Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

sábado, dezembro 09, 2006

Destaques noticiosos do fim-de-semana

Aumento do salário mínimo aprovado em Conselho de Ministros
[http://www.publico.clix.pt/Economia/noticia.asp?id=1278918] (06-12-06, in Público)

«O Conselho de Ministros aprovou hoje o aumento do Salário Mínimo Nacional para 403 euros no próximo ano, face aos actuais 385,9 euros.»

/...

Economistas portugueses criticam aumento das taxas de juro pelo BCE
[http://www.publico.clix.pt/Economia/noticia.asp?id=1279085] (08-12-06, in Público)

«O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, considerou hoje que as taxas de juro na Zona Euro continuam "num nível baixo" após a alta de 0,25 pontos percentuais decidida hoje, para 3,5%.»

5 comentários:

maria joao veloso disse...

Relativamente ao aumento do salário mínimo, aprovado em Conselho de Ministros, José Sócrates já tinha anunciado que pretendia um acordo a médio prazo, de modo a assegurar um aumento significativo e gradual do salário mínimo até 2009.
Deste modo, foi fixado um aumento de 4,4% (ou de 14,10 €) para 2007, resultando numa prestação de 403€ já a partir de 1 de Janeiro, mas prevê-se uma valorização gradual, de forma a atingir os 450€ em 2009 e os 500€ em 2011. Valores estes que já merecem alguma discordância, pela possibilidade de algumas empresas não conseguirem vir a suportar este aumento dos custos com o pessoal.
O valor do salário mínimo nacional é ainda um indicador fundamental para vastas áreas de actividade, no entanto, o aumento do SMN até 2011, acordado entre o Governo, patrões e sindicatos, irá ter uma maior repurcussão no sector têxtil, pois é neste sector que a prática do salário mínimo, ou de vencimentos pouco superiores, é mais frequente.
Na minha opinião este aumento já era mesmo necessário, para aumentar a confiança e o poder de compra dos portugueses, assim porque também Portugal representa um dos países da Europa com o salário mínimo nacional mais baixo.
De facto torna-se díficil aceitar que alguém dê um mês da sua vida de trabalho para receber, no final, menos de 400€, aos quais irão ser descontados despesas inevitáveis e de sobrevivência “cada vez mais caras”, e por isso estes previstos aumentos contribuirão para que muitos cidadãos passem a ter uma vida um pouco mais digna e um pouco menos injusta.
José Sócrates defende que: “uma evolução tão significativa e ambiciosa contribui para a redução das desigualdades sociais e permite que os trabalhadores com mais baixos rendimentos possam ver aumentar significativamente o seu poder de compra”.
Mas, não esquecendo os sucessivos aumentos dos preços e das taxas de juro, será que este previsto aumento de poder compra irá ser assim tão significativo?

Relativamente à segunda notícia de destaque, esta já é a sexta vez, desde Dezembro de 2005, que o BCE sobe as taxas de juro (uma decisão já esperada pelos analistas, os quais esperam ainda mais um aumento para os 4% em 2007).
O Presidente do BCE argumentou à imprensa que as taxas de juro (aumentadas para 3,5%) ainda permanecem baixas e, que estes aumentos são essenciais para combater a inflação e os elevados níveis de crédito.
Uma aceleração do crescimento económico pode gerar inflação, pelo que o BCE tem vindo a subir as taxas de juro, de modo a garantir a estabilidade dos preços na Zona Euro. No entanto, economistas portugueses criticam esta acção sucessiva, afirmando que “não há pressão inflacionista que a justifique”.
O certo é que esta decisão do BCE irá com certeza prejudicar tanto as famílias portuguesas, que passam a pagar mais pelos seus empréstimos, como a economia nacional.

Maria João

Denise Maciel disse...

Relativamente ao aumento do Salário mínimo nacional...
Vamos supor um casal com um filho em idade pré-escolar, cada um recebendo um ordenado correspondente ao novo valor do salário mínimo nacional (403€/mês).
Com esta quantia, é sabido que em situações normais, têm de pagar água, luz, gás, telefone, alimentação, vestuário (uma quantia considerável, já que a criança está em fase de crescimento), a prestação da casa ao banco, o infantário, transportes, etc. etc. Lança-se aqui a questão: Será que o salário mínimo de 403€ chega para fazer face a tais despesas?
Nesta linha de pensamento, estou então de acordo com o deputado do PCP, Francisco Lopes, quando afirma ser insuficiente o acordo alcançado para o aumento do Salário Mínimo Nacional em 2007 e, com a deputada do BE, Mariana Aiveca, ao alegar que este “continua a ser muito baixo para as pessoas viverem com dignidade", até porque muitos outros bens terão aumentos superiores, como a electricidade e os transportes.
Concordo que “não nos podemos esquecer que as empresas têm de ser, necessariamente, espaços de produtividade, única forma de chegar à desejável fase da distribuição de riqueza, premiando o capital e o risco do investidor”. No entanto, acho que a “promoção” das empresas não deve ser feita com as fortunas acumuladas à custa de salários de miséria,
Por fim, embora saiba que os valores dos salários mínimos não possam ser estipulados por sensações ou sensibilidades pessoais, continuo a achar que algo deve ser feito quanto a este assunto. Caso contrário, quem irá ganhar com esta situação será a televisão ao produzir, de forma sensacionalista, reality shows onde expõem casos de pobreza, tal como o “Canta por mim”.

josé manuel a. costa disse...

Penso que esta subida no salário mínimo nacional é muito boa para os trabalhadores do dito escalão salarial. Acho ainda que este será um marco importante deste governo, uma vez que conseguiu alcançar o acordo dos sindicatos. Aliás, não me recordo de ver sair tanta gente bem disposta de uma reunião entre governo e elementos pertencentes a sindicatos. Hoje consigo encontrar razões para me sentir optimista em relação ao futuro de Portugal.
No que respeita ao tópico sobre a opinião do Presidente do BCE, posso dizer que a sua posição era já esperada, ou seja, dada a liquidez existente na Zona Euro e até uma certa expansão económica, é de esperar que as taxas de juro até nem fiquem pelos 3,5%. Apesar de críticas recentes de muitos economistas, esta tendência de subida das taxas de juro na Zona Euro vai continuar, na minha opinião.

Denise Maciel disse...

Já não bastava o mísero salário mínimo que muitos dos portugueses têm de receber que, diga-se de passagem, quase nem chega para comer, para virem ainda mais com um aumento das taxas de juro. Até um ceguinho “vê” que esta subida das taxas de juro irá pressionar as famílias com o aumento dos encargos da dívida (levando muitas à situação de limite), afectando o consumo das mesmas. Efeito este que se irá reflectir tanto para as empresas, pois a quantidade de produtos vendidos sofrerá com toda certeza um decréscimo, como para o Estado, já que este deverá “socorrê-las” com um aumento dos subsídios. Etc etc
Ou seja, embora tenha como efeito positivo o estímulo à poupança, isto irá provavelmente provocar uma desaceleração do crescimento. Que isto sirva para controlar os elevados níveis de crédito, até concordo, daí a prejudicar aqueles que o já contrairam.....

Manuel Vilas disse...

Para ser sincero não concordo com esta subida dos salários mínimos para este valor, penso que os cerca de 14€ não aumentará muito o poder de compra das famílias ou mesmo elevar o seu nível de vida permitindo-lhes levar uma vida mais digna, contudo como é sabido a maioria das nossas empresas laboram na margem mínima, ora um aumento de 14€ mensais numa empresa com 100 ou mais trabalhadores repercute-se num aumento de aproximadamente 1400€, o que não acompanhado em aumentos de produtividade e de inovação se irá reflectir num aumento substancial de custos para as empresas, aumentando a sua precariedade na concorrência com as empresas estrangeiras... o que será preferível viver com -14€ ao fim do mês ou ficar sem emprego?...Aumentos sim mas num contexto de retoma clara e estável, e não como forma de combater o descontentamento gerado por políticas pouco populares. Este aumento, é como dar um chupa a uma criança depois de se lhe ter tirado um gelado...

Manuel Vilas