, que usa sobretudo uma abordagem quantitativa, materializa-se em sete capítulos, iniciando-se com uma análise das caraterísticas e do historial das Capitais Europeias da Cultura, o conceito de megaevento cultural e os principais impactes que devem ser considerados. Segue-se uma sucinta revisão da literatura sobre conceitos, quadros teóricos e estudos realizados que suportam a abordagem empírica que é feita adiante, relativa ao caso de Guimarães. Numa segunda parte, de natureza mais empírica, faz-se uma breve do município e da cidade de Guimarães. O capítulo quatro debruça-se sobre a perceção dos vimaranenses, nos anos de 2011 e de 2013 dos efeitos do acolhimento da CEC 2012, enquanto que o capítulo seguinte trata a perceção dos atributos turísticos da cidade mantida pelos turistas, ponde se aproveita também para traçar o respetivo perfil. O capítulo seis analisa a perceção pública do evento e da sua gestão captada pelos órgãos de comunicação social nos anos de 2011 e 2012. Por último, o capítulo sete verte as leituras comparadas de vários estudos publicados e tenta extrair uma síntese em matéria de legado da CEC. O texto fecha com uma breve conclusão, que inclui a menção de alguns ensinamentos retirados da organização do megaevento e recomendações de política pública.
Cabe aqui um especial agradecimento a Laurentina Vareiro, Professora do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, e a José Freitas Santos, Professor do Instituto Politécnico do Porto, que nos ajudaram a ler os resultados dos inquéritos aplicados em diferentes momentos e foram coautores da maioria dos estudos que serviram de suporte a este livro.
É devido também um agradecimento a Mécia Mota, a certa altura, nossa estudante de doutoramento, que nos ajudou na aplicação dos inquéritos aos residentes e que acompanhou o trabalho realizado pela equipa de investigação na sua parte inicial. Por último, cumpre igualmente deixar um agradecimento a Vitor Marques, responsável técnico do turismo na Câmara Municipal de Guimarães, que facilitou a aplicação dos inquéritos e revelou uma enorme vontade de conhecer em maior profundidade a realidade turística do destino Guimarães e de contribuir para a melhoria da imagem da cidade.
As mudanças operam-se com pequenos contributos, que se vão somando. Com a presente obra pensamos estar a contribuir para a reflexão por parte de políticos e de outros atores do caminho que tem sido percorrido e que importa percorrer em do desenvolvimento do município de Guimarães e do bem-estar das suas gentes.

Paula Remoaldo
José Cadima Ribeiro

10 de junho de 2016»

sexta-feira, janeiro 27, 2017

"O legado de Guimarães Capital Europeia da Cultura de 2012"

"O legado de Guimarães Capital Europeia da Cultura de 2012": à procura da capa para um livro a sair brevemente

(Edições Afrontamento)

quarta-feira, dezembro 21, 2016

sexta-feira, outubro 07, 2016

Evolução de esperança de média de vida das populações e impactes económicos

(questões endereçadas em 2016/09/27 por Carolina Reis, jornalista do Expresso)

  1. Que impacto tem na economia este aumento da esperança média de vida?
Os impactes na economia do aumento da esperança média de vida são múltiplos, de natureza económica e social. Desde logo, há implicações em matéria da necessidade de provisão de novos bens e serviços comuns, no funcionamento do mercado de trabalho, de resposta a dar e encargos decorrentes para os sistemas de saúde e, obviamente, na sustentabilidade dos modelos tradicionais de Segurança Social.

  1. Que fatores têm contribuído para este aumento?
Basicamente, isso é resultado dos progressos registados em matéria de desenvolvimento e bem-estar das nossas sociedades. De forma mais concreta, isso é explicado pelos progressos registados na provisão de vários serviços públicos, com particular destaque para os serviços de saúde e de educação, que registaram melhorias significativas e se alargaram ao conjunto da população, e pelas políticas de segurança alimentar e evolução verificada em matéria de modelo de vida.

  1. Como se pode aliviar o peso de mais idosos na Segurança Social?
O peso de mais idosos na Segurança Social é, desde logo, um resultado do envelhecimento relativo da população ativa, fruto das quedas continuadas na taxa de natalidade e da dificuldade verificada mais recentemente de integração de grupos jovens no mercado de trabalho (muitos, encaminhados para a emigração uma vez completada a sua formação escolar). Obviamente, pode-se alargar a idade ativa, como vem sendo feito, e reduzir os valores das pensões de reforma, como também se vai fazendo nalguns casos. Entretanto, se não se conseguir a criação líquida de emprego e a integração de ativos mais jovens, a resposta que daí vem é temporária. Há também quem equacione respostas que passam pela alteração do modelo de constituição dos fundos que asseguram as pensões de reforma e sua gestão, com a instituição de modelos de capitalização, isoladamente ou em paralelo com os sistemas tradicionais, públicos. Mas aí põe-se o problema da confiança que possam inspirar esses modelos e quem os gere, aparte as dificuldades que sempre se levantarão no período transitório.

  1. Há benefícios económicos no aumento da esperança média de vida?
Certamente que os há. Desde logo, há novos mercados que se vêm gerando, de bens e serviços, destinados a este segmento da população: do vestuário aos fármacos e aos serviços de saúde; dos serviços diversos prestados ao domicílio aos lares de 3ª idade e centros de dia; às oportunidades no mercado de lazer e turismo, e algumas vezes também de saúde, isto é, turismo que concilie tratamentos de saúde com lazer, que tem vindo a crescer no nosso país. Para dar um exemplo de uma situação que tenho vivenciado, deixo aqui a indicação que se encontra muita gente com idades avançadas, incluindo setenta e mais anos, que vem fazendo o caminho português para Santiago, resultando daqui receita importante em matéria de alojamento e restauração, entre outra. Note-se que estes grupos etários estão libertos de restrições em matéria do período em que se podem deslocar, contribuindo para atenuar a sazonalidade turística dos lugares por onde passam e, em muitos casos, têm rendimentos elevados. Estou-me a referir a peregrinos (com motivação religiosa mas também cultural) que vêm das mais diversas origens, do mundo.


Braga, 27 de setembro de 2016

J. Cadima Ribeiro

(Investigador. Professor do Departamento de Economia da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho)