Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

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quinta-feira, março 24, 2022

Revisitando um editorial escrito para o Jornal Têxtil, em maio de 2006


Jornal Têxtil: para que te quero?

Não assisti ao nascimento do Jornal Têxtil, mas nem por isso nutro menos simpatia por este projecto informativo e pelos que, com dedicação e profissionalismo, lhe foram dando expressão substantiva. Sei que não é tarefa fácil ser voz anunciadora de caminhos incertos, mesmo que promissores. Sei, bem assim, que não é fácil ser-se ponto de encontro de um “sector” tão diverso e complexo como é o que dá nome ao Jornal. A prová-lo aí está o “impasse” porque passa a entidade que é sua promotora.

Se o futuro se constrói com informação qualificada e com conhecimento, então continuará a haver lugar para o Jornal Têxtil (JT), desde que saiba renovar-se e preservar a exigência que o tem caracterizado. É este, tal e qual, o desafio que a própria fileira produtiva enfrenta, agora mais patente face à afirmação dos grandes operadores têxteis recém-chegados aos mercados mundiais.

Na senda do caminho feito, o JT tem que redobrar insistência em conceitos operativos como os de parceria (parceria de empresas; parceria de empresas e entidades do sistema científico e tecnológico; parceria de agentes de desenvolvimento), inovação (no produto, no processo, no modelo de negócio) e de ousadia (ousar fazer diferente, ousar fazer melhor).

Braga, 24 de Maio de 2005


J. Cadima Ribeiro

 

quarta-feira, março 20, 2013

Interacção com os leitores: "a desgraça da economia portuguesa"

«Caro Professor [...],
Obrigado pela sua mensagem. Algumas das questões que coloca têm uma resposta longa e complexa, pelo que não creio ser viável tratá-las no quadro desta mensagem de correio electrónico. Sugeria, por isso, que consultasse alguns blogues e sítios electrónicos onde existem dados sobre essas matérias ou onde essas temáticas são discutidas. Aparte o meu blogue de Economia Portuguesa (http://economiaportuguesa.blogspot.pt), sugeria-lhe com consultasse os blogues ou sítios seguintes:
Ladrões de Bicicletas (http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt);
The Portuguese Economy (http://theportugueseeconomy.blogspot.pt/); e
Brevemente, sobre cada um dos problemas que coloca, dir-lhe-ia o seguinte:
i) Principais problemas macroeconómicos: ausência de crescimento (queda do PIB); valor elevado (em crescimento) do desemprego; elevada dívida pública; e  elevado défice orçamental anual;
ii) Valores da Dívida e do défice: dívida pública acima dos 120% do PIB e défice do Orçamento do Estado em 6% do PIB em 2012;
iii) Principais medidas de política tomadas: aumento de impostos sobre as pessoas e sobre a transacção de bens e serviços; redução dos salários; e liberalização dos despedimentos;
iv) Debate no país: posição forte da opinião pública e dos agentes económicos contra o aumento dos impostos (que levaram à queda das receitas fiscais e à recessão económica); reclamação de políticas de estímulo ao crescimento económico e à criação de emprego;
v) Implicação para as empresas: o número de encerramentos de empresas nunca foi tão elevado  em razão do estrangulamento do mercado interno e da ausência de crédito; a resposta procurada por muitas foi virarem-se para a exportação, por forma a compensarem a perda de receitas verificada no mercado interno. De um modo geral, têm tido sucesso mas a recessão que atinge os mercados europeus cria também fortes restrições ao crescimento das vendas.
Espero que encontre a informação de que necessita para o sucesso da sua investigação.
Cordiais cumprimentos,

J. Cadima Ribeiro»

segunda-feira, julho 30, 2012

Niche Markets

"The process of approaching the opportunity of operating in such markets should envisage adapting the online shop marketing-mix to the special needs of wine consumers."

J. Freitas Santos
J. Cadima Ribeiro

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Sporting de Braga versus União de Leiria

1 - Quais são as razões do sucesso recente do projecto do Sporting de Braga?
O sucesso relativo do Sporting de Braga não é tão recente quanto se pode pensar olhando apenas para a visibilidade alcançada no Campeonato Nacional de Futebol na época passada, em que disputou o título com o Benfica até à última jornada, ou para a sua boa prestação na presente época futebolística na Liga dos Campeões. Em boa verdade, o clube vinha tendo boas prestações nas competições europeias (UEFA) desde há várias épocas e posicionando-se regularmente no 1º quarto da hierarquia de classificações dos campeonatos nacionais.
Este desempenho é consistente com uma liderança directiva estável e que se revelou ambiciosa. O desempenho competitivo da equipa e a consistência percebida pela opinião pública do projecto desportivo do clube foram chamando, progressivamente, mais gente para os jogos e conquistando a adesão de mais adeptos.
A existência de boas infra-estruturas de apoio, nomeadamente com a construção do novo Estádio Municipal de Braga, também terão jogado o seu papel.
Como súmula de tudo isso, hoje em dia, o Sporting de Braga é mesmo o primeiro clube de futebol entre as gentes de Braga e de muitos dos municípios envolventes, sendo fácil encontrar quotidianamente na cidade pessoas envergando camisolas ou cachecóis do clube ou vê-los a enfeitar os carros.

2 - É possível fazer um projecto semelhante em Leiria?
Ser possível é. Pelos elementos que aporto sobre a realidade do Sporting de Braga, ficará claro que não será algo que se consiga em poucos dias e sem trabalho de muitos. Aliás, em certos momentos da sua história ainda curta, o União de Leiria conseguiu mobilizar mais adeptos do que o que tem conseguido nos últimos anos e atrair muito mais as atenções de quem segue o fenómeno do futebol. Tenha-se presente, por exemplo, o que se passou com o clube durante a breve passagem por Leiria de José Mourinho.
Note-se que uma boa carreira de um clube de futebol que se identifique com uma cidade ou uma região é um elemento de mobilização e orgulho para os residentes dessa cidade ou território e um importante instrumento de marketing desse mesmo território.

3 - Quais são as condições necessárias para que isso aconteça?
Do que se disse antes, resultará que nada ou muito pouco se consegue também neste âmbito sem projectos e lideranças sólidas, conjugadas com alguma sorte a nível de desempenho desportivo. E, note-se, a sorte também se procura.
Já que o não disse antes, talvez valha a pena deixar aqui o registo de que uma das dimensões da política de relações públicas mantida pelo Sporting de Braga tem passado por levar periodicamente alguns dos seus jogadores com mais visibilidade às Escolas do município para breves encontros com as crianças e jovens. Por outro lado, o clube não é elemento de arremesso entre as diferentes forças partidárias ou actores institucionais da cidade. Essas são também peças às quais é preciso estar atento.

4 - Quais são as principais fragilidades que Leiria tem que impedem que isso aconteça?
Na actualidade, sigo a bastante distância a realidade do União de Leiria e da cidade. Do que me chega, sugere-se-me que a direcção tem mantido uma estratégia errónea na condução do clube e não tem sabido constituir-se num bom interlocutor da Câmara Municipal e de outros agentes institucionais que importa captar para o projecto de afirmação do União de Leiria. Também em matéria de estratégia de comunicação e de relações públicas haverá muito que fazer.
Naturalmente que, paralelamente, tem que se cuidar da componente desportiva e, a esse nível, a aposta em treinadores adequados, numa perspectiva de um trabalho de médio prazo é incontornável. Sem resultados desportivos também não se consegue ter adeptos que vistam a camisola do clube, em sentido real e figurado.


J. Cadima Ribeiro

(Resposta a questões do jornalista Miguel Sampaio, do Jornal de Leiria, datadas de 2011/01/13)

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Compras de vinhos na Internet: alguns dados sobre o consumidor nacional

1. Um título do Diário Económico de 12 de Dezembro pp. dizia-nos que “Compras na Internet batem recorde em Portugal”. Indo ao corpo da notícia, mais acrescentava que “a internet é cada vez mais um meio escolhido pelos portugueses para fazer as suas compras”. Em concreto, estimava-se que no final do presente ano cerca de dois milhões de consumidores nacionais terão adquirido bens e serviços num valor de 3,2 mil milhões de euros através do seu computador, isto é, via Internet. Esse montante de aquisições representará um aumento de 23% face aos valores verificados no ano precedente. Já agora, seguindo os dados do EUROSTAT, acrescente-se que, em 2004, o número de portugueses que compraram algum tipo de bens ou serviços via comércio virtual não ia além de 5% do total.
2. Falando do mercado electrónico, retenha-se que os produtos ou serviços mais vendidos em Portugal, em 2009 (dados de um estudo da Netsonda) foram, pela ordem que se indica: telefones móveis; CD’s e DVD’s; jogos/”play station”; produtos informáticos; e livros e revistas.
3. No que aos compradores de vinhos via comércio electrónico diz respeito, fazendo uso de dados obtidos através de um inquérito específico, importa sublinhar o seguinte: primeiro, a prevalência do género masculino (87,8%); em segundo lugar, a presença entre eles de grupos relativamente jovens (79,7% tinham entre 30 e 49 anos); em terceiro lugar, o facto de estarmos perante detentores de níveis de habilitação académica elevada (78,4% eram detentores de um grau do ensino superior); e, finalmente, o nível de poder de compra igualmente elevado que configuravam (82,4% tinham um rendimento mensal entre 1000 e 5000 Euros). Acrescente-se que tendiam a conduzir as suas operações de compra sobretudo a partir de casa (64,9%). Não sendo os dados referentes ao comprador de vinhos por via virtual contraditórios com os que são registados em matéria de perfil do comprador comum do comércio electrónico, seles são no entanto distintos, o que importa que seja presente entre os operadores desta modalidade de comércio.
4. O comprador português de vinhos pela Internet não se apresenta como alguém que múltipla as operações de aquisição. Pelo contrário, o número de transacções que desencadeia revela-se reduzido (somente 9,5% efectuaram mais de 50 transacções, num ano). Este dado é relevante e curioso porque ele contrasta fortemente com o recolhido, em 2007, pela Vizu, no que ao perfil do consumidor internacional diz respeito, que fazia emergir um comprador de vinhos “online” muito mais presente quotidianamente no mercado, já que um quinto deles efectuava aquisições diárias e outros tantos (20,3%) semanais.
5. Conferindo dados sobre transacções e volumes transaccionados, mais nos revelam os resultados do nosso inquérito que o comprador nacional tende a fazer encomendas de um certo montante, o que é consistente com a ausência de necessidade de aquisições muito frequentes. Porventura, isso estará relacionado com os encargos derivados da entrega das encomendas, retirando benefício dessa estratégia de compra, e com a economia de esforço que conseguirá concentrando a escolha num certo momento. Ilustrando o que se diz antes, anote-se que 41,9% das encomendas tendem a ter valores entre os 101 e os 150 Euros).
6. Mantendo presente as diferenças constatadas entre os perfis dos compradores nacionais e internacionais, não será difícil extrair daí ilações em matéria de campanha promocional a desenvolver e, naturalmente, de sensibilidade daqueles aos custos de entrega. Atentos a esta última dimensão, os vendedores deverão fazer esforços sérios de redução deste tipo de encargos, sendo que essa é também uma via para levar os compradores nacionais a intensificarem a frequência com que colocam as suas encomendas.
7. Como última nota, deixe-se a indicação recolhida no mesmo inquérito de que a comodidade ou conveniência, seguida pela variedade de escolha, os preços acessíveis e a existência de promoções são os principais motivos que levam os inquiridos a usarem o canal virtual na aquisição de vinhos. Curiosamente, no caso dos compradores nacionais de vinhos, as recomendações de especialistas parecem não ter grande influência nas escolhas que fazem, porventura porque eles próprios são razoáveis conhecedores do produto que adquirem.

J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de 2010/12/23 do Jornal de Leiria)

sábado, dezembro 18, 2010

"This specific consumer tends to access the online wine shop mostly from home (64.9%)"

"The results of the Portuguese study show differences between the general online consumer and the wine one. The prevalence of males (87.8%), of younger age cohorts (79.7% between 30-49 years), more educated people (78.4% have a higher education degree) and wealthier (82.4% have an average monthly income between 1,000 and 5,000 Euros) are some of the characteristics that discriminate the Portuguese online wine consumers from the common consumer. Moreover, this specific consumer tends to access the online wine shop mostly from home (64.9%)."
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J. Freitas Santos
J. Cadima Ribeiro