Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

terça-feira, novembro 28, 2006

O MERCADO DE TRABALHO É UM DOS MAIORES PROBLEMAS DA ECONOMIA PORTUGUESA

Portugal apresenta algumas divergências económicas em relação à União Europeia, que resultam essencialmente do mercado de trabalho. Segundo o relatório anual da Comissão Europeia, “The EU Economy 2006 Review”, Portugal é o país com os salários mais rígidos, ou seja, os salários apresentam pouca sensibilidade relativamente às oscilações do ciclo económico, e assim não permitem o ajustamento em momentos de crise.
Um dos principais problemas da economia portuguesa é o facto do crescimento dos salários ser superior ao crescimento da produtividade, comparando com os restantes países da União Europeia. Desta forma, os custos de produção dos produtos portugueses tornam-se mais elevados, o que se irá reflectir nos preços das exportações, e portanto, a economia portuguesa perde competitividade relativamente aos seus parceiros económicos europeus os quais absorvem grande parte das nossas exportações. Este cenário tem como consequência o desemprego e por vezes a falência de várias empresas. Em períodos de recessão a procura doméstica diminui e a solução é escoar os nossos produtos através do mercado externo, no entanto, as empresas portuguesas não são suficientemente competitivas para alcançar poder de mercado, e assim a situação da economia portuguesa deteriora-se ainda mais. Segundo o economista francês Olivier Blanchard, “os salários nominais deveriam cair 20% em Portugal para a economia re
cuperar rapidamente”. No entanto, nenhum agente económico aceitaria serenamente a diminuição dos salários nominais, já que isto significaria uma diminuição do poder de compra. Por outro lado, o crescimento dos salários verificado em Portugal provoca o aumento da inflação, diminuindo ainda mais o nosso poder de compra e, consequentemente, a procura doméstica.
Na minha opinião, a solução para a economia portuguesa será por em prática politicas que visem o aumento da produtividade, pois só assim se poderá tornar mais competitiva. Já o crescimento dos salários deverá ser proporcional ao crescimento da produtividade, dado que só um aumento da produtividade poderá suportar salários mais elevados.


MARISA SILVA
(doc. da série artigos de análise/opinião)

4 comentários:

Alina Gonçalves disse...

Um facto curioso que vi uma vez no telejornal era que num estudo se chegou á conclusão que os portugueses eram daqueles que passavam mais horas a trabalhar.
No entanto, temos grandes problemas de produtividade.

Ora, isto dá uma terrível imagem de nós principalmente se pensar-mos que os nossos parceiros europeus trabalham menos horas e têm uma produtividade maior que nós.

Pedro Amorim de Brito disse...

Penso que a produtividade marginal deve-se a falta de técnicos especializados, e uma das principais causas é a falta de técnicos especializados, porque temos uma taxa de abandono e insucesso escolar das mais elevadas da europa.
Se este flagelo, fôr combatido, a produtivade marginal irá melhorar, e teremos pessoas com melhores "skills" para desempenhar as funções.

Fernando Saraiva disse...

A relação entre produtividade e crescimento dos salários, na realidade económica portuguesa é muito interessante.
Se por um lado os portugueses são muito pouco produtivos, a verdade, é que quando vão trabalhar para o estrangeiro, são considerados muito produtivos e é do interesse das empresas estrangeiras contratar mão de obra portuguesa.
Então será que a falta de produtividade nacional não estará relacionada com os baixos salários praticados em Portugal, e que não servem de incentivo para se produzir mais!??
Se assim é teríamos de elevar os salários e só depois a produtividade cresceria, o problema é que para elevar os salários tem de se criar mais riqueza primeiro, ficamos assim num ciclo que parece não tem fim á vista.

Manuel Vilas disse...

Este artigo vem de encontro á minha opinião, ou seja, o aumento dos salário mínim em 3,6% é descabido para o momento conjuntural que atravessamos.

Sem ganhos de produtividade, com empresas a laborar na margem mínima, maior numero de empresas a fechar e a deslocalizar a produção para outros países com mão-de-obra barata e menos queixosa, perdemos assim na competitividade internacional. Seria de esperar um congelamento dos salários. 11,20€ pode não ser muito para um trabalhador mas para a entidade patronal com centenas de salários para pagar ao fim do mês, representa um enorme custo adicional. Enquanto não apostarmos na inovação e aumentarmos os níveis de produtividade e competitividade, não devemos pensar em aumentos salariais.