Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

quarta-feira, novembro 22, 2006

Será que o aumento do salário mínimo nacional é mesmo insustentável para a economia portuguesa?

O governo está a negociar um aumento do salário mínimo nacional para 400€. Actualmente o salário mínimo nacional situa-se em 385,90€. Deste modo para se alcançar o valor pretendido pelo governo seria necessário um aumento de 14,10€. O aumento do salário mínimo nacional de forma a manter o poder de compra, ou seja equivalente à inflação seria 8,10€ (uma vez que a inflação prevista é 2,1%). Será que um aumento de salário real no valor de 6€ é mesmo insustentável para as microempresas e as PME`s? Será que as empresas que argumentam estar a laborar na margem mínima não poderão aumentar a sua produtividade ou expandir os seus negócios através de uma atitude proactiva e empreendedora para aumentarem os salários mínimos de modo a recuperar 6€ mensais do poder de compra?

Lara Pinto

(doc. da série artigos de análise/opinião)

5 comentários:

Manuel Vilas disse...

Na minha opinião, nesta fase em que o sector empresarial se encontra fragilizado e visto que, as pequenas e médias empresas representam a maior parte do tecido empresarial português, um aumento de 6€ nos salários poderá ter um impacto significativo nas contas mensais das empresas, enquanto que no rendimento mensal das famílias não será!?assim tão significativo, tendo em vista que este aumento poderá provocar algumas dificuldades financeiras nas empresas não será então preferível “aguentar” algum tempo por sinais mais coesos de retoma em vez de se estar a obrigar as empresas a um maior esforço financeiro e até mesmo colocar em risco os próprios postos de trabalho?. Como se referiu no artigo, muitas empresas funcionam na margem mínima de lucro, principalmente o sector têxtil em que cada euro tem um peso significativo no processo produtivo, o aumento do salário mínimo em 6€ terá certamente impacto no contexto em que o nosso país se encontra principalmente no contexto de concorrência internacional.

Alvaro Ferreira disse...

Na minha opinião, o aumento do salário Mínimo Nacional, embora numa estrutura progressiva, acima da taxa de Inflação não vão causar desemprego, muito embora a politica salarial tenha de ser tratada com prudência.
A razão principal para a minha conclusão prende se com o elevado nível de rigidez do mercado de trabalho português. Embora este governo venha trabalhando no sentido de diminuir esta rigidez ( tentando igualizar ao nível da zona EURO ) em Portugal ainda é muito difícil despedir trabalhadores. Por tanto os custos de quem não queira pagar um novo Salário Mínimo Nacional mais elevado serão superiores no caso de optarem pela via dos despedimentos. Esta causa/efeito reforça a ligação ao posto de trabalho, diminuindo a rotação entre empregos e elevando a experiência. O que torna um factor positivo na óptica da produtividade empresarial.
Os efeitos negativos em termos do desemprego vão sempre acontecer. Tarefa difícil é quantificar o seu impacto. Temos de ter em conta se existe muita gente abaixo do SMN. Esta situação pode criar um problema muito complexo à economia nacional, e um dos factores mais visíveis é a descida na procura por parte das empresas em trabalhadores que estariam dispostos a aceitar um valor menor ao SMN. Outro factor negativo é o aumento da economia clandestina, que pode provocar graves distorções na economia nacional.
A existência de efeitos negativos sobre o desemprego alerta para a necessidade de haver prudência por parte da classe politica em torno do salário mínimo nacional, no sentido do resultado positivo esperado embora modesto, seja anulado.

Clara Rosa disse...

Quando a questão do salário mínimo vem à “tona”, ouvem-se muitos industriais referir a incapacidade financeira que apresentam para fazer face a este aumento significativo. Será que já alguma vez questionaram os agentes que auferem o salário mínimo nacional, de como conseguem fazer face às suas despesas? De certeza que a sua produtividade é muito mais elevadíssima do que as despesas totais que a empresa incorre com esse trabalhador.
Acho que é preciso dar mais poder aos pequenos, dar-lhes o que é seu por direito, proporcionar-lhes poder de compra, que será um estímulo à Economia. Muitas vezes me questiono, se esses empresários que laboram na margem mínima, investem na empresa para serem mais produtivos e competitivos ou investirão em usufruto pessoal?
Na minha opinião, este acréscimo no salário mínimo nacional é inevitável, já tardio e pouco significativo, por parte de quem o recebe. E, do lado do Estado deveria haver um incentivo fiscal ou até uma obrigação para que os empresários investissem na empresa parte dos seus lucros. Num futuro próximo quer a qualidade de vida dos trabalhadores, dos empresários e do Estado iria aumentar, seria sustentada.

Carla Almeida disse...

Este é um conjunto de questões que, na minha opinião, terão uma resposta diferente para cada empresa embora se possa distinguir dois tipos de situações. Há aquelas em que para os patrões em primeiro lugar está o lucro e há aquelas em que para os patrões a preocupação está em assegurar os postos de trabalho. Na primeira situação a solução é o despedimento, na segunda é o aumento da produtividade para se fazer face aos custos. Para as pequenas e médias empresas penso que não seja insustentável o aumento do SMN mas depende da boa vontade dos patrões. Obviamente que para a entidade patronal não é só o aumento de 14,10 € por trabalhador porque com esse aumento também aumenta logicamente o valor a pagar à Segurança Social. É possível recuperar o aumento dos custos mas para isso é preciso os trabalhadores estarem motivados e assim sendo serão produtivos recompensando assim os seus patrões.

Gerardo Ferreira disse...

Na minha opinião, um aumento do salário mínimo nacional poderá ter algum impacto ao nível do desenvolvimento económico e social do país. Apesar deste aumento proporcionar um maior poder de compra aos trabalhadores que auferem o SMN e assim contribuir para uma melhoria ao nível da igualdade de salários e consequentemente ao nível da igualdade social, por outro lado, pode desincentivar o investimento no país pois este torna-se pouco atractivo devido ao custo de mão de obra que agora é mais caro. Esta sobrecarga na estrutura financeira das empresas poderá também desencadear encerramentos como também despedimentos pois estas não conseguem suportar tais custos pois funcionam numa fronteira muito ténue entre custos e proveitos, onde um aumento de custos vai fazer toda a diferença. Esta política poderá também ter consequências a nível social na medida em que pode desincentivar os jovens a trabalhar pois tem uma perspectiva de salários mais elevados, deixando assim os estudos precocemente, contribuindo assim para um aumento do trabalho não qualificado.