Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

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segunda-feira, maio 26, 2025

“As relações comerciais entre Portugal e Espanha: o período pós-integração na CEE/UE”

Resumo

A importância do comércio internacional para o crescimento económico é um tema que não suscita controvérsia no seio da Ciência Económica. As teorias tradicionais fornecem dados relevantes para compreender o fenómeno, mas não proporcionam uma visão completa dos padrões observados nas trocas entre países. Estudos recentes têm-se centrado em dois tipos de fatores cruciais para a escolha de parceiros comerciais: os socioeconómicos; e os sociopsicológicos. As proximidades física e cultural têm, também, papel essencial. Pese a longa fronteira comum, foi necessário aguardar pela integração de Portugal e Espanha na CEE (Comunidade Económica Europeia), União Europeia (EU), na expressão atual, para que as relações económicas entre os dois países se desenvolvessem significativamente, passando a Espanha de um parceiro pouco relevante no período pré-integração europeia para primeiro parceiro comercial de Portugal a partir do final da década de 90 do século XX. Fazendo uso de estatísticas do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Banco de Portugal (BdP) sobre comércio de bens e serviços, disponíveis no portal da PORDATA - Estatísticas sobre Portugal e Europa, recorrendo a elementos gráficos disponibilizados por aquela base de dados, pretende-se neste capítulo traçar um retrato panorâmico da evolução das relações económicas entre os dois países.


J. Cadima Ribeiro



“As relações comerciais entre Portugal e Espanha. O período pós-integração na CEE/UE”, in Espanha e Nós: Visões atuais sobre as relações Hispano-Portuguesas, Carlos Pazos-Justo, Inês Gusman e Santiago Perez Isasi (Eds.), Edições Colibri, Lisboa, maio de 2025, cap. 9, pp. 203-220;

https://edi-colibri.pt/produto/espanha-e-nos-visoes-atuais-sobre-as-relacoes-hispano-portuguesas/


https://www.bertrand.pt/livro/espanha-e-nos-carlos-pazos-justo/32011644


quarta-feira, agosto 22, 2012

"Port Wine Distribution Strategies: Buyer/Seller Cooperation"

«[...]
AAWE Working Paper No. 116 Business

Luis Sequeira

[...]»

(reprodução parcial de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, proveniente da entidade identificada)

segunda-feira, setembro 05, 2011

Há espaço no país para mais do que produzir de forma sub-contratada bens de tecnologia básica

Alguns elementos das políticas agro-florestal e de cidades pressupostos numa estratégia de desenvolvimento do país têm implícitas dimensões de política industrial e de orientação a concretizar no que se refere a serviços a prestar às pessoas e às empresas. Funcionamento em rede, reunião de massas críticas, qualidade do serviço, apelo às referências locais e estímulo à criatividade são tudo instrumentos do processo de configuração de um tecido industrial mais coerente e mais competitivo.
Sabemos que, quando as condições de competência e de enquadramento financeiro e institucional estão reunidas, a iniciativa e a ousadia aparecem. Olhe-se para o desenvolvimento da indústria dos moldes, olhe-se para a progressão das indústrias das tecnologias de informação e comunicação em Portugal, considere-se a evolução que se vem registando em direcção a novos produtos nos têxteis e confecções (têxteis técnicos, têxteis funcionais) e perceber-se-á que há espaço no país para mais do que produzir de forma sub-contratada bens de tecnologia básica, visando mercados pouco exigentes.

J. Cadima Ribeiro

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Compras de vinhos na Internet: alguns dados sobre o consumidor nacional

1. Um título do Diário Económico de 12 de Dezembro pp. dizia-nos que “Compras na Internet batem recorde em Portugal”. Indo ao corpo da notícia, mais acrescentava que “a internet é cada vez mais um meio escolhido pelos portugueses para fazer as suas compras”. Em concreto, estimava-se que no final do presente ano cerca de dois milhões de consumidores nacionais terão adquirido bens e serviços num valor de 3,2 mil milhões de euros através do seu computador, isto é, via Internet. Esse montante de aquisições representará um aumento de 23% face aos valores verificados no ano precedente. Já agora, seguindo os dados do EUROSTAT, acrescente-se que, em 2004, o número de portugueses que compraram algum tipo de bens ou serviços via comércio virtual não ia além de 5% do total.
2. Falando do mercado electrónico, retenha-se que os produtos ou serviços mais vendidos em Portugal, em 2009 (dados de um estudo da Netsonda) foram, pela ordem que se indica: telefones móveis; CD’s e DVD’s; jogos/”play station”; produtos informáticos; e livros e revistas.
3. No que aos compradores de vinhos via comércio electrónico diz respeito, fazendo uso de dados obtidos através de um inquérito específico, importa sublinhar o seguinte: primeiro, a prevalência do género masculino (87,8%); em segundo lugar, a presença entre eles de grupos relativamente jovens (79,7% tinham entre 30 e 49 anos); em terceiro lugar, o facto de estarmos perante detentores de níveis de habilitação académica elevada (78,4% eram detentores de um grau do ensino superior); e, finalmente, o nível de poder de compra igualmente elevado que configuravam (82,4% tinham um rendimento mensal entre 1000 e 5000 Euros). Acrescente-se que tendiam a conduzir as suas operações de compra sobretudo a partir de casa (64,9%). Não sendo os dados referentes ao comprador de vinhos por via virtual contraditórios com os que são registados em matéria de perfil do comprador comum do comércio electrónico, seles são no entanto distintos, o que importa que seja presente entre os operadores desta modalidade de comércio.
4. O comprador português de vinhos pela Internet não se apresenta como alguém que múltipla as operações de aquisição. Pelo contrário, o número de transacções que desencadeia revela-se reduzido (somente 9,5% efectuaram mais de 50 transacções, num ano). Este dado é relevante e curioso porque ele contrasta fortemente com o recolhido, em 2007, pela Vizu, no que ao perfil do consumidor internacional diz respeito, que fazia emergir um comprador de vinhos “online” muito mais presente quotidianamente no mercado, já que um quinto deles efectuava aquisições diárias e outros tantos (20,3%) semanais.
5. Conferindo dados sobre transacções e volumes transaccionados, mais nos revelam os resultados do nosso inquérito que o comprador nacional tende a fazer encomendas de um certo montante, o que é consistente com a ausência de necessidade de aquisições muito frequentes. Porventura, isso estará relacionado com os encargos derivados da entrega das encomendas, retirando benefício dessa estratégia de compra, e com a economia de esforço que conseguirá concentrando a escolha num certo momento. Ilustrando o que se diz antes, anote-se que 41,9% das encomendas tendem a ter valores entre os 101 e os 150 Euros).
6. Mantendo presente as diferenças constatadas entre os perfis dos compradores nacionais e internacionais, não será difícil extrair daí ilações em matéria de campanha promocional a desenvolver e, naturalmente, de sensibilidade daqueles aos custos de entrega. Atentos a esta última dimensão, os vendedores deverão fazer esforços sérios de redução deste tipo de encargos, sendo que essa é também uma via para levar os compradores nacionais a intensificarem a frequência com que colocam as suas encomendas.
7. Como última nota, deixe-se a indicação recolhida no mesmo inquérito de que a comodidade ou conveniência, seguida pela variedade de escolha, os preços acessíveis e a existência de promoções são os principais motivos que levam os inquiridos a usarem o canal virtual na aquisição de vinhos. Curiosamente, no caso dos compradores nacionais de vinhos, as recomendações de especialistas parecem não ter grande influência nas escolhas que fazem, porventura porque eles próprios são razoáveis conhecedores do produto que adquirem.

J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de 2010/12/23 do Jornal de Leiria)

sexta-feira, outubro 29, 2010

Auto-estradas: procura e preço

«As situações de monopólio também dão origem a distorções. A empresa monopolista inteligente pode fixar o preço que maximiza os seus lucros. Por exemplo, a empresa que monopoliza as portagens em Portugal não é inteligente. É visível que em muitas delas se baixasse o preço em certa proporção o tráfego cresceria em proporção maior».

Júlio Barreiros Martins

(excerto de comunicação intitulada "A crise financeira portuguesa: algumas causas, consequências e eventuais remédios" ontem apresentada na EEG/UMinho no contexto da 1ª iniciativa Tertúlias do Departamento de Economia)

sexta-feira, setembro 17, 2010

quinta-feira, março 18, 2010

O investimento Chinês em África e os seus riscos para um desenvolvimento sustentável

Depois de muitas décadas de pobreza e de exclusão dos circuitos do progresso económico, o continente africano tem merecido, nos últimos anos, uma atenção crescente por parte dos investidores internacionais, graças ao interesse que o seu potencial de crescimento tem despertado nas economias emergentes, nomeadamente na China. Os principais investidores estrangeiros começam a ver este continente como uma fonte de oportunidades, não só pelas riquezas minerais do seu subsolo ou pela sua capacidade de desenvolvimento agrícola, mas também pelo potencial de crescimento de alguns dos seus mercados de consumo.
Durante o ano de 2008, um ano de forte contracção dos fluxos de capital estrangeiro em todo o mundo, como consequência da crise económica e financeira, o investimento directo estrangeiro (IDE) em África batia um recorde histórico ao atingir quase 90.000 milhões de dólares. Entre 2003 e 2009, os investidores europeus foram os mais activos (190.000 milhões), seguidos dos do Oriente Próximo (170.000 milhões), dos de América do Norte (120.000 milhões) e dos dos BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China – (60.000 milhões).
Nesse período a China materializou investimentos por um montante aproximado de 28.000 milhões de dólares, distribuídos em 86 grandes projectos de desenvolvimento. Para além da sua crescente participação na dinâmica de investimento, a China também incrementou, nos últimos anos, a sua quota comercial em África tendo-se tornado no segundo sócio comercial do continente, ao atingir, em 2008, intercâmbios por valor de 107.000 milhões de dólares.
O papel da China em África é também destacado em termos de ajuda ao desenvolvimento. Este país concedeu, nos últimos anos, 10.000 milhões de dólares em empréstimos bonificados e cancelou a dívida a alguns dos países mais pobres do continente. Ademais, a sua participação em iniciativas de assistência técnica e de assessoria, em várias áreas de intervenção, demonstra que o gigante asiático tem uma estratégia bem definida no continente, que para além da económica abrange dimensões de natureza política ou social.
Apesar do impacto positivo do investimento Chinês em África, a sua distribuição sectorial e as consequências sociais de algumas operações merecem uma análise pormenorizada. No sector agrícola esta chamada de atenção é especialmente oportuna, nomeadamente porque o governo Chinês e os investidores privados desse país têm comprado ou alugado grandes extensões de terra para cultivo, podendo provocar impactos significativos sobre o tecido social e produtivo das economias locais. A produção de alimentos, para garantir o fornecimento do seu mercado interno, é o objectivo fundamental da maioria das transacções efectuadas, mas algumas das terras adquiridas têm como finalidade última a produção de bio-combustíveis.
A maioria das transacções é negociada directamente entre as autoridades políticas dos estados. Contudo, os investidores privados, directamente ou através de fundos de investimento, estão a posicionar-se também no mercado da terra. Por exemplo, vários investidores Chineses adquiriram, recentemente, 2,8 milhões de hectares na República Democrática do Congo e negoceiam a reserva de 2 milhões na Zâmbia, para a produção de bio-combustíveis. Acresce que o fundo soberano CIC (China Investment Corporation) tem adquirido participações em várias empresas locais de produção de cereais e de extracção e comercialização de minerais.
Para uma compreensão mais completa do fenómeno da deslocalização agrícola convém referir os seguintes aspectos. Em primeiro lugar, que o interesse Chinês não se cinge exclusivamente ao continente africano, dado que em alguns países do Sudeste Asiático, como Laos, Myanmar ou Filipinas, a sua política de compras tem sido também extremamente activa. Em segundo lugar, que há outros países com uma política similar nesta matéria, como a Índia, a Coreia do Sul e alguns países do Golfo Pérsico, como a Arábia Saudita, os Emiratos Árabes e o Qatar. Em terceiro lugar, que o interesse dos privados por este tipo de operações tem vindo a aumentar, e alguns fundos e bancos de investimento, nomeadamente britânicos, estão a negociar aquisições maciças em Moçambique, África do Sul, Botswana, Zâmbia, Angola, e a República Democrática do Congo.
Estas compras massivas de terras colocam sérios riscos para os camponeses e as populações rurais de alguns países africanos, que serão expulsos das suas terras e poderão ter condicionado o acesso à água e a outros recursos fundamentais para a sua existência quotidiana. Adicionalmente, os impactos ambientais das monoculturas de bio-combustíveis sobre o terreno são pouco conhecidos, mas alguns dos já conhecidos são certamente negativos.
Os fluxos de investimento estrangeiro oriundos da China estão a ter consequências muito positivas sobre o crescimento económico de vários países africanos. Ademais, estão a provocar efeitos de arrastamento de grande importância, ao terem despertado um renovado interesse pelo continente, tanto em países desenvolvidos como nas grandes economias emergentes (Brasil, Índia e Rússia). Contudo, os impactos sociais e ambientais do investimento no sector agrícola devem ser objecto de um cuidadoso escrutínio por parte das organizações internacionais com incumbência nestas matérias. Tantos anos de espera merecem que o crescimento se traduza num desenvolvimento equitativo e sustentável.

Francisco Carballo-Cruz

(artigo de opinião publicado na edição de 2010/03/16 do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

segunda-feira, março 23, 2009

domingo, outubro 19, 2008

A independência estratégica

A actual situação vivida no Cáucaso vem fortalecer o clima de instabilidade política e económica que assistimos a nível mundial.
O conflito teve início a 7 de Agosto, quando o governo Georgiano decidiu pôr fim à autonomia das regiões separatistas da Abecásia e Ossétia do Sul através da força. Por outro lado, invocando o discurso tantas vezes proferido por Washington nos últimos anos, Moscovo rejeita a hipótese de ter invadido território da Geórgia, alegando estar a proteger os seus cidadãos (dado que a Rússia deu cidadania à esmagadora maioria da população dos dois territórios separatistas, em meados da década de 90) e a preservar os direitos daqueles povos, reconhecendo-lhes a independência relativamente à Geórgia. Deste modo, a Rússia posiciona-se internacionalmente como defensora da liberdade, da democracia e dos direitos das minorias.
Apesar das declarações de Moscovo relativamente às causas da sua intervenção no Cáucaso, continuam a surgir especulações de que o conflito do Cáucaso foi orquestrado pela Rússia por factores comerciais e geopolíticos, dado que a região é muito rica em combustíveis fosseis e é também uma das principais rotas de distribuição petrolífera da Europa.
No entanto, a intervenção Russa não é aceite pela comunidade internacional e o presidente Francês, Nicolas Sarkozy, que é também o actual presidente em exercício da União Europeia (UE), salientou a "urgente necessidade" de diminuir a tensão, sublinhando a importância da retirada dos contingentes militares Russos em zonas tampão à volta das regiões separatistas georgianas da Abecásia e da Ossétia do Sul.
A cimeira realizada no passado dia 1 de Setembro, em Bruxelas, ficou marcada pela incapacidade da União Europeia tomar uma posição firme e unificada quanto às possíveis sanções a aplicar a Moscovo. Este desfecho foi fortemente influenciado pela excessiva dependência petrolífera da UE relativamente a Moscovo. Mais propriamente, a Eslováquia, Hungria, Polónia e Letónia têm uma dependência petrolífera da Rússia superior a 90%. A Alemanha e a Suécia importam cerca de 35% do petróleo da Rússia. Portugal e a Dinamarca situam-se no fundo da tabela no que respeita à dependência petrolífera relativamente a Moscovo, com 1% e 0% respectivamente. Em matéria de gás natural, a situação é igualmente desmotivante, pois 25% do gás consumido pela União provém da Rússia.
Perante este cenário, é compreensível a divergência de opiniões no seio da UE bem como a posição prudente adoptada pelos seus dirigentes, pois uma tentativa de aplicar sanções a Moscovo teria um impacto brutal a nível da economia europeia, com a possibilidade de Moscovo suspender o fornecimento de petróleo e gás natural.
No entanto, após a reunião com Dmitry Medvedev, o presidente Francês Nicolas Sarkozy conseguiu obter de Moscovo o compromisso de retirada das tropas russas presentes em torno do porto de Poti, no prazo máximo de um mês. Contudo, o contingente militar russo em torno das regiões separatistas da Abecásia e Ossétia do Sul irá permanecer no local, dado que a Rússia reconheceu a independência dessas regiões.
Apesar do aparente sucesso das negociações, Moscovo teima em não abdicar de “proteger” as regiões da Abecásia e Ossétia do Sul pois esse avanço geoestratégico é fundamental para reforçar a sua influência nestas áreas política e economicamente importantes.
A Europa não tem conseguido construir uma relação de confiança com a Rússia e muito desse fracasso deve-se ao facto da atitude arrogante demonstrada por Moscovo nas relações comerciais. A política de crescimento conduzida por Vladimir Putin, direccionada para o incremento das exportações, e o seu distanciamento em relação à UE e o mundo revelam essa sede de imposição.
De facto, tudo indica que esta situação irá continuar, pois a Rússia, que parece não ter recuperado do golpe sofrido em 1989, vem, desde então, tentado recuperar a sua influência no panorama internacional.
(artigo de opinião publicado no Suplemento de Economia do Diário do Minho, em 08/09/16)

sexta-feira, novembro 30, 2007

"Portugal and the challenges of globalisation"

"Dear Participants,

The presentations and the papers of the Workshop on "Portugal and the challenges of globalisation", are already available online at the GEE´s website.

Best regards,

Elsa de Morais Sarmento
Av. República, 79
1050-243 Lisboa
Telef: 21 7998158
http://www.gee.min-economia.pt/"
(reprodução integral de mensagem de correio electrónico recebida da entidade identificada, em 07/11/26)
*
Nota: assume-se que possa haver interessados em aceder à informação para que a mensagem acima chama a atenção.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Boas Colheitas para Portugal

Nos últimos anos, Portugal tem produzido vinhos de altíssima qualidade. Nos últimos anos, os vinhos portugueses com a coadjuvante dos seus produtores aumentaram substancialmente a sua qualidade, como se comprova pelos prémios e distinções obtidas nas mais prestigiadas revistas da especialidade, como a “Wine Spectator”, “Wine Enthusiast” e “Wine & Spirits” e em concursos como o International Wine Challenge”, “Mundus Vini”, “Challenge International do Vin” ou “Vinalies”.Com especial destaque para os vinhos do douro e do Alentejo, responsáveis pela boa imagem do vinho português lá fora.
Portugal tem a peculiaridade de produzir uma vasta gama de vinhos com diferentes castas, substâncias aromáticas e especiarias, idades, processos de envelhecimento, espessura do vinho (encorpado ou murcho), apresentando uma vasta gama de vinhos com diferentes especificidades, relativamente aos outros produtores mundiais.
No entanto, apesar de ser um sector que enfrenta elevada concorrência, os vinhos portugueses que se têm afirmado internacionalmente correspondem a vinhos de denominação de origem controlada ou vinhos reserva, sendo a capacidade de produção a principal dificuldade que subsiste destes vinhos, que têm sido citados e recebido menções honrosas ou prémios de prestígio. A principal contrariedade que subsiste é sua produção ser inferior ao número de encomendas. Os principais produtores a nível mundial, com o qual Portugal concorre são a Califórnia, a França (região de Bordeaux, Rhône e Champagne), a Itália (Toscana, Piemonte), o Chile e a Austrália.
O sucesso de Portugal na última década, apesar de ser um país de longa tradição vinícola, deveu-se ao maior interesse das pessoas, à nova geração de enólogos, ao investimento na renovação das vinhas, formação e equipamento tecnológico adquirido, transformando vinhos de alguma qualidade em vinhos de alta qualidade, com o aperfeiçoar dos processos de produção e envelhecimento e dos aromas do vinho, características que diferenciam o produto e acrescentam-lhes valor. Para além da melhoria nos processos produtivos através de nova tecnologia, a inovação foi acompanhada sem descurar os aspectos tradicionais positivos, como por exemplo a utilização de uvas autóctones e características da região. Estas castas nacionais, com a ajuda da modernização, que antes davam vinhos de qualidade inferior, passaram a dar grandes vinhos.
Deste modo, num mercado tão globalizado, Portugal surge como contraponto, relativamente à uniformização de condutas e gostos, favorecendo o reconhecimento e a criação da marca “Made in Portugal”, que começa a ganhar prestígio além-fronteiras.


Pedro Tiago Amorim de Brito

(doc. da série artigos de análise/opinião)