Espaço de debate de temas de Economia Portuguesa e de outros que com esta se relacionam, numa perspectiva de desenvolvimento

terça-feira, dezembro 12, 2006

Inovação em Portugal

O Primeiro-Ministro José Sócrates tem pautado o seu mandato com a ideia que concebeu de um plano tecnológico inspirado no modelo finlandês. De facto é pertinente debater o tema da inovação em Portugal.
Treze anos após a divulgação do estudo de Porter sobre a competitividade da economia portuguesa, o qual teve grande impacto na altura não só pelos resultados obtidos como também pela fortuna paga pelo estudo, pouco ou nada foi feito. Embora muitas das recomendações da Porter nunca tenham sido implementadas, ainda hoje se apresentam validas num país como Portugal em que os casos de inovação escasseiam.
A inovação é especialmente crítica em grandes empresas onde o processo de inovação é mais difícil. O que verificamos é que a inovação em Portugal acontece, tal como em muitos outros países, nas designadas Startups. Nesse sentido, é crítico o elo de ligação entre centros de investigação e desenvolvimento e as pequenas e medias empresas que não têm capacidade de ter investigação própria. Importa reforçar o elo que deverá ligar as universidades e empresas no desenvolvimento de clusters regionais com capacidade para competir a nível europeu e num mercado cada vez mais global.
Mas a inovação pode surgir noutros níveis: ao nível do controlo de custos ao nível logístico ao nível do desenvolvimento de produtos inovadores e novos mercados, etc. com a competição crescente dos países asiáticos (especialmente da China), temos de ser cada vez mais inovadores se queremos competir no mercado global. Para inovar numa indústria, temos de provocar uma mudança em Factores chave de Sucesso que regem essa indústria. Assim sendo, as empresas devem fazer uma análise estratégica em três perspectivas: na perspectiva da indústria, na perspectiva dos recursos e na perspectiva das estruturas de decisão. Uma estratégia integrada requer actuação nas três ópticas.
A análise na perspectiva dos recursos tem como objectivo identificar os recursos e as potencialidades da inovação das empresas. O objectivo será identificar quais os recursos únicos que a empresas possui que são difíceis de imitar pelos concorrentes e que são fonte de receita da empresa. Deverão ser identificadas as assimetrias entre recursos e potencialidades das empresas. A análise da envolvente interna é um elemento chave para a avaliação e tomada decisão estratégica.
A análise na perspectiva das estruturas de decisão preocupa-se em identificar as características organizacionais do processo de tomada de decisão de empresa e a influência dos accionistas no processo de tomada de decisões estratégicas. Deverão ser identificadas as assimetrias entre as percepções enviesadas e a realidade das estruturas de decisão. A análise da influência dos accionistas no processo de tomada de decisão é um elementos chave para a avaliação e a tomadade decisão estratégica.
Este último aspecto é essencial pois as barreiras internas à inovação deveriam, na sua generalidade, de estruturas e processos de decisão que não promovem a criatividade, resultando em organizações conservadoras e resistentes à inovação e à mudança.

Álvaro Ferreira
(doc. da série artigos de análise/opinião)

1 comentário:

Bernadette Cunha disse...

Sem dúvida que Portugal tem de apostar numa estratégia de inovação, de diferenciação.

Portugal tem de optar pelo mercado da especialização, ou seja, encontar o seu "diamante" como refere Porter e, assim, focar os seus recursos naturais, financeiros e humanos para a inovação desses sectores.

É evidente que para se atingir esse objectivo último, é necessário mudar muitas tendências em Portugal: apostar na formação/investigação não só nas universidades mas também e, principalmente, nas empresas privadas, reformular o sistema empresarial e facilitar as etapas intermédias (burocracia, por exemplo), entre outros.

A verdade é que já se tem implementado algumas medidas nesse sentido: o SIMPLEX, por exemplo. Mas, serão essas medidas suficientes para caminharmos no sentido de atingir algum grau de inovação e diferenciação no mercado internacional de forma a elevarmos a nossa capacidade de concorrência e competitividade?

As empresas públicas e privadas tem de se mentalizar que investir no I&D não é perder dinheiro, mas pode ter sim retornos muito maiores a curto, médio e, principalmente, a longo prazo, do que aplicações financeiras.