Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

terça-feira, outubro 03, 2006

Acredito na retoma

De acordo com os dados estatísticos que pesquisei no INE (Instituto Nacional de Estatística) e no Banco de Portugal, acredito numa possibilidade verosímil de retoma para Portugal nos anos que se aproximam. A informação disponível aponta para a continuação dos sinais mais animadores sobre a evolução da actividade económica, já perceptíveis nos primeiros trimestres do ano.
A procura externa continua a ser a força dinamizadora, aumentando a sua participação no crescimento português. O valor das exportações no 2ºtrimestre de 2006 cresceu 10.3%, em termos nominais. Esta notável aceleração das exportações deve-se, essencialmente, aos países clientes de Portugal, que revelaram um crescimento médio no início de 2006 de 2.5% (Espanha, principal parceiro económico, mantêm níveis de crescimento acima dos 3% por vários trimestres consecutivos).
De acordo com estes dados e as expectativas do FMI, é já possível antever uma aceleração forte das exportações e uma desaceleração das importações para 2007, e, sendo assim, uma situação mais equilibrada a nível comercial beneficiará o crescimento económico em Portugal, mas não dependerá apenas disto.
Tendo em conta os dados divulgados pela Comissão Europeia a 2 de Outubro de 2006, a economia na zona euro cresceu 3.5% nos primeiros 6 meses, sendo o maior crescimento dos últimos 6 anos. O crescimento de 1.2% previsto pelo FMI para Portugal em 2006 é ainda muito pouco em relação ao dos parceiros europeus. Portugal terá que acompanhar a tendência europeia apostando, essencialmente, no mercado externo em expansão, tornando-se mais competitivo e inovador e procurando novas perspectivas comerciais, para que não vejamos uma vez mais Portugal “na cauda da Europa”.

Sara M. A. Peixoto
(artigo extraído da plataforma electrónica de apoio à unidade curricular Economia Portuguesa e Europeia; Out. 2006)

2 comentários:

Bernadette Cunha disse...

Nós, futuros economistas, conseguimos ver para além da primeira face da economia. Conseguimos, através de sinais particulares, prever um possivel quadro económico para os tempos vindouros. Alguns desses sinais já foram identificados no comentário da colega, como é o caso da situação do comércio externo, mas como ela referui e bem, existem muitos mais sinais passiveis de serem estudados.
Segundo um relatório relativamente recente do INE, as expectativas dos empregadores, que vêem desfazados temporalmente dos ciclos económicos, temdem a melhorar, ou seja, o desemprego em Portugal verificou uma ligeira diminuição nestes últimos 2 trimestres de 2006, o que provavelmente é um bom sinal que a retoma se inicia.
E isto acontece porquê?
É necessário salientar um aspecto muito importante, isto é, um dos sinais que, normalmente, muita gente não vê ou não dá muita importância, que é: as EXPECTATIVAS dos agentes económicos. Desta forma, se os dirigentes económicos - Governo, Banco de Portugal, entre outros - conseguirem incutir expectativas positivas em relação ao crescimento económico aos outros agentes económicos, estes, por sua vez, tomarão decisões e acções nesse sentido.
É por esse motivo que "Acreditar na retoma" é necessário.

Anónimo disse...

Apesar de praticar políticas impopulares, o governo tem vindo a alcançar os objectivos a que se propôs. O crescimento do país é muito inferior à zona euro, mas tendo em conta a situação com que nos deparámos anteriormente, houve uma melhoria significativa. O governo tem apostado na melhoria das condições de educação, por forma a que os cidadãos sejam cada vez mais instruídos. Assim, com maiores conhecimentos mais facilmente se poderá caminhar para um maior crescimento do país, através de maiores inovações, sobretudo ao nível tecnológico, o que permitirá tornar as exportações mais competitivas.
Penso que o governo deve continuar a apostar no conhecimento e que deverá tentar melhorar as condições de investimento, para que o crescimento continue a acontecer e passemos rapidamente para uma situação de expansão económica.

Patrícia Alves