Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

sexta-feira, outubro 27, 2006

Destaques noticiosos do fim-de-semana

Parlamento Europeu pede ao BCE “precaução” na subida das taxas de juro
[http://www.negocios.pt/default.asp?SqlPage=Content_Economia&CpContentId=284802] (26-10-06, in Jornal de Negócios)
"O Parlamento Europeu (PE) aprovou uma resolução onde pede ao Banco Central Europeu (BCE) que actue com "precaução" face a um possível aumento das taxas de juro em Dezembro."

4 comentários:

Alina Gonçalves disse...

Após um longo período nos 2%, a taxa de referência do BCE tem tido uma trajectória ascendente. Actualmente encontra-se nos 3,25% mas não se põe de lado uma nova subida.

Ora se por um lado, o objectivo principal do BCE é estabilizar a inflação, faz todo o sentido a escalada verificada na taxa de juro de referência.

Por outro lado, a Europa ainda está a recuperar de uma crise e uma taxa mais baixa poderia relançar o investimento.

Entre estes dois dilemas, o BCE vai honrar o seu principal objectivo que é a estabildade dos preços. Não minha opinião é o mais sensato a fazer por uma questão de credibilidade. O BCE é independente e deve cumprir os seus objectivos não devendo ceder a pressões externas, mesmo que estas pressões parecerem mais atractivas.

A estabilidade dos preços é um contexto muito favorável ao desenvolvimento económico.

Alvaro Ferreira disse...

Em Dezembro de 2005, pela primeira vez no novo milénio, o BCE aumentou a Taxa de Juro de Referência na Zona Euro de 2% para 2,5% abrindo caminho a um ciclo de novas subidas. No presente, estamos perante uma nova expectativa de subida, o que elevará a taxa acima dos 3,25%.
Na sequência dessa expectativa, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução no sentido de influenciar a autoridade monetária a não subir mais uma vez a taxa de juro “em nome do crescimento económico”. Sabendo que o principal objectivo do BCE é a estabilidade dos preços e sendo este organismo autónomo, os dirigentes políticos europeus têm consciência que esta subida é uma questão de tempo. Tempo esse que está cada vez mais reduzido devido às crescentes pressões inflacionistas.
No contexto nacional, uma nova subida das taxas de juro irá provocar um maior desincentivo ao investimento e arrefecer o consumo privado muito pelo forte endividamento das famílias portuguesas. Como a maior dos empréstimos são contraídos a taxas de juro variáveis, torna as famílias muito sensíveis às suas alterações, o que penaliza tanto o consumo privado como também a poupança.
Com o novo Orçamento de Estado para 2007 a ser caracterizado por cortes no investimento muito acentuados e o consumo privado a ser cada vez menos dinamizador da economia, o crescimento económico previsto para o próximo ano será posto em causa.
Todos estes factores, fazem rever em baixa as expectativas das empresas quanto à evolução futura da procura constituindo um desincentivo elevado ao investimento.

João Pedro Baptista disse...

Com um aumento da taxa de juro por parte do Banco Central Europeu (BCE), por mais ligeiro que seja, os consumidores verão aumentar a sua dívida à banca. No que diz respeito a Portugal esta questão torna-se preocupante visto que o endividamento dos portugueses atingiu entre o início do ano e Agosto um máximo histórico de 113,6 mil milhões de euros, que representa 75 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Tendo em conta que os portugueses pagam cerca de 16 milhões de euros por dia de juros pelas dívidas à banca, o seu nível de vida será agravado, visto que esta despesa tenderá a aumentar com a possibilidade de novos aumentos das taxas de juros.
No entanto, um aumento das taxas de juro por parte do BCE justifica-se, pelo facto de este ter como principal objectivo a estabilidade dos preços.

Eduardo Silva disse...

Esta subida da taxa de juro em 0,25 por cento, fixando-a assim em 3,25 por cento, não é surpresa visto já ser o sexto aumento da taxa de juro num espaço de 12 meses, o que reflecte uma certa instabilidade financeira. Este aumento com o objectivo de conter a inflação era assim esperado pela maioria dos economistas e do mercado mas sobretudo por quem defende que as taxas de juro continuam muito baixas e que a economia esta a chegar a sua maxima capacidade o que pode provocar uma pressão nos preços e nos salários. De facto o BCE teme que a rapida retoma da economia possa impulsionar os salários e voltar a impulsinar o mercado imobiliário gerando assim tensões inflacionistas persistentes o que leva o BCE a manter esta apertada vigilancia na inflação. É neste contexto que Alex Weber, membro do BCE, afirma a possível necessidade de um novo aumento da taxa de juro em 2007 de modo a não estimular excessivamente a economia e a controlar a inflação na Zona Euro contribuindo, segundo os seus planos, para um crescimento económico sustentável e a criação de emprego.
No entanto, sendo a taxa de juro uma variável que influência o investimento que por sua vez afecta o crescimento económico, não irá isso provocar ainda mais desemprego?
O que se tem verificado é que o aumento dos preços tem sido maior que o da taxa de juro, o que provoca um aumento dos lucros, o que estimula os empresários a procurar mais factores produtivos de onde decorre um aumento dos respectivos preços e salários o que implica por sua vez uma nova subida dos preços e aumento da procura de crédito. O aumento da taxa de juro permite assim atingir o nível de equilibrio mas estaremos de facto no limite da nossa capacidade?

EDUARDO SILVA