Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

segunda-feira, novembro 20, 2006

Energia nuclear em Portugal…

A energia nuclear é motivo de receio por diversas razões: foi desenvolvida no contexto de uma guerra mundial, houve o acidente de Chernobyl, etc.
Mas Portugal não tem recursos energéticos e precisa de energia para se desenvolver sem aumentar a emissão para a atmosfera de dióxido de carbono.
Como todos nós sabemos, em termos económicos, o desenvolvimento esta intimamente ligado ao consumo de energia, uma vez que o uso de energia permite movimentar factores de produção e explorar recursos, multiplicando assim várias vezes a riqueza das nações.
Como se exige que o desenvolvimento económico continue, é inevitável que haja um contínuo aumento do consumo de energia.
Apesar de ultimamente ter havido um aumento significativo do preço da energia e pouco crescimento económico, o consumo de energia tem mesmo assim aumentado.
O paradigma energético actual, que se baseia nos combustíveis fósseis, é impossível de manter para o futuro.
Há então a opção da implementação da solução nuclear. A energia nuclear tem vantagens custo sobre todas as tecnologias utilizadas na produção de energia eléctrica sem emissão de gases para a atmosfera.
Como sabemos, a electricidade é muito cara. Apesar de tão cara a electricidade em Portugal é muito utilizada.
Numa análise mais económica, é normal ouvirmos dizer que Portugal é demasiado pequeno para ter uma central nuclear. No entanto, se tivermos em conta por exemplo a Suiça, que ao nível do território é menor que Portugal e possui 5 reactores nucleares.
Existe então consumo eléctrico que viabilize a construção em Portugal de uma central com vários reactores?
O concentrar dos reactores num só local implica custos de transporte da energia. No entanto tem muitas vantagens como seja a criação de postos de trabalho permanentes numa zona deprimida e menores custos de segurança e de gestão de resíduos. Além disso, poderia ser associado um cluster industrial de energia eléctrica intensiva.
Poderia, por exemplo, a central nuclear estar localizada no Alentejo por ser pouco povoado, deprimida e próximo duma zona de grande consumo energético (Lisboa e Vale do Tejo).
Assim, a longo prazo, a energia eléctrica produzida numa central nuclear poderia substituir outras fontes de energia que têm um impacto ambiental muito negativo, e a sua construção poderia também ser um factor de desenvolvimento de uma região onde fosse localizada. Este desenvolvimento resultaria directamente dos postos de trabalho criados na construção e funcionamento da central. Em termos indirectos, tornaria a região muito competitiva para a instalação de indústrias intensivas em energia.
Por outro lado, os transportes movidos a electricidade, como os comboios e metropolitanos, tornar-se-iam mais competitivos relativamente aos veículos movidos de combustíveis líquidos.
Em termos globais, para Portugal, a construção de uma central nuclear, e a consequente produção de energia eléctrica a custos mais baixos aumentaria a competitividade da economia, gerando indirectamente riqueza. Neste momento é necessário tomar decisão sobre o uso em Portugal da energia nuclear eléctrica. Esta necessidade prende-se com o aumento exponencial dos preços da energia baseada em combustíveis fosseis, a consciencialização de que o dióxido de carbono pode causar alterações climáticas de consequências imprevisíveis e as denominadas “fontes alternativas amigas do ambiente” implicarem um custo de produção muito elevado.
A opção nuclear, como qualquer opção, tem pontos positivos e pontos negativos, e cabe portanto a nós cidadãos ponderar e de forma racional, tomar uma decisão.

Luís Machado

(doc. da série artigos de análise/opinião)

4 comentários:

susana vilas boas disse...

È consensual a necessidade de Portugal, que tem uma economia fortemente dependente do petróleo, apostar e desenvolver energias alternativas e menos poluentes, de forma a diminuir as suas emissões de CO2 parta a atmosfera e cumprir o protocolo de Quitou. O custo para a economia, da grande dependência petrolífera, é demasiado e lavado, impondo grandes restrições ao cresci minto económico e consolidação das contas publicas internas e externas.
Face a este problema, coloca-se a questão, em que energias alternativas, deverá apostar o país. Na minha opinião, a energia nuclear coloca-se fora de questão, pelo facto de Portugal não ter tecnologia e recursos que lhe permitam desenvolve-la, para alem da perigosidade indiscutível, que esta representa.
Concordo com a opção do governo, em preferir outras fontes de energias, mais limpas e menos perigosas como a eólica, a solar, o biodisel, a hidráulica, o gás, e as baterias de lítio.
Temos que pensar nos aspectos económicos, tal como refere o colega, mas também nos riscos para a saúde pública e para o ambiente da instalação de uma central nuclear.
Susana Vilas Boas

Manuel Vilas disse...

A dependência energética de Portugal é indiscutível e deve-se principalmente á falta de iniciativa e aposta na inovação e desenvolvimento de tecnologias mais “limpas “ e também á falta de informação e desleixo dos cidadãos. Sendo Portugal um país com uma faixa costeira considerável seria de esperar uma maior aposta na implementação de sistemas de produção energética através por exemplo de construção de centrais de coluna de água oscilante, aproveitando assim as variações das marés, implementação de sistemas que permitam retirar e produzir energia através das ondas, este tipo de tecnologia podia ter aproveitamento em toda a faixa costeira. No sul do país, e devido as suas características tanto climatéricas como a nível morfológico, a construção de “campos” fotovoltaicos seria uma aposta ganha com certeza, aposta esta que penso que já estará em fase de implementação com a construção de um dos maiores campos fotovoltaicos da Europa no Alentejo; a norte a aposta na energia eólica que está em crescente ascensão não deverá ser descurada. Contudo, este tipo de energias envolvem um elevado investimento que na minha opinião seria compensado pela poupança que se iria obter com a diminuição da importação de energia fosseis. No entanto a existência de “lobys dos “senhores” do petróleo colocam fortes atritos a implementação e desenvolvimento deste tipo de energias renováveis.
O que poderia o governo fazer mais? por exemplo, a obrigatoriedade de maximizar a utilização deste tipo de energias ao nível da construção civil, isto é, estabelecer padrões em que obriguem os construtores civis a construir casas “amigas do ambiente” (painéis solares tanto aquecem a água como funcionam no aquecimento central…; determinados tipos de materiais evitam o fácil aquecimento ou arrefecimento das habitações, etc.) ; outra situação que me “irrita” tem haver com a regulamentação da utilização para veículos movidos a GPL, mesmo sendo um recurso não renovável é bem menos poluente e menos dispendioso, no entanto as acções do governo em vez de terem um cariz incentivador da sua utilização funcionam mais como repulsor, discriminando de certa forma os utilizadores com a regulamentação imposta, obrigando-os a utilizar dísticos inestéticos, proibindo a seu estacionamento em parques subterrâneos quando estes é que deveriam ter um sistema de exaustão eficiente, não comparticipando na transformação mecânica, não fazendo acções de mobilização para a sua utilização, etc. em 20.000kms a poupança obtida com o gpl relativamente á gasolina anda em média nos 750€ e relativamente ao diesel nos 250€ conforme os consumos dos veículos, para não falar na diminuição dos níveis de poluição, contudo o gás não será tão lucrativo como o petróleo, para alguns “senhores”….
Relativamente ás centrais nucleares não sou totalmente contra a sua implementação contudo penso que existem outras alternativas para explorar, mais amigas do ambiente, em último caso partiria para a energia nuclear, não é de esquecer o facto que qualquer problema inexistente do outro lado da fronteira terá repercussões aqui, visto que, a poluição não tem nação.

Carla Almeida disse...

Eu sou a favor da energia nuclear em Portugal. Já no 10º ano em Geografia a minha professora debateu esse tema na aula e no fim disse-nos que uma vez que temos o “perigo” mesmo ao nosso lado, em Espanha, porque não também construirmos uma?! É certo que se algo de errado acontece, as consequências são catastróficas mas essa situação é tão hipotética e pode acontecer em qualquer país mas por fim acaba por afectar muitos outros ao seu redor. Hoje em dia há maior segurança e acho que Portugal deve apostar na energia nuclear. Nós consumimos muita energia mesmo ela sendo muito cara e como a energia nuclear é muito mais barata e permitiria diminuir a nossa dependência em relação ao exterior acho que acabará por ser uma boa aposta. É mais importante para o país a energia nuclear do que o TGV ou o aeroporto da OTA. A energia nuclear pode causar muita discórdia mas acabaria por beneficiar todos nós e permitiria igualmente desenvolver a economia do nosso país.

Pedro Amorim de Brito disse...

É perfeitamente plausível equacionar a utilização desta energia não poluente, mas os riscos inerentes são devastadores, no caso de alta actividade de um reactor e consequente explosão ou fuga de radiação. No entanto as centrais nucleares actuais já são equipadas com altos sistemas de segurança, que accionam medidas de emergências para este casos,não se sucedendo o que aconteceu na central de Chernobyl na Ucrania, morrendo milhares de pessoas na altura e posteriormente com cancro (leucemia), comprementendo a gerações futuras através de mutações nos corpos devido ao elevado nível de radiação que permanecerá durante muitos anos, naqueles territorios. Analisando este cenário demonstrativo da força destrutiva que a energia nuclear pode causar, dá que pensar, para além de poder ser utlizado para objectivos bélicos...Como nação que somos, onde existe o compromisso explicito de participar em missões pela paz, seria muito melhor optarmos por outras vias como a utilização da força das ondas, como já acontece nos Açores, a energia eólica e a implantação de paineis solares em cada lar, com o intuito de poupar o ambiente e a carteira de cada um, nas abordagem ambientalista e economicista, respectivamente.