Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

domingo, novembro 19, 2006

Portugal e a Corrupção

Há 13 crimes económicos por dia em Portugal: indícios de fraudes, emissões de facturas falsas, corrupção, branqueamento de capitais, crimes fiscais, e infracções de tecnologias informáticas. O que me despertou nesta notícia foi saber que os fundos movimentados pela economia paralela poderão envolver cerca de 9% do PIB, deste modo, o combate à corrupção tem de passar a ocupar parte substancial do discurso político.
Esta situação, na minha modesta opinião, deve-se, entre outros factores, a duas vertentes: lacunas no nosso sistema judicial e questões culturais.
A crescente dificuldade de contra-resposta judiciária permite a este tipo de criminalidade, vantagens superiores aos riscos, pois o atraso que resulta da desorganização crónica da justiça tem conduzido na maioria das vezes à impunidade. Isto sem falar do “labirinto” legislativo típico no nosso país: os jurisconsultos e advogados que ajudam os governos e o Parlamento a fazer a lei são posteriormente aqueles que ajudam os promotores privados a encontrar as lacunas da lei que eles próprios ajudaram a fazer. É urgente acabar com o descrédito na justiça e com a banalização dos fenómenos nocivos para o país para fazer face à corrupção.
Também é curioso associar a corrupção à própria cultura do país, os países mediterrâneos têm uma economia paralela em % do PIB muito superior à dos países nórdicos.
No entanto, esta atitude corrupta, como já referi, não é apenas típica do nosso país. De acordo com a revista “Prémio” de 10 de Novembro de 2006, Portugal é 26º país menos corrupto. A lista da Transparency International colocou Portugal como o 26º país menos corrupto do mundo. O indicador de percepção de corrupção português melhorou em relação a 2005, mas Portugal continua a aparecer abaixo da Espanha e da Alemanha. No topo da lista estão a Finlândia, a Islândia, e a Nova Zelândia e no fundo estão países como Haiti, Guiné e Iraque.

Sara Veloso

(doc.da série artigos de análise/opinião)

4 comentários:

Manuel Vilas disse...

Achei pertinente colocar aqui algumas citações de um artigo do Jornal de Negócios (edição de 25 de Outubro) sobre corrupção, que tem como título “Portugueses desconfiam mais das autarquias e do desporto”, passo a citar : “ A esmagadora maioria dos portugueses considera o nível de corrupção em Portugal preocupante. Ainda de acordo com uma sondagem da Aximage para o JN/CM, a maior parte dos inquiridos acredita que é nas autarquias e no desporto que mais se banalizaram as práticas ilícitas. Numa altura em que o Chefe do Estado e o novo procurador geral da República voltaram a recordar a eterna prioridade do combate á corrupção, os cidadãos fazem questão de enviar um alerta ao poder político e judicial: 90.5 %, dos 550 entrevistados, considera ”preocupante “ o nível de corrupção em Portugal , enquanto apenas 4,2% assume não relevar o problema, e 5,3% diz não ter opinião. E são precisamente os jovens aqueles que mais desvalorizam o problema, apesar da esmagadora maioria o considerar motivo de preocupação. Cinco em cada 100 jovens, entre os 18 e os 29 anos, sublinha que o assunto não é preocupante, enquanto 89% sustenta que o nível de corrupção deve ser motivo de reflexão…”; este artigo demonstra-nos que existe uma elevada preocupação por partes dos portugueses no que diz respeito á corrupção o que contrapõe de certa forma e citando um excerto do artigo da Sara “… é curioso associar a corrupção à própria cultura do país, os países mediterrâneos têm uma economia paralela em % do PIB muito superior à dos países nórdicos…”, isto é, o facto de existir uma economia paralela no nosso país ou em outros países do mediterrâneo, na minha opinião, não se prenderá tanto com a nossa “cultura corrupta” mas sim pela falta de uma “cultura combativa e fiscalizadora da corrupção”, o que verifica nos outros países.

Carla Almeida disse...

Acho surpreendente a posição de Portugal relativamente aos seus níveis de corrupção comparativamente com o resto do mundo. Somos o 26º país menos corrupto do mundo! De certeza?! É de conhecimento de todos nós que a maioria dos portugueses faz de tudo para fugir ao fisco e muitos simplesmente nem sequer se preocupam em cumprir com as suas obrigações! Não quero dizer que Portugal é um país de corruptos mas todos nós temos o instinto embora por vezes inconsciente pois preferimos pagar um serviço “por fora” por ser mais barato porque não tem IVA, do que pagar mais 21% e saber que quem prestou o serviço vai ter de prestar contas ao Estado! O Governo ultimamente tem apostado fortemente no combate à corrupção e acho que faz muito bem porque quer os ricos, quer os pobres têm de cumprir com as suas obrigações consoante os seus reais rendimentos e não apenas consoante os seus rendimentos declarados!

Anónimo disse...

Terá a corrupção em Portugal alguma coisa a ver com a Maçonaria e o Opus Dei ???

Anónimo disse...

A corrupção tem sido um tema que se tem debatido mas com algumas restrições. Ora quando o nosso pais figura no 15º lugar numa lista de 30 há que parar e pensar o que pode ser feito a este respeito. Penso que devem ser fixados programas de combate à corrupção os quais devem ser divulgados para que quer os colaboradores da empresa quer os clientes e fornecedores tomem conhecimento das medidas a por em prática nestes casos. No entanto, quando estas práticas são feitas pelos mais altos membros de uma nação, aqueles que têm algo a dizer no que concerne a este assunto algo está mal, já que estes devem ser os primeiros a dar o exemplo positivo e não os primeiros a quebrar as regras. No mesmo estudo é-nos mostrado que estas práticas são sobretudo quando as empresas vão para o exterior o que também é de questionar pois estas levam a imagem do pais além fronteiras. Espero que algo sejas feito para combater práticas corruptas.

Fátima Couto nº40319