Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

terça-feira, outubro 13, 2009

O comércio electrónico: curiosidades postas à luz pela investigação empírica

O passo seguinte ao uso generalizado na comunicação corrente das tecnologias de comunicação e informação, especialmente da internet, foi o respectivo aproveitamento para efeitos de negócio, entre empresas, por uma lado, e destas com o consumidor final, por outro. Os investigadores sociais não deixaram de seguir atentamente o nascimento e primeiros passos deste novo canal comercial, sendo certo que depressa foram confrontados com alguns factos inesperados.
Entre os dados surpreendentes ou inesperados que a investigação empírica trouxe para a luz do dia contam-se os seguintes: i) a dispersão de preços entre vendedores virtuais revelou ser muito mais elevada do que o esperado; ii) a importância assumida nesses mercados pela “confiança” e pela “marca” também se revelou muito elevada; isto é, longe de ser um grande egualizador dos retalhistas e de eliminar a necessidade do estabelecimento de marcas, a internet pode incrementar a importância das diferenças entre retalhistas em vertentes como a confiança e a marca”; adicionalmente, iii) constatou-se que a orientação para os mercados electrónicos não conduziu necessariamente à desintermediação das trocas, mesmo se tal difere do que se verifica nos mercados “físicos” tradicionais; isso mostrou ser particularmente verdade no caso dos vinhos, onde as vendas directas ao consumidor via internet não foram assumidas como verdadeira opção por parte da maioria dos produtores de vinhos ou adegas, grandes ou pequenas, como é ilustrado pelos casos australiano e alemão, nomeadamente.
Nesta última dimensão, tem que concluir-se que uma coisa é publicitar na internet informação sobre o produto e respectivos canais de retalho e outra é a venda directa ao consumidor final pelo canal virtual. No que se refere à importância dada pelos consumidores às marcas no comércio electrónico, os investigadores foram levados a concluir que tal possa resultar da necessidade dos consumidores de recorrerem à marca como indicador próximo dos atributos do produto para os quais lhes falta informação ou cuja informação é difícil de obter. Isso aplicar-se-ia com particular acuidade ao caso dos produtos com atributos sensoriais ou “bens tácteis”.
Infelizmente, a informação sobre o canal electrónico em Portugal é muito escassa. Conhece-se pouco mais do que o perfil do consumidor português do comércio electrónico. Um estudo disponível (Netsonda, 2008) diz-nos que este é maioritariamente masculino (52%), jovem (70,3% dos utilizadores têm entre 25 e 64 anos), detentor de boa formação académica (37,5% possuem o ensino secundário, a que se somam 49% com o ensino superior), urbano (as pequenas, médias e grandes cidades representam 83,5% deles), integrando agregados familiares pequenos (2 ou 3 membros), com um certo nível de rendimento (mais de 60% situam-se no grupo de rendimentos que vai dos 10000 aos 50000 Euros).
Através doutras fontes (por exemplo, Jornal Têxtil, 2009) e de dados referidos a casos particulares, sabemos, também, que, apesar de não estar “imune à crise”, o volume de negócios vem crescendo em cada ano que passa. Curiosamente, um operador deste mercado (Petit Patapon), entrevistado pelo jornal antes referido, sublinha que “A boa cobertura de lojas da marca no mundo físico em Portugal funciona […] como elemento gerador de rácios atípicos de visita/compra” (Jornal Têxtil, 2009, p.6). Dado este que põe evidência a possível complementaridade dos dois canais de distribuição referidos, ao invés de serem pensados como alternativos.
Sendo um espaço de oportunidade para fazer negócios ou alargar mercados, espera-se que brevemente outros dados sobre a realidade do comércio electrónico em Portugal e o perfil dos respectivos utilizadores fiquem disponíveis. A identificação dos consumidores-alvo e o seguimento das tendências da procura nunca deixarão de ser requisitos básicos de sucesso de qualquer negócio.
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J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

segunda-feira, outubro 12, 2009

quinta-feira, outubro 08, 2009

Brasil: "Nordeste ganha portal de notícias econômicas"

«Praias, artesanato, frutos do mar, mas também o maior complexo de produtos químicos e petroquímicos da América Latina, força no segmento de serviços, destaque na produção agrícola. É com a proposta de mostrar o potencial da região Nordeste que entra no ar, hoje dia 8 (às 7:00h), o Tendências e Mercado – Panorama Econômico do Nordeste (http://www.tendenciasemercado.com.br/ ), portal com um olhar diferenciado sobre os aspectos econômicos da região, em sintonia com os negócios presentes no Brasil e no mundo.
Lançado na data em que se comemora o Dia do Nordestino, o Tendências e Mercado possui três raios de atuação: empresas, negócios e finanças, fazendo jornalismo econômico de forma acessível a todos os públicos, por meio de reportagens especiais, entrevistas exclusivas, indicadores financeiros, análise de mercado, além de matérias factuais e artigos de profissionais renomados.
O portal conta ainda com canais dedicados à moda e estilo, saúde e bem-estar, cultura, central de cursos e eventos, central de investimentos, inovação tecnológica, viagens, automóveis e novidades da economia. É um espaço com informações atualizadas, conteúdo especializado e foco em uma região em processo de expansão.
O Tendências e Mercado já nasce comprometido com a responsabilidade social (TM Social) e oferece às Organizações Não-Governamentais (ONGs) do País a oportunidade de apresentarem suas ações, sem nenhum custo, por meio de banners veiculados no portal. A primeira campanha é do Instituto Akatu, que prega o consumo consciente.
Acompanhe também o nosso portal: http://www.tendenciasemercado.com.br/
e nosso twitter: www.twitter.com/tmnoticias
Contatos:
contato@tendenciasemercado.com.br
(82) 3313-9342
(82) 8859-2795
--
Guto Barros Luís Augusto S. Barros
Diretor de Marketing/Planejamento
gutobarros@tendenciasemercado.com.br»

(reprodução de mensagem de correio electrónico entretanto recebida, com a proveniência que se identifica)

quarta-feira, outubro 07, 2009

You have to…

"You have to put in many, many, many tiny efforts that nobody sees or appreciates before you achieve anything worthwhile."

Brian Tracy

(citação extraída de SBANC Newsletter, October 6, 2009, Issue 587-2009, http://www.sbaer.uca.edu/)

segunda-feira, outubro 05, 2009

“Convergence and divergence in welfare state development: an assessment of education policy in OECD countries”

“In this paper, we quantitatively assess education policy change in OECD countries. While research in social policy has shown that convergence in welfare provision can only partially be assessed in OECD countries, it has yet to be assessed to what extent this also concerns the sector of education. By distinguishing educational expenditures, educational governance and educational outputs, we analyze this sector for OECD countries since the 1990s. The paper is structured as follows: We first outline the importance of education and schooling in contemporary social policy. In a second step, we present concepts of convergence and divergence in welfare state development, concluding with assumptions on the state of education policy. In a third step, we present the data and methods used. Afterwards, we track changes in educational expenditures, educational governance and educational outputs. In a concluding section, we compare the findings and outline their significance for research on policy convergence and social policies, as well as for internationalization of education policy. The paper has a mainly empirical aim, contributing to the debate on policy change and convergence in social policy.”

Jakobi, Anja P.
Teltemann, Janna

Date: 2009
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:zbw:sfb597:93&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

sábado, outubro 03, 2009

"Azeite - Produção nacional cresceu 42%"

Azeite - Produção nacional cresceu 42%

(título de artigo, datado de Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009, disponível em Café Portugal)

quinta-feira, outubro 01, 2009

U. E.: evolução dos principais indicadores económicos

Selected Principal European Economic Indicators: http://ec.europa.eu/eurostat/euroindicators

(título de tabela de indicadores económicos disponível no sítio do EUROSTAT)

terça-feira, setembro 29, 2009

"Eu Participo"

"Eu Participo em Braga"

(título de mensagem, datada de Terça-feira, 29 de Setembro de 2009, disponível em Planeamento Territorial)

domingo, setembro 27, 2009

O perfil do consumidor português do comércio electrónico

"O perfil do consumidor português do comércio electrónico (Netsonda, 2008) diz-nos que este é maioritariamente masculino (52%), jovem (70, 3% têm entre 25 e 64 anos), detentor de boa formação académica (37,5% possuem o ensino secundário, a que se somam 49% com o ensino superior), urbano (as pequenas, médias e grandes cidades representam 83,5% deles), integrando agregados familiares pequenos (2 ou 3 membros), com um certo nível de rendimento (mais de 60% situam-se no grupo de rendimentos que vai dos 10000 aos 50000 Euros)."
*
(excerto de comunicação em preparação, intitulada "Comercialização de vinhos de qualidade em nichos de mercado: o consumidor online", da autoria de J. Freitas Santos e J. Cadima Ribeiro)

quinta-feira, setembro 24, 2009

Leadership

"Leadership rests not only upon ability, not only upon capacity; having the capacity to lead is not enough. The leader must be willing to use it. His leadership is then based on truth and character. There must be truth in the purpose and will power in the character."

Vince Lombardi

(citação extraída de SBANC Newsletter, September 22, Issue 586- 2009, http://www.sbaer.uca.edu)

terça-feira, setembro 22, 2009

sábado, setembro 19, 2009

quarta-feira, setembro 16, 2009

"Today's leaders must be partners"

"In the past a leader was a boss. Today's leaders must be partners with their people... they no longer can lead solely based on positional power."

Ken Blanchard

(citação extraída de SBANC Newsletter, September 15, Issue 585-2009, http://www.sbaer.uca.edu/)

segunda-feira, setembro 14, 2009

sexta-feira, setembro 11, 2009

Portugal: principais indicadores

Principais indicadores
População residente
N.º, 2008: 10 627 250
Índice de preços no consumidor
%, Agosto de 2009: -1,3
Taxa de desemprego
%, 2.º Trimestre de 2009: 9,1
Produto interno bruto dados encadeados em volume (B.1*g)
%, 2.º Trimestre de 2009: -3,7

(tabela de indicadores de evolução da poupulação e economia portuguesas disponível nesta data na página de abertura do sítio do INE)

quarta-feira, setembro 09, 2009

"Education at a glance 2009"

Education at a glance 2009

(título de mensagem, datada de Terça-feira, 8 de Setembro de 2009, disponível em Polikê?)

domingo, setembro 06, 2009

quarta-feira, setembro 02, 2009

Seminário 'Hypercluster do Mar - Que Futuro?'

«Bom dia!
A Câmara Municipal de Cascais e a Agência Cascais Atlântico convidam a participar no Seminário ‘Hypercluster do Mar – Que Futuro?’, inserido no evento ‘Green Festival’ que decorrerá de 18 a 25 de Setembro, no Centro de Congressos do Estoril.
Durante o Seminário, que terá lugar no dia 24 de Setembro, dia Mundial do Mar, será dado a conhecer o estudo sobre o Hypercluster da Economia do Mar, elaborado pela SaeR - Sociedade de Avaliação de Empresas de Risco, em conjunto com a Associação Comercial de Lisboa – Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, sob a orientação do Prof. Ernâni Lopes. Trata-se do primeiro estudo sobre a economia do mar em Portugal, num cenário a médio prazo, tendo como objectivo identificar o potencial estratégico da economia do mar, definindo acções concretas, exequíveis e prontas a aplicar, a nível nacional, de modo a que a teoria seja posta em prática.
Para se inscrever ou para obter mais informações sobre o evento, aceda a
[...]
Agência Cascais Atlântico
Complexo Multiserviços, Estrada de Manique nº 1830 2645-550 Alcabideche
Telefone: +351 210995353

(reprodução integral de mensagem de correio electrónico entretanto recebida, com a proveniência que se identifica)

terça-feira, setembro 01, 2009

Mudando de assunto ou talvez nem tanto: o feitiço de um feiticeiro

Já me reportei recentemente, neste “Jornal de Parede” [corrija-se: num outro, vizinho deste], ao efeito que os outdoors podem ter na imaginação das pessoas! E sobre a dedicação das “senhoras”ao nosso querido Sócrates!
Neste fim-de-semana constatei, para meu espanto, que a saga ainda está no início. E que promete até Outubro, até às nossas eleições!...
Não é que o outdoor que colocava o feiticeiro rodeado de jovens senhoras e outras menos jovens que mal se viam foi substituído por outro onde surge apenas o Sócrates (sempre com o e-mail para contacto, que deve deliciar qualquer senhora, mesmo as mais bem intencionadas e até alguns senhores), que quase se confunde com o Brad Pitt!... Confesso que, por momentos, fiquei desatenta da condução do veículo e que na segunda passagem até me pareceu que o homem me estava a tentar enfeitiçar, tal era o seu olhar penetrante! Não me pareceu ver as brancas no cabelo, mas os olhos de sedutor estavam lá e um sorriso que nunca lhe vi antes… Vejam lá os milagres que se conseguem fazer! E continua a dizer “Juntos vamos conseguir”, que me deixa sempre muito embaraçada!...
Quem o convenceu a parecer em tamanho XL, super retocado pelo Photoshop e com um olhar à matador, foi bem esperto(a). Será uma mulher que estará por detrás desta campanha?...
Quer queiramos ou não, o homem ficou bem na fotografia e, claro, a namorada de longa data deve andar muito apreensiva com os resultados que tal ousadia poderá vir a provocar!...
Leonor

sexta-feira, agosto 28, 2009

Memória: o governo em exame

O governo português da actual maioria PSD/PP acabou de completar dois anos em funções, por isso faz sentido fazer um balanço do seu trabalho, como aliás foi feito pelos partidos políticos da oposição e por alguns órgãos de comunicação social. De forma muito abreviada e parcelar é isso que me proponho realizar aqui, pegando em três dos tópicos que mais atenção têm merecido na opinião pública.

1 - Retoma económica e sectores de arranque
Depois de dois anos de recuo do PIB, do emprego e do poder de compra de parcela significativa dos portugueses, este anuncia-se como o ano de início da recuperação. Não pode, de facto, deixar de ser assim na medida em que é expectável a retoma económica do conjunto das economias da União Europeia. Implícitas na afirmação precedente estão a circunstância de Portugal ser uma pequena economia, com um grau actual de abertura muito elevado, e a postura acomodada, seguidista da política económica conduzida pelo governo em funções.
Em expressão do modelo de gestão económica implementado, a retoma só pode, entretanto, ser desencadeada pelos sectores mais expostos ao exterior e onde existem vantagens comparativas melhor consolidadas. Não me surpreenderia, daí, que voltassem a ser a fileira têxtil, o calçado, o sector automóvel e a electrónica os pivôs da recuperação. Haverá que esperar um contributo, igualmente, do sector turístico, mesmo em expressão da promoção do país associada ao Campeonato Europeu de Futebol (EURO 2004).
É óbvio que não é daí que vem o problema. O problema estará na natureza das vantagens competitivas que se pretender potenciar.

2 – Competitividade económica e áreas-chave onde intervir
No meu entender, subsistem duas razões maiores para as limitações de competitividade que se fazem sentir em Portugal: uma, a falta de investimento em educação e qualificação profissional; outra, a cultura empresarial até há pouco dominante em Portugal, falha de arrojo, apostada em explorar os factores tradicionais de competitividade (mão de obra barata, recursos produtivos tradicionais). Quando e onde se investiu em capital humano, quando se esteve perante estratégias empresariais mais esclarecidas, na vertente de organização do trabalho e na componente comercial, a falta de competitividade desvaneceu-se.
A forma de dar a volta ao problema residirá, obviamente, em fazer diferente do que tradicionalmente se fez, conforme sublinho no parágrafo precedente. Para tanto, é preciso reunir os contributos do Estado, dos agentes empresariais e do cidadão comum. O Estado precisa reforçar o seu empenho na educação e qualificação de activos, empresários e trabalhadores, e manter uma estratégia coerente e esclarecida nesta dimensão da sua acção mas, também, em matéria de rumo a procurar para a economia; os empresários precisam assumir-se mais como agentes de mudança, exigindo que os governos cumpram o seu papel na parceria para o desenvolvimento que importa prosseguir (ao invés, de facilitadores de subsídios e cúmplices de momentos de maiores apertos); o cidadão e trabalhador tem que ser mais exigente com os governos e consigo próprio, percebendo-se como contribuinte activo para a mudança social e económica por que anseia.
Em grande medida, tudo se resume a criar uma nova cultura de responsabilidade e estabelecer um projecto de desenvolvimento para o país que não fique devedor de taticismos políticos de ocasião e, colocado num contexto de desafio para o país, seja partilhado por amplos sectores da sociedade portuguesa.

3 – Reforma fiscal e competitividade nacional. De que reforma precisa Portugal?
Em matéria de reformas, o país precisa principalmente, da reforma da eficácia da máquina fiscal e da reforma da postura que sucessivos governos adoptaram em termos de evasão fiscal. O laxismo também se cultiva, e os governos têm dado um contributo inexcedível. A fazer, há que abandonar o discurso da exigência e adoptar a cultura da exigência, começando o Estado (e os governos) por dar o exemplo.
Para além da de atitude, a mais importante reforma a operar é a da organização do Estado, com expressão substantiva na descentralização da máquina do Estado e na regionalização (leia-se: devolução do poder às regiões). O caminho a percorrer é o da reforma de procedimentos e posturas, com acento tónico no diálogo entre os sectores mais dinâmicos da sociedade portuguesa, no sentido de se alcançar um verdadeiro contrato social de progresso.

É, como sublinhei, um balanço muito parcial e liminar o que aqui adianto. Outras áreas se poderia comentar, do défice orçamental à gestão da dívida pública, da produtividade às políticas de desregulamentação do mercado de trabalho, etc. O tom crítico da análise não se alteraria. A parcimónia no uso do espaço não o permite fazer nesta ocasião. Fica a aguardar uma próxima oportunidade!

Braga, 6 de Abril de 2004

J. Cadima Ribeiro

quarta-feira, agosto 26, 2009

To be successful

"To be successful you have to enjoy doing your best while at the same time contributing to something beyond yourself."

Mihaly Csikszentmihalyi

(citação extraída de SBANC Newsletter, August 25, Issue 582- 2009, http://www.sbaer.uca.edu/)

segunda-feira, agosto 24, 2009

Memória: a Educação não é um ramo da Economia

A sociedade portuguesa viu instalar-se nos derradeiros anos um discurso negativo sobre os seus recursos e capacidades. É, de certo modo, o retorno cíclico ao “Velho do Restelo”.
Esse discurso descrente e desencantado tem interpretes em múltiplos sectores da sociedade mas parece ter penetrado mais fundo no sector da educação, incluindo o ensino superior. Curiosamente, ou talvez não, os estudantes e os seus representantes associativos encontram-se entre os seus maiores cultores. A rivalizar com eles sugere-se quase só o discurso governamental, falho de convicção e amarrado a grupos de interesses que não vêem no ensino e na formação senão o negócio.
São pedras de toque da mensagem da desgraça, especialmente:
i) a suposta degradação da qualidade do ensino superior oferecido (com ênfase maior no ensino público);
ii) a perda de pertinência da formação ministrada face às solicitações do mercado de trabalho (vulgo empresas);
iii) a culpabilização dos professores e da autonomia das instituições pela proliferação de cursos que não oferecem perspectivas de saída profissional aos seus diplomados.
Colocadas num contexto geral de reflexão sobre a evolução e futuro da formação graduada e pós-graduada, estas questões têm merecido a atenção de diversas instâncias nacionais e internacionais. Para reter um desses documentos, menciono aqui o relatório da UNESCO sobre “Higher Education in the Twenty-first Century: Challenges and Tasks Viewed in the Light of the Regional Conferences” (World Conference on Higher Education, Paris, Outubro de 1998).
Recomendando vivamente aos interessados a leitura do citado documento, de forma sumária não queria deixar de dar aqui o meu testemunho sobre as questões mencionadas.
1. Quem, como eu, acedeu ao ensino superior universitário na fase de transição do ensino elitista do início dos anos 70 para o ensino massificado do pós-25 de Abril e, posteriormente, na condição de docente, viveu a euforia da expansão do sistema universitário nos anos 80 e 90 do século XX, não pode deixar de ficar perplexo com o simplismo do discurso sobre o ensino superior em Portugal.
Se bem que não se possa esperar dos estudantes que frequentam actualmente as instituições uma “memória” dos progressos realizados, pode-se-lhes pedir a honestidade intelectual de evitarem afirmações infundadas ou não suportados pelos factos que assistem à configuração presente do sistema de ensino superior. Para falar daquilo que conheço bem, deixo aqui apenas 2 números: quando ingressei como docente no começo dos anos 80, a minha Escola/Faculdade tinha um corpo de 3 doutores; hoje tem 50, e dentro de um ano e meio deverá contar com 60. No mesmo contexto de testemunho pessoal podia reportar-me às instalações, ao equipamento informático, aos serviços de apoio, etc.
2. Há quem pretenda confundir Educação e Economia. Conforme o sublinha o documento da UNESCO já identificado, “a Educação não é um ramo da Economia, nem o processo educativo, os seus propósitos últimos ou os seus resultados ou ‘produção’ são comparáveis aos da Economia” (UNESCO, 1998, p.3). E continua, é, antes, “um sector essencial da sociedade e uma condição da existência social”
Naturalmente que a formação universitária deverá também formar técnicos, que sirvam as empresas, que sirvam a sociedade. Mas são, deverão ser, as licenciaturas assimiladas simplesmente a cursos de formação profissional? E porquê então subsistem sistemas de ensino universitário, politécnico, de formação profissional?
Obviamente que a sociedade do presente, a sociedade do conhecimento, e o ritmo das rupturas tecnológicas e organizacionais impõem um outro projecto de Universidade e um outro modelo de parceria entre a universidade e a economia. Isto porque o conhecimento cria-se, crescentemente, através da acção e uma nova partilha de tarefas se institue entre investigação fundamental, investigação aplicada, inovação e transferência, e porque, nesse contexto (que só parcialmente é ainda o do presente), a formação não estará mais a montante da investigação. Mas quem é que em Portugal já encarou seriamente isso? Que políticas activas estão esboçadas para aproximar o presente do futuro?
3. É recorrente o discurso culpabilizando os professores e a gestão universitária pública pela frustação dos estudantes em matéria de saídas profissionais, e, antes disso, pelo insucesso escolar. Isso tem servido de pretexto para atingir fortemente a autonomia das instituições de ensino público consagrada nas leis que a essa matéria se referem, publicadas nos anos 80. Nesta vertente, convergem o discurso dos estudantes, de alguns sectores empresariais e o dos governos (o presente e os anteriores, de iniciativa do PS).
O discurso é de tal modo desqualificado e demagógico que se emaranha nas suas próprias contradições. Para sublinhar algumas dessas contradições, deixemos algumas perguntas de resposta óbvia: i) quem permitiu a inúmeras instituições privadas operar como instituições de ensino superior e quem autorizou o funcionamento dos respectivos cursos? ii) quem regula as condições de acesso e define os contingentes de alunos que ingressam no sistema público? quem é que veio reclamar a necessidade de regular a criação de cursos superiores quando o mercado já dispensava essa intervenção reguladora?
As considerações que antes deixo pretendem dar conta da complexidade do que está em causa. Antes disso, porém, visam sublinhar que não é matéria onde o discurso fácil e a demagogia devam ser incentivados. Infelizmente, o que se tem visto em Portugal é o rigoroso contraponto do que aqui enuncio.
J. Cadima Ribeiro

(Braga, 2 de Dezembro de 2003)

sexta-feira, agosto 21, 2009

Síntese Económica de Conjuntura - Julho de 2009

"A Síntese Económica de Conjuntura é uma publicação de acompanhamento da conjuntura destinada a quem necessita de indicações seguras acerca das tendências do crescimento da procura, da produção, do rendimento e dos preços. Contém informação actualizada e apresentada de modo a permitir avaliar o estado da economia no momento da análise e antever a sua evolução provável a curto prazo. Esta análise é suportada por um conjunto de quadros e gráficos dos principais indicadores que são complementados por diversos outros relativos à evolução da produção, da procura, do emprego e dos preços na União Europeia, Estados Unidos e Japão."
*
(resumo de "Síntese Económica de Conjuntura - Julho de 2009", disponível nesta data em INE)

terça-feira, agosto 18, 2009

Cardinal sins

"In life and business, there are two cardinal sins. The first is to act precipitously without thought and the second is to not act at all."

Carl Icahn

(citação extraída de SBANC Newsletter, August 18, 2009, Issue 581-2009, http://www.sbaer.uca.edu/)

sexta-feira, agosto 14, 2009

"Euro area GDP down by 0.1% and EU27 GDP down by 0.3%"

«GDP declined by 0.1% in the euro area1 (EA16) and by 0.3% in the EU271 during the second quarter of 2009, compared with the previous quarter, according to flash estimates published by Eurostat, the Statistical Office of the European Communities. In the first quarter of 2009, growth rates were -2.5% in the euro area and -2.4% in the EU27.
Compared with the same quarter of the previous year, seasonally adjusted GDP decreased by 4.6% in the euro area and by 4.8% in the EU27 in the second quarter of 2009, after -4.9% and -4.7% respectively in the previous quarter.
During the second quarter of 2009, US GDP decreased by 0.3% compared with the previous quarter, after -1.6% in the first quarter. US GDP decreased by 3.9% compared with the same quarter of the previous year (-3.3% in the previous quarter).»
*
(excerto de EUROSTAT News Release, 117/2009 - 13 August 2009)

quinta-feira, agosto 13, 2009

terça-feira, agosto 11, 2009

“Fiscal behaviour in the European Union: rules, fiscal decentralization and government indebtedness”

“We assess the fiscal behaviour in the European Union countries for the period 1990-2005 via the responsiveness of budget balances to several determinants. The results show that the existence of effective fiscal rules, the degree of public spending decentralization, and the electoral cycle can impinge on the country’s fiscal position. Furthermore, the results also support the responsiveness of primary balances to government indebtedness.”

António Afonso (Technical University of Lisbon, Department of Economics; UECE,Research Unit on Complexity and Economics, R. Miguel Lupi 20, 1249-078 Lisbon, Portugal.)
Sebastian Hauptmeier (European Central Bank, Kaiserstrasse 29, D-60311 Frankfurt am Main, Germany.)

Date: 2009-05
Keywords: fiscal regimes, fiscal rules, fiscal decentralization, European Union, panel Data.
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:ecb:ecbwps:20091054&r=pbe

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

domingo, agosto 09, 2009

quinta-feira, agosto 06, 2009

IV CER

Convite à Apresentação de Resumos

A SPER e a Universidade de Aveiro têm o prazer de anunciar que está aberto o prazo para a recepção de resumos para o IV CER.

Os resumos serão aceites até ao dia 20 de Setembro de 2009, para as seguintes Áreas Temáticas:
1. Agricultura, Produtos Locais e Desenvolvimento Rural
2. Turismo, Património e Desenvolvimento Rural
3. Políticas e Programas de Desenvolvimento Rural
4. Planeamento do Território e Desenvolvimento Rural
5. Actores, Dinâmicas Locais e Inovação em Meio Rural

Os resumos deverão ser enviados por email para ivcer@csjp.ua.pt e obdecer ao seguinte formato:
Estrutura das páginas:
Margem superior 2.5 cm
Margem inferior 2.5 cm
Margem esquerda: 3 cm
Margem direita: 2.5 cm.
Estrutura do texto:
• Identificação da Área Temática
Topo da página, Arial, 10, negrito
• Título:
Arial, 14, Negrito
Espaçamento do parágrafo: antes 0pt; depois 12 pt.
• Identificação dos autores
a) Nome, Sobrenome: Arial, 11, negrito
b) Instituição, contactos e email: Arial, 10.
Espaçamento do parágrafo: antes 0pt; depois 0pt
• Corpo do texto:
500 palavras (valor máximo): Arial, 11, normal, justificado
Espaçamento entre linhas: 1.5pt
Espaçamento do parágrafo: antes 6pt; depois 6pt.

Os autores serão informados da decisão de aceitação dos resumos por parte da Comissão Científica, até ao dia 10 de Outubro de 2009, devendo posteriormente remeter os textos completos da comunicação até ao dia 15 de Dezembro de 2009.
Os resumos serão publicados no Livro de Resumos do IV CER e os textos completos em Cdrom.
Prevê‐se a possibilidade de publicação em livro de alguns textos seleccionados, em data posterior ao Congresso.
As inscrições no IV CER poderão ser feitas, a preço mais reduzido, até ao dia 30 de Outubro de 2009. Brevemente serão divulgados os preços, ficha de inscrição e formas de pagamento, bem como outras informações relevantes.
Esperamos contar com a sua participação!

Comissão Organizadora:
Direcção da SPER Universidade de Aveiro
Luís Moreno Elisabete Figueiredo
Orlando Simões Elisabeth Kastenholz
Ana Novais Mª Celeste Eusébio
Elisabete Figueiredo Mª Cristina Sousa Gomes
Paulo de Carvalho Tomás Mª João Carneiro
Orlando Rodrigues Sandra Valente
Paulo Batista

Comissão Científica:
Aida Valadas de Lima – Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa
António Covas – Universidade do Algarve
Artur Cristóvão – Universidade de Trás‐os‐Montes e Alto Douro
Artur da Rosa Pires –Universidade de Aveiro
Carminda Cavaco – Universidade de Lisboa
Carlos Costa – Universidade de Aveiro
Celeste Coelho – Universidade de Aveiro
Fernando Oliveira Baptista – Instituto Superior de Agronomia
Isabel Dinis – Escola Superior Agrária de Coimbra
Isabel Rodrigo – Instituto Superior de Agronomia
João Luís Fernandes – Universidade de Coimbra
J. Cadima Ribeiro – Universidade do Minho
José Portela ‐ Universidade de Trás‐os‐Montes e Alto Douro
Manuel Belo Moreira – Instituto Superior de Agronomia
Maria Luís Pinto – Universidade de Aveiro
Pedro Hespanha – Universidade de Coimbra
Renato Miguel do Carmo – Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES/ISCTE)
Teresa Pinto Correia – Universidade de Évora
Xerardo Pérez – Universidade de Trás‐os‐Montes e Alto Douro

quarta-feira, agosto 05, 2009

"Academic politics"

“The Internal Politics of Journal Editing”

(título de mensagem, datada de Quarta-feira, 5 de Agosto de 2009, disponível em Universidade Alternativa)

segunda-feira, agosto 03, 2009

"Vinho tinto previne infecções"

"Uma equipa de cientistas de Glasgow anunciou que vinho tinto previne infecções. O dito, além de ter dado de comer a um milhão de portugueses, foi, afinal, o fundador do Serviço Nacional de Saúde!"

Adelino Maltez

(excerto de mensagem, datada de 2009/08/03, intitulada "As metáforas de Cavaco, o regresso do tintol e as genealogias politiqueiras", disponível em Sobre o tempo que passa)

sexta-feira, julho 31, 2009

“Outsourcing And Public Sector Efficiency: How Effective Is Outsourcing In Dealing With Impure Public Goods? ”

“The debate on new public management, together with the shortage of public funds, has had a considerable impact on public administration. Accordingly, many governments have searched positive impacts on the efficiency, equity and quality provision of public services through increasing competition and active participation of the private sector, considering outsourcing as the appropriate instrument to attain such endeavor. However, private involvement in public services provision is controversial. While, on the one hand it is touted as a way to increase efficiency and accountability by turning over choices to individuals in the market place, on the other hand, some argue that it has the potential to produce considerable fraud and corruption if managerial control by the public sector is weak. So, given this context, we aim to assess the private involvement in public services in efficiency terms, putting aside ideological considerations. So, after the introduction, we present a definition of public goods and we characterize their different types, with particular emphasis on “impure” public goods. Section 3, focuses on market failures together with equity considerations as the main reasons that configure the role of the public sector in providing impure public goods, as well as on the possibility of government failures. Section 4 deals with the benefits and costs of outsourcing in the public sector. Section 5 describes the most frequent forms of private sector involvement in the provision of impure public goods, as well as the advantages and disadvantages of the different options. Section 6 carries out some comments on the need for regulation. Finally, section 7 concludes.”

Argentino Pessoa (Faculdade de Economia da Universidade do Porto, Portugal)

Date: 2009-07
Keywords: Contracting out, impure public goods, market/government failures, private sector involvement, public sector
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:por:fepwps:329&r=pbe


(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

quinta-feira, julho 30, 2009

Portuguese Journal of Marketing

«PORTUGUESE JOURNAL OF MARKETING number 24 is now available on rpmonline - http://www.rpm.pt/

This new number presents the following papers:
1. Relationship Marketing: concepts and Challenges.
2. The Potention of Relational Marketing in Portuguese Companies.
3. The Roots of Impulse Versus Planned Purchase Tendency in Consumer´s Personality.
4. Adaptive Selling and Successful Salesforce .
5. Gender Materialism in Portugal
6. New Trends in Tourism: Solidarity Travels.

Enjoy our free subscribing on www.rpm.pt/assinar.aspx»
*
(reprodução de mensagem de correio electrónico recebida em 2009/07/29, proveniente da entidade identificada)

quarta-feira, julho 29, 2009

When defeat comes …

"When defeat comes, accept it as a signal that your plans are not sound, rebuild those plans, and set sail once more toward your coveted goal."

Napoleon Hill

(citação extraída de SBANC Newsletter, July 28, Issue 578- 2009, http://www.sbaer.uca.edu/)

sexta-feira, julho 24, 2009

"Estes economistas para quê?"

*
(título de mensagem, datada de Quarta-feira, 22 de Julho de 2009, disponível em Ladrões de Bicicletas)

terça-feira, julho 21, 2009

segunda-feira, julho 13, 2009

O défice comercial português

Os números são mais complexos do que parecem...

(título de mensagem, datada de Quinta-feira, 9 de Julho de 2009, disponível em Ladrões de Bicicletas)

sexta-feira, julho 10, 2009

Índice de Desenvolvimento Regional: a posição de Leiria

1. No final do mês de Maio pp. o INE (Instituto Nacional de Estatística) e o DPP (Departamento de Prospectiva e Planeamento do MAOTDR) apresentaram em Lisboa o seu “Índice Sintético de Desenvolvimento Regional” (ISDR) reportado aos anos de 2004 e de 2006. As unidades de análise retidas foram as NUTs III (Nomenclatura das Unidades Territoriais para fins estatísticos de nível III), resultando daí um retrato da situação do país em matéria de desenvolvimento regional bastante desagregado e elucidativo das diferenças existentes. Tal análise retrata de forma muito mais fidedigna a realidade socioeconómica de cada município que diagnósticos que procuram atingir esse objectivo partindo da posição do país ou de unidades estatísticas de nível II, espaços genericamente coincidentes com as áreas de intervenção das CCDRs (Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional).
2. Leiria integra-se na NUT III denominada Pinhal Litoral e, para minha surpresa, este território era o que, no ano de 2006, apresentava melhor desempenho no índice identificado logo a seguir a Lisboa e à frente do Baixo Vouga (Aveiro). Para o referido ano, reduziam-se a 4 as NUTs III que apresentavam um ISDR superior à média do país. Como se entenderá, esta média é fortemente condicionada pelos resultados de Lisboa. A outra NUT III que integrava este “pelotão da frente” era a Beira Interior Sul, porventura uma situação ainda mais surpreendente se tivermos em conta a sua posição geográfica no interior do país, junto à fronteira. Neste caso, os dados só muito ligeiramente a distinguiam da média nacional. Por contrapartida, na base da escala encontravam-se o Tâmega, em último lugar, logo seguido pelos Açores, pelo Alto Trás-os-Montes e pelo Douro.
3. O ISDR foi construído a partir da consideração de 3 componentes; a saber: a competitividade, aproximada por uma carteira de indicadores que supostamente contribuem para ela ou a retratam; a coesão territorial, construída de idêntico modo; e a qualidade ambiental, que tenta captar a qualidade do crescimento urbano, a produção de resíduos diversos, a qualidade da água disponível para consumo humano, entre outros indicadores ambientais. Destes índices parciais, aquele em que o Pinhal Litoral aparece melhor classificado é o da coesão, onde surge na 3ª posição, e no que regista pior desempenho, talvez esperado, é o da qualidade ambiental, onde não vai além da 21ª posição entre as 30 unidades de análise retidas. Não sendo brilhante, na componente competitividade situa-se numa posição relativa melhor, a 10ª. Esta posição, até por configurar um desempenho abaixo da média nacional, denuncia alguns dos problemas com que se confronta o seu tecido produtivo. Mais uma vez, este dado é em grande medida marcado pelo desempenho de Lisboa, que se distingue de forma bem evidente do restante país. Disso fala o crescimento que a Área Metropolitana de Lisboa beneficiou no período pós-adesão à Comunidade Europeia, que a levou a ter tratamento diferenciado das restantes parcelas do território nacional em matéria de acesso a fundos estruturais já no QCA III.
4. Estes índices são medidas relativas; valem o que valem. A carteira de indicadores usada é uma peça essencial da qualidade do índice. Sendo um dado relativo, permite no entanto que nos situemos por referência aos demais e, a partir dessa comparação, inferir algumas das dimensões do que são os nossos pontes fortes e fracos, e partir daí para a definição de trajectórias de correcção de debilidades.
5. O bom desempenho global apresentado pelo Pinhal de Litoral, e, portanto, de Leiria, definida num sentido alargado, pode fazer-nos pensar que pouco há que corrigir. Não mantenho essa perspectiva, conhecido que é o mau desempenho global do país ao longo da presente década. Sabidos que são os défices existentes de concertação estratégica e de liderança, para os quais tenho chamado a atenção em variadas ocasiões, os dados do ISDR aqui reportados dizem-nos, pelo menos, que a prestação de Leiria e do território envolvente podiam ser significativamente melhores se tais lacunas fossem olhadas de outro maneira. Quero dizer, longe de olharmos com regozijo para os dados que o Pinhal Litoral apresenta neste índice, importaria que tomássemos consciência do potencial de oportunidade que, neste território, tem ficado por aproveitar em razão da incapacidade que tem persistido de pensar colectivamente a respectiva estratégia e de prosseguir caminhos concertados entre os seus principais actores económicos e políticos.
J. Cadima Ribeiro
*
(artigo de opinião publicado na edição de 09/07/09 do Jornal de Leiria)

quarta-feira, julho 08, 2009

terça-feira, julho 07, 2009

“Paying for the liberal state: the rise of public finance in nineteenth century Europe”

“Public finance is a major feature of the development of modern European societies, and it is at the heart of the definition of the nature of political regimes. Public finance is also a most relevant issue in the understanding of the constraints and possibilities of economic development. This paper is about the rise and development of taxation systems, expenditure programs, and dept regimes in Europe from the early nineteenth century to the beginning of World War I. Its main purpose is to describe and explain the process by which financial resources were raised and managed. We analyse nine countries or empires that are considered highly representative of the widest European experience on the matter and discuss whether there are any common patterns in the way the different European states responded to the need for raising additional resources to pay for the new tasks they were performing.”

José Luis Cardoso
Pedro Lains

Date: 2009-06
Keywords: Nineteenth Century Europe, Governments, Public finances, Taxation,
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:cte:whrepe:wp09-03&r=pbe

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

quinta-feira, julho 02, 2009

O Litoral e o Interior

Jornal de Leiria
Resposta às questões colocadas pela jornalista Mª Anabela Silva, em 09/06/30
1 - Se entre o Litoral e a fronteira são pouco mais de 100 quilómetros, porque é que há uma diferença tão acentuada entre o Litoral e o Interior?
R: Em termos remotos, a rarefacção de populações nas zonas raianas (raia seca, sobretudo), foi um dos resultados da conflitualidade histórica existente entre o Reino de Portugal e o de Castela e Leão. Viver de costas voltadas era criar uma barreira em matéria de povoamento, dotação de infra-estruturas e de oportunidades de emprego e de desenvolvimento desses territórios.
Mais tarde, em função da orientação para o mar do país, da respectiva abertura económica ao exterior tomando o mar como principal canal comercial e de relação, esse efeito tendeu a aprofundar-se. Mais recentemente, a dotação de infra-estruturas e serviços, a criação de emprego público e privado, uma política suportada na ideia da concentração de esforços nas zonas em que supostamente mais proveito se poderia retirar dos investimentos a fazer, por força das economias externas e de escala existentes, ditou em grande medida a situação a que chegámos.
A lógica política também ajudou: investe-se onde há votantes na esperança de que estes retribuam a “atenção” dos governos. Quem não tem poder eleitoral não conta. O círculo vicioso da pobreza e da desertificação do “interior” vai-se auto-alimentando. Um exemplo bem vivo desta lógica de fazer política foi o encerramento de maternidades e de outros serviços de saúde em diversas regiões do país: encerraram-se serviços com o argumento do insuficiente número de utentes; uma vez encerrados estes e outros serviços, restará às populações abandonadas à sua sorte procurarem esses mesmos serviços nos principais centros urbanos do litoral.

2 - O que pode ser feito para esbater as diferenças entre o Interior e o Litoral?
Uma coisa básica que se pode fazer é assumir o princípio da solidariedade interterritorial, isto é, à semelhança do que os países da União Europeia fazem para com os países economicamente mais frágeis da União, transferir recursos e apoios ao desenvolvimento para estas regiões. Isso faz-se, por exemplo, invertendo a lógica de desqualificação dos serviços e infra-estruturas destes territórios. Faz-se, também e sobretudo, através do reforço da dotação de serviços e da atractividade de alguns centros urbanos do interior, estrategicamente posicionados. Faz-se, por outro lado, olhando para os recursos e capacidades endógenas desses lugares e pensando o respectivo desenvolvimento a partir do aproveitamento desses recursos e competências, ao invés de olhar para eles como desertos ou lugares que, para se desenvolveram, só lhes resta imitar o modelo económico doutros lugares, no nosso caso, do litoral.

3 - Que mais-valias/vantagens poder ter o interior?
Como deixo dito, o interior tem recursos mais ou menos abundantes que podem ser aproveitados e valorizados em matéria de desenvolvimento, desde o património cultural (monumental e imaterial) aos espaços naturais, desde produtos agrícolas singulares aos recursos do subsolo. Nalguns casos, tem até tradição industrial e alguma capacidade financeira associada às remessas da emigração. É a partir daqui que se pode pensar o desenvolvimento. A política de cidades e uma infra-estruturação consequente farão outra parte.
Acresce que hoje em dia, quando a comunicação e o comércio tomam sobretudo o caminho do centro da Europa, estar no interior ou na fronteira não é um elemento penalizador. Pelo contrário, é uma oportunidade de acesso a mercados mais alargados que os locais/regionais, é a vantagem da vizinhança com populações/visitantes potenciais de “fora de portas”. É a oportunidade de ver valorizado em termos económicos territórios menos desordenados e mais preservados na sua autenticidade que outros que, em nome do desenvolvimento, se deixaram descaracterizar.

Évora, 30 de Junho de 2009

J. Cadima Ribeiro

segunda-feira, junho 29, 2009

Redes estratégicas

Laboratório:
Dinâmica de rede

(título de mensagem, datada de 28 de Junho de 2009, disponível em Empreender)

terça-feira, junho 23, 2009

Resultados da avaliação pela FCT das unidades de I&D: Economia e Gestão

Aqui fica a ligação activa para o sítio da FCT onde se pode aceder à avaliação de todas as unidades de investigação, nomeadamente das de Economia e Gestão, cujos resultados só agora foram publicitados:

http://www.fct.mctes.pt/unidades/08/?p=1

Aproveito também para deixar votos de um Bom S. João para os o que sejam apreciadores, o que não é o meu caso!
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J. Cadima Ribeiro

quarta-feira, junho 17, 2009

5ª Conferência do Banco de Portugal "Desenvolvimento Económico Português no Espaço Europeu"

«Caro Professor,
Está em curso o Convite à Apresentação de Comunicações para a 5ª Conferência do Banco de Portugal sobre o Desenvolvimento Económico Português no Espaço Europeu, a realizar no 2º Trimestre de 2010.
A conferência tem como objectivo incentivar economistas portugueses a reflectirem sobre os desafios do desenvolvimento económico em Portugal. Para além de reflexões de grande rigor técnico, pretende-se que os estudos apresentados sejam úteis do ponto de vista de política económica, devendo ter um carácter aplicado e considerando Portugal como case study.
O período para apresentação de comunicações decorre até ao dia 30 de Junho e toda a informação relativa à Conferência poderá ser consultada em
Com os melhores cumprimentos,
Mário Centeno»
*
(reprodução integral de mensagem electrónica recebida, reencaminhada por: NIPE)

terça-feira, junho 16, 2009

Construir respostas a partir dos recursos e competências dos territórios: a comercialização de vinhos pela internet

1. Os recursos são a base da actividade económica. Alguns territórios podem apresentar-se bem dotados de recursos e carecerem de competências. As competências exprimem-se na capacidade de combinar os recursos para deles tirar utilidade ou proveito. O desenvolvimento da actividade económica, requer a combinação e a coordenação eficiente dos recursos existentes nos territórios.
Num momento em que a economia portuguesa vem atravessando um período de profunda crise e indecisão sobre as bases em que vai construir o seu futuro, parece-me oportuno trazer aqui estas notas sobre as bases do desenvolvimento dos territórios e, logo, do país. Nos parágrafos seguintes procura-se sublinhar a existência de oportunidades e de vias para o seu aproveitamento que ou não têm sido consideradas ou têm sido subaproveitadas. O caso que se invoca é o dos vinhos de qualidade, aqui convocados no contexto do questionamento das virtualidades do recurso a novos canais de distribuição.
2. Nas últimas duas décadas emergiu um número crescente de empresas portuguesas que vêm produzindo e vendendo vinho de elevada qualidade para o mercado externo. O sucesso destas firmas, orientadas para os principais mercados de vinhos e fazendo uso dos canais de retalho tradicionais, é facilitado pelas especificidades regionais. Algumas dessas firmas estão a evoluir desta aproximação clássica para uma nova que consiste na exploração de nichos de mercado. O mercado “em linha” (online) é um nicho que as empresas precisam de visar.
A indústria do vinho pode ser segmentada em função de variados atributos. Esses atributos podem ter natureza intrínseca ou extrínseca. Elementos distintivos básicos dos vinhos são a região de origem e a cor. A atractividade de um nicho de mercado depende de vários aspectos, que vão da dimensão do mercado e poder de compra dos consumidores ao interesse demonstrado por parte dos concorrentes.
3. Para alguns consumidores, a aquisição através do canal electrónico tornou-se parte da respectiva vida diária. Nos Estados Unidos da América (EUA), por exemplo, o número de indivíduos que usava a internet para comprar e vender bens e serviços atingia já mais de 17 milhões no final do ano de 2001. O desenvolvimento da internet levou muitas empresas a procurar tirar vantagem deste novo canal de distribuição. Em todo o caso, vender livros ou CDs “em linha” ou vender doces, frutas ou mobiliário não é a mesma coisa.
4. Não havendo dados para Portugal sobre o perfil do comprador de vinhos que usa o canal electrónico, esses dados existem para os EUA. Dos resultados disponíveis para este mercado, um primeiro elemento a reter refere-se ao número de respondentes a um inquérito que consomem vinho regularmente (53,5%). Em contraste, o mercado electrónico revelou-se bastante pequeno: somente 17,2% dos consumidores de vinho recorria a esse canal de comercialização. A variedade de fontes de informação usadas pelos consumidores merece também atenção, sendo que os retalhistas gozam de uma clara supremacia, com quase 30% (29,6%) das visitas. Este dado é consistente com a ideia de que subsiste uma clara diferença entre usar a internet para obter informação sobre produtos e usá-la como principal canal de compra ou canal alternativo aos tradicionais.
5. Informação igualmente interessante foi obtida através de um inquérito conduzido junto dos autores dos blogues temáticos de vinhos. Uma primeira indicação reporta-se ao género: 70,7% dos respondentes foram homens. Uma segunda informação reporta-se à presença menor de indivíduos jovens entre os autores de blogues sobre vinhos. Jovens ou menos jovens, os autores de blogues são, em geral, gente possuindo altos níveis de rendimento e detentora de elevadas qualificações académicas. Isto pressupõe que se trata de consumidores bem informados, capazes de sustentar um certo nível de consumo. Cruzando este dado com aquele que nos dizia que a internet deveria ser tomada como um canal de aquisição de vinhos complementar, uma estratégia que os operadores do mercado electrónico podem explorar residirá na aposta nos catálogos de vinhos difíceis de encontrar e de muito elevada qualidade.
6. Concluindo: no respeitante à comercialização pela internet de vinhos, os resultados a que tivemos acesso confirmam que esse canal é apropriado para comercializar vinho, mesmo se não é considerado pelos consumidores como alternativo aos canais tradicionais. Perseguindo a meta de ver crescer esse mercado, importa implementar esquemas logísticos bem lubrificados e melhorar a confiança entre vendedores e consumidores. Para alcançar esse objectivo, parece ser necessário estabelecer algum nível de colaboração dos produtores e/ou retalhistas localizados na mesma área.
7. Cremos ter ficado claro que os territórios são uma fonte inquestionável de recursos e que, quando considerados a partir das suas potencialidades, não será difícil descortinar neles oportunidades de índole económica. As novas tecnologias de informação e comunicação mostram ter um papel essencial a desempenhar, quer na componente promoção quer na da comercialização.
J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

segunda-feira, junho 15, 2009

"Chamada de artigos - Revista História e Economia"

«Prezado Professor,
Temos a satisfação de lhe informar que a 4ª publicação da revista: "História e Economia", Revista Interdisciplinar do Instituto de História e Economia, encontra-se gratuitamente disponível no site http://www.bbs.edu.br/institutobbs.asp
Solicitamos artigos para o 5ª volume da revista, que tem a publicação prevista para o final do primeiro semestre de 2009.
A Revista dedica-se à publicação de artigos nas áreas de História Econômica, História Financeira, e História das Idéias Econômicas. Publicamos somente textos originais, aceitando em casos especiais, a publicação simultânea em revista estrangeira.Recebemos artigos em português, inglês, espanhol ou francês.
Os artigos poderão ser referentes a quaisquer países ou regiões. Todos os artigos serão publicados no idioma em que foram escritos
O conselho editorial da revista é composto pelos seguintes profissionais:
§ Adalton Franciozo Diniz – Mackenzie
§ André Villela – EPGE/FGV
§ Antônio Penalves Rocha- USP
§ Carlos Eduardo Carvalho – PUC/SP
§ Carlos Gabriel Guimarães - UFF
§ Flavio Saes – USP
§ Gail Triner - Rutgers University
§ Jaime Reis – ICS - Universidade de Lisboa
§ John Schulz – BBS
§ Jonathan B. Wight – University of Richmond
§ José Luis Cardoso –ISEG - Universidade Técnica de Lisboa
§ Marcos Cintra - Unicamp
§ Pedro Carvalho de Mello – ESALQ
§ Renato Leite Marcondes - USP/Ribeirão Preto
§ Ricardo Feijó – USP/Ribeirão Preto
§ Steven Topik – University of California Irvine
§ Vitoria Saddi – JP Morgan Chase

Para maiores informações, favor entrar em contato com Rafael Balan Zappia
Telefone: 3266-2586
E-mail: he@bbs.edu.br
Endereço: Alameda Santos, 745 – 1º andar.
CEP: 01419-001 – São Paulo – SP
Atenciosamente,

Conselho Editorial»

(reprodução de mensagem de correio electrónico entretanto recebida, com a proveniência que se identifica)

Subsiste uma clara diferença entre usar a internet para obter informação e usá-la como principal canal de compra

Subsiste uma clara diferença entre usar a internet para obter informação e usá-la como principal canal de compra

(título de mensagem, datada de hoje, disponível em Planeamento Territorial)

quarta-feira, junho 10, 2009

Apresentação de livro: "[...] 500 anos de emigração galega a Lisboa"

«O Centro de Estudos Galegos da Universidade do Minho tem o prazer de informar da seguinte actividade:
Inauguração da exposição e apresentação do livro e do documentário: História de uma emigração difusa. 500 anos de emigração galega a Lisboa, da autoria de Xan Leira.

Lugar: Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva
Dia: 17 de Junho
Hora: 18h

Com os melhores cumprimentos,
Inês Rodo Montes
Centro de Estudos Galegos - ILCH
Universidade do Minho»

(reprodução integral de mensagem distribuída entretanto na rede electrónica da UMinho, com a proveniência identificada)

segunda-feira, junho 08, 2009

"O PS sofreu hoje uma grande derrota": não foi nada que não merecesse

"O PS sofreu hoje uma grande derrota: primeiro com a elevadíssima abstenção, depois com a constatação de que as sondagens estavam erradas. Apesar de esperada uma descida substancial em relação a 2004, os 26,6% são um resultado fraquíssimo e os cerca de 5% de distância em relação ao PSD serão, concerteza, muito difíceis de digerir.
Por outro lado, o PSD foi incapaz de aproveitar o descalabro socialista e, apesar de ser o partido mais votado, não é, nem de perto de longe, o vencedor da noite eleitoral [...]"
João Martinho
*
(excerto de mensagem, datada de 2009/06/07, intitulada A vitória, nestes casos, é de quem a apanhar, disponível em Avenida Central)

terça-feira, junho 02, 2009

Reflexões sobre a alteração do modelo económico-social português

Desde há uma série de anos discute-se quase permanente sobre a necessidade de mudar o modelo económico-social em Portugal. As razões invocadas para justificar tal necessidade advêm da escassa capacidade do actual modelo para garantir níveis sustentáveis de crescimento económico, com capacidade para gerar riqueza e emprego, e para acomodar as variações cíclicas da actividade económica. O debate sobre o assunto tem sido amplo e diversificado, mas também disperso e pouco qualificado. A falta de concretização tem conduzido a resultados magros em termos teóricos e a inação em termos práticos.
Um modelo económico é uma síntese da realidade, que tenciona reflectir de forma simplificada os comportamentos e as inter-relações entre os diferentes agentes económicos, no âmbito da produção, do investimento e do consumo. Um modelo económico-social amplia o espectro do modelo económico, ao incorporar não só as transacções de carácter económico, mas também as de carácter social, incluindo, inclusivamente, aquelas sem qualquer tipo de contraprestação económica. Em economia política estudam-se habitualmente três tipos de modelos económicos: a economia de mercado, a economia dirigida e a economia mista.
A economia portuguesa é, como a maioria das economias industrializadas, uma economia mista, onde o sector privado e o público convivem com a finalidade de gerar e distribuir riqueza, respectivamente. Em termos latos, o debate sobre a alteração do modelo económico deveria apenas concentrar-se sobre o papel atribuído às esferas privada e pública da economia e, portanto, sobre o seu protagonismo no sistema económico. Em termos mais específicos, a reflexão deveria centrar-se na potencial mudança do modelo produtivo e na alteração do papel do Estado na economia. Obviamente ambos os níveis de discussão afectam lógicas sobrepostas, razão pela qual, tratar de isolar os debates não parece a estratégia mais razoável para melhorar a eficácia do sistema.
A primeira questão a resolver é determinar quais as funções a desempenhar pelo Estado na economia, definindo-se por exclusão as que devem ser executadas por privados. Neste sentido convém pôr de lado os preconceitos sobre este assunto, dado que economias nas que o Estado tem um peso muito significativo (nomeadamente pela grande generosidade das políticas redistributivas) conseguem apresentar níveis de competitividade significativamente altos nos rankings internacionais. Contrariamente, algumas das mais liberais enfrentam graves problemas em momentos de crise, como o actual, pela inexistência de políticas públicas que permitam amortecer os efeitos da quebra de actividade económica e travar o drama social do desemprego.
Dentro das temáticas específicas para o debate, a alteração do sistema produtivo é prioritária. No caso português este apoiou-se, durante décadas, em sectores de reduzido valor acrescentado, que baseavam a sua competitividade em custos de produção (nomeadamente salariais) relativamente baixos. A crescente exposição à concorrência de países com custos de produção extremamente reduzidos levou ao desaparecimento ou reconversão, desde início desta década, de sectores de grande importância em termos de produção e exportação. O rol do governo português, na óptica sectorial, tem sido tradicionalmente muito interventivo, potenciando sectores, através da subsidiação directa ou indirecta, e prejudicando outros, muitas vezes de forma inconsciente, por via das distorções competitivas, activas ou passivas. No contexto dos sistemas produtivos, os governos não podem promover directamente sectores atendendo a interesses particulares, sejam eles legítimos ou não. Compete às empresas tomar decisões de investimento e pôr em marcha actividades produtivas. Os governos devem limitar-se a melhorar as suas condições de desempenho, apoiando o sistema educativo e de inovação, fornecendo informação para os negócios, reforçando os vínculos universidade-empresa, fortalecendo as diferentes modalidades de formação profissional, reduzindo os custos de transacção e a burocracia e promovendo a estabilidade macroeconómica e a segurança jurídica, entre outras.
Para além das mudanças do sistema produtivo, é imprescindível proceder a uma reformulação das formas de intervenção do Estado. O seu papel como produtor deveria focar-se maioritariamente nas funções de distribuição, potenciando, simultaneamente, o seu papel como regulador, com a finalidade de assegurar o bom funcionamento tanto dos mercados de bens e serviços, como do mercado de trabalho. Um outro aspecto importante consiste em diferenciar os conceitos de provisão e produção. Para garantir a provisão dum determinado bem ou serviço, o Estado não precisa de o produzir directamente. Na tomada de decisões operativas a este respeito, as considerações de eficiência e de capacidade de regulação são aspectos que exigem uma cuidada ponderação por parte dos decisores públicos.
Todas as recomendações recorrentemente efectuadas pelos organismos internacionais, durante os últimos vinte anos, são, sem dúvida, um bom ponto de partida para implementar um programa de reformas estruturais que permita alterar o modelo económico-social, tornando-o economicamente mais eficiente e socialmente mais justo. A alteração do modelo exige uma liderança política forte e uma conjuntura económica favorável. Sem elas o debate estéril prolongar-se-á durante anos e a sua implementação ficará eternamente adiada.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

"Não me venham com a lenga-lenga de que nas eleições europeias não se avaliam políticas nacionais!"

Um protesto mais eficaz

(título de mensagem, datada de 1 de Junho de 2009, disponível em Empreender)

domingo, maio 31, 2009

Sistemas de navegação para carros

«"BOSCH" ANUNCIA 100 POSTOS DE TRABALHO
A "Bosch" anunciou que vai transferir para a fábrica de Braga a produção dos seus sistemas de navegação para carros, uma área que estava centrada na Alemanhã, em Hildesheim. A decisão tem impacto no nível de emprego em Portugal, com a criação de 100 novos postos de trabalho.»
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(título e excerto de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, proveniente de CMBraga - Comunicação - canal.informativo@cm-braga.info

quarta-feira, maio 27, 2009

Índice Sintético de Desenvolvimento Regional - 2006

"Os resultados do ISDR, reportados a 2006, revelam que apenas cinco, em 30 sub-regiões - por ordem hierárquica, Grande Lisboa, Pinhal Litoral, Baixo Vouga e, marginalmente, Beira Interior Sul e Baixo Mondego - superavam a média nacional em termos do índice global de desenvolvimento regional.
Os resultados reflectem uma imagem assimétrica do País, em termos de desenvolvimento global e de competitividade, mas mais equilibrada do ponto de vista da coesão e, ainda que em menor escala, mais equilibrada também do ponto de vista da qualidade ambiental. A existência de assimetrias inter-regionais mais intensas na competitividade reflecte, todavia, um processo em que, entre 2004 e 2006, 17 sub-regiões convergiram relativamente ao nível de desempenho nacional.
Na competitividade é saliente a diferenciação entre o Litoral e o Interior, com dominância do Litoral. Este padrão também caracteriza a qualidade ambiental, embora invertido face à competitividade, com o Interior a revelar desempenhos mais favoráveis. Na coesão, uma realidade mais equilibrada coexiste com alguma predominância de sub-regiões do Sul e centro Sul face ao Norte."
*
(reprodução de resumo de Destaque(s) do INE de 2009/05/26, intitulado Índice Sintético de Desenvolvimento Regional - 2006, disponível em INE)

segunda-feira, maio 25, 2009

"Não basta possuir recursos"

Água do mar

(título de mensagem, datada de 25 de Maio de 2009, disponível em Empreender)

sexta-feira, maio 22, 2009

Medidas de apoio à ITV

Qual o efeito dos apoios à ITV? – Parte 2

(título de artigo disponível na Newsletter Portugal Têxtil de 21/05/2009)

quinta-feira, maio 21, 2009

terça-feira, maio 19, 2009

Perceber a economia e a sociedade em que vivemos

1. O Departamento onde trabalho (Depto. de Economia da Escola de Economia e Gestão, Universidade do Minho) organizou há dias uma conferência de que fui moderador, que teve como convidado principal Vítor Bento, economista e presidente da SIBS (Multibanco), e como comentador da intervenção do conferencista em causa Pedro Lains, historiador e investigador do Instituto de Ciências Sociais, Lisboa. O pretexto para o convite a Vítor Bento foi a apresentação do seu mais recente livro, intitulado “Perceber a crise para encontrar o caminho”.
2. A apresentação foi muito rigorosa e didáctica e terá deixado bastante impressionada a plateia. Do que disse o comentador, reagindo à intervenção oral inicial mas, bem assim, ao que lera no livro, retenho a indicação que gostara de ler a primeira parte (analítica) mas que se reconhecia muito menos na segunda parte, que o autor da obra dedica a um conjunto de “Considerações sobre a envolvente político-social”, desembocando nas propostas de estratégia para a superação das graves dificuldades estruturais porque passa a economia portuguesa. Devo dizer que, nesta dimensão, me identifiquei algo com o que disse Pedro Laíns, isto é, a meu ver, o rigor técnico e a lucidez que informa a primeira parte do livro não tem contrapartida à medida na leitura feita dos enquadramentos político-sociais que ditaram o percurso desastroso da economia portuguesa nos últimos 10 anos e, sobretudo, dos derradeiros 7, e ainda menos em matéria de estratégia de política para resolver as múltiplas crises (desequilíbrios) que o país enfrenta. Os mais importantes desses desequilíbrios são, do meu ponto de vista; o desequilíbrio das contas externas e a dívida externa em crescimento acelerado; o desequilíbrio das contas públicas; a crise estrutural da economia nacional; a crise financeira (e económica) internacional; a crise de credibilidade do sistema político; e a crise de liderança da economia e da sociedade portuguesa.
3. Sobre a matéria antes referida, diz a dado o passo Vítor Bento (p.19): “[…] o deslumbramento da afluência adquirida levou-nos a descurar as virtudes da boa ´gestão caseira`, deixando acumular preocupantes desequilíbrios e criado vícios comportamentais que nos enfraqueceram. Ao nível estrutural, somos confrontados com o que impropriamente se tem designado por ´esgotamento do modelo` […]”. Não é igual a leitura que eu faço dos fundamentos e materialidade da “crise” mas não me custa subscrever a análise nesta passagem. Também não me custa subscrever a afirmação que produziu de que “O primeiro choque [reportava-se à adesão de país ao Euro (€)] que poderia ter sido minimizado, se houvesse gestão macroeconómica, foi o que andou associado ao equilíbrio orçamental”. O que me custa verdadeiramente aceitar é que Vítor Bento veja a saída para a superação deste beco a que chegámos: i) na redução dos salários; ii) na redução do preço dos bens e serviços não-transaccionáveis (um conceito que acaba por não se saber muito bem o que é); iii) na redução dos custos parafiscais; iv) em medidas fiscais e sociais complementares; e v) na criação de um “alargado consenso político-social” (p. 21), que alguns interpretarão, porventura com razão, como reclamação da formação de um governo de “bloco central”, como se não fosse já suficientemente mau a alternância que temos tido entre dois desertos de ideias para o país.
4. Tem que se fazer entretanto justiça a Vítor Bento por pôr preto no branco “Que houve má gestão política das variáveis económicas manipuláveis pelo Estado” (p.29). Note-se que se está a referir ao conjunto dos dez anos que constituem o centro de análise do seu livro, juntando no mesmo saco Pina Moura, Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix e Teixeira dos Santos e, com eles, os governos de António Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes e José Sócrates, no seu todo. O que eu duvido seriamente é que nos seus escritos de há um par de anos mantivesse já essa leitura, que a mim me pareceu óbvia ao longo de todo esse tempo.
5. A expressão máxima da nossa diferença de leitura poderá talvez ser sintetizada nas duas questões/observações que fiz no contexto do debate que se sucedeu à intervenção inicial de Vítor Bento. Foram elas as seguintes:
i) Conforme dito, Vítor Bento aposta na redução de salários para a saída da crise, assumindo e aceitando que isso conduza ao crescimento das desigualdades sociais. Pareceu-me entretanto surpreendido ou incomodado quando lhe fiz presente que Portugal apresenta o maior fosso em matéria de rendimentos no seio dos 27 países da União Europeia. A situação é tão chocante que, confrontado com o gráfico respectivo, alguém classificou de “pornográfica” a situação. Se ligarmos desenvolvimento e desigualdade social, não teremos aqui parte da explicação do nosso atraso e das nossas crises?
ii) É muito comum no Portugal dos últimos anos olhar-se para os ministros das finanças e classificar o seu desempenho de bom ou mau consoante estes se revelaram melhores “contabilistas”. Isso foi ainda assim até há poucos meses com Teixeira dos Santos. Mas pergunto: será que o ministro das finanças não precisa ser também “ministro” da economia, isto é, podem-se equacionar separadamente o equilíbrio do orçamento de Estado e o equilíbrio estrutural da economia (leia-se, o crescimento do país)?
O livro de Vítor Bento é uma leitura que recomendo, não pelo que ele sugere como saída(s) para a crise(s) mas pela oportunidade de levar cada um dos leitores a fazerem a sua própria reflexão do que andou mal na economia e na política do país e dos caminhos que importa trilhar para que deixemos este beco de desgraça para onde nos deixámos conduzir.
J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

sexta-feira, maio 15, 2009

terça-feira, maio 12, 2009

What we think…

"What we think determines what happens to us, so if we want to change our lives, we need to stretch our minds."

Wayne Dyer

(citação extraída de SBANC Newsletter, May 12, Issue 567- 2009, http://www.sbaer.uca.edu/)

quarta-feira, maio 06, 2009

A previsível estagnação da economia espanhola

O extraordinário desempenho da economia espanhola na última década e meia fez com que muitos analistas acompanhassem a sua evolução com um misto de admiração e desconfiança. Dum lado, as altas taxas de crescimento deslumbraram muitos políticos europeus preocupados por reactivar as suas economias domésticas. Doutro, o boom imobiliário e o crescimento do défice externo geraram todo tipo de suspeições entre analistas, académicos e imprensa especializada.
A evolução recente das variáveis macroeconómicas justifica a desconfiança generalizada instalada nos foros e encontros internacionais. As recentes projecções do FMI confirmam que a prolongada expansão dos últimos quinze anos chegou ao seu final e que nos próximos os ajustamentos serão duros e as reformas inevitáveis. Segundo o FMI, o PIB espanhol experimentará uma contracção de 3% durante este ano e de 0,7% durante o próximo. Em 2011 iniciar-se-á uma tímida recuperação que terá continuidade nos anos seguintes, ainda que com variações de actividade muito moderadas. De facto, a referida instituição muti-lateral prevê que as taxas de crescimento sejam inferiores a 2% até 2015. A quebra de actividade está a ter repercussões extremamente negativas em termos de emprego. O desemprego afecta já mais de quatro milhões de trabalhadores, especialmente no sector da construção civil e no sector industrial. A taxa de desemprego aproxima-se neste momento dos 18% e, apesar da melhoria espectável pelo incremento sazonal de actividade nos meses de verão, não é descabido que, no final do ano, alcance os 20%. Assim sendo, a quebra de actividade prevista para o próximo ano poderá elevar o desemprego por cima dos 22%.
Apesar da gravidade da crise, existe uma probabilidade considerável de que a situação venha a piorar ainda mais. Dum lado, o ajustamento no mercado imobiliário não está totalmente concluído. A queda real dos preços vai continuar, por efeito das restrições do crédito hipotecário e do excesso de oferta disponível para venda, tanto de habitação nova como de habitação usada. Doutro lado, o sistema financeiro pode ter que enfrentar alguns problemas, dado que o crédito malparado continua a aumentar e a exposição ao sector imobiliário de muitas caixas de poupança, que controlam aproximadamente de 50% do sistema financeiro, é extremamente elevada.
A conjuntura nos restantes países da zona Euro não irá contribuir para a recuperação económica em Espanha. Na maioria prevêem-se fortes quebras do PIB durante este ano e parte do próximo, mas não se antevêem riscos sérios num horizonte de médio prazo. Noutros, a situação não é tão favorável. Em Irlanda a crise imobiliária pode agravar-se ainda mais nos próximos meses. Os problemas nos sistemas financeiros Irlandês, Britânico e Austríaco podem atrasar consideravelmente a saída da crise desses países. Ademais, a provável crise de dívida nos países do Leste, provocará problemas financeiros adicionais. A forte presença no Leste das empresas italianas e austríacas terá um impacto considerável sobre as suas economias. Por último, a péssima situação orçamental da Grécia limita a sua margem de manobra em termos de política económica, condicionando as suas possibilidades de relançamento da economia.
Apesar do sucesso económico dos últimos anos, a economia espanhola cresceu de forma extremamente desequilibrada. Em termos de preços, produziram-se revalorizações insustentáveis dos activos imobiliários e gerou-se um alto diferencial de inflação que reduziu fortemente a competitividade da economia. Consequentemente acumulou-se um défice por conta corrente, que neste momento é o segundo maior do mundo, unicamente ultrapassado pelo dos Estados Unidos. Em termos do mercado de trabalho, existem uma série de rigidezes institucionais, que afectam os índices de temporalidade e que contribuem para gerar taxas de desemprego impróprias de uma das dez maiores economias do mundo. Ademais, em termos estruturais existem uma série de peculiaridades que revelam a dualidade de uma economia que não concluiu as reformas estruturais durante a intensa transformação das últimas três décadas. Entre as singularidades mais salientáveis encontra-se a sobrevivência das caixas de poupança, que estão relativamente excluídas da disciplina do mercado e contam com um grau de politização da gestão pouco saudável numa economia de mercado.
Em linha com as recomendações de muitos economistas, o FMI considera que Espanha deve levar a cabo importantes reformas nos mercados de bens e serviços e, sobretudo, no mercado de trabalho, para evitar que a estagnação se prolongue durante vários anos. Em relação aos primeiros, todas as recomendações apontam para a necessidade de incrementar os níveis de concorrência e melhorar os mecanismos de regulação. Relativamente ao mercado de trabalho, as receitas baseiam-se no incremento da flexibilidade para melhorar as assimetrias existentes, em termos de protecção social e temporalidade, entre trabalhadores qualificados e trabalhadores jovens menos qualificados; na melhoria do sistema educativo para reduzir o diferencial de temporalidade; e na reforma do sistema de pensões, dado que o actual é actuarialmente insolvente e consequentemente insustentável.
Os momentos de crise são extremamente duros para muitos agentes económicos, mas devem servir para reflectir e corrigir o rumo. As crises têm consequências demasiado sérias como para não tirar partido delas. A conjuntura actual demonstra que os momentos de expansão devem servir para levar a cabo os processos de reforma que permitam crescer, a prazo, de forma saudável e estar razoavelmente protegido nos momentos de crise.

FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
(artigo de opinião publicado na edição de ontem do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no âmbito de coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

segunda-feira, maio 04, 2009