Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

sexta-feira, julho 08, 2011

Ataque económico “terrorista” da agência de ´rating` Mody’s++

Portugal está a ser vítima de mais um “ataque económico terrorista” feito ontem pela agência de rating Mody’s, um dos ninhos de “vampiros” sediados nos EUA. Esta mesma agência deu a “nota máxima” ao banco “Lehman Brothers” dias antes dele ter falido e provocado uma boa parte da CRISE financeira e económica mundial. Acudiu OBAMA: comprou o LIXO que era todo o Banco, pôs impostos de 95% sobre os “prémios chorudos” que os administradores continuam a receber. E com que dinheiro comprou o Banco: mandou o Federal Reserves BanK fabricar moeda (sem dizer isso a ninguém no Mundo - nada foi publicado a este respeito). Com essa moeda pagou aos depositantes americanos que tinham depósitos nesse Banco, mas não pagou aos depositantes estrangeiros, nomeadamente (a imprensa portuguesa já nomeou alguns). Com o banco “Lehman Brothers” saneado devolveu-o aos capitalistas (doutro modo perderia (perde?) as próximas eleições. E agora esses mesmos capitalistas do “Lehman Brothers” (e outros), que predominam na agência de rating Mody’s e nas outras agências de rating fazem este “ataque económico terrorista” ao país mais fraco (militarmente) porquê? Só porque o Governo Português é obrigado a vender de “afogadilho” a GALP, a EDP e a TAP e aos ditos “capitalistas-milhafres”.
E Portugal, embora, “pequenino”, pode na prática, reagir a tudo isto?. PODE e DEVE ...
1- Reclamar junto do Tribunal Económico (ou instâncias apropriadas da UE) contra esta “difamação” que é um “crime” e exigir devida indemnização.
2- Reclamar de igual modo junto do Tribunal Internacional de Haia, só para manter a chama acesa.
3- Reclamar junto da UE, exigindo que o Banco Central Europeu faça o que fez (e faz, mesmo sem dizer nada) o Federal Reserves BanK dos EUA: emissão de moeda para, a juros baixos, ser canalizada para os países em dificuldades. O professor catedrático de Economia da Universidade de Coimbra José Reis referiu o caso na TV ontem e indicou esta como a primeira medida a tomar. Nada mais do que o que Obama fez com o “Lehman Brothers” (e outros). Claro que a par disso há que cumprir com as imposições da “troika já contratadas e outras de ´nova vida`”: “produzir e poupar em todos os sectores”, vender todas as empresas públicas e para-públicas que já estão há muito “tecnicamente” falidas, mas não vender ao desbarato aos agentes das agências de rating. Analisar apropriadamente e com rigor todos os empreendimentos públicos (e todos os estabelecimentos públicos) em termos económicos de “custos – benefícios” e só dar andamento àqueles que garantam a curto e longo prazo benefícios maiores que custos (sabe-se bem que hoje, com boa organização, isso é fácil de fazer). Praticar constantemente o que é uma grande obrigação moral: “os que podem aos que precisam”:
4- Reclamar junto da UE a instituição de agências de rating europeias ou que se acabe com elas, porque não apoiam o “mercado”: são manipuladoras ou destruidoras dele onde lhes convém A ONU já iniciou a discussão e voltou a referi-la, mas nada se fez até agora. Portugal tem lá agora assento (isto é, no Conselho de Segurança), embora temporário. Deve aproveitá-lo para, pelo menos, agitar a questão.
5- Praticar na Europa do Euro o que os EUA aplicam em sua casa com o dollar: nenhum hotel, de qualquer categoria, nem nenhum banco pode aceitar a troca de euros (ou de outra moeda mesmo “forte”, libra esterlina, etc. ) por dollars. Todos os clientes têm de pagar em dollars a dinheiro ou com cartão de crédito. Os estrangeiros com cartões de crédito não emitidos nos EUA só podem levantar nas máquinas ATM ou nos bancos o equivalente a 100 ou 200 dollars e pagam ao banco americano respectivo, no acto, além das diferenças de câmbio, uns 4% do valor que recebem.
6- Em reuniões internacionais na Índia, por exº., ( ou qualquer parte do mundo), quando partem de organizações profissionais ou outras dos EUA, tudo tem de ser pago em dollars ou com cartões de crédito necessariamente emitidos nos EUA. Até a marcação de lugares nos hotéis e os vôos locais têm de ser pagos em dollars...
7- O Governo Português não deve desanimar e deve continuar a “arrumar” a casa:
i- renegociar as PPP nas auto-estradas obrigando a Concessionária a praticar preços nas portagens tais que o trânsito aumente substancialmente nelas; reduzindo-se tráfego e tempos na circulação nas outras vias. (É fácil contabilizar os milhares de milhões de euros anuais de benefícios que adviriam para a colectividade, sem qualquer prejuízo para a própria concessionária;
ii- fazer o mesmo com a FERTAGUS e ponte Vasco da Gama e outras;
iii- renegociar as PPP também com os hospitais, tendo em conta custos reais e justos quando as administrações desses hospitais se mostrem eficientes. Hoje, em todos os hospitais públicos, marcar uma consulta é um grande castigo e a realização da consultado um castigo maior e para data em que o doente, muitas vezes já terá morrido. Nos bons hospitais com PPP organizados e geridos por profissionais competentes, as consultas marcam-se por telefone em poucos minutos; as consultas realizam-se efectivamente nos dias e horas marcados (em geral, em menos de 1 mês) e o doente tem mais que um especialista como opção. Nada disto acontece em nenhum hospital público.
Por hoje ficamos por aqui.

Braga, 07-07-11
Barreiros Martins

1 comentário:

Cesar disse...

Boa Tarde,
Li com extremo interesse o texto e em relação ao ponto 3("...Reclamar junto da UE, exigindo que o Banco Central Europeu faça o que fez (e faz, mesmo sem dizer nada) o Federal Reserves BanK dos EUA: emissão de moeda para, a juros baixos, ser canalizada para os países em dificuldades... ") concordo em absoluto com a ideia de imprimir moeda para os países periféricos.
Apesar de não perceber nada de economia, acho que um par de milhões de euros para os estados pagarem dívidas a fornecedores nacionais ajudava a pôr a economia a funcionar quase instantaneamente. é claro que os milhões tinham que ser compensados com compromissos rigorosos. mas basta uma faísca para acender uma fogueira, e esta metáfora tanto vale para a contracção como para a expansão económica.